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120 na Auto-Estrada? Isso é de Meninos!

por Robinson Kanes, em 29.07.19

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Créditos: https://deskgram.net/fernovogroup

 

 

Sou contra a censura de todo e qualquer texto, por muito estúpido que seja, até porque nunca sabemos quando aquele "tontinho" que estamos a atacar pode ter razão. Além disso, temos belas pérolas para apreciar... Só lamento que nem sempre seja feito o contraponto a muitos disparates que são ditos. Por exemplo, eu digo bastantes e às vezes ninguém me diz nada - isso não é bom para a Democracia.

 

Um destes, dias dei comigo a ler um artigo que me enviaram porque achei que só poderia ser uma brincadeira, no entanto, estava muito distante de ser um momento de humor. Um indivíduo, de seu nome Vítor Rainho, explanava no "Jornal I" a sua revolta face a este país, mas vejamos:

 

Criticou uma auto-estrada (A8), apelidando a mesma de acto de loucura, mas não dispensou o uso da mesma quando tinha mais alternativas, por exemplo, uma nacional ou até outras auto-estradas. 

 

Mas o nosso Tommi Mäkinen não se ficou por aqui. Do alcatrão passou para o ataque à GNR que, ao invés de ter ficado no "posto" eis que decidiu andar nas estradas a patrulhar e a multar quem não cumpre com as regras! Anda uma pessoa a pagar impostos para a Brigada de Trânsito ficar a almoçar nos restaurantes de beira de estrada em Muge ou então na Apúlia e agora lembram-se de andar nas estradas a patrulhar! Uma vergonha!

 

O "forrobodó", expressão utilizada pelo autor, era uma coisa digna de se ver. Eu ainda não consigo perceber como é que deixam que a GNR atenda os telefonemas quando alguém pede socorro. É que é logo um "forrobodó" atrás dos criminosos! Um escândalo!

 

E quando já pensávamos que não podia ser pior, eis que o nosso cavaleiro do asfalto questiona a velocidade de 120km/h nas auto-estradas! Vai mais longe e até refere que esteve quase a adormecer face a tão monótona velocidade.

 

A conclusão desta mente brilhante é que a sociedade civil se deveria mobilizar (sim, sublinhei para acentuar o ridículo) e fazer boicote às auto-estradas, colocando com isso as gasolineiras, as concessionárias e o Governo em muito maus lençóis! Portanto, quando criticamos textos ou artigos de gente que fundamenta opiniões, muitas deles com base em factos cientificos, temos uma guerra civil em Portugal mas quando se ataca a "estupidez" que é o facto da GNR fazer cumprir a lei e o facto de andar a 120km/h não ser algo tolerável numa sociedade civilizada pouco importa!

 

Eu sugiro que o Instituto da Mobilidade e dos Transportes ou a Prevenção Rodoviária Portuguesa contratem o senhor Vítor Rainho para influencer: "Jovem! Tens um Civic todo quitado, aquilo não deita fumo pela ponteira por causa da IPO e ainda te causa sono? Previne o acidente e desperta com o Vtec aberto até às 8000 rotações! Do bufo!"

 

Alguém lembre também o senhor Rainho, que a velocidade não está só relacionada com o perigo que a mesma por si só pode constituir, existem também as questões ambientais. Provavelmente o senhor Rainho nunca teve de andar a 50km/h na cidade, numa via rápida de muitos quilómetros e cuja limitação existia porque o ar era irrespirável! Não precisa de ir para muito longe, pode começar por Madrid onde tal é comum! Quanto mais velocidade, mais consumo e também mais poluição. Mas no alegre provicianismo bacoco ainda não há espaço para ir mais longe - o orgulhosamente sós ainda anda na cabeça de muitos portugueses, sobretudo daqueles que deveriam estar um pouco mais evoluídos.

 

Em jeito de conclusão, ao senhor Rainho, apenas deixo algumas sugestões:
 
 
1º Vá à Ponte Vasco da Gama, mas sentido Lisboa-Montijo, para não pagar portagem, e simule uma paragem inesperada na "cauda de Samora". Espere então até levar com um carro a 120km/h na sua traseira. Ou então experimente andar bem acordado, e não sonolento (que andar a 120km/h dá sono) e "espatifar-se" contra um sobreiro na A2!
 
2º Escolha uma estrada ao acaso e atravesse a pé a mesma como se quisesse receber o dinheiro de um seguro mas tente escolher uma viatura que circule apenas a 50km/h. Vai ver que não dói nada no seu corpinho lindo!
 
3º E já que falou na A8. Então experimente fazer a descida de Loures (sentido Malveira-Lisboa) a 200km/h (isso é velocidade de homem, valentão!) e terá um carro voador que, com sorte, aterra em cima da Hovione em Sete Casas!
 
4º Ate-se à traseira do seu "Ferrari", coloque a boca no escape e diga ao condutor que acelere até aos 120km/h durante uns bons quilómetros. É o melhor para os pulmões!
 
5º Com tantos problemas neste mundo, o senhor Rainho está preocupado porque não consegue ir a Esposende a mais de 120km/h o que lhe causa sono e até um desconto nos pontos da carta! Senhor Rainho, tem de sair dessa via e ver o que se passa à sua volta, pois o Mundo tem muito mais com que se possa preocupar, pelo menos o mundo fora da real pequenez nacional.
 
 

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Cuidadinho, vai aqui o meu paizinho!

por Robinson Kanes, em 19.03.19

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Créditos: http://apps3333.bigbigabum7.icu/?utm_medium=oxxGrJ1EO8rl%2flkgHhDHtdaJe%2b6y3ml38Z%2b1ZX9QaLo%3d&t=main4

 

 

As crianças são encantadoras e por elas os pais dão tudo. Falam delas aos amigos, publicam fotos nas redes sociais, criam blogues dedicados às mesmas e acima de tudo sentem um adoração infinita por esse acontecimento a que tanto gostam de chamar de "milagre da vida", como se os outros seres-vivos da Terra fossem peças de manufactura ou a biologia não fosse uma coisa normal.

 

O amor dos pais pelos filhos é uma coisa que devemos enaltecer. Aquilo que mais me encanta são os papás e as mamãs que colocam autocolantes nas respectivas viaturas: "Mateus a bordo", ou então "Santiago a bordo" ou até o tradicional "bebé a bordo"! É amoroso não é? Por acaso não escolhi nem José e muito menos Ricardo porque hoje todas as crianças têm praticamente os mesmos nomes - mal os papás sabem que os filhos daqueles que realmente são ricos e finos, pronto, dão nomes perfeitamente normais aos filhos, como Joaquim, Óscar ou até Manuel! A filha do falecido Américo Amorim, chama-se? Paula! O filho do falecido Belmiro de Azevedo, chama-se? Paulo! O antigo "dono disto tudo", chama-se? Ricardo! E o primo, como se chama? José Maria, de facto!

 

E permitam-me: acham que alguém quer saber se o vosso filho se chama Bernardo e que vai no interior do vosso carro a crédito? Acham mesmo?

 

Mas retomando os autocolantes - e aquele especial, o "cuidadinho vai aqui o meu paizinho"? Por acaso, e até acredito que exista, ainda não vi o "cuidadinho vai aqui a minha mãezinha"! Se uma certa corrente castradora que anda por aí sabe, vai começar a apedrejar os carros desses machistas! Como se só os homens fossem merecedores de serem reconhecidos com o piroso "tóclante". Machistas! (Nem sei como é que ainda permitem que se diga "pais e filhos" e não "pais, mães e filhos".

 

O que os papás não sabem é que provavelmente esse "tóclante" deveria servir para alertar os outros condutores! Alertar os outros condutores dos papás e das mamãs que adoram as suas crianças e até espelhos colocam no interior dos carros para, enquanto conduzem, não tirarem os olhos do "filhinho", não vá este morrer entretanto. Pode morrer, de susto, quando olha para conta-quilómetros ou quando o papá e a mamã se comportam como verdadeiros selvagens ao volante!

 

Os papás que adoram os seus filhinhos e até trocam de carro porque de repente nasceu um filho, deveriam gostar dos filhos ao ponto de respeitarem os limites de velocidade e as demais regras de trânsito! É que ultrapassagens altamente perigosas, excesso de velocidade, manobras perigosas e altamente agressivas no trânsito enquanto levam os filhos nas suas station-wagon ou SUV pode não só acabar com a vida do filhinho amado como com a vida do filhinho do outro! E acreditem que nem a cadeirinha que mais parece o assento de um carro de WRC os vai salvar!

 

Eu sei que até é permitido que se faça a vida negra aos pais dos outros para que o nosso filhinho tenha tudo, é um facto que a nossa sociedade até aceita isso! Mas convenhamos, que levar tanto amor no carro e depois entrar a abrir, qual street racer na Ponte Vasco da Gama,  com um carro a brilhar mas com os pneus gastos (porque a malta pensa que os invejosos só olham para a chapa e porque os indivíduos das casas de pneus não gostam muito de créditos) é uma coisa que...

 

Arriscar a vida do filhinho no traço contínuo ou com uma "entrada à cão" só porque estar na fila a ouvir programas estupidificantes das três rádios mais ouvidas de Portugal nem sempre é agradável, é uma coisa que...

 

Em suma, começo a ter mais respeito pelo acelera do M3 ou do Type R do que propriamente da carrinha pirosa com a cadeirinha... Que isto de andar ao lado de carros com filhos a bordo, todo o cuidado é pouco e pior que um "racer" ou um tipo com o carro todo "quitado" é o pai ou mãe com pressa de chegarem a casa ou à creche do filho.

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A Luz dos Céus... Ou Talvez Não...

por Robinson Kanes, em 12.01.17

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Paolo Veronese, A Ressureição de Cristo (Gemäldegalerie Alte Meister)

 

Depois de uns dias de terapia, dou com mais uma coisa boa... aquelas noites de automóvel em que passo por uma placa azul que diz Portugal e tenho a sensação de ser iluminado por uma luz dos céus!

 

Qual estrada ou via rápida que me ilumina e me faz sentir um halo de protecção divino à minha volta. Sinto que Portugal está mesmo sob a protecção de Fátima e do Divino Espírito Santo tal é o encandeamento que me provoca tamanha luz sagrada.

 

Dou sempre por mim numa paz e calma que quase levantam as quatro rodas do carro e me fazem erguer aos céus (isto já sou eu a inventar, provavelmente são aqueles montes, e respectiva inclinação antes de chegar a Elvas, ou então as serras que ladeiam Chaves, Valença ou Vila Velha de Rodão).

 

Mas... quando estou quase a atingir a luz, aquele túnel que está ali tão perto e se desvanece à minha aproximação, olho mais atentamente pelo espelho retrovisor e reparo que afinal é o carro que circula atrás de mim que vem colado como se de uma carruagem de comboio se tratasse. É aí que caio em mim e tenho a confirmação dos céus que, provavelmente, apesar de circular a 100 ou 100kms numa estrada nacional (limite de 90kms) estou em Portugal e a ser perseguido pelo típico condutor de carro novo (por norma de alta cilindrada e com as cadeirinhas atrás e equipado com ESP, ABS, TTP, ABC, TAP, RTP, SIC, EDP, TVI, TSF, IRS, TSU e CTT) e que provavelmente vai a conduzir de dentes cerrados que só se abrem para proferir algo como “este atrasado não anda e eu estou cheio de pressa, anda lá, burro!”. Se levar companhia ao lado, provavelmente a pessoa que o acompanha pensará “qual é a pressa, sim... qual é a pressa?”.

 

É assim que, defraudado na minha expectativa de ser abençoado pelos céus e por todos os santos, caio em mim e sigo pelo caminho das pedras... que saltam sempre que as rodas não se conseguem desviar de mais um buraco.

 

P.S: também me esqueci dizer que esta magia angelical fica finalmente encerrada quando olho para o preço dos combustíveis num qualquer posto de abastecimento e reparo que fica mais barato ir de Zafra a Almeria do que do Cais do Sodré a Algés.

 

Fonte da Imagem: Própria.

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