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O Verdadeiro Natal no Striezelmarkt...

por Robinson Kanes, em 28.11.17

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

Uma das imagens mais belas que se pode ter da Saxónia e que me fazem recordar as minhas deslocações e estadas em Berlim é o "Striezelmarkt" de Dresden, ou seja, o Mercado de Natal local. Todavia, acredito que a melhor entrada na Saxónia não será via Berlim, mas sim pela Boémia com a primeira paragem alemã na pitoresca Bad Schandau mesmo junto ao Elba.

 

Não vou falar de Dresden, para mim, a cidade mais bonita e romântica da Alemanha, mas sim do seu Mercado de Natal. Os Mercados de Natal da Alemanha são dos mais genuínos e interessantes que podemos conhecer e aqui, admito, que somos (portugueses) claramente ultrapassados na forma de celebrar o Natal.

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O "Striezelmarkt" remonta a 1434 e tinha a duração de apenas um dia. Este mercado visava apenas venda de carne, segundo as as leis de Frederico II, Princípe da Saxónia. O nome advém da palavra "Striezel" que é uma espécie de pão típico de Natal e também conhecido por "Stollen". Caminhar pela Altmarkt com uma caneca de Glühwein (vinho tinto aquecido com canela, cravinho, laranja ou limão e açúcar) numa das mãos e na outra com uma Lebkuchen (um espécie de bolo de mel e com um sabor a gengibre que... hum...) pode ser um dos passeios mais interessantes que vão ter nas vossas vidas. Dresden é uma cidade romântica e das poucas fora do Mediterrâneo que me apaixonam, mas sem dúvida que um Natal a dois não pode nem deve dispensar um passeio junto ao Elba e pela Altmarkt. Amigos alemães que não me enviem Lebkuchen no Natal têm de aturar o mau feitio do Robinson.

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Com a maior pirâmide "Erzgebirge" do mundo (14,62m) e o maior arco de Natal do mundo (13,5m de largura), neste mercado é impossível resistir às bancas que vendem somente produtos natalícios, desde a comida a peças de atesanato com especial destaque para os brinquedos. Também as "barraquinhas" são decoradas com extremo bom gosto e que tornam quase impossível não relembrar os tempos de criança... Eu diria até que voltamos a ser crianças. Quem diria também que há 72 anos esta cidade foi arrasada por um dos mais terríveis bombardeamentos da história e um dos grandes desastres cometidos pelos aliados que não olharam a meios e mataram um sem número de civis (250 000 foi a contagem inicial, que agora aponta para 25 000) de forma absolutamente desnecessária e ainda hoje um tema tabu quando se fala na Segunda Guerra Mundial, pois são muitos os que defendem que se tratou de um crime de guerra.

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Cachecol, gorro, e uma caminhada bem abraçados e aconhegados com a nossa paixão, tornarão todo e qualquer momento neste mercado inesquecíveis e nem o frio da Saxónia será capaz de quebrar a vontade de conviver na rua entre amigos de longa data ou recém-amigos que connosco, sem medo do gelo, partilham momentos singulares e inesquecíveis.

 

Toda a cidade é uma festa, mesmo antes, se viermos da Estação vamos encontrar também um enorme Mercado de Natal, e atravessando o Elba encontramos, logo a seguir à Estátua do Cavaleiro de Ouro (Augusto, o Forte - Rei da Polónia e Grão Duque da Lituânia) mais um mercado que não nos deixa ficar quietos e onde podemos saborear um sem número de produtos locais, aqui, com forte enfoque nas carnes.

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Apesar do frio, o melhor local para saborear estes petiscos é mesmo junto ao Elba, sem necessidade de voltarmos a atravessar a ponte. De noite ou de dia, e muitas vezes com um frio cortante, podemos contemplar o "Brühlsche Terrasse", mais conhecida como as "Varandas da Europa" e a "Kunstakademie" (Academia de Belas Artes) sem esquecer a imponente "Hofkirche" e a "Semperoper", a ópera de Dresden e visita obrigatória para um concerto ou mesmo para uma ópera! Acreditem que merece bem a pena assistir, nem que seja a um concerto da Orquestra Estatal de Dresden.

 

Olhando à minha volta e assistindo a mais uma loucura colectiva, que de Natalícia tem pouco, saberia bem caminhar por entre bonecos de madeira, cheiro a lareiras e a vinho quente enquanto colava os meus lábios e os aquecia na minha alemã numa qualquer barraquinha do "Striezelmarkt"... 

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Por aqui, voltaremos para a semana... Boa Semana e antes do Natal vivam os vossos e todos aqueles que vos rodeiam... Todos os dias....

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O Alemão...

por Robinson Kanes, em 10.02.17

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Hans Maler, Retrato de Joachim Rehle (Gemäldegalerie Alte Meister)
 

Anteontem, em conversa com um amigo alemão, aliás, um senhor que tem idade para ser meu pai, levei um murro no estômago. Nem foi o facto de tal personagem me ter dito para sair de Portugal o quanto antes e que devia ter dado seguimento à minha estada fora...

 

Falávamos da vida, do trabalho e de questões culturais quando, num momento de partilha, o alemão encetou um discurso que me deixou a pensar:

 

- Estamos bem, apesar da situação de saúde da minha mulher. Já estou por cá há uns 20 anos, a minha mulher trabalhou cá, regressou à Alemanha e está cá novamente.

 

Assenti com a cabeça, esperando mais desenvolvimentos... senti que havia algo mais a caminho, e houve, o alemão tomou da palavra e continuou:

 

-Foi peculiar, depois de tantos anos fora da Alemanha, todos se lembravam dela e foi recebida com grande carinho, sentiu-se realmente muito bem. Mas... quando voltou para Portugal, e nem esteve assim tanto tempo fora, já ninguém se lembrava dela, acreditas? Vocês portugueses gabam-se muito de ser um povo hospitaleiro e muito amigo do amigo... dizem que os alemães são frios, mas nós, quando abrimos as nossas portas é para sempre e não apenas quando temos algum interesse. Nós não esquecemos os nossos amigos.

 

Coloquei os olhos no chão... levantei-os após alguns segundos e... mais uma vez, com a cabeça assenti e concordei. Talvez 80% de mim concordasse com o alemão... e talvez até tentasse encontrar um argumento em contrário, mas numa abordagem geral e olhando para o meu histórico com as duas culturas, fui obrigado a reconhecer que talvez - o alemão - estivesse certo.

 

E porque falamos de alemães e vem aí o fim de semana e... o artigo de hoje não foi o mais brilhante e... tenho roupa para passar a ferro e... porque as palavras ecoam... lembrei-me de outro alemão, aliás de um grande Senhor alemão, Johann Sebastian Bach e o Concerto para Dois Violinos em Ré Menor BWV 1043 (esqueçam isto, é pedantismo, foquem-se na música)... o Andante (minuto 04:30) é qualquer coisa. Acredito que vão sentir vontade de abraçar alguém.

 

Ah! E é óptimo para quem tem só duas ou três camisas para passar...

 

Bom fim de semana

 

Fonte da Imagem: Própria

 

 

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