Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



E se na Web Summit...

Houvesse uma Invasão de Vândalos e Faltasse a Água?

por Robinson Kanes, em 05.11.19

René Magritte - La Clef des Champs.jpg

René Magritte - La Clef des Champs (Museo Nacional Thyssen-Bornemisza, Madrid)

Imagem: Robinson Kanes

 

O caminho para o inferno está pavimentado de racionalização.

Robert Sapolsky, in  "Comportamento"

 

Por estes dias andamos "todos" em festa com a "Web Summit", mesmo que, também por cá, seja uma minoria que saiba e se preocupe realmente com isso. O ruído em torno dá a ideia de uma mobilização em massa, nada mais errado. Contudo, é importante percebermos que a tecnologia está aí e veio para ficar, ignorar a mesma é ficar na Idade da Pedra.

 

No entanto, neste país desenvolvido, como seria se no grau máximo do desenvolvimento faltasse a água na "Web Summit"? Desde que não faltasse a internet acredito que muitos conseguiriam sobreviver meses sem água. Mas se faltasse? Se as torneiras secassem mesmo que um ministro afirmasse que havia água para toda a gente e perante provas cabais depois dissesse que afinal nem havia água? Se mesmo em frente o Tejo secasse, por exemplo? Só não nos preocupamos tanto com o Tejo porque em Lisboa temos o Atlântico e não parece existir redução de caudais...

 

Que manobras mediáticas e de comunicação faríamos para dizer que está tudo bem? Chamávamos o célebre Mário Lino para dizer que afinal também a margem norte da região de Lisboa é um deserto? Poderíamos contar com os ambientalistas do costume (Zero e outros.... Ambientalistas?), com os "Verdes" que estão podres nada fazerem, com o PAN que anda a ver se ninguém fala do silêncio deste depois do Estudo de Impacte Ambiental no Montijo e até do Bloco de Esquerda, o anti-capitalista que segue o PAN no Montijo, mas que entretanto é social-democrata apesar de gostar de uma festa bem regada com euros. O que fazer?

 

Também neste país desenvolvido parece que uma prática com anos tem vindo a ser descoberta porque existem pessoas que finalmente perceberam que a tecnologia não é uma feira de vaidades e também está ao serviço da população, sobretudo na divulgação de um país podre social e culturalmente.

 

Parece que as agressões a bombeiros e a vandalização de quartéis já é um hábito de norte a sul com especial incidência a sul, mas só agora chega aos ouvidos de todos (agora com a ocultação de raças, credos e crenças dos envolvidos)... Reina a impunidade neste país desenvolvido, onde se criou um "Fort Knox" para um evento privado, altamente subsidiado, não acessível a todos, pseudo-elitista (embora querem que pensemos que é mesmo de elite), sem envolvimento da comunidade, mas se permite que aqueles que salvam vidas apanhem no lombo perante a total ausência de punição e o silêncio ensurdecedor de autoridades locais, regionais e nacionais.

 

Vivemos num país demasiado evoluído, tão evoluído tecnologicamente que quem tem tecnologia de ponta (e passo a redundância) na ponta dos dedos ainda não tem liberdade, coragem e à vontade para ver que os caudais dos "seus" rios estão a secar e que reina para alguns indivíduos uma espécie de impunidade que ninguém consegue compreender. 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Tejo, Esmond Bradley Martin e a Cidade do Cabo...

por Robinson Kanes, em 06.02.18

methode-times-prod-web-bin-378565f4-0a8b-11e8-a5b3

Fonte da Imagem: https://www.thetimes.co.uk/article/ivory-trade-investigator-esmond-bradley-martin-murdered-in-kenya-k65bltr0r

 

 

Hoje este espaço está de luto... Está de luto porque existe um rio chamado Tejo mas ninguém quer saber... Pelo menos até secar. Quando isso acontecer lá vamos ter os do costume a posar para a fotografia e a dizerem-se muito preocupados com os portugueses, com o discurso do "tudo está a ser feito"! Enquanto assim não for, vamos continuar calados, mesmo que passemos a vida a falar de tudo e de nada quais cataventos que seleccionam as brisas e se escondem de outras que podem retirar votos e "amizades" com interesses óbvios. É mais fácil andar sempre perto dos sem-abrigo, mesmo que sejam só um ou dois, passando a ideia de que em Portugal são aos milhões, do que propriamente falar e agir contra a poluição no Tejo... Não é Sr. Presidente?

 

Mas o "Não É Que Não Houvesse" também está de luto porque foi encontrado esfaqueado, na sua casa de Nairobi, o activista/conservacionista, Esmond Bradley Martin, um dos maiores nomes quando se fala em combate ao tráfico de marfim! Em Portugal, em alguns meios, também acredito que foi uma morte aplaudida.  

 

É a este homem que devemos algum conhecimento acerca das rotas de tráfico de marfim e a protecção em larga escala de elefantes e rinocerontes! A notícia, encontrei-a na National Geographic e na Time e partilho convosco os links. Dou também os parabéns ao SAPO por ter partilhado também esta notícia e ter dado a conhecer a morte deste senhor nos canais de comunicação nacionais - parabéns.

 

Além da chacina destes mamíferos, o tráfico de marfim alimenta dezenas de guerras civis em África, Médio-Oriente e no Sudoeste Asiático, sem esquecer redes terroristas que encontram neste comércio uma forma de financiar os seus ataques e propaganda. Bradley Martin foi ainda responsável pelo facto de muitos países proibirem este comércio e lançarem verdadeiras intervenções no terreno contra esta prática... A juntar a tudo isto, Bradley Martin foi só mais um a ser assassinado, pois estas redes não olham a meios e todos os anos morrem milhares de heróis desconhecidos nesta verdadeira guerra, desde investigadores a guardas dos parques nacionais! 

 

Finalmente, o luto fecha-se com o drama que vive a cidade do Cabo e o primeiro grande alerta em termos de escassez de água em grandes metrópoles! Antes de desenvolver o assunto, sugiro este artigo brilhante publicado no "The Guardian" e que é da autoria de Anne Van Loon, professora e investigadora em "Ciências da Água" na Universidade de Birmingham. É um artigo a propósito desta temática e das consequências que poderá ter para o nosso futuro! Tive oportunidade também, de ler uma notícia no "New York Times" e cuja preocupação passava pelos turistas, nomeadamente, como estes podiam ser afectados! "Que se danem os habitantes, cuidado é com as viagens para o Cabo".

800.jpeg

Fonte da imagem: Associated Press - Bram Janssen 

 

Neste momento, as restrições e as campanhas estão a dar resultados e o "dia zero" está neste momento em 11 de Maio, ou seja, o dia em que a água vai mesmo faltar. Mais interessante ainda, é o facto de muita desta água ter sido utilizada na agricultura, mas também em usos mais luxuosos, como em piscinas, lavagem de automóveis e outros comportamentos que deixam muito a desejar... Não culpem os pobres, a maioria dos habitantes da cidade, pelo desperdício, pois muitos destes abastecem-se em fontes públicas e o consumo não é assim tão elevado. Segundo fontes da Associated Press, os mais pobres consomem apenas 4% a 5% da água!

 

Hoje estamos de luto também porque estes temas não enchem de revolta as redes sociais e a ruas que andam mais preocupadas com programas de televisão, mini-saias, peripécias de clubes de futebol e com o aniversário do Cristiano Ronaldo.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog



subscrever feeds



Mensagens

Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB