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Postas de Pescada e Reflexões Sobre Ter um Blog...

por Robinson Kanes, em 26.09.19

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Imagem: Robinson Kanes

 

Foi um destes dias que descobri, graças ao comentador Nuno Carvalho, o alcance do "Não é que não Houvesse" - pois é, ultrapassou fronteiras e um dos artigos (traduzido em inglês) foi parar ao facebook de uma página de fans do Bryan Ferry. É bom saber isso, é bom ter reconhecimento, sobretudo além-fronteiras e de forma desinteressada... E como é bom e genuíno o reconhecimento lá de fora - então quando ele não existe cá dentro. É bom receber alguns emails, sobretudo de pessoas que não têm blogs e de outras pessoas (perdoem-me as mesmas, mas também não vos vou expor) que tendo espaços como este, optam por não tornar muitos dos comentários públicos ou pedir desculpa por não comentarem mas... Aprecio esse facto e compreendo, cada qual terá as suas prioridades neste mundo.

 

Isto para dizer que, pontualmente, é bom fazer balanços... Também assumo que, estando na plataforma que estou, não escrevo com um propósito para a mesma, todavia, não deixo de agradecer todos os artigos destacados até agora, sobretudo na página principal que é onde, acredito, ter mais adeptos do meu "trabalho". Perdoem-me se não crio artigos de agradecimento, não é o meu estilo, sou adepto da eficiência e não do folclore (sem carácter depreciativo)... E há outras formas menos óbvias de agradecimento que vão bem para lá disso, é uma questão de se estar atento e ter capacidade de encaixe.

 

Nestes tempos por aqui, sendo ainda cedo para um balanço, admito que sempre temos dias bons e dias maus. Deixamos de seguir este e aquele espaço porque já não nos desperta interesse, deixamos de comentar só porque sim e somente porque realmente o tema nos merece atenção, tornamo-nos mais selectivos, mesmo que isso implique que existam muitos que ficam revoltados e nos punem com o seu cancelamento, faz parte... Até brinco com isso sempre que alguns temas fazem derrapar o número de seguidores. Algumas boas discussões não faltam, sobretudo quando os apologistas da liberdade e dos direitos nos apontam a sua forma mais vil de serem ditadores.

 

Também já tive artigos dedicados a mim e os quais agradeço: uns muito bons, outros nem por isso... Agradeço especialmente à "Mami", à "MJP", ao "Homem da Caneca" e ao "Pedro Correia" pelos convites à escrita nos seus espaços. Os menos bons, pois bem, fazem parte... Não são tema para agora.

 

Penso que também tenho o dever de agradecer a todos os que me vão seguindo e lendo - uma nota especial para as subscrições por email, não sei quem são, mas são uns "Senhores" a quem agradeço muito. São eles que fazem este espaço, não é o Robinson Kanes que é a vedeta cá do sítio, são todos vocês, inclusive os que espumam quando observam alguns textos... A riqueza destes espaços vem daí e por apreciarem algo que realmente dá trabalho. No meio de tanta azáfama, dá mesmo muito trabalho, este não é um espaço de copy-paste ou de débito fácil! Acreditem ou não, não são raras as vezes em que recebo mais do que dou. Permitam-me, contudo, sublinhar que não abdicarei do que sou e do que penso, bem como de uma certa "linha editorial", isso não o farei.

 

Um obrigado especial a todos aqueles que aceitam os meus comentários e sobretudo àqueles espaços que, não tendo muito destaque e visibilidade, são de uma riqueza extraordinária! Admito que sigo apenas dois separadores: "opinião" e "últimos posts" - não há tempo para mais e é preciso fazer escolhas. É no último que tenho descoberto conteúdos verdadeiramente interessantes! Obrigado a muitos deles também por serem a minha companhia, pois nem sempre é fácil, mesmo nesses separadores, encontrar conteúdo destacado que seja de qualidade, mas afinal, o "Não é Que Não Houvesse" também não se pode gabar muito nesse campo, ainda está numa fase de aprendizagem constante.

 

Obrigado por aturarem o meu mau-feitio, obrigado por compreenderem que não gosto de discursos bonitos e fofos (não resisti... damn), por vezes tenho aquilo a que os holandeses chamam de "bespreekbaarheid". Por cá nem sempre resulta, somos uma cultura mais superficial e também emocional no campo de dizer o que pensamos.

 

Obrigado por estarem aí, sejam apreciadores ou haters, até porque, a existência de um hater implica que alguém nos segue, nos lê e digere o que escrevemos).

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De "saca patrocínios" a "anti-patrocínios"!

por Robinson Kanes, em 21.03.19

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Créditos: https://www.neworld.com/newsblog/2018/three-reasons-why-brands-should-partner-with-social-media-influencers/

 

Houve tempos em que a corrida atrás das marcas, no sentido de conseguir que estas patrocinassem blogues ou enviassem produtos, era tal que se tornou uma tendência. De facto, não foram as marcas que procuraram os "bloggers", pelo menos numa fase inicial, mas o contrário. Na verdade, acabou por suceder que muitos espaços ficaram, digamos, famosos e as marcas acabaram elas próprias por também serem proactivas na procura de "influencers".

 

Sinto-me também à vontade para falar deste tema pois é política, que este espaço não tenha quaisquer apoios, patrocínios ou mecenas, no entanto, não é de todo impossível que tal venha a suceder. A importância é deixar claro o que é uma parceria, por exemplo, e um artigo sem parceria. O importante é que um artigo não seja uma venda do princípio ao fim e muitas vezes realizada de forma medíocre por pessoas que de marketing percebem pouco - o que até não abona a favor da marca. Imaginem que as coisas correm mal, quem faz a gestão da crise?

 

Todavia, tenho assistido a uma tendência, na comunidade SAPO e não só, de anti-patrocínios. Nomeadamente, por parte daqueles que queriam apoios e não os têm (basta aferir o conteúdo de alguns artigos e claramente se percebe o objectivo) ou então de outros que tentam explorar um novo conceito - ser "anti-parcerias blogueiras", apelidemos as coisas desta forma.

 

O ser "cool" agora, passa por ser anti-parcerias! Nada como explorar a temática e dizer que as marcas são umas "marotas" que andam a enganar as pessoas - pior que isso, trazer isso a público, revelando o mau carácter e a falta de ética e profissionalismo dos "bloggers".

 

Também existem aqueles que se vangloriam de recusar parcerias mas nem um pedido recebem - faz parte do mundo da ilusão e do "like". Também aqui as marcas pecam, pois nem sempre analisam um mercado que, mais do que procurar profissionalmente desenvolver um negócio, tem motivações que por vezes não são garante de que se possa confiar nas qualidades de quem "vende" a marca - além disso não estão "protegidos" por códigos de conduta, havendo apenas uma dependência do carácter do blogger - e no mundo real e sobretudo na internet, sabemos como é facilmente moldável e mutável. 

 

Em todo este ruído, fica uma total ausência de explicação face ao modo como funcionam estas estratégias de marketing, o rigor no sentido de escrever sobre produtos de forma imparcial e acima de tudo de ser um verdadeiro "brand advocate", esse sim um real valor para o consumidor e para a marca. O que ficamos é com um sem número de textos vazios, por vezes até com bastantes leituras e comentários. Todavia, somente de uma pequena comunidade que em nada representa, criando uma ilusão que em nada vai ao encontro da realidade, até porque, conseguir o "like" é fácil, o problema está na confiança...

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Sobre o "Slow Blogging"...

por Robinson Kanes, em 26.12.17

 

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Uma velha senhora lendo, Rembrandt Harmenszoon van Rijn - Rijksmuseum

Fonte: própria.

 

 

O Slow Blogging é uma espécie de prática, não lhe vou chamar tendência e muito menos movimento, inspirada no "movimento" slow food (com tantos "especialistas" em culinária e gastronomia por aqui, não percebo o facto de não existirem blogs em Portugal que abordem a temática...).

 

No fundo, e de uma forma simples e genérica, o que o movimento slow food (comida leve, comida lenta, comida... realmente comida) diz é que a fast food é nociva para as tradições locais e para os hábitos de consumo alimentares.

 

Acredito que é fácil de perceber, depois desta pequena abordagem, o porquê da analogia com o conceito de slow blogging. Um outro aspecto que pode ajudar a esta discussão é o "Slow Blog Manifesto" que encontrei mencionado num artigo do "New York Times" e que apontava esta prática como uma rejeicção do imediato, do "já". Segundo o autor, Todd Sieling, é uma espécie de "afirmação de que nem todas as coisas que merecem a nossa leitura são escritas de forma rápida e instantânea" e claro, muito menos por questões de tráfego. Não estamos a falar de uma pessoa que vive na sua caverna nos Himalaias, estamos a falar de um consultor na área das tecnologias da informação. 

 

De facto, é possível viver no mundo dos blogs sem querer atrair mais e mais seguidores ou transformar o blog numa espécie de prolongamento do "facebook". A propósito deste tema, uma frase de Barbara Ganley, do blog "(the new) bgblogging" resume bem a questão: "Blog to reflect, Tweet to connect.” Blogar para reflectir, tweetar para ligar". Além disso, de forma genuína, ninguém consegue alimentar um blog com "mil" artigos diários...

 

Estando a par destas novidades, até porque foi um artigo da m-M que me alertou para estas questões, procurei e vou procurando saber mais e encontrei um outro espaço o Dine & Dish onde a Kristen mencionava uma questão interessante e com a qual me identifiquei de imediato: Kristen diz que está interessada sobretudo nas relações, nos leitores que lhe enviam emails, que deixam comentários e acima de tudo partilham também um pouco de si.

 

Finalmente, e também aqui partilho da mesma opinião, Kristen acaba por mencionar que pode não ter milhões de visualizações, mas conseguiu construir um sem número de relações que são bem mais importantes. Penso que está aqui um dos segredos.

 

Espero que o espírito do Natal por aí ainda perdure...

 

 

 

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Sapo em Modo "It is Leclerc"...

por Robinson Kanes, em 13.10.17

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 Fonte da Imagem: http://alloallo.wikia.com/wiki/File:Leclerc.jpg

 

É impressão minha, ou com as novas alterações aos comentários (bem conseguidas), e enquanto não nos habituamos, andamos todos numa espécie de:

 

 

Em relação aos critérios de destaque...

 

 

 Agora sim... Bom fim-de-semana... Com algum humor...

 

P.S: "rasurando as palavras mérito e qualidade do meu dicionário". 

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Obrigado a Todos...

por Robinson Kanes, em 13.09.17

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Grupo do Leão - Columbano Bordalo Pinheiro (Museu Nacional de Arte Contemporânea/Museu do Chiado)

Fonte da Imagem: Própria

 

Nós não estamos no espaço, somo-lo funcionalmente no modo original de nos relacionarmos com o que nos cerca.

Vergílio Ferreira, in "O Existencialismo é um Humanismo"

 

Nascido em finais do ano passado, penso que é chegada uma das alturas em que me parece imperioso agradecer a todos os que ousam e perdem o seu tempo a ler um sem número de disparates... Já perceberam que falo deste espaço.

 

Poderia afirmar que o "Não É Que Não Houvesse" existiria, quanto mais não fosse num caderno cá em casa, sem a vossa presença,  mas não poderia afirmar que teria a riqueza que tem. São vocês que o alimentam com as vossas leituras, com as vossas passagens e sobretudo com os vossos comentários. Muitos comentários são de um conteúdo e rigor louváveis, e face a muito do que vejo, é com bastante orgulho que os acolho. De facto, a primazia da qualidade em alguns de vós é tocante e isso também a mim me faz sorrir e pensar que uma única leitura, uma única visualização ou um único comentário a um artigo tem muito mais valor que milhares de visitas e comentários vazios de conteúdo e até sem paixão.

 

Com o tempo, uma espécie de egoísmo - afinal fui eu quem criou este espaço, pelo que é natural - foi-se desvanecendo e fui levado a reconhecer que os impulsionadores disto são vocês. Penso que fazemos uma boa equipa e que não há aqui um indivíduo que escreve e se coloca por cima a olhar a multidão... Somos todos a multidão. 

 

Mais que o blog do Robinson, este é o vosso blog, pelo que não concebo deixar alguém sem resposta ou sem espaço para se expressar. Aqui não é um espaço para impor regras, tendências ou a minha palavra, é um espaço para todos juntos chegarmos a uma conclusão, seja uma lágrima ou um sorriso, ou até uma debandada popular. Aqui é um espaço onde são sempre bem acolhidas as pessoas verdadeiras, aqueles que são os cidadãos verdadeiros e não pseudo-elites mediáticas ou tecno-provincianas... Aqui os problemas são mesmo problemas e as celebrações são verdadeiras festas de chegar a casa pela manhã com a camisa aberta ou os saltos na mão. Também a revolta aqui pode ser mais descontrolada e... Nem com "zero" visualizações, ostracização, ou obrigação de seguir uma pseudo-elite virtual cederemos à tentação de perder a nossa essência, contudo, temos a humildade de reconhecer erros e aprender. 

 

Foi graças a vocês, mesmo aqueles que acompanham sem opinar, que senti a responsabilidade de não perder o foco, mesmo com todas as implicações que isso possa acarretar. Foi talvez por isso, e mencionei num blog de outrem, que também já tive os meus dissabores perante uma oferta de publicidade que obrigaria à perda de neutralidade da minha parte -  ou seja, dizer menos bem de algo (mesmo sendo verdade) não seria permitido. A minha perda de neutralidade é perder todo o meu carácter perante vós e o "Não É Que Não Houvesse" não é um blog publicitário nem sujeito a pressões, até poderiamos sê-lo e seria legítimo, mas não é, aqui não funciona assim. Também já perdi seguidores por tocar em temas sensíveis, mas isso não vai mudar, não podemos apregoar a bandeira de sermos muito para à frente, mas desde que só concordem connosco ou não nos toquem na ferida. 

 

É com vocês que também tenho aprendido, é com vocês que também tenho rido e é com vocês que tenho percebido: a maior riqueza de um blog são as pessoas - aquelas que frequentam e não a pessoa que escreve! Quem pensar o contrário, quem se achar que é o guru que todos seguem, até pode ter sucesso, mas anda a enganar a "clientela".

 

Obrigado a todos e até breve...

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Não É Que Não Houvesse em Seara Alheia...

por Robinson Kanes, em 07.07.17

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Fonte da Imagem: www.citac.org

E aí está...

 

Hoje estou a contribuir para que a Chic'Ana tenha a mais baixa taxa de visualizações de sempre...

 

Não deixem de lá passar e perceber como é que o Robinson Kanes às vezes consegue ser parvo... Fica mesmo aqui!

 

Obrigado à autora pelo convite, é uma honra!

 

Bom fim de semana!

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O Ódio Dos Moralistas...

por Robinson Kanes, em 22.06.17

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Artemisia Gentileschi - Judite Decapitando Holofernes (Galeria Uffizi)

 

Fonte da Imagem: Própria

 

O drama dos incêndios (e outras recentes polémicas) criou um facto curioso e que me fez ir à procura de “material” que permitisse dissertar sobre algumas inquietações e ter também o vosso retorno.

 

De facto, torna-se interessante assistir a um comportamento nas redes sociais e até nos blogs que já não é novo mas que, pela proximidade dos acontecimentos, torna as situações mais evidentes.

 

Vejamos... Nas redes sociais, nos media digitais e nos blogs, de um momento para o outro passamos do sentimento mais comovente e de revolta com os factos para as fotografias das “mini-férias” ou do fim de semana espectacular no Algarve. Rápida a transição do “estou em choque” para o “yuppie” (também existe o contrário)... Sim, estou chocado, mas tenho a necessidade de mostrar ao mundo que estou em “altas”. 

 

Mas o que tem sido interessante é a proliferação da mensagem contra o “ódio”. Hoje em dia, discordar de uma situação ou do status quo é odiar (ou populismo), sobretudo se o ódio for contra aqueles que defendemos (ou somos pagos para defender) diariamente em blogs e redes sociais. Interessante também, que muitos dos que criticam o ódio acabam por incitar ao mesmo, especialmente quando recorrem ao vernáculo e ao ataque directo...

 

Eu tenho mais medo dos “amigos” (e dos alpinistas) que defendem alguns do tal “ódio” e que são privilegiados na comunicação do que daqueles que odeiam e soltam os seus desabafos no momento... É que os últimos não procuram manipular ninguém e tendem a ser insentos. Acredito que muitas vezes só querem justiça, mesmo que não expressem essa vontade da melhor forma. Tenho medo daqueles que vivem tranquilos, à sombra de clientelismos, de uma pseudo-fama e de alguma pseudo-importância que nos tenta ser impingida todos os dias no sentido de nos fazer acreditar que são estes os "representantes" da voz do povo - e não falo de políticos como já perceberam. Não tenho medo do povo "revoltado", aliás, nem qualquer bom estadista tem medo do seu povo...

 

A apatia (ou falsa apatia) tende a reinar sobre a justiça... E se um povo pede justiça, ao invés de também descarregarmos um discurso de ódio, devemos inicialmente pensar o porquê de tanta revolta, de tanto ódio, se quisermos considerar uma solução. A apatia que nos faz ser líderes de uma certa sobranceria virtual não nos torna melhores do que aqueles que criticamos, pelo contrário.  Mas talvez seja mais fácil ignorar a interrogação de Steinbeck e deixarmo-nos arrastar ao invés de nos deixarmos guiar pelos nossos principios. Talvez o retorno seja imediato, porque a justiça é mais morosa e nem sempre nos enche a conta bancária ou o ego...

 

Mas talvez seja isso... Talvez, nós que tantas vezes somos tão solidários e "boa onda", sejamos bem piores que um povo que efectivamente se revoltou com a perda estúpida (sem aspas) dos seus compatriotas... Porque nas cidades, os apáticos e falsos moralistas de sofá continuam a apaziguar à calma de metralhadora na mão...  No entanto, se um dia o país precisar verdadeiramente destes indivíduos, fora do digital e das palavras, serão os primeiros a fazer as malas e a partir. Até porque é sempre mais fácil chorar do que assumir as responsabilidades...

 

 

 

(Este espaço esteve parado durante estes dois dias, por uma razão simples: respeito pelas vítimas e pelo luto e também pela necessidade de ouvir, de pensar... Sobretudo quando praticamente todos querem falar, mas poucos querem ouvir...).

 

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O Blogger (In)Visível...

por Robinson Kanes, em 18.05.17

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Rembrandt Harmenszoon van Rijn, Uma Velha Senhora Lendo (Museu do Louvre)

Fonte da Imagem: Própria

 

Continuando a minha senda pelos cinco artigos a dizer bem do que é português, hoje dou comigo a pensar na comunidade deste alojamento que é o Sapo. E de como aqui também há um pouco do que é Portugal.

 

No Sapo, além dos habituais blogs em destaque e dos mesmos de sempre a serem sugeridos, uma espécie de corrida de fórmula 1, onde já se sabe quem ganha (embora na fórmula 1, ganhe quem tem os melhores motores e os melhores pilotos), existe ainda um sem número de blogs “(in)visíveis” e de uma riqueza acima da média.

 

Os “(in)visíveis” são, de certo modo, os mais visíveis, pelo menos para mim. Com algum tempo dedicado à pesquisa, facilmente se encontram aqui grandes blogs... Blogs verdadeiramente dignos desse nome. Blogs que me fazem pensar se não devo acabar com o meu perante tamanha riqueza e desinteresse na exposição...

 

Não vou destacar ninguém em particular, não quero correr o risco de esquecer algum, até porque também não os conheço a todos, longe disso. Contudo, quero elogiar muitos desses anónimos (outros nem tanto) que têm o dom da escrita, do pensamento, que detêm uma opinião bem formada acerca do mundo que os rodeia, que nos fazem rir e que nos fazem pensar. Existem por aí espaços que são de uma riqueza única e que revelam uma dedicação imensa de quem está por detrás. Muitos nem são demasiado penosos na leitura para o cidadão comum, mas conseguem transmitir uma mensagem clara, com sentido (e sem sentido, pois também faz falta) e dotada de conteúdo. Com uma sensibilidade própria e sem adereços fúteis ou até mesmo discursos construídos, sem lugares comuns, sem serem o prolongamento de uma rede social (ou individual), sem serem estupidificantes... Sem mais do mesmo.

 

Muitos nem os sigo, gosto de ir à procura, de sentir vontade de ir ler e de aprender, chorar ou simplesmente rir. São blogs que nos acrescentam algo, são blogs que não são mais lixo –sem ser em tom pejorativo – que são realidades próprias e que, ao fim do dia, nos dão e fazem acumular um pouco mais de conhecimento e boas emoções. Muitos nem são um verdadeiro tesouro, mas a partilha e a interacção daqueles que os criam, sobretudo nos comentários, são de um valor imenso.

 

Tenho ouvido dizer que em Portugal temos uma maioria silenciosa, os verdadeiros e bons portugueses, os portugueses que estão calados... Os portugueses que não fazem ruído... Talvez por aqui também exista um pouco dessa realidade, no fundo, uma consciência "Nietzschiana" de que existem mais ídolos de que realidades.

 

Para todos esses que andam por aí escrever, que fazem da nossa língua, do nosso pensamento, das nossas vivências e opiniões algo de útil: o meu muito obrigado. E, se por mero acaso, alguns se sentirem esquecidos, lembrem-se que “os grandes actos da vida nunca devem ter público”, já o dizia Vergílio Ferreira no seu “Em Nome da Terra”.

 

 

 

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