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Das Dívidas Perdoadas...

por Robinson Kanes, em 14.10.19

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Créditos:https://www.thoughtco.com/al-capone-1779788

 

Como tantos outros animais, temos de uma necessidade muitas vezes desesperada de nos adequar, pertencer e obedecer. Tal conformidade pode ser marcadamente prejudicial, pois negligenciamos soluções melhores em nome da loucura da multidão. Quando nos damos conta que estamos fora da sintonia com o resto do grupo, as nossas amígdalas contraem-se de ansiedade, as memórias são revistas e as regiões de processamento sensorial são inclusive pressionadas a experimentar o que não é verdadeiro. Tudo para nos encaixar.

Robert Sapolsky, in "Comportamento"

 

 

Muitos são aqueles que argumentam que somos um país de gente boa, de brandos costumes e perdolários do próximo. Da minha experiência como ser humano e português, uma coisa eu sei: um português nunca se esquece de alguma que lhe fizeram e à mínima oportunidade lá estará ao ataque. O português quando perdoa é porque tem um interesse óbvio nesse perdão.

 

Tudo isto a propósito dos perdões sucessivos dos bancos públicos (Novo Banco e Caixa Geral de Depósitos) a determinados indivíduos e entidades da nossa praça. Que os privados o façam, ainda posso compreender, não é o nosso dinheiro - a não ser que as injecções de capital público (de todos nós) não sejam utilizadas para esse efeito. 

 

Percebo também porque tal é feito, de facto até percebo, mas convenhamos que para o comum cidadão -  aquele que é perseguido pelos bancos públicos por não conseguir pagar os míseros €5000 que deve e que até pagaram os seus estudos - perdoar milhões atrás de milhões a empresas que muitas vezes se gabam na comunicação social e redes sociais de fecharem negócios e até de estarem a crescer é, no mínimo, cruel. Podemos falar das empresas, muitas delas detidas por indivíduos com filiações partidárias que viram muitas das suas dívidas perdoadas e claro, como não poderia deixar de ser, dos grandes clubes de futebol.

 

É vergonhoso, para não dizer criminoso, que os bancos públicos perdoem milhões aos clubes de futebol (o Sporting Clube de Portugal foi o mais recente caso) e ninguém esteja interessado em perceber o porquê! Onde andam os comentadores da praça? Onde andam as entidades que deveriam olhar para estes factos? Onde anda o jornalismo sério? Onde andam os  fanáticos da bola? Ondem andam os partidos da esquerda? Onde andam os pequenos partidos que dizem que é hora de mudar?

 

Que o futebol em Portugal é uma instituição/religião todos sabemos, que corrompe a política e é um jogo de interesses, também todos sabemos, mas perdoar dívidas astronómicas a clubes que pagam milhões em salários a um só jogador, que não abdicam do luxo e da ostentação e que não abdicam de compras e vendas de mais milhões é, no mínimo, gozar com a cara de todos aqueles que todos os dias laboram para que a sua empresa não feche por falta de pagamentos. É criminoso que uma empresa produtiva e com reais impactes na economia feche porque não consegue pagar aos bancos ou ao fisco, mas é perfeitamente aceitável que um ou vários clubes de futebol continuem a receber dinheiro do Estado, a ter perdão de dívidas e mais um sem número de regalias que incluem muitas isenções fiscais!

 

E mais uma vez, censuramos o vizinho caloteiro que deve €10.000 e não paga, censuramos o gestor que até recebe pelos bons resultados, mas aceitamos de bom grado e até aplaudimos nos estádios e no sofá aqueles que todos os dias nos enganam e nos retiram dinheiro do bolso. 

 

Até podem acusar este discurso de ter o seu quê de populista, mas ver as tribunas de honra apetrechadas de políticos e responsáveis públicos desde as mais altas instâncias até aos lambe-botas locais, ver ministros e presidentes a mendigarem bilhetes para a bola é esclarecedor do estado criminoso em que algumas instâncias se movem, mas isso não é populismo, dizem que é dever de Estado.

 

Em Portugal, para se ser imune à lei e agir como um perfeito Al Capone, basta estar ligado ao futebol... Sobretudo aos grandes clubes da praça! E aqui temos uma vantagem, é que nem os "Eliot Ness" têm poder para acabar com o estado das coisas, ao contrário do que acontecia na Chicago da década de 30 do século passado.

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Aprendam! Eles não duram sempre!

por Robinson Kanes, em 27.09.19

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Imagem: Petr David Josek / AP

 

Não é absolutamente necessário voar e entrar pelo sol adentro, basta rastejar até um lugarzinho limpo nesta terra onde de vez em quando o sol brilha e nós nos podemos aquecer.

Franz Kafka, in "Carta ao Pai".

 

Não resisti, por isso aprendam... Eles não duram sempre e mostram que ainda existem Homens com "H" grande...

 

Agora sim... Até breve!

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Sem Palavras...

por Robinson Kanes, em 28.08.19

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Imagemhttps://www.ilsole24ore.com/art/il-vino-veleno-stalin-AELELqY

 

(Seguindo o mote do Pedro e talvez pensando seriamente em fazer as malas para um país mais democrático, talvez a Somália ou a Guiné Equatorial, sempre me sinto mais seguro).

 

Mais informação aqui

 

E esta em Inglaterra?

 

P.S.: e eu que abomino sindicatos...

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A crise que está a caminho...

por Robinson Kanes, em 27.08.19

What should startups do when they encounter a cris

Créditos: http://elitebusinessmagazine.co.uk/sales-marketing/item/what-should-startups-do-when-they-encounter-a-crisis

 

Andamos todos a gastar que nem doidos, pouco interessados (mais uma vez) na produtividade porque, mal ou bem, o consumo exagerado e o dinheiro que vai chegando da União Europeia e outros expedientes vão segurando a economia (os expedientes vão deturpando). Contudo, depois do efeito devastador da última crise a próxima pode ser ainda pior, sobretudo porque novos actores estão mais activos quer em termos políticos quer em termos ambientais e sociais.

 

O mundo de há 10 anos não estava tão ameaçado por guerras comerciais e bélicas e os problemas ambientais eram menores (embora a tendência fosse de aumento). Também a diplomacia estava menos tensa e os próprios media tinham menos poder de monopolização e distorção da informação: mais do que nunca, hoje é possível desencadear uma guerra só com uma ou duas "fake news". As massas nunca estiveram tão apáticas e a inteligência artificial (IA) ainda estava muito longe (pelo menos para o público em geral, porque a mesma já existe há muito, a capacidade de operar e monitorizar é que era muito fraca). Também a questão das migrações é um problema global que continua a não ser combatido na origem. Estamos perante um tema cuja defesa se dá sob a capa do politicamente correcto e a servir de palco para alguns actores mostrarem quão caridosos são.

 

Pelo mundo, a produção industrial está a abrandar, as trocas estão a cair e as maiores economias começam também a dar sinais de  abrandamento. As soluções de há 10 anos podem também não resultar, afinal as taxas de juro estão mais baixas que nunca e as divídas soberanas mais altas. Por cá, o normal, continuamos a gastar e António Costa até brinca quando se fala de divída externa - continuamos a gastar, e a esquecer que tudo se paga. A Moody's já avisou que a tendência de decrescimento vai ser o normal nos próximos três/quatro anos. A acompanhar este pessimismo temos também a OCDE e o FMI a reverem os números. Além disso também é importante termos em conta que a injecção de dinheiro fácil na União Europeia e Japão algum dia tem de terminar.

 

Juntem a tudo isto uma China a crescer menos, a crise com os impostos comerciais, o Brexit (que ninguém sabe como vai acabar/começar) e temos o caos montado, sobretudo com uma Europa que não cresce: vejam o primeiro semestre e uma Alemanha com fortes hipóteses de entrar em recessão - a crise dos motores a Diesel ainda está a provocar muitas baixas.

 

Outra realidade é o facto das empresas estarem a controlar investimentos (a guerra comercial assusta quando se fala de investimentos no exterior e a expectativa de uma crise também). Temos também o dilema de que a teoria do crescimento tem de sofrer uma nova abordagem na medida em que os recursos nunca foram tão escassos face às necessidades de um mundo que não quer parar de crescer e consumir, sobretudo nos países mais industrializados. Temos de repensar os pilares económicos, sociais, humanos e ambientais sob pena de estarmos a entrar em colapso iminente. É fundamental desenvolvermo-nos e garantir a sustentabilidade económica sem crescimento desenfreado.

 

É necessário que a comunidade como um todo se mobilize, a cidadania se mostre, se encontrem novas formas de governar - lá por fora já vai falando do localism , por cá, fala-se pouco e porque é um conceito giro. Não pensamos em como vamos gerir todos os desafios, pensamos no agora quando o amanhã é isso mesmo, já amanhã ou até daqui a umas horas.

 

Quero também deixar uma nota para a questão do emprego. Não sou um pessimista em relação a todo um mundo que é a IA, mas é importante estarmos preparados e começarmos a discutir tudo aquilo que aí vem. Por incrível que pareça, a chegada em força da IA vai-nos tornar mais humanos e provocar essa necessidade no mercado de trabalho, temos sim, de estar preparados para tal. Nos países onde a veia humana e a criatividade são combatidas, podemos ter um grande problema - Portugal é um deles.

 

Também por cá as coisas também não têm tudo para correr pelo melhor, nem sempre sabemos administrar os fundos, não nos desenvolvemos assim tão bem (estamos a reboque de outros actores) e continuamos a viver com meia-dúzia de empresas que vão suportando o tecido económico e empresarial e até aniquilindo demais concorrentes. Acreditamos no Turismo e com isso justificamos todos os atropelos e mais alguns - as consequências não tardarão. O Estado continua a gastar e a adiar a sua própria reforma a troco de votos dos funcionários públicos - por isso talvez nunca falte dinheiro para "luxos" mas falte para ambulâncias.

 

A cimeira do G7 em Biarritz e sobretudo aquela (menos badalada, mas quiça mais importante) que teve lugar no Wyoming não acontecem por acaso. E se existem muitas soluções que podem ser colocadas on track, o intuito deste texto é demonstrar que o diabo (como ficou convencionado chamar a estes acontecimentos) talvez não se tenha ido embora e ande por aí à procura de uma oportunidade - porque o diabo são todos aqueles que não aprendem com o passado e que não se preparam para o futuro. 

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O Estuário do Tejo...

por Robinson Kanes, em 09.08.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

O Estuário do Tejo... A Reserva Natural do Estuário do Tejo, esse espaço em vias de extinção, uma extinção há muito anunciada, ou não fosse o estado de abandono da mesma por parte das autoridades nacionais. Tanto se fala da preocupação com o ambiente, mas é mesmo às portas da (e na própria) capital que se assiste ao apagar de um património que, depois de destruído, será irrecuperável. O "senhor Ryanair" é que já deve estar muito satisfeito e a preparar a sua espingarda para começar a caçada aos pássaros.

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Mas o que está em risco? O que é que podemos perder com o novo aeroporto e a construção desmedida que está a tomar conta desta zona que, supostamente, deveria ser protegida? Onde estão os ambientalistas? Onde estão os partidos da natureza? Onde está a promessa de cuidar do ambiente e do nosso património único? Já deixaram que os incêndios destruissem o nosso país, permitiram que industriais sem escrúpulos destruissem os nossos rios, só falta acabarem com este estuário!

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Quem toma conta desta espécie que, por sinal, é protegida - a Garça Real (Ardea cinerea)?

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E esta "passarada"? Vamos destruir umas das principais rotas migratórias do Mundo? Este é um espectáculo singular na Primavera e no Outuno que vai deixar de existir!

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E o corvo-marinho (Phalacrocorax carbo), o terror do peixe na maré baixa. Quando em bando é um espectáculo digno de ser ver nas margens do Tejo. Um autêntico ataque aéreo digno de registo!

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E os flamingos do Tejo (Phoenicopterus roseus) os autóctenes e os migratórios? Andamos todos vestidos à flamingos, com bóias e vestidos pirosos mas ignoramos a sua destruição? Mas que apropriação é esta ou já encaramos os mesmos como mera peça de decoração?

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Será que uns voos mais baratos valem a destruição de todo este espaço? Valem a construção de mais uma infraestrutura gigante, de mais uma ponte e de todo um desastre ambiental sem precedentes? E quem estamos a satisfazer a pretexto do desenvolvimento do país? Os interesses da AHRESP? Dos novos empresários do turismo que desconhecem o conceito de turismo sustentável? De políticos que nunca responderam por estes crimes? Temos um aeroporto em Beja a apanhar pó! 

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Já percebemos que o Governo actual (e muitos dos anteriores) falharam em toda a medida na defesa dos interesses do cidadão comum e do país... Por quanto tempo mais vamos deixar que estes crimes continuem sem pelo menos lutarmos por aquilo que é nosso para sempre e não somente por legislaturas de 4 anos? E porque não estamos também a ter em conta a subida no nível dos mares e os impactes que isso terá numa zona como aquela onde querem localizar o novo aeroporto?

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Defendam o pouco que ainda resta de bom no vosso país! 

 

P.S.: há pouco mais dois dias, um avião da United aterrou de emergência devido ao embate com uma ave. A situação ocorreu no Aeroporto Francisco Sá Carneiro. Imaginem no Montijo (que não é só Montijo, é o Seixal, Barreiro, Almada, Lisboa, Loures, Vila Franca de Xira, Palmela, Moita, Benavente, Alcochete - e isto são apenas sedes de concelho).

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its-always-sit-peter-steine.jpgCréditos: https://condenaststore.com/featured/its-always-sit-peter-steiner.html

 

Defende-se uma doutrina com a mesma tenacidade e idêntica paixão que se procura preservar esta contra a aniquilação ou uma perspectiva comprovada ou o saber de uma  cultura antiga depurada mediante a sua selecção. Quem não está de acordo com tal opinião, sofrerá a sua parte, pois será estigmatizado como herege, será caluniado, e se possível será desacreditado, em suma, descarregar-se-á sobre ele a reacção altamente especializada do «mobbing», do ódio social.

Korand Lorenz, in  "Os Oito Pecados Mortais da Civilização".

 

 

Confesso que esta semana tinha em mente continuar com uma escrita mais polite, digamos assim. O lado bom é que não se arranjam inimigos e inimizades na gestão, no entanto...

 

No entanto, já começa a ser exagerado esta preocupação com o que se passa no Brasil e nos Estados Unidos da América (EUA), como se o que estivesse a acontecer em ambos os países fosse alguma espécie de novidade (basta um pestanejar fora de contexto e temos o caos montado) - e contra mim falo que ligo mais ao que se passa lá fora do que às pequenas coisas que por cá ocorrem, já que às grandes, todos passam ao lado.

 

Mas enquanto andamos a criticar a polícia montada nos EUA que prende um indivíduo e o leva atado a uma corda para a esquadra deixamos que o Governo vigente e o presidente cool de Portugal continuem a defender a existência de portugueses de primeira e de segunda (e em alguns casos de terceira). Preferimos lamentar um atentado (e bem) mas não deixamos a toalha de praia enquanto o país arde! Terrorismo é invadir uma academia de futebol, incendiar um país é um lapso, invadir supermercados e esquadras de polícia são crimes menores. Terrorismo é termos um primeiro-ministro que não se mostra para não prejudicar a imagem e envia o Ministro da Propaganda Iraquiano, Augusto Santos Silva, o porta-voz de todos os Governos PS dos últimos anos - todos sabemos como Santos Silva se mexe nos media. Importa lembrar que Augusto Santos Silva é Ministro dos Negócios Estrangeiros mas tem tido a palavra em tudo o que é assunto/escandaleira de política nacional. Santos Silva diz "assunto encerrado" e todos os media se calam!

 

Mas voltando ao Texas... É isso, estamos no Texas (ao menos tivessem assistido ao "Walker, O Ranger do Texas") - esta gente urbana vê alguém com um chapéu à cowboy e pensa que o Texas é uma espécie de Namíbia! Até aqui se vê um Portugal a duas velocidades de pensamento. Na Venezuela, na Coreia do Norte, na Rússia ou na China aquele senhor teria sido imediatamente abatido ou transportado com os queixos a bater numa unimog! Trump também se enganou no nome da cidade onde teve lugar recentemente um atentado e é o colapso em Portugal! Pelo menos Trump tem um país daquele tamanho para pensar, por cá, com meia-dúzia de quilómetros, muitos nem sabem onde ficam as principais cidades do interior. Reforço, não sou defensor de Trump...

 

O selfie man demonstra também que ainda não perdeu os tiques corporativistas que traz do Estado Novo e "aumenta" os juízes em 700 euros! Não está mal, afinal também deixou que passassem dois ordenados mínimos, um para funcionários públicos e outro para cidadãos de segunda. Interessante em Marcelo é que aprova e depois condena, uma espécie de assassino da Democracia que dispara o tiro contra a senhora mas depois diz que não é bem assim que as coisas devem ser... Se isto não é populismo ou conivência com uma política podre, não sei o que será! Não esqueçamos que é este mesmo senhor que acha que sabe mais que o Tribunal Constitucional. Um dia admirem-se da ascensão do populismo que tanto temem... Só lhe estão a dar espaço.

 

Marcelo também é especialista em dividir o povo, já o fez em vários episódios e agora está a fazer o mesmo com os motoristas, tentando virar o país contra estes, agora até tem a companhia do raríssimo Vieira da Silva (alguém que num país verdadeiramente democrático já estaria preso!). Já não é a primeira nem a segunda vez que Marcelo o faz, seguindo a tendência do Governo! Que o Governo o faça, até se entende, mas um Presidente da República? É feio, é desonesto, já para não mencionar o contínuo desrespeito pelas polícias (excepto pela GNR, guarda pretoriana do regime) e pelos militares - não tivessem sido estes a destruir o seu sonho de ser Presidente do Conselho antes do 25 de Abril. Marcelo vai sorrindo cinicamente dos portugueses enquanto vai actuando na sombra! Marcelo só não se revolta com algumas figuras públicas com muitos telhados de vidro, com a Igreja, com as rádios e televisões e claro, com a "bola", onde o perdão de impostos e a corrupção é uma coisa aceitável, defendendo inclusive esse atentado (terrorismo político?) com compromissos internacionais. Nem a humilhação na OCDE mudou a atitude deste senhor que se vai comportando como uma espécie de político mexicano comprado pelos cartéis da droga, qual filme americano dos anos 80 sobre estas temáticas.

 

Reafirmo, não percebo a critica ao que se passa no outro lado do Atlântico, ou pelo menos o exagero. Nos EUA, Trump, o alvo perfeito, e Bolsonaro porque uma pseudo-elite brasileira (não todos os brasileiros) que se instalou em Portugal parece monopolizar a opinião em muitos media e até no panorama cultural nacional. No entanto, na Rússia, estamos a assistir à aniquilação da oposição e à tomada de poder no sentido de reactivar a União Soviética: Crimeia e Geórgia que o digam! Silêncio total... É mais fácil falar de encontros nacionalistas e querer uma democracia desde que seja com a minha vontade e lei. Não vejo ninguém a criticar as brigadas anti-fascistas e de extrema-esquerda que desfilam pelas ruas deste país, qual legião hitleriana invertida aquando do 1º de Maio, 25 de Abril e outras tantas manifestações. No entanto, vejo muitos destes criticos a partilharem as democráticas fotos das férias em países autoritários como a Tailândia, China, Vietname, Laos e Emiratos Árabes Unidos!

 

Debate em duas direcções precisa-se... Agora chamem-me o que quiserem, mas recuso ser alguém cuja embriaguez democrática atinge de tal forma o pensamento que o transforma num caos totalitário! Citando um dos grandes heróis de muitos destes senhores, Lenine, cada vez mais "a liberdade é um bem de tal modo precioso que tem de ser controlado", sobretudo face àqueles que a estão a usar para imporem o seu autoritarismo camuflado de bondade. Isto acontece sempre que a política se julga intocável e as pseudo-elites intelectuais julgam ter a desenvoltura mental que o comum dos mortais não consegue atingir!

 

P.S.: Deixo duas questões: Sr. Presidente, alguém em Maio/Junho prometeu o "fim" da corrupção em Julho, já estamos em Agosto? Como comentador profissional e autor dessa promessa, terá algo a dizer? Também prometeu que não se recanditaria se as tragédias dos incêndios se repetissem - em que está  pensar? Monchique, Mação, Vila de Rei e tantas outras tragédias com feridos e mortos, não são tragédias, são meros churrascos? Cuidado, não se faz política com a carne queimada daqueles que foram apanhados pelo desleixo do Estado. E ainda falta Tancos...

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1000.jpegCréditos: AP/Sam Mednick

 

O Sudão do Sul é mais um daqueles países que, pontualmente, tem 20 segundos de atenção nas notícias e pouco importa para todos nós! O "folclore" dos refugiados no Mediterrâneo tem mais impacte, no entanto, esquecemos que a origem não está nas águas deste mar... Está em locais mais longínquos.

 

Num país devastado pela guerra e consequente violência, travam-se guerras "anónimas". São guerras travadas entre guardas armados de metralhadoras automáticas e caçadores furtivos. Os primeiro defendem as reservas da tirania dos segundos e também da invasão humana. Muitos destes guardas são também antigos soldados que combateram na guerra e agora travam uma guerra que já não é civil mas sim contra aqueles que querem destruir uma das, se não a maior, riquezas do Sudão do Sul: os parques nacionais! São seis parque nacionais e 13 reservas de caça (13% do território).

 

Num país onde a guerra matou mais de 400 000 pessoas e cuja paz ainda é recente e frágil, procura-se agora estimular um turismo sustentável e promover o estudo de todos estes espaços - alguns passos já foram dados em relação ao elefantes da floresta e à grande migração dos antílopes, uma das maiores do continente. No entanto, a tarefa não é fácil: a disseminação de armamento e a sede de consumo dos países desenvolvidos são promotores da caça furtiva! Também os recursos são escassos, num país que investe, mesmo assim cerca de seis milhões de dólares na defesa da natureza (é pouco, mesmo assim, mas acredito que bem mais que num país como Portugal - mais rico, por sinal).

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Créditos: AP/Sam Mednick

 

Esta é uma guerra que não pretende dar tréguas - para que se tenha uma ideia, os guardas do parque dormem sempre separados, pois os ataques dos caçadores furtivos a estes são constantes e a garantia de que pelo menos alguns possam sobreviver já é uma conquista! Estes são os verdadeiros guardas da Natureza, ou melhor, os soldados da Natureza que além de lidarem com autênticos guerrilheiros ainda têm de conter o avanço das populações que, com a exploração agricola, vão devastando importantes áreas protegidas. Juntem-se a isto as ameaças de morte e temos um cocktail explosivo!

 

Todavia, entre a crueldade existem sempre focos de esperança. É importante ter em conta que estamos num país em ruinas e no centro de África, mas surgem iniciativas no sentido de mostrar e explicar este valioso património às crianças, de fazer viagens de campo colocando as crianças "em contacto" com os animais - só assim a destruição poderá dar lugar à preservação e criar uma mentalidade de união nacional na defesa daquele que é um património do Sudão do Sul e de todos nós! Também assim, o Sudão do Sul está a investir em futuros soldados da Natureza e também em, quiçá, futuros técnicos de turismo ambiental e sustentável ou até biólogos e investigadores!

 

Com o apoio de entidades estrangeiras mas ainda sem o peso de muitas associações ou ONG (que, não raras vezes, atrasam o processo e não criam empowerment nas populações), podemos ter aqui um exemplo para o mundo. Talvez assim, também possamos ser mais activos na defesa do ambiente no nosso país, até porque andamos preocupados com as políticas ambientais de um país (sempre o mesmo) do outro lado do Atlântico e fechamos os olhos ao que se passa por cá e no resto do mundo.

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A Negra História Repete-se...

por Robinson Kanes, em 22.07.19

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Créditos: https://www.drodd.com/html7/black.html

 

Poderei tornar-me repetitivo, até porque, por aqui, não faltam artigos sobre incêndios, sobre terrorismo (para mim, incêndios com mão criminosa são terrorismo), sobre canalhice, desplante e o "populista selfizismo" da desgraça.

 

Depois do ano de Pedrogão e de todo o interior, onde Pedrogão até serviu para ocultar o que se veio a passar em Outubro do mesmo ano numa das mais vergonhosas trapaças da política e dos media em toda a Democracia portuguesa, a história vem-se repetindo...

 

Enquanto de férias, a classe política e todos os portugueses ignoraram Monchique, voltaram a ignorar Monchique e este ano voltarão a ignorar o que já se está a passar no interior do país! Não faltam fogos com causas naturais, sem dúvida, mas a falta de estratégia em termos de ordenamento do território continua a ser gritante e ninguém aprendeu nada até hoje! A corrupção, tema tão falado aqui e que para muitos em Portugal (pelo menos assim vociferam em rádios, jornais e televisões) até é uma coisa boa tem também aqui o seu papel! O Governo central que governa para a imagem e para as sondagens anuncia tudo e nada, aliás, enquanto o país arde, um Primeiro-Ministro e muitos ministros estão ao mesmo tempo em campanha eleitoral, preenchendo um palco carregado de grandes leds ao estilo web summit.

 

Com um país novamente a arder, a notícia que salta para a capa é a hipotética maioria absoluta de um partido, isso sim é importante - faz-me recordar um país a arder num certo Junho que acabou com uma estrada cheia de corpos carbonizados mas cuja prioridade do Primeiro-Ministro foi lançar um estudo para aferir da sua popularidade! A prioridade foram também as fotografias (humilhantes para as vítimas) de um Presidente da República abraçado a indivíduos em lágrimas como se fosse o pater familia da nação - o aconchego daqueles que se colocam em frente às câmeras fotográficas, os outros interessam pouco... 

 

Com um país novamente a arder, volta a sobressair a incompetência autárquica em toda a sua plenitude e uma esquerda completamente calada, um partido comunista obsoleto e um bloco de esquerda com chama fascista que vivem no absurdo silêncio como se tudo isto fosse normal! Talvez despertem com as sondagens, porque o poder pode estar por um fio... Temos um PAN que parece sim o partido do Peter Pan, que de natureza tem pouco e vive o sonho de criança que é ser um partido cool. Temos os Verdes, braço não armado do PCP que serve para colocar mais uns deputados na Assembleia da República mas que de verdes têm muito pouco, ou nada! Temos associações de natureza e ambientais, sempre com os mesmos, que expulsos de uma de outra se vão renovando com a criação de mais associações. Um meio para que muitos profissionais encostados e professores universitários alcancem as tipícas ambições de provincianos num país apático.

 

Podemos chamar a tudo isto populismo! Mas se populismo é ficar completamente de rastos com um país que todos os anos arde, que era verde e agora é negro (e até as pessoas assim estão a ficar, negras, sem um sorriso), pois bem, sou populista! Se ser populista é ignorar todos as perdas humanas dos incêndios, todo o esforço dos operacionais, todas as perdas irrecuperáveis em termos de flora e fauna, pois bem, sou populista! Se ser populista é querer respirar e não conseguir porque o ar está irrespirável e tóxico, pois bem, sou populista! Se ser populista é não embarcar na miragem de investir na imagem de um país para estrangeiro ver, de cidades grandes para estrangeiros "gold" viverem, pois bem, sou populista... Se ser populista é colocar acções concretas à frente de demagogias e selfies, pois bem, sou populista! 

 

Mas o importante, o importante agora é não estragar as férias aos portugueses que já andam a pensar na greve dos camionistas e de como isso lhes pode afectar a ida à praia em Agosto! Isso é importante, mesmo que vivam num país negro, carregado de assimetrias, mas que lá fora vive de ocultar informação passando a imagem de um paraíso que não é! E como em tempos escrevi, caramba, nunca mais morrem pessoas nos incêndios destes dias, para alguém se mexer...

 

Algumas leituras:

O Fogo do Inferno e as Chamas da Irresponsabilidade e da Vergonha!

Pensamentos da Malta do Bairro Sobre Exames, Incêndios, Corrupção e Cegueira Colectiva

Sr. Presidente, Não Somos Nada Bons!

Caramba, Nunca Mais Morrem Pessoas nos Incêndios Destes Dias!

O Fogo que Nos Continua a Queimar!

O Fogo que Fala...

Um Elogio ao Dr. Vasco e à D. Lídia

Fogos: Os Erros Repetem-se e os Responsáveis Sobrevivem à Fogueira!

Portugal em Guerra!

Incêndios: Espanha nas Ruas, Portugal no Sofá.

Eu Tenho um Incendiário na Família!

Paisagens de Carvão 2017

São Perguntas, Senhores, São Perguntas...

Paisagens de 2017 - Os Sobreviventes.

Bater no(s) Fundo(s)...

São Perguntas, Senhores, São Perguntas... Ainda Todas Sem Resposta!

Balde de Helicóptero com Água Fria...

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A Nossa Elite: Aliu Camará!

por Robinson Kanes, em 15.07.19

tiago miranda - expresso.jpgCréditos: Tiago Miranda/Expresso

 

Não sou propriamente conhecido por elogiar tudo o que é português... No entanto, vou ficando com a sensação que, apesar de ser dos poucos que o reconhece, muitos outros que alimentam o discurso contrário são os primeiros a criticar a nobre nação porque não homeageia um músico, um actor ou quem quer que seja que venha do Brasil!

 

Entendo que agora estamos no hype (já longo, e é isso que me "assusta") de fazer vénias a tudo o que vem do Brasil e não só - e tanta coisa boa que há no Brasil e só importamos o que é mau! Recomendo aos pseudo-intelectuais e pseudo-influenciadores que olhem para dentro quando morre um dos nossos escritores ou uma das nossas figuras ao invés de espalharem o discurso que somos "atrasados" porque não se deu o devido destaque a este ou àquele artista do lado de lá do Atlântico . Do alto da vossa elite política, cultural e mediática (elite?) e da pseudo-intelectualidade, desçam à terra e reconheçam outros heróis, alguns deles o garante de que podem escrever as maiores barbaridades e disparates.

 

Um deles, a quem devem tirar o chapéu (ou devo dizer a bóina? Mas essa tem de ser merecida) é o soldado Aliu Camará, filho de guineenses e nascido no Casal da Boba na Amadora. Estes exemplos de sucesso tendem a não ser explorados pelas "SOS Racismo" deste país e também por isso a capa do "Expresso" é um verdadeiro elogio a este soldado. É um verdadeiro elogio aos desconhecidos que todos os dias nos defendem, cá e lá e ainda têm tempo para defender os demais! 

 

Muitos também censuram o excesso de reconhecimento a estes indivíduos porque se voluntariam para estas missões e até são pagos por isso. Os mesmos que batem palmas a jogadores de futebol e ainda têm tempo para agredir o vizinho no café - jogadores esses que numa hora ganham mais que muitos destes homens num ano!

 

A capa do "Expresso" é uma das grandes capas deste ano, um orgulho a todos nós: "sou Comando, vou sair daqui de pé", diz um soldado olhando para a câmera fotográfica e com as duas pernas amputadas! Poupem-me os discursos, poupem-me as conversas, um Comando não quebra... Aquele homem vai abandonar o hospital de pé! Um de nós choraria porque, com pernas, talvez não tivesse as sapatilhas de marca para calçar!

 

Lembrem-se muitos daqueles que defendem a extinção desta força (Bloco de Esquerda, PCP e tantos outros pseudo-pacifistas e moralistas) que aquele homem é um exemplo do que é ser português. Não é um desses indivíduos que ao primeiro soar de alarme, por certo, também serão os primeiros a saltar a fronteira e a defender o país da Venezuela ou de outras paragens distantes para que, quando tantos outros tiverem morrido, voltarem como os grander obreiros da vitória! Isto de ser patriota e defender a paz com palavras e obras de arte a milhares de quilómetros de distância tem muito que se lhe diga...  

 

Devemos estar orgulhosos, porque até ganhámos o mundial de hóquei em patins, cuja equipa tem de mendigar ser recebida pelo "entertainer" da nação... Devemos estar orgulhosos porque temos homens como estes e que, segundo dizem, na República Democrática do Congo são chamados de "ronaldos"... Quando provavelmente eram os "ronaldos" deste país que deveriam ser apelidados de "camarás"...

 

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image_23.jpgCréditos: https://www.nvinoticias.com/nota/109336/acoso-callejero-en-oaxaca-suplicio-cotidiano

 

Um destes dias, numa conversa fútil de café, voltou a temática dos piropos, nem sei a que propósito. A verdade é que alguém atirou para cima da mesa que tinha lido algures que era um tema que estava a voltar: É Verão, como em Portugal nada se passa (passa-se tanta coisa, mas não se apontam para aí os holofotes que ninguém quer chatices) e dá trabalho saber o que acontece no Mundo, inventa-se para não se ser esquecido.

 

O piropo! De repente o piropo transformou-se na maior ameaça às mulheres! Aliás, a Humanidade foge desse tema com um medo atroz, ninguém quer saber em violações ou mutilações genitais quando o piropo anda por perto. De repente, um pouco na lógica de "Me Too", um grupo de iluminados decidiu que as mulheres sofrem muito com o piropo! Não conheço uma que alguma vez se tenha sentido em estado de choque com um piropo na rua, muito honestamente!

 

Tenho, inclusive, conhecimento de um caso em que um piropo até deu azo à seguinte resposta: "aí em cima és o maior, vem cá abaixo e não fazes um terço do que dizes pá"! Desde esse dia, esta mulher sofreu muito e teve de ser acompanhada... Não! E não, as mulheres não têm medo de andar na rua por causa dos piropos (quantas vezes já repeti esta palavra?) e não andam em grupo porque têm medo de serem atacadas por "piropeiros" - em alguns casos, muitas até nem se importavam! Muitas e muitos! Sim, porque também as há que deitam o seu piropo ao cavalheiro! Ainda me lembro (há muito tempo) de partilhar a cabine com cinco mulheres, praças da Força Aérea, no regional que ligava o Entroncamento a Santa Apolónia... O que não faltaram foram piropos. E eu detestei, foi uma coisa horrível! O que mais detestei foi quando tiveram de sair em Vila Franca de Xira para irem para a Ota! Já pensaram, soubesse eu e tinha dito "oh aviãozinho, vais para o aeroporto?" - sim, há época falava-se do aeroporto na Ota.

 

É inacreditável como os "anti-piropo", se dão ao luxo de ofender na praça pública e com cobertura de meios de comunicação que não devem fazer avaliação de desempenho, um sem número de indivíduos e não hesitam em ditatorialmente querer obrigar os outros "à sua boa onda", muitas vezes também, camuflada de humor.

 

De facto, temos de corrigir velhos comportamentos na nossa sociedade, mas não é com hypes, com contadores de likes e com uma necessidade tremenda de dar saltos para que reparem em nós que lá vamos! Aproveitem sim para tocar na ferida em temas fracturantes e deixem lá o indivíduo mandar o seu piropo - por este andar, qualquer dia, elogiar a beleza de uma mulher ainda vai colocar alguém na cadeia! Um destes dias, olhar uma mulher nos olhos e dizer que a amamos e que tem umas formas que só me dão vontade de a agarrar e... ainda vai dar cadeia - simplesmente porque um grupo de indivíduos criado entre videojogos, entradas à borla em espectáculos, bares do Bairro Alto e um sem número de cunhas, sobretudo nos media, se lembra de impor as suas liberdades aos outros.

 

O que deveria ser ilegal, por exemplo, era indivíduos que escrevem mal, carregam no vernáculo (porque ser mal-criado é "cool") e passam o ar de "boa onda" só porque usam barba e/ou t-shirt enquanto defendem as nobres causas, sentados na esplanada de um café a chorar pelas criancinhas em África ao mesmo tempo que marcam as próximas férias (ou tentam que alguma revista ou canal de televisão o faça) na Tailândia e em hotéis de 5*****! Não vão as criancinhas pobres serem "piropeiras" e dessas queremos distância! Quem é que não troca um "acoso callejero" por um bom "acoso hotelero"?

 

P.S.: isto tudo será porque os "Piropo", há muito tempo, lançaram um disco com o nome de "Russians" e com o emblema da União Soviética? Será uma espécie de retaliação?

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