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Se nada fizermos, Portugal vai ao fundo!

por Robinson Kanes, em 28.09.20

imperial_war_museum.jpg

London Imperial War Museum

Imagem: Robinson Kanes

 

 

Um chapéu é apenas uma panqueca, posso ir comprá-lo ao Zimmermann, mas aquilo que se guarda debaixo do chapéu, isso já não se pode comprar.

Fiodor Dostoievski, in "Crime e Castigo"

 

Faço uma espécie de plágio de um título recentemente utilizado por José María Gay de Liébana ("España se hunde y no hacemos nada"), um conhecido economista espanhol que olha para a economia de frente e não raras vezes tem de desmentir jornalistas com tiques de economistas.

 

Antes de passar ao conteúdo do artigo, propriamente dito, aproveito para trazer também algumas palavras deste economista que ainda recentemente, admitiu a perplexidade pelo facto de em Espanha se legislar por tudo e por nada ("sobre el pulpo casero, los vuelos de las palomas ciudadanas") e se continuar a ignorar os factos relevantes que, sendo colocados de lado por vias de um certo "atirar de areia para os olhos" levarão Espanha a um estado de calamidade económica dificilmente ultrapassável. Por momentos, parece que estamos a falar de Portugal...

 

O dinheiro das bazucas (e como ainda não digeri esta espécie de mendicidade e orgulho no dinheiro alheio) continua sem ter um destino, aliás, muito deste dinheiro está já destinado ao Estado, às políticas sociais (um jargão para camuflar o desconhecimento da aplicação dos fundos). Ninguém sabe para onde vai e também ninguém parece estar interessado. As crises serão constantes, o mundo dos "30 anos dourados" já não existe há muito e os períodos de prosperidade serão cada vez menos duradouros o que provocará o colapso de muitos economias e, na hora de decidir, só aqueles que melhor se adaptarão e melhor uso farão das divisas, serão os felizes contemplados com apoios europeus. A solidariedade europeia tem um limite e a aprovação deste último pacote já mostrou que a Leste, a Norte e até no Centro da Europa são muitos os que não pretendem assistir ao sorver destes mesmos fundos por Estados que não fazem uma utilização criteriosa destes. Como cidadãos, todos devemos exigir uma explicação da aplicação dos fundos e inclusive a demonstração dos resultados numa base diária, como se tem feito (em meu entender já em demasia) com os briefings diários da Direcção-Geral de Saúde. É assustador perceber que a maioria dos portugueses ainda não está verdadeiramente preocupada com a situação do país, os paliativos estão a ter o seu efeito... A crónica ausência de visão estratégica, vamos ser positivos, depois logo se vê, tudo em prol da Justiça Social - o novo conceito que ninguém sabe explicar mas é óptimo para colocar tudo no mesmo saco e fugir às responsabilidades. 

 

Este é o momento para também despertarmos como país, para percebermos os milhões que são desperdiçados em subvenções quer para causas sociais, associações inúteis e misericórdias, quer para organizações empresariais que fazem mau uso destas, quer para o erário público onde se incluem autarquias e para um sem número de interesses públicos e privados que nada trazem de bom para um país. Temos de saber dizer não! Temos de saber aplicar todos estes fundos e exigir um caderno de encargos, não podemos gastar milhões em elefantes brancos e milhões em associações que por ano realizam uma exposição para os pobrezinhos! Temos de exigir resultados. Temos de perceber porque é que todos os dias encontro sempre a alguém que diz estar em layoff mas continua a trabalhar e a empresa a receber fundos de todos nós! Estes fundos não são para ser aplicados na compra de Porsches que transformaram uma das regiões mais pobres da Europa naquela que mais concentração tinha de veículos topo de gama, o Vale do Ave.

 

Portugal tem também de perceber a quantidade de posições inúteis que tem na função pública e eliminar as mesmas! Pode começar pela reconversão, pois existem áreas (também públicas) onde os recursos podem ser bem aplicados! Não faz sentido ter 10 administrativos que passam o dia a jogar solitário a beber cafés num departamento camarário que emite um processo por mês e num hospital estarmos a precisar de auxiliares! Temos de também ter coragem de eliminar postos de trabalho se assim tiver que ser, não podemos é permitir que muitos inúteis assalariados pagos com os nossos impostos continuem a assobiar para o lado porque o seu emprego está intacto. Também no sector privado temos de ser sérios, e a pandemia veio demonstrar que existem também muitos empregos improfícuos! Muitos destes empregos vão sendo mantidos porque os salários são baixos e porque são muitos os empresários que gostam de ter o "escritório" cheio porque dá a ideia de que se é uma grande organização! São os mesmos em que tudo pode faltar na organização, menos o papel e a impressora!

 

Temos também de deixar de destruir os óptimos recursos humanos que temos! Não podemos exportar indivíduos que são brilhantes e dariam tanto a este país! Não podemos, temos de lhes pagar, de os acolher. Não podemos deixar estes indivíduos fora do mercado de trabalho ou contratar os mesmos prometendo uma carreira brilhante e encostá-los a um canto, porque ainda temos a mentalidade da courela! Não podemos ter anúncios de emprego (quando os há) onde seja para que área e posição forem, parecem copy-paste uns dos outros e recrutadores obsoletos, inoperantes e que tremem sempre que um CV não segue o Europass. Não podemos deixar que candidatos que se dirigem a uma entrevista de emprego sejam negligenciados porque são inovadores, descomplicam, abanam o status quo e cometem o "erro" de perguntar quais são os objectivos da organização para aquela posição - pergunta que nunca tem resposta! Não podemos preterir candidatos que mostram aquilo que valem e ouvem a resposta do "o bom aqui sou eu, era só o que faltava". Temos de nos rodear dos melhores, temos até de permitir que o nosso lugar mais tarde possa vir a ser ocupado por esses mesmos indivíduos - não temos de ser dinossauros nas mesmas organizações anos e anos a fio. Não podemos olhar para altas taxas de turnover em determinados departamentos com a ideia de que todos os que lá passam são maus e o dinossauro que ocupa a posição de chefia é que é bom porque já ocupa o cargo há mais de 10 anos! O problema não está nos soldados está no general!

 

Precisamos de trabalhar as nossas soft skills, a nossa cidadania e isso não se faz só com uma acção de formação. Temos de incorporar novos ensinamentos e não darmos a desculpa do "mas sempre foi assim" ou do "aqui não resulta" ou ainda do "é cultural". São raros os casos de fintas que são feitas a headquarters localizados no exterior para que não se descubram certas manhas internas. É preciso abrir para o mundo e isso não se faz com uma viagem barata àquele ou a este país! É preciso levar o cérebro e não só a máquina fotográfica!

 

Nas universidades temos de perceber o que importa e o que não importa. Só um tolo não percebe que num país tão pequeno existem universidades que nunca mais acabam e que são também um sorvedouro de dinheiros públicos, um palco para académicos e algumas delas com cursos inúteis e em muitos casos sem qualquer relação com o mercado de trabalho. Temos de apostar também no ensino técnico e pré-universitário, mas depois não podemos pagar o salário mínimo a técnicos não superiores mas altamente qualificados. Não podemos dizer que o país evolui como nunca porque entraram 51 000 alunos em cursos superiores... Entrar é fácil e actualmente até tirar um curso superior, em muitas áreas, se consegue de olhos fechados, o problema vem depois.

 

É preciso dizer basta também à elevada carga de impostos, nos salários não é excepção e a culpa não é só dos patrões (em Portugal ainda dizemos patrões...). Não podemos permitir duplas tributações como acontece no imposto automóvel, mas a sede de ter um carro novo é maior que a sede de exigir direitos e deveres! É essa sede que contribui para a fome do futuro.

 

Também temos de ouvir os melhores, temos de saber onde eles estão, e esses não andam só nas revistas, nas redes sociais e nas televisões... Não andam em publicações com artigos pagos, em trocas de favores ou a receberem prémios pagos. A título de exemplo, existe um indivíduo que na área dos recursos humanos tem construído carreira com prémios em anos que as organizações por onde passam fazem greves a todo o momento e os casos de escandaleiras são uma realidade. Temos de perceber onde essa gente, temos de colocar esses cidadãos num grupo à parte e aproveitá-los como nos diría Platão, não podemos é deixar que a mediocridade se associe a mais mediocridade e produza ainda mais mediocridade.

 

Os líderes deste país não podem ser fabricados nas redacções de jornais e televisões, não podem ser fabricados em juventudes partidárias, não podem ser fabricados no corporativismo e em rascas maçonarias que crescem em todas as áreas, devem ser desenvolvidos e encontrados na praça pública, com base nos seus méritos e no acompanhamento de grandes líderes, comprometidos com o bem-estar dos seus, pois daí advém também o seu bem-estar. Tudo isto é complexo e não é com horas ilimitadas de trabalho... Falando em horas ilimitadas, o nosso desejo de dizer sempre que estamos a trabalhar, que trabalhamos horas e horas a fio, que estamos sempre em reuniões e calls e que no final não se converte em ganhos. Façamos só 10% do muito que vemos apregoar aqui e alí, e provavelmente teremos um país melhor, quebremos os tabús, falemos frontalmente dos problemas - é daí que vem o sucesso das soluções - e façamos com que as obras de Eça sejam mesmo passado e não actualidade, deixemos que os relatos de Raúl Brandão das invasões francesas não sejam um podre Portugal que ainda hoje ali se revê e que a mulher de Junot não fuja para França em estado de choque. E Junot que não era propriamente um cavalheiro...

 

Deixemo-nos de acomismes, de negar este mundo numa espécie de esperança num futuro brilhante. O futuro não será brilhante e só a capacidade de hoje nos prepararmos bem para o amanhã fará com possamos garantir mínimos de bem-estar para todos. Não deixemos que as distracções e uma ideia de aparentemente estarmos muito à frente nos faça desistir de nós próprios - baixemos o ego (que disfarça instabilidade e insegurança) provinciano. Como nos dirá Raghuram Rajan, "people innovate when they are confident that they can question, when they are open to more radical changes and when they do not fear reprisal for it".

 

Finalmente, paremos de olhar para a corrupção como uma coisa normal! A corrupção é um atentado aos Direitos Humanos, mas fica sempre a sensação de que em cada português há sempre alguém com uma espécie de esquema ou telhado de vidro. Temos de exigir mais da nossa política e da nossa Justiça, a mesma justiça que agora parece estar descredibilizada porque o futebol e outras reais instituições do reino dominam os cérebros tacanhos que vivem a semana à espera do circus maximus. Continuam-nos a cuspir na cara, começa na Presidência da República  (paternalismo é inimigo da liberdade e da Democracia) e vai por aí abaixo, passa pelos juízes até indivíduos que se riem de nós em plena Assembleia da República. Lutar contra esta é populismo, é agora o argumento do quadrante político da direita à esquerda.

 

Também na cultura temos de olhar para a frente, valorizar quem trabalha nesta, colocar a mesma ao serviço da sociedade e deixar de entender esta apenas como um canal para mais e mais subvenções. Um agente de cultura não tem de viver do Estado, tem de procurar vender o seu trabalho numa sociedade que também tem de apreciar o que de bom se faz nas artes. Temos de perceber como é que podemos trazer as pessoas, porque até mesmo o mais iletrado é capaz de apreciar Ibsen ou Picasso, precisamos é de sair do topo da intelectualidade onde esse mundo desenvolvido só é compreendido por nós, temos de ter uma cultura sem vícios e também ela um corporativismo em muitas situações, sempre os mesmos rostos, sempre os mesmos temas... Exigir a liberdade de ter uma peça "Catarina e a beleza de matar comunistas" e não apenas "Catarina e a beleza de matar fascistas"... Sempre os mesmos, sempre os mesmos temas e sempre as mesmas incompatibilidades... Afinal, um director de um teatro nacional, usa este como divulgador da sua obra e da sua ideologia (por sinal condenada pela União Europeia) com tudo o que de bom para este daí advém, esquecendo-se das palavras de Vergílio Ferreira que afirmava que ser artista era esgotar o instante que nos coube.

 

Tudo isto não é técnico, pois é fácil erguer uma fábrica ou transformar um país em termos de infraestruturas, difícil é mudar o comportamento e fazer com que as coisas acontençam... Em termos de mudança de comportamento, muitos o tentam, sobretudo ultimamente, mas com objectivos políticos e corporativistas, alicerçados em hypes e desinformado uma sociedade que mais facilmente é manipulada quando assim é e orgulhosamente se acha muito informada.

 

Depende de cada um de nós, e caramba... Para chegarmos aqui já foi tanto o sangue que correu, já foram tantos aqueles que descendendo das famílias de Altamira procuraram e morreram para que hoje estejamos num patamar de evolução nunca antes visto, façamos uso disso e mostremos que as conquistas e os erros dos nossos antepassados, não foram em vão!

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46 comentários

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Anónimo a 28.09.2020

Texto digno de publicação nacional e, arriscaria mesmo, internacional. Mas não te iludas, Robinson: abanar e "chocalhar" o "status quo" é um risco que poucos querem correr, sobretudo em Portugal, onde os cidadãos são bons críticos à mesa do café mas não se erguem para defender o seu próprio bairro, que fará o grande (pequeno, pequeníssimo...) rectângulo...
Também em Espanha se verificam estes corporativismos de que falas, é certo. Em Portugal, porém, é-o sempre a esta escala de quintas e quintinhas. Todos querem ter o seu "império" e não têm abertura nem mentalidade para deixar alguém (por vezes bem mais competente e preparado) entrar.
Há dias, um profissional extraordinário que conheci há uns anos (um dos melhores na sua área, mas tão discreto que foi ultrapassado pelas "estrelas" criadas em 5 minutos), confessava-me com tristeza que já tinha pensado sair do país nos últimos anos. E de novo uma indisfarçável amargura tomou conta de mim: caramba, por que carga de água tratamos tão mal os nossos melhores e, ao mesmo tempo, consumimos tanto de tão pouca qualidade que vem de fora?... Por que razão tomamos como melhor o que aparece nas televisões e nas redes sociais, sem questionar o mérito ou o trabalho efectivamente realizado por estas pessoas?...
Muitas mais inquietações me levantou o teu texto. 😌
Obrigada por mais esta fantástica reflexão e boa semana.
GC
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Robinson Kanes a 28.09.2020

Nacional não é com toda a certeza, tenho noção daquilo em que me estou a meter :-)

Agradeço que tenhas corrido o risco de vir aqui comentar, afinal, também tu já fizeste a diferença, conseguiste mudar mentalidades e ainda hoje te reconhecem lá fora como alguém capaz de fazer muito.

Espanha está a passar uma fase complexa, a economia, a política (aliás, a monarquia começa a estar sob fogo cerrado por parte de uma ala minoritária no Governo onde até já um ministro veio dizer a público que o Rei não deveria mais ir à Catalunha). Espanha está a ferver, espero que não ferva mais, por lá já há muita gente a exigir mudanças... E o povo espanhol não é sereno (acomodado).

Como tu, tenho escutado casos como esses, provavelmente sair é sem dúvida a melhor solução, por muito que isso possa custar ao país. Na verdade, e lembrei-me a propósito desse testemunho, ainda um destes dias, um criador de "influencers" e personagens "mediáticas" criticar aqueles que ele e outros como ele criam, dizendo que era um perigo opinarem sobre coisas tão sérias (não importa o quê). Estaremos a assistir a mera hipocrisia ou a uma verdadeira mudança, não sei...

As inquietações fazem-nos questionar, isso é bom... Ainda me lembro de um professor aquando do Mestrado que iniciava sempre as aulas com "quero ouvir as vossas inquietações para poder começar a aula".

Obrigado eu por tão ilustre presença :-)
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Maria Araújo a 28.09.2020

"quero ouvir as vossas inquietações para poder começar a aula".
grande professor!
urgem pessoas destas.
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Robinson Kanes a 28.09.2020

Bem, depois espalhava-se noutros campos. :-))))
Passei ao lado de uma tese brilhante por pressão da instituição para não seguir esse caminho, e já foi num segundo curso... Deveria ter ido até ao fim, mas pronto...
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Maria Araújo a 28.09.2020

"espalhava-se"
quem não se espalha até nas mais pequenas coisas e um bom exemplo está em quem nos representa.
é ver e ler nas notícias( algumas)
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Maria a 28.09.2020

Fabuloso!
Já esta nos favoritos e reemcaminhei a umas tantas pessoas . Um pecado não ser lido !

Excelentes comentadores e criticos no sofá. Na hora de agir, que canseira! Alguém que o faça por nós.
Há tanta bola para discutir, tantos reality show para comentar.

O pais continua feliz a viver do dinheiro alheio, como sempre o fez , desde os descobrimentos.

Continua a apostar tudo no lucro imediato, como o turismo. Acontece uma pandemia começam os lamentos. Qdo tudo voltar ao normal, nao serviu de lição.

A tal aguardada bazuca, será , certamente, um fartar vilanagem para um pequeno clube de amigos.
Boa semana, Robinson
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Robinson Kanes a 28.09.2020

Obrigado, Maria. Mesmo muito obrigado pelas palavras...

Efectivamente denoto um total desinteresse... Ou então sou eu que ando alucinado. Falei nas invasões francesas mas uma das realidades é que alguns dos apelidos da praça, descendem das famílias que deram o ouro do Brasil aos franceses para não sermos invadidos e outros que encheram as naus e se "piraram" para o Brasil :-)


Temo que não sirva mesmo de lição, isso já se nota no cidadão comum, é isso que receio, sabe...

Temos de exigir que as cargas da bazuca sejam bem inspecionadas, temos mesmos, a bem do país e de todos nós, no fundo.

Obrigado, mais uma vez, Maria,

Boa Semana,
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/i. a 28.09.2020

de pé.
Subscrevo tudo. Portugal e a maioria das suas gentes estão muito bem analisadas.
Autêntico serviço público.
Boa semana. Começa bem...
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Robinson Kanes a 28.09.2020

Obrigado! Obrigado! Obrigado!

Sim, esta semana promete, até ao fim da mesma ainda tenho uma bomba no Porsche ahahahaahah
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Maria Araújo a 28.09.2020

Robinson, vou enviar este texto para todos os meus contactos.
Excelente!
O Sapo devia pô-lo em grande destaque e na página principal, das notícias.
O futuro tem de ser vosso, não de políticos e influencarscaducos.
Beijinho
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Robinson Kanes a 28.09.2020

Obrigado, Maria... Espero que nenhum tenha caçadeiras de canos cerrados em casa :-)))))))

As coisas têm de mudar, o actual estado da arte ainda não nos mostrou os desafios, acreditamos no "tudo se resolve", mas não estamos a encarar tudo isto como um aviso. Sou um pessimista-optimista, e acredito que é preciso fazer algo realmente e isso começa em cada um de nós, sem grandes empreendimentos, basta mudarmos, em muitas situações, pequenas coisas na nossa forma de estar - e contra mim falo.

Obrigado e um beijinho

P.S.: o Sapo ou outros "noticiários" devem zelar pela minha vida, já viu com tantas armas ilegais por aí espalhadas, o que me pode acontecer ahahahahahahahah
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Maria Araújo a 28.09.2020

Há muito que as coisa têm de mudar, mas acomodamo-nos, esperamos que sejam outros a fazer por nós( e Robinson tem feito muito).
Zelar pela sua vida?!
Publicassem e zelariam pela vida de todos os que na verdade querem que tudo o que é mau neste país, acabe.
Entretanto, já enviei o seu texto para todos.
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Robinson Kanes a 28.09.2020

Podia fazer mais, sou o primeiro a assumir, até porque ainda me encontro num processo de aprendizagem... E isso também nos arranja muitas cicatrizes :-)

Acima de tudo, penso que é importante corrermos o risco de falar das coisas como elas são, mesmo que, em alguns pontos, estejamos errados, mas falemos, dissequemos, encontremos o problema e passemos à acção. Mas em algumas culturas parece ser uma coisa tão complexa, sobretudo naquelas onde todos são o máximo.

Obrigado, Maria,
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Maria Araújo a 28.09.2020

e o tuga sempre teve a mania que é o máximo...são os tais patrões alguma geração nova das tais startups
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Robinson Kanes a 28.09.2020

As "startups" pelo menos uma maioria, foi um "hype". Umas vingaram, outras continuam a trilhar o caminho de aparente sucesso carregadas de dívidas, na esperança de triunfarem, assim espero que aconteça... Outras, a maioria falhou, o antídoto da "startup" falhou, o romper total com alguns instrumentos falhou e em alguns casos estamos perante uma "startup" com uma mentalidade "old school" e no longo prazo não se é inovador só porque se aparece de T-shirt e barba por fazer.

Depois ainda existem aquelas associações e até algumas organizações que vivem de apoiar o empreendedorismo e o "startupismo" e de sorverem também alguns fundos, mas isso é tema para outra conversa... :-)
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Maria Araújo a 28.09.2020

"outras continuam a trilhar o caminho de aparente sucesso carregadas de dívidas"

"Depois ainda existem aquelas associações e até algumas organizações que vivem de apoiar o empreendedorismo e o "startupismo" e de sorverem também alguns fundos"

Encontrou a definição certa para o que eu penso... e eu não sei como estas funcionam.
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Robinson Kanes a 28.09.2020

Tema para outras paragens, mas que há muita gente a ganhar dinheiro com o empreendedorismo dos outros, não tenha dúvidas. Muitas dessas associações não só têm uma base política "oculta" como são criadas para captar esses mesmos fundos..
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Maria Araújo a 28.09.2020

* influencers caducos
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Maria Araújo a 28.09.2020

Cortam-me a cabeça?
Já sou cota.
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Robinson Kanes a 28.09.2020

ahahahahah

Não é nada... Olhe, enquanto alguns jovens já desistiram do Verão, sei de alguém que para os lados de Fão ainda aproveita umas boas almoçaradas junto à praia :-)
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Maria Araújo a 28.09.2020

Ahahahahahah!
Fui abrir as portas da casa da praia (que não é minha).
E que bem soube.
A vitamina D que preciso, foi ontem bem absorvida para o tempo frio.
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Robinson Kanes a 28.09.2020

E a cota é a Maria?
Está bem... :-)
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Maria Araújo a 28.09.2020

Esqueci de dizer que aquele lugar tem uns restaurantezinhos com ementa apetecível.
A Rita Fangueira é um deles.
Ontem, fui buscar para almoçarmos em casa( da paria)
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Robinson Kanes a 28.09.2020

Nunca lá fui mas fica registado. Gosto do Foz do Cávado :-)
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cheia a 28.09.2020

Muitos parabéns! É pena que seja chover no molhado, porque este país está bloqueado pelo partidarismo, que não quer solavancos. Já perdi a esperança de ver um país desenvolvido com base na competência.

Um abraço,
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Robinson Kanes a 28.09.2020

Partidário e muitas dependências e expedientes... Mas está tudo perfeito...
Eu tenho esperança, mesmo estando a equacionar uma mudança :-)
Abraço,
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Alice Alfazema a 28.09.2020

o problema é mesmo esse "depende de cada um de nós" e caramba há muito comodismo, somos um país de gente sentada, de mundos pequeninos e estranguladores. E é muito difícil sairmos desse registo, ainda vai levar algum tempo. E tem de haver gente brava que desbrave esse caminho. Tens potencial. Acredito que colocar gente incompetente em lugares chave é uma mais-valia a curto prazo, pois são mais fáceis de manipular, entretanto isso revela-se naquilo que referes ao longo do texto. Vive-se muito de troca de favores, não basta seres bom profissional, para além disso tens de ter algo que troques, e geralmente essa troca não é aliciante para quem não vende a sua dignidade. Assim, parece que paira no ar uma ameaça quando a pessoa é criativa e questiona os seus direitos, ou quando não se apresenta formatado numa entrevista e ainda quando propõe alternativas ou refere as suas razões. Há muito quem não saiba fazer a mesma coisa de diversas maneiras, ou que não saiba ver o mesmo resultado, mas num contexto diferente.

Boa semana Robinson. :-)
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Robinson Kanes a 28.09.2020

Mundos pequeninos e estranguladores, chega a ser sufocante para muitos.
Sabes, a questão do vai levar algum tempo já tem muito que se lhe diga, ao contrário do passado, "time is running out". Já não há tempo para mantermos o messianismo sebastianista.

Sei o que é não vender a alma ao diabo. As conquistas que se têm e as cicatrizes que também deixa, não falemos disso :-))))

Obrigado, Alice e uma boa semana,
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imsilva a 28.09.2020

Grande debate que para aqui houve. Sentei-me na 1° fila e aplaudi. Não tenho coragem de acrescentar mais nada.
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Robinson Kanes a 28.09.2020

Muito obrigado :-)

Traz sempre coisas novas, sem receios :-)
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Marques Aarão a 29.09.2020

Segue requerimento para transformar este texto em carta aberta endereçada. Obrigado
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Robinson Kanes a 29.09.2020

Esteja à vontade, é público e qualquer um pode usar :-)
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Marques Aarão a 29.09.2020

Já está. Peço desculpa por alguma falha na transcrição
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Figueiredo a 29.09.2020

«...Temos também de deixar de destruir os óptimos recursos humanos que temos...»

Precisamente, e isso passa por acabar com a lei infundada e estúpida que dita a escolaridade obrigatória até ao 12º ano, e impõem o desemprego e a miséria aos cidadãos trabalhadores que se encontram nas faixas etárias dos 30/40/50 anos simplesmente porque quando nasceram a lei definia a escolaridade obrigatória até ao 9º ano ou até menos.

Já aqui comentei sobre esta questão, mas volto a fazê-lo porque é inadmissível que homens e mulheres com experiência laboral comprovada e inclusive com formação certificada em diversas áreas, sejam empurrados para o desemprego porque não possuírem o número 12 (12º ano) escrito num papel.

Estamos a chutar para canto, milhares de trabalhadores(as) com elevadas qualidades, que são ao contrário do que se diz, as verdadeiras gerações mais bem preparadas de sempre.
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Maria Araújo a 29.09.2020

"Estamos a chutar para canto, milhares de trabalhadores(as) com elevadas qualidades, que são ao contrário do que se diz, as verdadeiras gerações mais bem preparadas de sempre."

Sem dúvida.
E muitas destas pessoas, e outras com mais habilitações, acham que os filhos devem seguir a universidade, porque é giro mostrar aos outros que os têm lá, mesmo que não estes tenham apetência/competência para tal.
Há os cursos profissionais que parecem ser para os coitadinhos, e enquanto não se mudar esta mentalidade, também não teremos profissionais à medida.

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Figueiredo a 29.09.2020

Disse tudo.

Relativamente aos cursos profissionais temos um problema em Portugal, é que os mesmos decaíram por completo na qualidade e conteúdo, existindo por de trás da «formação profissional» um esquema duvidoso, direi mesmo obscuro, que não está preocupado em formar cidadãos trabalhadores em diversas áreas profissionais sejam elas de maior ou menor envergadura, maior ou menor complexidade, mas sim em garantir que o dinheiro dos cidadãos que financia o Orçamento do Estado (OE) chegue aos que fazem parte desse esquema.

No meu entender, os cursos profissionais precisam de levar uma reforma, a duração dos mesmos tem de ser revista pois não faz sentido ter cursos de 2 ou 3 anos preenchidos com disciplinas inúteis que só acrescentam palha.

A selecção dos formandos (menores ou adultos) deve ser efectuada através de testes psicotécnicos por forma a encontrar a pessoa certa para a profissão/especialidade certa.

Se houver dúvidas em como se faz, perguntem ao Exército que eles explicam.
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Maria Araújo a 29.09.2020

Uma grande verdade.
O meu pai tinha uma empresa metalúrgica, bons profissionais trabalharam lá, todos frequentaram a Escola Técnica, assim chamada na época.
E nada era financiado.

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Robinson Kanes a 29.09.2020

Um mau "screening" e um mau "recruiter" são o passo ideal para que isso aconteça. Por acaso, até temo que o Figueiredo esteja a ser ingénuo e não esteja a ver que em muitas organizações a questão nem é o 12º ano mas a idade... Quando terminei o curso (e não foi assim há tantos e tantos anos) ouvia dizer que a partir dos 50 e se saísse do mercado não teria mais emprego, no espaço de dois anos, já ouvia os 40 e muito recentemente, aliás, ainda há um mês voltei a ouvir, acima dos 35 é já poder estar condenado ao fracasso...

Analisar perfis e recrutar dá muito trabalho e muitos recrutadores e organizações não dão prioridade a esse aspecto, o tempo. Os motivos são vários, externos e internos... Mas ainda mais que isso, meu caro: são as cunhas e as referências mascaradas de cunha e o cancro está mesmo aí e até nas empresas de recrutamento em que alguns consultores a troco de favores e de contratos prometem ganhos futuros na eventualidade de ficar sem emprego ou tentar mudar...
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Figueiredo a 29.09.2020

Ingénuo não, simplesmente faço referência a algo que a maioria das pessoas tenta ocultar, e sabe porquê? Porque essa palhaçada da escolaridade até ao 12º ano (para além de infundada é estúpido) é nada mais nada menos que propaganda/agenda política recheada de hipocrisia, e infelizmente um requisito que a maioria das empresas exige.

Na Alemanha a escolaridade obrigatória são 9 anos, como já foi em Portugal, e tem efectivamente resultados extraordinários ao contrário do que aqui se passa desde 2009, infelizmente.

Concordo a 100% com o que escreveu porque já vivi na pele todas essas situações.

«...ouvia dizer que a partir dos 50 e se saísse do mercado não teria mais emprego...»

Permita-me este aparte, não sou velho, mas isto que escreveu fez lembrar-me quando andava na escola, e todos aqueles que nasceram até à Década de 1980 do Século XX, recordam-se perfeitamente de ouvir os pais e professores dizer que os rapazes se não cumprissem o Serviço Militar teriam muitos problemas em arranjar emprego e era verdade, sendo que esta realidade se manteve até 2008 momento em que este país (que já funcionava mal) entrou na recta final do seu declínio.

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Robinson Kanes a 29.09.2020

O ensino técnico na Alemanha é uma verdadeiro exemplo de sucesso e já com algumas tentativas bem sucedidas de importação por cá...

Queremos acompanhar muito bem o nível de formação na Europa, mas nem que seja à força da formação, independentemente dos resultados, será?

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