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O Dia Internacional da Paz!

por Robinson Kanes, em 20.09.19

 

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Não podia deixar passar este dia, sobretudo depois de ter apreciado que o dia 15 de Setembro (Dia Internacional da Democracia) passou completamente ao lado de todos - numa época em que se fala tanto de "populismo" é estranho que muitos do que combatem tal tendência também não estivessem muito interessados em falar de Democracia.

 

Amanhã é o "Dia Internacional da Paz" e este ano tem um cariz especial na medida em que adiciona a esta temática também as questões climáticas: "Climate Action for Peace" é o mote. Esta estratégia entende-se, sobretudo, porque o espoletar de guerras causadas pelas alterações climáticas tende a ser uma realidade daqui a poucos anos, aliás, algumas de certa forma já estão a acontecer. 

 

Segundo as Nações Unidas, o impacte na segurança é tal que os desastres naturais provocam três vezes mais deslocados que os conflitos bélicos - por sua vez, temos de ter em conta que deslocados também podem estar na origem de algumas tensões. Acresce a questão da salinização das águas e respectivas consequências na agricultura e na saúde dos cidadãos. Será também interessante assistir às conclusões da "Climate Action Summit" que, penso ter ouvido, para o ano terá lugar em Portugal.

 

"Cada ser-humano é parte da solução" é uma das bandeiras, nomeadamente em coisas tão simples como desligar as luzes quando não são necessárias, utilizar os transportes públicos e até dinamizar campanhas a nível local - e em Portugal precisamos tanto disto, mas tanto... Sobretudo campanhas nascidas de gentes locais, com pessoas reais, sem grandes associativismos mas uma enorme vontade de mudar, estamos dispostos a isso? Podemos fazer tantas iniciativas e quantas vemos realmente a ocorrer? Porque é que não fazemos uma actividade que contemple a criação de um ou mais "peace poles" - algo que até podemos fazer numa lógica de Responsabilidade Social Corporativa (RSC). Deixo também outras tantas ideias que podem ser colocadas em prática para fazer a diferença seja na nossa pequena comunidade, região ou organização empresarial.

- Minuto de silêncio - não faz muito, mas é uma forma de pelo menos recordar as pessoas;

- Dinamização de diálogos inter-culturais;

- Workshops ambientais e dedicados à paz;

- Poesia e/ou música dedicada aos temas da paz e do ambiente;

- Actividades locais/comunitárias de promoção da paz e de alerta;

 

Podemos fazer tantas e tantas coisas, pelo que, deixo uma outra sugestão, na medida em que este ano, e já hoje, a "International Day of Peace Student Observance" apresentará uma plataforma onde muitos jovens apresentarão vários projectos em curso no combate às alterações climáticas, será às nove horas de Nova Iorque e pode ser acompanhado online aqui.

 

 

Vamos fazer a nossa parte? Se quiserem partilhem também aqui o que vão fazer e este espaço será Vosso para que possam escrever os vossos artigos! Vamos lá?

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O país onde não havia natureza...

por Robinson Kanes, em 09.09.19

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Imagem: GC

 

 

Os portugueses são daqueles povos que se podem orgulhar de ter legislação para tudo. Existe uma falha, cria-se imediatamente uma lei para preencher esse vazio ou alguém influente na política comete um crime, cria-se uma lei que permita a fuga desse indivíduo à Justiça. No entanto, quantas leis têm efectivamente aplicabilidade prática? Quantas leis são seguidas e quantas outras não são  mais que um processo de entropia à própria aplicação da justiça?

 

Existem em Portugal, tantas outras leis relacionadas com o ordenamento do território e com o ambiente, mas só aquelas que acompanham o cimento parecem merecer a atenção de quem governa e de quem é governado. O tema ambiente não dá votos! Poderão falar do crescimento do PAN, no entanto, a bandeira deste são os cães e os gatos, não propriamente as políticas ambientais e de sustentabilidade. Os "Verdes" não existem, pura e simplesmente, lembram-me sempre aquelas micro e pequenas empresas que ninguém percebe como sobrevivem perante a ineficiência de vendas e concretização de negócio.

 

Os temas ambientais não merecem destaque porque simplesmente ninguém quer saber! Queremos ter um aeroporto para viajar mais barato e aumentar o turismo de "chinelo no pé", mas não queremos saber os impactes do mesmo no ambiente. Não queremos saber dos Parques Naturais, das Reservas Naturais e muito penas de Zonas Especiais de Protecção. Não estamos preocupados com o processo mais que visível de desertificação e muito menos nos preocupamos se todos os dias alguém faz descargas no Tejo e em outros rios e nada se faz. Ninguém está preocupado com as promessas (e algum trabalho, efectivamente) realizadas no âmbito de pós-Pedrogão e dos incêndios de Outubro daquene ano fatidíco.

 

Um aparte, sei que não acontece com todos, mas não são raras as situações em que já presenciei bombeiros no terreno sem saber o que fazer ou, passo a expressão, "à nora" porque o comando é fraco. Não são raras as vezes que assisto a bombeiros plantados à entrada de localidades à espera de um incêndio que está a quilómetros, porque as ordens passam por desmobilizar a frente e proteger habitações! É importante que não morra ninguém e poucas casas sejam destruídas sob pena dos media serem implacáveis. Até porque, em termos de área ardida, destruição da fauna e da flora, os cidadãos não estão interessados.

 

Deveríamos ter vergonha pelo simples facto do Tribunal de Justiça da União Europeia ter condenado Portugal pelo falhanço na declaração de 61 sítios como zonas especiais de conservação - simplesmente porque ignorou as orientações da Comissão Europeia no âmbito da "directiva Habitats". Será assim tão difícil num país tão pequeno e com prazos tão alargados? Terão os cidadãos cultura ambiental (ou interesse) para exigirem mais dos Governos nestas matérias? Eu envergonho-me de estar num país em que tal acontece, em que Pedrogão e o "Outubro negro" foram óptimos para o mediatismo de muita gente e onde todos os mortos, feridos e envolvidos na tragédia foram completamente ignorados e as suas mortes ou dificuldades acabaram por ser em vão. E hoje como estou em "apartes", não é estranho que o piloto de uma força militar que disse anos a fio (e ainda diz) não ter condições para o combate a incêndios, estar a pilotar um helicóptero privado de uma empresa ligada à indústria do papel? E como este quantos existem? Não é também estranho que um piloto de 34 anos, que mora no Montijo (segundo me foi dado a saber), faz uma "perninha" a pilotar helicópteros privados e ainda é comandante de uma corporação de bombeiros a cerca de 350 km de casa? Como é que se consegue tempo e eficiência para todos estes deveres? Deveres esses que, na sua maioria são pagos com dinheiro de todos nós. Todavia, também não quero, com isto, menosprezar a capacidade de trabalho do profissional.

 

Finalmente, também o Tribunal de Contas arrasou, e voltando ao tema, a ineficiência ou total ausência do plano para a desertificação! Perdoem-me a expressão, mas "caramba que raio anda tanta gente a fazer?". Temo que estes reparos de uma das instituições públicas que melhor funciona fique, mais uma vez, no esquecimento. Não deve ser fácil estar no Tribunal de Contas e ser constantemente humilhado pelo total desprezo político em relação a esta instituição! Num país com cidadania e patriotismo fora de estádios de futebol, esta seria uma das instituições mais acarinhadas pelos cidadãos e que mais apoio teria destes para fazer valer aquilo que agora são meras observações...

 

Portugal talvez seja mesmo o país onde, além de contas claras, não há natureza...

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historia_da_morte_ocidente.jpgImagem: Robinson Kanes

 

A última coisa que vem à cabeça de alguém que está prestes a ir de fim de semana é a morte! No entanto, o prometido é devido (promessa à MJP) e assim sendo começa de forma bastante célere o artigo de hoje como uma sugestão do diabo: Philippe Ariès e o seu trabalho "Sobre a História da Morte no Ocidente". Arìes foi um historiador, no entanto, foi um pioneiro a desmistificar a morte, sobretudo numa óptica mais sociológica e até antropológica.

 

Arìes faz-nos uma demonstração de como a temática da morte, a Ocidente, foi evoluindo ao longo dos séculos  bem como dos seus avanços e recuos na forma como lidamos com a mesma. Arìes vai ao homem medieval que se preparava para a morte e chega ao homem moderno com descobertas muito interessantes como a evolução da própria localização do cemitério. Esta é uma das obras que mais gostei de ler e de facto é fascinante, levando-me a aferir de que em muitas situações relacionadas com o tema da morte, estamos mesmo lá para trás. Em muitas situações o homem medieval estava bastante mais à frente que nós, sobretudo na preparação para a morte - é um facto que a religião ajudava, a fé em algo superior também.

 

Em termos musicais, o último fim de semana de Agosto traz-me algumas memórias e uma certa nostalgia... Sinto que tenho de ouvir "The Last Waltz" do compositor sul-coreano Jo Yeong-wook. Transporta-nos efectivamente para essa nostalgia, para esses passos alegres num passado distante alternando entre as memórias longínquas e os sorrisos presentes. Este tema faz parte da banda sonora do filme "Old Boy", prémio do júri, em 2014, no Festival de Cannes - não associo a música ao filme, mas tenho de admitir que a banda sonora e o filme merecem uma visita.

Um fim de semana sem um filme não é um digno desse nome... Não sei porquê, de repente recordei-me do filme "Merry Christmas Mr. Lawrence", indicado para uma palma de ouro em Cannes e que até contou com David Bowie como actor. É um filme de 1983 e que baseia nos livros e experiências de Laurens van der Post como prisioneiro de guerra no Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Talvez me tenha deixado influenciar por "Old Boy" ou talvez não...

 

Afinal, a banda sonora tem esta obra-prima de Ryuichi Sakamoto - "Merry Christmas Mr. Lawrece" para escutar e ver. Acho que ainda anda algures por aqui! Sakamoto (que participou no filme) anda de certeza em CD, mas será tema para outro artigo...

E porque as boas notícias são para ser dadas e sempre fica algo para se pensar: Angola também está a arder... Muitos países em África também estão a arder... A Sibéria arde há meses... Em Moçambique continuam a morrer milhares de pessoas devido às cheias, mas ninguém quer saber... Desta vez não há folclore e por isso também não existem likes. Quando o tecto vos cair em cima, os vossos corpos forem carbonizados ou descobrirem qual a sensação de morrerem afogados, lembrem-se que também só serão lembrados se as vossas mortes derem likes.

 

Um apontamente final: em Hong Kong também se cancelou uma manifestação pela Democracia e por não ser possível acautelar a integridade física dos participantes. Na Rússia a história repete-se, mas aqueles que andaram calados nos incêndios de Pedrogão (PAN, BE, PCP, PS, Quercus e demais suspeitos do costume) criticam Portugal por não tomar uma posição em relação à Amazónia e até se esquecem do nosso papel em Timor e nos 20 anos do referendo para a independência - algo que tem sido celebrado ao longo da semana...

 

Bom fim de semana...

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Imagens: Robinson Kanes

 

O mar começa a ficar para trás e eis que Cangas de Onís fica à nossa frente. Este destino, como aquele que nos espera imediatamente a seguir, são muito conhecidos do grande público, talvez por isso a nossa base tenha ficado ligeiramente distante daquela localidade, em Labra.

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Isto não impede que possamos beber uma sidra, comer queijo e continuar a provar o que de bom se faz nas Astúrias. Passamos obrigatoriamente pela ponte romana e tiramos uma fotografia, é rápido... Não somos adeptos de selfies ou de registarmos a nossa presença no local. Caminhamos por Cangas de Onís e como não poderia deixar de ser perdemo-nos em compras: queijo (Cabrales, Gamonéu e Beyos...), verdinas (e que boas ficam aquelas feijoadas de chocos e camarão), lentilhas pretas e um sem número de coisas que vamos metendo no saco! "La Barata", a loja com muito bom gosto onde adquirimos os produtos torna-se cara dado o volume nos sacos...

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"Marcamos" o jantar, deixamo-nos ir pelo cheiro a sidra e a vinho e aterramos na recomendação que o nosso anfitrião em Labra - a pequena e pistoreca aldeia asturiana a 8 quilómetros de Cangas - nos aconselhou. Ah! "Casa Pinin" ou também "El Polesu", como são conhecidos - o verdadeiro tasco que nós amámos e onde insistiam no nosso sotaque de Girona (mais uma vez). 

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Entretanto, e porque o dia é longo passamos pelo Santuário de Covadonga... Também é daquelas visitas obrigatórias, embora só pense em subir ao monte que se encontra em frente para poder observar as aves mais de perto e tentar imaginar quão dura terá sido a Batalha de Covadonga - a "primeira" vitória cristã após a invasão árabe por terras da "Hispânia" e onde os Islâmicos do Califado de Omíada saíram derrotados, para desespero de Munuza. O vencedor, o nobre visigodo Pelágio, ainda hoje é recordado ou não tivesse sido o primeiro rei do reino das Astúrias, na época com capital em Cangas de Onís. Deambulamos pela área, nota-se a presença de muitos turistas, o que é normal. Desejamos, contudo, que a maioria não pense em ir aos lagos. E não vai...

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Ainda pensamos em fazer o caminho a pé (24km ir e vir, sendo que metade é sempre a subir)... Sobra-nos "pouco" tempo e queremos aproveitar os altos ao máximo e poder explorar a fauna. Como não é possível a deslocação pelos nossos meios de transporte, apanhamos o único autocarro que faz a ligação ao topo das montanhas - a viagem não é barata, mas manobrar um veículo pesado daqueles, em tais condições, não é para todos. Além disso, aquilo com que nos deparamos não tem preço.

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As vistas, ao longo do caminho, são de cortar a respiração, não conseguimos estar quietos... A chegada e os lagos: o "Enol", o "La Ercina" e até o "El Bricial" (só visível em certas alturas do ano) lá estão à nossa espera. Não são lagos gigantes e grandiosos, todavia, são lagos bem no alto da montanha, desenhados para encaixar perfeitamente naquele monumento natural que é a Serra de Covadonga. No "Enol" a cerca de 1000m de altitude, dizem que no fundo das suas águas se encontra a virgem de Covadonga, que aí zela pelos seus bem lá no alto/fundo. O "La Ercina" fica a mais 100m de altitude e é mágico ver o gado nas margens do mesmo, cria uma imagem pitoresca e totalmente diferente daquela que já tivemos na Áustria, Suiça ou até mesmo Açores... Em cada local o seu encanto.

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Uma manada começa a afastar-se, seguimo-los com as devidas cautelas, é uma área altamente protegida. O gado sabe sempre para onde vai e informa-nos sempre dos melhores caminhos. Preparamo-nos para a aventura, pois entre raios de sol alterna um nevoeiro denso e uma chuva intensa, além disso começamos a caminhar para o interior da montanha e os visitantes dos lagos começam a ser uma mera miragem ao longe.

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Seguimos um caminho e encontramos um especialista em preservação de aves na sua pick-up. Interpela-nos e pergunta-nos do nosso interesse por aquelas bandas. Lembramos que estamos por lá para apreciar a montanha, para usufruir de um dos mais belos recantos da natureza, onde cada vento conta uma história antiga de pessoas, vivências entre montanhas e dos diálogos da natureza protagonizados pelo mar e pela montanha. No entanto, também revelamos o objectivo principal: observar a Águia Imperial Ibérica (Aquila adalberti) - adalberti em homenagem ao príncipe Adalberto da Baviera. 

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Existem em nós muitas paixões em termos de fauna na Ibéria e talvez as maiores sejam o Lobo Ibérico (Canis lupus signatus), a Águia Imperial Ibérica (Aquila adalberti) e a Garça Real (Ardea cinerea). Existem mais, os ursos, por exemplo, e um sem número de espécies que simplesmente nos fazem percorrer muitos e muitos quilómetros e até, enfim, envolvermo-nos em algumas "missões de salvamento".

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Mas esta águia, o gado e toda a fauna por alí encontrada será tema para outro artigo... Agora é tempo de dizer adeus ao nosso anfitrião da montanha, que nos disse ser um óptimo dia para observar as aves. Aproveitamos para recuperar forças e atacar as bananas e as maçãs. Alguma chuva, os rostos ficam molhados e acabamos por dispensar a água porque cada gota é um pouco das Astúrias, traz o cheiro do ar, da terra e da natureza... Queremos aproveitar e beber o que nos vem dos céus.

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Agora permitam-nos e deixem-nos ir em busca das rainhas dos céus...

 

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Um miserável intocável e existencialista...

por Robinson Kanes, em 23.08.19

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Imagem: Robinson Kanes

 

A semana foi longa, com mais altos que baixos, com alguma perda de esperança em relação ao futuro - não ao meu, mas ao deste Mundo. Talvez por isso, e por outras trocas de palavras que fui tendo com um senhor chamado "Folhas", recorde para o fim-de-semana o seguinte ensaio: "O Existencialismo é um Humanismo - Da Fenomenologia a Sartre" de Vergílio Ferreira. É uma interessante abordagem onde o pensamento de Sartre, Husserl e Heidegger estão bem presentes e são soberbamente dissecados pelo professor de Melo, concelho de Gouveia. Sem esquecer outros, conceitos como o de "realidade humana" estarão bem presentes.

 

 

Tudo se passa como se, para todo o homem, toda a humanidade tivesse os olhos postos no que ele faz e se regulasse pelo que ele faz. E cada homem deve dizer-se a si próprio: "terei eu seguramente o direito de agir de tal modo que a humanidade se regule pelos meus actos?" E se o homem não diz isso, é porque ele disfarça a sua angústia.

Vergílio Ferreira, in "O Existencialismo é um Humanismo - Da Fenomenologia a Sartre"

 

 

E porque talvez o espírito o alimente, a banda sonora deste fim-de-semana é mesmo uma banda sonora, ou melhor, um musical... "Les Misérables", o romance de Victor Hugo que já foi filme, musical e tudo e "mais alguma coisa" mas que continua tão presente em todos nós como uma das mais belas Histórias de sempre! Por cá, em formato musical, não mp3, está a banda sonora do filme de 2012 realizado por Tom Hooper e com a música de Alain BoublilClaude-Michel Schönberg. Gosto de ouvir a música, não ter imagem para poder criar o puzzle das diferentes representações, a que já assisti, no meu pensamento. Todos têm uma personagem preferida, eu tenho a minha, Javert! E se quiserem acrescentem Éponine. Enfim, só poderiam ser estas duas... 

Nos últimos tempos faz-nos falta ser Misérables... Muita falta. E se existem romances que nos podem ensinar muita coisa sobre a vida, este é um deles. Selecciono duas passagens relacionadas com as personagens: a primeira, Por muito que goste de Russel Crowe e queira colocar a do CD, tenho de escolher Philip Quast com "Stars"... É impossível não nutrir simpatia pelo grande "vilão" "Javert" depois de ouvir esta música...

A segunda, para Éponine, e aqui Samantha Barks (a do filme de Hooper) tem todo o destaque, uma das melhores actrizes e vozes do filme, aliás já trazia esta escola antes de chegar a 2012. Phénoménal este "On My Own".

E para terminar, um filme, como vem sendo habitual... "Les Misérables" será demasiado... Fico-me por "The Untouchables", o filme de Brian de Palma e que, grosso modo,  representa a vida de um grupo de polícias, liderado por Eliot Ness, que decidiu arriscar a vida e tentar capturar o temido Al Capone! Um filme de corrupção, honra e de "Homens" para "Homens". Muitos já o terão visto mas colocar Robert de Niro, Kevin Costner, Sean Connery e Andy Garcia no mesmo filme só pode dar bom resultado. Um filme em homenagem a todos os que combatem o crime e a corrupção.

E não se esqueçam: Na eventualidade das temperaturas aumentarem em média 2 a 2,5, todos os anos o gelo do ártico estará derretido completamente em Setembro. Acho que todos sabemos o que isso significa.

Talvez este e outros motivos nos façam levantar a voz e... (em Hong Kong já o fizeram em Junho)...

 


Do you hear the people sing?
Singing the song of angry men?
It is the music of the people
Who will not be slaves again!
When the beating of your heart
Echoes the beating of the drums
There is a life about to start
When tomorrow comes!


Will you join in our crusade?
Who will be strong and stand with me?
Beyond the barricade
Is there a world you long to see?


Then join in the fight
That will give you the right to be free!


Do you hear the people sing?
Singing the song of angry men?
It is the music of the people
Who will not be slaves again!
When the beating of your heart
Echoes the beating of the drums
There is a life about to start
When tomorrow comes!


Will you give all you can give
So that our banner may advance?
Some will fall and some will live
Will you stand up and take your chance?
The blood of the martyrs
Will water the meadows of France!


Do you hear the people sing?
Singing the song of angry men?
It is the music of the people
Who will not be slaves again!
When the beating of your heart
Echoes the beating of the drums
There is a life about to start
When tomorrow comes



Bom fim de semana...

 

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O Estuário do Tejo...

por Robinson Kanes, em 09.08.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

O Estuário do Tejo... A Reserva Natural do Estuário do Tejo, esse espaço em vias de extinção, uma extinção há muito anunciada, ou não fosse o estado de abandono da mesma por parte das autoridades nacionais. Tanto se fala da preocupação com o ambiente, mas é mesmo às portas da (e na própria) capital que se assiste ao apagar de um património que, depois de destruído, será irrecuperável. O "senhor Ryanair" é que já deve estar muito satisfeito e a preparar a sua espingarda para começar a caçada aos pássaros.

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Mas o que está em risco? O que é que podemos perder com o novo aeroporto e a construção desmedida que está a tomar conta desta zona que, supostamente, deveria ser protegida? Onde estão os ambientalistas? Onde estão os partidos da natureza? Onde está a promessa de cuidar do ambiente e do nosso património único? Já deixaram que os incêndios destruissem o nosso país, permitiram que industriais sem escrúpulos destruissem os nossos rios, só falta acabarem com este estuário!

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Quem toma conta desta espécie que, por sinal, é protegida - a Garça Real (Ardea cinerea)?

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E esta "passarada"? Vamos destruir umas das principais rotas migratórias do Mundo? Este é um espectáculo singular na Primavera e no Outuno que vai deixar de existir!

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E o corvo-marinho (Phalacrocorax carbo), o terror do peixe na maré baixa. Quando em bando é um espectáculo digno de ser ver nas margens do Tejo. Um autêntico ataque aéreo digno de registo!

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E os flamingos do Tejo (Phoenicopterus roseus) os autóctenes e os migratórios? Andamos todos vestidos à flamingos, com bóias e vestidos pirosos mas ignoramos a sua destruição? Mas que apropriação é esta ou já encaramos os mesmos como mera peça de decoração?

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Será que uns voos mais baratos valem a destruição de todo este espaço? Valem a construção de mais uma infraestrutura gigante, de mais uma ponte e de todo um desastre ambiental sem precedentes? E quem estamos a satisfazer a pretexto do desenvolvimento do país? Os interesses da AHRESP? Dos novos empresários do turismo que desconhecem o conceito de turismo sustentável? De políticos que nunca responderam por estes crimes? Temos um aeroporto em Beja a apanhar pó! 

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Já percebemos que o Governo actual (e muitos dos anteriores) falharam em toda a medida na defesa dos interesses do cidadão comum e do país... Por quanto tempo mais vamos deixar que estes crimes continuem sem pelo menos lutarmos por aquilo que é nosso para sempre e não somente por legislaturas de 4 anos? E porque não estamos também a ter em conta a subida no nível dos mares e os impactes que isso terá numa zona como aquela onde querem localizar o novo aeroporto?

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Defendam o pouco que ainda resta de bom no vosso país! 

 

P.S.: há pouco mais dois dias, um avião da United aterrou de emergência devido ao embate com uma ave. A situação ocorreu no Aeroporto Francisco Sá Carneiro. Imaginem no Montijo (que não é só Montijo, é o Seixal, Barreiro, Almada, Lisboa, Loures, Vila Franca de Xira, Palmela, Moita, Benavente, Alcochete - e isto são apenas sedes de concelho).

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1000.jpegCréditos: AP/Sam Mednick

 

O Sudão do Sul é mais um daqueles países que, pontualmente, tem 20 segundos de atenção nas notícias e pouco importa para todos nós! O "folclore" dos refugiados no Mediterrâneo tem mais impacte, no entanto, esquecemos que a origem não está nas águas deste mar... Está em locais mais longínquos.

 

Num país devastado pela guerra e consequente violência, travam-se guerras "anónimas". São guerras travadas entre guardas armados de metralhadoras automáticas e caçadores furtivos. Os primeiro defendem as reservas da tirania dos segundos e também da invasão humana. Muitos destes guardas são também antigos soldados que combateram na guerra e agora travam uma guerra que já não é civil mas sim contra aqueles que querem destruir uma das, se não a maior, riquezas do Sudão do Sul: os parques nacionais! São seis parque nacionais e 13 reservas de caça (13% do território).

 

Num país onde a guerra matou mais de 400 000 pessoas e cuja paz ainda é recente e frágil, procura-se agora estimular um turismo sustentável e promover o estudo de todos estes espaços - alguns passos já foram dados em relação ao elefantes da floresta e à grande migração dos antílopes, uma das maiores do continente. No entanto, a tarefa não é fácil: a disseminação de armamento e a sede de consumo dos países desenvolvidos são promotores da caça furtiva! Também os recursos são escassos, num país que investe, mesmo assim cerca de seis milhões de dólares na defesa da natureza (é pouco, mesmo assim, mas acredito que bem mais que num país como Portugal - mais rico, por sinal).

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Créditos: AP/Sam Mednick

 

Esta é uma guerra que não pretende dar tréguas - para que se tenha uma ideia, os guardas do parque dormem sempre separados, pois os ataques dos caçadores furtivos a estes são constantes e a garantia de que pelo menos alguns possam sobreviver já é uma conquista! Estes são os verdadeiros guardas da Natureza, ou melhor, os soldados da Natureza que além de lidarem com autênticos guerrilheiros ainda têm de conter o avanço das populações que, com a exploração agricola, vão devastando importantes áreas protegidas. Juntem-se a isto as ameaças de morte e temos um cocktail explosivo!

 

Todavia, entre a crueldade existem sempre focos de esperança. É importante ter em conta que estamos num país em ruinas e no centro de África, mas surgem iniciativas no sentido de mostrar e explicar este valioso património às crianças, de fazer viagens de campo colocando as crianças "em contacto" com os animais - só assim a destruição poderá dar lugar à preservação e criar uma mentalidade de união nacional na defesa daquele que é um património do Sudão do Sul e de todos nós! Também assim, o Sudão do Sul está a investir em futuros soldados da Natureza e também em, quiçá, futuros técnicos de turismo ambiental e sustentável ou até biólogos e investigadores!

 

Com o apoio de entidades estrangeiras mas ainda sem o peso de muitas associações ou ONG (que, não raras vezes, atrasam o processo e não criam empowerment nas populações), podemos ter aqui um exemplo para o mundo. Talvez assim, também possamos ser mais activos na defesa do ambiente no nosso país, até porque andamos preocupados com as políticas ambientais de um país (sempre o mesmo) do outro lado do Atlântico e fechamos os olhos ao que se passa por cá e no resto do mundo.

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bryan_ferry_eleni_karaindrou_eternity_and_a_day.jpImagens: Robinson Kanes

 

Dizem que o fim-de-semana se avizinha chuvoso... É, portanto, uma óptima oportunidade para ir à praia sem andar aos encontrões. Ou então... Ou então, sempre podemos ouvir alguma coisa para nos animar alma. Esta semana partilho um dos meus intérpretes de eleição, o senhor que andava de fato quando todos os outros usavam calças de ganga e cabedal: Bryan Ferry! Destaco o albúm "Let's Sitck Together" e o single que lhe dá o nome - uma malha daquelas, já para não falar em "Shame, Shame, Shame" ou "The Price of Love". Ferry consegue sempre juntar a total libertação com músicas verdadeiramente apaixonantes, gosto disso...Vai ser um gosto voltar a encontrar-te em Setembro, Bryan! 

Para outros ambientes, faço um dois em um com o filme  "Eternity and a Day" de Theo Angelopoulos e vencedor da Palma de Ouro em 1998! É um filme interessante, adaptado aos dias de hoje - o escritor perto da morte enfrenta a vida e as emoções que não viveu... Ir mais longe já é desvendar o filme. Gostei especialmente da interpretação de Bruno Ganz no papel de Alexander, vão perceber porquê. Uma nota para quem não conhece o estilo de Angelopoulos... Não se assustem, no final vão adorar.

E é neste dois em um que destaco a banda sonora de Eleni Karaindrou, de quem já falei aquando do tema  "To Vals Tou Gamou". A banda sonora é simplesmente encantadora e transporta-nos, mesmo sem se conhecer o filme, para pensamentos que muito provavelmente não serão diferentes daquilo que passava pela cabeça de Alexander. É o mote para viajarmos dentro de nós... 

Finalmente, e como prometido aqui, partilho uma das leituras mais interessantes e carregadas de humanidade que podemos ter, sobretudo quando estamos a falar de doentes terminais. Marie de Hennezel é um uma referência para todos aqueles que trabalham nesta área ou se interessam pela mesma, sobretudo se com trabalho desenvolvido em áreas como a psicologia clínica, psiquiatria ou até serviço social. Não excluo com isto, pois mencionei psiquiatria, outras especialidades médicas que também têm muito a beber do trabalho de Hennezel. "Diálogo com a Morte" pode ser um livro pesado, sobretudo para os mais sensíveis, mas demonstra-nos como é possível "morrer bem" e de como é possível conseguir encontrar humanidade e serenidade na morte. Ficamos também com uma clara ideia do trabalho de Hennezel nesta área e das suas conquistas em França onde a vontade desta senhora chegou ao mais alto nível da governação acabando numa grande amizade com o François Miterrand - quem também acompanhou nos seus últimos dias de vida. Um livro com emoções mas com a realidade bem presente.

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Acredito que tudo isto num fim-de-semana cria uma espécie de up & down de emoções, mas afinal, o mundo também não se transforma em linha recta.

 

E porque é importante pensarmos, se a chuva entretanto der lugar ao sol e formos à praia, que cerca de um milhão de espécies se encontra em risco de extinção e o planeta enfrenta, muito provavelmente, a sexta extinção em massa da sua história.

 

P.S.: este fim-de-semana termina o FMM!

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O Turismo, o Instagram e Santorini...

por Robinson Kanes, em 06.06.19

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Créditos: Xuan Nguyen

 

Recentemente li um artigo do "The Economist", da autoria de Jessica Bateman, que dava conta de uma preocupação crescente em relação ao turismo nas ilhas gregas, particularmente em Santorini. Ao ler esse artigo, mais uma vez, dou-me conta da necessidade de encarar o turismo como uma verdadeira indústria e também de apostar na sustentabilidade deste sob pena de termos mais uma indústria que financia uns tantos e destrói milhões. 

 

Quem já foi a Santorini, rapidamente vai perceber o encanto da ilha, sobretudo se visitarem a mesma durante a época baixa - embora a visita a ilhas menos conhecidas possa ser uma surpresa ainda maior. Como refere o artigo, a verdade é que redes sociais como o "instagram" têm aumentado o desejo em visitar a ilha - e como eu entendo, apesar de preferir a aurora ao crepúsculo, este último, o momento mais desejado na ilha.

 

O "instagram", entre outras redes sociais, levou a um aumento de 66% nas dormidas sobretudo numa época em que o turismo na Grécia sofria os efeitos da crise. Tudo isto é fantástico, no entanto, num país onde nem sempre as leis são respeitadas, temos um aumento da pressão e da especulação imobiliária e um sem número de situações de corrupção - esse panorama já é visível em Lisboa. Segundo o artigo, que cita Ioannis Glinavos, Professor na Westminster University em Londres, existem algumas restrições que passam ao lado de quem legisla e basta pisar o local para perceber que a impunidade reina - mais uma vez, é um exemplo que podemos ter em Portugal! A título de exemplo, visitem Alcochete e reparem como se constrói "em cima" do Tejo e de uma Reserva Natural - por sinal, uma das mais importantes da Europa e (estranhamente) menos importantes de Portugal.

 

O aumento do número de visitantes (totalmente descontrolado) e as consequências desse efeito vão acabar por destruir a autenticidade da ilha, fazer desaparecer outras actividades (a vinha é um exemplo) bem como o tecido social e a própria natureza - já é a própria União Europeia que o diz, acentuando também o facto de que a gestão urbanística da ilha está sob dependência do Governo Central. Num país com as características da Grécia, é totalmente inconcebível!

 

Por outro lado, aqueles que investem no turismo da ilha tiram o máximo proveito da situação e esforçam-se por aumentar legitimamente as suas receitas - actualmente, o posicionamento de talheres e copos tem em conta as fotografias que irão ser tiradas pelos clientes. Redes como o "instagram" são, neste momento, o maior aliado em termos de marketing - a "foto feita" tem um impacte sem precedentes e todos querem tomar parte na mesma! Numa sociedade onde todos queremos ser diferentes também acabamos todos por querer pertencer a um grupo e seguir a mesma tendência. Deixo essa análise para outras "letras"...

 

Mas colocando o foco no "instagram" ou em que faz uso do mesmo, também é preciso educar o turista: não são raras as invasões de espaço e a destruição do mesmo - vale tudo por uma fotografia e corremos o risco de criar o efeito de repulsa! Alguns exemplos são dados e muitos acabarão por se rever nos mesmos: bater às portas, entrar dentro de espaços privados, subir a telhados e a falta de respeito com os locais. Temos aqui um paradoxo, pois aquilo que atrai turistas à ilha acaba efectivamente por ser destruído pelos "mesmos canais" que criam esse desejo de experimentar. 

 

Acredito também que temos de ter em conta que o turismo é uma actividade que se pode considerar de luxo e que, não raras vezes, é desenvolvida num precipício em que de um lado temos o turista (rico ou aparentemente rico) e do outro o autóctene (mais pobre). Quando a invasão e destruição tende a ser em demasia podemos ter efeitos nocivos, sobretudo quando a exploração turística não é feita pelos locais e os mesmos não são consultados nos processos de desenvolvimento da mesma.

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Adeus TAM!

por Robinson Kanes, em 29.05.19

rinoceronte51.jpgCréditos: https://www.lifegate.com/people/news/sumatran-rhino-is-extinct-in-the-wild-in-sabah

E assim... Todos os dias nos vamos despedindo de mais uma espécie, desta feita foi o rinoceronte-de-sumatra (Dicerorhinus sumatrensis)... Perdemos o TAM, o último representante da espécie... A vida selvagem, mais uma vez, agradece ao ser-humano e à sua estupidez crónica! Adeus TAM... Hoje, mais uma vez, enchemo-nos de vergonha!

P.S.: poupem-nos ao argumento de que a Terra se regenera e também as espécies acabam por sofrer com isso! Estes animais desaparecem porque alguém se lembrou de dar valor aos cornos dos mesmos (fins medicinais que ninguém consegue explicar, decoração e até como afrodisíaco!) e também porque alguém se tem lembrado de destruir o habitat destes animais.

 

 

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