Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



costa_da_caparica_arriba_fossil.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

A chave para sermos mais felizes é prestarmos mais atenção ao que nos faz felizes e menos ao que não nos causa felicidade. Não é a mesma coisa que prestar atenção à própria felicidade.

Paul Dolan, in "Projectar a Felicidade".

 

A Arriba Fóssil, uma das preciosidades que encontramos a sul do tejo e que respira os ares do atlântico! As praias que encontram o Tejo na Cova do Vapor... Assim que atravessamos o rio em Lisboa, encontramos um monumental cenário e que nos transporta para uma paisagem completamente diferente, como se dois países tivessem sido colados com as águas do Tejo. Deitados na praia ou percorrendo (sem estragar) esta zona... É algo que não pode passar ao lado dos nossos olhos.

 

As praias... As praias da Costa! Destas nem falo, tantas são as recordações para aqueles que nas duas margens, na infância, durante as viagens dos externatos no Verão ou na juventude entre amigos, viveram muitos bons momentos nestas areias e nestas águas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Paisagens de Portugal: Cambeses

por Robinson Kanes, em 14.12.19

cambasses_asnela_cabeceiras_de_basto.jpg

Imagem: Robinson Kanes

Imagina, se pudéssemos recordar exactamente os perfurmes e os beijos! Como seria fatigante a realidade deles!

Aldous Huxley, in  "Sem Olhos em Gaza".

 

Depois de Cambeses, já com vista sobre Asnela e ainda com a esperança de terminar o dia na Uz. Ao longe a Senhora da Graça repousa como dona do horizonte como imperatriz das montanhas minhotas de um lado e transmontanas do outro.

 

Avistamos um caminho ao longe, queremos percorrer e avistar as montanhas a sudoeste ainda mais de perto... Não hesitamos, mesmo que a noite possa cair entretanto. Somos parte do território, somos também parte dessa seiva, um por direito natural, outro por empréstimo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Paisagens de Portugal: Ilha do Pessegueiro

por Robinson Kanes, em 10.12.19

potreco_covo_sines_portugal.jpgImagem: Robinson Kanes

 

Não há que ter medo deste Deus (... e tudo quanto há) porque não distribui castigos. Não há que fazer qualquer esforço para dele obter recompensas porque também não distribui recompensas. A única coisa a temer é o nosso próprio comportamento  (...) neste sistema, as nossas acções não deve visar o agrado de Deus, mas sim o conformar-se com a natureza de Deus. Quando actuamos de acordo com a natureza de Deus, produzimos felicidade e produzimos uma espécie de salvação. Agora.

António Damásio, in "Ao Encontro de Espinosa"

Autoria e outros dados (tags, etc)

Paisagens de Portugal: Vila Nova de Milfontes

por Robinson Kanes, em 10.12.19

vila_nova_milfontes_portugal.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

Quem pode saber, pela palavra adeus, que tipo de separação nos opera.

Arundhaty Roy, in "o Ministério da Felicidade Suprema"

 

O pôr-do-sol a surgir e o triunfo de mais um dia cantado pelas aves que bebiam a frescura do mar e pareciam caminhar em direcção àquela luz salvadora. Ao teu lado, a luz do crepúsculo terá sempre uma cor especial, seja em terras lusas seja no outro lado do Mundo...

Autoria e outros dados (tags, etc)

arrabida_setubal_troia_sado.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

A poucos dias das dragagens, mais uma vez num país gretado que celebra a chegada folclórica (e a culpa não é da miúda, bem pelo contrário) de mais uma greta e esquece os seus problemas... Partilho um pouco do que é a Arrábida, do que é o Sado a encontrar o Atlântico, do que é um dos mais belos tesouros do Mundo.

 

Entre a ondulação causada pelo abraço destas águas ou até a partir de Tróia, esperemos que a solução encontrada não venha a causar mais dano que retorno, e quando falo de retorno, falo de retorno ambiental, económico, social e natural.

 

Somos tudo e mais alguma coisa, por isso hoje, "Je Suis Sado".

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

montmartre_paris.jpg

Imagens: Robinson Kanes

 

Decidi antecipar o "Dia dos Mortos" e consequentemente aquele artigo que antecede quase sempre o final da semana. Talvez esse sentimento de perda se tenha abatido sobre mim por antecipação, talvez essa saudade, não das coisas más, mas das coisas boas que este dia trouxe durante muito tempo... Aproveitarei, no entanto, para amanhã deixar algo mais reconfortante para os três dias de "descanso" que se avizinham.

 

Para uma leitura, depois de "A Esperança" terei de voltar a André Malraux, é imperativo que assim o seja. Para estes dias, nada melhor que "A Estrada Real", que conhecer pelos olhos de Claude o grande Perken e a sua luta pelos valores e quiçá pela morte. É um livro que nos torna mais adultos enquanto deambulamos pela Indochina.

malraux_estrada_real-2.jpg

Uma das minhas paixões por música clássica deve-se aos requiem. Este estilo, apesar da tristeza, mas também da força e da esperança que nos dá tem-me acompanhado desde muito jovem - cedo fiquei fascinado com as composições de Mozart e Verdi. No entanto, ao longo dos anos, fui descobrindo preciosas obras e deixo as minhas duas sugestões para estes dias, talvez os melhores (ou não) para escutarmos um requiem. A primeira audição vai para um dos meus preferidos, o "Requiem em Dó Menor" de Luigi Cherubini. Imaginem-se em Florença, junto ao rio ou até em Fiesole, bem perto a escutar esta composição! Talvez me tenha deixado influenciar pela naturalidade do compositor, porque o mesmo foi escrito em memória de Luis XVI de França.

E porque é importante não compactuar com a ocultação dos nossos grandes mestres, não posso deixar passar um dos mais belos requiem de sempre e que é português! O "Requiem Op.23" de João Domingos Bomtempo! Uma "homenagem" a Camões, à sua memória e à língua portuguesa que hoje está sob ataque cerrado! Escutemos Bomtempo e escutemos aquele(s) que muitos teimam em fazer esquecer mesmo que continue a passar nas grandes salas por esse mundo fora.

E a propósito de Bomtempo, porque não irem à Igreja de São Roque no dia 1, pelas 21h:00m, ouvir o Ensemble MPMP? Poderão ouvir do compositor Bomtempo "LIBERA ME" e as "Quatro Absolvições". Aproveitem e vejam também a estreia das "Canções do espaço e da luz" de Hugo Ribeiro. Estas apresentações estao incluídas na Temporada de Música em São Roque! Podem consultar aqui o programa.

 

E porque o pedantismo já vai longo, nada como fechar com um filme... Amor e morte, mas muito mais amor. O filme "Amour" de Michael Aneke deveria ser obrigatório para jovens e adultos. Um filme que ganhou a Palma de Ouro em Cannes e o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro - conta ainda com a portuguesa Rita Blanco e duas brilhantes interpretações de Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant. Há quem o veja como um retrato positivo no meio de tanta dor, tristeza e solidão, no entanto, desperta-nos para a realidade inerente a todos os estados anteriormente enumerados - e essa nem sempre é a mais agradável... Mas o amor, o amor tudo vence e aí sim, poderemos esboçar um sorriso ao longo do filme. Além disso, foi lançado numa data muito especial para mim.

E para reflectir durante os dias que se avizinham, e desta vez não é uma má notícia - os gorilas das montanha, no Ruanda, cuja extinção esteve anunciada para o ano 2000 passaram por estes dias a espécie "em perigo" deixando a categoria de " em grande perigo". É uma vitória para todos aqueles que protegem uma espécie que partilha 98% do nosso ADN. Os gorilas têm aumentado em número e por isso todos estão de parabéns, não só no Ruanda, mas também na República Democrática do Congo e Uganda. África também precisa que as boas notícias cheguem até nós!

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Objectivo 12 - Consumo e Produção Responsáveis

por Robinson Kanes, em 21.10.19

2016 IYD.jpg

Créditos: https://www.bt.undp.org/content/bhutan/en/home/presscenter/articles/2016/08/12/engaging-youth-to-eradicate-poverty-and-ensure-sustainable-consumption-and-production/

 

 

A meta 12 é um dos 17 objectivos que fazem parte dos "Objectivos Globais para o Desenvolvimento Sustentável". Este objectivo, mais do que um trabalho para os governos e instituições internacionais, é acima de tudo um apelo à cidadania e até ao carácter democrático da mesma.

 

A verdade, sempre relembrada pelas Nações Unidas,  e que não é novidade, é o facto do nosso planeta ter uma extrema abundância de recursos naturais. No entanto, os mesmos não são utilizados de forma responsável e, como os recursos são finitos, todos sabemos como acaba - uma das grandes metas da economia, a gestão de recursos finitos, adulterou-se e agora temos graves problemas pela frente. 

 

Mas caberá o papel de mudar as coisas somente às autoridades governamentais? Será que estas são matérias que só ao nível estatal poderão ser abordadas? Sim, se estivermos a falar de um conjunto de cidadãos apáticos, desinteressados e sem valores. Contudo, numa comunidade onde a cidadania está presente, cada um de nós pode ter um papel fundamental, vejamos:

 

1. Cada um de nós pode colaborar com instituições (nomeadamente ONG) que desempenhem um papel relevante - isto não implica apenas uma donativo mas uma intervenção directa.

2. Cada um de nós pode e deve apoiar o comércio local - além de permitirmos que a circulação de dinheiro se faça em modo 360º, ajudamos ao nível do emprego e do desenvolvimento local. 

3. Menos é mais - Será que precisamos de tantas coisas? E será que temos necessidade de investir em tantas embalagens e afins? 

4. Podemos adquirir muitas das coisas que precisamos em "segunda mão". Também podemos reutilizar muitas das coisas que temos.

5. "Food sharing" : esta diz-me muito, até porque já tentei implementar um projecto/app deste género que, em tempos, foi chumbado sob a lógica de que os portugueses não confiam no próximo e de que a comida podia ser contaminada. Numa comunidade onde as relações de vizinhança funcionam, pode ser uma prática com resultados excelentes!

6. Compra de produtos reutilizáveis: os eco-bags, por exemplo, ou até as garrafas de água.

7. Este talvez um dos mais interessantes em termos de cidadania e fuga à "zona de conforto": adquirir produtos de empresas responsáveis em termos de economia, ambiente e pessoas.

8. No seguimento do ponto anterior, e com a mesma importância, criar grupos que finalmente, e em Portugal precisamos tanto, façam pressão para as organizações implementarem verdadeiros programas de Responsabilidade Social Corporativa e alertem para as más práticas! Grupos de cidadãos independentes e não associações que se perpetuam com poucos efeitos.

9. Aquisição de produtos que não prejudicam o ambiente e têm uma origem controlada e sustentável.

10. Trazer aqueles que estão junto de nós para estas iniciativas, ter a coragem de dizer não!

 

Mais do que leis e imposições, se seguirmos estas e tantas outras práticas, provavelmente até estaremos a fazer mais pelo nosso país e pelo nosso mundo do que muitas políticas nacionais e internacionais - do que é que estamos à espera para sermos cidadãos e também verdadeiros actores na mudança deste paradigma?

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Dia Internacional da Paz!

por Robinson Kanes, em 20.09.19

 

Int-Day-of-Peace-Poster-19-sm.jpg

Não podia deixar passar este dia, sobretudo depois de ter apreciado que o dia 15 de Setembro (Dia Internacional da Democracia) passou completamente ao lado de todos - numa época em que se fala tanto de "populismo" é estranho que muitos do que combatem tal tendência também não estivessem muito interessados em falar de Democracia.

 

Amanhã é o "Dia Internacional da Paz" e este ano tem um cariz especial na medida em que adiciona a esta temática também as questões climáticas: "Climate Action for Peace" é o mote. Esta estratégia entende-se, sobretudo, porque o espoletar de guerras causadas pelas alterações climáticas tende a ser uma realidade daqui a poucos anos, aliás, algumas de certa forma já estão a acontecer. 

 

Segundo as Nações Unidas, o impacte na segurança é tal que os desastres naturais provocam três vezes mais deslocados que os conflitos bélicos - por sua vez, temos de ter em conta que deslocados também podem estar na origem de algumas tensões. Acresce a questão da salinização das águas e respectivas consequências na agricultura e na saúde dos cidadãos. Será também interessante assistir às conclusões da "Climate Action Summit" que, penso ter ouvido, para o ano terá lugar em Portugal.

 

"Cada ser-humano é parte da solução" é uma das bandeiras, nomeadamente em coisas tão simples como desligar as luzes quando não são necessárias, utilizar os transportes públicos e até dinamizar campanhas a nível local - e em Portugal precisamos tanto disto, mas tanto... Sobretudo campanhas nascidas de gentes locais, com pessoas reais, sem grandes associativismos mas uma enorme vontade de mudar, estamos dispostos a isso? Podemos fazer tantas iniciativas e quantas vemos realmente a ocorrer? Porque é que não fazemos uma actividade que contemple a criação de um ou mais "peace poles" - algo que até podemos fazer numa lógica de Responsabilidade Social Corporativa (RSC). Deixo também outras tantas ideias que podem ser colocadas em prática para fazer a diferença seja na nossa pequena comunidade, região ou organização empresarial.

- Minuto de silêncio - não faz muito, mas é uma forma de pelo menos recordar as pessoas;

- Dinamização de diálogos inter-culturais;

- Workshops ambientais e dedicados à paz;

- Poesia e/ou música dedicada aos temas da paz e do ambiente;

- Actividades locais/comunitárias de promoção da paz e de alerta;

 

Podemos fazer tantas e tantas coisas, pelo que, deixo uma outra sugestão, na medida em que este ano, e já hoje, a "International Day of Peace Student Observance" apresentará uma plataforma onde muitos jovens apresentarão vários projectos em curso no combate às alterações climáticas, será às nove horas de Nova Iorque e pode ser acompanhado online aqui.

 

 

Vamos fazer a nossa parte? Se quiserem partilhem também aqui o que vão fazer e este espaço será Vosso para que possam escrever os vossos artigos! Vamos lá?

Autoria e outros dados (tags, etc)

O país onde não havia natureza...

por Robinson Kanes, em 09.09.19

incendios.jpg

Imagem: GC

 

 

Os portugueses são daqueles povos que se podem orgulhar de ter legislação para tudo. Existe uma falha, cria-se imediatamente uma lei para preencher esse vazio ou alguém influente na política comete um crime, cria-se uma lei que permita a fuga desse indivíduo à Justiça. No entanto, quantas leis têm efectivamente aplicabilidade prática? Quantas leis são seguidas e quantas outras não são  mais que um processo de entropia à própria aplicação da justiça?

 

Existem em Portugal, tantas outras leis relacionadas com o ordenamento do território e com o ambiente, mas só aquelas que acompanham o cimento parecem merecer a atenção de quem governa e de quem é governado. O tema ambiente não dá votos! Poderão falar do crescimento do PAN, no entanto, a bandeira deste são os cães e os gatos, não propriamente as políticas ambientais e de sustentabilidade. Os "Verdes" não existem, pura e simplesmente, lembram-me sempre aquelas micro e pequenas empresas que ninguém percebe como sobrevivem perante a ineficiência de vendas e concretização de negócio.

 

Os temas ambientais não merecem destaque porque simplesmente ninguém quer saber! Queremos ter um aeroporto para viajar mais barato e aumentar o turismo de "chinelo no pé", mas não queremos saber os impactes do mesmo no ambiente. Não queremos saber dos Parques Naturais, das Reservas Naturais e muito penas de Zonas Especiais de Protecção. Não estamos preocupados com o processo mais que visível de desertificação e muito menos nos preocupamos se todos os dias alguém faz descargas no Tejo e em outros rios e nada se faz. Ninguém está preocupado com as promessas (e algum trabalho, efectivamente) realizadas no âmbito de pós-Pedrogão e dos incêndios de Outubro daquene ano fatidíco.

 

Um aparte, sei que não acontece com todos, mas não são raras as situações em que já presenciei bombeiros no terreno sem saber o que fazer ou, passo a expressão, "à nora" porque o comando é fraco. Não são raras as vezes que assisto a bombeiros plantados à entrada de localidades à espera de um incêndio que está a quilómetros, porque as ordens passam por desmobilizar a frente e proteger habitações! É importante que não morra ninguém e poucas casas sejam destruídas sob pena dos media serem implacáveis. Até porque, em termos de área ardida, destruição da fauna e da flora, os cidadãos não estão interessados.

 

Deveríamos ter vergonha pelo simples facto do Tribunal de Justiça da União Europeia ter condenado Portugal pelo falhanço na declaração de 61 sítios como zonas especiais de conservação - simplesmente porque ignorou as orientações da Comissão Europeia no âmbito da "directiva Habitats". Será assim tão difícil num país tão pequeno e com prazos tão alargados? Terão os cidadãos cultura ambiental (ou interesse) para exigirem mais dos Governos nestas matérias? Eu envergonho-me de estar num país em que tal acontece, em que Pedrogão e o "Outubro negro" foram óptimos para o mediatismo de muita gente e onde todos os mortos, feridos e envolvidos na tragédia foram completamente ignorados e as suas mortes ou dificuldades acabaram por ser em vão. E hoje como estou em "apartes", não é estranho que o piloto de uma força militar que disse anos a fio (e ainda diz) não ter condições para o combate a incêndios, estar a pilotar um helicóptero privado de uma empresa ligada à indústria do papel? E como este quantos existem? Não é também estranho que um piloto de 34 anos, que mora no Montijo (segundo me foi dado a saber), faz uma "perninha" a pilotar helicópteros privados e ainda é comandante de uma corporação de bombeiros a cerca de 350 km de casa? Como é que se consegue tempo e eficiência para todos estes deveres? Deveres esses que, na sua maioria são pagos com dinheiro de todos nós. Todavia, também não quero, com isto, menosprezar a capacidade de trabalho do profissional.

 

Finalmente, também o Tribunal de Contas arrasou, e voltando ao tema, a ineficiência ou total ausência do plano para a desertificação! Perdoem-me a expressão, mas "caramba que raio anda tanta gente a fazer?". Temo que estes reparos de uma das instituições públicas que melhor funciona fique, mais uma vez, no esquecimento. Não deve ser fácil estar no Tribunal de Contas e ser constantemente humilhado pelo total desprezo político em relação a esta instituição! Num país com cidadania e patriotismo fora de estádios de futebol, esta seria uma das instituições mais acarinhadas pelos cidadãos e que mais apoio teria destes para fazer valer aquilo que agora são meras observações...

 

Portugal talvez seja mesmo o país onde, além de contas claras, não há natureza...

Autoria e outros dados (tags, etc)

historia_da_morte_ocidente.jpgImagem: Robinson Kanes

 

A última coisa que vem à cabeça de alguém que está prestes a ir de fim de semana é a morte! No entanto, o prometido é devido (promessa à MJP) e assim sendo começa de forma bastante célere o artigo de hoje como uma sugestão do diabo: Philippe Ariès e o seu trabalho "Sobre a História da Morte no Ocidente". Arìes foi um historiador, no entanto, foi um pioneiro a desmistificar a morte, sobretudo numa óptica mais sociológica e até antropológica.

 

Arìes faz-nos uma demonstração de como a temática da morte, a Ocidente, foi evoluindo ao longo dos séculos  bem como dos seus avanços e recuos na forma como lidamos com a mesma. Arìes vai ao homem medieval que se preparava para a morte e chega ao homem moderno com descobertas muito interessantes como a evolução da própria localização do cemitério. Esta é uma das obras que mais gostei de ler e de facto é fascinante, levando-me a aferir de que em muitas situações relacionadas com o tema da morte, estamos mesmo lá para trás. Em muitas situações o homem medieval estava bastante mais à frente que nós, sobretudo na preparação para a morte - é um facto que a religião ajudava, a fé em algo superior também.

 

Em termos musicais, o último fim de semana de Agosto traz-me algumas memórias e uma certa nostalgia... Sinto que tenho de ouvir "The Last Waltz" do compositor sul-coreano Jo Yeong-wook. Transporta-nos efectivamente para essa nostalgia, para esses passos alegres num passado distante alternando entre as memórias longínquas e os sorrisos presentes. Este tema faz parte da banda sonora do filme "Old Boy", prémio do júri, em 2014, no Festival de Cannes - não associo a música ao filme, mas tenho de admitir que a banda sonora e o filme merecem uma visita.

Um fim de semana sem um filme não é um digno desse nome... Não sei porquê, de repente recordei-me do filme "Merry Christmas Mr. Lawrence", indicado para uma palma de ouro em Cannes e que até contou com David Bowie como actor. É um filme de 1983 e que baseia nos livros e experiências de Laurens van der Post como prisioneiro de guerra no Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Talvez me tenha deixado influenciar por "Old Boy" ou talvez não...

 

Afinal, a banda sonora tem esta obra-prima de Ryuichi Sakamoto - "Merry Christmas Mr. Lawrece" para escutar e ver. Acho que ainda anda algures por aqui! Sakamoto (que participou no filme) anda de certeza em CD, mas será tema para outro artigo...

E porque as boas notícias são para ser dadas e sempre fica algo para se pensar: Angola também está a arder... Muitos países em África também estão a arder... A Sibéria arde há meses... Em Moçambique continuam a morrer milhares de pessoas devido às cheias, mas ninguém quer saber... Desta vez não há folclore e por isso também não existem likes. Quando o tecto vos cair em cima, os vossos corpos forem carbonizados ou descobrirem qual a sensação de morrerem afogados, lembrem-se que também só serão lembrados se as vossas mortes derem likes.

 

Um apontamente final: em Hong Kong também se cancelou uma manifestação pela Democracia e por não ser possível acautelar a integridade física dos participantes. Na Rússia a história repete-se, mas aqueles que andaram calados nos incêndios de Pedrogão (PAN, BE, PCP, PS, Quercus e demais suspeitos do costume) criticam Portugal por não tomar uma posição em relação à Amazónia e até se esquecem do nosso papel em Timor e nos 20 anos do referendo para a independência - algo que tem sido celebrado ao longo da semana...

 

Bom fim de semana...

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor




Sardinhas em Lata


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog





Mensagens

Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB