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Chopin e as Limpezas...

por Robinson Kanes, em 28.01.17

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Eugène Delacroix, Retrato de Frédéric Chopin/Fryderyk Chopin (Museu do Louvre)

 

Hoje é Sábado... pensei em não vir escrever mas quando cheguei ontem a casa deu-me uma tremenda vontade de limpar o pó e aspirar. É daquelas coisas às quais não se resiste, é algo tão... bom!

 

Mangas arregaçadas e uma ida ao móvel para encontrar a banda sonora! E agora que me caiam os pseudo-melómanos, os intelectuais vanguardistas e todos os outros que me queiram achincalhar numa qualquer calçada deste país... escolhi Chopin, nomeadamente os concertos para Piano nº1 e nº2... maldito povo que fazes uso de Chopin para limpar o pó, mas... a música afinal não é democrática?

 

Sim, Chopin pode ser uma fantástica escolha para acompanhar a limpeza do pó da casa! Mas no meio de toda aquele momento cavalheiresco de faxina algo me fez sentar no sofá e ficar a ouvir... o Concerto nº2.

 

Nisto, dou comigo a “levitar” e deu-me uma enorme vontade de perceber a origem do mesmo. Fui descobrir que o Concerto nº2 era afinal o Concerto nº1! Sim, na verdade, este concerto foi composto primeiro que o Concerto nº1 de Chopin aos 20 anos, mais precisamente em 1830! Foi neste ano que, perante a opressão russa do Czar Nicolau I, Chopin foi obrigado a deixar Varsóvia (a 10 km da sua terra natal Zelazowa Wola) e a ir para Viena, seguindo-se Paris. Aliás, foi uma espécie de desorganização de Chopin, nas viagens entre Varsóvia, Viena e Paris que, levou à “confusão” na atribuição dos números aos concertos.

 

Se, por um lado, pelos pseudo-especialistas, os concertos para piano de Chopin não são considerados a sua obra-prima, por outro devo dizer que o contexto em que, desta vez, escutei tamanha obra me criou uma identificação particular com a sonoridade e acima de tudo com a história que rodeou a mesma...

 

Após a partida de Varsóvia, Chopin disse: “Maldito seja o momento da minha partida” e, enquanto os seus eram esmagados disse também, já em 1831 “Oh meu Deus, vocês estão aí e, mesmo assim, não se vingam”...

 

Bem a propósito... e pronto, perdoem-me este momento à Antena 2, mas no "bairro" também se pode gostar do que é bom...

 

Fonte da Imagem: Própria. 

Deixo o Concerto para quem não tiver mais nada que fazer este fim de semana...  a conduzir a orquestra o grande André Previn e o ainda maior (ao piano) Arthur Rubinstein, com 87 anos e quase cego... nada mau.

 

 

 

 

 

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