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Recursos Humanos: "Jobs for the Boys".

por Robinson Kanes, em 07.11.17

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Fonte da Imagem: http://www.npr.org/2016/11/15/502250244/to-make-the-godfather-his-way-francis-ford-coppola-waged-a-studio-battle

 

 

Deve ter cuidado. Ser um homem honesto é perigoso. 

Mario Puzo, in "O Padrinho"

 

 

Há muito tempo, remeti esta carta a um Director de Recursos Humanos para Portugal de uma multinacional:

 

Bom dia, Estimado C.,

 

Espero que este meu email o encontre bem, e escrevo em português porque sei que domina a língua como ninguém. Poderia fazê-lo em francês, mas porque não utilizar a língua do país em que está.

 

Este meu email,vem no seguimento de uma apresentação que vi sua onde mostrou a importância de detectar talento na "X" e a sua visão sobre essa área, gostei imenso da parte da "servidão" em relação à chefia, sobretudo porque sempre tive uma relação aberta com as minhas chefias e isso sempre foi interessante, não fossem muitas delas estrangeiras. Mas enfim, os portugueses gostam de servos e aí eu não me encaixo.

 

Espero também que o rigor de recrutamento da "X" seja esse que aponta. Sabe, não sou adepto do networking e muito menos do personal branding e se tenho LinkedIn foi porque começou como trabalho e lá foi ficando. Para mim não, mas entendo a importância que as redes sociais têm em termos de mercado, talvez por isso as trabalhe, mas não me deixe contagiar, sim não tenho uma vida propriamente feliz para lá expor. Digamos que networking em termos de RH é o novo nome para "cunha/compadrio" espero que perceba o que digo. Perdoe-me, mas sou daqueles que acredita no trabalho e mais do que em competências técnicas (muitas vezes empoladas), acredita nas competências "soft" ou se quiser "sociais".

 

Sim, também já me candidatei várias vezes à "X" via "black hole" dos HR, o recrutamento online por candidatura espontânea, ou seja, aquele em que acreditamos que um dia alguém vai olhar para a nossa candidatura mas... "nunca" olha.

 

A minha questão é simples: não sendo adepto de networking pessoal, nem de grandes favores deste e daquele, como é que é possível nos dias de hoje ser reconhecido no mercado de trabalho? Sobretudo porque já poderia ter um CV ainda melhor se tivesse cedido à tentação dos favores.

 

Espero também, que nessa sua leitura, os seus colaboradores também um dia possam olhar para o meu CV e dizer: "bem, este indivíduo merece pelo menos uma oportunidade".

 

Um Abraço,

 

"Robinson Kanes"

 

 

A verdade é que tive uma resposta bastanto positiva, pois o C. respondeu-me e pediu-me uma data e hora para agendarmos uma reunião. Todavia, o C. copiou o responsável de recrutamento daquela organização, a típica chefia intermédia portuguesa. A partir desse ponto as coisas alteraram-se, a resposta tardou e só foi obtida com o seguimento que fiz a posteriori. Dois dias depois, pelas 14h, recebo finalmente um email do responsável de recrutamento que me faculta um número de telemóvel e me pede para falarmos às 15h... Deduzi que a reunião presencial ficara sem efeito e que quem estava ao comando era agora o indivíduo que me contactava e assim com aquele espaço temporal, varria a situação para debaixo do tapete. Aliás, a forma como agendou o contacto era claramente para boicotar a reunião. Por sinal, acedi ao email antes das 15h. Vamos chamar-lhe E.

 

O E., estava no perfil de LinkedIn como se tendo formado numa área e ter começado a carreira pela porta grande numa outra totalmente diferente. Confesso que pensei de imediato que iria falar com a pessoa errada, e assim foi... Estas coisas cheiram-se.

 

Perante as minhas questões a resposta que obtive foi "oh Robinson desculpe, eu recebo muitos CV por dia, acho que tenho tempo para ler algum? Agora só referências ou contactos, não tenho tempo para ver CV e alguém com a experiência que você já tem se não o fizer ninguém o chama". Sempre pensei que o screening fosse uma das principais funções de um recrutador, mas pelos vistos não, as relações públicas (privadas?) são agora uma das suas mais extensas funções. Mas este indivíduo foi mais longe: "o mercado é assim, ou você se adapta ou já era, sem contactos que o coloquem aqui e acolá nunca vai arranjar emprego. Tem de pensar que os amigos são quem melhor o conhece e melhor o pode ajudar" ou então pode sempre abordar no LinkedIn e pedir-me! Muitos não fazem isso, mas eu faço muito, vejo os contactos que a pessoa tem também e nunca se sabe".

 

Finalmente, questionei: "então e as ofertas que colocam no V/site?". A resposta foi de que não havia tempo para olhar para as mesmas. Ainda pensei porque é que se faziam campanhas para atrair talento para aquela organização (até porque a mesma se gaba da transparência e por ser óptima a atrair talento), mas apercebi-me que estava a falar com um corrupto e não iria mudar a opinião do mesmo.

 

A conversa ficou por ali, até porque o E. já tinha em mente dar um salto para uma outra organização empresarial, algo que acabei por saber semanas depois. A verdade é que desisti daquela conversa, era uma luta que não faria sentido, pelo que, optei por boicotar as marcas vendidas pela organização. Vem este texto bem a propósito de mais uma recente notícia em que o interesse, neste caso do país, é posto em causa, quando os amigos são os preferidos para ocupar cargos de responsabilidade, e assim vai a ANPC (Autoridade Nacional de Protecção Civil).

 

Lembram-se da carta aberta que enviei a um director-geral de uma empresa de recursos humanos? Tive resposta. Uma resposta cordial, acompanhada com um pedido de desculpas (corporativo e pessoal) e com uma promessa do próprio em iniciar uma investigação interna para detectar estas más práticas que, segundo o mesmo, não vão de modo nenhum ao encontro do que é defendido na organização. Por motivos óbvios, não colocarei aqui a resposta completa sob pena de deixar transparecer a organização em causa.

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2 comentários

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Terminatora a 08.11.2017

Bom dia.

Não me espantei nada com a forma com terminou o seu artigo e com a resposta que lhe deu o E.. Lembra-me todos os sítios pelos quais já passei, toda essa lengalenga para embelezar / tapar os olhos a quem passa "na rua".
Recordo-me também de uma vez ir entregar currículo a uma loja, há muitos anos, e a vaga estava já preenchida. E eu perguntei acerca do anúncio na porta, porque não o retiravam? Explicaram-me que a vaga estava já preenchida antes do anúncio sair. Só que devido às políticas do espaço, era obrigatório manter o anúncio na porta durante um mês. Além de um desperdício de tempo, papel e esforço, é uma completa estupidez "abrir a vaga" se esta já está preenchida.
Tal como também li comentarem aqui, muitos anúncios realmente não existem. Tive a prova disso na altura, mas fiquei de queixo caído com a explicação. Fico perplexa, triste e revoltada de saber que há muitas pessoas que não são seleccionadas por aquilo que realmente valem. O que conta, como bem descreve, é o rol de contactos. Uma forma fácil e rápida de obter informações.

Nunca tive LinkedIn, nunca me interessou. Mas eu sou um bocado do contra. Sempre que há algo na "berra" ou que toda a gente quer / vê, eu não me interesso. Já me tentaram convencer por exemplo a ver Guerra dos Tronos, algo que se fala imenso por aí (facebook, que é o que tenho) e não tiveram sucesso... E não me convencem de nada que seja o último grito, não vale a pena :)

Continuações de um bom dia :)
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Robinson Kanes a 08.11.2017

Boa tarde,

Essa história que conta é mais uma entre muitas. É ridículo e revela uma falta de respeito pelos candidatos que, muitas vezes, são também clientes...

Sim, existem anúncios que são mero marketing, algumas empresas de recrutamento fazem-no para passarem a mensagem de que são muito requisitadas. Outras vezes procuram abastecer bases de dados que por sua vez são vendidas a terceiros...

LinkedIn tenho... Guerra dos Tronos, nunca vi. Não é o meu estilo, pelo que nem vale a pena tentar.

Votos de uma óptima tarde,

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