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O Objectivo 12 - Consumo e Produção Responsáveis

por Robinson Kanes, em 21.10.19

2016 IYD.jpg

Créditos: https://www.bt.undp.org/content/bhutan/en/home/presscenter/articles/2016/08/12/engaging-youth-to-eradicate-poverty-and-ensure-sustainable-consumption-and-production/

 

 

A meta 12 é um dos 17 objectivos que fazem parte dos "Objectivos Globais para o Desenvolvimento Sustentável". Este objectivo, mais do que um trabalho para os governos e instituições internacionais, é acima de tudo um apelo à cidadania e até ao carácter democrático da mesma.

 

A verdade, sempre relembrada pelas Nações Unidas,  e que não é novidade, é o facto do nosso planeta ter uma extrema abundância de recursos naturais. No entanto, os mesmos não são utilizados de forma responsável e, como os recursos são finitos, todos sabemos como acaba - uma das grandes metas da economia, a gestão de recursos finitos, adulterou-se e agora temos graves problemas pela frente. 

 

Mas caberá o papel de mudar as coisas somente às autoridades governamentais? Será que estas são matérias que só ao nível estatal poderão ser abordadas? Sim, se estivermos a falar de um conjunto de cidadãos apáticos, desinteressados e sem valores. Contudo, numa comunidade onde a cidadania está presente, cada um de nós pode ter um papel fundamental, vejamos:

 

1. Cada um de nós pode colaborar com instituições (nomeadamente ONG) que desempenhem um papel relevante - isto não implica apenas uma donativo mas uma intervenção directa.

2. Cada um de nós pode e deve apoiar o comércio local - além de permitirmos que a circulação de dinheiro se faça em modo 360º, ajudamos ao nível do emprego e do desenvolvimento local. 

3. Menos é mais - Será que precisamos de tantas coisas? E será que temos necessidade de investir em tantas embalagens e afins? 

4. Podemos adquirir muitas das coisas que precisamos em "segunda mão". Também podemos reutilizar muitas das coisas que temos.

5. "Food sharing" : esta diz-me muito, até porque já tentei implementar um projecto/app deste género que, em tempos, foi chumbado sob a lógica de que os portugueses não confiam no próximo e de que a comida podia ser contaminada. Numa comunidade onde as relações de vizinhança funcionam, pode ser uma prática com resultados excelentes!

6. Compra de produtos reutilizáveis: os eco-bags, por exemplo, ou até as garrafas de água.

7. Este talvez um dos mais interessantes em termos de cidadania e fuga à "zona de conforto": adquirir produtos de empresas responsáveis em termos de economia, ambiente e pessoas.

8. No seguimento do ponto anterior, e com a mesma importância, criar grupos que finalmente, e em Portugal precisamos tanto, façam pressão para as organizações implementarem verdadeiros programas de Responsabilidade Social Corporativa e alertem para as más práticas! Grupos de cidadãos independentes e não associações que se perpetuam com poucos efeitos.

9. Aquisição de produtos que não prejudicam o ambiente e têm uma origem controlada e sustentável.

10. Trazer aqueles que estão junto de nós para estas iniciativas, ter a coragem de dizer não!

 

Mais do que leis e imposições, se seguirmos estas e tantas outras práticas, provavelmente até estaremos a fazer mais pelo nosso país e pelo nosso mundo do que muitas políticas nacionais e internacionais - do que é que estamos à espera para sermos cidadãos e também verdadeiros actores na mudança deste paradigma?

 

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O Dia Internacional da Paz!

por Robinson Kanes, em 20.09.19

 

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Não podia deixar passar este dia, sobretudo depois de ter apreciado que o dia 15 de Setembro (Dia Internacional da Democracia) passou completamente ao lado de todos - numa época em que se fala tanto de "populismo" é estranho que muitos do que combatem tal tendência também não estivessem muito interessados em falar de Democracia.

 

Amanhã é o "Dia Internacional da Paz" e este ano tem um cariz especial na medida em que adiciona a esta temática também as questões climáticas: "Climate Action for Peace" é o mote. Esta estratégia entende-se, sobretudo, porque o espoletar de guerras causadas pelas alterações climáticas tende a ser uma realidade daqui a poucos anos, aliás, algumas de certa forma já estão a acontecer. 

 

Segundo as Nações Unidas, o impacte na segurança é tal que os desastres naturais provocam três vezes mais deslocados que os conflitos bélicos - por sua vez, temos de ter em conta que deslocados também podem estar na origem de algumas tensões. Acresce a questão da salinização das águas e respectivas consequências na agricultura e na saúde dos cidadãos. Será também interessante assistir às conclusões da "Climate Action Summit" que, penso ter ouvido, para o ano terá lugar em Portugal.

 

"Cada ser-humano é parte da solução" é uma das bandeiras, nomeadamente em coisas tão simples como desligar as luzes quando não são necessárias, utilizar os transportes públicos e até dinamizar campanhas a nível local - e em Portugal precisamos tanto disto, mas tanto... Sobretudo campanhas nascidas de gentes locais, com pessoas reais, sem grandes associativismos mas uma enorme vontade de mudar, estamos dispostos a isso? Podemos fazer tantas iniciativas e quantas vemos realmente a ocorrer? Porque é que não fazemos uma actividade que contemple a criação de um ou mais "peace poles" - algo que até podemos fazer numa lógica de Responsabilidade Social Corporativa (RSC). Deixo também outras tantas ideias que podem ser colocadas em prática para fazer a diferença seja na nossa pequena comunidade, região ou organização empresarial.

- Minuto de silêncio - não faz muito, mas é uma forma de pelo menos recordar as pessoas;

- Dinamização de diálogos inter-culturais;

- Workshops ambientais e dedicados à paz;

- Poesia e/ou música dedicada aos temas da paz e do ambiente;

- Actividades locais/comunitárias de promoção da paz e de alerta;

 

Podemos fazer tantas e tantas coisas, pelo que, deixo uma outra sugestão, na medida em que este ano, e já hoje, a "International Day of Peace Student Observance" apresentará uma plataforma onde muitos jovens apresentarão vários projectos em curso no combate às alterações climáticas, será às nove horas de Nova Iorque e pode ser acompanhado online aqui.

 

 

Vamos fazer a nossa parte? Se quiserem partilhem também aqui o que vão fazer e este espaço será Vosso para que possam escrever os vossos artigos! Vamos lá?

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Trepanação Colectivamente Assistida!

por Robinson Kanes, em 02.08.18

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Fonte da Imagem:  A minha GC

 

 

- E tu Robinson, porque te ausentaste? Bem, caro Platão, estive a acompanhar o "Tour de France"...

-Brilhante Robinson!

Platão, in "República"

 

 

 

Como as coisas andam por este mundo... Andamos preocupados com as "gajas boas" no futebol mas não queremos saber da corrupção que grassa na modalidade e a origem, nem sempre bem esclarecida, dos montantes que envolvem a modalidade ao mais alto nível. De facto é brilhante! Tiramos as "gajas boas", mas não nos tirem a bola, mesmo que o nosso clube e aqueles que o gerem sejam autênticos criminosos que gozam de todo o tipo de impunidade. 

 

A prioridade actual é que não se mostrem as mamas da criminosa! Isso é que não! Mas a senhora em causa matou dois indivíduos e roubou 2 milhões de euros! E? Desde que não lhe mostrem as mamas, mesmo que ocultadas por uma camisa, está tudo bem, o resto não é importante. 

 

Também ouvi dizer que um certo Robles anda por aí numas negociatas imobiliárias! É legítimo, não cometeu nenhuma ilegalidade! No entanto, esse Robles não é aquele que criticava tanto Medina em termos de política imobiliária em Lisboa e depois se vendeu por um cargo de vereador? Sendo esse, é mais um como o Zé que era independente, depois passou para o Bloco de Esquerda e depois de se ter vendido a António Costa passou a chamar-se Engenheiro José Sá Fernandes e nunca ninguém mais ouviu falar dele, embora continue como vereador na mais importante autarquia do país. Mas o que não é legítimo, é Robles cair nessa tentação portuguesa que se chama a hipocrisia, sobretudo quando envolve dinheiro. E o silêncio do Bloco? Eu bem digo, desde a criação da geringonça que foi mais um "partido" que deixou de se ouvir e tem vindo a cair em algumas armadilhas bem peculiares...

 

Por França, as coisas não estão diferentes. Como também é época de férias, toda uma esquerda unida, alicerçada na ausência de notícias típica da "silly season" tem tentado derrubar Emmanuel Macron a propósito do caso Benalla. Pelo pouco que acompanhei, é uma verdadeira tentativa de derrubar um presidente num caso que não justifica tamanho ódio... E é esta a palavra. Também por França se anda a dar mais importância aos media... Ou então a ausência de jornalistas que encontrem notícias nesta época é uma realidade.

 

Também as questões climáticas continuam a ser uma brincadeira e uma fantochada... A plebe quer é calor, e quem vive do calor quer é dinheiro, mesmo que não sirva de muito quando a Natureza der o golpe final. Vamos para a praia e continuemos a não exigir nada (a nível global) aos governantes deste mundo. 

 

E porque se fala de ambiente e clima, porque é que parece não existirem mais instituições/associações ambientalistas além daquelas onde está sempre infiltrado o senhor Francisco Ferreira? Antes era "Quercus", mas como ficou zangado por ter perdido o poder que julgava vitalício, criou a "Zero" que agora merece todo o destaque mesmo que seja uma instituição sem provas dadas, sobretudo face a outras.

 

Finalmente... Portugal, Grécia, Estados Unidos e outras localizações com menos destaque, são a prova de que os incêndios estão cada vez mais fora de controlo! Entretanto, como me deparei com uma ignição aqui perto de casa, telefonei para a Glassdrive que me substituiu imediatamente os vidros da casa por uns anti-incêndio. Pelo menos foram mais rápidos que a Protecção Civil.

 

 

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 Fonte da Imagem: AP Photo/Uttam Saikia

 

 

A fatalidade faz-nos invisíveis.

Gabriel García Márquez, in "Crónica de uma Morte Anunciada"

 

Enquanto o foco da atenção mundial se concentra nas cheias de Houston (nada contra) e nos 20 anos da morte de uma Princesa, parece que existe algo que anda a passar ao lado da actualidade. De facto, é do conhecimento público que só nos lembramos da Ásia quando falamos de viagens ou quando queremos imitar as pseudo-celebridades em destinos exóticos, todavia, rapidamente nos esquecemos do que é viver longe de um resort 365 dias por ano nessas regiões. Há períodos próprios para sermos apaixonadamente étnicos.

 

As monções sazonais já provocaram cerca de 1200 mortos e estão a afectar cerca de 50 milhões de pessoas na Índia, Nepal Paquistão e Bangladesh. Mortes provocadas por deslizamentos de terras, picadas de cobra - é verdade, morre-se de picadas de cobra - desmoronamentos de edifícios e afogamentos são as principais causas. Na Índia, nem o Parque Natural Kaziranga escapou, contando-se até ao momento cerca de 250 animais mortos entre rinocerontes, veados e um tigre de bengala - a primeira foto fala por si!

 

Todavia, no nosso pequeno mundo, andamos preocupados com séries televisivas, com princesas defuntas e opiniões de humoristas com carácter vinculativo. "Menos mal" que dos Estados Unidos sempre nos cheguem notícias do Texas, mas até algumas delas servem para bater em Donald Trump e na Primeira-Dama, ou até para nos assustarem com o preço da gasolina. O Texas pode desaparecer do mapa, a gasolina é que não pode aumentar. Alguém ontem falava do "jornalixo", não andará longe, pelo menos em muitas redacções... 

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Fonte da Imagem: AP Photo/Manish Paudel

 

Pior que as mais recentes actualizações, serão também aquelas que nunca saberemos pelos media que actualizam cada passe de um defesa da selecção nacional, mas não actualizarão o número de vítimas quando as águas descerem e as lamas forem removidas... A realidade, é que a época das monções acontece todos os anos... E todos os anos morrem milhares de pessoas naquela região, mas todos os anos são mais importantes a "época de transferências" e as contratações do Real Cascalheiro de Frielas ou do Solteiros e Casados de Muge do que um sem número de seres-humanos, fauna e flora... Mas também não será de admirar, no que depender dos cidadãos, uma tragédia bem "menor" que matou mais de seis dezenas de pessoas e feriu ainda mais de duas centenas vai passar impune...

 

A globalização pode ser uma realidade, mas existem países cujas cabeças dos cidadãos, instituições e media insistem no provincianismo bacoco que nem Verney e os seus pares conseguiram vencer. Antes de falarmos de isolacionismo na Coreia do Norte, seria prudente pensarmos em nós...

 

Finalmente, confesso que, depois de pensar que após a primeira foto já nada me espantaria, a segunda imagem fez-me engolir em seco ao ver o sorriso destes homens e destes jovens - quando por cá choramos simplesmente porque não encontramos aquele par de sapatos que tanto queremos, ou porque amanhã não estão 35º mas estão 30º, ou simplesmente porque a isso chamamos stress e entramos em depressão porque ainda não fizemos as malas para a próxima viagem e caos maior, até estamos de férias. Faz-me questionar onde estará a pobreza, se em Mumbai ou se em Lisboa, Porto ou outra qualquer cidade portuguesa.

 

Hoje esperava publicar um texto e sugestões literárias e musicais (ficará para segunda-feira), mas efectivamente não posso ficar indiferente a tantas palas (voluntárias?) nos olhos...

 

Bom fim-de-semana...

 

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