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Sardinhada ao Crepúsculo em Acciaroli

por Robinson Kanes, em 18.08.20

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Créditos:  https://www.corriere.it/buone-notizie/19_luglio_16/chiuso-tramonto-l-avviso-clienti-libraio-romantico-1805d84a-a7cd-11e9-87b1-16eba1cb2125.shtml

 

Hoje lemos o Corriere della Sera e vamos até Acciaroli no nosso espaço habitual à terça-feira do SardinhaSemLata.

Leiam-nos aqui.

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Ser Sexy, mas de Audi...

por Robinson Kanes, em 07.08.20

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Créditos: Audi Official Twitter

 

O sentido implica a proporção; os excessos pelo contrário, apenas causam dor e destruição.

Aristóteles, in "De Anima".

 

Os temas que vou abordar até poderiam não ter qualquer relevância, na sua essência não têm mesmo, pelo menos até terem consequências inesperadas e que ninguém consegue compreender a amplitude dos danos causados por uma toleima cada vez mais assustadora.

 

O "grande escândalo" dos últimos dias a nível internacional, além de percebermos que existe algures no Médio-Oriente um país que se chama Líbano e que nem por isso um acidente gerou grande consternação fora do meio político e diplomático, foi um anúncio da Audi. Seria totalmente uma parvoíce falar deste tema, reforço, não fosse a Audi retirar o anúncio e apresentar desculpas. Consigo perceber o que levou às desculpas, pois quando queremos vendas nem sempre podemos retaliar com a verdade dos factos e é preciso fazer aquilo a que se chama de "engolir e sapo" e tomar a atitude que mais facilmente retire a carga negativa da nossa acção o quanto antes dos media.

 

A imagem que dá cor a este artigo é o foco do conflito. Considero-me uma pessoa com uma imaginação fértil, demasiado fértil, mas ao ver os argumentos utilizados pelas "massas" e por alguns media começo a pensar que não faltam por aí indivíduos de bem, totalmente atentos aos direitos de todos mas que não passam de bons argumentistas e tarados! Aliás, ainda bem que se ficam pelas redes sociais, o problema é que já estão a sair de lá e a monopolizar o mundo. Portanto, a fotografia de uma criança em frente de um carro estacionado e sem condutor é vista como uma forma de incentivo à insegurança pois não permite que o condutor veja a mesma e exista um risco de atropelamento, e quiçá não vá o carro descair, uma afronta e um mau exemplo portanto!

 

Mas as mais inverosímil situação surge-nos quando se alega que a postura, a indumentária e o estar a comer uma banana sugerem algo de sexy na criança! Ainda bem que não escolheram uma negra, caso contrário, tinha sido o fim da  Audi! Aliás, os negros deste mundo estão proibidos de comer bananas! Qual é o problema de ter um look sexy? Nenhum! Mas só o sugerir a questão, de tal forma tão rebuscada dá que pensar se os defensores da moral não serão eles os mais anormais nesta sociedade. Ou então sou eu um Ser ingénuo que não vi nenhuma dessas coisas num anúncio! Dá que pensar... O surgimento desta fundamentalista sub-espécie de "Diacunus Remedi" coloca um grande desafio às marcas e à sociedade, sobretudo não pela importância que não têm mas que mesmo assim lhes é facultada.

 

Esta temática de direitos e moral vai ao encontro de um concurso da Nestlé - sendo que nesta situação a Nestlé não foi flexível, e bem - em que um sem número de pessoas alimentado pela fúria de uns pais de uma criança com uma deficiência, que não suportaram ver a sua filha perder um concurso, vilipendiaram uma das marcas desta multinacional acusando-a de discriminação. Foi a jogo como todos os outros e não ganhou! As regras do concurso foram escrupulosamente cumpridas, mas na onda do "tudo aquilo que é menor tem de ser maior" a marca viu-se debaixo de fogo. Passamos talvez por uma fase em que a moral se renova, no entanto em atraso face à melhor inteligência, seguindo um pouco a lógica dos comboios face aos horários dos mesmos sempre que os nevões obstruíam as linhas da Beira Baixa, como tão bem nos descreveu Ferreira de Castro.

 

Em qualquer um dos casos, ambas as marcas estiveram bem, no entanto, começamos a abrir precedentes que nos levam a pensar se não deveremos criar um movimento internacional em defesa do "gajo normal". Importa também, não esquecer, que muitas destas manifestações também foram alimentadas por algumas marcas e cujo preço começa agora a fazer-se sentir.

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O Vergílio e o Sapolsky bebem Moscatel e comem Pistácios.

Entretanto vão ao teatro, ouvem Rachmaninov pelas mãos de Ashkenazy e assistem ao Bloody Sundae...

por Robinson Kanes, em 08.11.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Que poderia sobrar de um homem, em face de um irmão assassinado? os mortos cantavam a promessa, o sangue tingia a madrugada. E um deus que revivesse poderia ter anunciado a recriação do mundo, porque tudo o prometia em perfeição.

Vergílio Ferreira, in "Cântico Final"

 

 

Para este fim-de-semana, mais do que uma partilha de sentido único, decidi "convidar" alguns seguidores habituais para me ajudarem. De certo modo não foram convidados mas os gostos cruzaram-se e assim é também em espécie de dedicatória aos mesmos nesta iniciativa que já vai tendo lugar semanalmente.

 

Para uma leitura de fim-de-semana, não serão os livros ideais, mas poderão acompanhar, sem dúvida, muitos de vós durante dias e até semanas. Falo de "Cântico Final", de Vergílio Ferreira, livro que sei estar a ser lido pelo nosso amigo "Folhas de Luar". Vergílio Ferreira já é presença habitual neste espaço, por isso, nada melhor do que acompanhar Mário numa reflexão sobre arte, sobre vida e morte. Um livro forte, de 1960, e bem ao estilo que Vergílio Ferreira nos habituou.

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Também sei que o nosso amigo Vorph Valknut está a ler uma bíblia, o livro "Comportamento" de Robert Sapolsky. Sem ser indecifrável mas com um rigor extremo, já o disse, é um livro de leitura obrigatória! Tornar-nos-ía melhores seres-humanos, aliás, ajudar-nos-ía a conhecermo-nos como tal ao nível do nosso comportamento. Genial!

 

É óptimo se o nosso córtex frontal nos levar a evitar tentações. Mas geralmente é mais eficaz quando fazê-lo se tornou tão automático que já não é difícil. E em geral é mais fácil evitar tentações com o uso de distinção e reavaliação do que com força de vontade.

Robert Sapolsky, in "Comportamento"

 

Para ver? Depois da polémica da McDonald's, nada como perceber o que foi o verdadeiro Bloddy Sunday, um massacre que ainda hoje envergonha Inglaterra. A 30 de Janeiro de 1972, o IRA ficou mais reforçado na sua acção sobretudo depois do saldo se ter cifrado nos 14 mortos... 14 inocentes que se manifestavam e que viram o exército indiscriminadamente disparar sobre estes. A verdade é que apesar de tudo, a tensão, ainda hoje é latente apesar de alguma acalmia e procura de chegar a uma paz permanente. Não critiquei a campanha, mas simplesmente a hipótese do facto ter passado por tanta gente "competente" e ninguém ter percebido do que estávamos a falar... Grande e premiada obra de Paul Greengrass e que encontram no Youtube - é história e uma lição de que a liderança (hoje tão badalada) é uma coisa muito complicada. Só com David Cameron as desculpas chegaram, uma vitória tardia da justiça!

Passem também pelo São Luiz e assistam ao texto de Mário Benedetti encenado por Marta Carreiras e Romeu Costa, "Pedro e o Capitão". Ivo Canelas e Pedro Gil em altas! 

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Finalmente, algo para descontrair, uma música... Mantenho-me pelos clássicos: Rachmaninov pelas mãos de Vladimir Ashkenazy! Fica aqui um pequeno aperitivo de "Morceaux de salon, op.10"... O piano é mágico mas com notas de Rachmaninov e Ashkenazy torna-se em algo... Escutem o CD e o vosso fim-de-semana será bem diferente.

Finalmente, e para pensarmos... No país da "Web Summit", no país evoluído e da alta tecnologia, será que ninguém ainda percebeu (e já nem falo dos impactos na natureza, muito repetidos por aqui) que a subida do nível dos mares é uma realidade e portanto o novo aeroporto do Montijo tem uma duração mais do que limitada? Também no país da tecnologia é preciso que na televisão se fale de um bebé num caixote do lixo para de repente termos tanta sensibilidade quando o que não faltam são bebés para adopção mas esses estão melhor dentro de muros? Quanto vale uma "selfie" nos dias de hoje se for no momento certo, com as pessoas certas e com o circo mediático certo? E por fim... No país da tecnologia, como se esperava, e no espaço de menos de 3 meses, escuto (com muita apreensão e receio) o discurso de que combater a corrupção não traz assim grande coisa... A Universidade de Coimbra (ou parte dela) no seu eterno bafio...

 

Bom fim-de-semana.

 

Esperem! Não se vão embora... Agora é a minha vez de, com a Alice, partilhar um Moscatel SIVIPA Roxo de 2013 (ai aquele sabor de caramelo) e uns pistácios com açafrão do Irão. Agora sim, com estas iguarias podemos ir de fim-de-semana...

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L'Amitié...

por Robinson Kanes, em 26.10.18

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Imagem: Robinson Kanes

 

 

Não procuro fazer uma homenagem a Françoise Hardy e à eterna música "L'Amitié" mas sobretudo à amizade... Uma amizade celebrada nos bancos de jardim entre pingas de chuva extemporâneas e vendavais que não nos tiram a vontade de abandonar aquele com quem estamos, com quem trocamos uma experiência única e que, não raramente, nos vem à memória.

 

Como cantará Hardy "Ils ont fait la saison des amitiés sincères", e na verdade, quão sinceras serão as amizades de hoje, ou pelo menos, a maioria delas? Quanto não valerão algumas gotas de chuva, algum pó na cara arrastado pelo vento, enquanto ali, sentados, podemos ter todo o mundo a dois...

 

Qual o valor de uma conversa num banco de jardim, entre as compras do fim de tarde e o regresso do labor diário? Serão aqueles dois vestidos pretos a celebração de um momento tão humano ou o luto por um comportamento cada vez mais singular.... 

 

Talvez volte a colocar essa questão quando novamente cruzar o 4me arrondissement.... 

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O Lado Negro dos Heróis!

por Robinson Kanes, em 21.06.18

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Créditos: http://prospect.org

 

 

O caso recente da descoberta de que Einstein mostrava um comportamento racista levanta algumas questões que me parecem peculiares.

 

No caso de Einstein, podemos sempre afirmar que esse era um comportamento e uma forma de pensar vigente à época, todavia, o autor desta descoberta, Ze'ev Rosenkranz, não aceita essa desculpa muito por culpa das evidências que encontrou.  Rosenkranz salientou que à época já existia uma mentalidade mais aberta e que encarava culturas opostas de uma forma menos severa ou sem quaisquer preconceitos. A minha opinião aqui, divide-se... Contudo, sabemos que Einstein foi criado numa comunidade que também não é mais tolerante de todas.

 

Este facto leva-me à apologia de determinadas figuras da História, umas já falecidas e outras que ainda por cá vão andando. Se por um lado admiramos algumas descobertas, talentos e conquistas, raramente falamos de um outro lado - quantos artistas não são pessoas intratáveis e que não foram propriamente um bom exemplo de como se devem comportar os seres-humanos? Quantos indivíduos não são admirados e cometeram atrocidades gigantescas contra os seus, por exemplo? Não vamos mais longe: em Portugal é proibido elogiar Hitler, mas já não é de todo descabido fazer a apologia de Estaline, isto ao mais alto nível!

 

O que ainda torna tudo mais estranho, é o facto de criticarmos o nosso vizinho porque se "mete nos copos" e aplaudirmos com passadeira vermelha aquele que é viciado em drogas ou que é um corrupto. Facilmente batemos palmas a quem foge deliberadamente, e em muitos milhõs ao fisco, mas criticamos aquele que se esqueceu de pagar 50 cêntimos de parquímetro! Criticamos a nossa vizinha porque em três meses conheceu dois homens mas não criticamos a celebridade que todas as noites vende o corpo a troco de fama. Hoje, em que como alguém já disse a semana passada, se é celebridade por ser, ou seja, o título de celebridade surge porque não se é propriamente bom nisto ou naquilo mas porque se é... celebridade... Dá que pensar o modo como admiramos determinadas personagens.

 

Temo que a História ensine a actualidade a perdoar todo o mal de anos a troco de um dia na passadeira da fama ou até a justificar as maiores atrocidades desde que depois se consiga algum sucesso... Talvez os cidadãos possam ganhar consciência de que também eles, ou melhor, são eles que devem escrever a História, e não uma ou outra exaltação bem fabricada. Temo que vivamos, obviamente que nem sempre, numa espécie de cegueira e admiração por falsos ídolos.

 

Vamos acreditar, contudo, que um dos maiores criticos e figura de proa contra o racismo, tenha efectivamente mudado a sua forma de pensar e tenha morrido como um verdadeiro defensor dos direitos humanos.

Podem encontrar aqui um dos textos que Ze'ev Rosenkranz, escreveu na Time.

 

 

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"Silly Season" - Abertura Oficial em Alcochete!

por Robinson Kanes, em 31.05.18

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Créditos: https://tnews.ir/news/bbc199478253.html

 

Um chapéu é apenas uma panqueca, posso ir comprá-lo ao Zimmermann, mas aquilo que se guarda debaixo do chapéu, isso já não se pode comprar.

Fiodor Dostoievski, in  "Crime e Castigo"

 

 

Tende a ser mais tardia a abertura de tão interessante época que todos os anos tem lugar mas...

 

... Em Alcochete este ano começou mais cedo! E nem falo dos ataques terroristas que alguns continuam a dizer que aí tiveram lugar, numa certa academia de desporto - os mesmos que diziam ser uma tolice considerar os incêndios, o crime organizado e outros acontecimentos bem mais dramáticos como terrorismo. A "silly season" está oficialmente aberta em Alcochete quando as filas para aceder à pacata vila já chegam à Ponte Vasco da Gama, ou pelo menos, à saída para Montijo e Alcochete. Mas...

 

...Vão todos saborear o que de bom se faz em Alcochete em termos de comida? Vão viver a vila e a suas gentes? Vão apreciar uma das mais belas zonas ribeirinhas do país? Não! Assim que passamos a segunda rotunda que nos abre a vila, tudo se dissipa pois o trânsito fica todo no Freeport!

 

Lembram-se daquele centro comercial construído em reserva natural e que deu tanto que falar na justiça e na praça pública? Aquele que foi criticado e envolveu alegadas situações de corrupção? Muitos dos seus criticos são os que entopem agora a entrada na vila para lá irem comprar roupa de refugo mas que tem uma marca! Tem defeito, está fora de moda? Que interessa, tem a marca! Ainda me recordo de uma personagem que conheci que dizia ter uma camisa de uma grande marca comprada nesse estabelecimento e que perante a minha afirmação de que era uma camisa branca normal me respondeu dizendo que tinha a marca e assim as pessoas viam que era uma camisa boa! 

 

Querem camisas boas? Vão a Pequim e é muito provável que no prédio ao lado do vosso exista uma fábrica que produz para uma grande marca e aí comprem camisas a 5 dólares e que por cá custam para cima de 200 euros e com melhor qualidade pois não são fabricadas para serem vendidas em outlet! Uma nota: afirmação baseada em factos reais!

 

Hoje, o habitante de Alcochete que veio de Lisboa ou até do Alentejo teve uma manhã muito difícil! O alcochetano de gema ou mero residente sentiu na pele como é entrar em Paris ou Londres de automóvel, porque a loucura das compras de Verão começou - o fim do mês e os feriados deram um empurrão e... Estamos em Portugal onde um par de cuecas de marca vale que coloquemos a viatura em cima de hortas e de terrenos privados! 

 

Mas tudo tem coisas boas e coisas más... Se por um lado esta multidão não invade Alcochete, não estragando também a vila, por outro nem sequer sabe que existe uma reserva natural cujo nome é Reserva Natural dos Estuário do Tejo, a mesma que, segundo uma empresa que realizou um estudo de impacto ambiental, pouco ou nada será afectada por um futuro aeroporto! Afinal, isto dos flamingos e outra "passarada" é bonito nos vestidos e na piroseira de Verão, mas na natureza quem é que quer saber disso?

 

Tenho a sensação de que hoje vou ter mesmo de fugir para Alpiarça ou Chamusca antes que esta febre me consuma... Entretanto passei por dois guarda-rios (as aves) que estavam a comentar que os seres-humanos eram um pouco parolos...

 

Bom feriado... Mesmo para aqueles que só sabem que é um dia em que alguns não trabalham ou recebem a dobrar... Afinal, nestes dias somos todos católicos apostólicos romanos mesmo que nunca tenhamos ido a uma eucaristia!

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Ajudar ou Humilhar?

por Robinson Kanes, em 16.04.18

 

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 Fonte da Imagem: https://www.curejoy.com

 

 

Alguns acontecimentos recentes trouxeram à luz do dia uma discussão que se impõe, discussão essa que, muito popularmente, defino como o conceito do “mas ela não queria atravessar”.

 

Quantas não são as situações em que alguém vos está a ajudar com algo e levanta a voz e adquire uma expressão corporal e gestos que vocês ficam com a sensação de que essa pessoa não vos está ajudar mas a humilhar ou a tirar proveito da vossa fraqueza? Poderia pegar na célebre foto de Marcelo Rebelo de Sousa a abraçar uma das pessoas afectadas pelos incêndios e descarnar todo aquele quadro até se perceber que ali não estava solidariedade mas uma espécie de humilhação – não irei por aí, até porque deixo essa análise para os profissionais da área.

 

Com efeito, o que eu pergunto é: se levantar o braço e pedir ajuda revela humildade, revelará sempre humanidade alguém ajudar-vos e não vos dar espaço para aprenderem ou adquirirem algum empowerment?

 

É uma questão que importa pensar, até para nos tornamos mais autónomos e agir como indivíduos que podem e devem estar preparados para muitos dos desafios com que lidamos todos os dias e temos receio de enfrentar.

 

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Uma Estranha Forma de Contemplar o Pénis...

por Robinson Kanes, em 15.01.18

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O Escravo Moribundo, Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni - Victoria & Albert Museum 

Fonte da Imagem: Própria.

 

 

Pois é...

 

Depois de muitos anos de desporto outdoor, decidi que o ginásio poderia ser um bom complemento ao mesmo e até, quiçá, me poderia permitir poupar algum tempo. Devo admitir, que uma das coisas boas é essa, e à noite ou pela manhã, sair de banho tomado depois de uma hora de exercício físico é algo que me tem ajudado - menos blog, mais ginásio. Eu sei, e já o disse que vocês são importantes, mas o tempo não dá para tudo e viver mais fora do digital (sobretudo a nível pessoal, pois a nível profissional até me atrai) é uma das minhas prioridades.

 

Nunca tinha frequentado um ginásio, sou um homem saudável e sempre achei que estar fechado numa gaiola a fazer desporto não era para mim. Também já tinha ouvido todas as histórias possíveis de ir ao ginásio - sexo nos balneários entre eles e elas e eles e eles e elas e elas e eles todos com elas todas e elas com eles todos e eles com elas todas... E os habituais indivíduos que soltam roncos que ecoam por todo o ginásio, ou simplesmente, aqueles que adoram mostrar a musculatura e trocar olhares com as senhoras enquanto tentam passar a ideia de que cavalheirismo é um homem suado, de fato-treino ou calções por cima de leggings e com corpo de armário a levantar meia dúzia de ferros só porque sim. Só falta esperar pelas senhoras à saída e piscar-lhes o olho enquanto ajeitam o boné à "50 Cent" e mostram as suas sapatilhas altamente coloridas (e foleiras) que davam para alimentar uma família em África durante 5 anos. 

 

Mas a este tema voltarei mais tarde, ainda ando a sondar comportamentos...

 

Admito que me custa falar disto, mas... Estava eu, no ginásio que frequento, a vir da área dos duches quando entro na zona dos cacifos e vejo um indivíduo a tirar os boxers. Até aí nada de novo, eu também fiz o mesmo e todos o fazem... No entanto, quando me sento, vejo o indivíduo a contemplar o seu pénis enquanto mexe no smartphone. Até aí...

 

O problema é quando começa a acariciar o pénis (sem largar o smartphone - e sim, é possível) e o vejo a olhar para mim. Admito que virei costas e voltei à minha vida, ainda pensei que pudesse pensar que eu era palerma porque levo um cabide na mala para pendurar a roupa e assim não a vincar... Sim, eu sei, mas enfim...

 

Todavia, a saga continuou ( e não, não fiquei a contemplar o indivíduo a mexer no pénis) com movimentos a tornarem-se mais... Intensos? Isto sempre acompanhado de um sorriso de quem contemplava aquele espectáculo e dizia "ah maravilha! Olha-me para isto!". Durou cerca de 5 minutos até ao momento em que calcei as botas e vi o indivíduo a dirigir-se para a zona dos duches enquanto parecia trotar e ao mesmo tempo contemplar o seu pénis já erecto a abanar-se qual macho feliz por caminhar entre outros machos, orgulhoso da sua virilidade, em direcção ao duche.

 

Devo admitir que não sei se é normal, mas que existem formas interessantes de praticar o culto do corpo, existem!

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O Verdadeiro Natal no Striezelmarkt...

por Robinson Kanes, em 28.11.17

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

Uma das imagens mais belas que se pode ter da Saxónia e que me fazem recordar as minhas deslocações e estadas em Berlim é o "Striezelmarkt" de Dresden, ou seja, o Mercado de Natal local. Todavia, acredito que a melhor entrada na Saxónia não será via Berlim, mas sim pela Boémia com a primeira paragem alemã na pitoresca Bad Schandau mesmo junto ao Elba.

 

Não vou falar de Dresden, para mim, a cidade mais bonita e romântica da Alemanha, mas sim do seu Mercado de Natal. Os Mercados de Natal da Alemanha são dos mais genuínos e interessantes que podemos conhecer e aqui, admito, que somos (portugueses) claramente ultrapassados na forma de celebrar o Natal.

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O "Striezelmarkt" remonta a 1434 e tinha a duração de apenas um dia. Este mercado visava apenas venda de carne, segundo as as leis de Frederico II, Princípe da Saxónia. O nome advém da palavra "Striezel" que é uma espécie de pão típico de Natal e também conhecido por "Stollen". Caminhar pela Altmarkt com uma caneca de Glühwein (vinho tinto aquecido com canela, cravinho, laranja ou limão e açúcar) numa das mãos e na outra com uma Lebkuchen (um espécie de bolo de mel e com um sabor a gengibre que... hum...) pode ser um dos passeios mais interessantes que vão ter nas vossas vidas. Dresden é uma cidade romântica e das poucas fora do Mediterrâneo que me apaixonam, mas sem dúvida que um Natal a dois não pode nem deve dispensar um passeio junto ao Elba e pela Altmarkt. Amigos alemães que não me enviem Lebkuchen no Natal têm de aturar o mau feitio do Robinson.

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Com a maior pirâmide "Erzgebirge" do mundo (14,62m) e o maior arco de Natal do mundo (13,5m de largura), neste mercado é impossível resistir às bancas que vendem somente produtos natalícios, desde a comida a peças de atesanato com especial destaque para os brinquedos. Também as "barraquinhas" são decoradas com extremo bom gosto e que tornam quase impossível não relembrar os tempos de criança... Eu diria até que voltamos a ser crianças. Quem diria também que há 72 anos esta cidade foi arrasada por um dos mais terríveis bombardeamentos da história e um dos grandes desastres cometidos pelos aliados que não olharam a meios e mataram um sem número de civis (250 000 foi a contagem inicial, que agora aponta para 25 000) de forma absolutamente desnecessária e ainda hoje um tema tabu quando se fala na Segunda Guerra Mundial, pois são muitos os que defendem que se tratou de um crime de guerra.

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Cachecol, gorro, e uma caminhada bem abraçados e aconhegados com a nossa paixão, tornarão todo e qualquer momento neste mercado inesquecíveis e nem o frio da Saxónia será capaz de quebrar a vontade de conviver na rua entre amigos de longa data ou recém-amigos que connosco, sem medo do gelo, partilham momentos singulares e inesquecíveis.

 

Toda a cidade é uma festa, mesmo antes, se viermos da Estação vamos encontrar também um enorme Mercado de Natal, e atravessando o Elba encontramos, logo a seguir à Estátua do Cavaleiro de Ouro (Augusto, o Forte - Rei da Polónia e Grão Duque da Lituânia) mais um mercado que não nos deixa ficar quietos e onde podemos saborear um sem número de produtos locais, aqui, com forte enfoque nas carnes.

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Apesar do frio, o melhor local para saborear estes petiscos é mesmo junto ao Elba, sem necessidade de voltarmos a atravessar a ponte. De noite ou de dia, e muitas vezes com um frio cortante, podemos contemplar o "Brühlsche Terrasse", mais conhecida como as "Varandas da Europa" e a "Kunstakademie" (Academia de Belas Artes) sem esquecer a imponente "Hofkirche" e a "Semperoper", a ópera de Dresden e visita obrigatória para um concerto ou mesmo para uma ópera! Acreditem que merece bem a pena assistir, nem que seja a um concerto da Orquestra Estatal de Dresden.

 

Olhando à minha volta e assistindo a mais uma loucura colectiva, que de Natalícia tem pouco, saberia bem caminhar por entre bonecos de madeira, cheiro a lareiras e a vinho quente enquanto colava os meus lábios e os aquecia na minha alemã numa qualquer barraquinha do "Striezelmarkt"... 

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Por aqui, voltaremos para a semana... Boa Semana e antes do Natal vivam os vossos e todos aqueles que vos rodeiam... Todos os dias....

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Perigo! Zona de "Selfies"...

por Robinson Kanes, em 09.11.17

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 Fonte da imagem: https://www.diyphotography.net/a-fatal-month-for-selfie-photographers-why-is-it-so-dangerous/

 

Numa época em que tudo é vendável, em que é possível vender um fio de cabelo, uma falsa imagem ou até, como uma actriz brasileira de 43 anos, utilizar um outdoor para publicitar a virgindade a troco de estabilidade financeira, será importante perceber se, numa Era em que atingimos o ex-libris máximo da troca de informação e da exposição, não devemos começar também a estimular o nosso espírito crítico acerca de tudo aquilo que nos rodeia, seja bom ou seja mau - uma espécie de contraste ao Admirável Mundo Novo sem nos sentirmos uma espécie de “Sr. Selvagem”.

 

Ainda me recordo do desvio de um avião há mais de dois anos, onde temos um pirata do ar que, procurando exposição e “dar nas vistas” (não me vou debater sobre problemas de carácter psicológico), desvia um avião do Egipto para o Chipre, somente porque tem uma carta para a antiga mulher. Ao que sei, no Egipto existe aquilo a que podemos chamar os CTT locais, ou até empresas de distribuição ao estilo UPS ou DHL. Mas porque não desviar um avião? 

 

Soubesse eu isto, e quando frequentava o ciclo, tinha desviado a carreira 18 para ir entregar a casa da Madalena aquela carta de amor cheia de erros... Mas tremendamente apaixonada, pelo menos até ter conhecido a Maria no dia seguinte ou a Luísa do 9ºano na semana que viria depois.

 

A isto, junto aqueles indivíduos que depois de um avião ter aterrado com os motores em chamas estão mais preocupados em filmar o momento e levar os bens do que propriamente evacuar o mesmo o mais rápido possível! Casos destes não faltam. E o que é que devemos fazer numa situação de pânico ou terror? Fugir? Ajudar quem possa necessitar? Não! Fotografar ou até filmar e de preferência com a nossa face sempre presente, com direito a relato e com aqueles sons típicos de esforço e sofrimento. Só me lembro de um indivíduo durante a época de incêndios em Portugal, numa auto-estrada rodeada de chamas, a passar a imagem de que estava perante o medo da morte e em pânico, mas a conduzir de telemóvel em riste e a emitir verbalmente o seu pânico! Eu vou morrer, mas vou morrer com estilo! Aliás, se morrer é que isto vai ter visualizações que nunca mais acabam!

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 Fonte da Imagem:http://www.newsdon.com/a-panic-picnic-of-bengaluru-students/

 

Mais uma vez, a informação e o modo como tudo é empolado e espalhado a uma velocidade incrível permite que este tipo de comportamentos se continue a repetir, a causar impacte e até desculpabilizar o autor em muitas situações. Aliás, embora acabasse também com a morte do piloto, tivemos o horror de assistir à queda de um avião nos Alpes onde o factor “impacte mediático” teve um grande papel na tomada de decisão do suicida/homicida.

 

Mas se tudo isto é chocante, mais chocante é a destreza que um indivíduo pode ter para, em pleno sequestro aéreo - e agora coloco a questão “medo instalado” a funcionar – onde um outro indivíduo de origem árabe diz ter um cinto de explosivos e, tendo em conta acontecimentos recentes, não mostra qualquer ressentimento em morrer e matar - convidar este último para uma fotografia, vulgo selfie ou selfie vulgo fotografia, deixo ao cuidado do leitor a interpretação desta troca.

 

Que dirão os amigos destes indivíduos, isto se o "SD card" se salvar. Elogios pela bravura e pela coragem ou elogios por ser tão negligente que por um dia de fama coloca em risco a sua vida e até de outros?  No caso de um sequestro aéreo eu sugiro que o Ideal passa por termos uns pilotos decapitados para dar mais humor a uma situação que já por si era uma verdadeira comédia. Aliás, eu próprio, antes de levantar dinheiro no multibanco, já olho em volta no sentido de perceber se algum larápio vai explodir e roubar a ATM. Posso sempre abordá-lo para uma fotografia, vulgo selfie e com sorte fico com os meus minutos de fama e quiçá até apareça num canal regional da Hungria ou do Kiribati e me torne popular no facebook.

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Fonte da imagem: https://disciplesofhope.wordpress.com/2016/02/19/if-not-yet-warned-then-remember-to-avoid-dangerous-selfies/

 

Também em recente contacto com uma força policial portuguesa, soube que estão a ser distribuídos "iPads" aos agentes para situações que envolvam reféns tal é a eficácia e a facilidade com que, com esses instrumentos, se chega aos sequestradores. Cuidado com os snippers, porque assim que colocarem a cabeça ou o resto do corpo a jeito o melhor atirador da polícia “saca-vos” uma foto e aí não há como fugir - atingido em cheio! Já estou a imaginar os negociadores a pedirem aos raptores para mostrarem só a cabeça que é para a foto e lá vem o sequestrador com um sorriso notty para a posteridade.

 

Será interessante, agora que temos acesso a galáxias de informação, termos alguma cautela com o que valorizamos, sob pena de nós próprios também estarmos a colocar as nossas vidas em risco, sobretudo quando uma vida vale menos que uma selfie ou um post no facebook. Não podemos ser quadrados nem cinzentos, no entanto, também não podemos cair no ridículo de valorizar actos, situações ou momentos que são a realidade vivida e que envolvem outros, que naquele mesmo momento, naquele local ,muitas vezes ou lutam pela vida ou simplesmente perderam a esperança de voltar a ver os seus.

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