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Imagem: https://www.kenya-today.com

 

 

A organização social dos homens parece-se muito com a dos ratos que, também eles, são no interior da tribo fechada seres sociais e pacíficos, mas que se comportam como verdadeiros demónios para com os congéneres que não pertendem à sua comunidade.

Konrad Lorez, in "A Agressão".

 

Que a presença/intervenção de nações não africanas naquele que é o mais belo continente do mundo mais de 50% das vezes não traz benefícios é um facto! E é talvez, por isso, que tivemos uma guerra civil em Angola, o genocídio do Ruanda, os desastres da Costa de Marfim e da Libéria e ainda um outro desastre que temos conhecido de perto devido à nossa intervenção na força de manutenção de paz, que é a República Democrática do Congo. Interessante que os países enumerados são quase todos francófonos...

No entanto, será que também sabemos o que se está a passar nos Camarões e no Burundi? As Nações Unidas sabem, muitos políticos de nações com interesses económicos ou simplesmente solidários sabem. Mas, e nós?

 

Nos Camarões, a pressão religiosa e sobretudo entre áreas francófonas e anglófonas, com primazia para as primeiras, levou a um conjunto de revoltas que acabou com a declaração unilateral de independência por parte da região anglófona, a "Ambazonia". Isto significou a destruição de toda e qualquer presença de poder soberano que restava dos estado camaronês e o estabelecimento de uma força separatista. Se a isto juntarmos violência entre comunidades, o Boko Haram, suportado pelo ISIS e o tráfico de armas perpetrado por "membros da Ambazonia" (alguns a residir no estrangeiro), temos um cocktail explosivo bem montado e que já faz jorrar sangue e consequentemente abre espaço para que possamos falar em genocídio. Acresce que existem outros intervenientes: as organizações não governamentais (ONG) a operar na região e que nem sempre têm em conta o interesse daqueles que aparentemente dizem proteger: muitas destas organizações têm ideais políticos, religiosos e até sociais que podem não trazer a estabilidade desejada. Os Camarões são um barril de pólvora na já turbulenta região ou este país não fizesse fronteira com países como a Nigéria, Chade e República Centro Africana.

 

Mas se este conflito ainda vai sendo pouco conhecido do grande público, existe um outro ainda mais oculto e que se candidata a ter também o seu capítulo na galeria dos genocídios africanos, quiçá, ao lado do Ruanda. 

 

O Burundi, o 2º país mais pobre do Mundo, com cerca de já 400 00 exilados e uma população em que 73% dos seus habitantes contraíram malária, é visto pelas Nações Unidas como um território no qual está a ter lugar um genocídio - em alguns casos, camuflado com as mortes por malária.

 

Aqui o cocktail explosivo não é melhor - o Burundi, com histórico em termos de conflitos tribais, tem um papel importante no acolhimento e apoio de hutus, aliás, é considerado pelo Ruanda como um albergue de hutus, uma maioria no Burundi. Por seu lado, o Burundi acusa as forças ruandesas "pós-genocídio", e maioritariamente tutsis, de terem perpetrado um segundo genocídio no Ruanda, dessa vez, contra hutus.

 

No Burundi, o presidente Nkurunziza continua a liderar o país com mão de ferro, esquecendo a constituição (acusando Kagame do mesmo perante a protecção da comunidade internacional) e continuando a fomentar os contratos de exploração mineira com a China e com a Rússia, isto ao mesmo tempo que estas nações (e outras) fecham os olhos à morte que assola o país. O acesso de ONG não é permitido, bem como todo e qualquer acesso a enviados de instituições internacionais como a própria ONU. Se a isto juntarmos a saída do Burundi do Tribunal Penal Internacional, as sanções do Banco Mundial no fornecimento de pesticidas e adubos, a "extracção" desregulada de café,  e mais uma vez, o fornecimento de armas por parte do "Primeiro Mundo", temos outro cocktail bem explosivo.

 

Ninguém sabe como tudo isto se vai resolver, os que se poderiam importar, vão extraíndo os bens daqueles povos e abandonarão os dois países quando nada restar e até lá... Até lá continuaremos a beber aquele café tão bom no conforto das nossas casas ignorando, talvez, o sangue que está em cada grão... Até lá continuarão a morrer pessoas, muitas delas, provavelmente nem serão números para uma estatística, num mundo que vive em delírio acerca do modo como pode gerir quantidades astronómicas de "data", alguns deles completamente irrelevantes...

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