Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O Turismo, o Instagram e Santorini...

por Robinson Kanes, em 06.06.19

xuan-nguyen-781157-unsplash.jpg

Créditos: Xuan Nguyen

 

Recentemente li um artigo do "The Economist", da autoria de Jessica Bateman, que dava conta de uma preocupação crescente em relação ao turismo nas ilhas gregas, particularmente em Santorini. Ao ler esse artigo, mais uma vez, dou-me conta da necessidade de encarar o turismo como uma verdadeira indústria e também de apostar na sustentabilidade deste sob pena de termos mais uma indústria que financia uns tantos e destrói milhões. 

 

Quem já foi a Santorini, rapidamente vai perceber o encanto da ilha, sobretudo se visitarem a mesma durante a época baixa - embora a visita a ilhas menos conhecidas possa ser uma surpresa ainda maior. Como refere o artigo, a verdade é que redes sociais como o "instagram" têm aumentado o desejo em visitar a ilha - e como eu entendo, apesar de preferir a aurora ao crepúsculo, este último, o momento mais desejado na ilha.

 

O "instagram", entre outras redes sociais, levou a um aumento de 66% nas dormidas sobretudo numa época em que o turismo na Grécia sofria os efeitos da crise. Tudo isto é fantástico, no entanto, num país onde nem sempre as leis são respeitadas, temos um aumento da pressão e da especulação imobiliária e um sem número de situações de corrupção - esse panorama já é visível em Lisboa. Segundo o artigo, que cita Ioannis Glinavos, Professor na Westminster University em Londres, existem algumas restrições que passam ao lado de quem legisla e basta pisar o local para perceber que a impunidade reina - mais uma vez, é um exemplo que podemos ter em Portugal! A título de exemplo, visitem Alcochete e reparem como se constrói "em cima" do Tejo e de uma Reserva Natural - por sinal, uma das mais importantes da Europa e (estranhamente) menos importantes de Portugal.

 

O aumento do número de visitantes (totalmente descontrolado) e as consequências desse efeito vão acabar por destruir a autenticidade da ilha, fazer desaparecer outras actividades (a vinha é um exemplo) bem como o tecido social e a própria natureza - já é a própria União Europeia que o diz, acentuando também o facto de que a gestão urbanística da ilha está sob dependência do Governo Central. Num país com as características da Grécia, é totalmente inconcebível!

 

Por outro lado, aqueles que investem no turismo da ilha tiram o máximo proveito da situação e esforçam-se por aumentar legitimamente as suas receitas - actualmente, o posicionamento de talheres e copos tem em conta as fotografias que irão ser tiradas pelos clientes. Redes como o "instagram" são, neste momento, o maior aliado em termos de marketing - a "foto feita" tem um impacte sem precedentes e todos querem tomar parte na mesma! Numa sociedade onde todos queremos ser diferentes também acabamos todos por querer pertencer a um grupo e seguir a mesma tendência. Deixo essa análise para outras "letras"...

 

Mas colocando o foco no "instagram" ou em que faz uso do mesmo, também é preciso educar o turista: não são raras as invasões de espaço e a destruição do mesmo - vale tudo por uma fotografia e corremos o risco de criar o efeito de repulsa! Alguns exemplos são dados e muitos acabarão por se rever nos mesmos: bater às portas, entrar dentro de espaços privados, subir a telhados e a falta de respeito com os locais. Temos aqui um paradoxo, pois aquilo que atrai turistas à ilha acaba efectivamente por ser destruído pelos "mesmos canais" que criam esse desejo de experimentar. 

 

Acredito também que temos de ter em conta que o turismo é uma actividade que se pode considerar de luxo e que, não raras vezes, é desenvolvida num precipício em que de um lado temos o turista (rico ou aparentemente rico) e do outro o autóctene (mais pobre). Quando a invasão e destruição tende a ser em demasia podemos ter efeitos nocivos, sobretudo quando a exploração turística não é feita pelos locais e os mesmos não são consultados nos processos de desenvolvimento da mesma.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Adeus TAM!

por Robinson Kanes, em 29.05.19

rinoceronte51.jpgCréditos: https://www.lifegate.com/people/news/sumatran-rhino-is-extinct-in-the-wild-in-sabah

E assim... Todos os dias nos vamos despedindo de mais uma espécie, desta feita foi o rinoceronte-de-sumatra (Dicerorhinus sumatrensis)... Perdemos o TAM, o último representante da espécie... A vida selvagem, mais uma vez, agradece ao ser-humano e à sua estupidez crónica! Adeus TAM... Hoje, mais uma vez, enchemo-nos de vergonha!

P.S.: poupem-nos ao argumento de que a Terra se regenera e também as espécies acabam por sofrer com isso! Estes animais desaparecem porque alguém se lembrou de dar valor aos cornos dos mesmos (fins medicinais que ninguém consegue explicar, decoração e até como afrodisíaco!) e também porque alguém se tem lembrado de destruir o habitat destes animais.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Urso Pardo e um certo Hebetismo Colectivo...

por Robinson Kanes, em 10.05.19

01-brown-bear-nationalgeographic_692479.jpg

Créditos: https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2018/11/video-viral-de-urso-mostra-o-lado-negativo-de-filmar-animais-com-drones

 

Existe por aí um urso-pardo (Ursus arctos) que deveria ter sido motivo de orgulho para qualquer português! Orgulho e vergonha, afinal fomos nós que acabamos com a presença deste animal no nosso país. Além de que histerismos e show off na comunicação social, nem sempre correm bem...

 

Como este, outros... O lobo ibérico (Canis lupus signatus) quase extinto porque lhe destruímos o habitat e é normal que este queira caçar fora desse espaço; múltiplas espécies de aves de rapina porque uma religião intolerante, falsa e alicerçada em dogmas que, na actualidade, seriam punidos com prisão, se lembrou de repetir que eram animais de mau agoiro (embora os único que conheça e que se encaixam nese rótulo são, de facto, os humanos) e tantos outros animais que o egoísmo humano tem levado ao extermínio. Outro exemplo é o lince ibérico (Lynx pardinus), mais uma espécie que deveria ser uma das imagens de marca do nosso país mas o cidadão comum nem faz ideia de que existe, só quando são atropelados ou surgem envenenados.

 

Espero efectivamente que todo o espectáculo em torno desta descoberta não leve a uma autêntica caça ao urso e que, vindo de Espanha, rapidamente seja levado para a Cantábria e Astúrias de modo a ser devolvido ao habitat, até porque em Espanha a estrutura de protecção está já montada e em Portugal continuamos a deixar que espécies marinhas, como os golfinhos, morram em "lagos" no Parque das Nações porque a vontade, a burocracia e a incompetência a isso levam - num país onde tudo se controla, só ainda não se controla a incompetência e a corrupção.

 

Também não irei entrar no humor brejeiro e típico que se foi ouvindo de que "é só mais um urso" e do "o que não falta aí são ursos". Isso é conversa de quem protesta muito mas faz pouco, além de que, nos dias de hoje, comparar um urso a um ser humano é uma ofensa para o primeiro.

 

E como vem aí o fim de semana, deixo uma sugestão, o livro "O Urso-pardo em Portugal", de Paulo Caetano e Miguel Brandão Pimenta, que aborda a extinção deste mamífero em Portugal.

502x.jpg

Créditos: wook

 

Bom fim de semana...

Autoria e outros dados (tags, etc)

Retratos de Inverno - O Mar Guincho

por Robinson Kanes, em 23.02.18

IMG_0989.JPG

Fonte das Imagens: Própria 

 

 

Um dos espectáculos mais admiráveis da costa portuguesa dá-se entre Cascais e Sintra... É nesse troço de beleza única que encontramos o Guincho e toda a sua encantadora fúria. Paradoxalmente, assistimos a uma demonstração de força inigualável e à qual não podemos ficar indiferentes devido à tamanha perfeição da Natureza.

IMG_0990.JPG

O Guincho é um paraíso para surfistas, ciclistas, visitantes de Domingo e, sobretudo no Verão, para banhistas e aspirantes a um qualquer estatuto social - dizer que se faz praia no Guincho, ou que se almoçou no Guincho ainda é sinónimo de um qualquer status - e ainda bem, até porque assim talvez tenhamos o devido cuidado com a paisagem que nos rodeia. E sim, não vou negar que adoro o meu café na Fortaleza do Guincho onde temos um bar fantástico e praticamente em cima do mar - nada como sentir a espuma nos dias mais agrestes mesmo a bater ali no vidro.

IMG_1035.JPG

Também não podemos esquecer que estamos num Parque Natural, o mesmo é dizer que entramos numa zona protegida e onde todos os cuidados têm de ser mantidos - mas a isso voltaremos um destes dias.

O Guincho, de facto, e sobretudo no Inverno, não é so glamour, ou restaurantes - é frio, é algo de sedutoramente tenebroso e apaixonante. É o vento norte a entrar-nos pelo corpo, mas que nada consegue contra o impulso de não querermos abandonar aquelas rochas.

IMG_1002.JPGPor tudo isto, e sobretudo para aqueles que vão ter fim-de-semana, nada como flanar num daqueles locais que faz sempre parte do "passeio dos tristes". Se possível, nada como levar a bicicleta ou as botas e percorrer todos estes recantos, aposto que, mesmo para quem tem filhos, eles vão adorar - o melhor que pode acontecer é apanharem uma constipação, mas isso até reforça as defesas naturais na idade adulta. Acredito até que seja melhor do que passar o dia fechado numa rocha de cimento.

IMG_0979.JPG

Finalmente, e se estiver um daqueles dias em que não apetece mesmo sair do carro e apanhar aquela brisa marinha, pensem que uma embalagem de água do mar, nas farmácias, pode custar mais de 10 euros e aqui, além de perfeitamente natural e sem aditivos, temos essa embalagem em doses indústriais e sem custos...

IMG_1014.JPG

Bom fim-de-semana, 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fezes de Cão que Dão à Luz...

por Robinson Kanes, em 19.02.18

lamp-2739931_1920.jpg

Fonte da Imagem: Pixabay - Maky Orel

 

Como tutor de um cão fantástico, apanho sempre os excrementos do meu companheiro. É importante que isso aconteça, afinal mais parecem excrementos de cavalo. No entanto, parece que muitos tutores de cães, sobretudo pequenos, desconhecem essa prática.

 

Terá sido a pensar nisso que o senhor Brian Harper desenvolveu uma nova forma de dar à luz, literalmente. Harper desenvolveu um sistema que utiliza as fezes caninas como fonte de energia para candeeiros na via pública. Como tudo isto funciona? Os tutores dos animais terão de recolher os excrementos no saco (aqueles que o fazem) e depositar os mesmos num sistema de digestão anaeróbia que se encontra colocado nos candeeiros. A partir daí os excrementos são aquecidos, centrifugados até serem transformados por microorganismos. O resto é simples, pois o resultado final será um composto de biometano que permite não só fornecer energia para as lâmpadas mas também gerar fertilizante... Nem Lavoisier teria pensado nisto! Melhor, 10 sacos de excrementos são o suficiente para gerar 2 horas de iluminação! 

 

Reparem no ciclo! O vosso cão produz excrementos que podem ser reutilizados e também acabam por vos obrigar a apanhar os mesmos, sobretudo em locais onde se torna mais complicado a sua biodegradação. Com isso alimentam os candeeiros das vossas ruas e fertilizam as terras!

 

Não estamos perante um processo novo, o mesmo já é utilizado pelo mundo fora, o biogás é um exemplo. A propósito deste tipo de processos, voltarei em breve com mais um excelente exemplo.

 

Para o bem, já não temos desculpa para não apanhar os excrementos dos nossos animais.

 

Brian Harper tem sido um impulsionador da utilização de lâmpadas a gás - podem ver aqui um video da BBC onde o Sr. Harper explica o processo.

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Tejo, Esmond Bradley Martin e a Cidade do Cabo...

por Robinson Kanes, em 06.02.18

methode-times-prod-web-bin-378565f4-0a8b-11e8-a5b3

Fonte da Imagem: https://www.thetimes.co.uk/article/ivory-trade-investigator-esmond-bradley-martin-murdered-in-kenya-k65bltr0r

 

 

Hoje este espaço está de luto... Está de luto porque existe um rio chamado Tejo mas ninguém quer saber... Pelo menos até secar. Quando isso acontecer lá vamos ter os do costume a posar para a fotografia e a dizerem-se muito preocupados com os portugueses, com o discurso do "tudo está a ser feito"! Enquanto assim não for, vamos continuar calados, mesmo que passemos a vida a falar de tudo e de nada quais cataventos que seleccionam as brisas e se escondem de outras que podem retirar votos e "amizades" com interesses óbvios. É mais fácil andar sempre perto dos sem-abrigo, mesmo que sejam só um ou dois, passando a ideia de que em Portugal são aos milhões, do que propriamente falar e agir contra a poluição no Tejo... Não é Sr. Presidente?

 

Mas o "Não É Que Não Houvesse" também está de luto porque foi encontrado esfaqueado, na sua casa de Nairobi, o activista/conservacionista, Esmond Bradley Martin, um dos maiores nomes quando se fala em combate ao tráfico de marfim! Em Portugal, em alguns meios, também acredito que foi uma morte aplaudida.  

 

É a este homem que devemos algum conhecimento acerca das rotas de tráfico de marfim e a protecção em larga escala de elefantes e rinocerontes! A notícia, encontrei-a na National Geographic e na Time e partilho convosco os links. Dou também os parabéns ao SAPO por ter partilhado também esta notícia e ter dado a conhecer a morte deste senhor nos canais de comunicação nacionais - parabéns.

 

Além da chacina destes mamíferos, o tráfico de marfim alimenta dezenas de guerras civis em África, Médio-Oriente e no Sudoeste Asiático, sem esquecer redes terroristas que encontram neste comércio uma forma de financiar os seus ataques e propaganda. Bradley Martin foi ainda responsável pelo facto de muitos países proibirem este comércio e lançarem verdadeiras intervenções no terreno contra esta prática... A juntar a tudo isto, Bradley Martin foi só mais um a ser assassinado, pois estas redes não olham a meios e todos os anos morrem milhares de heróis desconhecidos nesta verdadeira guerra, desde investigadores a guardas dos parques nacionais! 

 

Finalmente, o luto fecha-se com o drama que vive a cidade do Cabo e o primeiro grande alerta em termos de escassez de água em grandes metrópoles! Antes de desenvolver o assunto, sugiro este artigo brilhante publicado no "The Guardian" e que é da autoria de Anne Van Loon, professora e investigadora em "Ciências da Água" na Universidade de Birmingham. É um artigo a propósito desta temática e das consequências que poderá ter para o nosso futuro! Tive oportunidade também, de ler uma notícia no "New York Times" e cuja preocupação passava pelos turistas, nomeadamente, como estes podiam ser afectados! "Que se danem os habitantes, cuidado é com as viagens para o Cabo".

800.jpeg

Fonte da imagem: Associated Press - Bram Janssen 

 

Neste momento, as restrições e as campanhas estão a dar resultados e o "dia zero" está neste momento em 11 de Maio, ou seja, o dia em que a água vai mesmo faltar. Mais interessante ainda, é o facto de muita desta água ter sido utilizada na agricultura, mas também em usos mais luxuosos, como em piscinas, lavagem de automóveis e outros comportamentos que deixam muito a desejar... Não culpem os pobres, a maioria dos habitantes da cidade, pelo desperdício, pois muitos destes abastecem-se em fontes públicas e o consumo não é assim tão elevado. Segundo fontes da Associated Press, os mais pobres consomem apenas 4% a 5% da água!

 

Hoje estamos de luto também porque estes temas não enchem de revolta as redes sociais e a ruas que andam mais preocupadas com programas de televisão, mini-saias, peripécias de clubes de futebol e com o aniversário do Cristiano Ronaldo.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Paisagens de Seca 2017

por Robinson Kanes, em 07.12.17

Antes que digam que tenho um feitio do pior, também tenho as minhas paisagens...

 

Escolhi estas paisagens de modo a alertar para um país seco mas que continua a desperdiçar água como se não houvesse amanhã... Talvez por ser um país seco... Por dentro e por fora...

IMG_9074.JPG

IMG_9049.jpg 

IMG_9045.jpg

Fonte: Própria.

 

 Bom feriado...

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

IMG_6891.JPGFonte das Imagens: Própria.

 

Ontem falei do Outono e... Falar do Outono sem falar em Trás-os-Montes e mais especificamente em Pitões das Júnias é um autêntica falta de sensibilidade para com esta estação.

 

Pitões das Júnias, no concelho de Montalegre, não está na moda, por isso não confundamos as coisas. Aliás, se alguma vez esteve na moda foi no âmbito da etnologia e da antropologia sobretudo no estudo e na abordagem às aldeias comunitárias.  Sobre uma delas debrucei-me em tempos, Tourém.O próprio nome da aldeia ainda hoje é alvo de um grande debate, pois não é fácil perceber a sua origem.

IMG_6887.JPG

Pitões das Júnias é a aldeia mais alta do Barroso e encontra-se no Parque Natural da Peneda-Gerês. Apesar da proximidade com Espanha, não deixa de ser uma aldeia perdida do interior, uma aldeia esquecida e que tem, graças ao turismo, conseguido manter-se de forma a que não se torne apenas mais uma recordação do passado. A abordagem a Pitões também não pode ficar circunscrita só a um artigo (cá voltaremos), apesar da dimensão da aldeia e da sua população de pouco mais de 150 habitantes. Pitões é mais que uma aldeia, e quando chegamos a Pitões é fácil sentir essa diferença. Pitões é a história de um povo que numa região inóspita lutou contra as adversidades de um clima rigoroso e contra a distância dos grandes centros e isso reconhece-se ainda hoje nos rostos daquelas gentes - gente forte, dura mas de uma humildade e carinho singulares. A própria génesa das aldeias comunitárias nasce dessa necessidade de união e partilha face aos diferentes desafios.

IMG_6893.JPG 

Entre o rio, a "Pala da Vaca" e os "Cornos de Pitões" (Cornos da Fonte Fria), como são chamadas pelos locais as elevações que "protegem" a aldeia e que contribuem para uma imagem pitoresca sobretudo ao amanhecer e durante o crespúsculo. A vista da aldeia a partir do cemitério é algo que fica para sempre na nossa memória. Daí podemos rever o nosso circuito dentro da aldeia e imaginarmo-nos nós também como parte da mesma. O forno comunitário/Ecomuseu, as fontes com uma água cristalina, a Igreja e as diferentes casas são de uma beleza indescritível e não faltam relatos desta riqueza em livros e também na web, sobretudo daqueles que lá vivem, e não daqueles que, como eu, só lá vão de vez em quando.

 

Também não é incomum encontrarmo-nos com amigos de 4 patas, sejam bois ou enormes cães que nos abordam com um olhar inquiridor mas rapidamente se deixam contagiar pelas nossas festas.

 

Entre os "Prados do Lima", os "cornos" e os ribeiros podemos encontrar verdadeiros dias de descanso, considero até que é um dos locais perfeitos para fugir do mundo e reflectir. Contudo não nos deixemos enganar, pois não perdemos a ligação com a vida e com as pessoas, a outra grande riqueza desta aldeia. Em Pitões apodemos perder a carteira com algum dinheiro e rapidamente toda uma aldeia se mobiliza para encontrar o proprietário da mesma, mesmo que este já se encontre em Lisboa com a memória da "Cascata" ainda bem presente nos seus pensamentos.

IMG_6811.JPG

Mas voltaremos a Pitões para descobrir mais um dos segredos deste nosso país. Por agora repousemos entre um clareira rodeada de carvalhos e estudemos este interessante percurso recomendado pelo ICNF. Depois, abramos os nosso cesto de piquenique porque a fome já aperta. Ao que sei está rechedado de enchidos e licores da região...

 

Finalmente, e como Pitões se encontra num Parque Natural, nada como recordar o Código de Conduta e Boas Práticas que deve ser interiorizado por todos os visitantes das áreas protegidas.

 

Bom fim-de-semana...

IMG_6805.JPG

Autoria e outros dados (tags, etc)

Porque os Verdadeiros Flamingos Não São uma Moda.

por Robinson Kanes, em 27.09.17

IMG_8286.JPG

 Fonte das Imagens: Própria - as sombras em algumas das fotografias devem-se ao facto de estar escondido por entre as ervas e a alguma distância. Uma boa fotografia não vale o desassossego das aves.

 

Este Verão parece que a moda foram os flamingos. Parece que todos aqueles que querem ser diferentes lá seguiram a moda e partilharam-na como sendo os únicos a usufruir da mesma... O que eu não vi foi gente realmente diferente a falar dos verdadeiros flamingos, aqueles flamingos que, por exemplo, podem vir a desaparecer do Estuário do Tejo devido à construção do futuro aeroporto de Lisboa... Um aeroporto que, mesmo não estando ainda aprovado, em alguns círculos já é um dado adquirido.

 

Em tempos escrevi aqui e também aqui sobre os flamingos do Tejo. Não são só os flamingos, mas todas as aves que se encontram na Reserva Natural do Estuário do Tejo. O que me espanta é que por cá, muitos tenham aderido a uma moda mas nem tenham a menor ideia da importância extrema da rota migratória destas e de outras aves e também que a Reserva é a maior colónia de flamingos da Europa. O Estuário do Tejo encontra-se ainda na lista das Zonas Húmidas de Importância Internacional. Corremos o risco de cometer mais um atentado gigante contra o ambiente sem que ninguém faça rigorosamente nada.

IMG_8249.JPG 

Pensei que esta moda (e nada tenho contra a tendência em si, embora tenha a minha opinião pessoal acerca desta em particular) ainda pudesse alertar ou até sensibilizar para esta situação, mas no Verão (ou todo o ano?) temos uma certa tendência para fazer uma pausa em alguns valores e causas, até poque Dezembro está a caminho e lá vem a altura de encaixar uns pseudo-actos de bondade e em alguns casos uns dividendos para o bolso.

 

Podemos sempre fazer uma corrida solidária, correr por uma causa... Coisa que a mim me causa uma certa confusão, embora reconheça que se traz frutos, pois bem, que se faça. Não podemos é esquecer que os flamingos não são uma peça de vestuário ou de decoração, são seres-vivos e uma espécie protegida. Finalmente, uma outra nota: sempre que virem flamingos ou outras aves, por favor, não desatem a apitar ou aos gritos, uma das regras básicas da observação destes animais é isso mesmo: a distância e a não interferência!

 

IMG_8230.JPG

Dispam a camisola, ou quando forem guardar o fato de banho ridículo com flamingos (eu disse que tinha uma opinião muito pessoal, lembram-se?) procurem saber a importância destes animais e do habitat dos mesmos em Portugal. Não é só pelo Estuário do Tejo que estes deambulam... Tentem, contudo, não incomodar estes aves quando as virem... O senhor abaixo, que me acompanha sempre, faz exactamente o mesmo e respeita o espaço das outras espécies, ora vejam-no atrás de mim...

IMG_8244.JPG

P.S: de facto, muito se falou da moda dos flamingos e que "toda a gente" havia aderido à mesma, no entanto, terei sido o único a não ver ninguém vestido com padrões de flamingos? Contudo, se a moda continuar no Inverno, é garantido que comprarei uma "capinha" com estas aves para proteger o pastor alemão da chuva. Assim fica a condizer com o arnês e a trela que também são aos flamingos... Prometo "postar" várias fotos do indivíduo canino a fazer bico de pato e a levantar a pata fazendo um "V" enquanto tira uma selfie com o outfit que lhe ofereci...  

Autoria e outros dados (tags, etc)

800.jpeg

Fonte da Imagem: AP Photo/Binsar Bakkara

 

Vivemos no século XXI, temos tudo à nossa disposição, desde a tecnologia ao conhecimento, somos todos o máximo. Nunca, como hoje, tivemos tanto material para não ler aquilo que dá título a este artigo, mas...

 

Segundo a "Survival", 10 membros de uma tribo amazona foram massacrados por exploradores de ouro - o famoso mineral que vale tanto como um seixo mas ao qual atribuímos um valor inexplicável. Estamos a falar de tribos que ainda não têm contacto com a nossa sociedade e que vão sendo cada vez mais pequenas. Para que se tenha uma ideia, um quinto da população foi dizimada e podemos falar em genocídio! Esta não é uma temática nova na Amazónia, bem pelo contrário, e o governo de Michel Temer não é o melhor amigo dos índios - não podemos esquecer as ligação aos lobbies agro-industriais. Neste momento, a justiça brasileira abriu um inquérito e está a investigar, tendo já sido detidos dois indivíduos, contudo, continuamos a seguir o espírito de Cortés ou o dos "pacíficos" exploradores portugueses. Interessante... Como hoje ainda vemos com simpatia e fraternidade a evangelização forçada.

 

O vídeo abaixo fala um pouco deste povo... Importa lembrar que o governo federal nega a existência destas tribos e existem Organizações-Não-Governamentais (ONG) que promovem campanhas sob a capa da protecção mas que visam prejudicar e eliminar estas tribos...

 

 

Um outro episódio vem daquela que já foi denominada de capital mundial dos orangotangos: a Floresta de Tripa, terra natal do Orangotango da Sumatra. Este tema não é novo, mas continua a ser ignorado por muitos que a Indonésia é o principal destruidor de floresta do mundo! Os orangotangos vão ser dizimados, maioritariamente, por culpa daquele que surgiu como alternativa ao óleo alimentar convencional. Aquele que foi tão apregoado em dietas e que seria mais saudável que o anterior, mas saudável apenas para as nossas cozinhas... O óleo de palma, pouco tem de saudável para os outros animais, e a sua disseminação está a levar ao fim do Orangotango da Sumatra e até de outras espécies. As causas? Desflorestação que pode ser por abate de árvores, incêndios ou utilização de pesticidas e outras agentes quimicos que levam à destruição da flora e da fauna!

sumatran_orangutan_8.6.2012_Hero_and_Circle_image_

Fonte da Imagem: https://www.worldwildlife.org/species/sumatran-orangutan

 

Mas a nossa amabilidade não se fica por aqui, quando os orangotangos não são presos e encarcerados até morrerem, são abatidos quando procuram comida e as mães morrem a proteger os filhos que são roubados para serem vendidos como animais de estimação! Actualmente, estima-se que existam 6,600 exemplares destes animais distribuidos por duas ilhas, Sumatra e Bornéu! A Floresta de Tripa (em alto risco de desaparecer) é somente uma parte do Ecossistema Leuser com 2.6 milhões de hectares e o único local da terra onde orangotangos, tigres, rinocerontes e elefantes vivem em harmonia num estado selvagem!

 

Deixo-vos com um vídeo do qual todos nos devíamos envergonhar. As imagens podem chocar, pelo que, quem não se quiser envergonhar e assistir, simplesmente não clique, embora a realidade seja para ser vista...

  

Algumas Notas:

 

Notícia no New York Times:

https://www.nytimes.com/2017/09/10/world/americas/brazil-amazon-tribe-killings.html?ncid=edlinkushpmg00000313

 

Notícia no website da Survival, responsável do alerta para o mundo:

https://www.survivalinternational.org/news/11810?ncid=edlinkushpmg00000313

 

Algumas ONG, que lutam contra a extinção dos orangotangos:

 

Save the Orangutan

http://savetheorangutan.org/

 

Sumatran Orangutan Conservation Program

http://sumatranorangutan.org

 

International Animal Rescue

https://www.internationalanimalrescue.org

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Mensagens

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog






Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB