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O Turismo, o Instagram e Santorini...

por Robinson Kanes, em 06.06.19

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Créditos: Xuan Nguyen

 

Recentemente li um artigo do "The Economist", da autoria de Jessica Bateman, que dava conta de uma preocupação crescente em relação ao turismo nas ilhas gregas, particularmente em Santorini. Ao ler esse artigo, mais uma vez, dou-me conta da necessidade de encarar o turismo como uma verdadeira indústria e também de apostar na sustentabilidade deste sob pena de termos mais uma indústria que financia uns tantos e destrói milhões. 

 

Quem já foi a Santorini, rapidamente vai perceber o encanto da ilha, sobretudo se visitarem a mesma durante a época baixa - embora a visita a ilhas menos conhecidas possa ser uma surpresa ainda maior. Como refere o artigo, a verdade é que redes sociais como o "instagram" têm aumentado o desejo em visitar a ilha - e como eu entendo, apesar de preferir a aurora ao crepúsculo, este último, o momento mais desejado na ilha.

 

O "instagram", entre outras redes sociais, levou a um aumento de 66% nas dormidas sobretudo numa época em que o turismo na Grécia sofria os efeitos da crise. Tudo isto é fantástico, no entanto, num país onde nem sempre as leis são respeitadas, temos um aumento da pressão e da especulação imobiliária e um sem número de situações de corrupção - esse panorama já é visível em Lisboa. Segundo o artigo, que cita Ioannis Glinavos, Professor na Westminster University em Londres, existem algumas restrições que passam ao lado de quem legisla e basta pisar o local para perceber que a impunidade reina - mais uma vez, é um exemplo que podemos ter em Portugal! A título de exemplo, visitem Alcochete e reparem como se constrói "em cima" do Tejo e de uma Reserva Natural - por sinal, uma das mais importantes da Europa e (estranhamente) menos importantes de Portugal.

 

O aumento do número de visitantes (totalmente descontrolado) e as consequências desse efeito vão acabar por destruir a autenticidade da ilha, fazer desaparecer outras actividades (a vinha é um exemplo) bem como o tecido social e a própria natureza - já é a própria União Europeia que o diz, acentuando também o facto de que a gestão urbanística da ilha está sob dependência do Governo Central. Num país com as características da Grécia, é totalmente inconcebível!

 

Por outro lado, aqueles que investem no turismo da ilha tiram o máximo proveito da situação e esforçam-se por aumentar legitimamente as suas receitas - actualmente, o posicionamento de talheres e copos tem em conta as fotografias que irão ser tiradas pelos clientes. Redes como o "instagram" são, neste momento, o maior aliado em termos de marketing - a "foto feita" tem um impacte sem precedentes e todos querem tomar parte na mesma! Numa sociedade onde todos queremos ser diferentes também acabamos todos por querer pertencer a um grupo e seguir a mesma tendência. Deixo essa análise para outras "letras"...

 

Mas colocando o foco no "instagram" ou em que faz uso do mesmo, também é preciso educar o turista: não são raras as invasões de espaço e a destruição do mesmo - vale tudo por uma fotografia e corremos o risco de criar o efeito de repulsa! Alguns exemplos são dados e muitos acabarão por se rever nos mesmos: bater às portas, entrar dentro de espaços privados, subir a telhados e a falta de respeito com os locais. Temos aqui um paradoxo, pois aquilo que atrai turistas à ilha acaba efectivamente por ser destruído pelos "mesmos canais" que criam esse desejo de experimentar. 

 

Acredito também que temos de ter em conta que o turismo é uma actividade que se pode considerar de luxo e que, não raras vezes, é desenvolvida num precipício em que de um lado temos o turista (rico ou aparentemente rico) e do outro o autóctene (mais pobre). Quando a invasão e destruição tende a ser em demasia podemos ter efeitos nocivos, sobretudo quando a exploração turística não é feita pelos locais e os mesmos não são consultados nos processos de desenvolvimento da mesma.

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Fotografias: Robinson Kanes e GC

 

Acabamos uma refeição que nos sabe pela vida no "Pescador". A simpatia, os sabores e o momento para relaxar numa decoração rústica e com artes de pesca, deixa-nos com vontade de regressar. 

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É hora agora de deambular por Ponta Delgada, apreciar o mar daquela costa e ir ao encontro daquele que será um dos pontos altos desta aventura, pelo menos para nós: o Farol da Ponta do Albarnaz e toda a Costa Norte. Este é um dos faróis mais pitorescos do nosso país e também aquele com maior potência em termos de luminosidade - é aqui que os navegantes oriundos das américas entram na Europa habitada!

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O local fala por si, é inigualável e faz-nos esquecer que estamos, efectivamente, em Portugal! Não muito longe, já descendo a costa oeste encontra-se também o Ilhéu de Monchique, este sim o ponto mais ocidental da Europa e ponto de referência para calibrar os instrumentos de navegação e confirmar as rotas daqueles que navegavam no Atlântico. Seguindo em linha recta, não havia como enganar em direcção às américas ou à Europa.

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O sol espreita, parece querer dar-nos o postal ideal para aquele momento e também para nos convidar a deixar o carro - pensamos várias vezes antes de abandonar o mesmo e começar a caminhar junto à costa - e é o que fazemos! A panorâmica proporcionada, a companhia dos bichos que deambulam pelas encostas e o aroma do atlântico dão-nos energia para apreciar um local como poucos - e o queijo da Fazenda também, não ficou para trás e trouxemos algum connosco. Foi mesmo sem pão! Em Santa Cruz o pão fresco já tinha acabado para aquele dia e o pão embalado aguardava nova chegada do navio que abastece a ilha.

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Não queremos voltar, não queremos mesmo voltar - faz-nos relembrar um certo dia na Terceira em que quase ficávamos em terra porque a vontade de abandonar uma paisagem idílica nos fez perder tempo a mais... Observamos o Corvo... Absorvemos o grasnar das aves... Deixamos que os sons do gado ecoem pelos campos... Sentimo-nos intrusos num território que não é nosso e por isso mesmo ficamos quietos. Deixamos que aquele mundo de uma inquietação pacífica se desenhe perante os nossos sentidos... Somos aliens num mundo que não é o nosso! Gostamos de nos isolar no bulício dos sons da natureza, encontramos aqui mais um local!

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A noite já ameaça e queremos terminar a tarde em Santa Cruz, entre um copo e até uma ida à eucarístia - do meu lado, a religião não é prioridade, todavia, quando as celebrações são feitas sem sangue, gosto de assistir e de também presenciar a tradição.

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Chegados a "casa", não me entrego a Morfeu sem voltar à porta e olhar, mais uma vez, a nossa companhia daquelas noites - a luz do Farol das Lajes

Amanhã é dia de regresso - vamos regressar, também mais uma vez, a São Miguel... Ou talvez não...

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Continua...

Flores, Parte 1: A Chegada, as Lajes e o Porto Velho!

Flores, Parte 2: O Poço da Ribeira do Ferreiro, a Rocha dos Bordões e a Fajãzinha...

Flores, Parte 3: Calçar as botas e percorrer as Lagoas...

Flores - Parte 4: A Subida ao Morro Alto - Pico da Sé e as Falésias da Costa Oeste

Flores - Parte 5: A Surpresa da Costa Nordeste e da Ponta Norte!

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IMG_6198.jpgImagens: Robinson Kanes e GC

 

Desta vez não começamos no Porto Velho e partimos directamente de Santa Cruz. O sol está radioso e o Corvo que tantas saudades nos traz fica ali bem perto a mostrar-se orgulhoso e dividindo o seu espaço no grupo ocidental com as Flores. 

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Estamos prestes a entrar num mundo em que o nosso amigo alemão e alguns florentinos nos disseram ser mais desconhecido - a Costa Nordeste. Mal sabemos a surpresa que está prestes a acontecer e para quem gosta de road trips junto à costa será mesmo um verdadeiro regalo.

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O vento ganha força, mas ganha aquela força de, sedutoramente,  fazer movimentar os cabelos de uma companheira de viagem. As nuvens, essas fogem para o Corvo. Pensamos em como é que podemos ter, em tão curto espaço de terra, uma marginal assim tão bela!

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Santa Cruz fica para trás e chegamos à Fazenda! Conhecida pela sua Igreja em homenagem a Nossa Senhora de Lourdes, ficou para nós também conhecida pela queijaria - o alemão tinha razão! Um queijo divinal, um mel de bradar aos deuses e um doce de Açará que nunca haviamos experimentado - um trabalho artesanal, com as devidas condições, mas que nos fez questionar se estávamos no local certo: uma vivenda com um casal, a sua filha adolescente e os seus simpáticos cães! Acompanham-nos, são genuínamente simpáticos e afáveis, dão-nos a provar vários tipos de queijo, o doce de Açará e o mel! O pai, um homem das beiras que já é florentino, dá-nos a provar o fruto que é o Açará e ficamos radiantes. 

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Falamos do potencial e da qualidade dos produtos que é irrivalizável e de como é que os mesmos podem ganhar mais mercado, infelizmente - e espero que me perdoem por abordar esta questão - há quem se aproveite em Lisboa da boa vontade e humildade desta gente e até lhes troque o nome do queijo! Do melhor queijo que já provei, feito por pai, mãe e filha e o mesmo se aplica ao mel e ao doce - juntar tanta qualidade e sabor num só produto não é para todos!

 

Trazemos os sacos cheios, mel, doce e queijo que farão as delícias de muitos, aliás, na mesa de Ano Novo, foi o amanteigado das Flores que mais sucesso fez numa vasta mesa de comensais e entendidos! Se por aí existe alguém interessado num bom negócio, contacte estes senhores, eu até posso fazer a ponte.

 

Trazemos aqueles três sorrisos connosco e continuamos a nossa aventura! Apreciamos as falésias e paramos no Miradouro dos Caimbros para respirar, pois nem sempre é possível parar o carro e seguir a pé! Que paisagem... E a memória do Corvo... E aquele fim de tarde no BBC na companhia do Fernando Maravilhas e daquelas gentes! Temos também a perspectiva de Santa Cruz com uma vista única e surpreendente - a manhã não poderia ser mais perfeita!

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Se de um lado o sol espreita, nas montanhas as nuvens ameaçam com uma carga de água que acaba por não se confirmar e permite que, entre excelentes fotografias daqueles montes, possamos contemplar a vegetação junto à estrada que é particularmente interessante - dizem nas Flores que podemos entrar na mesma e desaparecer!

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Já estamos perto de Ponta Delgada e deparamo-nos com mais uma vista única! A vila com o Corvo ao fundo faz-nos ficar por ali e esquecer a fome que já aperta, afinal são três da tarde e com tantos périplos e encantes, simplesmente esquecemo-nos que almoçar é uma obrigação para manter o corpo e a alma bem activos!

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Apreciamos as cores que o sol entre as nuvens proporciona no solo e entramos na vila - sabemos das limitações e estamos preparados para não almoçar, no entanto, também estamos nos Açores e na Associação oferecem-nos um café e acabamos por terminar no "Pescador"! Primeiro a surpresa de que ninguém almoça depois das três da tarde, mas depois a simpatia de nos proporem todo o menu, mesmo depois de termos explicado que uma sandes e uma água eram mais que suficientes e não queriamos dar trabalho - acabamos com uma feijoada e um ensopado de borrego que nos souberam pela vida! Mais uma vez, um acolhimento como este só nos Açores.

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E quando pensamos que, com tanta coisa boa, o dia está a acabar, eis que a maior surpresa ainda está para vir!

Continua...

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Flores, Parte 1: A Chegada, as Lajes e o Porto Velho!

Flores, Parte 2: O Poço da Ribeira do Ferreiro, a Rocha dos Bordões e a Fajãzinha...

Flores, Parte 3: Calçar as botas e percorrer as Lagoas...

Flores - Parte 4: A Subida ao Morro Alto - Pico da Sé e as Falésias da Costa Oeste

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Imagens: Robinson Kanes e GC

 

 

Hoje o dia é de subida... A manhã está calma apesar do mar não dar tréguas. No Porto Velho, a animação do costume, entre os lobos do mar, um engravatado, o alemão e nós! Depois do café com leite e das tostas mistas - a "toxta mixta" como nos recomendou o nosso amigo germânico - é hora de colocar os viveres para o dia no carro e avançar. 

 

A Zona Central está calma, algum vento, a neblina habitual e uma enorme vontade de subir serra acima. Chegamos e apeamo-nos através do caminho vermelho, como lhe chamamos e que, para mim, é sempre uma imagem que associo aos Açores. E aí vamos nós na esperança de apreciar a vegetação e as marcas da Macaronésia, nomeadamente a Floresta Laurissilva. 

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Agora com mais vento, mais neblina, mas a casmurrice faz-nos continuar - mal sabemos que a chegada ao "topo das Flores" (914m de altitude)  vai ser bastante enovoada - todavia, ainda conseguimos a panorâmica desejada e que, para nós, seria o ponto alto da caminhada - a Lagoa Branca! Paramos, abastecemos o estômago, ainda temos de subir a furar o nevoeiro e o vento!

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Casmurros, mais uns metros à frente, temos a sensação que estamos a subir o Evereste, a neblina é cerrada, o vento torna-se forte! Aguentamos, não sei se nos arrependemos ou não, mas aguentamos! Aguentamos e pensamos nas dificuldades que teriam as gentes da Fajã Grande para atravessarem a ilha e dos pastores que noutros tempos por ali pastavam os seus rebanhos - ainda hoje o fazem, mas em muito menor escala. Pitoresco... bucólico, mas duro... O tecido social dos Açores não se desenhou com facilidades e o que hoje admiramos encerra séculos de vidas muito duras.

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Iniciamos a descida, a próxima paragem são as vistas para as "Falésias da Costa Oeste". Regressar ao carro é ótimo - apesar do frio não ser muito, a humidade já causava os seus danos. Paramos para apreciar a água que, levada pelo vento interrompe a sua marcha em direcção ao solo e é devolvida à origem.

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Voltamos a apreciar as cascatas, agora com uma vista de cima. Imaginamos o espectáculo que ali está a acontecer. A tentação de regressar ao Poço da Ribeira do Ferreiro é enorme e voltamos a colocar a mesma na lista de prioridades diária. O vento aumenta de intensidade mas não desmobilizamos, sentimos o ar do Atlântico a invadir-nos, sentimo-nos parte daquela natureza, queremo-nos sentir na pequenez de sermos humanos.

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A vegetação nesta área da ilha é simplesmente bela, apelativa e muito favorecida pelo tempero do oceano. Desde o Morro, desde a mais rasteira à mais elevada, proporciona a nossas delícias e "empata-nos" no nosso regresso a Santa Cruz onde somos convidados por um dos colaboradores da Caixa Geral de Depósitos a ficar na ilha! 

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Apesar da proximidade, o regresso a Santa Cruz é sempre demorado, existem sempre novos locais, novas preciosidades que chamam a nossa atenção... É tudo isto que torna uma pequena ilha num pedaço de terra enorme.

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Continua...

Flores, Parte 1: A Chegada, as Lajes e o Porto Velho!

Flores, Parte 2: O Poço da Ribeira do Ferreiro, a Rocha dos Bordões e a Fajãzinha...

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Per Sempre Morricone...

por Robinson Kanes, em 07.05.19

IMG-20190507-WA0002.jpgImagens: GC

 

Sempre aplaudido de pé, Morricone acabou por encantar a Altice Arena, como seria de esperar... Passou por sucessos menos conhecidos pela maioria dos portugueses e não deixou passar os grandes temas "spaghetti western". O apogeu deu-se no final com a óbvia banda sonora de "Cinema Paradiso", sem esquecer a "Missão".

 

"Cinema Paradiso" arrebatou a plateia e as lágrimas foram uma presença ao longo de toda a interpretação, acabámos todos por fazer um pouco o papel de Salvatore quando, no final, coloca a fita que Alfredo lhe deixou e se desfaz em lágrimas - boas recordações e no turbilhão de emoções que as mesmas trazem. Senti-me, também, um Salvatore, por todas as razões e mais algumas. Quem escuta "Cinema Paradiso", "Once Upon a Time in America" ou até o tema de "Malena" ao vivo (os dois últimos desta vez não tiveram lugar), nunca mais vai esquecer!

 

Uma excelente orquestra, um excelente coro, um excelente maestro e compositor, e claro, uma excelente soprano - Susanna Rigacci - não poderiam ter tornado o espectáculo melhor. Ao contrário do que também alguma imprensa já hoje diz, Dulce Pontes não foi, embora tentasse, uma das estrelas da noite! Uma voz que deixa a desejar, um mau inglês que parecia búlgaro numa das interpretações, honestamente, não tem a mínima qualidade para estar naquele palco com tão grande compositor, tão grande soprano e com tantas vozes de qualidade no coro. O público percebeu isso e, se de facto, ouve menos exaltação nos aplausos foi quando Dulce Pontes cantou...

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Mas o espectáculo de Morricone, a sua presença em palco, fizeram-nos sonhar, e ao mesmo tempo, entristeceram-nos. Ver aquele senhor de 90 anos já algo debilitado fez-nos mesmos acreditar no "farewell". Tivemos, mais uma vez, a oportunidade de lhe dizer "grazie" e isso terá sido o mais importante. Nunca o esqueceremos e estará sempre junto de nós, sempre a recordar aquela forma própria de conduzir uma orquestra.

 

Uma nota particular também para o facto de uma orquestra maioritariamente "entradota", um maestro que é um verdadeiro dinossauro da música, sem esquecer o coro, mostrarem que a idade não importa quando se fala de ser ou não um bom profissional, de facto... Uma lição que todos também podemos tirar da noite passada!

 

Obrigado Ennio... 

 

(Também o SAPO aqui não esqueceu o Mestre)

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Tempo para Morricone!

por Robinson Kanes, em 06.05.19

Imagem3.pngImagem: Robinson Kanes

 

Senhor com "S" grande... Hoje, por aqui, damos uma folga aos Açores e a tantos outros temas, porque voltar a ver este Senhor no meu país é um acontecimento único. Temo também que seja a última vez que vou ver o Mestre!

 

Deixo a banda sonora de "'D' Amore Si Muore" realizada por Carlo Carunchio, iniciavam-se os anos 70 e eu nem era sequer pensado (e acho que nem os meus pais já se conheciam)... Mas o cinema italiano tem destas coisas e com esta banda sonora...

E porque o Ennio nunca aborrece, talvez deixe aqui mais uma tremenda recordação (e sim, estou a tentar fugir aos grandes sucessos...), "Amore per Amore"...  De outro grande filme, "Così come sei" e onde estão presentes a esquecida Nastassja Kinski, Francisco Rabal e claro (eu sei que é de "cota") o grande Marcello Mastroianni! 

O Ennio é talvez aquele compositor que me acompanhou desde sempre, não só pelas excelentes bandas sonoras mas também pelos filmes que tiveram oportunidade de usufruir de tamanhas composições... Hoje talvez seja o dia do Adeus, e num misto de imensa alegria e muita tristeza aplaudirei, mais uma vez de pé, o GRANDE! Aliás, aplaudiremos aquele que também nos juntou... 

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Créditos: Robinson Kanes e GC

 

A manhã chega com o som do mar a dizer-nos que não está para grandes conversas... Apesar do vento, procuro sair e ficar a sentir a brisa no rosto, a recordar os meus tempos em que passava o fim de semana junto dos lobos do mar e sentia aquele cheiro em Porto Dinheiro ou em Peniche. 

 

Contudo, mesmo para quem gosta de mar, o estômago é quem manda e claro, o pequeno-almoço é no Porto Velho - duas tostas, dois sumos e dois cafés! O resto da refeição é preenchido com animação a cargo dos diálogos entre lobos do mar.

 

Chega a hora de nos fazermos ao caminho e, logo após o Lajedo,  apreciar a "Rocha dos Bordões", ponto de fulcral importância para os habitantes das Flores, além disso é um interessante ponto geológico na medida em que estamos perante uma rocha que se formou pela solidificação do basalto em altas estrias verticais - pensamos em iniciar uma "escalada", mas a incerteza com o tempo e com as autorizações faz-nos recuar.

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Continuamos na direcção de um local que não nos faria recuar nunca, nem que estivessem ventos muito acima dos 200 km/H - na semana anterior a passagem da tempestade "Diana" foi bem sentida embora sem estragos de maior. Refiro-me obviamente ao "Poço da Ribeira do Ferreiro" ou "Alagoinha" como também é conhecido. Para aqui chegar o caminho é feito a pé, e depois de dias de tempestade, nem sempre o caminho está nas melhores condições, no entanto... Preparem-se para entrar numa outra dimensão e deixem-se envolver pela vegetação cerrada, pelos cheiros e pela natureza no seu estado mais puro e, de repente... entram num outro mundo. As cascatas e o poço a fazerem-nos pensar se estamos realmente em Portugal ou numa qualquer floresta tropical. 

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Com aquele local só para nós, ficamos por ali muito tempo, tiramos fotografias, comemos algo para repor energias e não fechamos os olhos! Ficam bem abertos a absorver tamanha beleza para que jamais percamos tais imagens do nosso pensamento! Ousaria dizer que um dia é pouco para por ali ficarmos...

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E por ali ficamos, mas não descansamos, o espectáculo com que nos deparamos não o permite...

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Mas a fome aperta e também as botas pedem mais caminho, é altura de ir até à Fajãzinha (Mosteiro e a Caldeira -sem habitantes desde 1992 por questões de segurança - serviram para relaxar). 

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Descemos e encontramos a pacatez, o silêncio e a pa que caracterizam o local... Temos outra visão da ilha e do espaço, ficamos indecisos entre o apelo da serra e do mar, das gentes e de um cheiro a comida que anda pelo ar...

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Do lado da serra, a neblina anuncia que o tempo muito provavelmente vai fechar e ainda temos mais uma etapa pelo caminho antes de jantar com um casal de alemães (novamente os alemães, mas não me perguntem porque temos esta afinidade com aquele povo) num restaurante onde os produtos servidos são todos locais e biológicos - a Casa do Rei, também nas Lajes da Flores! Uma nota, o restaurante é propriedade dos mesmos.

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Mas antes do jantar é preciso arriscar um pouco mais e partir em direcção à Fajã Lopo de Vaz, mais escondida e mais perigosa! Queremos, contudo, ver as cascatas a debitarem a sua água no mar e queremos percorrer todos aqueles caminhos enquanto o vento e a cacimba nos afrontam. Chegamos ao ponto onde as tempestades também entram pelas Flores, por norma, antes que de chegarem a outros grupos e até ao continente, é nas Flores que as tempestades abrem as hostes em território português!

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Nas Flores, por pior que seja uma tempestade, nunca é um drama para os seus habitantes, diz-se mesmo que, quando nas ilhas do grupo central e oriental ficam em pânico, nas Flores, onde estas são mais fortes, o povo recebe-as calmamente, até porque é aqui que, por norma, são mais fortes.

Continua...

Flores, Parte 1: A Chegada, as Lajes e o Porto Velho

 

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Dave Matthews Band Rebentou!

por Robinson Kanes, em 08.04.19

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Fotografia: Robinson Kanes

 

Existem coisas que já não nos deviam supreender... Uma delas é sair de um concerto de David Matthews Band e pensar que acabámos de assistir a uma qualidade que já não abunda no mundo musical.

No entanto, depois de no passado Sábado, em plena Altice Arena, ter voltado a ouvir estes senhores, não pude ficar indiferente, e mais uma vez, espantado com a categoria do Dave e de todos os seus músicos. "Graveddiger" nunca me soou tão bem como ontem, "Stay or Leave" voltou a ser outra daquelas coisas que só quem acompanha estes senhores há muito pode sentir.

 

Nem a ausência de "Space Between" ou "You & Me" causou qualquer tristeza, pois a interpretação de temas como "Sledgehammer" de Peter Gabriel (outro colosso), "Fly Like an Eagle"  da Steve Miller Band mas que muitos conhecem pela interpretação de Seal ou "All Along the Watchover" de Bod Dylan (cuja primeira versão que ouvi foi de Jimi Hendrix), fizeram esquecer esse "lapso"! Quem segue Dave Matthews Band sabe que o alinhamento é sempre variado e cada concerto é uma experiência única.

 

Banda e vocalista low profile, um palco sem uma produção de milhões, mostram como ainda é possível, existindo qualidade e trabalho, fazer melhor do que grandes produções cujas "luzes" são aos milhares mas o som dos instrumentos e das vozes deixa muito a desejar.

 

Deixo-vos com uma das que passou: "Ants Marching"... E que regressem em breve para voltar a ver aquela forma peculiar de caminhar pelo palco...

 

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Corvo: Uma Ilha do Tamanho do Mundo! (Parte 02)

por Robinson Kanes, em 08.04.19

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Imagens: Robinson Kanes e GC

 

 

Apesar da dimensão, caminhar pelas poucas ruas da vila do Corvo tem o seu interesse: respira-se o ar do mar, sente-se o isolamento - não se pode negar - mas sente-se também a distância de tudo e de todos. No caso de alguém que vive numa cidade não existe melhor refúgio. Se a isto juntarmos a simpatia e boa disposição dos corvinos temos o mote certo para voltar muitas vezes ao BBC pois rapidamente conhecemos quase todos os habitantes da ilha. Mas paremos para pensar aqui: quantas vezes, com tantas e tantas pessoas à nossa volta e também nos sentimos isolados?

 

O tempo continua a melhorar e o sol espreita - optamos por não repetir a caminhada a pé até ao caldeirão, como é conhecida a caldeira do Corvo e, se não a mais bonita, é por certo uma das três mais belas do arquipélago! Descobrimos, por mero acaso, pai da Vera! Prestável, lá nos coloca na sua carrinha e nos leva  ver a caldeira! Fazer a estrada (ou o caminho a pé) até à caldeira é uma experiência única - a proximidade com o mar, o cruzamento com o gado (ou não fosse o Corvo uma ilha dos Açores) e a oportunidade de observar algumas aves.

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O momento alto é a oportunidade observar a caldeira e imaginar o que terá pensado Diogo de Teive em 1452 quando se deparou com um dos monumentos mais belos que o planeta Terra tem: aquela caldeira situada a 718m de altitude - Um autêntico coliseu e cujas pequenas ilhas no seu interior se assemelham às 9 ilhas do arquipélago. 

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Se me perguntarem se vale a pena apanhar um voo na Nova Zelândia só para ver este caldeirão, a minha resposta é imediata: sim! É daqueles locais onde queremos ficar horas e horas a contemplar o mar pelo miradouro, a apreciar o interior da caldeira e a escutar o som do gado que por lá deambula sem restrições, afinal, aquele espaço, mais que nosso, é deles! Chegar, tirar uma fotografia e voltar é desrespeitar tão impactante local!

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Por ali ficámos uns bons 90 minutos, trocando impressões e absorvendo toda aquela magia natural! O dia foi passando e acabámos a contornar a ilha pelo lado oeste e a deambular pelos campos agricolas enquanto a chuva já começava a molhar. Não foi isso que impediu que sujássemos os pés e voltássemos a parar para apreciar umas laranjas directamente arrancadas da árvore - ainda não estavam doces pelo que, as do Pico continuam a merecer a nossa preferência.

 

Acabamos a tarde num espaço singular, uma das casas onde o pai da Vera, entre uma bebida e uns cigarros nos fala da ilha, dos Açores, de como é fácil e desafiante viver num pedaço de terra com pouco mais de 17 km2. Falamos das festas, da praia, da cerveja - uma instituição na ilha do Corvo - e de como todo o mundo também pode estar naquele pedaço de terra. Ficamos a saber que no Corvo, todos aqueles que chegam têm um tecto e comida na mesa e também que todos aqueles que não chegam com boas intenções rapidamente são envergonhados pelos locais - conta-se que em tempos, um desses indivíduos foi despido e amarrado no meio da aldeia ficando por lá durante mais de um dia. A verdade é que sentimos isso, até porque fomos várias vezes convidados para jantar aqui e ali!

A noite começa a dar sinais de que quer tomar conta dos céus e descemos à vila. Bebemos mais um café e um copo no BBC e preparamos o estômago para a jantarada enquanto vamos conversando com dois músicos de Ponta Delgada responsáveis por animar o serão.

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A festa acabou de madrugada e logo cedo, depois de um bom pequeno-almoço e de uma visita aos moinhos, voltámos ao aeroporto ainda sem saber se o voo aconteceria. O avião chegou, e as duas viaturas do bombeiros esperam sempre a chegada dos aviões com os motores ligados - Finalmente o ok do comandante - Luis Gouveia, uma lenda nos Açores - e partimos!

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Na Vila, mesmo ainda antes de chegarmos ao aeroporto, todos diziam não ser possível: "durmam, deixem-se estar sossegadinhos que vão ficar connosco por uns dias". A verdade é que o Q200 descolou e também é verdade que após ter chegado com uma vontade imensa de sair no primeiro voo que houvesse, fiquei com aquela saudade e também a vontade de ficar mais uns tempos! De percorrer vezes sem fim a ilha, de beber uns copos no "formidável" e no BBC entremeados por umas fatias de queijo do Corvo, de apreciar a praia que nunca apreciei e de simplesmente me deixar levar pela imensidão daquele mundo.

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Perdeu a parte 01? Está aqui!

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Em Limburgo, a Viver Maastricht...

por Robinson Kanes, em 22.02.19

IMG_4406.jpgImagens: Robinson Kanes

 

Antes de voltar à Bélgica, especialmente a Antuérpia e Leuven, e depois de bons passeios por Ghent, Brugge e Bruxelas, façamos uma entrada na Holanda.

O meu primeiro contacto com a Holanda deu-se, era eu ainda um miúdo, por intermédio de um grupo holandês que me fez sentir como um adulto. O puto português, agarrado ao seu instrumento musical, visitou a casa de uns companheiros belgas em Herent (Bélgica) e rapidamente foi colocado em destaque, a par dos demais numa oportunidade única de partilhar o palco. A noite acabou naquela localidade entre comida belga e holandesa sem esquecer  o continuar da festa onde se tocaram, cantaram e dançaram músicas populares daqueles dois países, e obviamente, de Portugal. Deve ter sido das primeiras vezes em que senti a apreciação do mérito!

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Mais tarde entraria na Holanda por Roterdão, Amesterdão e Arnhem, a cidade onde se encontra a famosa ponte de uma das batalhas mais dramáticas da 2ª Guerra Mundial - foi aqui que a operação "Market Garden" conheceu o seu falhanço... Mas uma outra cidade holandesa merece, apesar de bastante pacata a minha atenção: Maastricht!

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Maastricht é uma cidade de sossego absoluto, mesmo quando deambulamos pela "Praça  Vrijthof" - a mais famosa da cidade - com os seus cafés e a "Basiliek van St. Servaas/Basílica de São Servácio" - uma basílica onde a mistura de estilos românico, barroco e gótico é evidente e onde se encontra o túmulo do patrono que lhe dá o nome. 

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É por esta praça que podemos começar a conhecer esta pequena cidade! Nada como uma passagem pela "Onze-Lieve-Vrouwebasiliek/Basílica de Nossa Senhora" e depois seguir a rede subterrânea que serviu ao longo de séculos para a defesa da cidade, e mais "recentemente", como abrigo durante 2ª Guerra Mundial. O ideal é juntar a esta experiência a visita as "Cavernas" e o "Forte de São Pedro".

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No entanto, ir a Maastricht e não dar um passeio junto ao Mosa é uma verdadeiro sacrilégio que São Servácio não apreciaria. É a oportunidade perfeita para apreciar um pouco de natureza, a pouca movida e atravessar mais uma romântica (e românica) ponte, a "Sint Servasbrug".

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Esta é, aparentemente, a ponte mais antiga dos Países Baixos. Junto ao rio podemos sempre entrar nos arredores da cidade e aproveitar para correr ou andar de bicicleta nos inúmeros parques, aliar o exercício físico a uma viagem é sempre importante.

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Finalmente, e porque já é um hábito: o piquenique! Com tantos parques é impossível não o fazer, sobretudo se os ingredientes forem comprados nos mercados da cidade, pois... a comida holandesa não é propriamente a mais apetecível do mundo, pelo menos para mim.

 Ik wens u een prettig weekend!

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