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A Morte do Homem Branco...

por Robinson Kanes, em 25.11.20

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Créditos:https://sylg1.files.wordpress.com/2016/09/keep-calm-and-kill-all-white-people.png

 

O homem precisa de ver mais as suas possibilidades que as suas prisões!

Agustina Bessa-Luís, in "Ternos Guerreiros"

 

Enquanto uns dizem que o comunismo nunca existiu, outros também podem incitar ao ódio com palmas. Ainda esta semana, um indivíduo que tem sido um dos garantes que o discurso de ódio em Portugal não cessa, e onde nem a polícia escapa, é aquele que recentemente agitou a bandeira da morte ao homem branco. Várias conclusões têm de ser retiradas sendo que, se fosse um outro qualquer a minha opinião seria exactamente a mesma.

 

Será que se fosse um indivíduo da nossa praça, e já nem vou sublinhar André Ventura, a proferir essas mesmas palavras mas com uma diferença, a mudança no tom de pele, a reacção seria mesma? Um processo judicial, extravasamento de competências e pedidos de investigação por parte de Ferro Rodrigues e Marcelo Rebelo de Sousa, além dos habituais pacíficos/manipuladores humoristas e jornalistas da nossa praça a pedirem a sua cabeça... Mas foi Mamadou Ba, que em Portugal goza de especial estatuto - ainda desconheço a que propósito, mas somos o país dos estatutos, este é mais um.

 

Por outro lado, surgiu o discurso (mesmo daqueles que sabem muito bem o que Ba quis dizer, todavia, a sua voz revolucionária cessa quando a imagem pública pode ficar manchada pelo políticamente incorrecto) de defesa do contexto em que as mesmas palavras foram proferidas. Eu não ouvi só aquelas palavras e a ideia com que fiquei foi de que todo o contexto era de ódio, de repulsa e de incitamento ao combate. Amedronta-me ver que aqueles que atacam os discursos extremistas mas depois desculpabilizam estas palavras - afinal é só retórica, são metáforas, são palavras mal escolhidas! Se hoje disser que não gosto de cerveja preta, são os mesmos que dizem logo que sou racista! Onde é que está a coerência? Corremos o risco de perder palco e de sermos conotados com extrema-direita? Com reaccionarismo? A verdade, a pluralidade e moderação nunca serão de extremos... No entanto, é a conivência com um extremo que alimenta o outro, além da criação de fantasmas numa sociedade que tem tantos problemas para resolver e que acaba por criar no cidadão comum uma certa desilusão quando começa a conceber que está na base da pirâmide, amordaçado e escravizado.

 

Também me assusta o discurso: "homem branco"; "homem preto"; "eles"; "nós"... Tenho muitas dúvidas que a grande maioria dos indivíduos que Mamadou Ba diz defender se revejam nestas palavras... Ainda bem que não estamos na África do Sul, caso contrário, Malema teria um aliado de peso. Ou então talvez seja um defeito meu que vejo seres-humanos e iguais perante a lei... e não catálogos...

 

Mais do que as palavras, o ódio que vemos nestas reuniões privadas, neste discurso que não é público e onde os "sociais utópicos" lá estão para defender os pobres coitados, é corrente. É certo que alguns estão por bem, mas conheço suficientemente alguns destes defensores para perceber que estou mais seguro junto de uma hiena esfomeada do que propriamente junto de determinadas personagens, normalmente apenas predadores de subvenções dos regimes que eles próprios criticam.

 

Assusta-me, mas isso talvez seja porque ontem perdi uma noite inteira a falar de Democracia, liberdade e acesso à educação com um "homem preto" que ninguém conhece, mas coloca a emancipação do seu povo à frente de querelas e discursos de ódio extremo, porque no final, é na luta pela paz, pela liberdade e pela educação do seu povo que coloca o seu foco...

 

P.S.: um dos últimos indivíduos (Fredrick Demond Scott) que disse "kill all the white  people" abriu a cabeça a seis inocentes norte-americanos, um deles uma sem-abrigo idosa.

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 Fonte da Imagem: Bruce Beattie - Daytona Beach News Journal

 

O tema não é novo, mas repete-se... E como se repete continua tão actual como aquando da primeira polémica espoletada acerca do mesmo.

 

Sempre que estamos perante um atentado terrorista assistimos à divulgação de imagens (quantas vezes não são as mesmas repetidas atá à exaustão) de pessoas feridas, mortas, em pânico, completamente aterrorizadas e, em alguns casos, até à divulgação do próprio atentado a ter lugar (Charlie Hebdo foi um dos melhores exemplos). Se a sede de vendas aqui ainda encontra uma "descupabilização", o que dizer quando os perpetradores do terror fazem um balanço do ataque e promovem a causa?

 

Pretendo com isto dizer, e em Barcelona a cena repetiu-se, que um dos grandes cúmplices do terrorismo - porque espalhar o medo é terrorismo, não é só pressionar um gatilho - poderão ser os media. O alegado vídeo do Daesh a reinvindicar o ataque foi repetido mil e uma vezes por esse mundo fora e Portugal não foi excepção. Será que não basta "uma" notícia a informar que o Daesh (ou outro movimento) reinvindicou o ataque e voltou a ameaçar? E será que estes vídeos são muitas vezes confirmados, sobretudo do ponto de vista da origem? Não me é de todo difícil colocar um vídeo igual a muitos outros do Daesh a circular na internet.

 

É aqui que também pretendo chegar... Ainda me recordo de ver os vídeos da ETA, do Hezbollah, do IRA e de outros tantos movimentos, onde o foco do mesmo passava por indivíduos que difundiam uma mensagem; mas hoje os videos são mais elaborados e coloridos com imagens que são retiradas dos próprios media. Não só estamos a alimentar a propaganda com conteúdos mas também a divulgar a mesma. Se eu sair à rua com uma suástica no braço arriscarei, por certo, algumas consequências menos boas, contudo, divulgar o ódio e o terror continua a ser um crime que passa impune sob a capa da liberdade de informação - seja de forma propositada ou negligente. 

 

Finalmente, uma nota para o actual Presidente da República Portuguesa e que me ficou retida aquando dos atentados de Barcelona: dizer que nunca morreu tanta gente, nem existiram tantos atentados terroristas como hoje, sobretudo na Europa, revela um desconhecimento da História, sobretudo a mais recente.

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O Ódio Dos Moralistas...

por Robinson Kanes, em 22.06.17

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Artemisia Gentileschi - Judite Decapitando Holofernes (Galeria Uffizi)

 

Fonte da Imagem: Própria

 

O drama dos incêndios (e outras recentes polémicas) criou um facto curioso e que me fez ir à procura de “material” que permitisse dissertar sobre algumas inquietações e ter também o vosso retorno.

 

De facto, torna-se interessante assistir a um comportamento nas redes sociais e até nos blogs que já não é novo mas que, pela proximidade dos acontecimentos, torna as situações mais evidentes.

 

Vejamos... Nas redes sociais, nos media digitais e nos blogs, de um momento para o outro passamos do sentimento mais comovente e de revolta com os factos para as fotografias das “mini-férias” ou do fim de semana espectacular no Algarve. Rápida a transição do “estou em choque” para o “yuppie” (também existe o contrário)... Sim, estou chocado, mas tenho a necessidade de mostrar ao mundo que estou em “altas”. 

 

Mas o que tem sido interessante é a proliferação da mensagem contra o “ódio”. Hoje em dia, discordar de uma situação ou do status quo é odiar (ou populismo), sobretudo se o ódio for contra aqueles que defendemos (ou somos pagos para defender) diariamente em blogs e redes sociais. Interessante também, que muitos dos que criticam o ódio acabam por incitar ao mesmo, especialmente quando recorrem ao vernáculo e ao ataque directo...

 

Eu tenho mais medo dos “amigos” (e dos alpinistas) que defendem alguns do tal “ódio” e que são privilegiados na comunicação do que daqueles que odeiam e soltam os seus desabafos no momento... É que os últimos não procuram manipular ninguém e tendem a ser insentos. Acredito que muitas vezes só querem justiça, mesmo que não expressem essa vontade da melhor forma. Tenho medo daqueles que vivem tranquilos, à sombra de clientelismos, de uma pseudo-fama e de alguma pseudo-importância que nos tenta ser impingida todos os dias no sentido de nos fazer acreditar que são estes os "representantes" da voz do povo - e não falo de políticos como já perceberam. Não tenho medo do povo "revoltado", aliás, nem qualquer bom estadista tem medo do seu povo...

 

A apatia (ou falsa apatia) tende a reinar sobre a justiça... E se um povo pede justiça, ao invés de também descarregarmos um discurso de ódio, devemos inicialmente pensar o porquê de tanta revolta, de tanto ódio, se quisermos considerar uma solução. A apatia que nos faz ser líderes de uma certa sobranceria virtual não nos torna melhores do que aqueles que criticamos, pelo contrário.  Mas talvez seja mais fácil ignorar a interrogação de Steinbeck e deixarmo-nos arrastar ao invés de nos deixarmos guiar pelos nossos principios. Talvez o retorno seja imediato, porque a justiça é mais morosa e nem sempre nos enche a conta bancária ou o ego...

 

Mas talvez seja isso... Talvez, nós que tantas vezes somos tão solidários e "boa onda", sejamos bem piores que um povo que efectivamente se revoltou com a perda estúpida (sem aspas) dos seus compatriotas... Porque nas cidades, os apáticos e falsos moralistas de sofá continuam a apaziguar à calma de metralhadora na mão...  No entanto, se um dia o país precisar verdadeiramente destes indivíduos, fora do digital e das palavras, serão os primeiros a fazer as malas e a partir. Até porque é sempre mais fácil chorar do que assumir as responsabilidades...

 

 

 

(Este espaço esteve parado durante estes dois dias, por uma razão simples: respeito pelas vítimas e pelo luto e também pela necessidade de ouvir, de pensar... Sobretudo quando praticamente todos querem falar, mas poucos querem ouvir...).

 

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