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L'Amitié...

por Robinson Kanes, em 26.10.18

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Imagem: Robinson Kanes

 

 

Não procuro fazer uma homenagem a Françoise Hardy e à eterna música "L'Amitié" mas sobretudo à amizade... Uma amizade celebrada nos bancos de jardim entre pingas de chuva extemporâneas e vendavais que não nos tiram a vontade de abandonar aquele com quem estamos, com quem trocamos uma experiência única e que, não raramente, nos vem à memória.

 

Como cantará Hardy "Ils ont fait la saison des amitiés sincères", e na verdade, quão sinceras serão as amizades de hoje, ou pelo menos, a maioria delas? Quanto não valerão algumas gotas de chuva, algum pó na cara arrastado pelo vento, enquanto ali, sentados, podemos ter todo o mundo a dois...

 

Qual o valor de uma conversa num banco de jardim, entre as compras do fim de tarde e o regresso do labor diário? Serão aqueles dois vestidos pretos a celebração de um momento tão humano ou o luto por um comportamento cada vez mais singular.... 

 

Talvez volte a colocar essa questão quando novamente cruzar o 4me arrondissement.... 

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"Hold On"...

por Robinson Kanes, em 01.02.18

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Fonte da Imagem: Própria.

 

Estava agora a ouvir umas músicas no laptop (computador, mas laptop é fancy assim para o cool style, vintage a apelar ao fashion) enquanto terminava um projecto, e dou comigo a ouvir e a recordar uma música... Ainda por cima daquelas que tenho guardadas na pasta onde se encontram alguns dos meus maiores segredos (maus).

 

Esta era uma daquelas músicas que imperativamente constavam na pasta do nosso grupo de amigos lá de casa, aquando do meu primeiro curso... E sim, tenho de confessar que esta se encontrava numa pasta partilhada em rede que era o "Best of ir ao... frango ainda jovem".

 

Sim, já estou a dar cabo da reputação ao dizer que sei de cor o refrão...

 

"Hold on to me.
Yeah, and I said, hold on.
Ev'rything's gonna be alright,
Just hold on to me tonight."

 

De facto, era daquelas músicas que lá passavam por casa e punham o João a pensar na namorada que estava longe, ou então que me davam uma certa vontade de sair e conhecer a mulher dos meus sonhos numa noite estudantil recheada de copos, cheia de podridão e pouca vergonha... A mulher dos meus sonhos que iria aparecer com uma valente carraspana e desejar-me para sempre...  Não...

 

De facto, como tantas outras músicas, eram estas que ouvíamos quando já não queríamos saber se tinhamos aquele ar de reguilas ou nos orgulhávamos do Honda do João me ter ultrapassado a 220km/h quando eu já ía no 206 a 160km/h e a fazer voar os plásticos do pára-choques, os faróis e tudo o resto - mas sempre com uma sinfonia de Beethoven como fundo - há que ser mauzão mas com classe. Naquele momento éramos românticos... Apaixonados até... Era o momento em que o João até falava em casar... E casou! Sim, casou... Agora fiquei com vontade de ouvir John Williams e a banda sonora da Lista de Schindler.

 

E é com o Jamie Walters que me preparo para desligar o computador (laptop tem qualquer coisa, não tem?)...

 

 

 

P.S: se alguém descobrir a minha identidade, aviso já que negarei a autoria deste artigo e ainda irei alegar que me piratearam a conta no SAPO.

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De Montjuïc te Contemplo...

por Robinson Kanes, em 31.01.18

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Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Saimos do bulício da cidade, da multiculturalidade do Raval e da multidão do Port Vell e subimos a Montjuïc ou "Monte de Jove"... Barcelona tem daqui uma das mais belas vistas - não terá sido por acaso que, desde os momentos pré-históricos, muitos povos se foram aqui estabelecendo. Por este monte, por exemplo, passaram os romanos que aqui ergueram o monumento a "Jove", daí o outro nome desta elevação.

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Quando subimos via "Passeig Josep Carner" - zona de "Drassanes" - a primeira imagem com que ficamos é arrebatadora: os "Jardins Mirador", onde se encontra o "Mirador de L'Alcaide", dão-nos uma vista única do Porto, da zona central e litoral da cidade. Mas não nos fiquemos por aqui, ganhemos forças e subamos até ao "Castell de Montjuïc", uma fortaleza do século XVII, um autêntico mirador de 360º da cidade e onde até os entusiastas da aviação podem observar o movimento no "El Prat". Podem dar uma vista de olhos pela interessante história deste espaço no website cultural do "Ajuntament" de Barcelona. Os que gostam de estudar a Guerra Civil têm aqui uma óptima fonte de conhecimento que inclui fotografias singulares dos bombardeamentos da aviação italiana e das peripécias (menos felizes) que tiveram lugar naquela fortaleza - recomendo vivamente. Admito que subir toda aquela colina de bicicleta e acabar no "Castell" era uma das coisas que mais satisfação me dava durante aqueles tempos em Barcelona.

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E se é de desporto que falamos, não poderemos deixar de falar do "Anella Olímpico", ou "Anel Olimpico", nascido aquando dos Jogos Olímpicos de Barcelona e que hoje inclui o "Estádio Olímpico Lluís Companys", o "Palau Sant Jordi" as fantásticas piscinas "Bernat Picornell" e a "Torre Calatrava", uma torre de telecomunicações projectada pelo mesmo arquitecto que projectou também a Gare do Oriente, Santiago Calatrava. Não é o mais fascinante que vamos encontrar, mas é algo que encontramos no caminho.

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Mas Montjuïc não é apenas um espaço com belas vistas ou com um cariz histórico-cultural, é também um lugar onde a Natureza por si só conquista todos aqueles que por aí passeiam ou fazem desporto - com intervenção humana, o Jardim Botânico é o mais emblemático, até porque as suas origens remontam a uma antiga lixeira.

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Depois de deixar a Carrer Ausiàs March de bicicleta, Montjuïc era o local ideal para preencher um dia de actividades onde não poderia faltar uma refeição ao ar-livre. Um local singular onde se conjugava a natureza, a história, a cultura e o desporto, sem esquecer todo um entorno paisagístico único! E se é de cultura que falamos, também é aí que encontramos a "Fundação Joan Miró" - não sou entusiasta do artista, mas as referências daqueles com quem privei eram óptimas. A par do "Poble Espanyol", foram dois espaços que nunca visitei - o último sempre o encarei como uma espécie de "Portugal dos Pequenitos" pois é o espaço onde podemos encontrar, em miniatura, alguns dos lugares mais belos de Espanha. Esta construção ainda é parte do que restou da Exposição Mundial de 1929 e que teve lugar naquela cidade. Mas já estamos a descer com uma vista espectacular sobre a zona de Llobregat. É por aí que encontramos o  "Museu Nacional de Arte da Catalunha".

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Este Museu, mesmo para quem não aprecia, merece no mínimo uma caminhada pelo seu exterior. Situado no "Palau de Montjuïc", é edificio classicicista (erguido para a Exposição Mundial de 1929) e que apresenta uma das mais belas colecções de românico do mundo - em termos de dimensão, é considerada a mais completa. Além da parte arquitectónica, nomeadamente o Salão do Trono e a Cúpula, sem dúvida que a visita às secções de arte românica e gótica são fundamentais, vejam as "Carpideiras". Claro que não poderia deixar passar um dos meus pintores de eleição como El Greco ("São João Baptista e S. Francisco de Assis", Tintoretto, Zurbarán,. Caliari, Tiepolo ou Tiziano que estão incluídos na colecção "Cambó" (uma nobre família Catalã) - por pouco me esquecia, mas tenho de me ajoelhar, também podemos encontrar nesta colecção pinturas de Rubens e Goya! E se pensarmos que estes e muitos outros também se encontram na colecção "Thyssen-Bornemisza"? Uma verdadeira "barrigada" de pintura que tornará qualquer dia mais especial e onde nem falta Canaletto.

 

Sei que já estou a ir longe, mas não poderia deixar de falar no acervo de pintura moderna que nos faz querer regressar, na eventualidade do nosso cérebro já não conseguir processar correctamente, perante tantas obras-primas. Não deixem passar o "Auto-Retrato" de Esquível, o espectauclar "Auto-Retrato" de Sorolla, as esculturas de Meunier e Rodin, a "Santa Madalena" e as paisagens de Jubany entre um sem número de obras que apaixonam até os menos entusiastas.

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Anoitece, regresso agora, na minha imaginação, depois de descer pela escadaria do museu com a bicicleta na mão, passo pela "Fonte Mágica" que emana as suas luzes mágicas (à noite e pontualmente) enquanto me preparo para fazer à estrada em direcção à "Plaça Espanya", não sem antes passar pelos pavilhões da "FIRA"... Decido se vou pela "Gran Via de les Corts Catalanes" ou desço a "Avinguda del Mistral" até ao "Raval" onde me posso encontrar com a Helena e o Felip e passar o resto da noite em boa companhia, entre uma ou outra cerveja e uma boa "escalivada".

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Natal Para Todos!

por Robinson Kanes, em 23.12.16

 

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Vou escrever algo sobre o Natal? Vou desejar um Feliz Natal aos dois indivíduos que seguem atentamente o meu blog? Eles estarão à espera disso, sobretudo vindo de alguém como eu... sem jeito para isto?

 

Falar de Natal... acredite-se ou não que o Deus menino nasceu e ficou nas palhas deitado... ou nas palhas estendido... o que importa é passar esta época e todas as outras com aqueles de quem gostamos – “Ah! Mas não me apetece estar na mesa de Natal com aquele meu cunhado que não posso ver à frente!” – afinal há sempre remédio para tudo. Que tal sugerir a reconciliação ou então deixar a hipocrisia para trás e convidar a família/amizade mais próxima e... apanhar um voo para Sidney e passar o Natal a surfar com aqueles que nos dizem algo? Quem diz Sidney, pode falar de Esposende, da Costa Nova ou até da praia artifical com ondas de Castanheira de Pêra, é tudo igual.

 

Esta Natal pensem naqueles que estão convosco, não adiem aquele elogio, aquele momento... (Pingo Doce, vocês têm “o meu momento” não estou a plagiar”), não adiem aquele beijo, aquele abraço e deixem de ser caras de atum... sejam genuínos e não tenham medo de dizer que amam aquela pessoa! Pensem naqueles a quem já não podem dizer ou até naqueles que não têm essa oportunidade porque têm de estar num bunker para não levar com uma bomba em cima. Lembrem-se que, enquanto muitos de nós, nos enchemos em silêncio de bombas calóricas, outros desejam que bombas vindas do céu, qual estrela cadente de Natal, não lhes caiam em cima da cabeça.

 

Este Natal, abracem alguém de quem gostem ou até aquele “atrasado” da contabilidade... sabiam que vive sozinho há anos? Arranquem-lhe um sorriso, pode ser que em Janeiro lhe arranquem mais facilmente uma folga no orçamento.

 

Desejo a todos um Bom Natal, independentemente do credo, filosofia ou até gosto pela época, na medida em que, mais que o Natal, são os valores que se impõem, e esses... esses atravessam toda e qualquer convicção.

 

Façam um esforço e como Dickens o faria, honrem o Natal nos vossos corações e procurem mantê-lo todo o ano.

 

P.S: não pensem que estou a ficar "mole", ok?

 

Fonte da Imagem: própria.

 

 

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Hoje Morreu o Correia

por Robinson Kanes, em 03.10.16

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 Hoje morreu o Correia.

 

Não, o Correia (nome fictício) morreu em Janeiro. É como se praticamente 10 meses nos separassem desde aquela última conversa em Novembro. Recordo-me, estava com a Maria (nome fictício) e, em trabalho visitamos, o nosso amigo de curta data. Uns meses... fomos àquele teatro, mais um vez, descobrimos a doença recém-diagnosticada e quedámo-nos desamparados perante a subtileza do destino.

 

Sim, a doença também toma conta dos mestres. Sim, o Correia, naquele seu ar austero, com um sorriso contido mas genuíno como o halo que circundava os seus gestos, também contidos, era um mestre do Teatro e da Cultura.

Era o amigo de curta data que nos contagiou de imediato e nos ensinou a diferença entre o animar e o criar, entre o fazer teatro e o fazer espectáculo. Que nos mostrou, como outros, que o Teatro é de todos e não somente de alguns, no fundo como a sua própria personagem, agora contida, mas abatida pelas escaras da doença que lhe dava um ar inverosímil daquele Correia que nós conhecíamos.

 

Discutimos, ainda sorrimos e inclusive, no seu estilo rebelde, lá tivemos de tirar o Correia daquele parque de estacionamento sem que este tivesse que pagar por ele. Quem me lê, vai-me já atirar a primeira pedra, mas apesar de defender a ética e a transparência também tenho o meu lado rebelde e de criança, beati mundo corde.

 

A chuva de Novembro, que sempre tirou um ar luminoso ao mês do meu aniversário, caía forte sobre Lisboa, aquela Lisboa esquecida lá para os lados do Beato, aquela Lisboa que por mais escura que seja, não consegue cevar aquele ar escuro e carrancudo quando o sol cruza o mar da palha, entra rio adentro e decide ali pintar de cor aqueles bairros que até há muito pouco tempo, eram a porta de entrada da cidade.

 

Saímos e nem pensámos em trabalho... tomámos a difícil decisão de deixar o Correia descansar. Por vezes sentíamos que carregava o peso do mundo e apesar do paz exterior, internamente tentava dominar todos as erupções que emergiam do interior da terra.

 

O Correia morreu, mas não foi hoje, foi em Janeiro... e só hoje soubemos que o nosso parceiro e amigo tinha morrido. Talvez, e como o disse Levinas, tenhamos em nós aquele sentimento de que a morte é morte de alguém e tê-lo sido de alguém não é levada pelo moribundo mas pelo sobrevivente. Talvez tenhamos aquele arrependimento de não ter percebido os sinais. Talvez o trabalho e todos os desafios que dez meses nos proporcionaram e quase sem tempo para respirar, nos tenham deixado ficar somente por correspondência electrónica à qual não tivemos resposta. E o telefone que estava tão ali à mão...

 

Por certo o nosso parceiro, o nosso colega de trabalho sempre estivesse ali, mas nós não. Talvez até, o Correia, que de nós pouco conhecia, não quisesse a nossa presença.

 

Talvez ouse escolher uma banda sonora para o Correia, para este momento e para alguém que gostava de piano tal como eu, talvez lá do alto (se ele assim existir) esteja sentado ao lado de Beethoven, enquanto este executa com mestria o Concerto para Piano nº 5 e se possa deixar envolver por cada acorde tocado com toda a emoção que cada nota nos transmite. Talvez, também para mim, para nós, essa banda sonora seja uma espécie da cura e não de paliativo... minuetur atrae carmine curae.

 

Termina Bethoven, que nos tenta escutar de “funil” ao ouvido e é como se sentisse uma alegria desesperada nesta tarde aérea de brisas. É assim que estou, é assim que me quero sentir.

 

Hoje morreu o Correia, hoje morremos também nós um pouco...

 

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