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O dia 16 de Julho de 2016 foi um dia com uma certa alegria, mas também com o seu "quê" de tristeza. A doce Lia, aquele talento de quatro patas do qual falei no último post, foi finalmente adoptada/recrutada.

 

No entanto, e como em qualquer recrutamento, não é fácil conseguir o lugar. Tentem seguir os conselhos de muitos "pseudo-gurus" da área que nos ensinam a elaborar um bom curriculum vitae, uma boa carta de motivação, a fazer um bom networking ou mesmo a cultivar a arte do personal branding. Sempre a mesma conversa e perdoem-me a intransigência... baseada sempre nos mesmos conceitos, muitas das ocasiões... por pessoas que nunca concorreram a um emprego.

 

Mas a Lia - sim... pisámos o risco e escolhemos um nome - conseguiu uns tutores que não valorizaram a técnica, nomeadamente uma base de formação em obediência básica que lhe proporcionamos, mas sim as suas qualidades como verdadeira companhia: instinto protector, simpatia, inteligência, carinho, dedicação e gratidão, ou seja... simplesmente a Lia, como ela é! Ainda escrevo este artigo com um sentimento de culpa, na medida em que três semanas por cá foram realmente uma mais-valia nas nossas vidas, quer a nível pessoal quer mesmo a nível profissional.

 

Um dos processos de recrutamento da Lia visou um casal que pretendia um "cão de raça", hoje em dia é fundamental - um cão de raça... o prolongamento da ostentação de ter um bom carro, uma boa casa e de impressionar os amigos. Na entrevista, o primeiro comentário: "é... pequena". Normal, uma expectativa defraudada, mas nada de assustador... O segundo comentário: "é 30% pastora alemã e 70% rafeira" - nada mais errado pelo que nem merece argumentação. Ou seja, na cabeça do Robinson, um pensamento: "jamais cometeria o erro de aconselhar a Lia a esta gente". O pior foi quando a miúda do Robinson se sai com esta e diz algo como: "a cadela não sei, mas o vosso comportamento está a ser 30% humano".

 

Acabou? Não, no dia seguinte a famosa e formal "mensagem automática": "gostámos muito da cadela mas não reúne o perfil pretendido". Confesso que, para quem sempre procurou emprego pela via da candidatura e por acreditar que o seu trabalho fala por si, não deveria ter ficado indiferente... já perdi a conta à quantidade de respostas que tive deste género... aliás, desisti depois das 4000. Não reúne o perfil pretendido... caramba, depois de passar a vida a ouvir e a ler isto em relação à minha pessoa só faltava mesmo ouvir tamanha aberração em relação a uma cadela. É perante isto que me recordo sempre de Behlen quando nos diz "que o homem, é por natureza uma criatura em perigo".

 

Em suma, só lamentei que neste processo de recrutamento se tenha valorizado um pseudo-status ao invés das qualidades da candidata e da sua capacidade de surpreender e se tornar uma companhia verdadeiramente genuína e dedicada, até porque percebemos que... se tivéssemos utilizado, com uma certa má fé, o networking do cão que a acompanhava, um pastor alemão puro, muito provavelmente a Lia teria sido logo ali recrutada (não, não seria pelos motivos que expliquei acima).

 

Obrigado Lia, pelo que nos ensinaste e pela honra que nos deste, sem esquecer o impagável favor de nos teres dispensado três semanas da tua carreira e do teu know-how. Talvez o maior arrependimento tenha sido o facto de não termos retido o teu talento e aturar espécies que são só 30% humanas.

 

P.S.1: não temos redes sociais de cariz pessoal, ou seja, tivemos a ajuda de um centro veterinário e de uma escola de treino... nem imaginam a quantidade de pseudo-solidários que apareceram a mostrar interesse para o show off virtual mas nunca se dignaram a dar seguimento ao "ai que linda, eu quero, contem comigo"...

 

P.S. 2: a Lia foi adoptada por um casal simpático com idades acima dos 65 anos. Não foram as redes sociais, mas as relações de vizinhança da minha mãe que fizerem com que tudo acontecesse (a pensar). O casal adoptou a Lia sem sequer a ver e sabendo de algumas maleitas que iriam requerer acompanhamento durante umas semanas/meses. Hoje, a Lia está "gorda como um pote" e é feliz. Conseguiu a proeza de alegrar aquele simpático casal e... conseguir que uma das filhas que os visita ao fim de semana, que tem uma fobia a cães "milenar", se comporte como uma miúda de 5 anos a brincar com um cão.

 

Fonte da Imagem: Própria

 

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