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Caminhando e Voando Baixinho...

por Robinson Kanes, em 10.09.18

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Fonte: Robinson Kanes e GC 

 

 

Eles estão por aí... Andam também pelas nossas cidades, e não são raras as vezes em que estão mesmo junto a nós e nem damos por eles... O corvo (corvus) é das aves (é um passeriforme) mais belas que existem! Ao longo dos séculos foram perseguidos e associados a temáticas como a bruxaria e não só - muito por culpa de uma religião que viu demónios em tudo e decidiu criar símbolos que acabaram por ter consequências nefastas para muitos animais, especialmente para as aves.

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Os corvos andam em todo o lado e aquele crocitar tão característico é facilmente reconhecível. Devo admitir que aves pretas e cavalos pretos são uma paixão que tenho. Estes senhores nada temem e já não são raras as vezes em que observo que não hesitam um segundo em desafiar outras aves como falcões ou águias - num desses episódios, uma águia calçada (aquila pennata) foi "obrigada" a desistir de um ataque porque a mãe corvo não desarmou. Foram tais as investidas que terá tomado, provavelmente, a melhor decisão. Só para que se tenha uma ideia, o falcão-sacre (falco cherrug) que estava connosco e foi colocado a voar, não ousou sair de um telhado enquanto a mesma águia não desapareceu. 

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Estes companheiros foram observados à beira do Reno perto de Neuss e o facto de caminharem por aquelas bandas sem acusarem a nossa presença foi fundamental para os ver mais de perto em pleno solo, o que não é de todo incomum, são aves territoriais que passam muito tempo no solo (entenda-se solo bem visível e perto dos humanos), ao contrário de outras.

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Já terão percebido que os senhores que se seguem são os ratos, não que eu perceba muito destes animais, devo dizer que admiro a inteligência dos mesmos e a forma - por vezes "trágica" - como se organizam. Em muitos casos são estudados em comparação com o comportamento humano e as diferenças não são assim tão poucas... 

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Em termos de propagação de doenças, os ratos também não são propriamente apreciados, todavia, tenhamos em conta que também nós não passamos tal exame com distinção e somos responsáveis por muitas das doenças que estes também acabaram por "desenvolver". Estes exemplares que encontramos nas fotografias foram fotografados em plena cidade de Paris, um antro de ratos (e não estou a ser irónico). Em Paris e tantas outras cidades, apesar do perigo, o convívio entre ratos e humanos nem sempre é de guerra e enquanto se está sentado no jardim ou no parque, não são raras as ocasiões em que uns ignoram outros e em alguns casos até confraternizam.

IMG_3775.JPG Por aqui andámos a voar baixinho e a caminhar bem junto ao chão... Afinal, quando somos bipedes, tendemos a esquecer que algumas das maiores riquezas do planeta e da vida, estão mesmo ali em baixo.

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Lagarto! Lagarto! Lagarto!

por Robinson Kanes, em 13.04.18

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Fonte das Imagens: Própria 

 

Um pouco por todo o país, os nossos amigos verdinhos e simpáticos já começam a sair das tocas... Sempre tive um fascínio por estes animais, não fosse lá por casa ter tido durante uns verões consecutivos um amigo que por ali ficava no muro e "afastava" todos aqueles que tentavam passar perto de casa...

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Nem os cães o assustavam e lá estava ele, no muro entre um pequeno corredor e as escadas, deitando a sua língua de fora a quem passava - falta de educação? Medo? Poderia ser tudo, mas foi ficando e repetia a estada todos os anos - nem mesmo um jacto de água acidental o afastou.

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Como ele, existem outros tantos que por aí estão escondidos, sobretudo entre as ervas ou nos buracos do muros ou das pedras. Não é raro, em muitas caminhados ouvirmos aquele movimento nas ervas e ficarmos a olhar sem nada encontrar: de facto, na maioria das vezes serão pequenos roedores, lagartixas e até cobras, mas os lagartos também não são raros.

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Mal amados por muitos, quando entram em casa dos humanos são rapidamente corridos ou mortos, no entanto, o mal que fazem é muito pouco comparado com os humanos. Como muitos outros animais, sobretudo répteis, também os lagartos sofreram com as susperstições e alguma sabedoria popular e religiosa que os fez inimigos das pessoas. No entanto, mesmo quando espojado num qualquer muro, se não fugirem à nossa passagem, ali ficam olhando-nos preguiçosamente e vendo-nos passar.

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 Será motivo para dizermos a estes companheiros, mas com um sorriso na cara e sem pânico: Lagarto! Lagarto! Lagarto! Ou então sempre podemos ficar assustados e dizer "cobras e lagartos" dos mesmos.

 

 

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O Pointer Inglês...

por Robinson Kanes, em 06.03.18

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 Fonte das Imagens: Própria e GC

 

Uma das coisas que mais me agrada, quando vou para lá das terras do "pai do vento", é a oportunidade de estar com o Pointer... Não porque seja um cão de raça - nunca fizemos qualquer aquisição de cães - mas sobretudo pela energia que este transmite.. Uma energia e genica que não lembra a ninguém!

 

Experimentem começar o vosso dia com uma caminhada pelos montes e vales da Cabreira, do Larouco, da Amarela ou do Alvão e serem acompanhados por um cão que não consegue andar sem ser a correr! Experimentem ver um cão que não consegue estar parado, que desaparece entre a vegetação, persegue coelhos e outros animais e simplesmente não sabe onde fica o botão de "desligar". Imaginem que param para comer algo e aquela figura de quatro patas não consegue estar quieto! Agora vejam-se a chegar a casa, com as botas - que ao final do dia parecem pesar 50 quilos cada uma - e aquela "coisa" ainda não está cansada!

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Como perdigueiro que é, de facto, o Pointer é capaz de fazer grandes distâncias, mas convenhamos... É demais! "Aquilo" não se cansa! Infelizmente, talvez por isso, também a esperança de vida destes seja muito curta face a outros cães. E sim, não é fácil conseguir uma fotografia como aquela que podem ver abaixo! Acredito que se deve a muito calor e ao facto dos tutores estarem dentro de casa, pelo que, os ânimos estão um pouco mais calmos... No entanto, não coloquem um pé fora de casa!

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Este bicho estranho, além disso, adora esfregar-se na lama, nas ervas, no estrume de outros animais e em tudo o que seja óptimo para se conseguir um cheiro pouco agradável. Ainda não percebi porque é que os anúncios ao "SKIP" não utilizam perdigueiros - era uma óptima ideia! Por falar em anúncios... Lembrei-me que um bom artigo para sexta-feira, quiçá umas leituras interessantes sobre estes amigos, os cães, não os senhores de marketing da Unilever! E com isto, lá estou a dizer que o "SKIP" é bom, e de facto é, mas agora até estou a experimentar "X-TRA" que até tem um boneco bem giro e é da concorrente Henkel! E o que é que isto tem a ver se não me pagam publicidade e este artigo não tem nada a ver com detergente para a roupa? Não sei! Enfim, fiquemos com o olhar do nosso amigo, tentando adivinhar onde existem perdizes para que as possa parar.

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E sim, embora quem me acompanha diariamente seja o alemão, admito que este inglês é também uma daquelas personagens que me fazem sempre acreditar que uma das melhores coisas do mundo é percorrer os campos e as serras com os nossos companheiros que nunca nos abandonam. Lá vai ele a correr... Hey Pointer, despede-te das pessoas... Ainda bem que estava ali uma vedação, caso contrário não teriam este olhar de quem vos está a dizer até à próxima...

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Fezes de Cão que Dão à Luz...

por Robinson Kanes, em 19.02.18

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Fonte da Imagem: Pixabay - Maky Orel

 

Como tutor de um cão fantástico, apanho sempre os excrementos do meu companheiro. É importante que isso aconteça, afinal mais parecem excrementos de cavalo. No entanto, parece que muitos tutores de cães, sobretudo pequenos, desconhecem essa prática.

 

Terá sido a pensar nisso que o senhor Brian Harper desenvolveu uma nova forma de dar à luz, literalmente. Harper desenvolveu um sistema que utiliza as fezes caninas como fonte de energia para candeeiros na via pública. Como tudo isto funciona? Os tutores dos animais terão de recolher os excrementos no saco (aqueles que o fazem) e depositar os mesmos num sistema de digestão anaeróbia que se encontra colocado nos candeeiros. A partir daí os excrementos são aquecidos, centrifugados até serem transformados por microorganismos. O resto é simples, pois o resultado final será um composto de biometano que permite não só fornecer energia para as lâmpadas mas também gerar fertilizante... Nem Lavoisier teria pensado nisto! Melhor, 10 sacos de excrementos são o suficiente para gerar 2 horas de iluminação! 

 

Reparem no ciclo! O vosso cão produz excrementos que podem ser reutilizados e também acabam por vos obrigar a apanhar os mesmos, sobretudo em locais onde se torna mais complicado a sua biodegradação. Com isso alimentam os candeeiros das vossas ruas e fertilizam as terras!

 

Não estamos perante um processo novo, o mesmo já é utilizado pelo mundo fora, o biogás é um exemplo. A propósito deste tipo de processos, voltarei em breve com mais um excelente exemplo.

 

Para o bem, já não temos desculpa para não apanhar os excrementos dos nossos animais.

 

Brian Harper tem sido um impulsionador da utilização de lâmpadas a gás - podem ver aqui um video da BBC onde o Sr. Harper explica o processo.

 

 

 

 

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O Tejo, Esmond Bradley Martin e a Cidade do Cabo...

por Robinson Kanes, em 06.02.18

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Fonte da Imagem: https://www.thetimes.co.uk/article/ivory-trade-investigator-esmond-bradley-martin-murdered-in-kenya-k65bltr0r

 

 

Hoje este espaço está de luto... Está de luto porque existe um rio chamado Tejo mas ninguém quer saber... Pelo menos até secar. Quando isso acontecer lá vamos ter os do costume a posar para a fotografia e a dizerem-se muito preocupados com os portugueses, com o discurso do "tudo está a ser feito"! Enquanto assim não for, vamos continuar calados, mesmo que passemos a vida a falar de tudo e de nada quais cataventos que seleccionam as brisas e se escondem de outras que podem retirar votos e "amizades" com interesses óbvios. É mais fácil andar sempre perto dos sem-abrigo, mesmo que sejam só um ou dois, passando a ideia de que em Portugal são aos milhões, do que propriamente falar e agir contra a poluição no Tejo... Não é Sr. Presidente?

 

Mas o "Não É Que Não Houvesse" também está de luto porque foi encontrado esfaqueado, na sua casa de Nairobi, o activista/conservacionista, Esmond Bradley Martin, um dos maiores nomes quando se fala em combate ao tráfico de marfim! Em Portugal, em alguns meios, também acredito que foi uma morte aplaudida.  

 

É a este homem que devemos algum conhecimento acerca das rotas de tráfico de marfim e a protecção em larga escala de elefantes e rinocerontes! A notícia, encontrei-a na National Geographic e na Time e partilho convosco os links. Dou também os parabéns ao SAPO por ter partilhado também esta notícia e ter dado a conhecer a morte deste senhor nos canais de comunicação nacionais - parabéns.

 

Além da chacina destes mamíferos, o tráfico de marfim alimenta dezenas de guerras civis em África, Médio-Oriente e no Sudoeste Asiático, sem esquecer redes terroristas que encontram neste comércio uma forma de financiar os seus ataques e propaganda. Bradley Martin foi ainda responsável pelo facto de muitos países proibirem este comércio e lançarem verdadeiras intervenções no terreno contra esta prática... A juntar a tudo isto, Bradley Martin foi só mais um a ser assassinado, pois estas redes não olham a meios e todos os anos morrem milhares de heróis desconhecidos nesta verdadeira guerra, desde investigadores a guardas dos parques nacionais! 

 

Finalmente, o luto fecha-se com o drama que vive a cidade do Cabo e o primeiro grande alerta em termos de escassez de água em grandes metrópoles! Antes de desenvolver o assunto, sugiro este artigo brilhante publicado no "The Guardian" e que é da autoria de Anne Van Loon, professora e investigadora em "Ciências da Água" na Universidade de Birmingham. É um artigo a propósito desta temática e das consequências que poderá ter para o nosso futuro! Tive oportunidade também, de ler uma notícia no "New York Times" e cuja preocupação passava pelos turistas, nomeadamente, como estes podiam ser afectados! "Que se danem os habitantes, cuidado é com as viagens para o Cabo".

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Fonte da imagem: Associated Press - Bram Janssen 

 

Neste momento, as restrições e as campanhas estão a dar resultados e o "dia zero" está neste momento em 11 de Maio, ou seja, o dia em que a água vai mesmo faltar. Mais interessante ainda, é o facto de muita desta água ter sido utilizada na agricultura, mas também em usos mais luxuosos, como em piscinas, lavagem de automóveis e outros comportamentos que deixam muito a desejar... Não culpem os pobres, a maioria dos habitantes da cidade, pelo desperdício, pois muitos destes abastecem-se em fontes públicas e o consumo não é assim tão elevado. Segundo fontes da Associated Press, os mais pobres consomem apenas 4% a 5% da água!

 

Hoje estamos de luto também porque estes temas não enchem de revolta as redes sociais e a ruas que andam mais preocupadas com programas de televisão, mini-saias, peripécias de clubes de futebol e com o aniversário do Cristiano Ronaldo.

 

 

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Paisagens de 2017 - Os Sobreviventes

por Robinson Kanes, em 28.12.17

 

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

Na zona Centro do país, antes das visitas e dos populismos políticos, foi o inferno que reinou. Este inferno, consumiu, entre outros animais, as crias (deste ano) de muitas aves de presa. Ficou comprometida a reprodução de 2017 e, devido à falta de habitat, muito provavelmente a reprodução dos anos vindouros... Chamei-lhes os sobreviventes... As aves de presa que ficaram e que continuam a transformar os céus num dos mais belos espéctáculos do mundo!

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A nossa paixão pelas aves de presa fez-nos percorrer, com alguma angústia, alguns dos santuários afectados pelos grandes incêndios de 2017. O cenário foi desolador, todavia, apesar da tragédia causada pelos humanos e até pela própria natureza, estas aves continuam a sobrevoar os céus ignorando a nossa presença, procurando alimento enquanto nos proporcionam um espectáculo singular.

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Porque a protecção da natureza continua a não dar votos, resta-nos esperar que perante a nossa inacção, estas senhoras dos céus continuem bravamente a garantir a sua sobrevivência. Por aqui, no que depender de nós, lá estaremos para as ajudar nessa dura caminhada.

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Continuação de Boas Festas...

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IMG_6891.JPGFonte das Imagens: Própria.

 

Ontem falei do Outono e... Falar do Outono sem falar em Trás-os-Montes e mais especificamente em Pitões das Júnias é um autêntica falta de sensibilidade para com esta estação.

 

Pitões das Júnias, no concelho de Montalegre, não está na moda, por isso não confundamos as coisas. Aliás, se alguma vez esteve na moda foi no âmbito da etnologia e da antropologia sobretudo no estudo e na abordagem às aldeias comunitárias.  Sobre uma delas debrucei-me em tempos, Tourém.O próprio nome da aldeia ainda hoje é alvo de um grande debate, pois não é fácil perceber a sua origem.

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Pitões das Júnias é a aldeia mais alta do Barroso e encontra-se no Parque Natural da Peneda-Gerês. Apesar da proximidade com Espanha, não deixa de ser uma aldeia perdida do interior, uma aldeia esquecida e que tem, graças ao turismo, conseguido manter-se de forma a que não se torne apenas mais uma recordação do passado. A abordagem a Pitões também não pode ficar circunscrita só a um artigo (cá voltaremos), apesar da dimensão da aldeia e da sua população de pouco mais de 150 habitantes. Pitões é mais que uma aldeia, e quando chegamos a Pitões é fácil sentir essa diferença. Pitões é a história de um povo que numa região inóspita lutou contra as adversidades de um clima rigoroso e contra a distância dos grandes centros e isso reconhece-se ainda hoje nos rostos daquelas gentes - gente forte, dura mas de uma humildade e carinho singulares. A própria génesa das aldeias comunitárias nasce dessa necessidade de união e partilha face aos diferentes desafios.

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Entre o rio, a "Pala da Vaca" e os "Cornos de Pitões" (Cornos da Fonte Fria), como são chamadas pelos locais as elevações que "protegem" a aldeia e que contribuem para uma imagem pitoresca sobretudo ao amanhecer e durante o crespúsculo. A vista da aldeia a partir do cemitério é algo que fica para sempre na nossa memória. Daí podemos rever o nosso circuito dentro da aldeia e imaginarmo-nos nós também como parte da mesma. O forno comunitário/Ecomuseu, as fontes com uma água cristalina, a Igreja e as diferentes casas são de uma beleza indescritível e não faltam relatos desta riqueza em livros e também na web, sobretudo daqueles que lá vivem, e não daqueles que, como eu, só lá vão de vez em quando.

 

Também não é incomum encontrarmo-nos com amigos de 4 patas, sejam bois ou enormes cães que nos abordam com um olhar inquiridor mas rapidamente se deixam contagiar pelas nossas festas.

 

Entre os "Prados do Lima", os "cornos" e os ribeiros podemos encontrar verdadeiros dias de descanso, considero até que é um dos locais perfeitos para fugir do mundo e reflectir. Contudo não nos deixemos enganar, pois não perdemos a ligação com a vida e com as pessoas, a outra grande riqueza desta aldeia. Em Pitões apodemos perder a carteira com algum dinheiro e rapidamente toda uma aldeia se mobiliza para encontrar o proprietário da mesma, mesmo que este já se encontre em Lisboa com a memória da "Cascata" ainda bem presente nos seus pensamentos.

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Mas voltaremos a Pitões para descobrir mais um dos segredos deste nosso país. Por agora repousemos entre um clareira rodeada de carvalhos e estudemos este interessante percurso recomendado pelo ICNF. Depois, abramos os nosso cesto de piquenique porque a fome já aperta. Ao que sei está rechedado de enchidos e licores da região...

 

Finalmente, e como Pitões se encontra num Parque Natural, nada como recordar o Código de Conduta e Boas Práticas que deve ser interiorizado por todos os visitantes das áreas protegidas.

 

Bom fim-de-semana...

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O Outono... O Pointer... E as Memórias...

por Robinson Kanes, em 16.11.17

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

Já deixei aqui bem patente a minha paixão pelo Outono. Por lá disse que "o Outono dá cor às nossas telas, inspiração à nossa música, faz-nos dançar com as folhas e gentilmente sentir o chão ao pousarmos e a esvoaçarmos novamente, como as aves que partem para destinos mais quentes. O Outono é arte e não é por acaso que existem lugares neste Portugal e não só, onde o Outono é a época mais bonita do ano: pensem no Douro, no Alentejo ou então vamos até à Toscânia ou deixemo-nos prender pela paisagem de Santorini enquanto bebemos um café grego (aquilo para mim é café turco, mas pronto) e admiramos os telhados azuis. O Outono é talvez a mais poderosa e artística estação nos países do mediterrâneo".

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O Outono lembra-me sempre um dos meus grandes amigos, o Nilo. O Nilo é Pointer Inglês "cá de casa", um caçador nato  que não faz mal a uma mosca mas que por isso não perde todos os instintos. A propósito disso, o Outono lembra-me também a época de caça (embora não seja caçador) e todo o movimento que em tempos a mesma provocava, sobretudo em zonas mais rurais. Lembro-me da azáfama junto de tabernas e largos de vilas e aldeias... Dos restaurantes típicos cheios de caçadores e de todo aquele convívio em torno de uma actividade que, independentemente do que possamos pensar da mesma, animava, e de que maneira, aqueles locais.

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Retomando ao Nilo, só posso recordar esta força da Natureza que é capaz de sair às sete da manhã de casa, começar a correr e só parar às sete da tarde e continuar como se nada tivesse acontecido. Costumamos brincar e dizer que esta raça e outras similares têm uma baixa esperança de vida porque vivem tão intensamente essa mesma vida que é impossível um coração aguentar tantos anos de energia ao máximo. Encontrar o Nilo parado é um verdadeiro desafio, pelo que é necessário possuir características de fotógrafo da "National Geographic" e esperar pacientemente que o dono dos campos pare, nem que seja para respirar...

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Um outro aspecto do Outono que me encata é o musgo nos muros, sobretudo nos muros de pedra. Regressar depois do Verão e ver o musgo seco a ganhar cor no granito é dos espectáculos mais bonitos que a natureza nos proporciona. Muitos de nós desconhecemos a quantidade de vidas que este fenómeno permite que existam e, de facto. é algo único. Existe quem o queira arrancar, nós deixamo-lo estar, afinal, nos muros de pedra, a melhor tinta é a própria natureza e na Primavera, os lagartos aplaudem este ecossistema quando deixam a hibernação e procuram os primeiros raios de sol.

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Atenção... Acho que consegui encontrar o Nilo parado...

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 Bom Outono... E tanto que se fala no Natal quando ainda falta tanto para o mesmo, talvez o melhor presente seja um copo de sol outonal...

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Porque os Verdadeiros Flamingos Não São uma Moda.

por Robinson Kanes, em 27.09.17

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 Fonte das Imagens: Própria - as sombras em algumas das fotografias devem-se ao facto de estar escondido por entre as ervas e a alguma distância. Uma boa fotografia não vale o desassossego das aves.

 

Este Verão parece que a moda foram os flamingos. Parece que todos aqueles que querem ser diferentes lá seguiram a moda e partilharam-na como sendo os únicos a usufruir da mesma... O que eu não vi foi gente realmente diferente a falar dos verdadeiros flamingos, aqueles flamingos que, por exemplo, podem vir a desaparecer do Estuário do Tejo devido à construção do futuro aeroporto de Lisboa... Um aeroporto que, mesmo não estando ainda aprovado, em alguns círculos já é um dado adquirido.

 

Em tempos escrevi aqui e também aqui sobre os flamingos do Tejo. Não são só os flamingos, mas todas as aves que se encontram na Reserva Natural do Estuário do Tejo. O que me espanta é que por cá, muitos tenham aderido a uma moda mas nem tenham a menor ideia da importância extrema da rota migratória destas e de outras aves e também que a Reserva é a maior colónia de flamingos da Europa. O Estuário do Tejo encontra-se ainda na lista das Zonas Húmidas de Importância Internacional. Corremos o risco de cometer mais um atentado gigante contra o ambiente sem que ninguém faça rigorosamente nada.

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Pensei que esta moda (e nada tenho contra a tendência em si, embora tenha a minha opinião pessoal acerca desta em particular) ainda pudesse alertar ou até sensibilizar para esta situação, mas no Verão (ou todo o ano?) temos uma certa tendência para fazer uma pausa em alguns valores e causas, até poque Dezembro está a caminho e lá vem a altura de encaixar uns pseudo-actos de bondade e em alguns casos uns dividendos para o bolso.

 

Podemos sempre fazer uma corrida solidária, correr por uma causa... Coisa que a mim me causa uma certa confusão, embora reconheça que se traz frutos, pois bem, que se faça. Não podemos é esquecer que os flamingos não são uma peça de vestuário ou de decoração, são seres-vivos e uma espécie protegida. Finalmente, uma outra nota: sempre que virem flamingos ou outras aves, por favor, não desatem a apitar ou aos gritos, uma das regras básicas da observação destes animais é isso mesmo: a distância e a não interferência!

 

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Dispam a camisola, ou quando forem guardar o fato de banho ridículo com flamingos (eu disse que tinha uma opinião muito pessoal, lembram-se?) procurem saber a importância destes animais e do habitat dos mesmos em Portugal. Não é só pelo Estuário do Tejo que estes deambulam... Tentem, contudo, não incomodar estes aves quando as virem... O senhor abaixo, que me acompanha sempre, faz exactamente o mesmo e respeita o espaço das outras espécies, ora vejam-no atrás de mim...

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P.S: de facto, muito se falou da moda dos flamingos e que "toda a gente" havia aderido à mesma, no entanto, terei sido o único a não ver ninguém vestido com padrões de flamingos? Contudo, se a moda continuar no Inverno, é garantido que comprarei uma "capinha" com estas aves para proteger o pastor alemão da chuva. Assim fica a condizer com o arnês e a trela que também são aos flamingos... Prometo "postar" várias fotos do indivíduo canino a fazer bico de pato e a levantar a pata fazendo um "V" enquanto tira uma selfie com o outfit que lhe ofereci...  

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Fonte da Imagem: AP Photo/Binsar Bakkara

 

Vivemos no século XXI, temos tudo à nossa disposição, desde a tecnologia ao conhecimento, somos todos o máximo. Nunca, como hoje, tivemos tanto material para não ler aquilo que dá título a este artigo, mas...

 

Segundo a "Survival", 10 membros de uma tribo amazona foram massacrados por exploradores de ouro - o famoso mineral que vale tanto como um seixo mas ao qual atribuímos um valor inexplicável. Estamos a falar de tribos que ainda não têm contacto com a nossa sociedade e que vão sendo cada vez mais pequenas. Para que se tenha uma ideia, um quinto da população foi dizimada e podemos falar em genocídio! Esta não é uma temática nova na Amazónia, bem pelo contrário, e o governo de Michel Temer não é o melhor amigo dos índios - não podemos esquecer as ligação aos lobbies agro-industriais. Neste momento, a justiça brasileira abriu um inquérito e está a investigar, tendo já sido detidos dois indivíduos, contudo, continuamos a seguir o espírito de Cortés ou o dos "pacíficos" exploradores portugueses. Interessante... Como hoje ainda vemos com simpatia e fraternidade a evangelização forçada.

 

O vídeo abaixo fala um pouco deste povo... Importa lembrar que o governo federal nega a existência destas tribos e existem Organizações-Não-Governamentais (ONG) que promovem campanhas sob a capa da protecção mas que visam prejudicar e eliminar estas tribos...

 

 

Um outro episódio vem daquela que já foi denominada de capital mundial dos orangotangos: a Floresta de Tripa, terra natal do Orangotango da Sumatra. Este tema não é novo, mas continua a ser ignorado por muitos que a Indonésia é o principal destruidor de floresta do mundo! Os orangotangos vão ser dizimados, maioritariamente, por culpa daquele que surgiu como alternativa ao óleo alimentar convencional. Aquele que foi tão apregoado em dietas e que seria mais saudável que o anterior, mas saudável apenas para as nossas cozinhas... O óleo de palma, pouco tem de saudável para os outros animais, e a sua disseminação está a levar ao fim do Orangotango da Sumatra e até de outras espécies. As causas? Desflorestação que pode ser por abate de árvores, incêndios ou utilização de pesticidas e outras agentes quimicos que levam à destruição da flora e da fauna!

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Fonte da Imagem: https://www.worldwildlife.org/species/sumatran-orangutan

 

Mas a nossa amabilidade não se fica por aqui, quando os orangotangos não são presos e encarcerados até morrerem, são abatidos quando procuram comida e as mães morrem a proteger os filhos que são roubados para serem vendidos como animais de estimação! Actualmente, estima-se que existam 6,600 exemplares destes animais distribuidos por duas ilhas, Sumatra e Bornéu! A Floresta de Tripa (em alto risco de desaparecer) é somente uma parte do Ecossistema Leuser com 2.6 milhões de hectares e o único local da terra onde orangotangos, tigres, rinocerontes e elefantes vivem em harmonia num estado selvagem!

 

Deixo-vos com um vídeo do qual todos nos devíamos envergonhar. As imagens podem chocar, pelo que, quem não se quiser envergonhar e assistir, simplesmente não clique, embora a realidade seja para ser vista...

  

Algumas Notas:

 

Notícia no New York Times:

https://www.nytimes.com/2017/09/10/world/americas/brazil-amazon-tribe-killings.html?ncid=edlinkushpmg00000313

 

Notícia no website da Survival, responsável do alerta para o mundo:

https://www.survivalinternational.org/news/11810?ncid=edlinkushpmg00000313

 

Algumas ONG, que lutam contra a extinção dos orangotangos:

 

Save the Orangutan

http://savetheorangutan.org/

 

Sumatran Orangutan Conservation Program

http://sumatranorangutan.org

 

International Animal Rescue

https://www.internationalanimalrescue.org

 

 

 

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