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valladolid.jpgImagens: Robinson Kanes

 

Valladolid sempre teve um significado especial, não só pela sua universidade que é uma das mais antigas do mundo mas também pela importância que tem para a língua castelhana. A isto, acresce o facto de ser um ponto de passagem de muitos emigrantes e camionistas no "acesso à Europa". Parar torna-se obrigatório, embora muitos não o façam e percam uma excelente oportunidade de ficarem mais ricos...

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Chegar a Valladolid não fascina, sobretudo se viermos de Salamanca ou até mesmo do calor "extremeño", no entanto, depois de uma caminhada junto ao Pisuerga (que é afluente do Douro), podemos ficar a conhecer melhor uma cidade que, à semelhança de todas as cidades espanholas, tem nas pessoas a sua força, o seu ritmo e a sua vida. 

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Comecemos junto ao edifício do "Instituto Zorrila" e encontramos o "Colegio de San Gregorio" que além da beleza em termos de arquitectura é também o "Museo Nacional de Escultura" - só por isto já vale a pena passar uns dias nesta cidade. Passar umas horas a admirar muito do que a escultura espanhola é um bom início! Adicionem o facto de, praticamente na mesma praça (Plaza de San Pablo), terem a "Iglesia de San Pablo", com uma fachada singular e o "Palacio Real"

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Mas Valladolid, ao contrário do que possa parecer, é uma cidade grande... Se seguirem pela "Plaza de San Pablo" e entrarem na "Calle de las Angustias", rapidamente atravessam um relvado onde, no lado esquerdo, encontram a "Iglesia de Santa María la Antigua": uma igreja interessante, austera e onde o românico e o gótico se misturam de um modo particular! Se continuarem em direcção à Catedral, ainda vão passar pelas ruínas da "Colegiata de Santa María la Mayor" - se gostam de ruínas, têm aqui, na "Plaza de Portugalete" um com que se deliciar. 

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E eis que chegamos à Catedral, ou melhor, "Catedral de Nuestra Señora de la Asunción"... É austera, o que me agrada, no entanto, está longe de ser uma das mais bonitas de Espanha... Quem espera encontrar grande monumentalidade não terá grande sorte, o que não impede a visita, bem pelo contrário. Uma desculpa para ficar por aqui pode ser a oportunidade para "pinchar" algo... Não faltam locais para comer e beber qualquer coisa, embora, em Valladolid a diferença entre espaços de "tapeo" seja pouca.

 plaza_mayor_valladolid.jpgIglesia de Santa María la Antigua valladolid.jpg

Esperem! Não abandonem esta área sem apreciar a estátua de Cervantes e a Universidade! É mesmo ao lado da Catedral, não há como deixar para trás! Depois de deixarem a Cervantes um grande obrigado pela herança que nos deixou, o ideal seria descer imediatamente pela "Plaza de Libertad", apanhando a "Calle Ferrari" para chegarem à "Plaza Mayor", uma das imagens de marca da cidade - aliás, qual é a Plaza Mayor em Espanha que não é uma imagem de marca da respectiva cidade ou vila? No entanto, é preciso uma paragem obrigatória: a "Pasaje Gutiérrez"! (Maldição! Tenho as fotos num outro local... Fica prometida a partilha e com o bónus do "Palacio Pimentel"). É nesta pequena galeria que encontramos alguns cafés deveras interessantes e com um gosto bem particular, o ideal para beber um copo ou até jantar! Muito se fala de Milão, por exemplo, mas toda aquela sumptuosidade, em meu entender, tende a ser absorvida pelo ambiente deste local! Agora sim, "Plaza Mayor"! Aproveitem e bebam uma "Mahou 5 estrellas" enquanto apreciam a torre do relógio e o Ayuntamiento.

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E como o dia pode estar a acabar, nada como aproveitar o fim de tarde para passar na "Academia de Caballería" onde podem encontrar, além do espectacular edifício, um excelente "arsenal" de artefactos que retratam muito do que foi e é a cavalaria em Espanha. Contudo, porque os finais de tarde são longos em Espanha, dar um passeio mais romântico pelo "Campo Grande" é fundamental para fazer divergir novamente a atenção para quem nos acompanha. Mas cuidado, os patos e os pavões são reis neste ecossistema!

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A noite aproxima-se, por isso, existindo cartaz, nada como agendar um programa no "Teatro Calderón de la Barca", isto antes de "salir de copas", isso é fundamental para um dia/noite bem passada nesta cidade de Castilla y León.

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Ao acordar, no dia seguinte, rapidamente ficamos com a ideia de que como destino final ou como mera paragem de uma longa viagem, Valladolid "nos encanta" e tem aquela magia especial que tende a não se mostrar após um primeiro olhar. Não podia faltar a poesia ou não tivesse nascido aqui o poeta José Zorrilla.

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Muito importante! O Mercado, o "Mercado del Val"... Como em qualquer cidade, é uma visita obrigatória e acima de tudo uma oportunidade de encher o saco, especialmente se pudermos trazer os produtos frescos connosco! Estes espaços têm sempre um encanto especial que vai para lá das fotografias... Os cheiros, as pessoas e a história, toda uma cultura nos corredores e nas bancadas... E também na carteira...

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Uma União Europeia "à Lagardère”.

por Robinson Kanes, em 03.07.19

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Créditos: https://www.euractiv.com/section/eu-elections-2019/news/christine-lagarde-a-non-conventional-pick-for-the-ecb-presidency/

 

Falar-se de Isaltino Morais (e outros) em Portugal é o suficiente para causar alguns rápidos vómitos, sobretudo se estivermos a falar de ética, Justiça e... Pouca vergonha. No entanto...

 

No entanto, depois de Juncker, o senhor dos cambalachos com multinacionais no Luxemburgo, a União Europeia decide, mais uma vez, lançar uma pedra para aquela que poderá ser a sua destruição a longo prazo. Essa destruição, contudo, não será com guerras nem conflitos económicos, mas com uma destruição de valores e pela total ausência de interesse por parte dos europeus. Se em Portugal o pouco interesse com as questões europeias é latente e poucos estão interessados em conhecer as causas, na União Europeia o esforço também não tem lugar! 

 

Defendo a União Europeia (concordo e discordo também com algumas políticas), contudo, colocar Christine Lagarde como representante máxima do Banco Central Europeu (BCE) é, no mínimo, um dos maiores escândalos depois de Juncker e até Vitor Constâncio. Durão Barroso e outros também, mas ninguém poderia prever que mais tarde poderiam seguir outros caminhos...

 

Tantas vezes criticamos o nosso país, mas estamos numa Europa que elege para o BCE alguém que pedia a outros (aos gregos) que pagassem impostos e auferia rendimentos de milhões sem pagar qualquer taxa sobre isso! Elegemos para o BCE alguém que desviou verbas públicas e foi condenada por isso - mas não cumpriu pena porque era a Directora do Fundo Monetário Internacional! A impunidade dos clássicos ainda dura... Sobretudo quando tais "julgamentos fantoche" são conduzidos pelos próprios parlamentares! Uma espécie de comissão parlamentar que, mais uma vez, obstrui a verdadeira justiça! A gravidade é tal que nem a pseudo-condenção de Lagarde surge no seu cadastro!

 

É com a "eleição" dos suspeitos do costume, e sempre do mesmo bloco dominador, que aqueles que querem uma Europa unida esperam ter o apoio dos seus cidadãos? Especialmente do bloco de leste (que, de certo modo, até sai "vencedor" como força de bloqueio) e do bloco mediterrânico? É assim que os portugueses também podem confiar num Governo que coloca como candidato a vice presidente do Parlamento Europeu, Pedro Silva Pereira - indivíduo com claros "telhados de vidro" no caso Sócrates e que foi "escondido" dos portugueses aquando da campanha para as eleições europeias? 

 

Em suma, é esta Europa que está preparada para os tempos mais difíceis da sua existência?

 

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Créditos: http://circulodainovacao.pt/politica/2017-07-03-Pressao-cresce-Azeredo-inamovivel

 

O povo português começa a ter noção de que uma das maiores ameaças à Democracia vem da casa da ...Democracia, nomeadamente da Assembleia da República (AR). Isto porque assistimos diariamente a uma instituição que serve para legitimar a impunidade e a incompetência e, em muitos casos, abafar situações de lesa-pátria e pressionar os tribunais a "não decidir".

 

O caso mais recente é o relatório de Tancos, onde os partidos da Esquerda (quem diria que o Bloco e o PCP...) se alinharam para excluir de responsabilidades no caso Tancos, tanto António Costa como o antigo ministro da defesa, Azeredo Lopes. Ou seja, o relatório de Tancos vai ser aprovado mesmo que, declaradamente enviesado face à realidade.

 

Caberá perguntar a Marcelo Rebelo de Sousa a quem irá doer então o furto das armas! Caberá perguntar a Azeredo Lopes porque foi forçado a demitir-se - posto que não tem quaisquer responsabilidades. Caberá perguntar a António Costa porque é que forçou a demissão do seu ministro! Caberá perguntar porque é que tantos outros ministros abandonaram os cargos em situações que, apesar de terem responsabilidade, não podiam controlar as ocorrências! Caberá perguntar a António Costa quando é que finalmente assume as suas responsabilidades como Primeiro-Ministro - que vão para além de fomentar a divisão dos portugueses em indivíduos de segunda e de primeira.

 

A casa da Democracia tende a ser, cada vez mais, a casa da vergonha, a casa onde acima dos interesses do país se encontra um número exagerado de indivíduos com mais tentáculos que um polvo gigante e que se arrogam de gozar de total impunidade e de usar a lei para se ilibarem dos crimes que cometem!

 

Entretanto, o caso vai-se arrastando e se alguém for condenado (o que me levanta dúvidas) serão sempre os peões que sujaram as mãos... Entretanto, a informação de que a Presidência sabia da encenação do aparecimento das armas, também ficou esquecida, sobretudo pelos media que são fiéis a Marcelo.

 

Esta notícia, também divulgada pelo Sapo 24, é mais uma daquelas que vai passar ao lado dos portugueses e ao lado daquilo que deveria ser a Democracia...  Nada de anormal, no país em que todos somos estrelas mas em que ninguém é responsável por nada...

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Portugal: o País dos Alegremente Corruptos!

por Robinson Kanes, em 21.05.19

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Créditos: https://newatlas.com/2016-corruption-perceptions-index-our-rotten-world/47566/

 

Pior do que Itália, Portugal é o país da alegre corrupção e real bandidagem - até porque em Itália a generalidade da população não gosta da máfia e só não faz mais contra esta porque tem medo. Portugal também não é só um barril de pólvora, como Itália e outros países, porque alegremente aceita coisas que nunca seriam toleradas por outras paragens.

 

A desculpa de que há países piores, e há, só resulta porque pactuamos com muitas situações e porque - permitam-me a provocação - talvez a larga maioria dos portugueses tenha o seu esquema que, só não é maior, porque não tem acesso a outros meios. Talvez uma larga maioria dos portugueses também tenha a sua agenda escondida, seja nas associações, no clube recreativo, no trabalho, no IRS e em tantas outras coisas que... Temos também aqueles que vivem apoquentados com a corrupção e a política em países como Angola e Brasil mas dentro de portas assobiam para o lado - ou usufruem do status quo, porque uma coisa é a corrupção e a ausência de ética e moral lá fora, cá dentro é diferente... Porque dá jeito e não é bem corrupção ou má prática, é cultural...

 

O paternalismo também pode ser uma justificação para um certo estado da arte - um Estado que se endivida largamente para manter alguns sectores mais calmos, mas também u,ma certa apatia e desinteresse da população que, muito provavelmente pela má educação pelos pais e pelas escolas a isso é levada. Por outro lado temos os mais velhos que ainda são produto dos "anos dourados", portanto conseguem uma estabilidade na vida que não os faz querer mudar muito o país actual, até porque muitos também acabam por usufruir de regalias com que os jovens já nem podem sonhar. 

 

Por outro lado, gerações que começam nos 25 e se estendem até aos 45 também não se preocupam - é importante passar a imagem de que tudo está bem (sobretudo perante amigos e redes sociais) e acima de tudo preservar a vida do casal feliz, com filhos e de bem na vida - suportado pelos pais, tantas e tantas vezes - arriscar perder o emprego ou a aceitação de outrem porque se disse "não" é incómodo e não causa boas impressões! Poder dizer "não" é uma das maiores liberdades que podemos ter... E até dizemos, entre um círculo fechado no café... Aí somos os maiores, não podemos é sair a porta.

 

As gerações abaixo, nem se fala... Ter e parecer, todos os meios justificam os fins, nem que para isso se torne algo censurável numa coisa "cool" - também aprenderam com os mais velhos.

 

Independentemente da idade, temos aqueles que sofrem da ausência do conceito de empowerment por terras lusas e que desistem de lutar ou nem o fazem sob pena das consequências nefastas que tal exercício de cidadania possa ter. Os culpados? Sobretudo os educadores e os políticos, desde o Presidente da República (e o caso actual então) até ao Presidente da Junta.

 

Temos também o mundo dos comentadores, dos media, das artes (os disruptivos que mudam o mundo e que só se revoltam quando o tema são subsídios), daquelas pessoas que podem colocar questões mas não as colocam... Até no humor e nos nossos humoristas ninguém quer correr o risco de pôr o dedo na ferida sob pena de perder o palco. Pontualmente, poucos são os que falam - são aqueles que realmente não estão dependentes do aparelho do Estado, dos partidos, das maçonarias, dos corporativismos e tantos outros poderes que por aí andam...  São aqueles que não temem perder a fortuna, o emprego (como se só houvesse uma oportunidade) ou os amigos.

 

Os exemplos dos últimos dias, mais um lote deles a juntar a tantos outros dão que pensar: o INEM, a deputada que recebe dinheiro de subsídios para construir algo que já o foi, a lei sobre a transparência em cargos políticos, Marques Mendes (o seguidor de Marcelo) que defende que se tirem condecorações a José Sócrates mas não a Mourinho ou Ronaldo e desconfio que até a Berardo - Berardo, outro caso, a diferença é que este tem mais sentido de humor do que aqueles que fizeram exactamente o mesmo. Estranho, e já alguém o disse, é que toda a gente censure Berardo mas continue a aplaudir um dos maiores cancros e centros de corrupção, violência e outros crimes neste país: o futebol! Aí tudo é permitido!

 

Pelo menos para mim, quem pactua com corrupção (sabendo que ela existe) é corrupto e... talvez por isso sejamos um país de corruptos que alegremente não tardará a exacerbar tal comportamento no Facebook ou no LinkedIn com a designação "corrupto" ao invés de "trabalhador em". Mais do que ser integro, é bom que o perfil exponha o conceito de corrupto, mesmo que por outras palavras...

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Créditos: https://tvi24.iol.pt/politica/autarquicas/rui-moreira-e-mesmo-candidato-a-camara-do-porto

 

O futebol na cidade do Porto é uma instituição... É uma instituição que também tem acentuado a rivalidade com a capital, embora muitos portuenses discordem do discurso que por vezes até reveste o ódio. Sempre que estive no Porto (e até por lá vivi 4 meses), o facto de ser de Lisboa até ajudou ao acolhimento daí estranhar alguma cacofonia que vou ouvindo de alguns dirigentes políticos e não só!

 

Quando lemos/vemos orgãos de comunicação a destacarem as palavras e opiniões (por vezes carregadas de violência) de criminosos, lideres de claques e não só, já se percebe o poder do "futebol do Norte" - embora o Porto esteja muito longe de representar o Norte!

 

No entanto, a falta de nível e de resguardo, leva a que no Porto, a Câmara Municipal seja comandada por um indivíduo que mistura actividade profissional com futebol e com política e não se canse de opinar sobre futebol e na velha e gasta rivalidade "Porto vs Mouros". Rui Moreira também é daqueles que gere o poder público de acordo com a conveniência futebolística e as consequências estão aí! O Porto, à semelhança de Lisboa, vai existindo devido ao boom turístico, esperemos é para ver o pós-hype. A ausência de moradores e cafés a custarem mais que um pequeno-almoço em Madrid  ou Roma vão ter consequências...

 

Esta semana, mais uma vez, Rui Moreira tornou-se comentador futebolístico... Isto de ser comentador, em Portugal, é daquelas facetas que nunca se largam, chego a pensar que é sem dúvida a melhor profissão para se ter neste país. Diz-se meia dúzia de coisas, "mexem-se os cordelinhos nos media" e pronto, temos uma carreira de sucesso, por vezes, cheia de nada.

 

Não se percebe a importância que o futebol tem para Rui Moreira e que o leva a colocar este desporto acima dos reais problemas da cidade e daqueles que nela vivem. Afinal, Rui Moreira é o mesmo que, com a sua pandilha, vira as costas e abandona palcos e tribunas quando confrontado com o protesto de estudantes e dos habitantes portuenses. Rui Moreira até se pode dizer apartidário, mas não pode negar que no coração, o seu partido é o Futebol Clube do Porto - e os portistas, mais do que os portuenses, a sua prioridade.

 

Tivesse sentido de dever público com a força e empenho que tem para o futebol e o Porto seria sem dúvida um melhor local para se viver...

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Pensar o Dia do Trabalhador!

por Robinson Kanes, em 01.05.19

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Créditos: https://www.newsbugz.com/happy-international-workers-day-2018/

 

Depois deste artigo e também deste ainda estou vivo... É possível que não seja interpelado porque são temas desconfortáveis e onde nem todos querem estar presentes ou então é porque as duas pessoas que acompanham este espaço devem estar ainda a gozar as férias que estes feriados permitiram...

 

Por falar em férias... Hoje é o dia do trabalhador! Já estou a ouvir aquela música do PCP "ta ta ta ta ta ta ta... ta ta ta taaaa taaaa taaaa... ta ta ta ta ta ta ta... ta ta ta tara tara tara taraaaaa". O PCP e companhia que não devem andar contentes pois têm andado a perder o monopólio dos sindicatos e por este andar, se isto começa a chegar a sério aos sindicatos do Estado lá se vai o dinheiro que os delegados sindicais recebem desse mesmo Estado, ou seja, dos nossos impostos - outro tabu à portuguesa! 

 

Estamos a assistir a uma transformação nos sindicatos, uma espécie de coletes amarelos sindicais e que os coletes vermelhos adoram chamar de populistas porque não precisam de partidos nem de organizações de esquerda ou direita para se sentarem à mesa das negociações laborais! Uma blockchain sindical que dispensa intermediários que nem sempre estão a vender o melhor serviço, quer a um lado quer a outro.

 

O que eu espero deste dia do trabalhador é que as pessoas parem para pensar. Que se discuta o futuro do trabalho e os impactes da revolução tecnológica no mesmo! Já existem organizações, umas mais em segredo que outras, (e não é teoria da conspiração) estão a preparar uma revolução que passará pelo despedimento de muitos colaboradores que serão substituídos por máquinas! Até aqui nada de novo, resta saber como é que o mercado vai absorver esses mesmos trabalhadores e quais as medidas para mitigar tais efeitos - honestamente, a nossa sociedade não está minimamente preparada e já deveria ter parado para pensar nisso! Dou um exemplo simples e que até se tem falado muito: camionistas! Camionistas deste mundo, já ouviram falar de camiões autónomos? Acabam-se as greves num ápice!

 

Espero também que ao invés de manifestações de indivíduos com boina preta ou vermelha (e não são Comandos), indivíduos barbudos, indivíduos que ainda usam camisa verde água ou com quadrados de múltiplas cores e ainda indivíduos que só sabem gritar "povo unido jamais será vencido" se pare para pensar em situações reais como a flexibilidade laboral; o bem-estar no trabalho; o aumento da produtividade alicerçada no bem-estar dos colaboradores e em sistemas eficazes de promoção do mérito e afastamento da mediocridade. Quero que se pense na dicotomia vida pessoal e trabalho e, porque não, nas organizações que têm um colaborador contratado mas têm 30 estagiários patrocinados pelas universidades e escolas profissionais portuguesas. Dá que pensar, tendo em conta que não prejudicam só os trabalhadores (trabalhadores com muitas aspas) mas também o mercado na figura dos concorrentes que não conseguem baixar os preços a um nível pornográfico.

 

Espero que neste dia do trabalhador se pense nisto tudo e em muito mais... Espero que pensemos naqueles que trabalham para que não andemos com lixo até ao pescoço; naqueles que nos estarão a servir no café ou no restaurante enquanto gastamos neste primeiro dia de Maio metade do ordenado num almoço, que pensemos naqueles que abastecem as nossas bombas de combustível, que nos atendem e aturam os nossos ressabiamentos no retalho... Que pensemos em todos esses, mais do que em exigir que Presidente da República e Primeiro Ministro façam parar uma cimeira para dar os parabéns aos iniciados do cascalheiro porque o clube ganhou a taça da liga da freguesia de São Pedro de Penaferrim! Pensemos naqueles que trabalharão no feriado mas não receberão um euro a mais por isso... 

 

Pensemos em todos esses, pensemos em nós e na educação que queremos para os nossos filhos, os futuros trabalhadores e líderes deste país... 

 

P.S.: Pensemos também na malta do Sapo que hoje está aqui a tomar conta disto... E que também atura cada uma deste espaço que enfim...

 

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Praga de conteúdos brasileiros...

por Robinson Kanes, em 30.04.19

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Créditos: https://www.bussoladoinvestidor.com.br/onde-foi-que-eu-errei/

 

 

Já tinha este artigo pronto há algum tempo mas... Anda por aqui a maturar no sentido de que não venha a ser entendido como xenófobo, pois a Democracia actual censura tudo aquilo que não segue os parâmetros defendidos por esta ou por aquela moda... Todavia, as mais recentes notícias sobre a Universidade de Lisboa em relação aos estudantes brasileiros fizeram-me acrescentar uns pontos e fazer sair as minhas palavras.

 

Antes de surgirem os defensores dos bons costumes, sobretudo aqueles que defendem as minorias mas não moram nem querem morar ao lado das mesmas, deixem-me dizer que tenho vários amigos brasileiros (desde proprietários de fazendas maiores que Portugal até pessoas que vivem/viveram em favelas), já estive no Brasil e longe de mim adoptar um discurso xenófobo. Qualquer pessoa com dois dedos de testa rapidamente vai perceber onde quero chegar. Falei de amigos brasileiros? Ainda são piores que eu quando dizem que em Lisboa os brasileiros são uma verdadeira "praga". Tomei também a liberdade de consultar alguns brasileiros acerca deste tema no sentido de perceber se a minha visão não poderia estar deturpada.

 

Nos últimos meses tenho assistido a um proliferar, sobretudo a nível cultural, de um sem número de produtos culturais brasileiros, muitos deles de má qualidade! Robinson, lá estás tu a ser mau! Não estou na medida em que, como disse, já estive no Brasil e pelos amigos que por lá tenho vou tendo noção de algumas realidades e muito do que consumimos por cá nem no Brasil é conhecido! É um hype e vai passar, mas até lá...

 

São peças de teatro, concertos, artistas que nos são impingidos, músicas carregadas de vernáculo (experimente um português fazer o mesmo...), peças e músicas a incitar à violência e outro género de comportamentos menos... bons. São comentadores carregados de parcialidade no ataque a Bolsonaro e a aspectos culturais portugueses que nem os mesmos conhecem. É proibido criticar um Caetano Veloso, mesmo que utilize um discurso e pratique outra coisa.

 

A pergunta que eu faço e que muitos brasileiros também fazem, é questionar o porquê de termos esta invasão de conteúdos que nos chegam através de editoras, produtoras e media? E sendo o Brasil um país tão rico culturalmente porque é que nem sempre nos chega o que esse país tem de melhor? E porque é que os artistas internacionais como Madonna (ainda estou para descobrir quem tem pago esta fantasia por cá - e espero que não sejam os meus impostos) quando se referem àquilo que de melhor descobriram em Portugal foram conteúdos... brasileiros?

 

Com tanta coisa boa que também temos por cá, com tanta coisa boa que existe no Brasil, na Europa e no resto do Mundo, porque é que nos continuam a ser impingidos conteúdos de fraquíssima qualidade quando existe tanto valor por esse país, por esse mundo? Basta viajar por aí, e fugindo ao tema, para perceber aquilo que não nos chega. Tal não é acolhido e e nem sempre é por uma questão de vendas - é por boicote de editoras e de outros indivíduos que têm o poder de controlar a cultura em Portugal - país onde culturamente oscilamos entre conteúdos de terceira, outros intelectualmente estúpidos e outros que ninguém percebe mas que parecem dar um "ar de importante" se dissermos que estamos encantados.

 

São também muitos dos meus amigos brasileiros que brincam ao dizer que muitas destas personagens só têm sucesso em Portugal, porque no Brasil jamais o teriam... Quiçá... Haja paciência, pois até no Brasil, os próprios brasileiros são os primeiros a brincar estas situações! Por cá, a brigada dos bons costumes volta ao ataque, sobretudo quando apoiada por uma outra brigada cultural e jornalística que tem de viver na Europa porque no Brasil não é bem vinda, tal é a superioridade intelectual que tais personagens se arrogam de possuir.

 

Em relação à faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, cuidado com os sensacionalismos. Aquela mensagem de xenófobo pouco tem e não incita à violência, é apenas uma metáfora. Mais do que perceber o porquê de tal mensagem, parece mais fácil passar ao ataque - dá-se uma vista de olhos pelo que diz a maioria e vamos a tomar uma posição sem qualquer sentido... Vivemos em tempos que não se pode brincar ou dizer algo que vá contra um certo status quo imposto por meia dúzia! 

 

Finalmente, e apoiado em António Moreira Antunes, recentemente envolvido num escândalo que ainda ninguém percebeu porquê, tenho o máximo respeito pelos brasileiros, mas isso não quer dizer que estejam acima da crítica.

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Créditos: https://medium.com/swlh/stop-working-start-thinking-e2a643c11b86

 

 

Recentemente o eco revelou um relatório da OIT que apontava para o facto de 36% dos trabalhadores a nível mundial trabalharem em excesso. Vejamos, estes relatórios são baseados nas informações que se conseguem, ou seja, trabalho legal, declarado e não escravo - podemos sempre imaginar o que estes relatórios não alcançam.

 

No caso português muito se tem falado - não faltam revistas, comentadores que cultivam o networking, gestores de recursos humanos e não só, que apregoam uma coisa e fazem outra ou então que assumem como obra sua copy-paste de directivas que são emanadas pelas multinacionais para as quais trabalham. Não são raras as situações em que essas directivas constam nos relatórios e nas visitas dos headquarters mas não no dia-a-dia dos demais trabalhadores. Se por um lado já temos muitos gestores que merecem tal designação, ainda temos muitos que vivem no tempo das Descobertas.

 

Fala-se bastante, os amigos distribuem prémios uns entre os outros (não existe só uma maçonaria),  mas os resultados não surgem e continuamos a trabalhar muito e a produzir pouco! Continuamos com a mentalidade de que, mais do que uma produção e organização dos recursos, importa o tempo e a presença. Em Portugal é mais fácil criar manobras de diversão para uma chefia (envio de emails sem interesse ou movimento de caos) do que propriamente convencer a mesma por intermédio dos bons resultados. Isto ainda acontece no Portugal moderno do século XXI. Depois temos outros factores que é a dificuldade em penalizar os maus colaboradores ou então em gerir as chamadas "cunhas", muitas vezes recrutadas por imposição de outrem ou pelo próprio e com as consequências que as mesmas têm. 

 

Existem, contudo, questões que é preciso colocar e têm de ser estudadas por todos:

  • Porque é que trabalhamos tantas horas e produzimos tão pouco?
  • Porque é que não cultivamos uma cultura de mérito? Até porque muitas são as vezes em que produzimos mas não existe eco de achievement
  • Porque é que não criamos espaços de partilha? E quando os criamos rapidamente saímos da discussão, damos a volta por trás e fazemos "valer a nossa"? Ou então acabamos com a discussão e resolve-se autoritariamente.
  • Porque é que a culpa é sempre dos gestores? Mesmo em muitos outros colaboradores existe uma lógica de que ser bom passa por trabalhar horas e mais horas? Muitos são os motivos: insatisfação familiar (inclui marido e filhos), ausência de hobbies e de um sentido de vida, mentalidade tacanha e tantas outras...
  • Estamos dispostos a abdicar de muitos serviços que nos são oferecidos fora de horas e em dias de descanso para muitos dos cidadãos? Existem alguns que são de todo impossíveis, mas os demais?
  • Está o país preparado para proporcionar a mesma oferta a quem trabalha fora dos "picos" e a flexibilizar o trabalho? (um conselho, se forem a uma entrevista questionem sempre o recrutador acerca do que é flexibilidade). 
  • Estamos dispostos a pagar mais por um produto/serviço oferecido por uma organização que reconhece os seus trabalhadores, lhes dá condições e oferece qualidade final ao respectivo produto/serviço?

 

E tantas perguntas que podemos colocar, no entanto, deixei de ir a muitos encontros de recursos humanos em Portugal porque, a título de exemplo, em questões tão básicas como objectivos de produção a pergunta que atormentava muitos profissionais da área era a necessidade de perceber como é que se "picava o ponto" se as pessoas não tinham horário (sei do que falo, pois embora tendo também uma das vertentes da minha formação nessa área, não exerço como profissional da mesma).

 

Deste modo é complicado ir mais além, até porque, e já escrevi sobre isso, se uma coisa tão simples como um "obrigado" tende a ser algo muito difícil de dizer, não vá ser dado alguma espécie de poder a quem o ouve e isso ser uma ameaça a quem o diz. Quando os créditos, a competição (não saudável), a mentalidade mísera e provincina, a impunidade, a ausência de pensamento crítco por parte de outrem, e claro, uma mãozinha parental e estatal são sempre uma presença, é natural que a vontade de evoluir também seja pouco e assim o status quo permaneça inalterável.

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Notre-Dame, das Cinzas Renascerá...

por Robinson Kanes, em 17.04.19

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Imagem: Robinson Kanes

Notre-Dame... Lembras-te de Paris? Lembras-te da nossa primeira viagem àquela cidade que nem nos apaixonou muito naquele Março em que celebrávamos os teus anos?

 

Recordo-me que logo após termos chegado de Orly e termos pousado as malas no nosso apartamento do Marais, a primeira observação foi: "vamos a Notre-Dame". Lembras-te do fascínio, de vermos aquela catedral que preencheu os nossos livros de história e que não descansámos enquanto não a visitámos, fechando o círculo das grandes catedrais francesas - onde incluímos Reims e Rouen. Lembras-te dos regressos e dos fins de tarde naquele jardim, onde fotografávamos os ratos e, de perto, observávamos as cores da catedral ao pôr do sol?

 

Ontem, durante a viagem de carro, assistia a outro pôr do sol quando ouvi a notícia na rádio. Corri para o ginásio e pedi para que mudassem um dos televisores para as notícias e foi aí que vi um dos tesouros mais belos da Humanidade em chamas. 

 

Sabemos que estas catedrais foram construídas com o sangue de muitos que perderam tudo para que uma Igreja ávida de poder e assente em dialética de esquina pudesse mostrar a sua força, contudo, não podemos ficar indiferentes à arquitectura, à história e a todo um passado que esta catedral foi enfrentando: guerras, pilhagens, fome, epidemias e tantas outras catástrofes.

 

Sabemos que em França o povo exige e os políticos são mais responsáveis, sabemos que delegam também o poder da reconstrução no povo e não assumem paternalismos com promessas que não podem cumprir, não querem as tragédias para limpar a imagem e tirar fotografias onde humilham o seu povo com, e repito, paternalismos que fazem lembrar anos de ditadura.

 

Sabemos que Notre-Dame vai renascer das cinzas e nós lá estaremos, bem perto, naquele jardim... a apreciar aquele beleza extraordinária e aquele pedaço de identidade cultural.

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O Natal nunca mais será o mesmo!

por Robinson Kanes, em 11.04.19

IMG_20190303_170305.jpgCréditos: Robinson Kanes

 

Crianças que esperam pelo presente! Pais que gastam um orçamento de Estado em prendas como se isso colmatasse a vossa ausência o resto do ano? Malta que procura naquela noite de 24 para 25 a paz por intermédio de um bem de consumo?

 

 

Lamento informar-vos mas o "Pai Natal" apareceu morto numa rua da Corunha por estes dias. Ao que tudo indica poderá ter sido assassinado por alguém a mando da Amazon ou do Alibaba. Todavia, algumas fontes confirmaram que a morte se deveu a causas naturais. Outros relatos apontam que foi atingido por um 737-800 da Ryanair carregado de ingleses para Tenerife! São muitos também aqueles que alegam ao facto do figado não ter resistido a tanta Coca-Cola. Há ainda quem diga que foi uma das renas que se cansou de não receber ordenado há mais de seis meses. E finalmente, há quem jure a pés juntos que pode ser um adepto do Deportivo que saiu do "Riazor" embriagado e chateado porque não conseguiu umas tapas e queijo galego às 11 da noite.

 

 

A verdade é que o "Pai Natal" morreu e nada será como dantes...

 

 

Entretanto, nas escolas portuguesas e laicas, já se celebram missas pascais pedindo a Cristo que volte em Dezembro com um saco cheio de prendas e assim possa substituir São Nicolau - o Vaticano é que entretanto já emitiu um comunicado de imprensa dizendo que os presentes de Cristo são para consumo interno e não vão alterar uma lei com 2019 anos! 

 

 

Marcelo Rebelo de Sousa também já se pronunciou e lamentou a morte desta individualidade tendo fretado um avião carregado de jornalistas para estar presente no funeral que se realizará na Lapónia. Da parte do Governo estará o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva que ficará por essas terras depois de dizer que quem se preocupa com a corrupção (atribuir cargos públicos a familiares, porque sim, é corrupção) é parolo. Não consta que volte a Portugal.

 

 

Em suma, temos de assumir que a magia do Natal se perdeu, mas ainda vamos tendo alguns "batatoons" que por aí pululam... Podia ser pior.

 

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