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O Desejado Irão...

por Robinson Kanes, em 02.12.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

 

The Germans sell chemical weapons to Iran and Iraq. The wounded are then sent to Germany to be treated. Veritable human guinea pigs.

Marjane Satrapi, in "The Complete Persepolis"

 

 

Que a Pérsia sempre foi um território profundamente desejado, não restem dúvidas, desde a Antiguidade que o império é alvo de cobiça por vizinhos e inclusive por Ocidentais. Aliás, não será vergonha nenhuma um Ocidental assumir que ainda tem muito a aprender com a cultura e conhecimento produzidos por aquele povo.

 

Também é verdade que o Irão actual, muito por culpa do Ocidente, se encontra sob governação de radicais, sobretudo no parlamento, embora a liderança de "Hassan Rohani" se tenha pautado por bastante moderação em contraste com os tempos de Mahmoud Ahmadinejad onde o discurso feroz e agressivo imperava. Durante a Governação Trump, estivesse Ahmadinejad no poder e as coisas poderiam ter corrido de forma muito diferente, sobretudo após o assassinato do Major-General da Guarda Revolucionária do Irão, Qasem Soleimani. 

 

Na verdade, a influência do Irão em alguns países, nomeadamente no Líbano, onde é o principal financiador do Hezbollah, não é sinal de orgulho para o país. Não obstante, as tentativas de aproximação ao Ocidente e alguma pressão interna junto dos mais radicais poderia dar frutos num futuro próximo. Conhecer o Irão é, apesar do muito trabalho que ainda existe, chegar a essa conclusão. Todavia, se é crime apoiar organizações terroristas como o Hezbollah, também o é apoiar tantas outras por esse mundo fora - e onde a Europa, Estados Unidos, China, Rússia, Israel e Arábia Saudita têm a sua participação. 

 

O Irão é um país rico, onde a abundância de água é uma realidade e o seu aproveitamente de um conhecimeno ancestral. O Irão tem uma importância logística vital no Golfo Pérsico: o estreito de Ormuz. O Irão é o país onde também o petróleo jorra por todo o lado e o gás natural está nos poros daqueles solos. Sobrevoar o Irão à noite, independentemente das rotas, é como sobrevoar a Europa, tal é a iluminação do país, riquíssimo na produção de electricidade que não  se deve somente à indústria nuclear. Podemos andar em algumas aldeias remotas e as canalizações de gás natural estão lá.

 

Por sua vez, enquanto China e Rússia se aproximam do país construíndo infraestruturas, embora de modo controlado, pois a estas também não importa que este país se desenvolva de modo desenfreado, a Europa e o Estados Unidos vão desperdiçando uma oportunidade de ouro. A Rússia e a China nada dão em troca e recebem muito do que o Irão produz, aliás, essa é uma das queixas daqueles que por lá habitam, sobretudo em relação ao petróleo e ao gás natural.

 

Esta semana, e depois do assassinato por parte dos Estados Unidos e não só, de Qaseim Soleimani, foi a vez do mais proeminente cientista nuclear iraniano ter perdido a vida também num assassinato bem planeado. Mohsen Fakhrizadeh foi assassinado pela sua importância no programa nuclear iraniano, alegadamente por duas potências que pouco se podem gabar do seu pacifismo: Israel, Arábia Saudita e quiçá Estados Unidos, até porque raramente uns fazem algo sem conhecimento e cooperação dos outros. O encontro ao mais alto nível entre Israel e Arábia Saudita, algo inédito, a semana passada, aumentou também as suspeitas, até porque inicialmente o mesmo foi negado. Acresce ainda o facto de que este tipo de operações só está ao alcance de potências com meios para tal... E entrar no Irão, cometer um crime e sair sem acordar o gato não está ao alcance de todos. 

 

A prática de assassinar cientistas iranianos é comum, basta recuar a 2010 e 2011... Apesar do radicalismo, não tenho dúvidas que é toda uma herança histórica iraniana e um lado xiita mais moderado que tem tornado o ambiente mais calmo, além da "estratégia de paciência" encetada por Rouhani mas que não é a mais apreciada pelas altas elites religiosas do Irão.

 

A União Europeia e a ONU já condenaram o assassinato, todavia Mohamad Javad Zarif, o Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, diz que não basta... A hipocrisia continua a ter lugar, à semelhança daquele que existiu com a Crimeia ou até com os bombardeamentos em hospitais sírios. A saída de Trump pode também estar a acelerar a tomada de medidas extremas na medida em que Biden, mais moderado, evitará (assim se espera) hostilizar países como o Irão! Ao nível internacional, Biden terá uma oportunidade suprema de manter o bom trabalho de Trump em relação à Coreia do Norte (até melhorar o mesmo) e aproximar-se do Irão, seria muito provavelmente um dos feitos diplomáticos do século terminando inclusive com a política iraniana de ter aprisionados cidadãos não-iranianos ou com dupla nacionalidade para servirem como moeda de troca por cidadão iranianos detidos no estrangeiro.

 

Aguardemos... Todavia, e como tenho vindo a referir, a pandemia tem sido uma excelente oportunidade para que se cometam algumas das maiores atrocidades do século XXI. Perguntem isso inclusive àqueles que numa base diária vivem um verdadeiro holocausto no médio oriente porque alguém se lembra de arrasar as suas casas e os tratar como escravos. Esperemos que a estratégia paciente de Rouhani se mantenha, até porque nas mais altas instâncias iranianas já corre o boato de um ataque a Haifa.

Actualização (13h:45m): o parlamento iraniano votou pelo fim da autorização às inspecções da Agência Internacional para a Energia Atómica (AIEA). 

 

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Lille: A Rainha da Flandres Francesa

por Robinson Kanes, em 30.11.20

vielle bourse lille.jpgImagens: Robinson Kanes

 

O pequeno-almoço em Paris começa cedo... É hora de calibrar e preparar os cerca de 230 km até Lille. É preciso precaver as paragens em Arras e Lens e claro, a mítica chegada, já depois da capital da Flandres francesa, a Roubaix. Para os amantes de ciclismo, de carro ou de bicicleta, todos perceberão a importância de uma viagem Paris-Roubaix.

 

Duzentos quilómetros com mil e uma paragens levam-nos a chegar ao anoitecer, sendo que, encontramos uma Lille bastante animada e o milagre de ficar mesmo no centro e ter um lugar para estacionar. Temos também a sorte de passar pela Rue de Gand, uma das mais animadas da cidade e onde está o "Chez la Vieille". Um restaurante apetecível, inclusive no preço. Sempre repleto de comensais, com empregados e clientes simpáticos e manjares deliciosos, onde só as batatas fritas podem provocar algum dano. Cerveja artesanal em abundância e um início de noite perfeito, até porque, estando na Rue de Gand, as cervejas não se ficam por um só sitio. Lembrei-me deste espaço, afinal também ele um monumento da cidade, não só pela comida mas também pela decoração e animação.

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A noite prolonga-se e o dia seguinte implica uma visita a um dos mais importantes (e um dos primeiros) museus de França, o Palais des Beaux-Arts de Lille.  Belas artes, onde lá voltamos a encontrar Rodin, a grande tendência desta aventura que nos acompanha desde Caen. Uma visita à Casa-Museu Charles de Gaulle e temos a manhã completa, sendo que é possível que um pequeno-almoço seja demorada na medida em que o pão, o queijo e o vinho são qualquer coisa... E ainda bem que não me lembro da queijaria no centro que... Enfim, é melhor nem ir por aí...

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Lille, ao contrário do que esperávamos, é uma cidade enérgica, inclusive culturalmente, pelo que também a visita à Ópera não podia faltar. Temos assim tempo para percorrer o centro, nomeadamente La Grand'Place e a Vielle Lille. Todavia, existe apenas um problema... Cuidado com o cartão de débito. Sacos carregados de queijos, pão, livros e enchidos, uma bagagem de porão bem apimentada... Pequenas lojas, bem arrumadas e simpáticas, os edificios antigos e tão característicos da Flandres fascinam-nos. As cores, pequenas esplanadas, tudo se conjuga na perfeição e onde o dia não pode terminar sem apreciar duas das mais belas e imponentes estruturas das cidade: o Hôtel de Ville (câmara municipal) e o seu "Beffroi" (torre sineira). E como não poderia deixar de ser, o colorido e mais pitoresco edifício da cidade, o Palácio da Bolsa ("Vieille Bourse"). Temos a sorte de poder adquirir alguns livros antigos no mercado de velharias que se realiza no claustro. 

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Gostamos de Lille e vamos sair da cidade com uma boa dose de calorias, sendo que, não contentes com isso, ainda importamos algumas delas para consumo em Portugal. A noite aproxima-se e depois da amizade do dia anterior, voltamos à Rue de Gand, para nos perdermos no "Chez la Vieille". Hoje as cervejas descansam e aproveitamos para um passeio nocturno, está muito calor para as habituais temperaturas da Flandres. O centro fica ainda mais belo, mas o sono já nos começa a atacar depois de tantos quilómetros de estrada. 

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Chegamos ao nosso último dia na cidade... A prioridade será  absorver a transformação de Lille que se está a modernizar fortemente. Uma cidade sustentável que quer ser a grande metrópole fronteiriça (Euralille). Percorremos a novas construções, muitas delas ainda em tosco e acabamos a manhã no Les Halles de Wazammes. No interior não encontramos propriamente um mercado muito barato, e no exterior... No exterior é uma viagem ao Norte de África. É um mercado de imigrantes, e segundo alguns, um espaço apetecível para carteiristas. Sendo que em França e na Argélia "sou" argelino", na Turquia "sou" turco, no norte de África nem sei e no Irão "sou" iraniano, acabei por não sentir grande risco e a alemã também não. Cá fora os produtos são mais baratos e depois de, mesmo em frente ao mercado termos visto um pequeno restaurante gerido por árabes com mais um sem número de argelinos agarrados a uns belos pitéus, não resistimos... Comida óptima, um acolhimento formidável quer pelos proprietários quer pelos clientes e ainda cozinheiras de uma extrema simpatia. Fabuloso... E mais duas horas à conversa!

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Por pouco, não esquecemos do nosso passeio pelo Parc de la Citadelle e os seus fabulosos 110ha entre arvoredo e o Deûle. Um dos passeios mais interessantes na cidade, não só pela oportunidade que temos respirar um pouco de ar puro, visitar o Zoo de Lille e encontrar muita gente que aproveita este espaço ao máximo, seja em terra seja no próprio rio que nos dá algumas vistas fantásticas. Apreciamos mesmo este momento, um verdadeiro embalo de calma e tranquilidade antes do regresso... Pelo caminho de regresso ainda conseguimos para no Jardin d'Arboriculture Frutiere e no Palais Rameu... Fantástico!

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É fascinante... juntar toda esta flora e fauna num parque dentro de uma cidade agitada mas ao mesmo tempo com a sua pacatez do Norte de França. Lille foi uma das grandes surpresas desta longa jornada, até porque já havíamos andado por perto, inclusive a atravessar a fronteira para a Bélgica e nunco nos detemos perante esta pérola de inegável beleza, qualidade de vida e sustentabilidade.

 

Honfleur, uma cidade portuária

Atrás de Marcel Proust em Cabourg

A pacata e firme Caen

Bayeux: uma jóia normanda

Normandia: um dia de homenagem

O Mont-Saint-Michel

Saint-Malo, a cidade pirata

 

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Créditos:https://www.straitstimes.com/sport/football/football-pope-francis-remembers-fellow-argentine-maradona-affectionately-praying-for

 

 

A política do espectáculo oculta os problemas de fundo, substitui pelos programas o encontra da personalidade, embrutece a capacidade de raciocínio e de juízo em proveito das reacções emocionais e sentimentos irracionais de atracão e antipatia (...) os cidadãos são infantilizados, deixam de se envolver na vida pública, ficam alienados, a Democracia é desnaturada e pervertida.

Gilles Lipovetsky, in "O Império dao Efémero"

 

 

Como é interessante que Maradona tenha encontrado a morte no "Dia Internacional para a Violência contra as Mulheres" e também no mesmo dia em que morreu Fidel Castro. Estranha coincidência... Perdoem-me, todavia, que não alinhe na choradeira global, até porque nunca participaria numa festa de arromba com Pablo Escobar na "La Catedral".

 

Para mim, um jogador de futebol é um jogador de futebol... Como é qualquer outro profissional, mas entendo as emoções de alguns que assim ultrapassam o racional. É interessante, cómico até, que na actualidade, onde muitos escrevinham, gritam e se revoltam para combater a violência contra as mulheres, se tenham esquecido, precisamente neste dia, que Maradona foi alguém conhecido por, passo a expressão, arrear nas companheiras. Aqui está um exemplo...

 

O chorrilho de argumentos (incidindo nas drogas, o resto não é bom trazer para a praça) para desculpar o passado negro de Maradona chega a ser assustador. Os mesmos que chamam criminoso, desprezível ao vizinho do lado porque bateu com a porta do carro no nosso, são os mesmos que agora aplaudem a chegada de Maradona aos céus na metáfora da entrega da mão a Deus, são aqueles que agora estão tristes e revoltados... Querem revolta? Eu ajudo com um pequeno exemplo: revoltem-se com o facto de ainda não existirem responsáveis pelo que se passou em Pedrogão e no Centro do país onde mais de uma centena de compatriotas morreu por irresponsabilidade nossa - somos o Estado. 

 

Maradona defendeu regimes totalitários... Maradona, alegadamente, abusou de menores... Maradona agrediu companheiras... Maradona foi alguém viciado em drogas e álcool... E a lista poderia continuar! Até podemos compreender a questão das drogas e da bebida... Todavia, tenhamos essa compreensão com todos os que passam pelo dilema, o que nem sempre sucede.

 

Andamos todos a partilhar imagens, sons e letras contra tudo isto, mas de repente, aplaudimos estes heróis quando vivos e sobretudo quando mortos! Deitamos estátuas abaixo mas depois erguemos autênticas e colossais estruturas (mentais e físicas) a indivíduos como Maradona. Mas era um bom jogador de futebol! Lembrem-se disso quando um jogador seja lá do que for, ou um profissional de outra área vos agredir ou dormir com as vossas filhas menores. Afinal sempre pode alegar que é bom naquilo que faz! 

 

De repente, o hype da violência contra mulheres que muitos já tinham na ponta da língua para ficar bem nas redes e na sociedade, foi ultrapassado exactamente pelo seu contrário... Como hoje em dia mudam as prioridades e as convicções numa tentativa de dar às nossas paixões um lugar mais alto que à verdade, como defenderia Tagore... E também como defenderia o mesmo autor, isso é somente um grande sinal de servilismo.

 

Como afirmaria (citando um outro) um indivíduo que é pago a peso de ouro com os nossos impostos na televisão pública e com fama de não ser propriamente o mais simpático com os colaboradores, "se yo fuera Maradona, vivería como él"... Caro Carlos Daniel, Director-Adjunto da RTP, eu nunca viveria como Maradona... Não gostaria de tirar fotografias com meninas adolescentes a tocarem-me no pénis, não gostaria de bater na minha companheira, não gostaria de ser traficante e consumidor de drogas e nunca me passaria pela cabeça defender regimes totalitários... Se isso a si o fascina, está no seu direito. A mim, o que me fascina é o comportamento e podridão de muitos nesta sociedade tão evoluída mas também tão bafienta e hipócrita. Acredito, no entanto, que muitos dos que irão ler as suas palavras, não irão pagar a conta da electricidade/taxa audiovisual este mês e nos próximos!

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A Morte do Homem Branco...

por Robinson Kanes, em 25.11.20

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Créditos:https://sylg1.files.wordpress.com/2016/09/keep-calm-and-kill-all-white-people.png

 

O homem precisa de ver mais as suas possibilidades que as suas prisões!

Agustina Bessa-Luís, in "Ternos Guerreiros"

 

Enquanto uns dizem que o comunismo nunca existiu, outros também podem incitar ao ódio com palmas. Ainda esta semana, um indivíduo que tem sido um dos garantes que o discurso de ódio em Portugal não cessa, e onde nem a polícia escapa, é aquele que recentemente agitou a bandeira da morte ao homem branco. Várias conclusões têm de ser retiradas sendo que, se fosse um outro qualquer a minha opinião seria exactamente a mesma.

 

Será que se fosse um indivíduo da nossa praça, e já nem vou sublinhar André Ventura, a proferir essas mesmas palavras mas com uma diferença, a mudança no tom de pele, a reacção seria mesma? Um processo judicial, extravasamento de competências e pedidos de investigação por parte de Ferro Rodrigues e Marcelo Rebelo de Sousa, além dos habituais pacíficos/manipuladores humoristas e jornalistas da nossa praça a pedirem a sua cabeça... Mas foi Mamadou Ba, que em Portugal goza de especial estatuto - ainda desconheço a que propósito, mas somos o país dos estatutos, este é mais um.

 

Por outro lado, surgiu o discurso (mesmo daqueles que sabem muito bem o que Ba quis dizer, todavia, a sua voz revolucionária cessa quando a imagem pública pode ficar manchada pelo políticamente incorrecto) de defesa do contexto em que as mesmas palavras foram proferidas. Eu não ouvi só aquelas palavras e a ideia com que fiquei foi de que todo o contexto era de ódio, de repulsa e de incitamento ao combate. Amedronta-me ver que aqueles que atacam os discursos extremistas mas depois desculpabilizam estas palavras - afinal é só retórica, são metáforas, são palavras mal escolhidas! Se hoje disser que não gosto de cerveja preta, são os mesmos que dizem logo que sou racista! Onde é que está a coerência? Corremos o risco de perder palco e de sermos conotados com extrema-direita? Com reaccionarismo? A verdade, a pluralidade e moderação nunca serão de extremos... No entanto, é a conivência com um extremo que alimenta o outro, além da criação de fantasmas numa sociedade que tem tantos problemas para resolver e que acaba por criar no cidadão comum uma certa desilusão quando começa a conceber que está na base da pirâmide, amordaçado e escravizado.

 

Também me assusta o discurso: "homem branco"; "homem preto"; "eles"; "nós"... Tenho muitas dúvidas que a grande maioria dos indivíduos que Mamadou Ba diz defender se revejam nestas palavras... Ainda bem que não estamos na África do Sul, caso contrário, Malema teria um aliado de peso. Ou então talvez seja um defeito meu que vejo seres-humanos e iguais perante a lei... e não catálogos...

 

Mais do que as palavras, o ódio que vemos nestas reuniões privadas, neste discurso que não é público e onde os "sociais utópicos" lá estão para defender os pobres coitados, é corrente. É certo que alguns estão por bem, mas conheço suficientemente alguns destes defensores para perceber que estou mais seguro junto de uma hiena esfomeada do que propriamente junto de determinadas personagens, normalmente apenas predadores de subvenções dos regimes que eles próprios criticam.

 

Assusta-me, mas isso talvez seja porque ontem perdi uma noite inteira a falar de Democracia, liberdade e acesso à educação com um "homem preto" que ninguém conhece, mas coloca a emancipação do seu povo à frente de querelas e discursos de ódio extremo, porque no final, é na luta pela paz, pela liberdade e pela educação do seu povo que coloca o seu foco...

 

P.S.: um dos últimos indivíduos (Fredrick Demond Scott) que disse "kill all the white  people" abriu a cabeça a seis inocentes norte-americanos, um deles uma sem-abrigo idosa.

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Sardinhas à Kamenev...

por Robinson Kanes, em 24.11.20

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Créditos: https://cdn3.geckoandfly.com/wp-content/uploads/2017/08/anti-socialism.jpg

 

Sardinhas comunistas são um mito, é verdade. Segundo muitos, nunca existiram... Hoje estamos no SardinhaSemLata como é habitual... Venham comer umas sardinhas à Kamenev no nosso Politburo aqui e apanhar uma bela Bubnova...

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Uber Medina, Glovo Costa e Povo Eats...

por Robinson Kanes, em 23.11.20

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Créditos: https://www.buzzfeednews.com/article/venessawong/mcdonalds-and-uber-eats-need-each-now-other-more-than-ever

 

Os eleitores comuns começam a sentir que os mecanismos democráticos só não os capacitam. O ruído à volta está a mudar e não conseguem perceber nem compreender porquê. O poder está a fugir-lhes das mãos e ainda não sabem para onde é que se transferiu.

Yuval Noah Harari, in "Homo Deus"

 

Por um destes dias, tive o prazer de ler um artigo de Javier Carrasco, no "Valencia Plaza", jornal de referência da "Comunitat Valenciana",  e cujo título era o seguinte: "Portugal camina hacia la dictadura". Se é certo que Espanha não está melhor para atirar este tipo de farpas e o ex-jornalista do El Mundo também não é propriamente a pessoa mais conhecedora da realidade portuguesa, tenho de reconhecer que entre algumas falsas verdades encontrei algumas reais verdades que passam por baixo da alcatifa das redacções nacionais: 

Nuestro país vecino vive una insólita crisis política. El Gobierno portugués se escuda en la lucha contra el coronavirus para restringir las libertades y los derechos de sus ciudadanos. Pero en esta empresa, la de frenar el virus, ha fracasado. Bruselas vigila el autoritarismo del Ejecutivo luso para evitar una vuelta a los tiempos de Salazar  

(..)

La situación comienza a parecerse a Polonia y Hungría, dos estados que están en el punto de mira de la UE por posible conculcación de derechos fundamentales

 

Confesso que ainda tenho de aferir algumas circunstâncias destas e outras afirmações, no entanto, algumas revelações dos últimos dias (a juntar a outras tantas) começam a dar uma certa justiça a Carrasco e todos aqueles "gajos de Marvila" que se podem rever nestas palavras. Falamos sempre com desprezo dos "gajos de Marvila", não obstante, muitas revoluções e muitas lutas começaram em tabernas...

 

Fernando Medina já nos avezou a um certo autoritarismo na Câmara Municipal de Lisboa. Medina é um cavalheiro que utiliza o poder público como se fosse o seu feudo. É também o politico do alojamento local que, logo à primeira crise, virou as costas a todos os empreendedores que apostaram na cidade (independentemente das consequências). É o cavalheiro que expulsou os lisboetas da cidade e agora os quer trazer de volta com rendas acessíveis como se fossem indigentes, é o cavalheiro que ignorou o exemplo de Barcelona - é o senhor Teixeira Duarte. É também (à semelhança de outros) dono de espaço televisivo onde tece comentários numa clara falta de sentido e responsabilidade pública - um presidente de câmara, especialmente da capital do país não devia permitir que a sua ambição (mesmo que desmesurada e autocrática) o deixasse descer tão baixo. 

 

Medina é agora o político que quer neutralizar, mais uma vez, a iniciativa privada, criando uma "empresa pública" que fará concorrência desleal a empresas como a Uber e a Glovo. Medina, que não se importou com os taxistas quando a Uber era uma imagem de modernidade para Lisboa (excepto quando estalou a contestação), é o mesmo que agora, na versão "eats" quer destruir a iniciativa privada, qual comité central que tudo controla e tudo decide. As taxas que estas empresas estão a praticar são esmagadoras para o negócio da restauração, todavia existem reguladores que devem estar atentos a abusos no mercado e os consumidores que têm de decidir se querem pactuar com aumentos dos custos para a restauração e consequentemente optar por outras formas de adquirir os produtos, numa lógica de cidadania responsável - nunca o poder político! Estamos a dar um excelente exemplo a quem deseja investir em Portugal!

 

Medina, que cegamente já procura a liderança do PS, é o mesmo que, juntando-se a outros já quer ilegalizar partidos catalogado-os de racistas e xenófobos. Na verdade, e goste-se ou não do CHEGA, este partido encontra-se legalizado junto das devidas instâncias e não é a concorrência que deve adoptar uma atitude autoritária de castração do mesmo. Ilegalizem-se então os partidos que são autênticas famílias, partidos onde a corrupção grassa e partidos proibidos pela União Europeia, sem esquecer os partidos que têm lesado o erário público ao longo de décadas - temo que Fernando Medina fique sem partido também e ele próprio se possa encontrar em maus lençóis. Senhor Medina, Portugal ainda não é uma Ditadura, ainda não... No dia em que for, serei dos primeiros a combater a mesma ou qualquer tentativa sequer de... Seja de que quadrante for.

 

Também o Governo liderado por António Costa vai fazendo os habituais favores a partidos de extrema-esquerda para se perpetuar no poder, à semelhança do que se passa em Espanha - e o próximo congresso do PCP e as medidas restritivas com o aval do Presidente da República (o que não espanta, pois foi adepto de uma ditadura) vai autenticamente cuspindo e subjugando os portugueses. É imoral e é intolerável... António Costa é também o real cumpridor da Constituição da República Portuguesa pois, uma vez mais, dividiu os portugueses em portugueses de primeira e portugueses de segunda com uma tolerância de ponto nos feriados de Dezembro. Contudo, sugere ao privado que seja tolerante e siga o exemplo. Mais uma vez, é preciso manter o sindicalismo calmo e os funcionários públicos satisfeitos, e convenhamos senhor Primeiro-Ministro, acha mesmo que os responsáveis do privado se encontram em situação de dispensar os seus colaboradores? Em que mundo vive senhor Primeiro-Ministro? Acha que aqueles que lhe pagam o salário (sem cortes), a si e aos demais, têm condições para parar? Ou estamos perante uma manobra para evitar uma hipotética revolta entre funcionários públicos e funcionários do privado? A sorte do senhor Primeiro-Ministro é ter uma elite pública tão grande que na maioria dos agregados familiares existe um funcionário público e assim vai conseguindo manter a paz social, além de que, mal ou bem, também os pensionistas (que são muitos) vão recebendo o seu cheque a tempo e horas... Até um dia... Recordo-lhe as palavras de Tocqueville que nos dizem que "é sobretudo no pormenor que é perigoso subjugar os homens". Todavia, e com conhecimento de causa, todos os dias dezenas de portugueses abandonam o país porque afirmam, entre outras coisas, não estarem a trabalhar para sustentar uma máquina pública que tudo suga, uma verdadeiro take-away da já parca produção nacional. E reconheço, senhor Primeiro-Ministro, existem muitos funcionários públicos que fazem um trabalho de excelência... 

 

Deixo também uma nota para o facto deste fim-de-semana, Espanha ter saído à rua para contestar a política educativa ideológica que está a ser levada a cabo naquele país. Também em Portugal estamos a sofrer essa transformação autoritária e criminosa, todavia, também um dia os portugueses saírão à rua a exigir a educação que eles querem e não aquela que lhes é imposta por agendas extremistas e que além de alterarem e apagarem a História, procuram também incutir comportamentos e doutrinas à força! Protocronismos não passarão!

 

Entretanto, entre um Uber Medina, um João Galamba que diz que nunca se imaginou a trabalhar e um Glovo Costa, o Povo Eats... Outros, contudo, vão preferindo o Momondo e a Booking e fogem deste país para outros que os acolhem, os remuneram justamente, não lhes sugam os frutos do trabalho e ainda os reconhecem! E sim... Por incrível que pareça, é possível reconhecer o trabalho ou o investimento de outrém e ainda ser justamente pago por isso...

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Somos Canárias! Somos España! Somos Europa!

por Robinson Kanes, em 20.11.20

Fonte: El Mundo

 

 

Members of the educated elite upheld open-mindedness as the supreme political virtue but refused to debate their own idea of the good life, perhaps because they suspected that it could not withstand exposure to more vigorous ideas.

Christopher Lasch, in "The True and Only Heaven: Progress and Its Critics"

 

Para fechar esta semana que, no embalo do "Dia Internacional para a Tolerância", procurei debater-me sobre alguns temas que envolvem o conceito e não só, acabo por aterrar em território europeu. 

 

Trago o discurso de Ana Oramas, representante da Coalición Canárias no parlamento espanhol, que esta semana desmascarou mais uma das, e passo a expressão, poucas vergonhas que assolam as fronteiras do território europeu e obviamente com grande influência nas ilhas Canárias, onde o desemprego atinge mais de metade da população. Contudo, quando os números incidem sobre o desemprego jovem, a realidade é ainda mais assustadora.

 

Ana Oramas enfrentou a actual coligação que governa Espanha alicerçada essencialmente no PSOE e no Unidas Podemos com um braço da Esquerda Republicana da Catalunha. Esta união tem levado Espanha a uma instabilidade económica, social, politíca e ideológica nunca antes vistas - e nesta avaliação ainda incluo o século XX.

 

Ana Oramas apresentou uma região completamente destruída pelo desemprego e pelas restrições causadas pela pandemia e exigiu ser espanhola. Mais que isso, ser europeia! A coligação da qual Ana Oramas faz parte, apesar de nacionalista, não tem cariz independentista, não obstante, procura mais autonomia para a região sem deixar de tomar parte na nação espanhola. A deputada questionou se seria necessário que as Canárias tivessem um movimento independentista forte para que Espanha e a Europa pudessem olhar para o território... Este é também mais um território tampão que tem sido utilizado pelo Governo Espanhol para despejar migrantes sem quaisquer condições - os últimos duzentos foram largados numa praça e foi um povo residente, já empobrecido e confinado, que saiu à rua e prestou auxílio aos recém-chegados. No mesmo momento, o Ministério de Fernando Grande-Marlaska Gómez, um arrogante no poder, basta ver como despreza os deputados na Moncloa, congratulava-se pela solidariedade espanhola (institucional) no apoio aos migrantes.

 

No final do seu discurso, Ana Oramas questionou se o ideal seria as Canárias pedirem apoio ao Magrebe ou ao Norte de África para verem a situação das ilhas resolvidas perante o "abandono" do continente. Este é um grito desesperado de ajuda, aqui bem perto, e que surge na mesma semana em que Marlaska Gómez visita Rabat e encontra um Pablo Iglesias insurgente a hostilizar com os países do Saara - o que já criou tensões muito fortes entre Marrocos e Espanha (ver o ABC ou o La Razón de 19 de Novembro). Este imiscuir constante em assuntos alheios (a cegueira ideológica de Iglesias e do Podemos não conhece limites) tem provocado graves danos internos e externos em Espanha. Marrocos, país soberano e moderado, já pediu contenção e ameaça não entrar em negociações se o Vice-Presidente autoritário do governo espanhol não sair de cena. 

 

Está a caminho da Europa (aliás, já existe) um problema que poderá ser bem pior que a pandemia e cujas parcas tentativas de resolução do mesmo na fonte estão a ser destruídas por tiranos travestidos de democratas libertadores atulados em esquemas de corrupção que tentam esconder com activismo bacoco e totalitarista.

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EjkKZD9WoAA-Ci9.jpegCréditos: https://twitter.com/FAOYemen/status/1313092618126077954/photo/1

 

A 06 de Outubro, há pouco mais de um mês, recebia a notícia de que no Iémen a vacinação destinada a animais foi terminada devido à falta de financiamento por parte dos membros da Organização das Nações Unidas (ONU) e por privados. Os mais antropocentricos pensarão porque é que a vacinação de animais tem de ser uma prioridade, mas vejamos...

 

No Iémen, cerca de 3,2 milhões de indivíduos (215 mil famílias sensivelmente) vivem da pecuária, quer em termos alimentares quer em termos de geração de income. A existência de vacinas e consequentemente a vacinação dos animais elimina a montante muitos problemas cuja resolução poderá ser mais complexa...e cara - ainda hoje a ONU afirmou que vai disponibilizar 100 milhões para combater a fome em 7 países. O Iémen está incluído, país onde 24 milhões de pessoas dependem da assistência humanitária - 24 Milhões! A população total roça os 29 milhões.

 

Vacinar estes animais é dinamizar a economia, é alimentar seres-humanos, é permitir que muitos se possam ocupar com uma actividade, sustentar a família e acima de tudo é um alívio para o Estado e para os financiadores de um país completamente devastado por um guerra civil desde 2011 aquando dos ecos da Primavera Árabe que depôs Ali Abdullah Saleh e colocou no poder Abdrabbuh Mansour Hadi. 

 

Além da corrupção, da Al-Qaeda, da insegurança alimentar e de movimentos separatistas, a gota de água foi o movimento huti que, sendo xiita e defendendo  os xiitas zaidi procurou tomar o controlo da Província de Saada. O apoio, inesperadado, de muitos sunitas a Hadi, levou à escalada da violência, ao exílio deste e a uma das mais sangrentas guerras da década - ainda tenho na memória a emboscada a centenas de soldados sauditas decepados pelos rebeldes e que não terá passado em Portugal. A hipotética ameaça da influência do Irão (xiita) levou a que a Arábia Saudita se envolvesse directamente na guerra com mais oito países árabes e ainda com o apoio logístico de países como os Estados Unidos (O nobel da paz e presidente em 2015, Barack Obama autorizou o apoio e internamente foi acusado de participar na catástrofe), Reino Unido, o pacífico Canadá e França. A ira árabe que também afecta o último país tem muito que se lhe diga, embora nada justifique as atrocidades cometidas.

 

Agora, com o fim do apoio directo à população, sobretudo numa forma de empowerment - a melhor forma de combater a miséria sendo que a caridade só a fomenta - assitimos à escalada daquela que já é uma das maiores catástrofes humanitárias do século. Em termos de má-nutrição e a título de exemplo, a Food & Agriculture Organization of the United Nations (FAO), a 27 de Outubro deste ano, dava conta do maior número de casos de nutrição registados naquele país em crianças abaixo dos cinco anos... Um aumento de 10% em relação a 2019 o que equivale a cerca de 98 000 crianças em risco de morrerem devido à má-nutrição. Em termos de Má-nutrição Severa/Severe Acute Malnutrition (SAM), a percentagem aumentou em 15.5%. Em suma, uma em cada cinco crianças corre o risco de morrer por má nutrição, sendo que em algumas provincias o número pode ser duas e até três em cada cinco.

 

O Iémen, apesar do desinteresse de quase todos, é um país importante para a estabilidade regional (se tivermos em conta que a Síria é outro foco de tensão) e arrisca-se a ser um pólo logístico da Al-Qaeda e com alcance mundial. Também é pelo estreito de Bab al-Mandab que passam muitos dos navios petroleiros do Mundo, e isto também tem que se lhe diga.

 

Em relação às vacinas para o gado, o reinício do programa implicará agora um custo de 3 milhões de dólares. Se tivermos em conta que países como Portugal gastaram milhões na aquisição de medicamentos que não têm qualquer efeito (e foram alertados para isso) contra o SARS CoV-2, dará que pensar... 

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Por África no SardinhasSemLata...

por Robinson Kanes, em 17.11.20

aa15975145383_91e165d64f_k-768x539.jpgCréditos:https://thisisafrica.me/politics-and-society/7-civil-wars-africa-must-never-forget/

 

Hoje, como é habitual à terça-feira, estaremos no SardinhaSemLata a falar da África de hoje... Passem por lá, é só clicar aqui.

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Créditos: https://www.playficient.com/employee-onboarding-ideas/

 

O homem não empenha numa acção uma parte limitada de si mesmo; e quanto mais acção pretende ser total, mais a parte empenhada é diminuta. O senhor sabe que é difícil ser-se homem, sr. Scali, mais difícil do que julgam os políticos.

André Malraux, in "A Esperança"

 

Com tantos anos de extrema esquerda em Portugal e perante a alegada ameaça de um também alegado partido de extrema-direita em Portugal, surgiu um daqueles manifestos que alinhou nos hypes actuais - o hype é real, se os signatários estão na moda é outra coisa. Gente nova (?), onde encontramos o cidadão português representado em toda a sua plenitude e com grande histórico laboral nas mais variadas actividades que fazem andar um país! Gente fresca uma nova mentalidade! Portugal a dar passos de gigante... Aliás, só me consigo lembrar da Ndrangheta calabresa a criar um manifesto contra a Cosa Nostra siciliana... Chamei-lhe manifesto do "coiso" porque não percebi muito bem qual é o alcance nem o nome e muito menos onde está a apregoada clareza.

 

Foi por isso que criei o Movimento 7.9.1.2.a), inspirado no Movimento 5.7, mas com identidade, com rigor e que além de pontos também tem alíneas, tomem lá que estou mais à frente. E para dar início a este movimento decidi conhecer este manifesto que, como referi, é uma amostra real do português comum:

 

Adolfo Mesquita Nunes: este indivíduo não foi aquele cavalheiro que em tudo o que conquistava, o facto de ser gay era sempre a razão de? Também não é aquele que um dia quer ser presidente do CDS e fez uma pausa política para ir para a GALP sem saber ler nem escrever? É que com os resultados das últimas legislativas e com a ascensão do CHEGA é possível que o CDS desapareça do mapa, nada como ter um pé na GALP e um no Partido, assim não se perde tudo. 


Alexandre Homem Cristo: Um académico e colunista do Observador. Hum... Pois...

Ana Margarida Craveiro: espero que não seja a Directora de Comunicação de uma... Sociedade de Advogados? Ai é?

Ana Rita Bessa: O partido do táxi está prestes a tornar-se o partido da trotinete e não há cadeiras para ocupar na Assembleia da República. E até gosto desta senhora, traz classe e requinte ao Parlamento.

Ana Rodrigues Bidarra: não era uma senhora que escrevia umas coisas com um cavalheiro que também está na lista, até tinham um "Conselho de Estado"? Só conheço isto da mesma. 

André Abrantes Amaral: Ora, mais um advogado. Afinal somos o país das licenciaturas em Direito, convenhamos.

Bruno Alves: É o jogador da bola? Se for é caceteiro!

Bruno Vieira Amaral: Escritor, critíco literário e colunista. Pronto, é isto...

Carla Quevedo: Surge-me uma actriz argentina no google, não deve ser a mesma... Espero que seja uma jovem com novas ideias.

Carlos do Carmo Carapinha: um senhor fora do sistema, completamente original... Uma novidade nestas coisas, ou talvez não. Pelo menos é Director Administrativo, um homem do sector empresarial.

Carlos Guimarães Pinto: um cavalheiro fora do sistema... Espera, foi presidente do Iniciativa Liberal. 37 anos e académico... Mais um académico e "pouco" ligado à vida partidária.

Carlos Marques de Almeida: Mais um professor universitário. Sentido prático não vai faltar a este movimento pelo que estou a ver. Isto parece o Estudo Geral.

Cecília Carmo: Esta senhora não era a jornalista do desporto? Agora tem uma agência de comunicação. Malta jovem e original.

Diana Soller: Uma académica, política e funcionária do PSD. Gente nova, menos mal e sempre tem dois "l" no nome.

Diogo Belford Henriques: Membro do Conselho de Opinião da RTP nomeado pelo CDS. Conselho de Opinião da RTP, really? Colunista e "board" numa sociedade de advogados da nossa praça. Portanto, colunistas, membros de sociedades de advogados e académicos... Vamos bem. Por pouco não tinha nome de carrinha de caixa aberta...

Eugénia Galvão Teles: Mais uma pessoa do direito e colunista. Confesso que começo a perder as deixas e assim o meu artigo começa a ser repetitivo.

Fernando Alexandre: Secretário de Estado e académico. Consoante a cor partidária vai tendo uma opinião diferente do país. Notável. Venha gente nova e original, pelo menos, neste caso, a opinião vai mudando.

Francisco José Viegas: Um dos que está sempre em todas... Colunista, editor, um dos dinossauros do país, opinador profissional. Convém ter gente mais velha da nossa sociedade, é preciso moderar a rebeldia desta juventude no manifesto. Tem uma coisa boa, adora Vergílio Ferreira.

Francisco Mendes da Silva: Mais um advogado de uma grande sociedade e político profissional. Tenho de ir ver outra vez se no manifesto consta, de facto, originalidade.

Gonçalo Dorotea Cevada: mais um cavalheiro das consultoras, especialista em matéria fiscal e... colunista... Pois...

Henrique Burnay: Um independente... Não... Mais um cavalheiro do Direito e académico, é senior partner de uma consultora. Mais um representante do que é ser português. 

Henrique Raposo: ainda dizem que Marcelo está em todas. Este é mais um daqueles cavalheiros que está em todas sem ninguém perceber muito bem porquê... Aqui é um típico português. E também é colunista em tudo e mais alguma coisa.

Inês Teotónio Pereira: jornalista e política e mais uma cara nova, ou talvez não. Jornalista e política, também não preciso de dizer mais nada.

João Amaro Correia: arquitecto e fervoroso benfiquista. Pelo menos, no clube tem semelhança com mais de metade da população. Consta que é blogger com vocação e instagramer por intuição. Um bom mote para mudar o país.

João Diogo Barbosa: aquela malta que ainda não terminou a universidade mas já tem uma carreira em ascensão? É jovem, mas os hábitos são velhos e bons amigos não devem faltar.

João Nuno Vaz Tomé: se é quem eu estou a pensar, mais um cavalheiro independente. Perdão, afinal é do CDS.

João Taborda da Gama: Secretário de Estado e filho de Jaime Gama... Que original... A grande família socialista também a ter representação. 

José Diogo Quintela: Olha o indivíduo que gosta de explorar trabalhadores e gosta de dizer isso na televisão. Também não é aquele que é apanhado alcoolizado a conduzir e todos acham imensa piada? Mais um colunista no Público e no Observador, bons fornecedores deste movimento. E pensar que este indivíduo, tal como os restantes Gato Fedorento evoluíram de "palmeiros profissionais" e com píadas que hoje criticam...  Admira-me que não esteja aqui um Tiago Dores, um sem-abrigo a quem o Observador deu um jeito.

José Eduardo Martins: advogado, colunista, deputado e um dos barões do PSD. Só sangue novo e com ideias novas...

Lourenço Cordeiro: não conheço mas numa coisa é moderno: frequenta muito o twitter.

Margarida Olazabal Cabral: mais uma advogada de uma grande sociedade de advogados... Irra, não cessa...

Miguel Esteves Cardoso: escreve-se uns livros com vernáculo, o Público e umas rádios elevam-no a intelectual, cria um jornal para dizer mal da concorrência olhando pouco à ética e aí está: sempre em tudo e todas... Mais uma pessoa jovem e muito original. Desde Março fechado em casa! O homem com que podemos contar para vir para a rua combater pelo país!

Miguel Loureiro: Um homem das artes! Ena, menos mal... Espero...

Miguel Monjardino: colunista e académico. Eu sei, não é de propósito, mas não posso evitar.

Miguel Poiares Maduro: olha o cavalheiro preocupado com o mundo mas gourmet de grande gabarito. Afinal eu também sou um pouco hipócrita. Vá lá que não tem filiação política, não é colunista e não é mais um académico. Alto... Um momento... Afinal é tudo isso... Até gosto do cavalheiro.

Nuno Amaral Jerónimo: Espero que não seja o cavalheiro que faz tudo em 10 e 15 minutos! É mesmo... Este cavalheiro sabe "como ficar estupidamente culto em apenas 10 minutos" ou então "como salvar o mundo em 15 minutos". O rei da TedEx, vou já largar o Tony Robbins. 

Nuno Gonçalo Poças: mais um advogado e mais um colunista do Observador... E lá vai o coelinho da Duracell.

Nuno Miguel Guedes: é aquele cavalheiro jornalista que tira sempre fotos em grande estilo e com a cabeça sempre de lado não é?

Nuno Sampaio: Arquitecto, certo? Já são dois... Cuidado, senhores advogados.

Pedro Gomes Sanches: Um homem do Estado, académico e colunista do Observador... "And going and going...". Proferiu isto: "Não sou conservador porque sou católico, ou porque sou avesso à mudança, ou porque antigamente é que era bom. E por isso sou do CDS e creio que é o João Almeida a escolha de que o partido necessita". Um génio.

Pedro Mexia: Mais um real emplastro... Uma cara nova. Poeta, colunista, critíco literário. Só novidades e um digno representante do que é ser português.

Pedro Norton: um homem da televisão, que até gosto de ouvir, e também da Gulbenkian. Já faltava uma novidade perante tanto mais do mesmo... Hum...

Pedro Picoito: Académico, colunista e já viram a foto do cavalheiro no Observador? Hilariante... Vejam...

Raquel Vaz-Pinto: Com um apelido totalmente desconhecido e mais uma académica. Estamos bem entregues, portanto. E viva a gente nova e original.

Rubina Berardo: esta economista soube cedo o que era importante para vencer na vida: tirar cursos superiores e ser política. Original não é?

Samuel de Paiva Pires: já foi muita coisa, mas é essencialmente mais um académico. Como muitos desta lista, já tem no LinkedIn que faz parte do manifesto, toca a criar engagement

Samuel Úria: já mais de uma dúzia de pessoas me perguntou quem era este cavalheiro. É músico e colunista. Não gosto como músico fui ver como se safava a dar opiniões. Continue músico... Também está em todas, não vá cair no esquecimento.

Sandra Clemente: Direito, Academia, Colunismo... E pronto, é isto...

Sebastião Bugalho: então mas este não era aquele jovem estudante, filho de jornalistas e que sem saber ler nem escrever rapidamente ascendeu no i, passou para o Sol, TVI,  vendeu-se a um partido, agora está no Observador e pelo meio tem grandes flops quando o assunto é ética. Jovem, mas vícios de dinossauro do burgo. É inacreditável como é que estes indivíduos... E como é que alguém ainda o convida para um manifesto. Por este andar, quem será o seguinte, o Armando Vara?

Teresa Caeiro: política, direito... E pronto, lá vai o coelinho Duracell...Gente jovem não falta.

Teresa Violante: Académica e colunista no... Observador. Esta malta janta todos os dias no mesmo restaurante e na mesma mesa, certo? Ah, também tem Direito na formação.

Vasco Ressano Garcia: Alguém que mistura política e Igreja como quem faz uma salada de alface e tomate para o jantar sem lhe colocar oregãos e azeite. Alguém que está voltado para o futuro, sem dúvida.

Vasco Rosa: mais um colunista do Observador, penso eu. Desconheço o CV, mas já vi que também é pouco importante.

Vera Gouveia Barros: colunista, académica e uma mulher do Estado. Era aqui que eu tinha esperança de encontrar uma mulher empresária... Ah... Foi por pouco.

 

De facto é interessante ver aqui o português comum, fora das lides partidárias, longe da sociedade bafienta alfacinha, dos jantares de troca de favores. O português que trabalha e que todos os dias vive realmente em Portugal. Vejo aqui empresários, gente de trabalho, e uma representação de Norte a Sul, desde Tui até Huelva... Perdão, Valença até Vila Real de Santo António. Temos futuro! Temos futuro! Haja esperança... Para ser ainda mais actual, apenas sugiro que não só a maioria apresente nomes com dois apelidos mas todos os assinantes. Se querem estar actuais é fundamental.

 

Falta a assinatura do Bloco de Esquerda, do PCP e de António Costa... Aliás, ver António Costa criticar uma geringonça entre PSD e Chega é o mesmo que ver Estaline a chamar nomes a Pol Pot, doesn't match. Além de que em Portugal já chegámos à conclusão que direita e esquerda, de facto, não existem... Tem outro nome, mas não é esquerda nem direita.

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