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Os Lucchese de Castelo Branco...

por Robinson Kanes, em 02.04.19

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Créditos: https://eu.lohud.com/story/news/crime/2018/09/14/lucchese-crime-family-associate-faces-15-years-attempted-murder-plea/1304740002/

 

 

Dizem por aí que para os lados de Castelo Branco uma Organização Não-Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) foi criada para nem existir. Basta atentar neste artigo do jornal "Público" para se perceber que estamos perante mais uma daquelas "ONGD fantasma" que, não raras vezes, não sabemos para que servem e muito menos quem toma parte nas mesmas. Muitas só as conhecemos quando consultamos editais ou documentos que mencionam a atribuição de subsídios!

 

Sabemos contudo que, por detrás do discurso de que ninguém aufere rendimentos e de que todos os euros são necessários, sobretudo quando sugam fundos públicos e até privados ou não querem pagar eventos de arromba e procuram tudo de forma gratuita, se esconde um vasto património imobiliário, viaturas topo de gama, tráfico de influências e um outro sem número de regalias.

 

Casos destes não são raros em Portugal, todavia sempre que alguém fala em criar verdadeiras "empresas sociais", e passo a expressão, cai o "Carmo e a Trindade" porque a "solidariedade" não serve para fazer dinheiro. Que interesses são estes que vão desde a mais pequena aldeia até aos corredores do poder central? Falar da "empresa social" na Assembleia da República, por norma, não é de bom tom e acaba com um chumbo, isto quando alguém consegue levar a discussão a plenário, coisa rara! Porque não a "empresa social" e administração de instituições sociais com um cariz mais empresarial que não só beneficie as contas mas as abordagens em termos de marketing que se revelarão mais eficientes na captação de donativos. 

 

A economia social, e aqui incluo misericórdias, fundações, ONG e muitas associações, em Portugal, não sendo áreas lucrativas movimentam milhões e pagam bons salários, sobretudo a quem as gere, não propriamente aos voluntários que ainda vão no discurso de que não há dinheiro para pagar ou então para funcionários que são explorados de forma atroz e os colocam como um dos principais grupos de risco quando se fala de burnout.

 

Até quando os portugueses vão continuar a assistir a casos "raríssimos" como estes? Até quando vamos permitir que o Ministro Viera da Silva, que tutela muitas destas áreas, diga que casos destes não existem! Aliás, ele próprio é um ávido consumidor dos benefícios do "social" - o "Social", como muitos gostam de chamar a esta área, sobretudo os assistentes sociais e membros de muitas destas entidades - mencionar o facto de gostarem do trato de doutor(a). Onde estão as "manas" Mortágua, pois alegadamente o pai destas também está envolvido?

 

Casos destes continuam a passar impunes, e quando descobertos, ficam-se pelas demissões ou pela tão conhecida "caminhada no deserto". Enquanto andamos tão preocupados com um "dono disto tudo", temos de ter em conta que "donos disto tudo" não faltam e que são as nossas populações, neste caso no interior, que estão a pagar caro a existência destas máfias que por aí proliferam! O lugar como administrativo na Câmara Municipal ou na Misericórdia não deve comprar a cegueira de fechar os olhos ao que está errado! O medo - porque em muitas vilas e cidades do interior existe medo - não pode levar os cidadãos a ficarem calados perante estes factos! Porque na verdade, se tudo isto acontece, a culpa é integralmente nossa!

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 Fonte da Imagem:https://pixabay.com/pt/users/JosepMonter-1007570/

 

E porque é que inauguro o texto com este título? Serei sanguinário? Adoro a tragédia? Gosto da morte? Não... Mas em Portugal só existem incêndios quando morrem muitas pessoas, até lá o país pode arder todo, desde que não chegue perto da praia e incendeie o parque de estacionamento! Pior que um incêndio na praia onde passamos férias é o carro a arder!

 

Sem mortos e o foco na pessoa humana, parece que nunca é uma tragédia, mesmo que ardam hectares e hectares de flora, morram animais e sejam destruídas infra-estruturas! E as associações do costume, as dos peditórios, onde é que andam? Estão à espera da primeira meia centena de mortes para encaixar mais uns donativos, ou estão na praia? A "solidariedade" também vai a banhos ou também precisa de sangue para ser mais eficiente na recolha do donativo?

 

Será que o retorno solidário para as celebridades e para os media só existe quando existem muitos mortos? Ou será que falar de números de algo que já aconteceu sempre ajuda a esquecer o que está a acontecer? Podiamos fazer um concerto solidário em Vilamoura - com sorte até se recolhiam mais donativos, mas isso não é cool, não liga bem com sol, biquini e mojitos! Lembro a visita do Papa em que de um momento para o outro todos os portugueses se converteram ao catolicismo praticante e de repente até os ateus partilhavam selfies na Cova da Iria. Ao que sei "também" não se olhou a gastos para prevenir um incidente, doesse a quem doesse...

 

A verdade é que esta semana está a ter lugar uma calamidade (mais uma) no Centro do País (e se fosse só o Centro...): Mação, Coimbra, Sertã, Castelo Branco, Vila Velha de Rodão e por aí adiante... Mas ainda não morreu ninguém e aconteceu um outro azar: é Julho e é mês de férias... Este ano não foi preciso esperar por Setembro e Outubro para esquecermos os incêndios... Os incêndios de Alijó foram há menos de uma semana, ainda alguém se lembra? Não, agora queremos é festival da Eurovisão... Esperemos é que o fogo não chegue a Lisboa nem às grandes cidades e as pessoas comecem a perceber que o mesmo não se apaga com donativos e que a cidadania não é algo que se venda a troca de uma chamada solidária.

 

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