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Futebolada e Selfies! Basta!

por Robinson Kanes, em 16.05.18

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Créditos da Imagem: https://me.me/i/i-have-no-clue-what-my-governmentis-doing-butiknoweverything-there-5907005

 

Mas em que país, ou até em que mundo, vivemos? Mas porque é que em todo o lado temos de levar com tudo e mais alguma coisa que tenha a ver com o futebol? 

 

É mais importante o futebol que a economia; que os massacres que andamos todos a legitimar no médio-oriente; que os números do emprego/desemprego; que o dia-a-dia que faz andar um país! É na rádio, é nas conversas, é nas montras, é no emprego (onde quem já não gosta de futebol se arrisca a ser alvo de discriminação) é em todo o lado e mais algum! 

 

Mas que império é este onde não faltam comentadores, programas, processos e todo um monopólio de informação e desinformação em torno do mesmo! Mas que império é este que movimenta milhões e mais milhões, muitas vezes sem origem conhecida e ninguém se preocupa em saber? Mas que império é este onde a corrupção é tolerada e defendida pelos supostos adeptos, vulgo, e no caso português, praticamente toda a população! Mas que império é este onde um episódio de violência tem mais eco que os episódios de violência em outros sectores e até no mundo?

 

Mas que histeria colectiva é esta em que, mais importante que ser português, é a porcaria (sem aspas) do clube que se tem? Que histeria colectiva é esta que transforma o "estudo" do futebol numa autêntica aula de matemática aplicada forçando uma coisa que não tem sabedoria nenhuma em algo complexo?

 

E a política no meio de tudo isto? Silêncio, promiscuídades e um deixa andar que chega a assustar - a mim assusta-me, como cidadão. Entretanto, o professor da nação, vai ensinando os franceses a tirar selfies, talvez porque não tenha mais nada para lhes ensinar senão uma cartilha de que estamos todos muito bem e somos o máximo... 

 

E no Governo e na Assembleia da República? Viva o futebol! Legislar e garantir que o combate à corrupção, evasão fiscal, enriquecimento ilícito, reforma do Estado, financiamento partidário, benefícios dignos de um Estado totalitário, afinal tudo isso pode esperar... Até vender a alma ao diabo por uns bilhetes para a bola, e aqui não é só no sector público, só a título de exemplo, não faltam recrutadores em empresas que o fazem a troco da colocação deste ou daquele indivíduo...

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O Artista Louçã...

por Robinson Kanes, em 05.04.18

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Fonte da Imagem: https://events.economist.com/events-conferences/emea/lisbonsummit2018

 

 

Que Francisco Louçã era um artista já não era uma novidade... Só um artista como este indivíduo poderia integrar instituições que o próprio critica, nomeadamente o Banco de Portugal e até o próprio Parlamento Europeu porque foi o líder de um partido que defende o fim da União Europeia mas aproveita o lugar nas cadeiras de Estrasburgo. Francisco Louçã é também aquele político vestido de professor descontraído que gosta de atacar tudo e todos do alto de uma pseudo-intelectualidade mas, quando confrontando para um debate directo, rapidamente desaparece ou, quando aparece, embrulha-se num sem número de considerações com palavras que poucos entendem até perder a paciência e mostrar aquilo que verdadeiramente é - não faltam episódios destes, sobretudo em célebres debates com membros do Governo de José Sócrates.

 

Francisco Louçã é o típico colaborador com 40 anos de casa que diz mal de tudo e de todos na organização empresarial mas nunca apresenta a carta de demissão - essa é uma patologia imensa que tem afectado muitos que o rodeiam, Fernando Rosas, por exemplo é mais um. Perdoem-me, no entanto, a comparação, até porque Francisco Louçã desconhece um pouco da realidade empresarial, sobretudo por ter vivido sempre à sombra do erário público.

 

Após esta introdução, ontem não deveria ter ficado espantado com os comentários do mesmo na TSF mas... O bom artista é isso mesmo, surpreende-nos mesmo quando não esperamos nada de novo.

 

O critico de todos os impostos surgiu a defender esses mesmos impostos e mais alguns e até uma certa carga fiscal - afinal o Bloco de Esquerda sustenta o Governo actual e Francisco Louçã como qualquer bom activista defende as boas causas... Até chegar ao poder ou sonhar com ele.

 

Quem diria que um dia iríamos ouvir Francisco Louçã a defender a célebre expressão "taxas e taxinhas"! Francisco Louçã até virou as costas aos artistas - que tanto defendeu e lhe serviram para ganhar tempo de antena no Bloco de Esquerda - quando mencionou que o dinheiro também tem de ser veiculado para outras coisas, como a construção de hospitais, vestido assim um dos fatos tradicionais portugueses: o de cata-vento! Até concordo com Francisco Louçã, não posso é concordar com aquele cliente que hoje gosta de bacalhau à brás, mas amanhã já não, até voltar a gostar novamente.

 

Mas, o mais interessante das palavras de Francisco Louçã foi a defesa da taxa sobre as bebidas açucaradas! Segundo o mesmo, esta taxa permite que se baixe o consume das mesmas e se trave uma epidemia da diabetes - deveriam ter ouvido em que tom isto foi dito - até fiquei com a sensação que mais vale contrair ébola do que propriamente beber um sumo de laranja carregado de açúcar!

 

Quero acreditar que Franscico Louçã não lida bem com empresas como a Coca-Cola que vivem das vendas e do investimento, algo que não está muito de acordo com as suas convicções, afinal, investir e obter retorno trabalhando não é o seu forte.

 

É também interessante esta preocupação com as bebidas açucaradas, sobretudo vindo de alguém que defende a despenalização das drogas leves, as salas de chuto, o aborto e até a ausência de impostos em algumas outras áreas! Abaixo o açúcar desde que a marijuana não pague imposto. Isto é ser artista, embora acredite que Louçã, o critico dos ricos (dos ricos que usam gravata e não se sentam à sua mesa a criticar os outros ricos), sofra de excesso de subsídios pagos por todos nós...

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A Teatralidade do Subsídio...

por Robinson Kanes, em 03.04.18

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Autoria da Imagem: Jeremy Daniels

Fonte da Imagem: http://www.theaterscene.net/musicals/offbway/money-talks-the-musical/darryl-reilly/ 

 

Estranhamente, aqueles que estão a provocar o fim da Autoeuropa, aliás, que provocaram o fim da OPEL da Azambuja e que agoram recrutam para as suas fileiras um sem número de tropas para acabar com a Ryanair (pensando que esta empresa é a TAP), são os mesmos que se revoltam com os subsídios dados pela Direcção Geral das Artes. 

 

Aqueles que destroem sectores que geram dividendos, e consequentemente impostos, são os mesmos que querem gastar esses mesmos impostos em projectos que nem sempre justificam o investimento de todos nós. São estes que dizem defender os interesses de todos mas... Na verdade, se uma empresa fecha porque não tem clientes ou não consegue manter uma oferta competitiva que atraia esses mesmos clientes, porque é que temos de financiar ad aeternum instituições que não geram retorno, e não raras vezes, alimentam corporativismos e um número de indivíduos que não está disposto a adaptar-se aos novos tempos e prefere viver fechado no seu mundo, muito ao contrário do que devem ser as artes. 

 

Não vou a festivais de verão, não frequento os concertos mais badalados, mas vou ao teatro, assisto a concertos mais "leves", procuro acompanhar a actividade cultural, no entanto, mais que continuar a injectar dinheiro de todos nós em projectos e indivíduos que nem sempre perseguem o verdadeiro foco da cultura, importa perceber outras tantas coisas - uma delas é o porquê. Porque é que os portugueses não vão tanto ao teatro e gastam rios de dinheiro em festivais? Será que estamos a fazer bem o nosso papel nas escolas? Será que o papel das artes e a importância destas em termos de identidade e formação pessoal e profissional dos indivíduos está a ser bem feita? Não me parece que esteja.

 

Será que não sabemos vender a cultura? Será que não queremos vender essa cultura e produzimos a mesma como queiramos que seja e não como tem de ser ou o público deseja? Será porque são sempre os mesmos e como não existe responsabilização também não existe a necessidade de ser melhor? Porque é que quase fui expulso de uma acção de formação em Montemor-o-Novo quando falei em ROI (Return on Investement) e empreenderismo nas artes?

 

Finalmente, e permitam-me chamar a minha experiência, não foram raras as vezes em que, sozinho ou com outros companheiros, coloquei know-how, apresentei projectos, ofereci alternativas, procurei abrir as artes ao exterior, inclusive empresas e... Os mais reticentes a esta abertura foram sempre, ao contrário do que se possa pensar, os próprios actores do circuito cultural. Mesmo aqueles que se queixavam de não poder exercer aquilo para o qual estudaram nem sempre foram abertos a iniciativas paralelas e que incluíam parte da sua formação - porque é que dizemos a quem estuda engenharia e não encontra emprego que tem de se adaptar e eu, se estudei teatro, por exemplo, não tenho de me adaptar e tenho de garantir que, doa a quem doer, alguém tem de pagar essa minha decisão? Porque é que o engenheiro tem de ser casmurro e o artista um alguém que persegue um sonho?

 

Em instituições públicas sucede o mesmo. O dinheiro acaba por chegar, sobretudo em termos salariais - mais de 50% do orçamento das artes anda a pagar recursos humanos! Não interessa a muitas destas instituições a abertura ao exterior preferindo viver num mundo fechado onde até, em muitos casos, aqueles que assistem aos espectáculos são sempre os mesmos anos e anos a fio! Não existe uma cultura de resultados, pelo que, nem são raras as vezes, que se perdem oportunidade, clientes e dinheiro porque simplesmente ninguém quer saber... Casos destes não faltam, onde o encaixe financeiro só não é maior porque indivíduos bem "protegidos" boicotam o desenvolvimento das instituições...

 

Ainda me recordo de estar em duas iniciativas e onde indaguei do porquê de não se estar a fazer mais, ao que me responderam que duas horas de trabalho eram muito exaustivas e as pessoas tinham de descansar... Se tivermos em conta uma semana normal de trabalho estamos a falar de 10 horas de trabalho semanal que é pago por nós! Porque é que aquele que trabalha mais de 40 horas semanais sem direito a pedir por descanso tem de suportar estas regalias?

 

Também não podemos continuar com a mentalidade de que são os contribuintes que têm de ser o pilar destas instituições e pagar os caprichos das mesmas! Em tempos, perante as queixas da falta de apoios, sugeri a uma instituição cultural que se deslocasse de Oeiras para Alverca, onde talvez existisse uma remota hipótese de proporcionar um espaço e apoios mais robustos - a resposta foi clara: "ninguém vai deixar Oeiras para ir para Alverca!". Essa resposta não me admirou, porque a queixa da falta de apoios alargava-se ao facto da câmara municipal, que já cedia um espaço gigante, não se dar ao luxo de cortar umas ervas que se encontravam à entrada do edifício! Até hoje, não conheci um artista que tivesse morrido por roçar mato durante uns 10 minutos. Também hoje, essa instituição continua a ser um sorvedouro de dinheiro público, afinal Oeiras sempre é mais chique... Sobretudo com o dinheiro dos outros.

 

Os tempos são de mudança, mas continuamos atávicamente presos a um passado e a uma espécie de liberdade camuflada que tem perpetuado estas situações e onde o avant garde não é mais que a imposição dos ditames deste ou daquele grupo de pressão.

 

Finalmente, não nos esqueçamos, ao longo da história, a grande maioria dos mestres das artes trabalhava a soldo e procurava vender o seu trabalho, não esperava que o dinheiro caísse do céu! 

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Da Tua Ressurreição...

por Robinson Kanes, em 31.03.18

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Fonte da Imagem: Própria - Exposição "Steve McCurry Icons" - Castello Visconteo - Pavia

 

Autoria da Foto: Steve Mcurry 

 

 

Por todo o lado celebram a tua crucificação e a tua ressureição... Uns vagueiam pela rua, seguindo a tua cruz e simulando os teus passos, já outros aproveitam para passar férias e outros para fazer negócio, quais mercadores do templo. Muitos nem prestam atenção àquilo que apregoas, mas nada como apreciar a pausa - por lazer ou dinheiro, quem é que não se converte?

 

Dizem por aí que morreste por nós, que foste parar a essa cruz porque simplesmente estava aí a salvação do mundo, a salvação dos homens - como se o centro do universo fossem os homens. Sei, com efeito, que agora não é fácil voltar e dizer que o teu pai criou o Universo e... A Terra é o centro do mesmo e à volta do qual tudo gira. Deixa-me também lembrar-te que ao longo da história foram muitos aqueles que morreram "crucificados" e cuja morte acabou por desencadear a morte de muitos inocentes, o teu exemplo não foi diferente. Achas que esses tiveram livre-arbítrio?

 

Em mais de 2000 anos a tua morte ainda não mudou a história do mundo, mas deixa-me dizer-te que tens um público paciente - se eu disser que amanhã entrego um relatório e não o faço, podes crer que alguém me vai pedir explicações! 2018 anos para fazer obra... Nem em Portugal encontra paralelo, mas porque demoras? Por todo o lado andam muitos a dizer que são os teus enviados, os eleitos para espalhar a tua palavra, mas olhando para o passado e para o presente, sou levado a acreditar que os teus discípulos, principalmente Pedro, estavam ébrios ou agarrados ao telemóvel aquando da famosa ceia em que meteste o Iscariotes entre a espada e a parede. Ninguém entendeu a tua mensagem, nem mesmo quando carregavas a cruz... Olha que nem aí seguem o teu exemplo, pedem a outros que a carreguem, que isto de carregar a cruz não é para gente de batina. O pior de tudo é que ainda se julgam Caifás...

 

Vais ressuscitar, mesmo que já o tenhas feito tantas vezes contra a ciência, contra os filósofos e contra todos aqueles que te negam... Mais um ano em que vais ressuscitar enquanto sabujamente comemos borrego ou cabrito como se não houvesse amanhã. 2018 anos é tempo de sobra para te exigir mais, afinal, tens noção que és o político que tem levado mais tempo a cumprir as promessas?

 

Ao ressuscitares este ano, lembra-te da Síria, lembra-te do cemitério do Mediterrâneo, lembra-te do Sudão e de todos aqueles países em conflito mas que, comercialmente e consequentemente mediáticamente não têm interesse para nós e para aqueles cujo escapulário te presta homenagem. Ao ressuscitares este ano, lembra-te de dizeres ao Homem que na tua ausência, esse mesmo Homem não foi capaz de se governar. Será que tu, Homem que disseste ser, te revês nas palavras de Camus e não fizeste mais que inventar Deus para não te matares? Será que ao caminhares alegremente para cruz não deixaste de acreditar no teu pai, quando descobriste que esse Deus não existia?

 

Ressuscita e dá uma volta por aí... Não te levo a mal se ao fim de 5 minutos te fechares novamente no Santo Sepúlcro e deixares uma mensagem a pedir para não celebrarem mais a tua ressureição.

 

Feliz Páscoa...

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 Fonte da Imagem: https://www.rt.com/news/422490-may-kemerovo-putin-condolences/

 

 

Recentemente, o incêndio num centro comercial na Sibéria fez as aberturas dos telejornais e ilustrou capas de jornais e outros meios de comunicação na Europa – pelo menos, em três países tive oportunidade de me deparar com isso. Tentei procurar em Portugal, mas de facto o futebol, a chuva miúda ou o vestido da festa de algum indivíduo sem interesse para os destinos do país, tem um peso enorme que apaga qualquer outra notícia.

 

Mas não é por aqui que vou, pelo que, acabo por fazer a comparação com a tragédia dos incêndios. Na Rússia, esse país de gente fria, sobretudo face a nós, calorosos portugueses, tive oportunidade de assistir ao choque das pessoas, às lágrimas do cidadão comum e à partilha da dor nas ruas. Vi o foco nas pessoas e não em políticos ou nas chamadas “figuras públicas”, vi a importância do tempo de sofrimento, daquele espaço que é necessário para chorar, para sentir o choque, afinal... para sofrer, por muito que nos custe admitir. Tal, contudo, não invalidou as criticas à actuação deste ou daquelo indivíduo ou instituição, no entanto, esse tempo é respeitado. Algumas destas imagens foram transmitidas pela Russian Today, uma televisão a comando do Kremlin e de Putin, mas que teve o cuidado de deixar que o luto fosse visível, sem show off.

 

Outra coisa que não vi (e até tenho seguido os desenvolvimentos) foi o foco nos concertos solidários e nas acções solidárias e com forte mediatização! Vi as pessoas a chorarem, a sentirem a dor e a partilhar algo que temos de sentir, viver e obviamente ultrapassar, mas tudo a seu tempo, sob pena de não vivermos o luto, seja ele qual for.

 

Fogos florestais também não têm comparação com incêndios urbanos, no entanto, imediatamente foram detidas 5 pessoas para averiguação – não estou com estas palavras a defender a rápida punição ou julgamentos sumários de eventuais culpados mas, pelo menos, procurar os responsáveis e começar a agir. Em Portugal ainda andamos à procura dos culpados e já estamos quase a um ano da data em que muitos morreram em Pedrogão. Afectos e palavras são interessantes mas em alguns países são precisas acções no terreno sob pena de ter um povo enfurecido e na rua a pedir justiça - na Rússia não se fizeram concertos solidários nem imagens para as câmaras de televisão, pediu-se justiça!

 

Defendo que em situações de gravidade, dispensam-se as palavras e avança-se com as soluções sem criar “grupos de trabalho”, no entanto, com corpos ainda na morgue ou no local da tragédias, admito que me custa encarar o mediatismo da suposta solidariedade e o espectáculo em torno da tragédia, onde é importante estar porque... Simplesmente se está...

 

Quando o luto não é feito, quando a tragédia não é enfrentada, quando não vemos as acções e camuflamos a ausência de tudo isso com “espectáculo”, corremos o risco de desresponsabilizar quem o deve ser e podemos estar a ocultar a realidade.

 

Associarmo-nos a tragédias, em Portugal e não só, é “fixe”, mas na realidade... Mais fixe é gerir a situação em si e acima de tudo exigir Justiça! Isso não nos traz visibilidade, mas faz de nós seres-humanos que dizem viver em Democracia.

 

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Rent-a-Car... Cuidados a ter...

por Robinson Kanes, em 28.03.18

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Fonte da Imagem: https://www.scamalert.sg

 

É com alguma frequência que me desloco a Itália, e de facto, existem situações que já não encaramos como mero turista em lazer ou negócios que se desloca a primeira ou a segunda vez a um país e tem uma má experiência, uma situação isolada. Esta situação é comum em muitos países, no entanto, nunca tive problemas com rent-a-car, sobretudo na União Europeia mas... em Itália, é sempre um dilema. Aí, o maior padrão está em algumas situações que são de extrema fraude, que toda a gente sabe que existem mas que parecem não ter eco no respectivo país.

 

Também não fosse já ter conhecido excelentes profissionais nesta área, seria obrigado a dizer que um dos requisitos é a falta de educação, o total desinteresse, e em alguns casos, a brutalidade com que os clientes são tratados. Se existe indústria que só utilizo porque tem mesmo de ser, é esta!

 

Em Itália, não são raras as vezes em que os carros são entregues sem serem vistoriados! Aqui, sugiro que vistoriem sempre os carros no interior e no exterior, aquando do levantamento – inclusive jantes e pára-choques por baixo! Procurem, inclusive, pelo pneu suplente, triângulo de sinalização, correntes de neve (se incluídas ou obrigatórias) e até os coletes! Tirem fotografias e chamem alguém, se necessário, para sinalizar essa situação. Os problemas que vão ter no acto da entrega começam logo por aí, sobretudo se a entrega for feita num aeroporto, onde são muitas as companhias que jogam com a “pressa” dos clientes.

 

E é aqui, à entrega, que podemos ter todo o tipo de problemas, desde férias estragadas até problemas com a vossa empresa. Um dos problemas/situações mais comuns são as “amolgadelas” por baixo do carro, junto às cavas das rodas. Não são raras as situações em que vos é entregue um carro com essas zonas sujas, ocultando assim riscos nas jantes e amolgadelas por baixo! Em muitas situações, vão perceber que, indivíduos menos treinados na arte da fraude, vão directamente a esses locais – vão logo visualizar por baixo do carro algo quase invisível, por vezes, quando nem viram o resto do automóvel.

 

Alguns colegas já me informaram – e também tive oportunidade de pesquisar na internet – que muitos destes danos na carroçaria são propositadamente provocados com o chamado “macaco”, o elevador do carro em caso de furo. Desta forma, um simples aluguer pode custar-vos uma autêntica fortuna. Deste modo, o ideal será seguir alguns destes conselhos:

 

  • Verifiquem sempre a viatura antes de levantar a mesma – pneus, jantes, carroçaria exterior (inclusive por baixo) pára-choques, faróis, vidros, antena, cavas das rodas, interior (estofos, bagageira, porta-luvas, por baixo dos bancos).

  • Tirem fotografias e, se possível, datem-nas.

  • Cuidado com a luz – pela noite é mais difícil encontrar danos, mesmo quando sob iluminação, por causa dos reflexos – o mesmo acontece quando está muito sol.

  • Se possível, tentem alugar em companhias multinacionais – poderão não ter sorte, mas a abordagem é diferente, e além disso, têm mais escritórios, inclusive em Portugal, onde podem apoiar-vos na resolução de eventuais problemas. As multinacionais têm também políticas de apoio ao cliente mais desenvolvidas.

  • Em caso de fraude, chamem sempre a polícia e envolvam as autoridades competentes para este tipo de situações.

  • Leiam com muita atenção tudo o que assinam – aqui é importante fazer o trabalho de casa.

  • Leiam os documentos de entrega da viatura e não assinem nada sem ler com atenção, mesmo que vos digam que os valores, apesar do suposto dano, não vão ser cobrados sem o vosso consentimento – muitos destes documentos escondem nas entrelinhas que assumem o dano.

  • O condutor também causa danos, o ideal é sempre ter um seguro completo, contra todos os riscos – isso evita muitos problemas.

  • Existem empresas que aplicam custos quando não adquirimos o seguro directamente com as mesmas, cuidado com estas situações.

  • Apelando ao bom senso, se sentirem que poderão estar a ser alvo de uma fraude, contactem imediatamente o V/banco e apresentem uma reclamação ou cancelem quaisquer débitos no cartão de crédito.

  • Levem sempre a documentação solicitada – cartões de débito raramente são aceites e o cartão de crédito tem de estar no nome do condutor principal.

 

Todo o cuidado é pouco, sobretudo em países onde este tipo de práticas é comum e que acabam por manchar a imagem de toda uma indústria.

 

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Fonte da Imagem: Própria.

 

 

Em tempos, por aqui passaram algumas perguntas... Hoje, reparo que todas estão por responder, motivo pelo qual as coloco lá mais para baixo, no entanto, novas perguntas surgiram...

 

Porque é que continuamos a ter um Ministro das Finanças que prejudica o país a troco de bilhetes para a "bola" e continua a sair impune? E nem é só este...

 

Porque é que os relatórios e as investigações dos incêndios de 2017 continuam a ser desprezados e sem apuramento de responsabilidades?

 

Porque é que, aquando do escândalo da "Raríssimas" (eu sei que já ninguém se lembra e os culpados ficaram impunes) se disse que não era a prática comum na área social, mas casos destes não faltam em Portugal? Quem o disse continua no activo quer como Primeiro-Ministro, Ministro da Solidariedade e Segurança Social e Presidente da República. E muitas destas instituições continuam a ser aclamadas como bons exemplos de solidariedade.

 

Porque é que as instituições que trabalham na área social, à semelhança das instituições desportivas, gozam de total impunidade neste país?

 

Porque é que existem pontes em risco de cair, linhas-férreas destruídas, património a cair e ninguém parece preocupado com isso, mesmo quando alguns espaços são concessionados e ninguém hesita em cobrar... Por exemplo... Portagens ao preço do ouro?

 

Porque é que todos os negócios danosos do Estado nunca têm culpados?

 

Porque é que as Comissões de Inquérito Parlamentar nunca dão em nada?

 

Porque é que a Lei do Financiamento dos Partidos vai passar e a pouca vergonha corruptiva vai continuar - resultou a manipulação aos cidadãos quer por parte dos partidos quer por parte do próprio Presidente da República que interviu no momento em que os cidadãos estavam revoltados, mas agora com os ânimos mais serenados, vai aprovar a mesma enquanto fala de voluntariado - voluntariado, essa mão de obra a custo zero que enriquece muitas instituições neste país!

 

Porque é que Portugal é dos países onde se passa mais tempo preso (porque se rouba uma carteira com 10 euros, por exemplo) mas os presos por corrupção quase que se contam pelos dedos de uma mão, sabendo nós que é o grande cancro e o veículo destruidor do país e consequentemente da vida dos cidadãos?

 

Porque é que os sindicatos da Autoeuropa (conduzidos pelo PCP e pelo BE) estão a tentar entrar noutras indústrias de Palmela e Setúbal, onde ainda não têm peso, com o intuito de destruir o tecido produtivo da região?

 

Porque é que a Santa Casa da Misericórdia é uma das instituições mais ricas do país e até se dá ao luxo de comprar parte de um banco como o Montepio que, apesar do mau momento, continua a dar grandes festas que enchem a Altice Arena? Não é estranho o silêncio da nossa classe política em torno deste caso?

 

E permitam-me... Mas porque é que o terceiro comentador da nação que usa humor para fazer política e não ser responsabilizado pelo que diz (falo de Ricardo Araújo Pereira) aponta sempre as balas a partidos como o PSD, mas quando a escandaleira anda pelos partidos mais à Esquerda ou dos corporativismos em que este se movimenta - e que o alimentam - não parece ter tanto interesse em dizer piadas humorísticas dotadas de sentido de manipulação? Cuidado quando falamos de mérito e de currículos...

 

E não querendo abusar e exaltar a minha pessoa... Quando falei de redes sociais como o Facebook e mencionei (eu e muitos outros) as vulnerabilidades das mesmas e a possibilidade de ocorrência de factos como os que agoram estão na origem deste escândalo recente, chamaram-me "desactualizado e quadrado". Os mesmos cuja única coisa que dominam é o email e o smartphone... Perdoem-me, mas numa blogosfera onde tanta gente é perita em personal branding, tive de ter o meu momento...

 

Até breve...

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E agora as perguntas de outros tempos - também aqui

 

- Como está a situação das instituições responsáveis pela alimentação dos bombeiros durante os incêndios do Verão passado? Ao que se sabe, não foram raros os casos em que o dinheiro foi para um lado e a comida para o outro.

 

- Por falar em dinheiro, por onde andam os milhões, aqueles muitos milhões, que muitas instituições declararam ter recebido a propósito do incêndio de Pedrogão? Eu sei que é raríssimo prestarem contas ao cêntimo, mas onde andam? Porque é que os envolvidos não falam, inclusive aqueles que deram a cara no espéctáculo realizado na Altice Arena e outros? 

 

- Como é que o ministro Vieira da Silva passa nos pingos da chuva, não dá respostas convicentes e agora é inocente? Há tanta coisa por explicar, como sugerir que as queixas sejam encaminhadas para o Ministério Público e não faça o devido seguimento, quer junto desta instituição, quer dentro do seu próprio ministério! Hoje dizem-nos que um tesoureiro alerta para movimentações bancárias anormais, mas isso não pode ser considerado uma hipotética gestão danosa.

 

- Afinal, o que é que aconteceu em Tancos?

 

- E ninguém questionou o Primeiro Ministo do porquê de, com a conivência da lei, ter travado um caso judicial, o célebre caso das escutas que, segundo o Ministério Público, se revestia de crimes de extrema gravidade para o país e para o Estado Democráctico. Ninguém perguntou porque é que pactuou com o crime quando "ignorou" um parecer da Procuradoria Geral da República que dizia, mais ou menos desta forma, que esta legislação permitia que alguns interesses instalados se perpetuassem mesmo lesando ao mais alto nível o Estado Democrático.

 

- Depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter ido a Angola, não só por interesses de Estado, como está a relação do nosso país com aquele Estado? Afinal que lá foi fazer este senhor?

 

- Porque é que a política se continua a imíscuir nos negócios dos privados? Ainda não esquecemos a Altice e a estranha interferência de Governo e partidos de esquerda na Autoeuropa. Além disso, estes dias com a fábrica fechada são os chamados "down days" que acontecem em muitas outras fábricas, não é assim tão normal em indústria! Não entendo o dilema actual!

 

- Onde andam as roupas doadas que continuam a ser vendidas por muitas Instituições de Solidariedade Social?

 

- Porque é que a UBER é ilegal mas continua a actuar sem que sejam tomadas medidas?

 

- Porque é que num país laico, insistentemente temos um Presidente da República a fazer a apologia do catolicismo e que "só" as instituições da Igreja fazem o bem pelo país?

 

-Porque é que o escândalo nas messes da Força Aérea é tão pouco falado? E porque é que perante as acusações que foram feitas de que tais esquemas são praticados por todas as Forças Armadas desde os tempos do antigo regime, não se actua?

 

-E por falar em Tecnoforma? Alguém tem ouvido falar disso?

 

-Porque é que Portugal continua a ser o país dos apelidos? Basta olhar para a política, para cargos em instituições públicas e mesmo em instituições privadas cuja relação com o Estado é fundamental para a sobrevivência das mesmas.

 

-E afinal. Como é que está a situação da casa comprada abaixo do valor de mercado por Fernando Medina?

 

-Porque é que os "jobs for the boys" são uma real instituição "criminosa" portuguesa e ninguém parece estar interessado? Haverá um "boy" em cada português empregado no público ou até no privado?

 

-Porque é que partidos como o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda parecem não existir desde há uns tempos para cá? Ou aliás, existem para sugerir o impossível para os funcionários públicos e para os seus... O resto do país não terá interesse para estes?

 

-Porque é que ainda hoje as palavras do Francisco, do Zibaldone, me fazem tanto sentido:

"Aos que pensam que a corrupção e a evasão fiscal são de pouca monta, só tenho a dizer: por cada pessoa corrompida, há outra que pode aparecer morta por denunciar o crime; por cada pessoa que utiliza cunhas para entrar num emprego, há outra que fica à porta e começa a descrer num sistema que impede a mobilidade social; por cada pessoa que foge aos impostos, há milhões que passam fome ou vêem os seus negócios arruinados pela violência fiscal exercida sobre os mais fracos".

 

-Porque é que a EMEL, uma das empresas mais lucrativas do país - estranho, tratando-se de uma empresa pública de estacionamento - vai receber 4 milhões de Euros do Turismo de Portugal? A EMEL esse grande responsável pelo turismo em Portugal...

 

-Porque é que a propósito dos incêndios de Pedrogão, só temos como arguidos, até agora, devo ressalvar, aqueles que combateram o incêndio? Porque é que o relatório do Ministério da Administração Interna não teve o peso político e mediático que teve o da Comissão Independente?

 

- E onde andam os desenvolvimentos, se é que existem, acerca dos esquemas onde foram apanhados Paulo Portas e o vice-comentador da nação Luis Marques Mendes? O comentador todos sabemos quem é... Comentador de umas coisas e ausente de outras.

 

- Porque é que se criminaliza tanto na praça pública a amizade de José Sócrates com Carlos Santos Silva e e pouco ou nada se fala da grande amizade de Marcelo Rebelo de Sousa com Ricardo Salgado?

 

- Porque é que ser Presidente do INEM significa andar sempre metido em "cambalachos"?

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Joaquín Torres-García - Bodegón con Máscaras, (MoMA New York - "JoaquínTorres-García: The Arcadian Modern." 2015)

Fonte da Imagem: Própria

 

 

Por vezes, temo pensar que avaliamos mal as pessoas e nutrimos por elas um sentimento que é sempre de desconfiança, ou não fossem Portugal e Turquia os países da OCDE onde esta é maior. No entanto, são cada vez mais as vezes onde essa desconfiança tem uma razão para existir, e até quando não existe, rapidamente é deitada abaixo por mais um caso... Ainda me recordo de alguém ter dito que a "Raríssimas" era caso único e o país não é assim, mas o que não faltam são instituições solidárias que são tão solidárias que até enriquecem, de formas pouco claras, quem delas vive... E são tantas, desde o "O Sonho", até à Fundação "O Século", já para não falar nos constantes casos em instituições da Igreja Católica que rapidamente são abafados, exemplo maior está na Cáritas, isto alegadamente...

 

O último caso não envolve dinheiro, mas envolve moral e valores, algo que não deveria ter um preço, mas nunca como hoje esteve à venda por tão poucos euros. Refiro-me à  presidente da "Associação das Vítimas de Pedrogão" que aceitou, pela mão de Adolfo Mesquita Nunes (já repararam que ultimamente só se fala deste indivíduo? Ainda vamos ouvir falar muito dele, quando já nos tiver sido bem vendido) o convite de um partido para ingressar numa equipa coordenadora no âmbito das próximas eleições legislativas. A ser verdade que por detrás da criação da associação esteve uma jurista da Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos - e do CDS-PP - as coisas até acabam por fazer sentido. Mais sentido fazem quando o ódio à Ministra da Administração Interna de então era bem latente, já para não falar na cabala que se tentou montar em torno do número de mortos com o patrocinio de movimentações partidárias - alguém voltou a ver essa senhora que estava tão certa do que dizia?

 

Recentemente saiu um estudo, e falarei dele, onde se lia que a maioria dos empresários portugueses considerava que para ter sucesso era necessário ter amigos na política - aqui não falamos de produção, falamos de viver de impostos e de donativos, mas o modus operandi parece ser o mesmo e no fim vemos a "Cidadania" a ser derrotada pela ambição desmedida e pela ditadura partidária que fechou Portugal numa camisa de forças. Resta lembrar que Nádia Piazza recebeu o "Prémio Cidadania 2017",   atribuído pela Plataforma das Associações da Sociedade Civil. E num país onde existem tantas associações, que movimentam milhões que ninguém consegue perceber onde são aplicados, seria uma boa ideia pensar na Associação das Vítimas da Associação de Vítimas de Pedrogão, talvez entre todas as mencionadas, seja a única que tenha uma verdadeira razão para existir.

 

E como desconfiado que sou, as ascensões meteóricas, têm sempre razões que a própria razão desconhece, deturpando as palavras de Blaise Pascal. E quem me disse é um especialista... Nesta área, de criar ídolos. A brincar, rimo-nos também com as mudanças que acontecem quando trocamos a camisa e as calças de ganga pelos saltos altos e pela alta costura.

 

Por estes dias, percebemos que a Cidadania voltou a ser derrotada e que as vítimas de Pedrogão, agora que meses passaram, a única coisa que conseguiram foi serem fantoches ou verdadeiros palhaços neste circo em que se transformaram muitos sectores da vida nacional - mereciam mais respeito e menos aproveitamento, sobretudo político e até monetário!

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Retratos de Inverno - O Mar Guincho

por Robinson Kanes, em 23.02.18

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Fonte das Imagens: Própria 

 

 

Um dos espectáculos mais admiráveis da costa portuguesa dá-se entre Cascais e Sintra... É nesse troço de beleza única que encontramos o Guincho e toda a sua encantadora fúria. Paradoxalmente, assistimos a uma demonstração de força inigualável e à qual não podemos ficar indiferentes devido à tamanha perfeição da Natureza.

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O Guincho é um paraíso para surfistas, ciclistas, visitantes de Domingo e, sobretudo no Verão, para banhistas e aspirantes a um qualquer estatuto social - dizer que se faz praia no Guincho, ou que se almoçou no Guincho ainda é sinónimo de um qualquer status - e ainda bem, até porque assim talvez tenhamos o devido cuidado com a paisagem que nos rodeia. E sim, não vou negar que adoro o meu café na Fortaleza do Guincho onde temos um bar fantástico e praticamente em cima do mar - nada como sentir a espuma nos dias mais agrestes mesmo a bater ali no vidro.

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Também não podemos esquecer que estamos num Parque Natural, o mesmo é dizer que entramos numa zona protegida e onde todos os cuidados têm de ser mantidos - mas a isso voltaremos um destes dias.

O Guincho, de facto, e sobretudo no Inverno, não é so glamour, ou restaurantes - é frio, é algo de sedutoramente tenebroso e apaixonante. É o vento norte a entrar-nos pelo corpo, mas que nada consegue contra o impulso de não querermos abandonar aquelas rochas.

IMG_1002.JPGPor tudo isto, e sobretudo para aqueles que vão ter fim-de-semana, nada como flanar num daqueles locais que faz sempre parte do "passeio dos tristes". Se possível, nada como levar a bicicleta ou as botas e percorrer todos estes recantos, aposto que, mesmo para quem tem filhos, eles vão adorar - o melhor que pode acontecer é apanharem uma constipação, mas isso até reforça as defesas naturais na idade adulta. Acredito até que seja melhor do que passar o dia fechado numa rocha de cimento.

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Finalmente, e se estiver um daqueles dias em que não apetece mesmo sair do carro e apanhar aquela brisa marinha, pensem que uma embalagem de água do mar, nas farmácias, pode custar mais de 10 euros e aqui, além de perfeitamente natural e sem aditivos, temos essa embalagem em doses indústriais e sem custos...

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Bom fim-de-semana, 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Fonte: http://citizensjournal.us/blatant-blue-state-hypocrisy/

 

Como se avalia um país segundo o espaço noticioso de uma das rádios mais ouvidas do país e que se gaba de ser um exemplo a seguir no que concerne à informação? Eu explico... Aliás, é um exemplo que encaixa que nem uma luva na televisão e outras rádios, mas vejamos...

 

Depois do separador... Surge algo como isto:

 

- Associações ambientalistas contestam mina de urânio em Espanha. Segundo "y" da plataforma "x" Portugal tem de agir para evitar um novo Almaraz.

 

- Combates na Síria continuam, 70 mortos nos últimos dois dias.

 

- O Sporting joga hoje com o Tondela, Jorge Jesus já disse que a equipa está motivada e empenhada em ganhar. O Tondela está classificado na posição "x" da tabela a "y" pontos do sporting. Os onzes das equipas já são conhecidos, o Sporting vai entrar com... (30 segundos a ouvir) e o Tondela com (30 segundos a ouvir). A equipa do Sporting precisa de ganhar para não perder o comboio dos primeiros e sobre isso falou Jorge Jesus na conferência de imprensa... (mais 1 minuto e qualquer coisa). O jogador do Tondela "X" também falou aos microfones da "nossa rádio" e disse que... (mais 1 minuto e qualquer coisa). "Jorge Jesus usa cuecas azuis, foi ao balneário, disse olá aos jogadores, sorriu, coçou o pescoço, mascou pastilha, sentou-se, levantou-se, gritou, riu, deu um pontapé no banco, respirou (não, e nem estou a falar da cobertura dos media a Marcelo Rebelo de Sousa), voltou para trás, arrependeu-se, voltou para a frente" e por aí adiante... Ainda houve tempo para dizer que caiu um "azulejo" do estádio de Alvalade mas que foi prontamente reposto por um funcionário do Lidl. Também houve tempo para dizer que Bruno de Carvalho vestiu uma gravata azul e se prepara para falar ao país, porque é algo que vai afectar a vida de todos os portugueses.  Também se ía falar de outros clubes, mas como metia senhores do Norte de Portugal, ministros de finanças e outros políticos não houve grande tempo de antena.

 

Mas o melhor estava para vir, pois logo a seguir um suplemento informativo deveras importante: a análise ao jogo com um sem número de personagens que irão falar de futebol como se estivessem a discutir um orçamento de estado e a transformar um simples passe numa espécie de ofensiva Russa sobre Berlim! 

 

Falei da cobertura dos media a Marcelo Rebelo de Sousa? Já soube que está em S. Tomé, que comeu uma fruta tropical desconhecida, que adormeceu no avião e até fez uma bolhinha de baba enquanto dormia (correcção, não dorme), que o Comandante do Avião se chamava Alfredo e que tirou uma selfie com o presidente, e que lhe disse que o clima de crispação com o co-piloto tinha de acabar e que era ele que ía resolver a situação. Soubemos também que Marcelo esteve num hotel em Príncipe, que voltou a comer, promulgou umas leis enquanto comia um pedaço de jaca e que coçou o olho direito e depois o esquerdo. Soubemos também que Marcelo Rebelo de Sousa está em S. Tomé e que vai ser o grande dinamizador do país, ou seja, S. Tomé nunca mais será o mesmo depois desta visita - amontoa-se gente nas ruas e o que não falta são gritos de "Ti Celito" que alguns dizem ser vaias mas não são. Aliás, assobiar em S. Tomé é também reconhecer as pessoas e além disso existe uma tradição muito são-tomense que é o "vai-te embora daqui malandro" que se diz sempre quando se elogia alguém!

 

Entretanto caiu um telhado na Avenida Marginal 4 de Julho, mas Marcelo foi o primeiro a chegar e disse que tudo estava a ser feito, embora tenha garantido que o facto de não estar lá ninguém, não significa que todos os meios operacionais não estejam 

 

Também soubemos que Marcelo vai estar numa cerimónia alusiva ao massacre de Batepá onde centenas de forros foram massacrados pela administração colonial portuguesa por se manifestarem contra os abusos desta e dos proprietários brancos - administração colonial essa... Que Marcelo defendeu com unhas e dentes, ou melhor, com palavras, pois com unhas e dentes defenderam aqueles que não fugiram à guerra... Imaginem Estaline, em 2018, a descerrar uma placa num qualquer gulag e a mostrar a sua tristeza por esses tempos... Ou Hitler em Treblinka a chorar as vítimas do terror nazi.

 

 

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