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Desde o Jardim de Luxemburgo, Uma Paris Quente...

por Robinson Kanes, em 14.09.18

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Créditos: Robinson Kanes 

 

 

Fim de tarde quente... Anormalmente, Paris estava quente, quente como um deserto com temperaturas a tocarem os 40 graus. Anormalmente, também Paris tinha, finalmente, uma luz... Não era uma luz forte, talvez uma luz diferente mas que colocava a cidade com uma iluminação homogénea mas alegre.

 

Sentada, num banco, a nossa "modelo" da fotografia contemplava o horizonte, algo smoggy mas encantador. Bela contemplação terá sido, pois foi tempo suficiente para aquele clara, de uma tonalidade bretã ficar tocada por uma cor mais escura. Ao longe a Torre Eiffel, imponente, não tão bela ao perto, mas de uma imponência que a tornou na imagem de marca da cidade e, injustamente, até de um país. Ao longe, o verde em contraste com o cinzento enriquecia a visão...

 

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Mas é ali, no "Jardin de Luxembourg", entre o "Quartier Latin" e "Saint-Germain-des-Prés que temos a vista mais romântica da torre em todo o seu esplendor. Entre as árvores que abundam nos 25 hectares de jardim e a vista também para o "Palácio de Luxemburgo" é possível nestes finais de tarde quentes, apreciar uma Paris diferente, uma Paris, aí sim, talvez mais romântica e apaixonante, sem estereótipos ou qualquer outra imagem de marca que nem sempre corresponde à realidade.

 

Com uma pequena coroa de tranças, a nossa bretã - não sei se o seria - apreciava essa Paris, sentia essa Paris. À sua volta a cidade parou, as crianças deixaram de correr, outros pararam as suas leituras, outros bloquearam no seu passeio e assim a cidade ficou à mercê dos seus olhos ou da sua paz... Olhando à volta, percebiamos que afinal a nossa bretã era apenas mais uma entre tantos outros que especialmente respiravam aquele ar quente  e se entregavam a tal contemplação.

 

Naquele final de tarde, Paris escaldava, mas estranhamente parecia mais calma, mais romântica e mais humilde em toda a sua sumptuosidade.

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Leitura do Dia: Education at a Glance 2018!

por Robinson Kanes, em 13.09.18

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Créditos https://www.irishtimes.com/news/science/the-reason-why-modern-teaching-methods-don-t-work-1.2115219

 

É só mais um estudo... Um estudo que nunca se poderá dizer que é infalível - mas também não é só irmos atrás da comunicação social e esperar que sejam estes a dar-nos as respostas.

 

Também não é a ter pena de quem trabalha 20 anos e "só" aufere 1700 euros ilíquidos por mês que podemos ter pena de uma classe. Ver como vi professores a queixarem-se da triste sorte é no mínimo hilariante, vale-nos o facto de que ninguém se lembrou daqueles "extras" que também surgem no recibo de vencimento e aumentam os salários. Tenhamos também pena de quem (não são todos, de facto) tem trabalho garantido para a vida ou pode sempre abandonar o mesmo e procurar melhor (mas nem sempre o faz).

 

A educação em Portugal tem girado em torno das reinvindicações da classe dos professores, contudo, este estudo alerta para áreas que são bem mais importantes, nomeadamente: os gastos com a educação "vs" retorno e impacte da mesma. Não alerta, no entanto, para o próprio modelo de educação que, em muitas situações, está obsoleto e completamente à margem das necessidades de uma sociedade pós-moderna. Esses assuntos ninguém parece querer discutir porque, muito provavelmente, levariam a grandes mudanças que colocariam muitos professores (não todos) num patamar de total incapacidade para o serviço. Este meu comentário, todavia, não invalida que ainda se preservem métodos antigos que funcionam, nomeadamente a disciplina e o método cientifico.

 

Finalmente, o que se está a passar com os professores, é o facto de um grupo que em tempos foi uma elite, estar agora a ser nivelado com os parâmetros ditos normais, ou seja, mais uma profissão, com a sua devida importância, mas nem mais nem menos que as outras... E sempre que isso acontece, a contestação é inevitável...

 

Podem ler o estudo aqui

 

Boas leituras...

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Edvard Munch - "Entardecer" (Museu Nacional-Thyssen Bornemisza)

Imagem: Própria

 

É cultural... 

 

Quando queremos desculpar comportamentos estúpidos e para o qual não temos uma justificação que possa validar tal irresponsabilidade, lá nos socorremos do "é cultural".

 

Um desses comportamentos é aquilo a que se pode chamar o "quarto do hora académico", vulgo atraso irresponsável e falta de respeito pelos outros. Em Portugal, e mesmo por outras paragens, o chegar atrasado ou até falhar a um compromisso é algo visto como perfeitamente normal. Tão normal, que até se incute em programas de televisão, jornais e rádios como uma coisa boa - chegar atrasado é ser cool, é ser yeah, é ser... estúpido.

 

Temos de descontar os atrasos que, obviamente, são forçados e não são a regra mas sim a excepção, aliás, quem nunca se atrasou que atire a primeira pedra - é melhor não dizer isto porque até conheço alguns indivíduos que...

 

No entanto, cada vez que nos atrasamos estamos a prejudicar alguém ou até mesmo um processo. Quando nos atrasamos para uma reunião ou para um encontro profissional estamos a destruir a agenda daqueles com quem combinámos uma hora e a promover também o atraso destes noutros compromissos - ou seja, uma bola de neve. Além de que, quando nos atrasamos, também em âmbito profissional, estamos a fazer com que outrem não possa sair a horas para estar junto da família ou em outras actividades porque tem de fazer o trabalho que não pôde fazer enquanto estava à nossa espera e também, enquanto esteve connosco. Afectamos o bem-estar e a produtividade daquele com quem irresponsavelmente interagimos! Mas na verdade, quem é que quer saber disso, sobretudo quando é B2C (business to client)?

 

Quando nos atrasamos, temos de ter em conta que do outro lado está uma pessoa que tem uma agenda, pessoal e profissional, e que também tem de trabalhar e viver - por cá, tendemos a esquecer isso, sobretudo quando não temos nada que fazer e passamos o dia na praia, mas depois forçamos o desgraçado deste ou daquele estabelecimento a esperar por nós às nove da noite para, por exemplo, visitarmos um espaço ou fazermos uma reunião. Esquecemo-nos que, enquanto estivemos na praia e nos levantámos às onze da manhã, alguém já estava fora da cama às cinco e no dia seguinte repete a rotina.

 

A desculpabilização deste tipo de atítudes não pode ser uma prática, sobretudo quando quem as pratica fica muito revoltado, ou porque é chamado à atenção, ou porque, e passo a expressão, "bate com o nariz na porta". A revolta é tal que se fica com a ideia de que o grande crime é cometido por aquele que esperou horas a fio e se fartou de tanto esperar ou até porque teve outros compromissos.

 

Temos ainda os atrasados (mentais) que enviam mensagens ou telefonam a dizer que em cinco minutos estão a chegar. Por norma, quando um português diz que chega em cinco minutos, o ideal é fazermos uns bons quilómetros para ir tomar um café, ler o jornal e voltar... Com um pouco de sorte ainda o apanhamos a chegar.

 

Recordo-me que em tempos, no primeiro dia em que cheguei para dar aulas a alunos do ensino superior, o director do curso me disse que tinha de ter em conta o "quarto de hora académico" seguido daquele "eh eh eh, sabe como é". Lembro-me também de ter feito uma expressão pouco simpática e ter respondido que, um dia, quando os alunos tiverem compromissos profissionais, não iriam existir quartos de hora académicos e de que além disso era uma tremenda injustiça para com aqueles que cumpriam e chegavam a horas, pelo que, nas aulas do Robinson, a repetição desse comportamento não seria tolerada. Não obtive resposta e fiquei a pensar que tinha carimbado o passaporte para não voltar a dar aulas naquela instituição.

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Uma Cidade Portuária: Honfleur...

por Robinson Kanes, em 17.08.18

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Imagens: Próprias e GC

 

A minha paixão por cidades portuárias é mais que evidente... Durante toda a minha infância e adolescência (e ... idade adulta) o mar foi uma presença. Tendo uma parte da família ligada ao mar é natural que os genes cá estejam a desempenhar o seu papel.

 

Honfleur, embora não sendo um colosso, é aquela cidade onde o Sena encontra o Canal da Mancha e, segundo alguns (ou seja, eu), esse rio perde todo aquele romantismo, que alguns (ou seja, eu), não lhe reconhecem. Gosto, apesar de tudo, de Honfleur... Uma cidade pacata do Departamento de Calvados, em plena Normandia. Cidade tranquila, com uma pequena baía onde encontramos algumas embarcações de lazer que contrastam com aquelas que laboram e procuram as riquezas marinhas do Canal da Mancha. Ainda continuo a preferir que fosse ao contrário, mas o turismo, as cidades e o próprio funcionalismo a essa mudança obrigam.

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Gosto, sobretudo, do interior da cidade... Estar em Honfleur e não usufruir dos bares e restaurantes junto aos veleiros não é ir a Honfleur - essa área tem o nome de "Vieux Bassin". Todavia, e conhecendo relativamente bem (para um visitante) a Normandia, nunca tinha estado em Honfleur. Gosto dos cafés dentro da cidade, sobretudo, das ruas calmas, de uma forma diferente de estar numa cidade portuária que acabar por ser invadida por turistas ou não fosse uma das primeiras atracções turísticas para quem atravessa o Canal da Mancha vindo de Inglaterra ou até entrado pelo norte de França.

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Cidade comercial ao logo da História e uma das mais disputadas durante a Guerra dos Cem Anos (mais uma vez a proximidade com a vizinha Inglaterra), agrada-me também por ser a cidade onde nasceu Erik Satie - quem sabe, algumas das suas "Gymnopédies", não terão tido alguma inspiração por estas bandas... Não creio, todavia fica essa nota que reforça uma necessidade de visitar esta cidade. Com uma história ligada ao Impressionismo, é também uma cidade onde as artes plásticas têm o seu lugar, destaco apenas o "Museu Eugène Boudin" que alberga pinturas do artista e inclusive de Monet.

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Uma das grandes atracções, contudo, é a "Igreja de Santa Catarina"! Totalmente de madeira, muito por culpa da tradição naval, é deveras um encanto para quem gosta de arquitectura! Uma igreja de madeira, com o cheiro intenso da madeira velha e toda aquela austeridade particular, é uma supresa daquelas que marca!

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Cansados do cheiro da madeira e de tão grande riqueza, nada como parar na boutique de café junto ao restaurante "Entre Terre & Mer". Sendo os mesmos proprietários, tenho a agradecer a simpatia das duas colaboradoras que, servindo apenas dois cafés, nos trataram como se tivessemos jantar lavagante ou outras iguarias daquele mar ali tão perto - sem publicidade porque paguei os respectivos dois euros por cada um.

 

Finalmente, e falar deste aspecto num país com tão belas pontes como Portugal não é propriamente fascinante, todavia, nada como aproveitar as vistas (caras) da "Ponte de Normandie" para o Estuário do Sena ou até do mesmo rio ainda confinado num espaço mais curto pela "Ponte de Tancarville" - vindos do lado de Le Havre, não há como fugir.

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Encontrei Philippe Noiret...

por Robinson Kanes, em 08.08.18

 

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 Fonte: Própria

 

Já muitas vezes falei de um dos meus actores preferidos - é ele Philippe Noiret. Abordei este grande actor aquando do meu artigo sobre "Il Postino" e também aquando do artigo sobre "Cinema Paradiso". Todavia, este actor mereceria tantos outros destaques, nomeadamente com um dos filmes que lhe deu mais prémios, falo de "La Vie en Rien d'Autre", datado de 1989 e obra do realizador Bertrand Tavernier. Já em 1984 havia, também com a presença de Noiret, realizado "Coup de Torchon".

 

Mas o que hoje me faz recordar Noiret é ter descoberto o mesmo em Montparnase, mais precisamento no cemitério onde está sepultado e onde, apesar das minhas pesquisas, nunca encontrei menção à sua presença. Se Sartre e Beavouir, ou até Beckett e Duras já estavam na minha lista, ter encontrado Noiret por mero acaso enquanto vagueava entre campas foi uma grande surpresa (até porque nem está nos destaques que o cemitério tem para personalidades reconhecidas), uma surpresa boa nesta visita ao cemitério de Paris que me faltava.

 

De facto, sabendo que ali está apenas terra, foi como se tivesse encontrado o velho Alfredo com aquele sorriso tão próximo, tão franco e tão puro. Sim, estava ali Alfredo, estava ali Philippe Noiret que me encheu ainda mais de alegria quando me pude aperceber da sua paixão por cães e por cavalos - desconhecia a primeira. Simples como as personagens de Noiret, devo dizer que foi um dos pontos altos em mais um regresso a Paris.

 

Enquanto procurava o grande mestre Becket, encontrei Noiret... A minha tristeza? Não me poder ter sentado entre os dois e ter falado um pouco de dramaturgia, literatura e cinema... Acredito que entre mortos, saíria mais vivo e mais rico que nunca.

 

 

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 Créditos - Imagem: http://www.openresearchwestminster.org/2015/02/re-imagining-rurality-conference-and-exhibition-27-28-february-2015/

 

 

Rio de Onor, como muitos outros exemplos de aldeias do Norte de Portugal, é essencialmente agrícola. As vantagens que uma economia mais solidária pode tirar destas vilas agrícolas podem estar num actor que outrora foi ostracizado, ou seja, se Rio de Onor foi outrora fechado à participação das mulheres, hoje poderia aprender com o modelo latino-americano onde a participação das mulheres é cada vez maior e parece intensificar-se em relação ao sexo masculino. Um dos estudiosos desta temática Deere, chega mesmo a afirmar que a agricultura efeminizou-se e as mulheres deixaram de ser trabalhadores de segundo plano e tornaram-se autênticas managers para a agricultura. (Deere: 2005) Isto muito por culpa da emigração dos homens em busca de melhores condições de vida - algo que é cada vez mais uma realidade em Portugal e sobretudo naquele Portugal profundo onde por exemplo Rio de Onor se encaixa. 

 

O que daqui retiramos? Um impacte social gigantesco, com as mulheres a terem uma palavra a dizer nos destinos destas comunidades e acima de tudo a serem elas próprias um dos motores de desenvolvimento da comunidade.

 

O papel da formação (imperial para o sucesso de políticas de economia mais solidária) é fundamental na medida em que tem de criar o espaço para o empowerment destas, sobretudo na exploração das mais valias do seu próprio território.

 

Rio de Onor é sem dúvida fascinante do ponto de vista da comunidade e do estudo antropológico-económico. O comunitarismo ligado às dificuldades territoriais; a suposta igualdade entre os membros da comunidade, a aparente democracia participativa, a divisão dos recursos e a correcta distribuição da terra fazem-nos pensar em importar do passado um conceito apaixonante. Todavia, esse mesmo conceito acarreta os riscos de idealizar algo que as monografias de alguns autores, nomeadamente Dias, criaram e mais que isso, criar estereótipos que praticamente por obrigação ou vaidade levam uma comunidade a agir como tal.

 

Rio de Onor efectivamente, dá-nos muitas lições, nomeadamente em relação ao próprio conceito de comunitarismo, mas também do modo como os indivíduos, face às dificuldades que o terreno e a localização, se uniram e levaram avante formas de organização que os permitissem sobreviver de uma forma que isoladamente jamais conseguiriam, aliás, o endividamento crescente e o carácter dionisíaco apontados por Dias disso também são exemplo.

 

Se do ponto de vista ambiental, artístico e de bem-estar não existe informação relevante, do ponto de vista económico e de gestão podemos retirar daqui um pouco de cooperativismo que ia até à própria gestão dos costumes, ultrapassando largamente a esfera económica, embora nem sempre numa óptica de reciprocidade.

Continuando a explorar a óptica de conhecimento, começamos a entrar em terrenos mais isolados que a própria aldeia, nomeadamente no que concerne ao carácter social e ao projecto políticonos mostra: a pouca equidade na distribuição das terras, do trabalho e do gado.

 

Continua...

 

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (1)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (2)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (3)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (4)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (5)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (6)

 

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Marcelo, Il Capo!

por Robinson Kanes, em 06.08.18

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Créditos: https://www.dn.pt/media/interior/marcelo-a-consolar-obras-de-arte-a-nova-faceta-do-presidente-pop-9135039.html

 

 

O que me traz aqui é o último comentário de Marcelo acerca dos partidos políticos e de como estes devem ser uma família da qual não se deve abdicar e muito menos trocar. Quem diz os partidos diz a família Espírito Santo ou não fosse Marcelo o defensor do lema de que mais importante que ser rico é dar-se bem com gente rica. Eu admito que este é um discurso de partido único (que Marcelo tão bem conhece) ou então de organização criminosa, algo aproximado a uma máfia.

 

Para Marcelo, trocar de partido não é opção, mesmo que se embarque por um sem número de comportamentos e tomadas de posição que sejam contra toda e qualquer ética ou valores defendidos por quem se vê confrontado com essas mesmas situações. Resta-me perguntar a Marcelo porque é que não continuou como adepto e usufruidor (ele e tantos outros que agora deambulam pela nossa praça, alguns até de esquerda) de um regime fascista? Porque é que trocou de família e escolheu uma mais adequada aos tempos de mudança? Porque é que Marcelo na sua versão democrática também virou costas ao partido de que faz parte e do qual foi presidente (um presidente para esquecer), pelo menos temporariamente? O PSD saíra dos tempos da Troika e a proximidade com essa família poderia não ter trazido tantos votos, falar no PSD durante a campanha para as presidenciais foi algo do qual Marcelo fugiu a sete pés e até fez questão de se distanciar na sua pseudo-independência. Marcelo é uma espécie de Ricardo Robles mas em versão exagerada, um homem com muitas famílias e só assim pode explicar a constante pululação entre umas e outras.

 

Marcelo, e não me canso de reforçar este ponto, também é português e irmão dessa família que são os portugueses, todavia, onde andava Marcelo quando minava as sombras do poder com o discurso de que tudo quanto fosse homem deveria estar a defender as colónias (chamando nomes até àqueles que não o faziam) e quando chegou a sua vez lá meteu a real cunha para não pegar numa arma e muito menos pisar um terreno de combate- interessante comportamento para quem hoje é o chefe supremo de outra família, as forças armadas.

 

Finalmente, e com a outra família que é a comunicação social (aquela a quem é mais fiel), foi o facto de termos ouvido Marcelo dizer que não reservou hotéis em nome próprio nesta sua deslocação para "férias" ao interior do país para não ser perseguido pelos presidentes de câmara, essa família de gente aborrecida que uma vezes dá jeito, outras nem por isso... Afinal Marcelo está de "férias" e não quer ouvir que conhece a terra e como faz com Cristiano Ronaldo, exalta este quando lhe importa, e varre para um canto quando já não importa... Mas a família da qual Marcelo não abdica é a comunicação social e aí é importante ligar a tudo e a todos para que acompanhem cada minuto de umas "férias solitárias e isoladas do mundo", mesmo que até se procure o pódio de uma corrida velocipédica para mais uns minutos de fama ou então queira assumir o lugar de porta-voz do Ministério da Administração Interna ou até da própria Protecção Civil.

 

Mas, na verdade, Marcelo nunca poderá ser um "capo" - para o mal ou para o bem, um "capo" não dispõe e se vê livre da família como lhe dá jeito. Para o mal ou para bem, até numa organização mafiosa, o "capo" é fiel aos seus valores... Um verdadeiro "capo" faz, não espera por canais mediáticos a encherem páginas e imagens com  temas sem interesse ocultando a verdadeira inércia...   

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Atrás das Cegonhas - Almodôvar

por Robinson Kanes, em 10.07.18

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

 

Em qualquer viagem ao Algarve uma paragem em Almodôvar é sempre importante. É fundamental para garantir que as minhas amigas continuam tranquilamente a habitar aquele concelho e dão um colorido especial à chegada à sede do mesmo. 

 

Com os ares da Serra do Caldeirão a contagiarem este regresso, foi necessário escolher um local para o pequeno-almoço antes de voltar à minha visita com estas aves. Nada melhor que o miradouro que fica à entrada da vila e nos dá uma panorâmica da mesma. Levem pequeno-almoço, é obrigatório.

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Tomado o pequeno-almoço, que só acaba com um café já dentro da vila, nada como regressar ao objectivo que me fez sair da auto-estrada, até porque o tempo era pouco, posto que em Faro já me esperava muito trabalho. E é quando, bem perto, sou surpreendido por um espectáculo que é sempre singular, uma cegonha no chão, tentando encontrar algo que também lhe possa fazer dizer que tomou um pequeno-almoço.

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Não há nada que pague tamanho espectáculo em plena planície alentejana. Contudo, apenas uma nota: a distância de segurança foi mantida, e a aproximação não deve ser feita. São animais que estão no seu habitat e por muito que estejam habituados à presença humana não podem ver o seu espaço invadido por nós. Recomendo binóculos, caso contrário ao invés de estarem a apreciar a natureza estão a contribuir para a sua destruição!

 

E a verdade é que quem tem binóculos vê mais ao longe do que quem não os tem e está perto. A surpresa acabou por chegar e está bem representada na imagem abaixo.

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 É nestes momentos que percebemos que o melhor da vida não tem preço e que as coisas mais espectaculares que podemos observar, por vezes, estão mesmo ali ao virar da esquina. Admito que me considerei um privilegiado, e como eu outros, mas de facto, esta imagem fez-me ficar por ali mais tempo do que esperava.

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 Simplesmente maravilhoso. Mais uns minutos a apreciar e eis que é chegada a hora em que o relógio nos diz que temos de voltar. E, mais uma vez, levo comigo a imagem destas grandes e belíssimas aves e, ao invés de voltar à auto-estrada, sigo pelas planícies do Alentejo onde pequenas elevações já anunciam as curvas do Caldeirão.

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O Lado Negro dos Heróis!

por Robinson Kanes, em 21.06.18

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Créditos: http://prospect.org

 

 

O caso recente da descoberta de que Einstein mostrava um comportamento racista levanta algumas questões que me parecem peculiares.

 

No caso de Einstein, podemos sempre afirmar que esse era um comportamento e uma forma de pensar vigente à época, todavia, o autor desta descoberta, Ze'ev Rosenkranz, não aceita essa desculpa muito por culpa das evidências que encontrou.  Rosenkranz salientou que à época já existia uma mentalidade mais aberta e que encarava culturas opostas de uma forma menos severa ou sem quaisquer preconceitos. A minha opinião aqui, divide-se... Contudo, sabemos que Einstein foi criado numa comunidade que também não é mais tolerante de todas.

 

Este facto leva-me à apologia de determinadas figuras da História, umas já falecidas e outras que ainda por cá vão andando. Se por um lado admiramos algumas descobertas, talentos e conquistas, raramente falamos de um outro lado - quantos artistas não são pessoas intratáveis e que não foram propriamente um bom exemplo de como se devem comportar os seres-humanos? Quantos indivíduos não são admirados e cometeram atrocidades gigantescas contra os seus, por exemplo? Não vamos mais longe: em Portugal é proibido elogiar Hitler, mas já não é de todo descabido fazer a apologia de Estaline, isto ao mais alto nível!

 

O que ainda torna tudo mais estranho, é o facto de criticarmos o nosso vizinho porque se "mete nos copos" e aplaudirmos com passadeira vermelha aquele que é viciado em drogas ou que é um corrupto. Facilmente batemos palmas a quem foge deliberadamente, e em muitos milhõs ao fisco, mas criticamos aquele que se esqueceu de pagar 50 cêntimos de parquímetro! Criticamos a nossa vizinha porque em três meses conheceu dois homens mas não criticamos a celebridade que todas as noites vende o corpo a troco de fama. Hoje, em que como alguém já disse a semana passada, se é celebridade por ser, ou seja, o título de celebridade surge porque não se é propriamente bom nisto ou naquilo mas porque se é... celebridade... Dá que pensar o modo como admiramos determinadas personagens.

 

Temo que a História ensine a actualidade a perdoar todo o mal de anos a troco de um dia na passadeira da fama ou até a justificar as maiores atrocidades desde que depois se consiga algum sucesso... Talvez os cidadãos possam ganhar consciência de que também eles, ou melhor, são eles que devem escrever a História, e não uma ou outra exaltação bem fabricada. Temo que vivamos, obviamente que nem sempre, numa espécie de cegueira e admiração por falsos ídolos.

 

Vamos acreditar, contudo, que um dos maiores criticos e figura de proa contra o racismo, tenha efectivamente mudado a sua forma de pensar e tenha morrido como um verdadeiro defensor dos direitos humanos.

Podem encontrar aqui um dos textos que Ze'ev Rosenkranz, escreveu na Time.

 

 

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Israel e um Estranho Paradoxo...

por Robinson Kanes, em 19.06.18

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 Créditos. http://america.aljazeera.com/articles/2013/9/13/oslo-accords-explained.html

 

 

Admito que é extraordinário ver um país como Israel, a grande nação do judaísmo, a cometer erros históricos semelhantes àqueles de que foi sendo vítima ao longo dos séculos - o culminar foi o genocídio nazi, tão falado, talvez demais falado em detrimento de outros genocídios perpetuados antes, durante e após.

 

Os últimos tempos, para além da construção de muros e vedações, tem mostrado uma hostilidade atroz por parte deste Estado face ao Estado Palestiniano que, obviamente, também não é isento de culpas. Todavia, o modo como são abatidos palestinianos por parte das forças israelitas é qualquer coisa para a qual o mundo e sobretudo as Nações Unidas não parecem estar muito interessadas em discutir, inclusive o seu Secretário-Geral, completamente inapto para o cargo que tem vindo a desempenhar - não basta o papel do bom cristão, de santo salvador que deixou um país à beira do abismo e uma demagogia obsoleta para mudar o mundo.

 

A agressão israelita tem sido tão forte que nem os mortos são poupados, e nos últimos anos, não são raros os casos em que polícia e forças militares israelitas invadem cemitérios e destroem túmulos, campas para construirem espaços de lazer para israelitas e quiçá acabarem com uma cultura e com um povo da face da terra - onde é que já vimos isso! O último foi e está a ser o cemitério de Bab Al-Rahma, onde estão os túmulos de Ubada ibn as-Samit e Shadad ibn Aus, dois próximos do profeta Maomé! Esta é uma prática constante, onde os bulldozers de Israel entram sem dó e arrasam em segundos estes espaços sagrados e que são a identidade cultural e religiosa de um povo - entretanto vão-se matando a tiro aqueles que defendem estes locais sagrados - tratados pela alta esfera israelita quase sempre como terroristas. Aliás, para muitos governantes e cidadãos israelitas não existem palestinianos mas sim terroristas - não é raro em entrevistas não existir sequer uma menção a estes indivíduos como palestinianos mas sim como terroristas perante a passividade de muitos jornalistas e responsáveis políticos.

 

É um discurso que ao longo de décadas tem ganho uma força que hoje em dia alguém que atira pedras a um soldado é visto como uma terrorista, mas um soldado que retira alguém que está em casa e mata só porque sim esse mesmo alguém em frente aos filhos é um agente de paz! Também nós colocamos a mão no gatilho ao continuar a permitir o perpetuar destes comportamentos.

 

É uma questão antiga, uma má gestão por parte do Ocidente, empenhado em resolver os expedientes da Segunda Guerra Mundial e do passado colonializador... Talvez por isso procure agir como uma avestruz... Entretanto, os terroristas vão morrendo enquanto o ódio, por culpa destes actos, vai sendo incentivado e, ao invés de estarmos a limpar um povo da face da Terra, talvez estejamos a contribuir para a criação de um povo de ódio... Um povo com ódio que será visto sempre como o principal culpado enquanto o outro lado, não menos sangreto mas mais poderoso e talvez inteligente na forma como gere a comunicação e a teia de influências, vai sendo tratado como vítima... Mesmo quando levanta muros, cria vedações e desrespeita culturas ancestrais, encarcerando o povo palestiniano num gueto - palavra que a muitos lembrará os anos 30 e 40 do século XX e não pelos melhores motivos.

 

Todo este processo deveria deixar-nos envergonhados, sobretudo aqueles que passaram por um genocídio, que a História, ou melhor, aqueles que escrevem a História, insistem em quase assinalar que foi o único.

 

(é importante recordar que tenho amigos de ambos os lados da barricada e tento sempre perceber um lado e o outro e não estou a fazer a apologia de uns em detrimento de outros).

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