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IMG_4430.jpgImagens: Robinson Kanes

 

Depois de duas tranquilas caminhadas em Bruges e Ghent segue-se uma cidade mais cosmopolita, mais conhecida, e muito provavelmente, menos apetecível: Bruxelas. 

 

Bruxelas não é a mais bela capital do mundo, mas é uma das mais cosmopolitas e com maior diversidade! Também não me irei debruçar a falar do "Atomium", além de que acho inconcebível pagar-se mais para conhecer este monumento do que para visitar alguns dos mais importantes museus do Mundo. Também não é a Bruxelas onde o chocolate belga e os mexilhões são mais caros que merece a minha atenção... Até porque, perdoem-me a costela mais provinciana, mexilhões é por terras lusas. Perdoem-me também que deixe de parte o "Manneken Pis", um dos locais mais overated do turismo europeu. Se tivesse que escolher, muito provavelmente, até optaria mais pelo "Het Zinneke", o famoso cão que não se inibe de urinar à vista de todos.

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Mas caminhemos pela "Grand Place", talvez a grande atracção da cidade, completamente cheia de turistas, muitas vezes em contraste com as ruas limítrofes. A beleza é de facto única, embora tenha sempre a sensação (e não foram poucas as vezes que andei por Bruxelas) que é mais pequena do que nas fotografias, um pouco como a Praça de São Pedro. Não é de todo aqui que se sente o pulsar da Europa, mas também não se pode dizer que não a uma cerveja ou aos waffles que em alguns recantos são bem agradáveis, aliás, por lá os meus favoritos são os gofres.

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No entanto, há dois pontos de Bruxelas que me encantam! Não são os edifícios das instituições europeias mas sim os vitrais da Catedral de Bruxelas (Cathédrale de Sts Michel et Gudule, ou em flamengo St-Michiels en St-Goedelekathedraal"), bem perto da "Grand Place" e cuja construção começou em 1226 e teve o seu "culminar" já no reinado de Carlos V.

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Além das estátuas dos apóstolos que se encontram nas colunas da nave central, nada como perceber alguma presença portuguesa nos vitrais - os mais bonitos e genuínos da catedral segundo uma das funcionárias do espaço. Podemos encontrar nestes vitrais a presença das armas portuguesas e a figura de D. João III e D. Catarina - a irmã de Carlos V.

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Na verdade, também Carlos V era casado com a irmã de um outro monarca, D. Isabel, irmã do já citado D. João III. D. Isabel era prima de Carlos V. Como o interesse nesta matéria foi grande, acabei por encontrar alguma bibliografia e alguns websites, pelo que, quem quiser começar pode sempre fazê-lo de uma forma mais leve com um "amador" no Crow Canion Journal - antes de entrar em pormenores cientificos, pode ser a leitura ideal.

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Outro apontamento menos conhecido de Bruxelas está também perto da "Grand Place", perdido perto da estação central e junto de um dos parques de estacionamento que rodeiam a mesma: falo da estátua de Béla Bartók... Béla Bartók, o compositor húngaro que faleceu em Nova Iorque e só anos mais tarde encontrou o descanso eterno ao lado da esposa, em Budapeste... A história de Bartók ainda hoje é das mais interessantes, sobretudo se tivermos em conta que em vida não foi assim tão reconhecido ao ponto de apenas ter 10 pessoas no seu funeral. Bartók, para os mais incautos, foi um dos responsáveis pelo estabelecimento da etnomusicologia, embora as origens da mesma já tenham sido anteriores a Bartók.

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Ablakomba... Ablakomba... E bom fim de semana...

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Ghent, Gand, Gent... Não Interessa o Nome!

por Robinson Kanes, em 23.01.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

Deixemos Bruges e façamos cerca de 50 quilómetros até outra cidade, menos divulgada mas, em meu entender, ainda mais agradável que a anterior. Falo de Gent, uma daquelas cidades que é tão bonita de inverno como de Verão - apesar de tudo, o calor faz das suas e as áreas junto ao rio enchem-se de habitantes que o aproveitam para apreciar uma cerveja ou uma outra qualquer bebida. Já conheci a Gent mais escura e a Gent mais soalheira, ambas não desiludem.

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Uma das formas mais surpreendentes de iniciar uma visita à cidade é começar pelas imediações - seguir o rio até ao centro é uma das mais belas surpresas que se podem ter, um pouco como já senti em Aachen (mas sem o rio). Chegar à noite e entrar madrugada adentro na Abacho 2K18 é também uma boa opção - ABACHO 2K18, a discoteca silenciosa! Bem... Não é silenciosa, somos é convidados a utilizar headphones onde podemos escolher a música que queremos ouvir e assim personalizar a mesma! Demasiado individualista? Nem por isso, os headphones adquirem diferentes cores consoante o canal que se ouve, ou seja, conseguimos saber quem é que está a ouvir a mesma música que nós! Devo dizer que ao início estranha-se mas depois é uma experiência daquelas...

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Começar o dia em Gent é simples... Nada como conhecer o centro da cidade logo pelo Graslei e pelo Korenlei, as duas margens do rio. Dá para voltar atrás no tempo e imaginar a azáfama típica do comércio na Flandres, um pouco aquela sensação que também temos em Amesterdão, por exemplo. As fachadas são tipicamente flamengas e o movimento de gente nas ruas, contrastando com o resto da cidade, dá uma ajuda. Confesso que as viagens de barco ao longo do rio se dispensam, aqui o caminho a pé é, sem dúvida, a melhor opção! Se tiverem em conta que no século XII a cidade banhada pelo "Leie/Lys" era só a quarta maior cidade da Europa, também vão ter uma grande surpresa.

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Gent é também conhecida pelo Belfry, Património da Humanidade, e que encerra o dragão que zela pela vigilância não só da torre mas também da cidade! Escutar o seu carrilhão é também algo singular, bem como a escalada ao topo, todavia, gosto de ver a cidade de Gent com a sua fila de três torres, algo que não posso assistir se subir ao Belfry.

Continuando pelo património histórico, nada como passar pela Sint-Baafskathedraal (Catedral de São Bavão), o exemplo da rebeldia de Gent porque, ao longo da história, foi sofrendo diferentes intervenções, um pouco de acordo com as tendências e desejos da época, no entanto... A grande mais-valia deste espaço, como não poderia deixar de ser é a tela da "Adoração do Cordeiro Místico" de Jan Van Eyck! Quase que Gent merece uma visita só por esta obra! Seguindo a rota pelos templos católicos, não podemos esquecer a igreja de "Sint-Niklaaskerk/São Nicolau" um exemplo de gótico e com uma torre bastante peculiar, nomeadamente na sua localização em relação à planta do edifício.

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E porque o tempo escasseia, a pressa não nos deve deixar perder o Castelo de Gravensteen, mandado construir por Filipe da Alsácia e que além de ser conhecido pela sua história de horror e tortura foi também um símbolo de poder sendo hoje um local de espectáculos e festividades! Aliás, a celebração de casamentos naquele espaço é comum.

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E despedimo-nos já de Gent? Nem por isso... Apesar da comida não ser a melhor (ainda hoje me faz confusão como é que se pode gostar tanto de batatas fritas - se fosse só em Gent) existem outros atrativos e um deles é um espaço menos divulgado e por isso menos conhecido mas que merece indubitavelmente uma visita: o Museu Dr. Guislain. Um pioneiro psiquiatra, nascido em Gent, com uma abordagem muito diferenciadora acerca das doenças mentais e que fundou este asilo numa lógica de acolher todos aqueles que precisavam de apoio - isto numa época (século XIX) em que as doenças mentais ainda eram olhadas (quando o eram) como obra do diabo. Agora...

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...Peguem numa bicicleta e percorram a cidade! Se tiverem companhia, não se esqueçam de parar na ponte de São Miguel e dar um daqueles beijos apaixonados, apoiados, cada um, nas vossas bicicletas - quando lá chegarem vão perceber...

 

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Brugge... Entre Canais e História...

por Robinson Kanes, em 28.11.18

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Imagens: Robinson Kanes

 

A primeira viagem que fiz de avião foi numa aeronave da Sabena, portanto, já há alguns anos. Nesse dia chuvoso, partia de Lisboa para Bruxelas, mais precisamente para Leuven. Essa primeira viagem, e embora não sendo o melhor apreciador dos países que compõem o Benelux, marcou-me, e claro está, fez com que tivesse um carinho especial por aquele país. Entre as várias viagens que fiz à Bélgica entretanto, parecia-me injusto não lhe dar o devido destaque neste espaço, até porque também tive os meus namoricos belgas, conheci muito boa gente belga, recuso-me a pagar €15 ou mais euros por meia-dúzia de mexilhões, não acho a Stella Artois nada de especial (embora até tenha conhecido a fábrica) e por aí adiante...

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Retomo a Brugge... Não é uma cidade fascinante, no entanto, faz-nos pensar em como é que num local tão pequeno a vibração cultural é tão grande. Faz-nos pensar em como é que se sente o peso da história e entre os pequenos canais podemos passar alguns momentos bem agradáveis. A parte nova, é a imagem típica de cidade flamenga "moderna", mas no centro histórico, podemos encontrar algum património bem interessante que pode ser conhecido a pé ou através dos passeios nos canais. Já não recomendo os passeios de carruagem, ninguém que goste de cavalos pode tolerar tal sofrimento inútil.

IMG_4115.jpgO ideal é começar o dia no "Books & Brunch", nada como um pitéu num local rodeado de livros para iniciar uma visita e assim compensar o tempo que poderemos não ter para almoçar. Seguidamente, nada como apimentar esta sedução intelectual com uma visita ao "Groeningemuseum", um local ideal e a não perder para quem adora pintura flamenga, aliás, Jan van Eyck (que até tem por lá a sua estátua - morreu nesta cidade em 1441) e Van den Berghe estão por lá. 

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A pintura e a escultura também estão patentes numa visita obrigatória à "Igreja de Nossa Senhora" e ao seu museu, o "Onze-Lieve-Vrouwekerk" oferece, entre muitas obras, a oportunidade de admirar "A Virgem com o Menino" de Miguel Ângelo.

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Brugge, para um turista, é um local bastante económico - é nas ruas e caminhando por entre os canais que conhecemos a cidade, entrando nas Igrejas e até o famoso carrilhão.

IMG_4128.JPGEstamos numa cidade, contudo, com uma imensa oferta cultural e que para amantes de teatro, música clássica e tantas outras artes, pode ser, sem dúvida uma mais-valia, aliás, é para mim o grande ponto alto de uma visita à cidade, um pouco como Hamburgo na Alemanha, que não sendo uma cidade bonita e atraente, é bastante apetecível em termos de acontecimentos culturais.

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Finalmente uma nota para as importantes questões ambientais. Na última visita a esta cidade, fica a memória de que um destes dias, podemos assistir a uma baleia como a da imagem acima a invadir os nossos mares... Não pensamos muito nisto, mas um dia vamos mesmo ter de fazê-lo, e não é quando a vida destes e de outros animais estiver em risco, no nosso egoísmo incorrigível, vai ser mesmo no dia em que a nós próprios estivermos em risco.

 

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