Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Do Subnutrido Iémen...

por Robinson Kanes, em 18.02.21

 

Fechar os olhos não muda nada. As coisas não desaparecem pelo simples facto de não estares a ver. Pelo contrário. Da próxima vez que abrires os olhos, revelar-se-ão ainda piores (...) só os cobardes vivem de olhos. Fechá-los e tapar os ouvidos não faz passar o tempo.

Haruki Murakami, in "Kafka à Beira-Mar"

 

Nos anos 90, ainda muito pequeno, e com a visão mais apurada para a televisão que os outros sentidos, acabei por ficar marcado pelas imagens de crianças subnutridas em África. Já referi em tempos que os meus pais nunca me privaram de visualizar qualquer conteúdo mais horrendo... O Mundo é como é...

 

Qualquer criança ou adulto que tenha passado pelos anos 90 (e muito provavelmente nos anos 70 e 80) terá assistido a este triste espectáculo que marcou décadas e cujo esquecimento - e um certo sucesso no combate à fome - acabou por transformar esse passado em algumas piadas: as piadas são boas, além de nos permitirem desanuviar na desgraça, também podem demonstrar o distanciamento face a algo que deixou de existir.

 

Todavia, parece que o passado, e em alguns casos o apagar ideológico do mesmo, leva-nos a pactuar com o regresso de determinadas catástrofes. Não obstante, a diferença é que num Mundo pouco ligado a luta contra a injustiça tinha outra força, muito mais que num Mundo hoje ligado e onde, temas como a fome, só surgem quando alguém tem interesse em tirar uma fotografia junto dos pretos ou dos asiáticos para colocar na capa e um livro.

 

Desta vez volto ao Iémen, país que já abordei aqui, para chegar à conclusão que infalivelmente a História se repete. E a cada vez que se repete, a nossa ignorância e desprezo perante os factos é ainda maior. É perturbador como em países onde os bancos alimentares são verdadeiras indústrias e oligarquias de milhões de euros, se inventa fome que não se vê e quando ela existe, uns quilómetros mais à frente, fingimos nem ver... Ou mais grave que isso, não vemos...

 

Dispenso mais palavras, o vídeo que acompanha este artigo fala por si... Engoli em seco e tive vontade de bater em alguém, mais ainda quando recebia a notícia de que um carregamento de armas de fabrico chinês (alegadamente sem o envolvimento do Governo comunista daquele país) seguia clandestinamente em direcção a este país e foi capturado por uma fragata norte-americana. No meio disto tudo, existem uns olhos que não esquecerei tão depressa...

Autoria e outros dados (tags, etc)

Lokman Slim - E assim se mata um Cidadão!

por Robinson Kanes, em 08.02.21

lokman slim.jpg

Créditos: AFP

 

Meu caro Negus, disse cordialmente, quando se deseja que a revolução seja uma maneira de viver por si própria, quase sempre se torna uma maneira de morrer.

André Malraux, in "A Esperança"

 

 

Lokman Slim dirá pouco a quem não tem grande afinidade com o Líbano. É um daqueles nomes que, para o bem e para o mal, vive sobretudo ligado aos que sentem, numa base diária, a violência na pele e que, no caso do Líbano, procuram uma solução para um dos mais belos países do médio-oriente.

 

Mas porquê o interesse em Slim? É simples... Slim, um activista e realizador libanês era um cidadão. Slim era um cidadão empenhado em fazer a diferença no Líbano combatendo o sectarismo envolvendo a participação dos cidadãos e assim levar, através desse empowerment, uma espécie de transição verdadeiramente democrática e participativa naquela pérola de país! Um promotor daquilo a que também chamamos a "Cultura da Lembrança" ou se preferirem da "Memória". Foi alguém que, criado numa família com actividade política e religiosa, foi estudar para Paris e voltou, trazendo e dinamizando as artes no Líbano e apelando sempre à paz, aliás, o filme "Massaker" é uma das suas grande obras. Alguém que defendeu o seu país lá dentro e não a milhões de quilómetros... Alguém que não voltou como herói quando vivia ricamente em Paris e depois de ter sido "terminada" uma revolução.

 

Slim lutava contra o sectarismo onde se incluía o Hezbollah e do qual era inimigo, todavia, naquela região, quando o tema é paz e empowerment, temos sempre a sensação de que o inimigo por vezes também pode estar do lado mais... amigo. O Hezbollah negou o assassinato e até já exigiu investigação, todavia, independentemente de quem terá ordenado a morte deste homem, é certo que a investigação pouco ou nada resolverá. O Líbano é fascinante, os seus habitantes igualmente, mas a tensão política, as guerras com Israel, têm destruído o país de uma forma lamentável.

 

No passado dia 3 de Fevereiro morreu, com quatro tiros na cabeça e um nas costas, mais um agente da paz, mais alguém que não queria sectarismos e aparelhos partidários e pejados de interesses a Governar, minorias sedentas de poder e riqueza que subjugam milhões... Esse foi o seu erro e provavelmente, até em Portugal, muitos saberão o que terá tantas vezes sentido Slim, sobretudo aqueles que não vendem a alma ao diabo e colocam o interesse do país à frente dos interesses partidários e de outros interesses que oscilam em torno deste cangalho em que se transformou a Democracia portuguesa - e que também pouca importância deu ao facto, ou não fosse esse um conceito, o de cidadania, algo que aterroriza muita gente.

 

A cidadania perdeu um dos seus principais actores e a paz voltou a ser alvejada...

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

As Mamas da Liz Hurley...

por Robinson Kanes, em 03.02.21

hurley_yhooo_insta.jpg

Créditos: yahoo.co.uk / Liz Hurley Instagram

 

E de repente, a chavasqueira toma conta deste espaço porque vamos falar de mamas! Sim, a Liz Hurley tem 55 anos e um corpo invejável onde se incluem as mamas, por sinal, igualmente atraentes. So what? Sim a Liz Hurley deverá ser das poucas britânicas realmente atraentes, so what? Sim, muitas mulheres gostariam de chegar aos 55 como a Liz Hurley. So what

 

Mas tendo em conta que o chavascal tem limites, não vou entrar na discussão das redes sociais nem das celebridades, seria perda de tempo, fico-me mesmo pela apreciação dos seios da senhora. Não obstante, quando alguém como a Liz Hurley expõe parcialmente os seus seios e é alvo de um coro de criticas, inclusive de um dos mais mediáticos gentlemen de bem, mas que não passa de um dos novos censores, Piers Morgan, começamos a pensar. Ninguém sabe muito bem o que é este cavalheiro e o que é que ainda faz nas manhãs de Inglaterra. Ninguém percebe como é que uma coisa destas escalou em importância enquanto o Mundo está transformado numa autêntica sarrafusca! Abrir noticiários com isto é...

 

Posto que, nesta sociedade aberta do politicamente correcto é mau dizer que a roupa é preta pois já estamos a ser racistas, é mau até falar de racismo em África porque não é cool (mas se for nos Estados Unidos já é ser activisita) e é mau levantar um braço ou até fazer humor, todos os cuidados são poucos... a bem da liberdade, dizem. Um humorista que hoje em dia queira fazer jus à profissão não vai longe, ou se vende à política e ao futebol (sim, o Ricardo Araújo Pereira, o Nogueira e tantos outros... acho que houve um que até se trocou todo a propósito de uma passagem de ano mais rebelde) e passa a ser um canal de débito político e ao sabor de quem governa , ou então procura uma nova profissão... Já não se pode ser engraçado que é o fim do mundo. Aliás, já nem assertivo, fará engraçado... Não fosse o humor e tanta coisa já seria esquecida, como se tem tentado que seja nas escolas.

 

Penso hoje que uma série como o Allo' Allo'! nunca teria sucesso, aliás, seria censurada logo à partida! Eu vejo o Allo' Allo', tenho todos os episódios e parto o caco a rir com os alemães, ou melhor, com os nazis! Com os nazis, com os franceses, com a Resistência, com os ingleses, com o fascista Bertorelli e claro com o fantástico agente da Gestapo, Herr Flick! Tornei-me numa besta? Não! Não tendo acompanhado aquando da estreia, vi em diferido e suscitou-me até bastante curiosidade acerca de alguns tópicos. Mas depois criticamos umas mamas atraentes praticamente escondidas... 

 

E enquanto reprovamos as mamas da Liz Hurley, vamos empreendendo o novo hype de uma sociedade decadente que dá demasiada importância a desocupados, perdão, influencers, e embarcou naquela coisa de liberdade feminina que se chama... menstruação! Aliás, vestir de branco e exibir uma enorme mancha vermelha é o que está a dar! Ainda bem que a maioria das mulheres não se revê nisto e outras até dizem que se a emancipação da mulher é isto mais vale voltar ao que era! Como as consigo entender... E sim, não sou mulher, mas posso falar sobre, poupem-me à superioridade moral. Não sou mulher e gosto de mulheres, preferencialmente atraentes como a Liz! Uau! Posso?

 

Enquanto criticamos a mamas da Liz Hurley, estamos a ir contra aquilo que queremos para as mulheres, enquanto criticamos a Liz Hurley mostramos quão hipócritas somos e como fazemos parte de um monte de ovelhas que coloca o bem-estar à frente do look at me. Enquanto enxovalhamos a Liz Hurley, e até achando que é creepy que tivesse sido o filho maior a fotografar, fechamos os olhos a tanta coisa e escavamos um buraco maior do que aquele que queremos tapar. 

 

Esta é a mesma hipocrisia que assistimos em movimentos e causas criadas no momento e ao sabor do like mas depois enfiamos a cabeça na areia porque ser homossexual em Aceh, Indonésia, pronto, como é bem longe, vá... uma 43 chibatadas no lombo e à frente de quem quiser ver até é uma coisa aceitável. A Indonésia é cool, tem Bali, pronto... Nem tudo é mau. Recordo-me do episódio hipócrita do "batom vs velhos bêbados"  e de facto, como tão bem retrata Houellebecq, de que "no mundo moderno (é) permitido trocar a toda a hora, ser bi, trans, zoófilo, sadomaso, mas (é) proibido ser velho". Basta pegar nesta observação e transportá-la para tantos episódios do quotidiano.

 

O vírus tem-nos roubado tanta coisa que é tão nossa, que é tão humana, que não nos roube as nossas liberdade e não nos coloque na cabeça a pedra da loucura de Bosch ou até da histeria colectiva que mais parece um pelourinho mas com gente ainda mais louca com tiques de altamente civilizada e desenvolvida. Realmente... como diz o povo, "o trabalho faz tanta falta"...

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sardinha Vacinada...

por Robinson Kanes, em 02.02.21

katie-i-dont-want-the-covid-vaccine-i-dont-trust-w

Créditos: https://starecat.com/katie-i-dont-want-the-covid-vaccine-i-dont-trust-what-they-put-in-it-also-katie-snorting-cocaine/

 

Hoje estamos no SardinhaSemLata a cumprir a penitência da terça-feira. 

Aproveitei, e como me sobraram vacinas que já haviam sobrado de uma misericórdia e que antes também já haviam sobrado de uma delegação do INEM, vacinei-me também. Não sou grupo de alto risco, os pulhas da misericórdia também não e os do INEM, perdão dos amigos do INEM, também não, mas isto a res publica só é pública depois de me precaver em privado. 

 

Mas confesso, foram só sobras e por via das dúvidas vacinei também o peixe, o gato e o cão, além do papagaio da D. Dorinda (é mor, fala muito consoante o vento) e claro do indivíduo que a partir de hoje me vai oferecer sempre os almoços de francesinha.

 

Basta irem aqui para saberem mais...

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os Heróis da Natureza em Virunga...

por Robinson Kanes, em 01.02.21

rdc rangers.jpg

Créditos: The Jane Goodall Institute

 

A fatalidade faz-nos invisíveis.

Gabriel García Marquéz, in "Crónica de uma Morte Anunciada"

 

 

Apesar de acharmos que estamos a passar por algo único (porque nos bateu à porta "finalmente") não estamos. Lamento decepcionar aqueles que só encontram "covid" à frente e até se "esqueceram" das habituais campanhas quando existem tempestades em Moçambique como as das últimas semanas... 

 

O que não faltam são heróis neste mundo, que agora descobriu tal palavra, mas que também rapidamente a esquece tal o modo como é levada à exaustão. É inacreditável pensar que existem indivíduos que morrem a tentar defender a natureza, sobretudo habitats e animais. Na verdade, é algo que acontece praticamente numa base diária, mas os recentes acontecimentos na República Democrática do Congo (RDC) vieram mais uma vez demonstrar que as frentes de combate não se resumem a um vírus. 

 

No conhecido Parque Nacional de Virunga (o mais antigo e o primeiro "site" africano a ser declarado Património Mundial da UNESCO) seis guardas foram alvo de uma emboscada que os matou a todos de uma vez só. No ano passado foram treze, na última década cerca de duzentos! Também é moda utilizar o conceito de "linha da frente" (enfim...), pois existem muitas por esse mundo fora e desta vez o ataque foi impiedoso àqueles que defendem a vida selvagem e lutam contra o tráfico de plantas e sobretudo, neste caso em particular, contra a extinção do Gorila da Montanha, uma espécie em vias de extinção. Muitos poderão não ter noção da importância desta espécie, mas bastará, mesmo que a alguma distância, observar um animal destes para perceberem do que estamos a falar.

 

Em relação à RDC, um dos países mais "ricos" de África, já nem será necessário tecer comentários... Um mundo Ocidental em modo cataclismo só aumentará a destruição de um país, de um continente... Até um grupo de patifes no Myanmar, em paragens mais distantes, aproveitou a deixa da fragilidade Ocidental para fazer valer a sua força e com o alto patrocínio dos suspeitos do costume... Espero ver os senhores Zuckerberg e Dorsey a cortarem as redes sociais para estes senhores da guerra como o fizeram para Trump... Ou talvez não.

 

Estes rangers, como as Akashinga, são a verdadeira linha da frente da Natureza e pagam com a vida essa paixão. Num país onde a vida tem o valor de uma moeda de um euro, e o vírus actual será o menor dos problemas, o tráfico de recursos naturais chega aos 170 milhões de dólares - sendo que 47 milhões financiam milícias e grupos terroristas - um orçamento que ultrapassa largamente quem pouco tem mais do que uma automática que constantemente encrava e ainda tem de contar as munições. E desenganemo-nos quando desvalorizamos o papel destes homens na medida em que alguns já morreram a salvar cidadãos ocidentais - recordo o caso de uma senhora, a ranger Rachel Masika Baraka que perdeu a vida ao tentar salvar de um rapto dois indivíduos britânicos.

rachelmasikabaraka.jpg

Créditos: Virunga National Park (Foto de Rachel Masika Baraka)

 

Estes senhores não defendem a Natureza a viajar de veleiro e muito menos com discursos pomposos emitidos a milhares de quilómetros e carregados de nada. Estes senhores defendem com o seu sangue a própria natureza e isso merece o nosso reconhecimento e a nossa acção, porque na maioria dos casos, os milhões produzidos pela violência não são para consumo interno...

Autoria e outros dados (tags, etc)

"Por qué no te callas" Mário...

por Robinson Kanes, em 06.01.21

677906.png

Créditos: https://sol.sapo.pt/artigo/645257/vice-do-conselho-da-magistratura-critica-excessos-de-linguagem-nas-sentencas

 

Se o medíocre se associa ao medíocre,  a arte de imitar, só produz mediocridades.

Platão, in "República"

 

 

É incrível como é que a questão da adulteração de um CV para fazer passar um indivíduo num crivo de um concurso internacional gera tanta polémica em Portugal. Será que estamos a evoluir e agora ao invés de termos 90% da população adorar uma boa cunha, um favor ou a mentir sobre a experiência profissional, só temos 60%? Pior ainda quando a escolhida/preferida é outra pessoa que já não importa tanto por causa das apertadas "golas".

 

No entanto, como diria o saudoso Sabino Rui, não foi isso que me trouxe aqui. O que me traz aqui é um Secretário de Estado Adjunto da Justiça que diz o seguinte sobre alguém que descobriu mais um esquema que envergonha qualquer um: "Quanto ao facto de ter sido retirado do Portal da Justiça um comunicado, a razão é simples: a dignidade das instituições e a autoridade democrática do Estado não permitem que dirigentes demitidos usem plataformas e serviços públicos como se fossem quintas privadas.". Parece-me bem, aliás, espero que Mário Belo Morgado faça disso exemplo para toda a estrutura da administração pública e local e a partir de agora esteja atento. Temo é que tenha de criar uma Secretaria de Estado só para isso. Isto é proferido no Twitter por um juiz superior e que já foi Director Nacional da Polícia de Segurança Pública (sim, é verdade, não estamos no Laos, mas é verdade)... Que sentido de responsabilidade! A censura e a falta de vergonha já não têm m limites quando para se destruir e achincalhar ainda se cai numa cinca bem pior.

 

Mas quem é o Mário? Refiro-me a este cavalheiro como Mário porque tenho dúvidas se será juiz ou político profissional tal é o número de cargos que já ocupou e que me levanta dúvidas entre aquilo a que se chama separação de poderes. Também é de estranhar que em Portugal existam tantos juízes ligados à política, quer por intermédio de cargos ocupados na mesma quer por distribuição de "benesses" aqui e acolá. O artigo de Nuno Gonçalo Poças que um amigo teve oportunidade de me enviar ontem, reflecte bem este estado da arte e a própria conivência do mais alto magistrado da nação com estes verdadeiros esquemas: o candidato Sousa, o mesmo que há mais de 20 anos continua em campanha eleitoral (descontado os anos em que queria ser o sucessor de Marcello Caetano e seguir as pisadas do seu ídolo Salazar), e nem se apercebeu que havia ganho as presidenciais. As intrigas e o comportamento de mulher de soalheiro não conseguem esconder que também Marcelo é um homem do regime e foge a sete pés quando tem que ser o Presidente diferente que diz ser. Espanta-me também (ou talvez não) que tenha sido Nuno Gonçalo Poças a fazer uma pesquisa tão aprofundada (onde nem a Ministra da Justiça escapa) sobre esta teia e não um jornalista.

 

Mas de facto, o Mário é perito em dizer uma coisa e o seu contrário o que, para um juiz do Supremo Tribunal de Justiça, me faz pensar se tem estofo para a profissão que exerce. O Mário é o mesmo que defende abertura da justiça, que esta não deve ser secreta, mas depois gosta de mostrar tiques de censura no Twitter, sem esquecer que o secretismo em torno das actas do Estado de Emergência - para o Mário, estas não deveriam ser públicas. Mas voltemos às quintas, algo que o Mário parece não gostar, mas esquece que em 2018, emitiu um despacho como Vice-Presidente do Conselho Superior da Magistratura onde pedia para ser consultado pelos magistrados das suas intenções de adiar processos e leituras de sentenças. Esta situação não ocorreu propriamente no seguimento de um processo em que um os visados tinha roubado fruta de pomar alheio, sucedeu nos casos de Duarte Lima e dos Vistos Gold.

 

Finalmente, o Mário que parece ter mais estofo para estar agarrado ao poder do que para ser juiz, é aquele que não foi reeleito para o cargo que ocupava no Conselho Superior de Magistratura, e até eu consigo entender o porquê: quem passar pela página do instagram da candidatura do mesmo fica com ideia que a Justiça é um pouco como dizia o saudoso Jeroen Dijsselbloem acerca dos mediterrânicos: "mulheres e copos". Chego a pensar se o Conselho Superior da Magistratura, no entender do Mário é uma espécie de Gambrinus ou efectivamente uma Tasca do Careca, mas com pior aspecto. Além disso o Mário não dispensa aquele nacional contração espasmódica de sacar umas boas selfies nas cadeiras do avião.

 

Na verdade, acredito que, como referiu em tempos o Presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, "os juízes reprovam essa situação (justiça de mãos dadas com a política), não por constituir uma ilegalidade (...)mas porque pode levantar problemas de ética”. Custa-me, embora reconheça a legalidade, ver juízes em cargos de confiança política, sem que abdiquem para sempre da profissão. No meu entender de cidadão, de Democracia e princípio da Separação de Poderes, tem muito pouco e se a isso juntarmos as ligações que muitos também têm com o futebol, dará que pensar se vivemos efectivamente nessa Democracia em que julgamos estar. Afinal quando temos alguém que exerce o cargo de Ministra da Justiça toma posse como juíza do Supremo Tribunal é o reflexo do estado ultrajante e totalitarista a que chegámos... Se voltarmos bem lá para trás, muitos dos envolvidos na teia que Poças apresenta ainda são encontrados no caso Casa Pia e em alguns factos que envergonhariam qualquer Democracia... Roma pagava bem aos seus generais, e pelos vistos na Lusitânia também os pulhas pagam bem aos seus bandalhos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Ouvir no SardinhaSemLata...

por Robinson Kanes, em 05.01.21

13s769.jpg

Créditos: https://imgflip.com/i/13s769

 

E como é apanágio todas as terças, estamos no SardinhaSemLata... Hoje falamos de espécies em vias de extinção, o ouvir é uma delas... Saibam mais aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Amor Grrrr de 2021...

por Robinson Kanes, em 31.12.20

IMG_1550.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

Então... Muda-se o calendário mas será que muda alguma coisa? Eu acredito que não. Entendo a mudança como uma prática contínua para lá das datas que tentamos à força colocar para nos desafiarmos e que no fim não são mais que uma santola sem conteúdo. 

 

Acredito no Amor, que se quisermos e pelo menos existirem dois jogadores, a coisa dá-se... Será que nos próximos dias e por aí adiante conseguimos mostrar mais a

Amor? Não falo daquele Amor paternalista ou daquele Amor sem fogo (mesmo que outro diga que não se vê), falo mesmo daquele Amor assim mais... GRRR? Eu sei que onomatopeias não ficam bem na prosa e na fala, mas convenhamos, quantos actos de Amor não são recheados de belas onomatopeias? Além disso, é sempre importante quebrar os hábitos rotineiros pois são esses que dificultam a buca das coisas perdidas, um pouco à imagem dos "Cem Anos de Solidão" de Garcia Márquez.

 

O Amor é de facto importante, demasiado sério na sua compreensão, mas demasiado simples e prático na sua realização, mais fácil ainda quando falamos de Amor entre lençóis e umas boas voltas numa cama quente seja lá isso onde for, embora se em Capri ou Positano e com uma boa vista para o mar, até que possa ser algo diferente...

 

Deste modo e como aparentemente estamos a mudar de século... Até já temos o melhor jogador do século, somos tão patéticos na nossa pequenez provinciana... E afinal sempre me ensinaram que um século tem cem anos e não têm de ser de solidão. Onde é que eu estava? Sim, aproveitemos isso para amar, sobretudo os que estão juntos... que não raras vezes estão mais encalhados que aquela malta que come pipocas enquanto está agarrada à Netflix e desata a chorar (e a engordar) enquanto vê comédias românticas ou séries sobre a realeza. Mas de repente, liga-se a música e temos a Fanfare Ciocârlia a tocar o "Asfalt Tango" e seguimos em fila para declararmos o nosso Amor àquele ou àquela que... Estão a ver a coisa, não estão? Começamos assim e acabamos ao som de "Kalashnikov" de Bregovic no quarto... É pouco romântico e cheio de onomatopeias mas é bom e não faz mal a ninguém. O Pão de Ló de Ovar que já me está ali a piscar o olho também é uma bomba em calorias e não estou muito preocupado com isso. É um pouco como dizerem que não estão para aturar discursos e partilhas enfadonhas do Simon Sinek por muito que isso vos possa fazer pensar que são únicos no vosso trabalho e no LinkedIn.

 

Se a coisa correr mal, pois... Pão de Ló de Ovar é bom para compensar as crises amorosas desencadeadas por um valente "chega p'ra lá".

 

Por isso, nada como umas loucuras amorosas e bem marotas a acabar o ano e a começar o próximo, afinal... No mal ou no bem, no terror ou na felicidade, o AMOR É IMPORTANTE, PORRA!

 

P.S.: aquele amor GRRRRR, de belas cambalhotas e onomatopeias... É desse que estou a falar.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor




Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Sardinhas em Lata

Todas as Terças, aqui! https://sardinhasemlata.blogs.sapo.pt/

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog


subscrever feeds



Mensagens






Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB