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Praga de conteúdos brasileiros...

por Robinson Kanes, em 30.04.19

crise-economica.jpg

Créditos: https://www.bussoladoinvestidor.com.br/onde-foi-que-eu-errei/

 

 

Já tinha este artigo pronto há algum tempo mas... Anda por aqui a maturar no sentido de que não venha a ser entendido como xenófobo, pois a Democracia actual censura tudo aquilo que não segue os parâmetros defendidos por esta ou por aquela moda... Todavia, as mais recentes notícias sobre a Universidade de Lisboa em relação aos estudantes brasileiros fizeram-me acrescentar uns pontos e fazer sair as minhas palavras.

 

Antes de surgirem os defensores dos bons costumes, sobretudo aqueles que defendem as minorias mas não moram nem querem morar ao lado das mesmas, deixem-me dizer que tenho vários amigos brasileiros (desde proprietários de fazendas maiores que Portugal até pessoas que vivem/viveram em favelas), já estive no Brasil e longe de mim adoptar um discurso xenófobo. Qualquer pessoa com dois dedos de testa rapidamente vai perceber onde quero chegar. Falei de amigos brasileiros? Ainda são piores que eu quando dizem que em Lisboa os brasileiros são uma verdadeira "praga". Tomei também a liberdade de consultar alguns brasileiros acerca deste tema no sentido de perceber se a minha visão não poderia estar deturpada.

 

Nos últimos meses tenho assistido a um proliferar, sobretudo a nível cultural, de um sem número de produtos culturais brasileiros, muitos deles de má qualidade! Robinson, lá estás tu a ser mau! Não estou na medida em que, como disse, já estive no Brasil e pelos amigos que por lá tenho vou tendo noção de algumas realidades e muito do que consumimos por cá nem no Brasil é conhecido! É um hype e vai passar, mas até lá...

 

São peças de teatro, concertos, artistas que nos são impingidos, músicas carregadas de vernáculo (experimente um português fazer o mesmo...), peças e músicas a incitar à violência e outro género de comportamentos menos... bons. São comentadores carregados de parcialidade no ataque a Bolsonaro e a aspectos culturais portugueses que nem os mesmos conhecem. É proibido criticar um Caetano Veloso, mesmo que utilize um discurso e pratique outra coisa.

 

A pergunta que eu faço e que muitos brasileiros também fazem, é questionar o porquê de termos esta invasão de conteúdos que nos chegam através de editoras, produtoras e media? E sendo o Brasil um país tão rico culturalmente porque é que nem sempre nos chega o que esse país tem de melhor? E porque é que os artistas internacionais como Madonna (ainda estou para descobrir quem tem pago esta fantasia por cá - e espero que não sejam os meus impostos) quando se referem àquilo que de melhor descobriram em Portugal foram conteúdos... brasileiros?

 

Com tanta coisa boa que também temos por cá, com tanta coisa boa que existe no Brasil, na Europa e no resto do Mundo, porque é que nos continuam a ser impingidos conteúdos de fraquíssima qualidade quando existe tanto valor por esse país, por esse mundo? Basta viajar por aí, e fugindo ao tema, para perceber aquilo que não nos chega. Tal não é acolhido e e nem sempre é por uma questão de vendas - é por boicote de editoras e de outros indivíduos que têm o poder de controlar a cultura em Portugal - país onde culturamente oscilamos entre conteúdos de terceira, outros intelectualmente estúpidos e outros que ninguém percebe mas que parecem dar um "ar de importante" se dissermos que estamos encantados.

 

São também muitos dos meus amigos brasileiros que brincam ao dizer que muitas destas personagens só têm sucesso em Portugal, porque no Brasil jamais o teriam... Quiçá... Haja paciência, pois até no Brasil, os próprios brasileiros são os primeiros a brincar estas situações! Por cá, a brigada dos bons costumes volta ao ataque, sobretudo quando apoiada por uma outra brigada cultural e jornalística que tem de viver na Europa porque no Brasil não é bem vinda, tal é a superioridade intelectual que tais personagens se arrogam de possuir.

 

Em relação à faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, cuidado com os sensacionalismos. Aquela mensagem de xenófobo pouco tem e não incita à violência, é apenas uma metáfora. Mais do que perceber o porquê de tal mensagem, parece mais fácil passar ao ataque - dá-se uma vista de olhos pelo que diz a maioria e vamos a tomar uma posição sem qualquer sentido... Vivemos em tempos que não se pode brincar ou dizer algo que vá contra um certo status quo imposto por meia dúzia! 

 

Finalmente, e apoiado em António Moreira Antunes, recentemente envolvido num escândalo que ainda ninguém percebeu porquê, tenho o máximo respeito pelos brasileiros, mas isso não quer dizer que estejam acima da crítica.

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32 comentários

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De MJP a 30.04.2019 às 11:12

Excelente reflexão!!! Parabéns!
Partilho da sua opinião!
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De Robinson Kanes a 30.04.2019 às 11:34

Obrigado! :-)
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De Cecília a 30.04.2019 às 12:36

que bom! afinal tenho andado mesmo a descansar a mente... o que é que se passou com a UL? é que não soube :p
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De Cecília a 30.04.2019 às 12:48

“Grátis se for para atirar a um zuca (que passou à frente no mestrado)”.

isto é humor? eu prezo-me de ter sentido de humor (negro) mas isto é só ... ressabiamento beto.

porque não , como muito bem termina a estudante, "atirar pedras" ao processo de seleção? pois... para isso é preciso tê-los...

o humor é uma arma para atacar o que está errado... não quem está connosco no mesmo barco. é a minha opinião.
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De Robinson Kanes a 30.04.2019 às 12:58

É a sua e tem todo o direito a ela - eu tento-me focar na tensão que pode estar atrás da mensagem... Isso é talvez o cerne da questão.

O humor, bem... Tem muito que se lhe diga. Um dos mais famosos do país também já não toca em temas que o tornaram célebre, caso contrário, lá se vai o trabalho... O humor é assim :-)
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De Cecília a 30.04.2019 às 13:00

como digo... deviam atacar o que provoca a tensão e não os que estão no mesmo barco...

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De Robinson Kanes a 30.04.2019 às 13:05

Talvez seja uma forma de lá chegar - a polémica estalou, e isso já vai fazer mexer as coisas, ou então não... A Católica, apesar de tudo, lá continua a viver também à nossa custa...
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De Sarin a 30.04.2019 às 12:51

Concordo com a rejeição dos maus conteúdos, não por serem brasileiros mas por serem, como diz, maus.

Não percebo a ligação entre os maus conteúdos brasileiros e a obscura manifestação de opinião ocorrida na Faculdade de Direito da UL, a que chama metáfora, mas tentei perceber a metáfora.

Convite à lapidação de estudantes será metáfora para lhes chamar adúlteros? Se alguma coisa está errada não são os estudantes mas o sistema de admissão, que adultera os resultados finais por não harmonizar as classificações iniciais (cada país usa critérios distintos).
Se é esta a metáfora, valida a lapidação como forma de punição. Duvido que fosse o objectivo.
Se, pelo contrário, pretende estabelecer um paralelismo entre a injustiça da lapidação e a injustiça de responsabilizar os estudantes brasileiros, falhou estrondosamente porque faltou a outra caixa, a das adúlteras.

Não considero que tenha havido xenofobia. Nem metáfora. Apenas imbecilidade.
E, sim, instigação à violência. Tê-la-iam evitado com pedras metafóricas
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De Robinson Kanes a 30.04.2019 às 13:03

Eu explico... No meu pensamento, uma coisa levou à outra. Até porque se não fossem brasileiros, a reacção seria a mesma? Não será má ideia irmos buscar uns exemplos ao passado.

Sabe que esse convite é mesmo uma metáfora - é de extremo exagero, sobretudo no país em que estamos, levar a mensagem tão peito. Qualquer dia não se pode dizer nada que somos logo, aí sim alvo de lapidação. Todos sabemos como funciona o mundo académico...

Honestamente, é o que sempre digo... enquanto andarmos com estas distracções (que um dia terão consequências mais graves), vamos deixando passar aquilo que é importante... Entretanto os combustíveis continuam a aumentar (e este é só um exemplo).





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De Sarin a 30.04.2019 às 14:00

Eu era pessoa para reclamar junto dos autores - sendo portuguesa e perfeitamente reconciliada com a nossa história. Repito, junto dos autores. E até seria capaz de lhes dar umas ideias para as tais pedras metafóricas, dependendo da explicação que me dessem. Pois ainda não percebi o objectivo deles.
Mas, Robinson, discordo da irrelevância desta matéria - toca num ponto importante, as desigualdades no acesso ao mestrado. Seria muito interessante que os jornalistas fizessem trabalho de jornalismo e investigassem ambas as partes... Porque o ensino não é combustível, é motor ;)
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De Robinson Kanes a 30.04.2019 às 14:18

Eu acho que o objectivo é claro: algo se passa no processo que não está bem, ou melhor, que estes pensam não estar.

O ensino tem muito que se lhe diga, sobretudo nas Universidades, mas olhe que isso é entrar num mundo que muitos "jornalistas" não querem... Capelas, maçonarias e fortes interesses...
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De Sarin a 30.04.2019 às 14:27

Não me é claro porque os vejo tomar outros alunos como alvo.
Por isso gostaria de os ouvir.


Um jornalista, por definição, é aquele que entra onde sabe ser indesejado... mas como precisa de comer, e como dizem que a ERC tem uma base de dados que permite ver quem lhes paga o salário mas eu não a encontro... enfim, só nebulosas neste nosso jardim!
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De Robinson Kanes a 30.04.2019 às 15:02

Isso é o que acontece quando quem está à frente dos destinos das Universidades (e outras instituições) não ouvem os alunos.

Jornalismo, esse mito :-)
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De Robinson Kanes a 30.04.2019 às 14:19

São sempre excelentes comentários os que nos são trazidos pela Sarin.
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De Robinson Kanes a 30.04.2019 às 15:03

Há lugar para todos e muitas vezes os destaques também irão ao encontro do que o público quer... O lado bom disso é que assim não sou apedrejado ahahahahah (bem a propósito).

De Anónimo a 30.04.2019 às 15:14

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De Sarin a 01.05.2019 às 15:49

Li agora... obrigada, Robinson. Só os trago porque os temas os puxam. E porque gosto de debates :)
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De cheia a 30.04.2019 às 23:17

Muito do que cá não se consome, também têm êxito, junto de muitos portugueses, no estrangeiro!
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De Robinson Kanes a 30.04.2019 às 23:26

Também é verdade!
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De Anónimo a 01.05.2019 às 01:07

Pelo que percebi, a mensagem foi transmitida por um grupo de humor da Faculdade de Direito, que procurava chamar a atenção para o problema de seleção nos mestrados. Mas ninguém quer saber de nada, é xenofobia e pronto.
Partilho aqui um episódio que vivi há uns dias. Estava num transporte público e estava uma cidadã brasileira a falar com uma colega e dizia que os portugueses eram racistas porque usavam muito as expressões “preto” e “branco”, e que lhe era muito difícil vivenciar isso.
No meu entendimento, racismo é perante uma situação idêntica, haver tratamentos distintos baseados na cor da pele. Mas pelos vistos, aprendi algo naquela viagem de comboio...
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De Robinson Kanes a 01.05.2019 às 11:55

O problema dos mestrados é sensível, por isso, vira-se a questão para a suposta xenofobia... É mais simples e assim todos podem comentar e ter opinião enquanto a questão de fundo fica por resolver.

Em relação aos termos da moda "racismo", "xenofobia", "homofobia" e outros... Por serem tão mal aplicados e utilizados ainda se vão virar contra aqueles que não se cansam de os utilizar pela mínima coisa...

Obrigado pelo comentário :-)
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De O ultimo fecha a porta a 01.05.2019 às 11:41

Vamos por partes.
Não tenho sentido essa "invasão", pelo menos aqui na zona. Penso que na capital pode ser mais evidente, mas no Norte, apenas turistas, mas tb há espanhois e de outras nacionalidades.
Nas rádios, sinto a presença normal. Os "hits" de agora não são agora mais do que há uns anos. Mesmo músicas mais brejeiras como MCKevinho, há uns anos tb havia o Netinho.

Quanto aos comentadores, tb já ouvi/vi mais do que atualmente. Aliás hoje em dia praticamente só há comentadores de futebol e deputados. Comentadores de assuntos internacionais são cada vez menos e qualidade dúbia. Lembro-me que a correspondente da SIC no Brasil foi muito criticada por parcialidade no seu comentário. Um da RTP que está sempre a promover-se no facebook era jornalista ... desportivo. Agora tem esse tacho na televisão pública.

Sobre a polémica da Fac. Direito, achei de muito mau gosto. Perfeitamente desnecessária. Mas acho xenófoba, sim, mesmo que seja sátira. Há outros meios de chamar a atenção para o problema das colocações no mestrado (presumo que fosse essa questão) do que uma aberração daquela que houve. A verdade é que um "zuca" não tem culpa das decisões administrativas da instituição.
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De Robinson Kanes a 01.05.2019 às 11:53

Nas rádios não ouço tanta música espanhola, por exemplo - ainda temos um certo complexo, salvo algumas músicas mais para o lado "zumba" da coisa... Há uns anos havia o "Netinho" e pouco mais... Também houve a moda do "sertanejo". Mas há uns anos também eu não tinha a visão que tenho hoje das coisas, era um miúdo. E, mais uma vez, porque há uns anos até pode ser assim, não significa que eu tenha de concordar e acomodar-me.

Comentadores passou a ser mais uma forma da mediocridade ter palco... Também os há bons... É importante referir isso.

Penso que estamos a exagerar, vivemos numa época em que o politicamente correcto anda a guiar os comportamentos, e acima de tudo, a moldar opiniões - não nos guiamos pelo nosso pensamento mas pelo dos outros. Sugiro que se leia bem o conceito de xenofobia para percebermos o que é. Tu próprio és um fundamentalista anti-açúcar e sabes como eu sou contra isso :-)

Acredito também que se fosse um Ricardo Araújo Pereira ou outros a fazer essa "piada" já todos achariam graça... É assim que funciona cá no burgo, embora hoje até ache mais complicado - muitos humoristas tendem a fugir dos temas sensíveis sob pena de perderem, também eles, o palco... Porque hoje os palcos não são dados pelos espectadores, mas por quem decide o que espectadores têm de gostar.

Em nota final: não vejo tanta revolta com a pedofilia na Igreja (por cá, sobretudo) ou com o facto de muitas universidades portugueses serem um antro de interesses que não passam pela transmissão de conhecimentos. Sobre isso, silêncio... É de bom gosto :-)
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De O ultimo fecha a porta a 01.05.2019 às 12:10

Música espanhola efetivamente só mesmo no zumba/noite e uma exceção uma outra para carinhas larocas, em que o aspeto visual cuidado e o trabalho dos agentes se sobrepõe ao talento nalguns casos.

Acho que não se deve confundir o fugir ao politicamente correto com atitudes de incitamento ao ódio ou à agressão. Neste caso da caixa, refere "atirar", "zuca". Secalhar essa mesma malta que preferiu essa "sátira" nunca fez uma exposição à faculdade da situação que gera a sua discordância (pela msg presumo que sejam os critérios de acesso ao mestrado).

O RAP às vezes tem piada, outras vezes não. Reconheço-lhe inteligência e a mudança no humor e crítica política que faz, mas tem falhas. Lembro-me que uma vez fez uma participação com o bruno nogueira no telejornal que foi uma aberração completa.


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De Robinson Kanes a 01.05.2019 às 15:05

ahahah - gostei do primeiro parágrafo, espanhola e má qualidade.

Sim, entendo o teu ponto de vista, mas que atire a primeira pedra o português que nunca utilizou o termo "zuca". Também os brasileiros utilizam "tuga" e não estás a ver ninguém preocupado com isso. Muitos dos que agora criticam este vocabulário são os que utilizam o termo "monhé" ou "chinoca" e isso é que dá que pensar.

Exposições às faculdades... Tenho dois cursos e uma especialização, pelo meio, passei e vi muita coisa... E mais não digo.

O Ricardo Araújo Pereira (e agora também só como exemplo, porque não é o único, longe disso) movimenta-se como pode, se formos a ver alguns episódios dos primeiros tempos de "Gato Fedorento", se fossem hoje... Sobretudo no que diz respeito à temática "gay" e não só... De repente, tudo mudou. Mas não me admira, até porque em termos partidários, também é um indivíduo que nunca se definiu muito bem... Depende das marés.
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De Sarin a 01.05.2019 às 16:01

Desculpa a intromissão, Último.
Mas xenofobia seria se fosse contra "os brasileiros". Ou contra os "estudantes estrangeiros". É que nem sequer é contra os estudantes brasileiros, apenas contra os estudantes brasileiros de mestrado, e apenas porque passam à frente.
Alvo demasiado específico para xenófobos, pois estes não discriminam no seu ódio ou no seu temor a culturas etnias sociedades diferentes.

E alvo errado das críticas dos estudantes que acharam ter piada, mas isso já não é definição e sim opinião :))
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De O ultimo fecha a porta a 01.05.2019 às 16:46

Dado o tipo de objetos escolhidos para a "sátira", acho que não acaba por não ser assim tão diferente.
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De Sarin a 01.05.2019 às 17:37

Nem toda a imbecilidade é xenófoba e, cf o que já por aqui argumentei, penso que no caso a sátira foi apenas imbecil.

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