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Car Audio é Coisa do Passado...

por Robinson Kanes, em 25.10.18

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 Créditos: http://www.caraudioclassifieds.org/forum/general-car-audio-discussion-questions/130399-show-me-stupid.html

 

 

Enquanto a política por cá é ignorada mas todos estamos mais preocupados com o Brasil, eu confesso que aquilo que me tem chamado mais à atenção é uma das invenções que mais alegrias tem dado aos portugueses! 

 

Sim, essa grande invenção que é a sincronização do telemóvel com o computador de bordo dos veículos e consequentemente a oportunidade que nos dá a todos de ter a sensação que os carros falam. O "Justiceiro" já é coisa do passado.

 

Em casa e na rua, não é raro o dia em que nos deparamos com os carros falantes e com a confirmação de que a saúde auditiva dos portugueses deixa muito a desejar. Já ouvi falar de indivíduos que deixam o parceiro(a) em casa e vão para o carro falar com os amigos! Isto enquanto o vociferar do outro lado ecoa pelo bairro inteiro e todos ficamos a saber que o "Fernando" é uma besta que anda a dizer mal da "Tânia" que é outra besta que anda metida com o "Frederico" mesmo sendo casada com o "Alves" que, por sinal, anda metido em negócios escuros com o "Luís". Luis esse que só tem trabalho lá na empresa porque é lambe botas do chefe e também anda metido com a "Marina" que é uma pandorca desbocada que só quer é discotecas.

 

Chego também à conclusão, e já o referi, que realmente os portugueses andam surdos! Não vejo outra razão para um som tão alto! Nada melhor que, estar parado na 2ª Circular, ter sintonizada a rádio Orbital com um ruído para lá do recomendado e mesmo assim ouvir o "Soares" a dizer ao "Reis" que está quase a chegar e portanto que esperem por ele para tomar o café antes de começarem a trabalhar.

 

Eu sei que para mais de metade da população da lusitânia, falar ao telemóvel (de preferência caro) é sinal de status, mas cuidado... A concorrência daqueles que falam dentro do carro em alta voz promete arrasar com aquele que circula airosamente pela rua a falar de coisas mundanas ou de trabalho, como se desfilasse numa passerele. Se a moda pega vamos juntar duas coisas fatais cá da terra: aquele que tem o melhor carro com aquele que tem o melhor alta voz incorporado e aí... Bem, aí serão noites sem dormir com indivíduos fechados em caixas compradas a crédito a ver quem tem o melhor carro e o melhor áudio de telemóvel.

 

Malta do "tuning" e "car audio", do grande "subwofer" na mala do carro, do rádio Alpine, dos néons e do "untz untz untz"... Vocês estão ultrapassados. O novo terror dos suburbanos que querem uma noite tranquila chegou e está preparado para vos destronar... Ainda vou ver corridas na ponte Vasco da Gama ou nos "Chouriços" de indivíduos de bem, casados e com filhos, por norma com carrinhas ou SUV e que tentam ver quem chega primeiro enquanto estabelecem contactos com o maior número possível de pessoas.

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Rent-a-Car... Cuidados a ter...

por Robinson Kanes, em 28.03.18

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Fonte da Imagem: https://www.scamalert.sg

 

É com alguma frequência que me desloco a Itália, e de facto, existem situações que já não encaramos como mero turista em lazer ou negócios que se desloca a primeira ou a segunda vez a um país e tem uma má experiência, uma situação isolada. Esta situação é comum em muitos países, no entanto, nunca tive problemas com rent-a-car, sobretudo na União Europeia mas... em Itália, é sempre um dilema. Aí, o maior padrão está em algumas situações que são de extrema fraude, que toda a gente sabe que existem mas que parecem não ter eco no respectivo país.

 

Também não fosse já ter conhecido excelentes profissionais nesta área, seria obrigado a dizer que um dos requisitos é a falta de educação, o total desinteresse, e em alguns casos, a brutalidade com que os clientes são tratados. Se existe indústria que só utilizo porque tem mesmo de ser, é esta!

 

Em Itália, não são raras as vezes em que os carros são entregues sem serem vistoriados! Aqui, sugiro que vistoriem sempre os carros no interior e no exterior, aquando do levantamento – inclusive jantes e pára-choques por baixo! Procurem, inclusive, pelo pneu suplente, triângulo de sinalização, correntes de neve (se incluídas ou obrigatórias) e até os coletes! Tirem fotografias e chamem alguém, se necessário, para sinalizar essa situação. Os problemas que vão ter no acto da entrega começam logo por aí, sobretudo se a entrega for feita num aeroporto, onde são muitas as companhias que jogam com a “pressa” dos clientes.

 

E é aqui, à entrega, que podemos ter todo o tipo de problemas, desde férias estragadas até problemas com a vossa empresa. Um dos problemas/situações mais comuns são as “amolgadelas” por baixo do carro, junto às cavas das rodas. Não são raras as situações em que vos é entregue um carro com essas zonas sujas, ocultando assim riscos nas jantes e amolgadelas por baixo! Em muitas situações, vão perceber que, indivíduos menos treinados na arte da fraude, vão directamente a esses locais – vão logo visualizar por baixo do carro algo quase invisível, por vezes, quando nem viram o resto do automóvel.

 

Alguns colegas já me informaram – e também tive oportunidade de pesquisar na internet – que muitos destes danos na carroçaria são propositadamente provocados com o chamado “macaco”, o elevador do carro em caso de furo. Desta forma, um simples aluguer pode custar-vos uma autêntica fortuna. Deste modo, o ideal será seguir alguns destes conselhos:

 

  • Verifiquem sempre a viatura antes de levantar a mesma – pneus, jantes, carroçaria exterior (inclusive por baixo) pára-choques, faróis, vidros, antena, cavas das rodas, interior (estofos, bagageira, porta-luvas, por baixo dos bancos).

  • Tirem fotografias e, se possível, datem-nas.

  • Cuidado com a luz – pela noite é mais difícil encontrar danos, mesmo quando sob iluminação, por causa dos reflexos – o mesmo acontece quando está muito sol.

  • Se possível, tentem alugar em companhias multinacionais – poderão não ter sorte, mas a abordagem é diferente, e além disso, têm mais escritórios, inclusive em Portugal, onde podem apoiar-vos na resolução de eventuais problemas. As multinacionais têm também políticas de apoio ao cliente mais desenvolvidas.

  • Em caso de fraude, chamem sempre a polícia e envolvam as autoridades competentes para este tipo de situações.

  • Leiam com muita atenção tudo o que assinam – aqui é importante fazer o trabalho de casa.

  • Leiam os documentos de entrega da viatura e não assinem nada sem ler com atenção, mesmo que vos digam que os valores, apesar do suposto dano, não vão ser cobrados sem o vosso consentimento – muitos destes documentos escondem nas entrelinhas que assumem o dano.

  • O condutor também causa danos, o ideal é sempre ter um seguro completo, contra todos os riscos – isso evita muitos problemas.

  • Existem empresas que aplicam custos quando não adquirimos o seguro directamente com as mesmas, cuidado com estas situações.

  • Apelando ao bom senso, se sentirem que poderão estar a ser alvo de uma fraude, contactem imediatamente o V/banco e apresentem uma reclamação ou cancelem quaisquer débitos no cartão de crédito.

  • Levem sempre a documentação solicitada – cartões de débito raramente são aceites e o cartão de crédito tem de estar no nome do condutor principal.

 

Todo o cuidado é pouco, sobretudo em países onde este tipo de práticas é comum e que acabam por manchar a imagem de toda uma indústria.

 

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Carta ao Assaltante do Meu Carro...

por Robinson Kanes, em 08.08.17

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 Fonte da Imagem: http://pirinsko.com/apashi-zadignaha-bmv-ot-blagoevgradskiq-kvstrumsko-32475.html

 

Exmo. Sr. Assaltante do Peugeot cinzento que ontem, dia 07 de Agosto de 2017, estava estacionado em frente ao futuro terminal de cruzeiros de Lisboa,

 

Antes de mais, permita-me dizer-lhe que nunca pensei que alguém levasse tão à letra o velho ditado popular que diz "ladrão que rouba ladrão, 100 anos de perdão"! No entanto, apesar do meu carro se encontrar em frente à Autoridade Tributária não significa que tenha de trabalhar na mesma - acho que fez um erro de cálculo e o perdão divino não virá.

 

Queria também agradecer-lhe o facto de não ter danificado a viatura e o cuidado com que retirou o cinzeiro traseiro sem partir! Sabia que só aquela "caixinha" é coisa para custar mais de 50 euros? Eu nunca o retirei com medo de partir! Fico-lhe grato pelo cuidado, bem como por ter revelado algum cuidado em não colocar os pés em cima dos estofos. Não partiu vidros, permita-me que lhe "tire o meu chapéu" ao ter-me poupado a essa despesa. Terei isso em conta se algum dia o vir e tiver de decidir entre uma manobra de "mata-leão" ou um corte a la Palaçoulo.

 

No entanto, queria dizer-lhe algumas coisas: porque raio é que andou no porta bagagens a remexer na capa protectora e não levou sequer o "macaco"? Se levou os coletes levava o macaco, certo? Lamento também que o meu "macaco" de 42kg não estivesse lá, como até é hábito... Acredito que a história não acabaria bem... Para o seu lado...

 

Agradeço-lhe também pelo facto de ter aberto o porta-luvas com cuidado, mas diga-me: porque é que não voltou a colocar tudo no sítio? Olhe que não foi fácil apanhar o livro das revisões e as chaves que por lá andavam. Eu sei que no meu carro sou muito minimalista e não tenho lá nada, mas não era preciso ficar zangado! Para a próxima deixo lá uma Bola de Berlim e uma garrafinha de Ucal bem fresca.

 

Denotei que levou um crucifixo e uma pequena cruz: pode devolver-me? Não sou um indivíduo dado à religião, mas para a minha mãe é fundamental que eu tenha esses haveres no porta-luvas, aliás, foi ela que me deu e quando descobrir que alguém me roubou, prepare-se para Alfama ficar virada do avesso até ela lhe arrancar a pele! Uma nota: não tente vender aquilo porque não é prata, parece mas não é, são bugigangas religiosas compradas em Fátima. Além disso, a rede de contactos da minha mãe vai de Lisboa até Vladivostok passando pelo Mali - mal saiba que andam a vender as bugigangas de Fátima que roubaram ao filho, acredite em mim, fuja...

 

Outra questão: tem noção que me levou um pack de 8 CD's de música clássica? Não me responsabilizo se a sua pessoa aparecer a boiar no Tejo encostada a algum rebocador ou coberta de alforrecas naquela pequena enseada no Poço do Bispo, onde costumam andar os pescadores. As bugigangas de Fátima ainda tolero, agora aquele pack é que não! Por falar nisso, contacte-me porque levou a caixa com a banda sonora do filme "Black Hawk Down", mas o CD ficou no leitor, não vai ser fácil vender a mesma lá para os lados do Panteão.

 

Uma outra questão, se me é permitido: a "árvore mágica"? A minha até estava escondida debaixo dos bancos... Mas porque é que alguém rouba uma "árvore mágica"? Ainda por cima com cheiro a baunilha!

 

No final disto tudo, contudo, você deu-me uma grande lição: mais vale ser um indivíduo a roubar que um indivíduo a trabalhar, pois o carro encontrava-se ali estacionado porque eu tinha ido a uma entrevista de emprego, com o objectivo de... Trabalhar! Talvez não saiba o que isso é e até os impostos do meu trabalho o sustentem, pelo que sugiro um assalto a uma livraria e o roubo de um dicionário de português.  Gabo-lhe contudo, o nicho de mercado, pois não fosse a minha insistência, nem um relatório de ocorrência existia - empreendor o seu acto ao descobrir que a Teoria das Janelas Partidas ainda é escondida nas gavetas - afinal são os pequenos delitos, que por serem pequenos se repetem ad aeternum. Também nunca percebi porque é que o plano Giuliani não foi tido em conta por Portugal...

 

Se eu passar na entrevista vamos os dois tomar um copo ao Jardim do Tabaco e quem sabe não possamos colocar em prática a Teoria das Janelas Partidas nas águas do Tejo, nunca se sabe se pode vir a ser um passageiro clandestino das correntes do Bugio... Ou sempre posso dizer ao mundo que você andou a roubar "árvores mágicas", que vergonha, se ainda fossem cogumelos...

 

Com os Melhores Cumprimentos,

 

Robinson Kanes 

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