Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




monkey_business_by_bhulla_beghal-d4m84x9.jpg

 

Tenho lido cada vez mais “artigos”, sobre a importância dos contactos face, por exemplo, ao envio de Curriculum Vitae.

 

Dizem-nos que é importante ser criativo, é importante sair da multidão e... efectivamente, é bom fazer este ou aquele contacto tendo em conta um objectivo que é chegar àquela posição.

 

No entanto, parece-me que existe, ou pretende-se fazer existir, sobretudo junto de uma certa camada de actores das redes sociais e de seminários, onde se fala sempre do mesmo (e com resultados mínimos), uma vontade de preconizar como única abordagem o “contacto” confundido muitas vezes com o networking (neste caso, tendo em vista a procura de emprego).

 

Tive oportunidade de aferir, num artigo publicado num órgão de imprensa de grande tiragem, o seguinte: “Acabe-se já com o suspense: os especialistas em Recursos Humanos são unânimes em dizer que isso é uma perda de tempo. Quem quer arranjar emprego deve apostar quase tudo nos contactos.”.

 

Falou-se do dinamismo das redes sociais, da importância de se vender a pessoa e de como isso deve ter primazia sobre tudo o resto, tenho para mim que... até sobre a qualidade do trabalho. Mais surreal é ver a defesa e promoção acérrimas dos profissionais de recursos humanos face a esta prática... seria caso para perguntar - se assim for, será necessário a existência de recursos humanos, nomeadamente na área do recrutamento? Estamos perante o indivíduo da bilheteira a defender a máquina de venda de bilhetes...

 

De facto, passar o dia em redes sociais ou a traficar influências (pesado, mas realista) pode ser interessante, mesmo que o trabalho fique por fazer. Para o indivíduo, até acredito que os resultados possam ser melhores do que os resultados daquele que se entrega a 100% ao trabalho.

 

Mas será que é assim que conseguimos bons profissionais? A linha entre contactos, “cunha” e tráfico de influências é muito ténue. Pode existir a diferença entre recomendar alguém que trabalhou comigo ou para mim e é óptimo no que faz (pois tive oportunidade de aferir tal coisa) ou então simplesmente recomendar alguém cuja contratação me traz benefícios a mim e a esse indivíduo numa lógica de troca de favores.

 

Dou um exemplo em que uma conhecida foi contactada por uma profissional de uma empresa de recrutamento e que passo a citar:

 

Recrutador: Olá amiga, como estás?

Candidato: Tudo bem!

Recrutador: Olha, queres ser TOC (Técnico Oficial de Contas)?

Candidato: Mas isso para mim não dá, não tenho experiência nem formação, além disso não é preciso uma certificação?

Recrutador: Pois! Olha, e conheces alguém que queira?

 

A linha é ténue e, como tudo, existem aspectos positivos e negativos e o uso que fazemos dos instrumentos é que comprova a eficiência dos mesmos.

 

Um certo facilitismo (tendência muito em voga), pois os contactos simplesmente vêm ter-nos às mãos, não leva a que esqueçamos elementos básicos de um processo de recrutamento?

 

Esse mesmo facilitismo não leva a que possamos esquecer candidatos que não se movem numa teia de influências e que podem ser excelentes profissionais?

 

Esse mesmo facilitismo não corre o risco de nos levar a deixar de parte candidatos com dificuldades económicas, sociais e até convicções éticas em alguns casos?

 

Fonte da Imagem: http://bhulla-beghal.deviantart.com/art/Monkey-Business-279195885

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


31 comentários

Imagem de perfil

De Melhor Amiga Procura-se a 13.12.2016 às 18:29

Sempre ouvi dizer que um bom contacto é tudo e infelizmente é verdade
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 14.12.2016 às 10:59

Pode ser e resulta, isso é inegável. Cabe a cada um em sua consciência decidir um caminho, até porque não é propriamente crime ter uma "cunha".
Imagem de perfil

De Melhor Amiga Procura-se a 14.12.2016 às 14:34

Ter uma cunha não é crime, crime é escolherem um pessoa sem qualificações para um lugar em vez de outra com as ditas qualificações.
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 14.12.2016 às 14:40

Esbocei um sorriso. Tem razão, sobretudo se for para cargos públicos. Todavia, no sector privado, a escolha final é sempre da entidade que contrata. Podemos é sublinhar que, provavelmente, quem recruta não está a ter em conta o real interesse da organização.
Imagem de perfil

De Melhor Amiga Procura-se a 14.12.2016 às 14:42

Quem contrata, tem em conta outros interesses... Mas no sector privado, muitas vezes pelo que vejo, mesmo que venham com cunha, acabam por não ser contratos, pois não corresponde às "expectativas"
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 14.12.2016 às 19:22

É aí que um bom chefe de equipa ou director tem de ter capacidade para convidar a pessoa a sair. Mas atenção... não são somente os profissionais de recursos humanos que influenciam as contratações.
Imagem de perfil

De Melhor Amiga Procura-se a 15.12.2016 às 17:50

Claro que não são só esses

Comentar



Mais sobre mim

foto do autor



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Mensagens

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog






Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB