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E se Todos Sabiam?

por Robinson Kanes, em 06.11.18

 

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 Créditos: https://apps.expresso.pt/sociedade/2018-07-13-Ainda-ha-explosivos-de-Tancos-a-solta

 

A serem verdade as alegações que têm sido feitas acerca do roubo de material de guerra em Tancos, como é que é possível que Azeredo Lopes ainda não tenha sido detido? Podemos sempre considerar que as coisas levam o seu tempo e deter logo um suspeito pode ser contraprudencete para a investigação.

 

No entanto, a ser verdade que um Ministro da Defesa estava na posse de informação tão grave e importante, será que o Primeiro Ministro também não estava a par de? E se o Ministro da Defesa e o Primeiro Ministro estavam a par desta sensível informação, não existe uma infíma hipótese de que o Chefe Supremo das Forças Armadas, o Presidente da República, também não estivesse informado?

 

A realidade é que existem aqui várias circunstâncias curiosas... Se só alguns sabiam, como é que uma coisa destas pôde acontecer? Que Primeiro Ministro e que Presidente da República são estes que num caso tão delicado não foram informados pelos seus "subordinados"? E se não foram, porquê? 

 

Existe ainda a hipótese de todos saberem e de tal facto contribuir para que um Presidente da República e um Governo apresentem imediata demissão após verificação desse facto? António Costa, em tom cínico, deixou no ar que muita gente sabia do que se estava a passar em Tancos... A quem se refere Costa? Pode um Primeiro-Ministro lançar suspeitas, qual mulher de soalheiro, e as mesmas ficarem sem interrogações? Será que também queremos que assim seja? Queremos ver cair um Governo ou um Presidente? Queremos mesmo saber a verdade? A verdade, aquela que temos, é a de que nenhum dos dois sabia e esperemos que a Justiça, sem obstruções, mostre essa verdade, caso contrário, temos aqui um escândalo de proporções que ninguém consegue prever... Ou até consegue, os eleitores e os cidadãos tudo têm perdoado... Culturalmente é fácil controlar o povo português e aqueles que podem fazer algo em nome da integridade... Todavia, nem sempre é assim tão linear.

 

Esperemos também que o "caso do aparecimento" não retire meios ao "caso do desaparecimento"! O roubo das armas e toda a cumplicidade envolvida no mesmo não se deu porque alguém decidiu assaltar um paiol de alta segurança só para roubar umas coisas e vender as mesmas nas feiras de antiguidades do primeiro Domingo do mês!

 

Esperemos que a investigação seja mesmo a doer... Doa a quem doer... E de preferência sem comissões de inquérito parlamentar que, em Portugal, apenas servem para atrapalhar a Justiça e ocultar os verdadeiros responsáveis.

 

A propósito deste episódio, a apatia e o esquecimento por parte dos partidos do "contra tudo" é no mínimo escandalosa... Partidos do "contra tudo" enquanto vão sendo sustentados pelo Governo PS. 

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E é Isto o Amor!

por Robinson Kanes, em 30.10.18

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Le Baiser, Auguste Rodin - Musée Rodin

Fonte: Robinson Kanes

 

Os seres-humanos não foram feitos para estar toda a vida com a mesma pessoa! Enquanto não percebermos isso, não evoluíremos enquanto pessoas e amantes.

Tenho dito.

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Uma Jóia Normanda: Bayeux

por Robinson Kanes, em 06.10.18

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 Fotografias: Robinson Kanes

 

 

Uma das mais belas catedrais de França está situada no departamente de Calvados, na região da Normandia, mais precisamente em Bayeux!

 

No entanto, antes de entrarmos na catedral, Bayeux tem a curiosidade de ter sido a primeira cidade a ser libertada na Batalha da Normandia! É também por isso, que acolhe o cemitério de todos os jornalistas abatidos a acompanhar guerras desde 1944! Também é nas imediações do centro de Bayeux que se encontra o maior cemitério britânico da Segunda Guerra Mundial. Mas deixando as experiências menos boas, Bayeux é conhecida pela sua tapeçaria do século XI e onde se encontra "relatada" a conquista de Inglaterra por parte dos normandos liderados por Guilherme II. Merece ser visitada até porque está catalogada pela UNESCO!

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Mas o que pode levar alguém como eu a Bayeux é a oportunidade de poder conhecer mais uma localidade normanda e apreciar a calma e simpatia dos seus residentes, num quase viajar ao passado. Se esperamos passar uma manhã ou uma tarde, rapidamente percebemos que temos de ficar mais tempo.

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Regressando à catedral, rapidamente percebemos o estilo gótico que se deve à reconstrução da mesma durante o século XI. Destaco a nave central que nos guia pelos imensos vitrais que se espalham ao longo de toda a estrutura. Para apreciadores desta arte, sem dúvida que verão aqui a sua sede de conhecimento saciada. 

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Também não podemos esquecer onde estamos, pelo que, em cada canto somos recordados de um passado não muito longínquo e onde se recordam todos aqueles que tombaram em nome da liberdade na Europa.

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Se gostarmos da Normandia, por certo que não podemos deixar de conhecer Bayeux, até porque qualquer das estradas até lá é um verdadeiro passeio carregado de paisagens que são o verdadeiro postal da Normandia. 

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 Bom passeio...

 

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Homofobia e Racismo, a Arma dos Anti-Cidadania!

por Robinson Kanes, em 02.10.18

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Créditos: João Girão in https://ionline.sapo.pt/571845 

O Conselho da Europa baseou-se, maioritariamente, num caso de racismo (que ainda nem está encerrado) para dizer que os polícias portugueses são homofóbicos e racistas. E até podem chamar-me de populista ou fascista (agora é moda sempre que alguém não pensa como a esquerda, uma espécie ditadura invertida) mas... E quando são os polícias o alvo das agressões por parte daqueles que se dizem vitimas de rascimo? Esquecer-se-á o Conselho da Europa que até nas polícias existem muitas outras raças e orientações sexuais? O argumento de que as indivíduos de origem africana têm medo da Polícia é totalmente descabido... Eu tenho medo da Polícia e mais que medo, tenho respeito, deve apresentar uma queixa? E aqueles que têm medo de muitos indivíduos (brancos, pretos, brasileiros, africanos e tantas outras raças, culturas e nacionalidades) ao ponto de não se sentirem seguros e até vivem privados da sua liberdade, muitas vezes dentro da sua própria casa?

 

Experimentem conviver com algumas polícias por esse mundo fora (inclusive Europa) e vão ver o que são polícias que metem medo, o que são polícias racistas e homofóbicos - aliás, em muitos dos países onde tal sucede, aqueles que criticam tais práticas por cá, são os primeiros a defender tais regimes ou formas de actuar... A defender ou a ignorar o assunto, sobretudo humoristas mediáticamente elevados à categoria de intelectuais (seja lá o que isso for) e de representantes máximos da nação, algo como uma subespécie de selfie president que sempre que falam dizem que estão a transmitir o exacto sentimento de 100% da população. Uma das armas mais fortes dos últimos tempos é dizer que todos pensam assim e com isso forçar de forma suave e inconsciente quem defende exactamente o contrário.

 

Em Portugal, sempre que um polícia é abatido ou alvo de agressão pouca destaque merece - afinal até faz parte. Se um polícia em resposta a um ataque agride uma minoria é o caos! Quem protege os polícias quando as esquadras são invadidas e os agentes agredidos porque nada podem dizer ou fazer contra tantas minorias? Vivemos na ditadura das minorias em que, em alguns casos (alguns casos) ser homossexual é uma espécie de estatuto e ser de outra raça uma forma de legitimação de tudo e mais alguma coisa! Nesta fase da evolução da sociedade já nem esta discussão tem qualquer sentido, existem cidadãos e todos têm os mesmos direitos e (muito importante) deveres.

 

Não são raros os casos em que eu e outras pessoas já nos vimos envolvidos e em que, basta uma observação ou uma repreensão para sermos acusados de que estamos a cometer um acto de racismo - não deveria isso ser crime? Afinal tenho de respeitar todas as culturas (e contra isso, basta ler este espaço para perceber que o faço) mesmo que estas possam impunemente fazer o que querem sem qualquer limitação, afinal, são minorias.

 

Também o discurso demasiado protector dos partidos/movimentos do costume só acaba por ser nefasto para todos - embora possa sempre atrair os holofotes e alguns votos. Mas na verdade, no dia-a-dia, quem sofre são aqueles que pensam que estão a ser defendidos por estes e são levados, estes sim, a serem vítimas e até a serem alvo do que nos Estados Unidos se convencionou chamar de "racial hoax". São estes partidos e movimentos que, ao fim do dia, tratam os empregados de mesa ou dos bares onde fazem as suas plenárias, como lixo!

 

Começo a ter a noção de que existem cidadãos que, em termos de protecção, são mais cidadãos que outros... E também começo a ter a noção de que os grandes fundadores do "todos diferentes todos iguais" começam a alinhar numa espécie de" todos diferentes, todos iguais, mas alguns mais diferentes e mais privilegiados que os outros". 

 

Finalmente, também é estranho que se utilize um único caso (e aí uma certa comunicação social tem a sua culpa) para denegrir toda uma instituição... E porque não se tem falado na GNR? Também não é uma força policial?

 

P.S: convivo com homossexuais, pretos, azuis, amarelos, brancos, laranjas, vermelhos e o que nos preocupa mais é o facto de estarmos juntos, trabalharmos juntos, sermos amigos ou colegas e não questões transversais... Não tenho dúvidas de que, quando todos tivermos essa noção, então a sociedade será um lugar bastante melhor para se estar...

 

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Estatuto do Cuidador Informal? "Facepalm"...

por Robinson Kanes, em 28.09.18

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Este foi o "facepalm" do Comandante Picard quando lhe disseram que é mais barato financiar um cuidador informal do que serem o Estado, as IPSS ou até as misericórdias a exercerem essa tarefa! Este foi também o "facepalm" do Comandante Picard quando lhe disseram que existem episódios em que as misericórdias recusam apoio, alegando falta de meios, mas não hesitem em que indivíduos "perdidos" façam uma "pequena" doacção dos seus bens às mesmas e assim recebam um "prato de sopa" em troca... Foi também este o "facepalm"  do Comandante Picard quando lhe disseram que, alegadamente, os partidos das causas sociais têm usado e abusado dos cuidadores informais sem efectivamente tomarem uma posição séria sobre o assunto.

 

E por hoje, mais não digo...

 

Créditos: https://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/FacePalm/LiveActionTV

 

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Desde o Jardim de Luxemburgo, Uma Paris Quente...

por Robinson Kanes, em 14.09.18

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Créditos: Robinson Kanes 

 

 

Fim de tarde quente... Anormalmente, Paris estava quente, quente como um deserto com temperaturas a tocarem os 40 graus. Anormalmente, também Paris tinha, finalmente, uma luz... Não era uma luz forte, talvez uma luz diferente mas que colocava a cidade com uma iluminação homogénea mas alegre.

 

Sentada, num banco, a nossa "modelo" da fotografia contemplava o horizonte, algo smoggy mas encantador. Bela contemplação terá sido, pois foi tempo suficiente para aquele clara, de uma tonalidade bretã ficar tocada por uma cor mais escura. Ao longe a Torre Eiffel, imponente, não tão bela ao perto, mas de uma imponência que a tornou na imagem de marca da cidade e, injustamente, até de um país. Ao longe, o verde em contraste com o cinzento enriquecia a visão...

 

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Mas é ali, no "Jardin de Luxembourg", entre o "Quartier Latin" e "Saint-Germain-des-Prés que temos a vista mais romântica da torre em todo o seu esplendor. Entre as árvores que abundam nos 25 hectares de jardim e a vista também para o "Palácio de Luxemburgo" é possível nestes finais de tarde quentes, apreciar uma Paris diferente, uma Paris, aí sim, talvez mais romântica e apaixonante, sem estereótipos ou qualquer outra imagem de marca que nem sempre corresponde à realidade.

 

Com uma pequena coroa de tranças, a nossa bretã - não sei se o seria - apreciava essa Paris, sentia essa Paris. À sua volta a cidade parou, as crianças deixaram de correr, outros pararam as suas leituras, outros bloquearam no seu passeio e assim a cidade ficou à mercê dos seus olhos ou da sua paz... Olhando à volta, percebiamos que afinal a nossa bretã era apenas mais uma entre tantos outros que especialmente respiravam aquele ar quente  e se entregavam a tal contemplação.

 

Naquele final de tarde, Paris escaldava, mas estranhamente parecia mais calma, mais romântica e mais humilde em toda a sua sumptuosidade.

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Leitura do Dia: Education at a Glance 2018!

por Robinson Kanes, em 13.09.18

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Créditos https://www.irishtimes.com/news/science/the-reason-why-modern-teaching-methods-don-t-work-1.2115219

 

É só mais um estudo... Um estudo que nunca se poderá dizer que é infalível - mas também não é só irmos atrás da comunicação social e esperar que sejam estes a dar-nos as respostas.

 

Também não é a ter pena de quem trabalha 20 anos e "só" aufere 1700 euros ilíquidos por mês que podemos ter pena de uma classe. Ver como vi professores a queixarem-se da triste sorte é no mínimo hilariante, vale-nos o facto de que ninguém se lembrou daqueles "extras" que também surgem no recibo de vencimento e aumentam os salários. Tenhamos também pena de quem (não são todos, de facto) tem trabalho garantido para a vida ou pode sempre abandonar o mesmo e procurar melhor (mas nem sempre o faz).

 

A educação em Portugal tem girado em torno das reinvindicações da classe dos professores, contudo, este estudo alerta para áreas que são bem mais importantes, nomeadamente: os gastos com a educação "vs" retorno e impacte da mesma. Não alerta, no entanto, para o próprio modelo de educação que, em muitas situações, está obsoleto e completamente à margem das necessidades de uma sociedade pós-moderna. Esses assuntos ninguém parece querer discutir porque, muito provavelmente, levariam a grandes mudanças que colocariam muitos professores (não todos) num patamar de total incapacidade para o serviço. Este meu comentário, todavia, não invalida que ainda se preservem métodos antigos que funcionam, nomeadamente a disciplina e o método cientifico.

 

Finalmente, o que se está a passar com os professores, é o facto de um grupo que em tempos foi uma elite, estar agora a ser nivelado com os parâmetros ditos normais, ou seja, mais uma profissão, com a sua devida importância, mas nem mais nem menos que as outras... E sempre que isso acontece, a contestação é inevitável...

 

Podem ler o estudo aqui

 

Boas leituras...

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Edvard Munch - "Entardecer" (Museu Nacional-Thyssen Bornemisza)

Imagem: Própria

 

É cultural... 

 

Quando queremos desculpar comportamentos estúpidos e para o qual não temos uma justificação que possa validar tal irresponsabilidade, lá nos socorremos do "é cultural".

 

Um desses comportamentos é aquilo a que se pode chamar o "quarto do hora académico", vulgo atraso irresponsável e falta de respeito pelos outros. Em Portugal, e mesmo por outras paragens, o chegar atrasado ou até falhar a um compromisso é algo visto como perfeitamente normal. Tão normal, que até se incute em programas de televisão, jornais e rádios como uma coisa boa - chegar atrasado é ser cool, é ser yeah, é ser... estúpido.

 

Temos de descontar os atrasos que, obviamente, são forçados e não são a regra mas sim a excepção, aliás, quem nunca se atrasou que atire a primeira pedra - é melhor não dizer isto porque até conheço alguns indivíduos que...

 

No entanto, cada vez que nos atrasamos estamos a prejudicar alguém ou até mesmo um processo. Quando nos atrasamos para uma reunião ou para um encontro profissional estamos a destruir a agenda daqueles com quem combinámos uma hora e a promover também o atraso destes noutros compromissos - ou seja, uma bola de neve. Além de que, quando nos atrasamos, também em âmbito profissional, estamos a fazer com que outrem não possa sair a horas para estar junto da família ou em outras actividades porque tem de fazer o trabalho que não pôde fazer enquanto estava à nossa espera e também, enquanto esteve connosco. Afectamos o bem-estar e a produtividade daquele com quem irresponsavelmente interagimos! Mas na verdade, quem é que quer saber disso, sobretudo quando é B2C (business to client)?

 

Quando nos atrasamos, temos de ter em conta que do outro lado está uma pessoa que tem uma agenda, pessoal e profissional, e que também tem de trabalhar e viver - por cá, tendemos a esquecer isso, sobretudo quando não temos nada que fazer e passamos o dia na praia, mas depois forçamos o desgraçado deste ou daquele estabelecimento a esperar por nós às nove da noite para, por exemplo, visitarmos um espaço ou fazermos uma reunião. Esquecemo-nos que, enquanto estivemos na praia e nos levantámos às onze da manhã, alguém já estava fora da cama às cinco e no dia seguinte repete a rotina.

 

A desculpabilização deste tipo de atítudes não pode ser uma prática, sobretudo quando quem as pratica fica muito revoltado, ou porque é chamado à atenção, ou porque, e passo a expressão, "bate com o nariz na porta". A revolta é tal que se fica com a ideia de que o grande crime é cometido por aquele que esperou horas a fio e se fartou de tanto esperar ou até porque teve outros compromissos.

 

Temos ainda os atrasados (mentais) que enviam mensagens ou telefonam a dizer que em cinco minutos estão a chegar. Por norma, quando um português diz que chega em cinco minutos, o ideal é fazermos uns bons quilómetros para ir tomar um café, ler o jornal e voltar... Com um pouco de sorte ainda o apanhamos a chegar.

 

Recordo-me que em tempos, no primeiro dia em que cheguei para dar aulas a alunos do ensino superior, o director do curso me disse que tinha de ter em conta o "quarto de hora académico" seguido daquele "eh eh eh, sabe como é". Lembro-me também de ter feito uma expressão pouco simpática e ter respondido que, um dia, quando os alunos tiverem compromissos profissionais, não iriam existir quartos de hora académicos e de que além disso era uma tremenda injustiça para com aqueles que cumpriam e chegavam a horas, pelo que, nas aulas do Robinson, a repetição desse comportamento não seria tolerada. Não obtive resposta e fiquei a pensar que tinha carimbado o passaporte para não voltar a dar aulas naquela instituição.

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Uma Cidade Portuária: Honfleur...

por Robinson Kanes, em 17.08.18

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Imagens: Próprias e GC

 

A minha paixão por cidades portuárias é mais que evidente... Durante toda a minha infância e adolescência (e ... idade adulta) o mar foi uma presença. Tendo uma parte da família ligada ao mar é natural que os genes cá estejam a desempenhar o seu papel.

 

Honfleur, embora não sendo um colosso, é aquela cidade onde o Sena encontra o Canal da Mancha e, segundo alguns (ou seja, eu), esse rio perde todo aquele romantismo, que alguns (ou seja, eu), não lhe reconhecem. Gosto, apesar de tudo, de Honfleur... Uma cidade pacata do Departamento de Calvados, em plena Normandia. Cidade tranquila, com uma pequena baía onde encontramos algumas embarcações de lazer que contrastam com aquelas que laboram e procuram as riquezas marinhas do Canal da Mancha. Ainda continuo a preferir que fosse ao contrário, mas o turismo, as cidades e o próprio funcionalismo a essa mudança obrigam.

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Gosto, sobretudo, do interior da cidade... Estar em Honfleur e não usufruir dos bares e restaurantes junto aos veleiros não é ir a Honfleur - essa área tem o nome de "Vieux Bassin". Todavia, e conhecendo relativamente bem (para um visitante) a Normandia, nunca tinha estado em Honfleur. Gosto dos cafés dentro da cidade, sobretudo, das ruas calmas, de uma forma diferente de estar numa cidade portuária que acabar por ser invadida por turistas ou não fosse uma das primeiras atracções turísticas para quem atravessa o Canal da Mancha vindo de Inglaterra ou até entrado pelo norte de França.

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Cidade comercial ao logo da História e uma das mais disputadas durante a Guerra dos Cem Anos (mais uma vez a proximidade com a vizinha Inglaterra), agrada-me também por ser a cidade onde nasceu Erik Satie - quem sabe, algumas das suas "Gymnopédies", não terão tido alguma inspiração por estas bandas... Não creio, todavia fica essa nota que reforça uma necessidade de visitar esta cidade. Com uma história ligada ao Impressionismo, é também uma cidade onde as artes plásticas têm o seu lugar, destaco apenas o "Museu Eugène Boudin" que alberga pinturas do artista e inclusive de Monet.

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Uma das grandes atracções, contudo, é a "Igreja de Santa Catarina"! Totalmente de madeira, muito por culpa da tradição naval, é deveras um encanto para quem gosta de arquitectura! Uma igreja de madeira, com o cheiro intenso da madeira velha e toda aquela austeridade particular, é uma supresa daquelas que marca!

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Cansados do cheiro da madeira e de tão grande riqueza, nada como parar na boutique de café junto ao restaurante "Entre Terre & Mer". Sendo os mesmos proprietários, tenho a agradecer a simpatia das duas colaboradoras que, servindo apenas dois cafés, nos trataram como se tivessemos jantar lavagante ou outras iguarias daquele mar ali tão perto - sem publicidade porque paguei os respectivos dois euros por cada um.

 

Finalmente, e falar deste aspecto num país com tão belas pontes como Portugal não é propriamente fascinante, todavia, nada como aproveitar as vistas (caras) da "Ponte de Normandie" para o Estuário do Sena ou até do mesmo rio ainda confinado num espaço mais curto pela "Ponte de Tancarville" - vindos do lado de Le Havre, não há como fugir.

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Encontrei Philippe Noiret...

por Robinson Kanes, em 08.08.18

 

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 Fonte: Própria

 

Já muitas vezes falei de um dos meus actores preferidos - é ele Philippe Noiret. Abordei este grande actor aquando do meu artigo sobre "Il Postino" e também aquando do artigo sobre "Cinema Paradiso". Todavia, este actor mereceria tantos outros destaques, nomeadamente com um dos filmes que lhe deu mais prémios, falo de "La Vie en Rien d'Autre", datado de 1989 e obra do realizador Bertrand Tavernier. Já em 1984 havia, também com a presença de Noiret, realizado "Coup de Torchon".

 

Mas o que hoje me faz recordar Noiret é ter descoberto o mesmo em Montparnase, mais precisamento no cemitério onde está sepultado e onde, apesar das minhas pesquisas, nunca encontrei menção à sua presença. Se Sartre e Beavouir, ou até Beckett e Duras já estavam na minha lista, ter encontrado Noiret por mero acaso enquanto vagueava entre campas foi uma grande surpresa (até porque nem está nos destaques que o cemitério tem para personalidades reconhecidas), uma surpresa boa nesta visita ao cemitério de Paris que me faltava.

 

De facto, sabendo que ali está apenas terra, foi como se tivesse encontrado o velho Alfredo com aquele sorriso tão próximo, tão franco e tão puro. Sim, estava ali Alfredo, estava ali Philippe Noiret que me encheu ainda mais de alegria quando me pude aperceber da sua paixão por cães e por cavalos - desconhecia a primeira. Simples como as personagens de Noiret, devo dizer que foi um dos pontos altos em mais um regresso a Paris.

 

Enquanto procurava o grande mestre Becket, encontrei Noiret... A minha tristeza? Não me poder ter sentado entre os dois e ter falado um pouco de dramaturgia, literatura e cinema... Acredito que entre mortos, saíria mais vivo e mais rico que nunca.

 

 

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