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O Pointer Inglês...

por Robinson Kanes, em 06.03.18

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 Fonte das Imagens: Própria e GC

 

Uma das coisas que mais me agrada, quando vou para lá das terras do "pai do vento", é a oportunidade de estar com o Pointer... Não porque seja um cão de raça - nunca fizemos qualquer aquisição de cães - mas sobretudo pela energia que este transmite.. Uma energia e genica que não lembra a ninguém!

 

Experimentem começar o vosso dia com uma caminhada pelos montes e vales da Cabreira, do Larouco, da Amarela ou do Alvão e serem acompanhados por um cão que não consegue andar sem ser a correr! Experimentem ver um cão que não consegue estar parado, que desaparece entre a vegetação, persegue coelhos e outros animais e simplesmente não sabe onde fica o botão de "desligar". Imaginem que param para comer algo e aquela figura de quatro patas não consegue estar quieto! Agora vejam-se a chegar a casa, com as botas - que ao final do dia parecem pesar 50 quilos cada uma - e aquela "coisa" ainda não está cansada!

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Como perdigueiro que é, de facto, o Pointer é capaz de fazer grandes distâncias, mas convenhamos... É demais! "Aquilo" não se cansa! Infelizmente, talvez por isso, também a esperança de vida destes seja muito curta face a outros cães. E sim, não é fácil conseguir uma fotografia como aquela que podem ver abaixo! Acredito que se deve a muito calor e ao facto dos tutores estarem dentro de casa, pelo que, os ânimos estão um pouco mais calmos... No entanto, não coloquem um pé fora de casa!

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Este bicho estranho, além disso, adora esfregar-se na lama, nas ervas, no estrume de outros animais e em tudo o que seja óptimo para se conseguir um cheiro pouco agradável. Ainda não percebi porque é que os anúncios ao "SKIP" não utilizam perdigueiros - era uma óptima ideia! Por falar em anúncios... Lembrei-me que um bom artigo para sexta-feira, quiçá umas leituras interessantes sobre estes amigos, os cães, não os senhores de marketing da Unilever! E com isto, lá estou a dizer que o "SKIP" é bom, e de facto é, mas agora até estou a experimentar "X-TRA" que até tem um boneco bem giro e é da concorrente Henkel! E o que é que isto tem a ver se não me pagam publicidade e este artigo não tem nada a ver com detergente para a roupa? Não sei! Enfim, fiquemos com o olhar do nosso amigo, tentando adivinhar onde existem perdizes para que as possa parar.

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E sim, embora quem me acompanha diariamente seja o alemão, admito que este inglês é também uma daquelas personagens que me fazem sempre acreditar que uma das melhores coisas do mundo é percorrer os campos e as serras com os nossos companheiros que nunca nos abandonam. Lá vai ele a correr... Hey Pointer, despede-te das pessoas... Ainda bem que estava ali uma vedação, caso contrário não teriam este olhar de quem vos está a dizer até à próxima...

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Fezes de Cão que Dão à Luz...

por Robinson Kanes, em 19.02.18

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Fonte da Imagem: Pixabay - Maky Orel

 

Como tutor de um cão fantástico, apanho sempre os excrementos do meu companheiro. É importante que isso aconteça, afinal mais parecem excrementos de cavalo. No entanto, parece que muitos tutores de cães, sobretudo pequenos, desconhecem essa prática.

 

Terá sido a pensar nisso que o senhor Brian Harper desenvolveu uma nova forma de dar à luz, literalmente. Harper desenvolveu um sistema que utiliza as fezes caninas como fonte de energia para candeeiros na via pública. Como tudo isto funciona? Os tutores dos animais terão de recolher os excrementos no saco (aqueles que o fazem) e depositar os mesmos num sistema de digestão anaeróbia que se encontra colocado nos candeeiros. A partir daí os excrementos são aquecidos, centrifugados até serem transformados por microorganismos. O resto é simples, pois o resultado final será um composto de biometano que permite não só fornecer energia para as lâmpadas mas também gerar fertilizante... Nem Lavoisier teria pensado nisto! Melhor, 10 sacos de excrementos são o suficiente para gerar 2 horas de iluminação! 

 

Reparem no ciclo! O vosso cão produz excrementos que podem ser reutilizados e também acabam por vos obrigar a apanhar os mesmos, sobretudo em locais onde se torna mais complicado a sua biodegradação. Com isso alimentam os candeeiros das vossas ruas e fertilizam as terras!

 

Não estamos perante um processo novo, o mesmo já é utilizado pelo mundo fora, o biogás é um exemplo. A propósito deste tipo de processos, voltarei em breve com mais um excelente exemplo.

 

Para o bem, já não temos desculpa para não apanhar os excrementos dos nossos animais.

 

Brian Harper tem sido um impulsionador da utilização de lâmpadas a gás - podem ver aqui um video da BBC onde o Sr. Harper explica o processo.

 

 

 

 

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O Outono... O Pointer... E as Memórias...

por Robinson Kanes, em 16.11.17

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

Já deixei aqui bem patente a minha paixão pelo Outono. Por lá disse que "o Outono dá cor às nossas telas, inspiração à nossa música, faz-nos dançar com as folhas e gentilmente sentir o chão ao pousarmos e a esvoaçarmos novamente, como as aves que partem para destinos mais quentes. O Outono é arte e não é por acaso que existem lugares neste Portugal e não só, onde o Outono é a época mais bonita do ano: pensem no Douro, no Alentejo ou então vamos até à Toscânia ou deixemo-nos prender pela paisagem de Santorini enquanto bebemos um café grego (aquilo para mim é café turco, mas pronto) e admiramos os telhados azuis. O Outono é talvez a mais poderosa e artística estação nos países do mediterrâneo".

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O Outono lembra-me sempre um dos meus grandes amigos, o Nilo. O Nilo é Pointer Inglês "cá de casa", um caçador nato  que não faz mal a uma mosca mas que por isso não perde todos os instintos. A propósito disso, o Outono lembra-me também a época de caça (embora não seja caçador) e todo o movimento que em tempos a mesma provocava, sobretudo em zonas mais rurais. Lembro-me da azáfama junto de tabernas e largos de vilas e aldeias... Dos restaurantes típicos cheios de caçadores e de todo aquele convívio em torno de uma actividade que, independentemente do que possamos pensar da mesma, animava, e de que maneira, aqueles locais.

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Retomando ao Nilo, só posso recordar esta força da Natureza que é capaz de sair às sete da manhã de casa, começar a correr e só parar às sete da tarde e continuar como se nada tivesse acontecido. Costumamos brincar e dizer que esta raça e outras similares têm uma baixa esperança de vida porque vivem tão intensamente essa mesma vida que é impossível um coração aguentar tantos anos de energia ao máximo. Encontrar o Nilo parado é um verdadeiro desafio, pelo que é necessário possuir características de fotógrafo da "National Geographic" e esperar pacientemente que o dono dos campos pare, nem que seja para respirar...

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Um outro aspecto do Outono que me encata é o musgo nos muros, sobretudo nos muros de pedra. Regressar depois do Verão e ver o musgo seco a ganhar cor no granito é dos espectáculos mais bonitos que a natureza nos proporciona. Muitos de nós desconhecemos a quantidade de vidas que este fenómeno permite que existam e, de facto. é algo único. Existe quem o queira arrancar, nós deixamo-lo estar, afinal, nos muros de pedra, a melhor tinta é a própria natureza e na Primavera, os lagartos aplaudem este ecossistema quando deixam a hibernação e procuram os primeiros raios de sol.

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Atenção... Acho que consegui encontrar o Nilo parado...

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 Bom Outono... E tanto que se fala no Natal quando ainda falta tanto para o mesmo, talvez o melhor presente seja um copo de sol outonal...

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A Matilha Humana...

por Robinson Kanes, em 27.04.17

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 Fonte da Imagem:http://www.apparelthing.com/page/3/

 

Ainda não é hoje que vou aderir ao movimento "slow blogging" e, confesso, que até tinha esta data seleccionada para o efeito, mas...

 

Em Portugal, uma das máximas do jornalismo, dita por John Bogart, continua a não ter efeito: "não é notícia quando um cão morde um homem, pois isso acontece muitas vezes. Mas se um homem morde um cão, isso é notícia." Sempre que um cão em Portugal ataca alguém é um sem-número de fundamentalismos que se levantam. Fosse assim para os crimes de colarinho branco, ou para muitos crimes sexuais e de sangue e teríamos o país perfeito.

 

Sou tutor de um Pastor Alemão, e claro, lá fui obrigado a ir ver as notícias pois toda a gente me dizia para ter cuidado com o meu cão. Até o sapo deu destaque a um artigo, no mínimo fundamentalista e carregado de vernáculo, que em nada abona a causa de quem a defende. Mas vamos por partes:

 

1) Não existem cães perigosos, mas sim cães potencialmente perigosos e aqui existe uma clara diferença;

 

2) O Pastor Alemão não é um cão potencialmente perigoso, o dono pode ser, mas o Pastor Alemão não! Tenho lido indivíduos que dizem que o Pastor Alemão nunca deveria ser um cão de companhia porque é utilizado para perseguir criminosos! O Pastor Alemão e os outros todos, isso não nasce com eles. Mas o que não li foi dizerem que o Pastor Alemão, e outros, salvam vidas, encontram pessoas em escombros, detectam drogas, protegem pessoas e bens e realizam um sem número de tarefas em prol dos seres-humanos, inclusive reabilitação de adultos e crianças!

 

3) A apologia (ou fundamentalismo) dos cães pequenos face aos grandes. Sem qualquer cariz científico, digo que tenho um Pastor Alemão que já perdeu a conta aos ataques que sofreu de cães pequenos. Até hoje não contra-atacou. E isto acontece porque? Porque muitos tutores de cães pequenos acreditam que não têm de acautelar este tipo de situações e deixam que os mesmos andem soltos, obrigando os tutores de cães grandes a andar com os respectivos à trela. A ausência de contra-ataque acontece porque está treinado! Treinar um cão acarreta despesas e trabalho, quantos estão preparados para isso?

 

4) A conversa das "criancinhas"! O discurso do "as nossas crianças" ou o "qualquer dia ninguém pode andar na rua com medo" é de um fundamentalismo atroz! Mais que isso, é de um egoísmo assustador. E já que falamos do 25 de Abril esta semana, temo que andemos a festejar um fim de uma Ditadura porque a substítuimos por outra, uma espécie de substituição de uma Ditatura "top-down" pela minha ditadura pessoal e por me ser permitido também fazer a minha manipulação (mal eu sabendo que também sou manipulado)!

 

5) Menos César Milan e mais ciência! Das coisas que tenho visto nos últimos dias, são os defensores da estrela de televisão César Milan. César Milan não tem um método e muito menos a abordagem é cientifica e comprovadamente eficaz! Falem mais com os veterinários dos vossos cães e com verdadeiros especialistas em... comportamento animal e interacção entre animais e humanos. Se dúvidas existirem, terei todo o gosto em partilhar contactos de verdadeiros profissionais da área e especialistas de renome, aliás, os melhores a nível mundial. César Milan utiliza métodos aversivos, ou seja, métodos agressivos que colocam os animais em níveis de stress incompatíveis com um resultado favorável. Além disso esses métodos aversivos utilizam violência... violência, gera violência. César Milan não utiliza um método de treino posítivo, é somente uma estrela de televisão;

 

6) Ter um cão dá trabalho! Ter um cão fechado todo o dia sem distracções tem consequências, tratar mal um cão tem consequências, ter um mau-ambiente em casa tem consequências pois transparece para o cão... são muitos anos de convivência entre homem e cão. Um dono agressivo é igual a um cão agressivo! Um cão não é um objecto e muito menos uma tendência da moda. Já me disseram que tenho um cão e não um filho porque assim não tenho trabalho, vejamos: no mínimo, um Pastor Alemão exige, diariamente, cerca de uma hora a uma hora e meia de exercício! Quantos pais o fazem com os filhos e orgulhosamente ostentam os indíos como uma coisa boa? Um Pastor Alemão, o meu, come dois quilos de ração (ou arroz com frango ou peixe) por dia! O meu Pastor Alemão, além do exercício requer treino diário, treino positivo e que leva tempo. O Pastor Alemão pede-me quando quer fazer as necessidades e além disso obriga-me a pisar as fezes de cães cujos donos não conhecem a palavra civismo e higiene. Um Pastor Alemão obriga a uma limpeza quase diária da casa e do carro.  Adoro e não me queixo;

 

7) Infelizmente, continua a ser mais fácil matar o cão do que responsabilizar o indivíduo. Muitos cães atacam por medo, não por pura maldade, pensar o contrário é antropomorfismo. Conheçam mais os vossos cães, observem-nos mais, comuniquem mais e vão ver que os resultados serão outros;

 

8) Deixem a sobranceria humana, do Ser que tudo sabe e nada deve a outras espécies e aprendam mais sobre comportamento e interacção animal. Em muitos países é preciso ter uma "carta de condução" para cães, importamos tanta material obsoleto, talvez fosse altura de importar algo com valor.

 

9) Também já cometi erros com o meu cão, não sou o "papá" perfeito e não sou "guru". E por isso, também não sejam fundamentalistas quando censuram aqueles que tratam os cães como crianças (sem laços e adereços fúteis, isso não)... Lembram-se de anteontem defenderem a Liberdade?

 

10) Cuidado com os comportamentos de matilha, nos cães é por uma questão de sobrevivência muitas vezes, nos seres-humanos tende a ser por uma questão de maldade e fundamentalismo. 

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O dia 16 de Julho de 2016 foi um dia com uma certa alegria, mas também com o seu "quê" de tristeza. A doce Lia, aquele talento de quatro patas do qual falei no último post, foi finalmente adoptada/recrutada.

 

No entanto, e como em qualquer recrutamento, não é fácil conseguir o lugar. Tentem seguir os conselhos de muitos "pseudo-gurus" da área que nos ensinam a elaborar um bom curriculum vitae, uma boa carta de motivação, a fazer um bom networking ou mesmo a cultivar a arte do personal branding. Sempre a mesma conversa e perdoem-me a intransigência... baseada sempre nos mesmos conceitos, muitas das ocasiões... por pessoas que nunca concorreram a um emprego.

 

Mas a Lia - sim... pisámos o risco e escolhemos um nome - conseguiu uns tutores que não valorizaram a técnica, nomeadamente uma base de formação em obediência básica que lhe proporcionamos, mas sim as suas qualidades como verdadeira companhia: instinto protector, simpatia, inteligência, carinho, dedicação e gratidão, ou seja... simplesmente a Lia, como ela é! Ainda escrevo este artigo com um sentimento de culpa, na medida em que três semanas por cá foram realmente uma mais-valia nas nossas vidas, quer a nível pessoal quer mesmo a nível profissional.

 

Um dos processos de recrutamento da Lia visou um casal que pretendia um "cão de raça", hoje em dia é fundamental - um cão de raça... o prolongamento da ostentação de ter um bom carro, uma boa casa e de impressionar os amigos. Na entrevista, o primeiro comentário: "é... pequena". Normal, uma expectativa defraudada, mas nada de assustador... O segundo comentário: "é 30% pastora alemã e 70% rafeira" - nada mais errado pelo que nem merece argumentação. Ou seja, na cabeça do Robinson, um pensamento: "jamais cometeria o erro de aconselhar a Lia a esta gente". O pior foi quando a miúda do Robinson se sai com esta e diz algo como: "a cadela não sei, mas o vosso comportamento está a ser 30% humano".

 

Acabou? Não, no dia seguinte a famosa e formal "mensagem automática": "gostámos muito da cadela mas não reúne o perfil pretendido". Confesso que, para quem sempre procurou emprego pela via da candidatura e por acreditar que o seu trabalho fala por si, não deveria ter ficado indiferente... já perdi a conta à quantidade de respostas que tive deste género... aliás, desisti depois das 4000. Não reúne o perfil pretendido... caramba, depois de passar a vida a ouvir e a ler isto em relação à minha pessoa só faltava mesmo ouvir tamanha aberração em relação a uma cadela. É perante isto que me recordo sempre de Behlen quando nos diz "que o homem, é por natureza uma criatura em perigo".

 

Em suma, só lamentei que neste processo de recrutamento se tenha valorizado um pseudo-status ao invés das qualidades da candidata e da sua capacidade de surpreender e se tornar uma companhia verdadeiramente genuína e dedicada, até porque percebemos que... se tivéssemos utilizado, com uma certa má fé, o networking do cão que a acompanhava, um pastor alemão puro, muito provavelmente a Lia teria sido logo ali recrutada (não, não seria pelos motivos que expliquei acima).

 

Obrigado Lia, pelo que nos ensinaste e pela honra que nos deste, sem esquecer o impagável favor de nos teres dispensado três semanas da tua carreira e do teu know-how. Talvez o maior arrependimento tenha sido o facto de não termos retido o teu talento e aturar espécies que são só 30% humanas.

 

P.S.1: não temos redes sociais de cariz pessoal, ou seja, tivemos a ajuda de um centro veterinário e de uma escola de treino... nem imaginam a quantidade de pseudo-solidários que apareceram a mostrar interesse para o show off virtual mas nunca se dignaram a dar seguimento ao "ai que linda, eu quero, contem comigo"...

 

P.S. 2: a Lia foi adoptada por um casal simpático com idades acima dos 65 anos. Não foram as redes sociais, mas as relações de vizinhança da minha mãe que fizerem com que tudo acontecesse (a pensar). O casal adoptou a Lia sem sequer a ver e sabendo de algumas maleitas que iriam requerer acompanhamento durante umas semanas/meses. Hoje, a Lia está "gorda como um pote" e é feliz. Conseguiu a proeza de alegrar aquele simpático casal e... conseguir que uma das filhas que os visita ao fim de semana, que tem uma fobia a cães "milenar", se comporte como uma miúda de 5 anos a brincar com um cão.

 

Fonte da Imagem: Própria

 

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O Talento Também Tem 4 Patas - "Pata 1/2"

por Robinson Kanes, em 17.01.17

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Estávamos na aurora do Verão, todos tiram férias nessa época. O próprio país molda-se, como se todos os trabalhadores portugueses o fizessem. Daqui, podemos tirar uma conclusão: aumento do revenue em determinados sectores e outros que ficam paralisados quase três meses, só porque se tem a ideia de que o país está parado e, portanto, esperemos por Setembro.

 

Como é do Verão e de férias que falamos, ainda são muitos os portugueses, e não só, que nunca se esquecem do subsídio, da praia, de visitar a família, de vestir coisas que não vestiriam de outro modo se não vissem determinados indivíduos por demais vezes utilizá-las e assim seguir a tendência, a chamada silly season (infelizmente, pois o Verão tem tanto para dar). Todavia, ainda são muitos os que se olvidam dos seus animais de estimação e dão mais valor a um par de chinelos de praia que aos primeiros. Vou centrar as minhas palavras nos cães.

 

Ter sido criado entre a cidade e o campo, cedo percebi que Verão era sinónimo de cães abandonados - últimos dias de Junho e começavam estes a vaguear pelas ruas. Os tempos são outros, agora os cães já não são “coisas” e os donos já não são “proprietários” mas sim tutores, no entanto... o abandono continua.

 

Numa terça-feira de Junho, e com o carro cheio de cães, decidi que não seria má ideia lavar o mesmo. Na verdade... não o lavei, tendo em conta que dou comigo a ver uma pequena cadela “pastora alemã” (um ponto fraco para mim) a vaguear numa rotunda movimentada e inclusive, a perceber que os automóveis são simpáticos e velozes mas também aleijam. Não resisti e fui recolher a mesma. Escusado será dizer que tinha um problema para resolver (veterinário, alimentação, alojamento e, talvez o único verdadeiro problema, porque o resto não é de todo assim tão penoso, arranjar um tutor).

 

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As explicações... pois encontrava-me num posto de abastecimento de combustível, foram várias - pelo menos após eu e dois agentes da autoridade (aos quais agradeço a boleia e as pernas a mais que eu) termos perseguido um indivíduo que estranhamente me pareceu o “tutor” da cadela, mas sem chip, não há como provar - as explicações: “vêm aí as férias”; “foi abandonada para aí, é normal”; “já foi atropelada e tudo”; "era ele, eu aposto que foi ele"... e por aqui ficaria, não fossem os portugueses especialistas no acto de emitir pareceres.

 

Quando chega o Verão esquecemos que são estes amigos que aturam, ao longo de todo o ano, o nosso stress laboral, são eles que nos ajudam também a ultrapassá-lo, são eles que em alguns casos, até nos acompanham para o trabalho, são eles que nos fazem sorrir quando o mundo parece estar de um lado e nós do outro e, infelizmente e cobardemente, são eles que veem a raiva de muitos ao "chefe" orientada para eles e pagam no pêlo, literalmente, esse comportamento.

 

Em suma, tive em mãos uma cadela que, em dois dias aprendeu a sentar, a deitar, a entrar e a ficar na crate (caixa), reaprendeu a sorrir (sim, eles sorriem), aprendeu que a água é uma coisa boa (vide foto), aprendeu a não fazer necessidades em casa e por fim, erro cá de casa, aprendeu subtilmente a dar pequenas indicações do que quer... influências do auto-proclamado rei do espaço que também é um Pastor Alemão. Este é perito em descobrir animais selvagens feridos e em muitos casos protegidos por lei, cadáveres e afins, o que significa: mais expediente. Como ser-humano, o meu respeito é enorme, sobretudo porque tenho noção que levei um pouco mais de tempo a aprender as mesmas coisas, como praticamente todos nós. Além disso, e tendo em conta o trabalho com a mesma, pareceu-me que estava ali uma profissional certificada bem mais depressa que eu. 

 

Podemos ter os filhos mais queridos do mundo, os pais mais fantásticos, os amigos e os cônjuges perfeitos mas ninguém, mesmo ninguém, todos os dias, quando deixamos a vida profissional, nos recebe com tamanha festa e euforia como os cães. Isso é inegável e... se têm dúvidas, arranjem um cão.

 

Finalmente lembrem-se, também gostariam de se dedicar 100% a uma empresa/pessoa durante quase uma vida e chegarem a um dia e ninguém vos abrir a porta?

 

Continua...

 

P.S: A propósito desta temática vide também: http://curiosidadefeminina78.blogs.sapo.pt/sobre-pessoas-estupidas-61534

 

Fonte das Imagens: Própria.

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