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Quando a Raridade é Normalidade...

por Robinson Kanes, em 12.12.17

Drowning.jpg

Fonte da Imagem: http://integritas360.org/2016/02/why-anti-corruption-programmes-fail/ 

 

Esta é aquela parte em que, de garrafa na mão, percorro as ruas aos gritos e digo "eu bem dizia, eu bem dizia"... Senão vejamos:

 

Solidariedade... Uma visão mercantilista do conceito?

ONG, bom ou mau?

Empreendedorismo Social e o Paradoxo do Culto da Personalidade.

Empreendedorismo Social não é Dádiva.

Caritas et Lucrum.

Sr. Presidente, Não Somos Nada Bons

O Social... Os Donativos... E a Mendicidade de Resultados...

 

Raríssimas são as instituições sociais que em Portugal são completamente transparentes! A raridade é a nova normalidade. Não sou só eu que o digo, os acontecimentos falam por si: é a Cáritas que já mostrou uma inclinação para práticas menos claras (interessante que foi um caso que desapareceu do mapa), são instituições que. recebem roupa mas depois a vendem, é o Banco Alimentar Contra a Fome, a AMI e outras tantas instituições que de transparência têm pouco mas continuam a ser instituições com um peso tremendo no país e até onde o próprio Presidente da República que tudo comenta, se encarrega de fazer publicidade mas não de comentar quando as notícias não são de feição.

 

Associações, Misericórdias e outras Instituições Particulares de Acção Social (IPSS) proliferam em Portugal e garantem a ostentação de muitos indivíduos, em muitos casos em clara promíscuidade com o poder político, central e local.

 

Em Portugal a área social e o not for profit são áreas onde o enriquecimento é garantido, basta olhar à volta para se perceber... Porque é que estas áreas não são alvo de controlo mais apertado? Porque é que continuam a ser autênticos poderes? Porque é que se fomenta esta espécie de dádiva mas não se fomenta o empowerment dos cidadãos? Porque é que se utiliza o discurso da morte pela fome quando em Portugal, tal, não é uma realidade? E nem é preciso ir à fome: perde-se a conta às instituições e aos milhões gastos, na história do empreendedorismo e de ajudar os outros a vingar na vida... Mas depois... Face aos milhões investidos quais são os resultados?

 

Não é por mero acaso que existem organizações empresariais que se recusam a trabalhar com a área social! Talvez porque percebem que aqueles que lhes pedem conseguem maiores lucros que os próprios!

 

Alguns dos melhores exemplos são muitas comunidades imigrantes que se ajudam mutuamente e permitem que muitos indivíduos consigam trabalho ou até montar um negócio e a maioria nem quer ouvir falar de instituições que os apoiem... Esses sim, são bons exemplos.

 

Experimentem desenvolver um projecto a título indivídual e vejam se conseguem? Experimentem, em  muitas zonas do país, desenvolver um projecto social ou de cidadania sem pedir autorização (e algo mais) a poderes instalados em associações, munícipios, misericórdias e Igreja... Não vão conseguir, é um mundo fechado e só aberto a alguns! Espantados com a Presidente da Associação Raríssimas? Existem autênticos ditadores na área social, um meio para atingir muitos fins e que nem sempre é o bem-estar do outro... Olhem à vossa volta, mesmo na vossa região, na vossa cidade, vila ou aldeia e vejam quem está à frente desta área... Não tenhamos receio de dizer que a área social em Portugal alimenta máfias muito poderosas e que muitas instituições sociais ou de ajuda ao próxima não passam de grupos de tráfico de influências...

 

Perguntem porque é que alguém como o Ministro Vieira da Silva e outros estão ligados aos orgãos sociais destas instituições? Porque é que um dos próximos da lista era um deputado do PSD? Somem a isto os imensos apoios que esta instituição tem e rapidamente chegarão a uma conclusão... A área social em Portugal tem de ser alvo de uma avaliação profunda, tal como outras tantas áreas, a cultura é uma outra... 

 

Estamos num país onde é mais fácil gerar retorno com a área social e a "ajudar" os pobrezinhos do que a criar valor, emprego e investimento! Tal já diz muito da triste situação em que nos encontramos.

 

Não sejamos ingénuos, são muitos aqueles que já trabalharam e trabalham com a área social e sabem bem como as coisas acontecem... Falar da área social em Portugal é tabu! É tabu porque, no dia em que se olhar para esta área com atenção vamos perceber que milhões e milhões de euros investidos nem um euro de Social Return on Investement (SROI) geraram! Falar da área social em Portugal é mexer com aquilo que mais de podre existe na sociedade, na política e na Igreja... E aqui nem o nosso Presidente escapa...

 

De facto, também existem situações em que o trabalho é bem feito e existe um claro espírito de missão, e a esses voltarei! Mas é por isso mesmo, por existirem esses bons exemplos que nós, cidadãos, devemos exigir um claro escrutínio destas instiuições... Podemos fazer muito, basta que deixemos de participar em actividades e também em deixar de dar donativos. Podemos pressionar o poder central para que feche a torneira que alimenta autênticas oligarquias e sorvedouros do dinheiro dos nossos impostos.

 

Em tempos alguém me dizia... "achas que se fosse uma área com tantas dificuldades quem lá está se perpetuava eternamente e destruía todos aqueles que poderiam assumir o lugar e trazer sangue novo? Já viste alguém que lá esta a pedir para si por não ter que comer?".

 

É Natal, sejamos verdadeiramente solidários e actuemos directamente, porque... Se todos agirmos como verdadeiros cidadãos estas instituições deixarão de ter razão de existir. E para sermos solidários, não precisamos de andar sempre a dizer que o somos... A verdadeira solidariedade não tem publicidade, para isso temos a Responsabilidade Social Corporativa, onde aí até faz sentido... Até porque cansa ouvir um sem número de indivíduos todos os dias a repetirem que já entregaram um saquinho de comida a pobrezinho mas depois, no seu dia-a-dia são autênticos seres desprezíveis para com quem os rodeia.

 

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6 comentários

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Rita PN a 13.12.2017

Eu não sei porque é que ainda me espanto e me revolto com factos como este. Na verdade, já não são raros. São até recorrentes e banais, num país que os adoptou a corrupção como parte integrante do seu ADN.
Do público só privado não há área e sector que escape. Corrupção e poder, andam na rua de mão dada, porque um leva o outro.
Quanto às instituições de solidariedade social, queiram por favor explicar-me o motivo pelo qual todos os altos cargos são ocupados por indivíduos ligados à política, seja qual for a via. (Solidariedade política?) Queiram também explicar-me o motivo pelo qual, em determinado momento, todas as gigantes privadas nacionais criaram uma ou várias fundações/instituições... e, conhecendo eu de bandeja uma delas na área do retalho, queiram os portugueses abrir os olhos quando, em épocas festivas como o Natal, ao fazerem as suas compras nestas ditas gigantes nacionais, lhes perguntam se querem contribuir com XX para a instituição Y. É certo que uma quota parte do dinheiro angariado é entregue ao destinatário (para empregar onde, pois não sei), mas, também é certo que a maior fatia fica para quem o angaria.

Isto para dizer que grande que é grande (indivíduo ou entidade) tem que ter envolvimento em causas sociais. Não só pela notoriedade do cargo, como pela visibilidade, pela boa imagem que o povo cria em torno da bondosa conduta adoptada, mas, sobretudo, pela solidária forma que alguém lhe arranjou de juntos, meterem mais uns € ao bolso.
E o povo sabe. E o povo deixa. E o povo aplaude, se for preciso. Já não se espanta porque, afinal de contas, é normal.
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Robinson Kanes a 13.12.2017

A corrupção apodrece as instituições e um país. De facto, está em todo o lado, mas existem países onde os efeitos são nefastos... Existem ainda os países onde é algo tão bem aceite que até espanta... Nem em Itália, ou mesmo em alguns países da América do Sul vejo a corrupção tão bem aceite como vejo por cá, é escandaloso!

A Fundação é uma figura jurídica prevista na lei, e não me choca que muitas instituições privadas utilizem as mesmas, desde que gerem também retorno para fora... Mal ou bem, são elas que também pagam impostos que permitem gerar retorno para as instituições ditas sociais. No entanto, já são muitos os privados que se recusam a trabalhar com a área social, porque não conseguem ver o retorno do seu investimento.

E sim, a "Raríssimas" é só um exemplo, no meio de muitos...
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Rita PN a 14.12.2017

"No entanto, já são muitos os privados que se recusam a trabalhar com a área social, porque não conseguem ver o retorno do seu investimento." - Pronto, era só isto! (Quando somos crianças ensina-nos a dar sem receber, chamam-lhe solidariedade e ajuda ao próximo).

Sei que não vês televisão, mas ontem à noite tropecei na gala de um dos nossos canais generalistas, cujo patrocinador era ... o Continente. Sob a temática Natal, sempre conveniente nesta altura, fazia-se ouvir "ajude a missão Continente, ofereça um presente solário. 1€ (de 4€) reverte para as aldeias SOS."
Não bastando, de 5 em 5 min vinham a palco os diversos rostos conhecidos da estação apelar ao coração dos telespectadores com palavras doces e de seguida "ligue já o 707... .... e contribua para esta causa).

Bom... IVA para o estado, 50% para o patrocinador, 25% para o anfitrião e 25% para a causa, será?

Ou sou eu que sou retrógrada, ou esta moda da solidariedade através de terceiros, gerando receitas para o próprio não me entra na cabeça...
Já com Pedrógão foi o que foi, mais que esperado, digamos.
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Robinson Kanes a 14.12.2017

Lembro-me de conversar com um administrador de uma grande empresa portuguesa que dizia: nós não damos nada a ninguém, só mostramos o logótipo, depois os outros que venham dar...

Estranho, é que também é sempre para as mesmas instituições...
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Rita PN a 14.12.2017

E é isso. Tão simples quanto isso. Ou complexo, se quisermos tomar medidas interventivas...

Eu não sei se é estranho, ou conveniente... "raríssimas" há muitas.
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Robinson Kanes a 14.12.2017

São mais mediáticas, movimentam-se melhor e têm as pessoas "certas" no órgãos certos...

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