Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Pelo Nariz do Mundo...

por Robinson Kanes, em 06.08.20

nariz_do_mundo-2.jpg

Imagens: Robinson Kanes

 

 

Estamos em Moscoso, o distrito de Braga despede-se e ao longe já quase se avista o distrito de Vila Real e consequentemente Trás-os-Montes. A diferença paisagística é nula e não são raros os habitantes de Cabeceiras de Basto que já se sentem mais transmontanos que minhotos.

nariz_do_mundo-5.jpg

Ficando a aldeia para trás, e também a conhecida Adega Regional, é hora de seguir caminho, um percurso clássico e com as clássicas Timberland - não são à prova de água, são mais pesadas, mas é outra atitude, é outra história e por estas terras os caminhos a isso se prestam.

nariz_do_mundo-6.jpg

As barrosãs fazem parte da paisagem, seja pelos campos seja inclusive pelas estreitas estradas que percorrem aquela zona do concelho ou a principal que é a Estrada Municipal 1700 e que mais tarde nos guiará até à UZ seguindo-se umas bebidas bem frescas em Cavez. Cavez, conhecida por uma personagem da "Liga dos Últimos", mas também é  um ponto de paragem obrigatório antes de nos despedirmos de Cabeceiras de Basto e entrrarmos em Ribeira de Pena.

barrosa.jpg

Antes de deixarmos os trilhos, vamos apreciando as aves de presa até entrarmos no denso mato, e pode ser aqui que as coisas mais se podem complicar. Não há um caminho, pelo menos desta vez, e é aqui que o calçado "old school" ganha pontos ao mais moderno.

cabeceiras_de_basto.jpg

Por estas bandas, como por outras paisagens, ou está frio de gelar ou um calor de  derreter, sofremos do segundo. Por sorte, a água ainda desce pelas serras, permite-nos lavar o rosto e até, em último caso, abastecer o cantil. Paramos, ouvir a água a percorrer os altos enquanto a passarada não cessa no seu chinfrim habitual, isto enquanto uma ave de presa voa pelos céus e assusta quem voa mais baixo. Não conseguimos identificar, está longe mas já se faz ouvir.

nariz_do_mundo.jpg

A Serra da Cabreira é encantadora, a alemã é por ela apaixonada e por ela se deixa levar. Queremos chegar a uma posição onde podemos ver a cascata e o Monte Farinha, mais conhecido pela Senhora da Graça. Um pico enorme num vale rodeado de grandes montanhas e com o Alvão a mostrar o melhor de si. Está longe de ser um dos pontos mais altos de Portugal, mas a sua localização, a sua elevação, tornam-no num monumento natural único no nosso país.

nariz_do_mundo-3.jpg

Ficamos por aí, com a cascata lá em baixo, com a Senhora da Graça ao longe e deixamo-nos farejar por esse nariz, esse grande nariz que é do mundo não sem antes receber em troca os aromas da Cabreira. Percebo também porque é que pontualmente me custa tanto correr os dez quilómetros de ida e volta que me levam de Leiradas a Cavez. É sempre a subir... Será que é a alma do bruxo que me dá força?

mondim_cabeceiras (1).jpg

Olhamos tudo à nossa volta e percebemos que talvez estejamos no centro do Mundo, rodeados pelo Gerês e pelo Alvão. Sente-se o cheiro do verde de Amarante a chegar do lado de Mondim, bem servido numa caneca e muito fresco e já se começam a pensar nos 100 quilómetros (ida e volta) que ligam a Estação do Arco de Baúlhe à Estação de Amarante...

nariz_do_mundo-4.jpg

Terras do Baixo-Tâmega a chamarem por nós, terras únicas que já absorvem os ares do Douro, terras de boa gente, terras onde facilmente nos apaixonamos...

Autoria e outros dados (tags, etc)

Isto está a aquecer...

por Robinson Kanes, em 10.07.20

Polar-Bear-on-Iceberg.jpg

Créditos: https://lakeshoresolar.com/index.php/home-extended/polar-bear-on-iceberg/

 

O clima... Só podemos andar "apanhados do clima", de facto. Eu hipócrita me confesso, afinal ando de avião, tenho carros a gasóleo e não consigo ter uma pegada nula, esforço-me mas não é o suficiente.

 

Todavia, a realidade, por muito assustadora que se apresente, não parece estar a fazer-nos compreender que o futuro em termos de alterações climáticas não se avizinha risonho. Entendo que muitos ainda pensem que "isto já não vai ser no meu tempo", mas a verdade é que pode ser mesmo e se não for no tempo destes será no tempo dos adoráveis filhos concebidos na lógica da perpetuação dos genes. Como é que podemos ser solidários com o próximo se nem com aqueles que amamos o somos.

 

Junho foi um mês óptimo para fazer uma fogueira, afinal, desde que existem registos meteorológicos, nunca existiu ano mais quente (Fevereiro, Março e Abril foram os segundos). Se em Portugal nem terá sido dos piores e os incêndios também andaram doentes com Coronavírus, juntando-se ainda uma certa frustração pela perda de tempo de antena para a epidemia, a verdade é  que o assador esteve bem quente, sobretudo no Árctico. Não me enganei, falei mesmo do Árctico e foco também a Gronelândia. A título de curiosidade, se a Gronelândia, aquela pequena ilha em comparação com a Antárctida, derreter, o nível médio da água do mar irá subir 7 metros! Imaginem que calçamos o chinelo de enfiar no dedo, toalha da Coca-Cola e cadeira pirosa debaixo do braço e vamos à Costa da Caparica ou a Matosinhos e de repente... Só vemos a geleira carregada de cervejas e uvas a aterrar em Pegões.

 

Tudo isto para chegar ao ponto em que temos de nos preocupar seriamente com as consequências deste fenómeno e especialmente com o facto do mesmo suceder cada vez mais vezes e ainda com mais intensidade de ano para ano. Quem o diz é a NASA, a agência daquele país onde muitos associam aquecimento global a propaganda. Sugiro a quem ainda tiver dúvidas que invista 2 minutos do seu tempo com uma reportagem da Reuters filmada nos campos de arroz do Vietname e onde os trabalhadores que fazem a colheita deste cereal já só o podem fazer de noite! Estamos a falar de campos de arroz e não em recolha de cactos. 

 

Penso que ainda não temos real noção dos cataclismos que todos estes fenómenos podem causar e com impactos em tudo aquilo que possamos imaginar, nomeadamente em relação ao ambiente, às pessoas e às sociedades, mas também em relação à economia. A epidemia de COVID-19 já nos mostrou como algo, à partida tão vulnerável, pode destruir a economia mundial e por arrasto muitas outras áreas. 

 

2020 tem tudo para ser o ano mais quente de sempre, mas voltemos ao Árctico: no dia 20 de Junho e em Verkhoyansk (Sibéria/Rússia) iremos encontrar temperaturas de uns assustadores 38º centígrados que, associados aos dados do Copernicus Climate Change Service (C3S*) revelam, até à data, um ano negro para a o Globo.

era_t2m_Arctic_Siberia_time_series_June_1900_scale

 

Entendo que se lance o medo global (ou se tente) por causa de um infectado com "peste negra" (como se a mesma não estivesse já controlada) mas não estará na altura de lançar o "pânico" também em relação ao clima? Se não chega, juntemos o permafrost do Árctico que está a derreter e cujas consequências são apenas o desaparecimento de cidades inteiras que estão sob o mesmo e a libertação para a atmosfera de uma quantidade astronómica de gases que provocam efeito-estufa, nomeadamente dióxido de carbono e metano.

pasted image 0.png

Fonte:  NASA: The 1980-2015 seasonal cycle anomaly in MERRA2 along with the 95% uncertainties on the estimate of the mean.

E porque não ter em conta algo que nos é tão próximo nestes tempos que vivemos e encarar que um perigo maior poderá estar à nossa espera, pois o permafrost armazena bactérias e vírus que não conhecemos e que podem ser letais para homens e animais.

 

Finalmente, e porque é importante falar em números, por muito que queiramos  ignorar os mesmos, e tomando apenas como exemplo os Estados Unidos, segundo o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), só nos primeiros seis meses deste ano, 10 desastres climáticos provocaram um prejuízo de 10 biliões de dólares! Argumentar que financeiramente é difícil fazer algo, não pode servir de desculpa sob pena de que as perdas superem os dividendos em larga escala.

Billion $ 1120 x 534_v2 (1).png

Fonte: NOAA: Assessing the U.S Climate in June 2020

 

É tempo da economia e dos nossos comportamentos começarem a ser mais eco-friendly e também estarmos dispostos, como consumidores, a procurar os produtos oriundos de produtores e/ou vendedores ambientalmente e socialmente responsáveis. Não chegam as palavras, são precisas acções, porque ao contrário dos humanos, a Natureza não se deixa convencer tão facilmente.

 

P.S.: também a Ucrânia tem sido fustigada, desde segunda-feira, dia 6 de Julho, por vários incêndios (sim, a Ucrânia) e que já mataram 5 pessoas, colocando no hospital cerca de 30 à data da publicação deste artigo. Incêndios deste género já têm existido desde Abril e até ameaçaram Chernobyl...

Autoria e outros dados (tags, etc)

costa_da_caparica_arriba_fossil.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

A chave para sermos mais felizes é prestarmos mais atenção ao que nos faz felizes e menos ao que não nos causa felicidade. Não é a mesma coisa que prestar atenção à própria felicidade.

Paul Dolan, in "Projectar a Felicidade".

 

A Arriba Fóssil, uma das preciosidades que encontramos a sul do tejo e que respira os ares do atlântico! As praias que encontram o Tejo na Cova do Vapor... Assim que atravessamos o rio em Lisboa, encontramos um monumental cenário e que nos transporta para uma paisagem completamente diferente, como se dois países tivessem sido colados com as águas do Tejo. Deitados na praia ou percorrendo (sem estragar) esta zona... É algo que não pode passar ao lado dos nossos olhos.

 

As praias... As praias da Costa! Destas nem falo, tantas são as recordações para aqueles que nas duas margens, na infância, durante as viagens dos externatos no Verão ou na juventude entre amigos, viveram muitos bons momentos nestas areias e nestas águas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Paisagens de Portugal: Cambeses

por Robinson Kanes, em 14.12.19

cambasses_asnela_cabeceiras_de_basto.jpg

Imagem: Robinson Kanes

Imagina, se pudéssemos recordar exactamente os perfurmes e os beijos! Como seria fatigante a realidade deles!

Aldous Huxley, in  "Sem Olhos em Gaza".

 

Depois de Cambeses, já com vista sobre Asnela e ainda com a esperança de terminar o dia na Uz. Ao longe a Senhora da Graça repousa como dona do horizonte como imperatriz das montanhas minhotas de um lado e transmontanas do outro.

 

Avistamos um caminho ao longe, queremos percorrer e avistar as montanhas a sudoeste ainda mais de perto... Não hesitamos, mesmo que a noite possa cair entretanto. Somos parte do território, somos também parte dessa seiva, um por direito natural, outro por empréstimo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Paisagens de Portugal: Ilha do Pessegueiro

por Robinson Kanes, em 10.12.19

potreco_covo_sines_portugal.jpgImagem: Robinson Kanes

 

Não há que ter medo deste Deus (... e tudo quanto há) porque não distribui castigos. Não há que fazer qualquer esforço para dele obter recompensas porque também não distribui recompensas. A única coisa a temer é o nosso próprio comportamento  (...) neste sistema, as nossas acções não deve visar o agrado de Deus, mas sim o conformar-se com a natureza de Deus. Quando actuamos de acordo com a natureza de Deus, produzimos felicidade e produzimos uma espécie de salvação. Agora.

António Damásio, in "Ao Encontro de Espinosa"

Autoria e outros dados (tags, etc)

Paisagens de Portugal: Vila Nova de Milfontes

por Robinson Kanes, em 10.12.19

vila_nova_milfontes_portugal.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

Quem pode saber, pela palavra adeus, que tipo de separação nos opera.

Arundhaty Roy, in "o Ministério da Felicidade Suprema"

 

O pôr-do-sol a surgir e o triunfo de mais um dia cantado pelas aves que bebiam a frescura do mar e pareciam caminhar em direcção àquela luz salvadora. Ao teu lado, a luz do crepúsculo terá sempre uma cor especial, seja em terras lusas seja no outro lado do Mundo...

Autoria e outros dados (tags, etc)

arrabida_setubal_troia_sado.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

A poucos dias das dragagens, mais uma vez num país gretado que celebra a chegada folclórica (e a culpa não é da miúda, bem pelo contrário) de mais uma greta e esquece os seus problemas... Partilho um pouco do que é a Arrábida, do que é o Sado a encontrar o Atlântico, do que é um dos mais belos tesouros do Mundo.

 

Entre a ondulação causada pelo abraço destas águas ou até a partir de Tróia, esperemos que a solução encontrada não venha a causar mais dano que retorno, e quando falo de retorno, falo de retorno ambiental, económico, social e natural.

 

Somos tudo e mais alguma coisa, por isso hoje, "Je Suis Sado".

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

montmartre_paris.jpg

Imagens: Robinson Kanes

 

Decidi antecipar o "Dia dos Mortos" e consequentemente aquele artigo que antecede quase sempre o final da semana. Talvez esse sentimento de perda se tenha abatido sobre mim por antecipação, talvez essa saudade, não das coisas más, mas das coisas boas que este dia trouxe durante muito tempo... Aproveitarei, no entanto, para amanhã deixar algo mais reconfortante para os três dias de "descanso" que se avizinham.

 

Para uma leitura, depois de "A Esperança" terei de voltar a André Malraux, é imperativo que assim o seja. Para estes dias, nada melhor que "A Estrada Real", que conhecer pelos olhos de Claude o grande Perken e a sua luta pelos valores e quiçá pela morte. É um livro que nos torna mais adultos enquanto deambulamos pela Indochina.

malraux_estrada_real-2.jpg

Uma das minhas paixões por música clássica deve-se aos requiem. Este estilo, apesar da tristeza, mas também da força e da esperança que nos dá tem-me acompanhado desde muito jovem - cedo fiquei fascinado com as composições de Mozart e Verdi. No entanto, ao longo dos anos, fui descobrindo preciosas obras e deixo as minhas duas sugestões para estes dias, talvez os melhores (ou não) para escutarmos um requiem. A primeira audição vai para um dos meus preferidos, o "Requiem em Dó Menor" de Luigi Cherubini. Imaginem-se em Florença, junto ao rio ou até em Fiesole, bem perto a escutar esta composição! Talvez me tenha deixado influenciar pela naturalidade do compositor, porque o mesmo foi escrito em memória de Luis XVI de França.

E porque é importante não compactuar com a ocultação dos nossos grandes mestres, não posso deixar passar um dos mais belos requiem de sempre e que é português! O "Requiem Op.23" de João Domingos Bomtempo! Uma "homenagem" a Camões, à sua memória e à língua portuguesa que hoje está sob ataque cerrado! Escutemos Bomtempo e escutemos aquele(s) que muitos teimam em fazer esquecer mesmo que continue a passar nas grandes salas por esse mundo fora.

E a propósito de Bomtempo, porque não irem à Igreja de São Roque no dia 1, pelas 21h:00m, ouvir o Ensemble MPMP? Poderão ouvir do compositor Bomtempo "LIBERA ME" e as "Quatro Absolvições". Aproveitem e vejam também a estreia das "Canções do espaço e da luz" de Hugo Ribeiro. Estas apresentações estao incluídas na Temporada de Música em São Roque! Podem consultar aqui o programa.

 

E porque o pedantismo já vai longo, nada como fechar com um filme... Amor e morte, mas muito mais amor. O filme "Amour" de Michael Aneke deveria ser obrigatório para jovens e adultos. Um filme que ganhou a Palma de Ouro em Cannes e o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro - conta ainda com a portuguesa Rita Blanco e duas brilhantes interpretações de Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant. Há quem o veja como um retrato positivo no meio de tanta dor, tristeza e solidão, no entanto, desperta-nos para a realidade inerente a todos os estados anteriormente enumerados - e essa nem sempre é a mais agradável... Mas o amor, o amor tudo vence e aí sim, poderemos esboçar um sorriso ao longo do filme. Além disso, foi lançado numa data muito especial para mim.

E para reflectir durante os dias que se avizinham, e desta vez não é uma má notícia - os gorilas das montanha, no Ruanda, cuja extinção esteve anunciada para o ano 2000 passaram por estes dias a espécie "em perigo" deixando a categoria de " em grande perigo". É uma vitória para todos aqueles que protegem uma espécie que partilha 98% do nosso ADN. Os gorilas têm aumentado em número e por isso todos estão de parabéns, não só no Ruanda, mas também na República Democrática do Congo e Uganda. África também precisa que as boas notícias cheguem até nós!

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Objectivo 12 - Consumo e Produção Responsáveis

por Robinson Kanes, em 21.10.19

2016 IYD.jpg

Créditos: https://www.bt.undp.org/content/bhutan/en/home/presscenter/articles/2016/08/12/engaging-youth-to-eradicate-poverty-and-ensure-sustainable-consumption-and-production/

 

 

A meta 12 é um dos 17 objectivos que fazem parte dos "Objectivos Globais para o Desenvolvimento Sustentável". Este objectivo, mais do que um trabalho para os governos e instituições internacionais, é acima de tudo um apelo à cidadania e até ao carácter democrático da mesma.

 

A verdade, sempre relembrada pelas Nações Unidas,  e que não é novidade, é o facto do nosso planeta ter uma extrema abundância de recursos naturais. No entanto, os mesmos não são utilizados de forma responsável e, como os recursos são finitos, todos sabemos como acaba - uma das grandes metas da economia, a gestão de recursos finitos, adulterou-se e agora temos graves problemas pela frente. 

 

Mas caberá o papel de mudar as coisas somente às autoridades governamentais? Será que estas são matérias que só ao nível estatal poderão ser abordadas? Sim, se estivermos a falar de um conjunto de cidadãos apáticos, desinteressados e sem valores. Contudo, numa comunidade onde a cidadania está presente, cada um de nós pode ter um papel fundamental, vejamos:

 

1. Cada um de nós pode colaborar com instituições (nomeadamente ONG) que desempenhem um papel relevante - isto não implica apenas uma donativo mas uma intervenção directa.

2. Cada um de nós pode e deve apoiar o comércio local - além de permitirmos que a circulação de dinheiro se faça em modo 360º, ajudamos ao nível do emprego e do desenvolvimento local. 

3. Menos é mais - Será que precisamos de tantas coisas? E será que temos necessidade de investir em tantas embalagens e afins? 

4. Podemos adquirir muitas das coisas que precisamos em "segunda mão". Também podemos reutilizar muitas das coisas que temos.

5. "Food sharing" : esta diz-me muito, até porque já tentei implementar um projecto/app deste género que, em tempos, foi chumbado sob a lógica de que os portugueses não confiam no próximo e de que a comida podia ser contaminada. Numa comunidade onde as relações de vizinhança funcionam, pode ser uma prática com resultados excelentes!

6. Compra de produtos reutilizáveis: os eco-bags, por exemplo, ou até as garrafas de água.

7. Este talvez um dos mais interessantes em termos de cidadania e fuga à "zona de conforto": adquirir produtos de empresas responsáveis em termos de economia, ambiente e pessoas.

8. No seguimento do ponto anterior, e com a mesma importância, criar grupos que finalmente, e em Portugal precisamos tanto, façam pressão para as organizações implementarem verdadeiros programas de Responsabilidade Social Corporativa e alertem para as más práticas! Grupos de cidadãos independentes e não associações que se perpetuam com poucos efeitos.

9. Aquisição de produtos que não prejudicam o ambiente e têm uma origem controlada e sustentável.

10. Trazer aqueles que estão junto de nós para estas iniciativas, ter a coragem de dizer não!

 

Mais do que leis e imposições, se seguirmos estas e tantas outras práticas, provavelmente até estaremos a fazer mais pelo nosso país e pelo nosso mundo do que muitas políticas nacionais e internacionais - do que é que estamos à espera para sermos cidadãos e também verdadeiros actores na mudança deste paradigma?

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Dia Internacional da Paz!

por Robinson Kanes, em 20.09.19

 

Int-Day-of-Peace-Poster-19-sm.jpg

Não podia deixar passar este dia, sobretudo depois de ter apreciado que o dia 15 de Setembro (Dia Internacional da Democracia) passou completamente ao lado de todos - numa época em que se fala tanto de "populismo" é estranho que muitos do que combatem tal tendência também não estivessem muito interessados em falar de Democracia.

 

Amanhã é o "Dia Internacional da Paz" e este ano tem um cariz especial na medida em que adiciona a esta temática também as questões climáticas: "Climate Action for Peace" é o mote. Esta estratégia entende-se, sobretudo, porque o espoletar de guerras causadas pelas alterações climáticas tende a ser uma realidade daqui a poucos anos, aliás, algumas de certa forma já estão a acontecer. 

 

Segundo as Nações Unidas, o impacte na segurança é tal que os desastres naturais provocam três vezes mais deslocados que os conflitos bélicos - por sua vez, temos de ter em conta que deslocados também podem estar na origem de algumas tensões. Acresce a questão da salinização das águas e respectivas consequências na agricultura e na saúde dos cidadãos. Será também interessante assistir às conclusões da "Climate Action Summit" que, penso ter ouvido, para o ano terá lugar em Portugal.

 

"Cada ser-humano é parte da solução" é uma das bandeiras, nomeadamente em coisas tão simples como desligar as luzes quando não são necessárias, utilizar os transportes públicos e até dinamizar campanhas a nível local - e em Portugal precisamos tanto disto, mas tanto... Sobretudo campanhas nascidas de gentes locais, com pessoas reais, sem grandes associativismos mas uma enorme vontade de mudar, estamos dispostos a isso? Podemos fazer tantas iniciativas e quantas vemos realmente a ocorrer? Porque é que não fazemos uma actividade que contemple a criação de um ou mais "peace poles" - algo que até podemos fazer numa lógica de Responsabilidade Social Corporativa (RSC). Deixo também outras tantas ideias que podem ser colocadas em prática para fazer a diferença seja na nossa pequena comunidade, região ou organização empresarial.

- Minuto de silêncio - não faz muito, mas é uma forma de pelo menos recordar as pessoas;

- Dinamização de diálogos inter-culturais;

- Workshops ambientais e dedicados à paz;

- Poesia e/ou música dedicada aos temas da paz e do ambiente;

- Actividades locais/comunitárias de promoção da paz e de alerta;

 

Podemos fazer tantas e tantas coisas, pelo que, deixo uma outra sugestão, na medida em que este ano, e já hoje, a "International Day of Peace Student Observance" apresentará uma plataforma onde muitos jovens apresentarão vários projectos em curso no combate às alterações climáticas, será às nove horas de Nova Iorque e pode ser acompanhado online aqui.

 

 

Vamos fazer a nossa parte? Se quiserem partilhem também aqui o que vão fazer e este espaço será Vosso para que possam escrever os vossos artigos! Vamos lá?

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor



Instagram



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Sardinhas em Lata

Todas as Terças, aqui! https://sardinhasemlata.blogs.sapo.pt/

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog





Mensagens







Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB