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Imagens: Robinson Kanes

 

Já reservaram a casa no Algarve? Já preparam as latas de sardinhas e os douradinhos para levar? Levaram a máquina fotográfica para fotografar a única refeição que vão fazer fora de casa porque os douradinhos e as sardinhas não causam inveja? Pediram factura daquela semana cuja casa vos vai custar mais que 10 noites num hotel na Sardenha? Já convidaram os pais? Pode ser que paguem a despesa enquanto vocês colocam as fotos da semana espectacular na "vossa" casa de praia... Não fizeram nada disso porque vão estar em casa ou a trabalhar no fim-de-semana?

 

Então porque é que não pensam num livro? Querem "cascar" nos cristãos? Que tal um livro bem escrito e sustentado em factos... Catherine Nixey e "A Chegada das Trevas - Como os Cristãos Destruíram o Mundo Clássico". Ao ler este livro ficamos com a sensação que a Al-Qaeda é uma brincadeira de putos... Ficamos também com a sensação (como se isso fosse novo) que muito do atraso civilizacional actual se deve à malta da cruz... Claro que podemos sempre colocar algumas questões, mas que está bem escrito, está... Acredito é que depois sintam vontade de empurrar um padre do palco abaixo, como fez a outra ao Marcelo Rossi!

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Em termos musicais, esta semana partilho três coisas distintas... A primeira é a banda sonora que me acompanhau durante metade da semana, sobretudo de manhã enquanto conduzia: a "Sinfonia nº 8 em Dó Menor" de Anton Bruckner - uma coisa simplesmente espectacular! Se acharem que fica muito longo e a paciência é pouca, escutem só o "Adagio - Feierlich langsam, doch nicht schleppend", uma maravilha. Fica uma interpretação pela Orquestra Sinfónica da Galiza, aqui bem perto...

Existe uma "miúda" em Itália que eu gosto. Desta vez não é a Giorgia nem todas as outras de quem já falei...É mesmo a "Noemi". Uma versão mais leve da Nanini, mas gosto... Gosto... Deixo uma das minhas paixões, "La Borsa di una Donna"... Dedico às senhoras que seguem este espaço.

A terceira... Estamos em semana de Festival Músicas do Mundo (FMM) e por isso a sugestão vai para alguém que eu nunca pensei que viesse a Portugal... Uma surpresa, só é pena que já tenha actuado ontem e por motivos profissionais não a tenha podido aplaudir: Sona Jobarteh com "Gambia" - uma música que celebra a independência desse país! Uma senhora com formação musical e que nos apaixona desde o primeiro acorde. É com tristeza por não ter estado ontem em Sines que partilho este som... Vão ao FMM! E ninguém me pagou para dizer isto, é mesmo um brand advocate do festival que o diz!

Talvez inspirado por algumas boas conversas que tive esta semana com esta senhora, a minha sugestão de cinema vai para "One Flew Over the Cuckoo's Nest" mais conhecido por "Voando Sobre um Ninho de Cucos". Um dos filmes obrigatórios para quem ainda não morreu e que muitos já devem conhecer - a obra-prima de Milos Forman! Jack Nicholson no seu melhor e um excelente trabalho para a saúde mental! Simplesmente genial e uma obra-prima do cinema - em Hollywood, não é qualquer filme que leva para casa os óscares de melhor filme, melhor realizador, melhor actor principal, melhor actriz secundária e melhor argumento adaptado! Tomem lá o trailler - escolher só uma cena é impossível! 

 

Em jeito de conclusão, lembrem-se que só entre 11 e 20 de Junho deste ano, a Gronelândia viu o seu gelo derreter numa extensão de 700 000 km2 (cerca de 80 biliões de toneladas), estabelecendo um novo recorde para esta época do ano. 80 biliões de toneladas... Imaginem o padrão e os efeitos nos mares...

 

Bom fim-de-semana...

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Imagens: Robinson Kanes

 

"Happy Friday", meus senhores e minhas senhoras! "Happy Friday" também para aqueles que vão passar o fim-de-semana a trabalhar! (Nunca me esqueço, até porque, não raras vezes, também sou um deles).

 

Ontem estava deitado e dei comigo a pensar que esta semana carreguei demasiado no pedal. Quem deve estar contente com isso é o Pedro, aqui do SAPO. 

 

E sexta, pontualmente, tende a ser um dia em que partilho também algumas das minhas paixões ou preferências - sugerir acho pesado, embora utilize o termo, afinal... Quem sou eu para sugerir o que quer que seja? Começo pela música, e esta semana com duas recomendações. Uma delas porque foi a minha banda sonora no carro e como é bom uma das viaturas lá de casa ainda trazer leitor de CD - aliás, todas trazem, embora a mais recente tenha sido uma grande surpresa! Obrigado à malta da DS por se ter lembrado de quem também ainda utiliza CD!  Sting, fui à prateleira e não resisti ao "Symphonicities" gravado com a Royal Philharmonic Orchestra (RPO). Se as músicas de Sting (e não gosto dos "Police") já são qualquer coisa, com a RPO é um delírio para quem gosta muito do artista e de música clássica! E não se sintam amedrontados se podem achar que é pseudo; ao ouvirem a primeira faixa e a versão de "Next to You" irão perceber de imediato o que quero dizer:

Depois de Sting, o fim-de-semana pode ser preenchido com algo mais particular, Yann Tiersen! Recordo-me também do tempo dos CD e de "La Valse des Monstres", o primeiro do compositor e que além de outras composições para filmes, inclui já dois temas que acabaríamos por encontrar no sucesso de Jean-Pierre Jeunet, "Amélie". Deixo aquela que dá o título ao disco - "La Valse des Monstres" - e uma que reconhecerão de imediato, "Le Banquet" - e como é bom ouvir algo que também sabemos interpretar.

Para ler, não posso deixar de me recordar da MJP que, em tempos, me perguntou de onde conhecia Marie de Hennezel! Marie de Hennezel, é uma psicóloga clínica e terapeuta que, em França (e não só), transformou o modo como encaramos a morte e também como vivemos os nossos últimos dias, especialmente quando sabemos que tudo está perdido! Foi sobretudo a partir da Unidade de Cuidados Paliativos para doentes terminais de Paris que o Mundo pôde conhecer o trabalho desta senhora, essa sim, uma verdadeira heroína quer em termos de humanidade quer em termos profissionais! Deixo "O Coração não Envelhece"... E não se deixem levar pela capa - de romance "barato" tem pouco. Tem um peso extraordinário e acredito que a muitos pode ajudar. Apesar da carga espiritual, é algo completamente exposto com ciência e com um conhecimento único! Imaginem um "De Senectute" dos séculos XX e XXI mas com uma visão mais cientifica. Ou não imaginem... Sobretudo se tiveram que ler a obra de Cicero em latim... O livro lê-se com uma facilidade tremenda e gera emoções que não vos vão deixar com a mesma visão da velhice dos tempos modernos!

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E para que este cavalheiro venha para aqui dizer que peco por excesso, nada como deixar "Mia Madre" de Nanni Moretti, realizador de quem já falei aqui. A história de uma mulher que entre os desafios profissionais, o fim de uma relação e a adolescência da filha ainda tem de pensar na sua mãe doente - é um filme de Moretti, não é fácil de digerir, mas é sempre uma valente dose do que é ser humano, algo que não vemos em todos as produções cinematográficas.

E é isto... Se não estiverem interessados em conversas sobre a proibição de piropos, falsas acusações de racismo e gente fanática disfarçada de bons moralistas e defensores de grandes causas, sempre podem dar uma vista de olhos por isto...

Bom fim-de-semana,

 

P.S.: Caro "X", não me esqueci da Cantábria... Para a semana está prometido, mas tenho de estar em sintonia para me recordar de todas as emoções e vasculhar todos os meus apontamentos. Caro Folhas, o Tejo também não está esquecido.

 

 

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Sexta-feira, não raras vezes, é um dia que se aproveita o casebre para apontar algumas ideias mais... "bonancibles"? Eu admito que tento relaxar na pressão dos temas mas nem sempre consigo, pelo que, vamos lá ver se tiro algum peso "à coisa"...

 

Se há coisa que um português gosta é de uma boa esplanada, de preferência sobre o mar! E eis que me lembrei (fazendo vénias) do "meu" Vergílio Ferreira! Dirão "lá vem este com aquela conversa e com os livros do Vergílio", mas este é leve, aliás, tão leve que é uma espécie de conto e que até encontrarão pela internet... "Uma Esplanada Sobre o Mar".

 

Não há nada mais igual do que o mar ou o lume ou uma flor. Ou um pássaro. E a gente
não se cansa de os ver ou ouvir. Só é preciso que se esteja disposto para achar diferença nessa
igualdade. Posso olhar o mar e não reparar nele, porque já o vi. Mas posso estar horas a olhar e
não me cansar da sua monotonia.

Vergílio Ferreira, in "Uma Esplanada sobre o Mar"

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Sim, de facto não consigo manter a leveza da coisa... E se agora tanto se fala de demografia (ou se evita ao não apontar os factos reais e aproveitando o refúgio no politicamente correcto) nada como ir aos "primórdios" do excesso de população e pensar em Thomas Malthus! É uma visão que já precisa dos seus ajustes mas que em determinadas passagens está mais actual e é mais necessária que nunca! Para quem conhece a teoria de Malthus, saberá que este nos dizia (de uma forma bastante sucinta) que a população cresce em progressão geométrica e a produção de alimentos de forma aritmética, logo levava à fome! A isto junta-se a questão ambiental e de sustentabilidade cuja fragilidade aumenta com a eliminação dos predadores e das doenças, entre outros factores.  "Ensaio sobre o Princípio da População"... 

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Uma música... Uma música para um fim-de-semana ou um momento em que estamos perfeitamente em altas (ou em baixas) depende do contexto mas não perdendo o foco no positivo! Para tirar peso à coisa e para se celebrar o amor (seja lá o que isso for... até já há quem use (mal) a ciência para dizer a anormalidade de que este só dura 5 anos), nada como regressar a Tiziano Ferro, agora com Carmen Consoli. "Il Conforto" é um hino à paixão e pelos vistos não fui eu só a achar isso em 2016/2017, quando esta música foi lançada! Tiziano Ferro morreu há muito em Portugal mas em Itália é um senhor! Esta está sempre na lista...

 

Per pesare il cuore con entrambe le mani 
Ci vuole coraggio 
E occhi bendati su un cielo girato di spalle 
La pazienza a casa nostra il coraggio il tuo conforto 
Ha a che fare con me 
È qualcosa che ha a che fare con me

 

E um filme? De facto, quem sou eu para estar aqui com sugestões? Enfim... Porque é que não me dão as vossas também? Trocamos? Afinal, quem sugere é mais do que quem segue? Negativo! Às vezes, bem pelo contrário... Chutem! Deixo "Istanbul Kirmizisi" ou "Rosso Istambul" de Ferzan Ozpetek. Ver este filme é percorrer Istambul , é recordar... E muito que há para recordar! A banda sonora é interessante e embora não sendo um filme perfeito, a história em torno da personagem do escritor Orhan Şahin merece a pena...

Caríssimos... E é isto! Se tiverem tempo, nada como dar uma espreitadela a este artigo que nos fala do ameaçado "Mouchão da Póvoa" em pleno estuário do Tejo! Estou em dívida com o autor, pois contamos iniciar uma série de textos (e talvez, não só) no sentido de alertar para os perigos que o nosso "Tejo" enfrenta.

 

Bom fim-de-semana e... Não se esqueçam que os 10% de assalariados (assalariados, reforço) mais pobres do Mundo têm de trabalhar três séculos (portanto... 300 anos!) para auferir o rendimento anual (365 dias, 1 ano) dos 10% mais ricos.

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Per Sempre Morricone...

por Robinson Kanes, em 07.05.19

IMG-20190507-WA0002.jpgImagens: GC

 

Sempre aplaudido de pé, Morricone acabou por encantar a Altice Arena, como seria de esperar... Passou por sucessos menos conhecidos pela maioria dos portugueses e não deixou passar os grandes temas "spaghetti western". O apogeu deu-se no final com a óbvia banda sonora de "Cinema Paradiso", sem esquecer a "Missão".

 

"Cinema Paradiso" arrebatou a plateia e as lágrimas foram uma presença ao longo de toda a interpretação, acabámos todos por fazer um pouco o papel de Salvatore quando, no final, coloca a fita que Alfredo lhe deixou e se desfaz em lágrimas - boas recordações e no turbilhão de emoções que as mesmas trazem. Senti-me, também, um Salvatore, por todas as razões e mais algumas. Quem escuta "Cinema Paradiso", "Once Upon a Time in America" ou até o tema de "Malena" ao vivo (os dois últimos desta vez não tiveram lugar), nunca mais vai esquecer!

 

Uma excelente orquestra, um excelente coro, um excelente maestro e compositor, e claro, uma excelente soprano - Susanna Rigacci - não poderiam ter tornado o espectáculo melhor. Ao contrário do que também alguma imprensa já hoje diz, Dulce Pontes não foi, embora tentasse, uma das estrelas da noite! Uma voz que deixa a desejar, um mau inglês que parecia búlgaro numa das interpretações, honestamente, não tem a mínima qualidade para estar naquele palco com tão grande compositor, tão grande soprano e com tantas vozes de qualidade no coro. O público percebeu isso e, se de facto, ouve menos exaltação nos aplausos foi quando Dulce Pontes cantou...

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Mas o espectáculo de Morricone, a sua presença em palco, fizeram-nos sonhar, e ao mesmo tempo, entristeceram-nos. Ver aquele senhor de 90 anos já algo debilitado fez-nos mesmos acreditar no "farewell". Tivemos, mais uma vez, a oportunidade de lhe dizer "grazie" e isso terá sido o mais importante. Nunca o esqueceremos e estará sempre junto de nós, sempre a recordar aquela forma própria de conduzir uma orquestra.

 

Uma nota particular também para o facto de uma orquestra maioritariamente "entradota", um maestro que é um verdadeiro dinossauro da música, sem esquecer o coro, mostrarem que a idade não importa quando se fala de ser ou não um bom profissional, de facto... Uma lição que todos também podemos tirar da noite passada!

 

Obrigado Ennio... 

 

(Também o SAPO aqui não esqueceu o Mestre)

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Atrás de Marcel Proust em Cabourg...

por Robinson Kanes, em 24.08.18

IMG_3401.JPG Imagens: Próprias e GC.

 

 

A única verdadeira viagem de descoberta, a única fonte da eterna juventude, será não visitar terras que nos são estranhas, mas sim possuir outros olhos, contemplar o universo através dos olhos do outro, de centenas de outros, ver as centenas de universos que cada um contempla, ver o que cada um deles é.  

Marcel Proust, in "Em Busca do Tempo Perdido - Volume V: A Prisioneira"

 

 

Já tive oportunidade de falar de Erik Satie, ou até de Eugène Bodin aquando do meu artigo sobre Honfleur. No entanto, agora é a vez de um mestre das letras merecer um destaque, é ele Marcel Proust!

 

Falo de Marcel Proust para poder também falar de Cabourg, localidade, sobretudo conhecida por ter sido o local preferido de férias do escritor! Estar em Trouville-sur-Mer, ou mesmo em Dieppe e não ir a Cabourg acabará por ser quase um crime, nomeadamente cometido por parte daqueles que têm em Proust uma referência.

 

Cabourg, no Departamento de Calvados, é um daqueles locais de França em que as flores e as plantas transformam uma cidade... E uma espécie de cataplana típica também, devo confessar. Para mim, é também um local onde, como amante do estudo da 2ª Guerra Mundial, olhando o mar, já começo a ter uma sensação menos boa. Devo admitir que, na primeira vez que visitei Cabourg - e já explico porque é importante lá voltar - não consegui colocar um pé na água. Já imaginava muito daquilo que iria sentir mais para a frente, já perto de Caen.

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Mas Cabourg é mais que um majestoso Casino do século XIX. Cabourg é poder passear na "promenade Marcel Proust" e sentir um pouco certos tempos que não vivi. É sentir um certo glamour dos anos 60, 70, 80 ou até mesmo de finais do século XIX e imaginar o charme e requinte de tal estância balnear. Não será dificil conceber Cabourg, e daí ser importante regressar, como uma daquelas escapadas românticas únicas ou não foss conhecido pelo Festival de Cinema, também ele dedicado a filmes românticos! Acrescentem a isto, que uma parte do programa inclui cinema na praia!

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Mas Cabourg não se fica por aqui no que concerne a romantismo! O São Valentim é também celebrado de uma forma muito especial, com direito a banhos nocturnos e muito fogo de artifício - esta temática é tão levada a sério que se abrem ciclos de debates e um sem número de iniciativas culturais e até cientificas ligadas ao amor... Quiçá, e nem sou adepto da data, o próximo dia 14 de Fevereiro não venha a ser passado em Cabourg!

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Ainda falando de amor, Cabourg, mais precisamente a "Promenade Marcel Proust", é também o local onde encontramos o "Le Méridien de L'Amour", uma celebração do amor a uma escala universal e onde vários "quiosques" nos abrem os horizontes nesta matéria e em 104 línguas" - algo que não fica indiferente a ninguém! É fácil deambular por entre os  telegramas em diferentes línguas e sentir o amor num passeio junto à praia, numa localização privilegiada e romântica. Talvez seja isso que está a sentir aquele casal na segunda fotografia.

 

Bom fim de semana...

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Encontrei Philippe Noiret...

por Robinson Kanes, em 08.08.18

 

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 Fonte: Própria

 

Já muitas vezes falei de um dos meus actores preferidos - é ele Philippe Noiret. Abordei este grande actor aquando do meu artigo sobre "Il Postino" e também aquando do artigo sobre "Cinema Paradiso". Todavia, este actor mereceria tantos outros destaques, nomeadamente com um dos filmes que lhe deu mais prémios, falo de "La Vie en Rien d'Autre", datado de 1989 e obra do realizador Bertrand Tavernier. Já em 1984 havia, também com a presença de Noiret, realizado "Coup de Torchon".

 

Mas o que hoje me faz recordar Noiret é ter descoberto o mesmo em Montparnase, mais precisamento no cemitério onde está sepultado e onde, apesar das minhas pesquisas, nunca encontrei menção à sua presença. Se Sartre e Beavouir, ou até Beckett e Duras já estavam na minha lista, ter encontrado Noiret por mero acaso enquanto vagueava entre campas foi uma grande surpresa (até porque nem está nos destaques que o cemitério tem para personalidades reconhecidas), uma surpresa boa nesta visita ao cemitério de Paris que me faltava.

 

De facto, sabendo que ali está apenas terra, foi como se tivesse encontrado o velho Alfredo com aquele sorriso tão próximo, tão franco e tão puro. Sim, estava ali Alfredo, estava ali Philippe Noiret que me encheu ainda mais de alegria quando me pude aperceber da sua paixão por cães e por cavalos - desconhecia a primeira. Simples como as personagens de Noiret, devo dizer que foi um dos pontos altos em mais um regresso a Paris.

 

Enquanto procurava o grande mestre Becket, encontrei Noiret... A minha tristeza? Não me poder ter sentado entre os dois e ter falado um pouco de dramaturgia, literatura e cinema... Acredito que entre mortos, saíria mais vivo e mais rico que nunca.

 

 

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Entre Notas e Folhas...

por Robinson Kanes, em 22.05.18

 

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 Fonte: Própria

 

 

De costas ou de frente, duas das minhas grandes companheiras de momentos mais calmos ou mais tensos - nem sempre a paz é sinónimo de tranquilidade - são duas árvores que tenho em frente de casa... Escondem os caixotes da reciclagem, a vizinhança, e acima de tudo, a par do relvado, trazem o verde da natureza e o chilrear dos pássaros até mim. Foi neste sentido, que volto a uma espécie playlist", pois diz-se que as músicas que ouvimos, os livros que lemos e as pessoas com quem confraternizamos dizem muito de nós...

 

Entre notas e folhas, não poderia deixar de ter em mim uma música e um compositor que me atormenta, que me desperta um sem número de emoções boas e más e que tão apaixonadamente tenho vindo a falar. Ficou conhecido do grande público com a banda sonora do filme "The Intouchables", no entanto já era uma presença assídua cá por casa. Escolhi, de Ludovico Einaudi, uma das mais conhecidas: "Time Lapse" - do albúm "In a Time Lapse" e que me permitiu vibrar num dos concertos que assisti deste compositor e músico brilhante. Por sinal, a capa do albúm "In a Time Lapse" é uma árvore.

Talvez porque as folhas se agitam em diferentes movimentos ao som do seu maior maestro, o vento, diria que hoje esse actor se lembrou de uma valsa. Não poderia deixar de escutar o grego "Yorgos Kazantzis - Waltz of Utopia". Além de ser uma composição que me faz andar para trás na idade, transmite-me a impressão de ser o único ainda a acreditar em utopias num mundo onde todos já em nada acreditam. Gosto dessa sensação, apesar de tudo... Talvez o único com visão num mundo ao estilo de "Ensaio Sobre a Cegueira". É como me sinto ao som desta valsa, sem bicos de pés.

E se é de valsas que falamos, continuo na música instrumental e num compositor que me surgiu aquando da visualização do filme "Old Boy". Um filme coreano que só conheci em 2007 e cuja banda sonora me encantou - o responsável foi outra presença interessante na discografia cá de casa:  Jo Yeong-wook. Desse filme surpreendente ficou-me a composição "The Last Waltz". Existem músicas que nos apaixonam sem sabermos porquê, mas apaixonam mesmo. Esta é uma delas e acaba por ser uma das melhores companhias em trabalho, em casa ou quando o estado de espírito pede algo...

Devia chicotear-me do porquê de ainda não ter falado de Michael Nyman, esta é uma das paixões comuns cá de casa e se me perguntarem agora, enquanto os meus olhos deixam o monitor do laptop e olham o dia quente lá fora, só me posso lembrar de "Memorial for Large Ensemble", mas poderiam ser tantas. Ver Nyman ao vivo é também acreditar que ainda existem verdadeiros cavalheiros no mundo da música...

Uma outra música adveio de uma peculiar história. Conheci Craig Armstrong através de um CD que alguém não quis e abandonou. Foi uma surpresa singular e que ainda hoje preenche muitos serões e manhãs! Aqui, a escolha óbvia é "This Love" - não poderia ser outra... Uma companhia interessante também para a condução quando a noite já é manhã... Mais uma daqueles músicas que se gosta e pronto... Sem grandes histórias, simplesmente agradável e apaixonante.

Com a lista a meio, não poderia deixar passar uma ária - "Vesti la Giubba" da ópera "Il Pagliaci" de Ruggero Leoncavallo. A ópera maldita para o compositor que, talvez de tão boa que foi, jamais conseguiu ser igualada e colocou Leoncavallo no campo dos mais injustamente excluídos da época. Além desta ópera de um único acto ser uma interessante lição de vida, a ária em si é também uma inspiração para mim... Sobretudo nos momentos difíceis em que temos de nos levantar e rir, mesmo quando as emoções estão a um nível de destruição que só nos apetece levar tudo à frente ou cair na agonia. "Vesti la Giubba" reúne todo este contexto e atira-nos para o papel do infeliz Canio e coloca-nos a rir da nossa dor.

 

Ridi, Pagliaccio,
sul tuo amore infranto!
Ridi del duol, che t'avvelena il cor!

 

Escolhi talvez, o melhor intérprete desta ária para exemplo...

Regresso a uma das músicas que tem sido uma presença ao longo dos anos na minha vida, talvez pelo compositor, talvez pela melodia, talvez pelo carácter disruptivo desse mesmo compositor, talvez porque é uma obra-prima e... Talvez porque surgiu numa altura da vida em que também eu passei pelo mesmo sentimento de Astor Piazzolla e pude, com o compositor, partilhar essa dor... "Adiós Nonino"...

Faltam três músicas e tantas vou esquecer, mas talvez uma das escolhas óbvias seja, mais uma vez, "Il Postino", de Luis Bacalov. Já falei do filme e da música por aqui, mas penso nunca ter falado de uma das minhas interpretações preferidas e que tive oportunidade de conhecer quando adquiri o albúm "In Cerca Di Cibo" de Gianluigi Trovesi e Gianni Coscia. Gosto deste duo, gosto da dinâmica entre o clarinete de Trovesi e o acordeão de Coscia. Dispensam-se mais palavras... Embora exista uma outra versão verdadeiramente arrebatadora - um dia falarei dela.

A oitava música... Talvez uma daquelas que faz parte da vida de quem já teve oportunidade de escutar Ryuichi Sakamoto. Presença habitual por Portugal, Sakamoto tem um estilo próprio que me prende, embora não seja apaixonado por compositores do género - e sim, sei que já falei de um lá para cima. Recordo-me, e vou até colocar o CD, nesta passagem... "Energy Flow".  Gostar de Sakamoto é ser pseudo-intelectual, mas enfim... Nem todos somos brilhantes...

E já que estamos por aqui, vou continuar por Sakamoto e uma das músicas que anda pelo top cá de casa, não só pelo filme onde marcou presença ("Babel") mas também pelo encanto e mistura de emoções que também provoca. Não é propriamente alegre, mas sem dúvida marcou uma certa fase da minha vida, seria injusto deixá-la para trás. Proibido não ouvir, pelo menos por estas bandas... O vento está a ficar mais forte, é preciso contrariar o movimento das folhas com a suavidade das notas...

 

Boa semana...

 

P.S: Falar de "Babel" e não falar de Gustavo Santaollalla não deveria ser permitido, mas um dia terá o seu merecido destaque.

 

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"Amarcord"

por Robinson Kanes, em 01.05.18

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Fonte da Imagem: https://www.moma.org/calendar/events/1506

 

 

Talvez de que somos, o somos por efeito do que se é e não do que se acumula sobre isso. O que se acumula apenas coordena o que já se é ao nível a que se vai ser.

Vergílio Ferreira, in "Conta Corrente IV"

 

 

A minha paixão por filmes italianos não é novidade, sobretudo se caminharmos alguns bons anos para trás, anos em que nem eu era sonhado!

 

No entanto, juntar num só filme Frederico Fellini e Nino Rota, o resultado só pode resultar num Oscar de Melhor Filme Estrangeiro - "Amarcord" é um desses exemplos! A banda sonora nunca mais nos sairá dos ouvidos!

 

Passado no Borgo San Giuliano perto da Rimini dos anos 30, acabou por ser uma inspiriração de Fellini, baseada na infância do mesmo, até porque "Amarcord" vem do dialecto romagnol e quer dizer algo como "eu lembro-me".  Estamos perante um número de personagens (a adolescente e a sua família, o acordeonista, a bonitona da cidade, os defensores dos bons costumes...) que é afectado nas suas vidas pela itália fascista dos anos 30. É um filme que nos mostra um pouco a realidade da época, quer do ponto de vista do indivíduo quer da própria presença do mesmo na comunidade.

 

 

Não é um filme com uma história fascinante mas que vale pelo que é - deixo-me portanto - de grandes divagações.

 

Deixem-se envolver por uma Itália de outros tempos e pela música de Rota, já será o suficiente para apreciar uns minutos mágicos...

 

Bom feriado...

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Fim-de-Semana com "Il Postino"...

por Robinson Kanes, em 15.12.17

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 Fonte:http://images3.static-bluray.com/reviews/13055_5.jpg

 

Existem filmes que nos marcam para sempre... Existem bandas sonoras que nos marcam para sempre... E existem livros que nos marcam para sempre... E porquê? Porque também existem pessoas que nos marcam para sempre!

 

Este artigo não é uma sugestão, é a força de várias emoções que fervilham sempre que vejo e escuto "Il Postino". De facto, ser em Itália, ter como realizador Michael Radford (relizador do "Mercador de Veneza"), ter Philippe Noiret (Pablo Neruda) e Massimo Troisi (Mario Ruoppolo) como actores, já vale muito.Confesso que o livro de Antonio Skármeta é uma daquelas situações em que o livro se deixa superar pelo filme.

 

Foi a minha miúda que me deu a descobrir este filme tardiamente... De facto, nos anos 90, era uma criança mas... Não é possível que só anos mais tarde lá tenha chegado.

 

"Il Postino" ou "O Carteiro de Pablo Neruda", é um filme que retrata sobretudo a amizade entre o poeta Pablo Neruda durante o seu exílio em Itália e um jovem (quase analfabeto) que decide aprender poesia e acaba por se emancipar por intermédio desta. É pela poesia e pelo uso das metáforas que conquista Beatrice (Maria Grazia Cucinotta) e começa a questionar um certo status quo que reina na ilha. 

 

Os diálogos e a relação que se estabelecem entre Mario e Neruda, são o grande ponto forte deste filme. Michael Radford conseguiu ir bem mais longe que Skármeta e trouxe-nos um filme envolvente e que está ao nível das melhores produções cinematográficas.

 

Um acontecimento paralelo ao filme, contudo, acabou por ser uma das imagens de marca do mesmo: o actor Massimo Troisi, que havia adiado uma cirurgia ao coração para poder gravar o filme, morreu no dia seguinte ao encerramento das filmagens. A personagem de Massimo, morre também no filme, depois de, influenciado por Neruda, ser convidado a declamar poesia numa manifestação comunista, violentamente reprimida pela polícia. Partilho a cena que apaixona todos aqueles que têm oportunidade de ver o filme... Em italiano, sem legendas... Foi sempre assim que vi este filme...

 

 

São filmes diferentes, mas coloco este num patamar muito semelhante a "Cinema Paradiso"... São filmes que nos marcam para a vida e que nos constroem como seres-humanos.

 

Finalmente, a banda sonora. Apesar de nomeado para os óscares nas categorias de "Melhor Filme" e "Melhor Realizador", foi com a "Melhor Banda Sonora Dramática" que "Il Postino" arrecadou uma estaueta. A música é brilhante, composta por mais um compositor da época "spaghetti western", o argentino Luis Bacalov, falecido em Novembro deste ano...

 

Para mim, uma das mais bem conseguidas bandas sonoras de sempre e que me trazem à memória um pouco de Buenos Aires e sobretudo de Itália e daquelas duas ilhas onde o filme foi filmado: a inesquecível Salina, uma das ilhas Eólias que ainda hoje recordo e a ilha de Procida, na Baía de Nápoles. Recomendo uma das versões que mais gosto e que se encontra no albúm "In Cerca di Cibo" de Gianluigi Trovesi e Gianni Coscia... Um acordeão e um clarinete de sonho.

 

É impossível que o tema principal não nos marque, é uma pérola e que já deu origem a diferentes versões e a qual partilho convosco...

 

 

Bom fim-de-semana...

 

P.S: Ao contrário do que foi noticiado, o agente da GNR atropelado ontem no Pinhal Novo não estava numa operação STOP mas sim numa zona onde se realizavam obras de conservação da estrada. Passei numa direcção e ainda o vi a controlar o trânsito. Quando voltava, já vi o equipamento do mesmo espalhado pela estrada e o corpo deitado no chão... Ainda não estava sequer em posição de segurança, o que nos fez pensar se não seria boa ideia verificar o que se passava... Espero que esteja tudo bem com este agente, que minutos antes da minha segunda passagem ali estava a comandar o trânsito.

 

 

 

 

 

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Com Lenine, Estaline e Tchaikovsky...

por Robinson Kanes, em 10.11.17

IMG_20171110_090509.jpgFonte da Imagem: Própria.

 

Por estes dias "celebrou-se" o aniversário da revolução soviética pelo que, embora tenha muitas questões em relação à mesma, não podemos negar que nos ficou comouma marca histórica que não pode ser apagada, mesmo que esse fosse o modus operandi, aliás, continua a ser, de uma esquerda mais radical. Foi isto que me deu a ideia para criar este artigo que já vai sendo de sugestões para o fim-de-semana e para a semana...

 

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 A primeira prende-se com Vladimir Ilyich Ulyanov, mais conhecido por Lenine. Mas não vos vou falar do estadista mas sim de um filme que é um dos relatos ficcionais mais brilhantes da história do cinema: o filme alemão "Good bye Lenin!" ou como é conhecido em Portugal, "Adeus Lenine!". Para muitos é uma comédia, para mim é um drama, sobretudo se escutarmos atentamente a banda sonora (Yann Tiersen) e nos deixarmos envolver na história. É o relato de uma mulher, comunista fervorosa que após um coma de 8 meses em 1989, desperta já em 1990 numa Alemanha unificada, onde já não existe divisão. Para evitar futuros ataques cardíacos, o filho, um anti-comunista, tudo fará para proporcionar no apartamento de Berlim uma encenação de como a Alemanha de Leste continua activa e o comunismo não caiu. O grande desafio vai ser, num país que abre os braços ao capitalismo, tudo fazer para parar a história. Um filme alemão dos mais brilhantes do século XXI e um dos meus preferidos onde política e família desempenham um papel ímpar e digno de apreciação. Este filme foi galardoado com um Goya, um César e tantos outros prémios. 

(Fonte da Imagem:http://www.wartburg.edu/2017/01/24/wartburgs-german-film-series-continues-with-good-bye-lenin/)

 

 

 

 

De Lenine, vamos até Estaline onde "A Vida Privada de Estaline", de Lilly Marcou merece o meu destaque. Uma daquelas biografias que não nos cansam, mesmo que descritas com minúcia. Mostra-nos sobretudo o homem com um carácter mais humano e familiar contra o homem que vive na obcessão da traição e que o fazia eliminar todos aqueles que julgava serem potenciais traidores, inclusive alguns dos que lhe eram mais queridos. Fala da eliminação de Trotsky e de como se aproximava daqueles que, pelos quais, não nutria grande simpatia e afastava quem já não lhe pudesse acrescentar nada de novo aos seus planos como foi o caso de Kamenev, após o assassintato de Trótski.

É um livro nada tendencioso e que não teme em elogiar, quando assim tem de ser, o monstro que, segundo muitos, exterminou mais seres-humanos que o próprio Hitler. Interessante será observar a relação deste com a mãe.

 

Finalmente, temos de abrir espaço para um génio e para um dos mais belos concertos para violino: Pyotr Ilyich Tchaikovsky e o "Concerto para Violino em Ré Maior Op. 35". Para mim é uma obra-prima e talvez um dos mais belos concertos alguma vez compostos! É daqueles registos clássicos que ouvimos vezes sem fim e que para os intérpretes é um desafio e tanto na medida em que é conhecido pela sua dificil execução. Cá por casa é presença habitual e já me tem valido alguns comentários do género "não ouves mais nada?". Estreado em Viena tem a particularidade de ter sido dedicado a Leopold Auer que se recusou a interpretar o mesmo, recaindo uma segunda dedicatória em Adolf Brodsky. Composto em 1878 na Suiça é talvez a expressão da depressão que o afectou então a propósito do divórcio com Antonina Miliukova! Para os que não apreciam música clássica, não tenho a mínima dúvida que serão os 35 minutos musicais mais preciosos que poderão escutar, o primeiro andamento (Allegro Moderato) será o suficiente para vos conquistar. Não faltam intérpretes a percorrer a obra do autor, por cá, Valeriy Sokolov é um deles, no entanto rapidamente encontramos vários em registo de disco ou nos canais online.

 

É um concerto inspirador e uma presença constante em momentos mais tenebrosos mas também naqueles momentos em que são necessários decisões com impacte em larga escala. Não gosto de entrar neste tipo de rótulos mas é sem dúvida uma das 10 músicas para ouvir antes de morrer. Deixo-vos numa interpretação feminina de Julia Fischer com a Orquestra da Radio France.

 

Bom fim-de-semana e... Sonhem...

 

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