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Caritas et Lucrum.

por Robinson Kanes, em 14.03.17

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Hieronymus Bosch, Cristo Coroado com Espinhos (National Gallery)

Fonte da Imagem: Própria

 

Recentemente chegou-me aos ouvidos que a Cáritas Diocesana de Lisboa se encontrava sob investigação do Ministério Público por práticas de corrupção. E eu pergunto, na área social é só a Cáritas? É um começo. Contudo, até a acusação estar formalizada vamos partir do principio que não existe dolo. Procurei algumas notícias mais, mas confesso que não encontrei muitas...

 

No entanto, é admissível que uma instituição solidária (seja ela qual for, pois existem outras bem mais “lucrativas”) tenha lucros na ordem dos 110 000 euros? Que eu me recorde, sempre que menciono o contexto de empresa social geradora de lucros sou linchado em praça pública - mas afinal elas estão aí - não se pode é falar em empresa social que isso é legalizar e dar regras a uma prática totalmente desregulada e repleta de contrariedades. Não se deve também confundir lucros, com dividendos e muito menos com excedentes, pois aí a questão é outra. Lucros numa instituição não lucrativa é, no mínimo, paradoxal. Quero acreditar que foi gralha jornalística.

 

Todavia, como é que uma instituição com um património imobiliário de milhões, altos donativos e dependente de uma instituição cuja riqueza é das maiores do planeta ainda recebe subsídios estatais?

 

A Cáritas Lisboa apresenta mais lucros que um sem número de organizações empresariais em Portugal, organizações essas que além de gerarem riqueza ainda pagam um maior número de impostos e outras tantas taxas. Aproveitando este exemplo, não é altura do Governo Português através dos Ministérios competentes, olhar para estas instituições de outra forma? Como é possível que a Autoridade Tributária aplique multas de milhares de euros por uma empresa se atrasar um minuto a efectuar um pagamento e depois o Ministério da Solidariedade e Segurança Social distribua muitos outros milhares por estas instituições? E onde estão os estudos em Social Return on Investment (SROI)? Existem instituições que fogem desta temática e, recorrendo a um dito bem oportunista, como o Diabo da Cruz.

 

E se o Governo Português promovesse a Responsabilidade Social Corporativa nas organizações empresarias, criando, aí sim, incentivos para que muitas vezes não estivéssemos somente com manobras de “marketing” e a verdadeira génese do conceito fosse eficientemente implementada... sem espinhos?

 

Começo a pensar que a máxima de Robin dos Bosques começa a ficar desactualizada e que afinal andamos a tirar aos pobres para dar aos ricos que tendem a não promover a venda de canas de pesca aos pobres, porque é mais rentável dar-lhes o peixe.

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