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1000.jpegCréditos: AP/Sam Mednick

 

O Sudão do Sul é mais um daqueles países que, pontualmente, tem 20 segundos de atenção nas notícias e pouco importa para todos nós! O "folclore" dos refugiados no Mediterrâneo tem mais impacte, no entanto, esquecemos que a origem não está nas águas deste mar... Está em locais mais longínquos.

 

Num país devastado pela guerra e consequente violência, travam-se guerras "anónimas". São guerras travadas entre guardas armados de metralhadoras automáticas e caçadores furtivos. Os primeiro defendem as reservas da tirania dos segundos e também da invasão humana. Muitos destes guardas são também antigos soldados que combateram na guerra e agora travam uma guerra que já não é civil mas sim contra aqueles que querem destruir uma das, se não a maior, riquezas do Sudão do Sul: os parques nacionais! São seis parque nacionais e 13 reservas de caça (13% do território).

 

Num país onde a guerra matou mais de 400 000 pessoas e cuja paz ainda é recente e frágil, procura-se agora estimular um turismo sustentável e promover o estudo de todos estes espaços - alguns passos já foram dados em relação ao elefantes da floresta e à grande migração dos antílopes, uma das maiores do continente. No entanto, a tarefa não é fácil: a disseminação de armamento e a sede de consumo dos países desenvolvidos são promotores da caça furtiva! Também os recursos são escassos, num país que investe, mesmo assim cerca de seis milhões de dólares na defesa da natureza (é pouco, mesmo assim, mas acredito que bem mais que num país como Portugal - mais rico, por sinal).

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Créditos: AP/Sam Mednick

 

Esta é uma guerra que não pretende dar tréguas - para que se tenha uma ideia, os guardas do parque dormem sempre separados, pois os ataques dos caçadores furtivos a estes são constantes e a garantia de que pelo menos alguns possam sobreviver já é uma conquista! Estes são os verdadeiros guardas da Natureza, ou melhor, os soldados da Natureza que além de lidarem com autênticos guerrilheiros ainda têm de conter o avanço das populações que, com a exploração agricola, vão devastando importantes áreas protegidas. Juntem-se a isto as ameaças de morte e temos um cocktail explosivo!

 

Todavia, entre a crueldade existem sempre focos de esperança. É importante ter em conta que estamos num país em ruinas e no centro de África, mas surgem iniciativas no sentido de mostrar e explicar este valioso património às crianças, de fazer viagens de campo colocando as crianças "em contacto" com os animais - só assim a destruição poderá dar lugar à preservação e criar uma mentalidade de união nacional na defesa daquele que é um património do Sudão do Sul e de todos nós! Também assim, o Sudão do Sul está a investir em futuros soldados da Natureza e também em, quiçá, futuros técnicos de turismo ambiental e sustentável ou até biólogos e investigadores!

 

Com o apoio de entidades estrangeiras mas ainda sem o peso de muitas associações ou ONG (que, não raras vezes, atrasam o processo e não criam empowerment nas populações), podemos ter aqui um exemplo para o mundo. Talvez assim, também possamos ser mais activos na defesa do ambiente no nosso país, até porque andamos preocupados com as políticas ambientais de um país (sempre o mesmo) do outro lado do Atlântico e fechamos os olhos ao que se passa por cá e no resto do mundo.

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O Toiro Vencedor!

por Robinson Kanes, em 09.07.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Em pleno século XXI, num país que se diz desenvolvido, ainda tenho de fazer a seguinte pergunta: a que pretexto se violenta um animal na arena, ou nas ruas de uma qualquer cidade, por puro prazer ou desporto? Também não venho apregoar politicas à PAN e defender que todos devem comer ração vegetal (enquanto o PAN às escondidas devorará, muito provavelmente, umas boas costeletas de novilho). 

 

Tenho de sublinhar que também me fazem uma certa impressão as reacções humanas quando é o touro a ganhar a "parada" - então mas não é o desafio do homem contra a "besta"? A "arte" não é essa, ou quando a "arte" não joga a nosso favor interpretamos as coisas de forma diferente, como a derrota do touro fosse sempre certa? Fica a questão... 

 

Importa também lembrar que na equação existe um cavalo... Alguém por acaso também observa o sofrimento do cavalo, ou pensam que um animal daqueles se diverte? Só quem não conhece o comportamento dos cavalos é que defende o contrário. Iniciemos pelo básico da questão (e já não entro em questões comportamentais): experimentem ser montados por indivíduos que não sabem montar a cavalo (de dressage sabem pouco) e além disso peçam que vos coloquem arreios pela goela abaixo, e enquanto vos montam, ainda vos obrigam a fazer hiperflexão do pescoço. Genial, não?

 

A isto juntam-se os seres humanos que praticam a tauromaquia, normalmente oriundos das mesmas famílias de sempre, algumas ricas, outras que gostariam de ser mas que, na sua maioria, dominam as lides nacionais... O povo que se entretenha a pegar o touro ou sonhe com a hipótese de um dia ser matador.

 

 

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A propósito do mais recente "acidente" em Coruche, desta vez foi o touro a ganhar, ou não... Terá tido um sofrimento ainda maior - conhecendo algumas das personagens que frequentam praças de touros, terá sofrido e muito... Mas ganhou e nem por isso saiu em braços e foi adorado por todos aqueles que estavam na praça de touros!

 

Em suma, podemos esperar alguma coisa de alguém que se diverte a assistir a um espancamento (e morte) gratuita de outro animal? Admito que me faz confusão... E em alguns casos até poderei ser hipócrita na abordagem, afinal também como peixe como se não houvesse amanhã. No entanto, não deixo de defender a vida animal! Além disso, estes espectáculos são, não raras vezes, financiados por todos nós!

 

Mas sim, também eu sou hipócrita que não abdico da amizade de muitas famílias com ganadarias e criadores equinos, pessoas que valorizo bastante, e perdoem-me, até mais que os "solidários" e "ambientalistas" de sofá ou de televisão. Admiro a camaradagem do povo ribatejano e dos marialvas, um povo singular e com quem sei que posso contar! Verdadeiros amigos, gente boa e com que me divirto muito! Sim, é verdade... Admiro essa gente e sua companhia faz-me bem! Bem melhor do que a da maioria dos defensores dos animais!

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O Meu Reino por um Cavalo!

por Robinson Kanes, em 28.02.19

A Liberdade. Como é difícil. Numa carroça, quem tem menos problemas é o cavalo.

Vergílio Ferreira, in "Conta Corrente III"

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Cavalo inteligente? É o cavalo que não se deixa montar.

Entre vinho branco do Tejo e petiscos... Uma conversa onde o Robinson estava metido... Algures na Chamusca...

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O corpo humano é a carruagem, eu, o homem que a conduz, os pensamentos as rédeas, os sentimentos são os cavalos.

Platão, in "República"

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Um cavalo, o meu reino por um cavalo.

William Shakespeare, in "Ricardo III" 

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Fotos: Robinson Kanes

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Caminhando e Voando Baixinho...

por Robinson Kanes, em 10.09.18

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Fonte: Robinson Kanes e GC 

 

 

Eles estão por aí... Andam também pelas nossas cidades, e não são raras as vezes em que estão mesmo junto a nós e nem damos por eles... O corvo (corvus) é das aves (é um passeriforme) mais belas que existem! Ao longo dos séculos foram perseguidos e associados a temáticas como a bruxaria e não só - muito por culpa de uma religião que viu demónios em tudo e decidiu criar símbolos que acabaram por ter consequências nefastas para muitos animais, especialmente para as aves.

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Os corvos andam em todo o lado e aquele crocitar tão característico é facilmente reconhecível. Devo admitir que aves pretas e cavalos pretos são uma paixão que tenho. Estes senhores nada temem e já não são raras as vezes em que observo que não hesitam um segundo em desafiar outras aves como falcões ou águias - num desses episódios, uma águia calçada (aquila pennata) foi "obrigada" a desistir de um ataque porque a mãe corvo não desarmou. Foram tais as investidas que terá tomado, provavelmente, a melhor decisão. Só para que se tenha uma ideia, o falcão-sacre (falco cherrug) que estava connosco e foi colocado a voar, não ousou sair de um telhado enquanto a mesma águia não desapareceu. 

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Estes companheiros foram observados à beira do Reno perto de Neuss e o facto de caminharem por aquelas bandas sem acusarem a nossa presença foi fundamental para os ver mais de perto em pleno solo, o que não é de todo incomum, são aves territoriais que passam muito tempo no solo (entenda-se solo bem visível e perto dos humanos), ao contrário de outras.

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Já terão percebido que os senhores que se seguem são os ratos, não que eu perceba muito destes animais, devo dizer que admiro a inteligência dos mesmos e a forma - por vezes "trágica" - como se organizam. Em muitos casos são estudados em comparação com o comportamento humano e as diferenças não são assim tão poucas... 

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Em termos de propagação de doenças, os ratos também não são propriamente apreciados, todavia, tenhamos em conta que também nós não passamos tal exame com distinção e somos responsáveis por muitas das doenças que estes também acabaram por "desenvolver". Estes exemplares que encontramos nas fotografias foram fotografados em plena cidade de Paris, um antro de ratos (e não estou a ser irónico). Em Paris e tantas outras cidades, apesar do perigo, o convívio entre ratos e humanos nem sempre é de guerra e enquanto se está sentado no jardim ou no parque, não são raras as ocasiões em que uns ignoram outros e em alguns casos até confraternizam.

IMG_3775.JPG Por aqui andámos a voar baixinho e a caminhar bem junto ao chão... Afinal, quando somos bipedes, tendemos a esquecer que algumas das maiores riquezas do planeta e da vida, estão mesmo ali em baixo.

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Lagarto! Lagarto! Lagarto!

por Robinson Kanes, em 13.04.18

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Fonte das Imagens: Própria 

 

Um pouco por todo o país, os nossos amigos verdinhos e simpáticos já começam a sair das tocas... Sempre tive um fascínio por estes animais, não fosse lá por casa ter tido durante uns verões consecutivos um amigo que por ali ficava no muro e "afastava" todos aqueles que tentavam passar perto de casa...

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Nem os cães o assustavam e lá estava ele, no muro entre um pequeno corredor e as escadas, deitando a sua língua de fora a quem passava - falta de educação? Medo? Poderia ser tudo, mas foi ficando e repetia a estada todos os anos - nem mesmo um jacto de água acidental o afastou.

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Como ele, existem outros tantos que por aí estão escondidos, sobretudo entre as ervas ou nos buracos do muros ou das pedras. Não é raro, em muitas caminhados ouvirmos aquele movimento nas ervas e ficarmos a olhar sem nada encontrar: de facto, na maioria das vezes serão pequenos roedores, lagartixas e até cobras, mas os lagartos também não são raros.

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Mal amados por muitos, quando entram em casa dos humanos são rapidamente corridos ou mortos, no entanto, o mal que fazem é muito pouco comparado com os humanos. Como muitos outros animais, sobretudo répteis, também os lagartos sofreram com as susperstições e alguma sabedoria popular e religiosa que os fez inimigos das pessoas. No entanto, mesmo quando espojado num qualquer muro, se não fugirem à nossa passagem, ali ficam olhando-nos preguiçosamente e vendo-nos passar.

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 Será motivo para dizermos a estes companheiros, mas com um sorriso na cara e sem pânico: Lagarto! Lagarto! Lagarto! Ou então sempre podemos ficar assustados e dizer "cobras e lagartos" dos mesmos.

 

 

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O Pointer Inglês...

por Robinson Kanes, em 06.03.18

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 Fonte das Imagens: Própria e GC

 

Uma das coisas que mais me agrada, quando vou para lá das terras do "pai do vento", é a oportunidade de estar com o Pointer... Não porque seja um cão de raça - nunca fizemos qualquer aquisição de cães - mas sobretudo pela energia que este transmite.. Uma energia e genica que não lembra a ninguém!

 

Experimentem começar o vosso dia com uma caminhada pelos montes e vales da Cabreira, do Larouco, da Amarela ou do Alvão e serem acompanhados por um cão que não consegue andar sem ser a correr! Experimentem ver um cão que não consegue estar parado, que desaparece entre a vegetação, persegue coelhos e outros animais e simplesmente não sabe onde fica o botão de "desligar". Imaginem que param para comer algo e aquela figura de quatro patas não consegue estar quieto! Agora vejam-se a chegar a casa, com as botas - que ao final do dia parecem pesar 50 quilos cada uma - e aquela "coisa" ainda não está cansada!

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Como perdigueiro que é, de facto, o Pointer é capaz de fazer grandes distâncias, mas convenhamos... É demais! "Aquilo" não se cansa! Infelizmente, talvez por isso, também a esperança de vida destes seja muito curta face a outros cães. E sim, não é fácil conseguir uma fotografia como aquela que podem ver abaixo! Acredito que se deve a muito calor e ao facto dos tutores estarem dentro de casa, pelo que, os ânimos estão um pouco mais calmos... No entanto, não coloquem um pé fora de casa!

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Este bicho estranho, além disso, adora esfregar-se na lama, nas ervas, no estrume de outros animais e em tudo o que seja óptimo para se conseguir um cheiro pouco agradável. Ainda não percebi porque é que os anúncios ao "SKIP" não utilizam perdigueiros - era uma óptima ideia! Por falar em anúncios... Lembrei-me que um bom artigo para sexta-feira, quiçá umas leituras interessantes sobre estes amigos, os cães, não os senhores de marketing da Unilever! E com isto, lá estou a dizer que o "SKIP" é bom, e de facto é, mas agora até estou a experimentar "X-TRA" que até tem um boneco bem giro e é da concorrente Henkel! E o que é que isto tem a ver se não me pagam publicidade e este artigo não tem nada a ver com detergente para a roupa? Não sei! Enfim, fiquemos com o olhar do nosso amigo, tentando adivinhar onde existem perdizes para que as possa parar.

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E sim, embora quem me acompanha diariamente seja o alemão, admito que este inglês é também uma daquelas personagens que me fazem sempre acreditar que uma das melhores coisas do mundo é percorrer os campos e as serras com os nossos companheiros que nunca nos abandonam. Lá vai ele a correr... Hey Pointer, despede-te das pessoas... Ainda bem que estava ali uma vedação, caso contrário não teriam este olhar de quem vos está a dizer até à próxima...

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Fezes de Cão que Dão à Luz...

por Robinson Kanes, em 19.02.18

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Fonte da Imagem: Pixabay - Maky Orel

 

Como tutor de um cão fantástico, apanho sempre os excrementos do meu companheiro. É importante que isso aconteça, afinal mais parecem excrementos de cavalo. No entanto, parece que muitos tutores de cães, sobretudo pequenos, desconhecem essa prática.

 

Terá sido a pensar nisso que o senhor Brian Harper desenvolveu uma nova forma de dar à luz, literalmente. Harper desenvolveu um sistema que utiliza as fezes caninas como fonte de energia para candeeiros na via pública. Como tudo isto funciona? Os tutores dos animais terão de recolher os excrementos no saco (aqueles que o fazem) e depositar os mesmos num sistema de digestão anaeróbia que se encontra colocado nos candeeiros. A partir daí os excrementos são aquecidos, centrifugados até serem transformados por microorganismos. O resto é simples, pois o resultado final será um composto de biometano que permite não só fornecer energia para as lâmpadas mas também gerar fertilizante... Nem Lavoisier teria pensado nisto! Melhor, 10 sacos de excrementos são o suficiente para gerar 2 horas de iluminação! 

 

Reparem no ciclo! O vosso cão produz excrementos que podem ser reutilizados e também acabam por vos obrigar a apanhar os mesmos, sobretudo em locais onde se torna mais complicado a sua biodegradação. Com isso alimentam os candeeiros das vossas ruas e fertilizam as terras!

 

Não estamos perante um processo novo, o mesmo já é utilizado pelo mundo fora, o biogás é um exemplo. A propósito deste tipo de processos, voltarei em breve com mais um excelente exemplo.

 

Para o bem, já não temos desculpa para não apanhar os excrementos dos nossos animais.

 

Brian Harper tem sido um impulsionador da utilização de lâmpadas a gás - podem ver aqui um video da BBC onde o Sr. Harper explica o processo.

 

 

 

 

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O Tejo, Esmond Bradley Martin e a Cidade do Cabo...

por Robinson Kanes, em 06.02.18

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Fonte da Imagem: https://www.thetimes.co.uk/article/ivory-trade-investigator-esmond-bradley-martin-murdered-in-kenya-k65bltr0r

 

 

Hoje este espaço está de luto... Está de luto porque existe um rio chamado Tejo mas ninguém quer saber... Pelo menos até secar. Quando isso acontecer lá vamos ter os do costume a posar para a fotografia e a dizerem-se muito preocupados com os portugueses, com o discurso do "tudo está a ser feito"! Enquanto assim não for, vamos continuar calados, mesmo que passemos a vida a falar de tudo e de nada quais cataventos que seleccionam as brisas e se escondem de outras que podem retirar votos e "amizades" com interesses óbvios. É mais fácil andar sempre perto dos sem-abrigo, mesmo que sejam só um ou dois, passando a ideia de que em Portugal são aos milhões, do que propriamente falar e agir contra a poluição no Tejo... Não é Sr. Presidente?

 

Mas o "Não É Que Não Houvesse" também está de luto porque foi encontrado esfaqueado, na sua casa de Nairobi, o activista/conservacionista, Esmond Bradley Martin, um dos maiores nomes quando se fala em combate ao tráfico de marfim! Em Portugal, em alguns meios, também acredito que foi uma morte aplaudida.  

 

É a este homem que devemos algum conhecimento acerca das rotas de tráfico de marfim e a protecção em larga escala de elefantes e rinocerontes! A notícia, encontrei-a na National Geographic e na Time e partilho convosco os links. Dou também os parabéns ao SAPO por ter partilhado também esta notícia e ter dado a conhecer a morte deste senhor nos canais de comunicação nacionais - parabéns.

 

Além da chacina destes mamíferos, o tráfico de marfim alimenta dezenas de guerras civis em África, Médio-Oriente e no Sudoeste Asiático, sem esquecer redes terroristas que encontram neste comércio uma forma de financiar os seus ataques e propaganda. Bradley Martin foi ainda responsável pelo facto de muitos países proibirem este comércio e lançarem verdadeiras intervenções no terreno contra esta prática... A juntar a tudo isto, Bradley Martin foi só mais um a ser assassinado, pois estas redes não olham a meios e todos os anos morrem milhares de heróis desconhecidos nesta verdadeira guerra, desde investigadores a guardas dos parques nacionais! 

 

Finalmente, o luto fecha-se com o drama que vive a cidade do Cabo e o primeiro grande alerta em termos de escassez de água em grandes metrópoles! Antes de desenvolver o assunto, sugiro este artigo brilhante publicado no "The Guardian" e que é da autoria de Anne Van Loon, professora e investigadora em "Ciências da Água" na Universidade de Birmingham. É um artigo a propósito desta temática e das consequências que poderá ter para o nosso futuro! Tive oportunidade também, de ler uma notícia no "New York Times" e cuja preocupação passava pelos turistas, nomeadamente, como estes podiam ser afectados! "Que se danem os habitantes, cuidado é com as viagens para o Cabo".

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Fonte da imagem: Associated Press - Bram Janssen 

 

Neste momento, as restrições e as campanhas estão a dar resultados e o "dia zero" está neste momento em 11 de Maio, ou seja, o dia em que a água vai mesmo faltar. Mais interessante ainda, é o facto de muita desta água ter sido utilizada na agricultura, mas também em usos mais luxuosos, como em piscinas, lavagem de automóveis e outros comportamentos que deixam muito a desejar... Não culpem os pobres, a maioria dos habitantes da cidade, pelo desperdício, pois muitos destes abastecem-se em fontes públicas e o consumo não é assim tão elevado. Segundo fontes da Associated Press, os mais pobres consomem apenas 4% a 5% da água!

 

Hoje estamos de luto também porque estes temas não enchem de revolta as redes sociais e a ruas que andam mais preocupadas com programas de televisão, mini-saias, peripécias de clubes de futebol e com o aniversário do Cristiano Ronaldo.

 

 

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Paisagens de 2017 - Os Sobreviventes

por Robinson Kanes, em 28.12.17

 

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

Na zona Centro do país, antes das visitas e dos populismos políticos, foi o inferno que reinou. Este inferno, consumiu, entre outros animais, as crias (deste ano) de muitas aves de presa. Ficou comprometida a reprodução de 2017 e, devido à falta de habitat, muito provavelmente a reprodução dos anos vindouros... Chamei-lhes os sobreviventes... As aves de presa que ficaram e que continuam a transformar os céus num dos mais belos espéctáculos do mundo!

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A nossa paixão pelas aves de presa fez-nos percorrer, com alguma angústia, alguns dos santuários afectados pelos grandes incêndios de 2017. O cenário foi desolador, todavia, apesar da tragédia causada pelos humanos e até pela própria natureza, estas aves continuam a sobrevoar os céus ignorando a nossa presença, procurando alimento enquanto nos proporcionam um espectáculo singular.

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Porque a protecção da natureza continua a não dar votos, resta-nos esperar que perante a nossa inacção, estas senhoras dos céus continuem bravamente a garantir a sua sobrevivência. Por aqui, no que depender de nós, lá estaremos para as ajudar nessa dura caminhada.

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Continuação de Boas Festas...

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IMG_6891.JPGFonte das Imagens: Própria.

 

Ontem falei do Outono e... Falar do Outono sem falar em Trás-os-Montes e mais especificamente em Pitões das Júnias é um autêntica falta de sensibilidade para com esta estação.

 

Pitões das Júnias, no concelho de Montalegre, não está na moda, por isso não confundamos as coisas. Aliás, se alguma vez esteve na moda foi no âmbito da etnologia e da antropologia sobretudo no estudo e na abordagem às aldeias comunitárias.  Sobre uma delas debrucei-me em tempos, Tourém.O próprio nome da aldeia ainda hoje é alvo de um grande debate, pois não é fácil perceber a sua origem.

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Pitões das Júnias é a aldeia mais alta do Barroso e encontra-se no Parque Natural da Peneda-Gerês. Apesar da proximidade com Espanha, não deixa de ser uma aldeia perdida do interior, uma aldeia esquecida e que tem, graças ao turismo, conseguido manter-se de forma a que não se torne apenas mais uma recordação do passado. A abordagem a Pitões também não pode ficar circunscrita só a um artigo (cá voltaremos), apesar da dimensão da aldeia e da sua população de pouco mais de 150 habitantes. Pitões é mais que uma aldeia, e quando chegamos a Pitões é fácil sentir essa diferença. Pitões é a história de um povo que numa região inóspita lutou contra as adversidades de um clima rigoroso e contra a distância dos grandes centros e isso reconhece-se ainda hoje nos rostos daquelas gentes - gente forte, dura mas de uma humildade e carinho singulares. A própria génesa das aldeias comunitárias nasce dessa necessidade de união e partilha face aos diferentes desafios.

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Entre o rio, a "Pala da Vaca" e os "Cornos de Pitões" (Cornos da Fonte Fria), como são chamadas pelos locais as elevações que "protegem" a aldeia e que contribuem para uma imagem pitoresca sobretudo ao amanhecer e durante o crespúsculo. A vista da aldeia a partir do cemitério é algo que fica para sempre na nossa memória. Daí podemos rever o nosso circuito dentro da aldeia e imaginarmo-nos nós também como parte da mesma. O forno comunitário/Ecomuseu, as fontes com uma água cristalina, a Igreja e as diferentes casas são de uma beleza indescritível e não faltam relatos desta riqueza em livros e também na web, sobretudo daqueles que lá vivem, e não daqueles que, como eu, só lá vão de vez em quando.

 

Também não é incomum encontrarmo-nos com amigos de 4 patas, sejam bois ou enormes cães que nos abordam com um olhar inquiridor mas rapidamente se deixam contagiar pelas nossas festas.

 

Entre os "Prados do Lima", os "cornos" e os ribeiros podemos encontrar verdadeiros dias de descanso, considero até que é um dos locais perfeitos para fugir do mundo e reflectir. Contudo não nos deixemos enganar, pois não perdemos a ligação com a vida e com as pessoas, a outra grande riqueza desta aldeia. Em Pitões apodemos perder a carteira com algum dinheiro e rapidamente toda uma aldeia se mobiliza para encontrar o proprietário da mesma, mesmo que este já se encontre em Lisboa com a memória da "Cascata" ainda bem presente nos seus pensamentos.

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Mas voltaremos a Pitões para descobrir mais um dos segredos deste nosso país. Por agora repousemos entre um clareira rodeada de carvalhos e estudemos este interessante percurso recomendado pelo ICNF. Depois, abramos os nosso cesto de piquenique porque a fome já aperta. Ao que sei está rechedado de enchidos e licores da região...

 

Finalmente, e como Pitões se encontra num Parque Natural, nada como recordar o Código de Conduta e Boas Práticas que deve ser interiorizado por todos os visitantes das áreas protegidas.

 

Bom fim-de-semana...

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