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Programas de Televisão, Tragédias e o Presidente!

por Robinson Kanes, em 22.01.18

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 Fonte da Imagem: https://www.reddit.com/r/startrek/comments/1cry2q/finally_an_hd_picard_facepalm_image_from_the_tng/

 

 

Pois é... Chego sempre atrasado a tudo, e aqui só me posso basear no que fui ouvindo aqui e acolá e durante escassas olhadelas para os monitores do ginásio.

 

Marcelo Rebelo de Sousa não deve estar nada contente com a SIC, depois da tragédia de um certo Sábado em Tondela, onde mais uma vez, o mais importante não foram a tragédia nem as vítimas, mas sim o Presidente da República - os momentos de glória de Marcelo junto dos media sofreram um revés. Marcelo a acordar para ir a Tondela... Marcelo a tomar o pequeno-almoço antes de ir a Tondela... Marcelo decerto já sabe o que provocou o incêndio em Tondela... Marcelo a abastecer o carro da presidência na área de serviço de Aveiras... Marcelo dentro do carro presidencial a sorrir... Marcelo dentro do carro presidencial a escabichar os dentes, depois de ter comido um pão com carne assada, e enquanto pensa nas vítimas de Tondela. Marcelo no WC a aproveitar para ler mesmo quando se desloca a cenários de catástrofe... Tinhamos tema para uma semana, no entanto...

 

Quando este, no seu lado de "pseudo-papi da nação" já julgava ser tema para mais umas semanas a explorar uma tragédia, eis que a SIC decide lançar um programa importado dos Estados Unidos e que nos remete uma coisa para a qual os portugueses não perdoam: os filhos! Quantos não conhecemos que são capazes de dizimar a população inteira do planeta só para que o filho realize o desejo de ir à Eurodisney? Ou então, quantos não conhecemos que são capazes de manter um prédio anos a fio em guerra só para que o filho grite, corra e seja mal educado? Quantos não conhecemos que utilizam os filhos, com o discurso do "ai são as crianças" para camuflarem outras vontades mais egoístas?

 

A grande revolta dos portugueses a seguir à interrupção do jogo entre o Estoril e o Futebol Clube do Porto e às guerras futebolísticas, focou-se agora num programa de televisão, altamente montado para as audiências e com muito que se lhe diga em termos de fidedignidade. Incêndios? Quedas de árvores que matam às dúzias? Corrupção? Financiamento dos partidos? Tancos? Mais corrupção? Reformas estruturais da administração pública? Não! Um programa de televisão! Voltando a Marcelo, começo a chegar à conclusão que, a televisão que o criou um presidente é a mesma que ainda vai apagar um presidente - ainda vamos ver um concorrente de algum reality show chegar a presidente... Não é difícil, basta achar que tem opinião de tudo, não se comprometer com nada, dizer que lê muito e que aos Domingos até vai à Igreja.

 

Com tantos maus-tratos a crianças, com tantos crimes de sangue contra crianças, contra tantas crianças com fome, com tantos pais que não hesitam em destruir e desrepeitar quem os rodeia e tanto silêncio nesta matéria, acabo por estranhar como é que de repente a ira nacional se voltou para estas bandas... 

 

Soubesse o que sabe hoje, aquando dos incêndios, por certo António Costa tinha tratado de garantir que ainda teríamos um programa cuja temática seria a educação de árbitros e presidentes de clubes futebol em termos de português e economia paralela - era sucesso garantido e ninguém tinha falado no caos que se abateu em Portugal.

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 Fonte da Imagem: Bruce Beattie - Daytona Beach News Journal

 

O tema não é novo, mas repete-se... E como se repete continua tão actual como aquando da primeira polémica espoletada acerca do mesmo.

 

Sempre que estamos perante um atentado terrorista assistimos à divulgação de imagens (quantas vezes não são as mesmas repetidas atá à exaustão) de pessoas feridas, mortas, em pânico, completamente aterrorizadas e, em alguns casos, até à divulgação do próprio atentado a ter lugar (Charlie Hebdo foi um dos melhores exemplos). Se a sede de vendas aqui ainda encontra uma "descupabilização", o que dizer quando os perpetradores do terror fazem um balanço do ataque e promovem a causa?

 

Pretendo com isto dizer, e em Barcelona a cena repetiu-se, que um dos grandes cúmplices do terrorismo - porque espalhar o medo é terrorismo, não é só pressionar um gatilho - poderão ser os media. O alegado vídeo do Daesh a reinvindicar o ataque foi repetido mil e uma vezes por esse mundo fora e Portugal não foi excepção. Será que não basta "uma" notícia a informar que o Daesh (ou outro movimento) reinvindicou o ataque e voltou a ameaçar? E será que estes vídeos são muitas vezes confirmados, sobretudo do ponto de vista da origem? Não me é de todo difícil colocar um vídeo igual a muitos outros do Daesh a circular na internet.

 

É aqui que também pretendo chegar... Ainda me recordo de ver os vídeos da ETA, do Hezbollah, do IRA e de outros tantos movimentos, onde o foco do mesmo passava por indivíduos que difundiam uma mensagem; mas hoje os videos são mais elaborados e coloridos com imagens que são retiradas dos próprios media. Não só estamos a alimentar a propaganda com conteúdos mas também a divulgar a mesma. Se eu sair à rua com uma suástica no braço arriscarei, por certo, algumas consequências menos boas, contudo, divulgar o ódio e o terror continua a ser um crime que passa impune sob a capa da liberdade de informação - seja de forma propositada ou negligente. 

 

Finalmente, uma nota para o actual Presidente da República Portuguesa e que me ficou retida aquando dos atentados de Barcelona: dizer que nunca morreu tanta gente, nem existiram tantos atentados terroristas como hoje, sobretudo na Europa, revela um desconhecimento da História, sobretudo a mais recente.

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Fonte da Imagem: Própria 

 

Hoje viajei até ao blog "Delito de Opinião", mais precisamente com destino aqui.

 

Agradeço sobretudo ao Pedro Correia pela amabilidade do convite e por permitir que a minha pessoa possa estar entre grandes. É isso que nos permite também crescer e aprender, abir horizontes junto daqueles com quem podemos ser melhores. Para mim é uma honra juntar as minhas minúsculas letras às tantas maiúsculas que por lá andam...

 

Decidi abordar um tema que, em meu entender, merece uma maior discussão, sobretudo por uma variável que ainda tem sido muito pouco discutida, talvez por estar tão actual e ainda não ter sido alvo de um maior amadurecimento.

 

Espero acima tudo que seja do vosso agrado e possa estar à altura do espaço que hoje me acolheu.

 

Boa semana, sempre com o espírito anti Blue-Monday...

 

 

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E se as Redes Sociais Aumentarem a Privacidade?

por Robinson Kanes, em 18.04.17

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Fonte da Imagem: <a href='http://www.freepik.com/free-vector/laptop-with-hand-drawn-social-media-elements_944027.htm'>Designed by Freepik</a>

 

No nosso país e numa sociedade ocidental é comum falar-se da privacidade como um aspecto que tem vindo a decair com o advento das redes sociais. No entanto, deixemos o nosso pequeno mundo e pensemos no caso chinês ou até de muitos países do sudoeste asiático.

 

Na China, por exemplo, as redes sociais, ao invés de serem um foco de devassa da vida alheia, funcionam exactamente ao contrário. Em países como a China é comum que famílias inteiras durmam no mesmo quarto, que partilhem os mesmos espaços, que vivam com outras famílias em comunidade e sem qualquer preocupação com a privacidade. Eu tenho amigos e já tive vizinhos chineses e foi possível comprovar isso! Para a China tradicional, guardar um segredo, é basicamente esconder alguma coisa má! Ou seja, quem tem segredos... não é de confiança.

 

Em suma, as redes sociais, maioritariamente, não servem como uma espécie de montra para os indivíduos. O viver bem com a sua família, com os seus amigos e com a comunidade deixam de lado esse género de preocupação - essa preocupação que para nós, sobretudo portugueses, é tão importante. Seria necessário uma outra abordagem e estudos, mas provavelmente ouso questionar se no caso ocidental não existe mais insegurança, medo e solidão do que no caso Chinês em que é exactamente ao contrário. Essa necessidade de mostrar e de aparecer não vem de todo de um bem-estar consigo próprio e com a comunidade.

 

No caso da China - e com a margem de erro devida pois trata-se de um país enorme e com diferenças abismais entre as diferentes regiões – as redes sociais são o local ideal para preservar a privacidade. São o local onde muitas pessoas partilham aquilo de que tem medo e choca a sua própria comunidade, são também o local onde podem ter os seus segredos, mas mesmo assim é comum que diferentes indivíduos troquem até as suas senhas de acesso às diferentes redes sociais.

 

É uma situação curiosa e que coloca noutro patamar a questão do impacte das redes sociais nos indivíduos e na cultura dos povos e, mais uma vez, reforça que não são as redes sociais que fazem os indivíduos, mas os indivíduos que fazem as redes sociais.

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Engagement. Sabemos Mesmo o que Andamos a Fazer?

por Robinson Kanes, em 04.11.16

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Um sem número de situações a ocorrerem na sociedade pós-moderna, sobretudo no Ocidente, tem origem em modas. Mesmo quando a origem é desconhecida, rapidamente se massifica e, em muitas situações, perde a sua verdadeira essência ou até utilidade e com isso se criam autênticas práticas que nada têm a ver com a realidade.

 

Quantas práticas actuais, sobretudo no mundo organizacional, não são uma forma de gerar dividendos para consultores ou oportunistas que adulteram um conceito de modo a tornar um serviço mais vendável e por vezes ineficiente?

 

Ainda me recordo do que Lipovetsky diz acerca da moda, nomeadamente que “a vontade de exprimir uma identidade singular, a celebração da identidade cultural pessoal, foram uma força produtiva, o próprio motor da mutabilidade da moda”. Este também conclui que actualmente as coisas são um pouco diferentes, sobretudo em termos de individualidade. Uma delas está relacionada com um conceito/prática, que não é novo, mas continua a ser altamente discutido e observado.

 

Depois de ter utilizado um questionário online (e grátis), sem qualquer significado científico, cheguei à conclusão que numa população de indivíduos empregados em Portugal Continental, 42 de uma amostra de 50 demonstrou desconhecer o significado de “Engagement”, nomeadamente ao nível da sua aplicação nas organizações empresariais.

 

Em Portugal e em muitos países da Europa este conceito é conhecido, é abordado como a salvação do bem-estar e da produtividade nas organizações, é defendido pelos gurus da temática e também, pelos gurus que dizem praticá-lo nas suas organizações mas não fazem a mínima ideia do que estão a falar (salvem-se os que sabem do que falam e que são bastantes). Todavia, se bem aplicado, também é uma boa forma de transformar, em alguns casos, aplicações simples e baratas em grandes processos.

 

Mas, e posto que a discussão é vasta, centremos esta abordagem no engagement. Ao contrário de muito daquilo que vou ouvindo pelo país, sobretudo em conferências e não só, engagement não é felicidade no trabalho, não é, e aí vem outro conceito que hoje em dia vejo ser tão mal utilizado, wellness e muito menos é bem-estar (atenção que estes dois conceitos não são sinónimos).

 

Colaboradores cuja estratégia de engagement esteja a ter bons resultados, são aqueles que realmente são eficientes e querem ter uma palavra a dizer na organização, em termos temporais e em termos de trabalho. Contudo, paradoxalmente, tendem a confundir-se alguns conceitos, nomeadamente o de satisfação no trabalho com engagement. A primeira, apesar de importante no seio de organização, não é mais do que estar bem no local de trabalho, em suma estar feliz com o seu trabalho, é querer estar naquele espaço e sentir-se bem no curto, ou no médio prazo. Não vamos cair, sobretudo nesta fase, na tentação de usar uma linguagem demasiado complexa para algo... tão simples.

 

Engagement não é somente estar com “um sorriso” no trabalho e lá querer estar. Engagement é trabalho árduo e a modo de como estamos dispostos a aplicar o melhor de nós nesse mesmo trabalho e no fundo, até onde pretendemos ir (Woodward, Nancy, 2014).

 

Consequentemente, advém a importância da retenção, ou seja quanto tempo pretendo ficar na organização. Dou um exemplo que retiro de uma prática de compensation - um valor de remuneração, considerado justo e em linha com os demais profissionais da área, pode gerar uma maior satisfação no local de trabalho. No entanto, essa “compensação” pode estar longe de os manter comprometidos com a organização. É preciso ir mais longe, pensar um pouco mais e ser capaz de desenvolver uma estratégia e isso, infelizmente, ainda não está ao alcance de todos. Uma ressalva que é preciso impor - não significa que ambos os conceitos, satisfação e engagement, não se possam cruzar e até partilhar sinergias e abordagens – um exemplo está relacionado com os managers. Imaginemos que, se um colaborador se encontra em sintonia com um manager, isso terá impactes não só na sua satisfação com o trabalho, mas também nos esforços que empreenderá para levar a bom porto os objectivos propostos.

 

Uma estratégia de engagement é um verdadeiro desafio e não uma obrigação, uma imposição ou até uma moda. É o desafio de passar do nível da procura de colaboradores “satisfeitos” para um patamar de comprometimento e isso só é alcançável com programas bem definidos quer a nível global quer a um nível mais próximo.

 

Digo muitas vezes que o sucesso da guerra se deve ao conjunto dos pelotões, os verdadeiros operacionais. Apresento assim, três exemplos: o primeiro está relacionado com o estabelecimento de relações: people who enjoy their coworkers more, enjoy their work more. O segundo com o posicionamento na organização, um colaborador na posição certa é um colaborador mais produtivo e com maior entrega (sim, é um facto, uma boa estratégia de engagement não começa nas “paredes” da organização, mas bem antes do potencial colaborador chegar a esta). E finalmente, é importante que os indivíduos sintam que o seu trabalho tem impacte na organização e na comunidade, independentemente do grau de responsabilidade ou até dificuldade. A propósito deste exemplo e de como é possível conseguir bons resultados já Malraux dizia (vide “A Esperança”) que “do momento em que se aceita uma responsabilidade, é forçoso sair vitorioso”.

 

Bom fim de semana,

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