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cap4.jpg

Fonte: http://dypk-portal.com/wp-content/uploads/2015/07/cap4.jpg

 

Já por várias vezes me colocaram a questão do porquê de nunca ceder a uma "cunha" ou a um favorecimento quando se trata de encontrar um emprego e o porquê de fazer disso um "cavalo de batalha", inclusive neste espaço. Já por várias vezes me disseram que estava a ir contra tudo o que é prática e que nunca conseguiria ir longe porque não aceitava favores e também nunca acedi a pedidos do género quando a temática era, e é, o emprego. 

 

Porquê? É a pergunta que aqueles que dizem que estou sozinho nesta caminhada me colocam, mesmo aqueles que gostam de escrever o contrário. A razão é simples, não só me retira a transparência, a independência e a autonomia, como numa grande maioria dos casos é corrupção. Sim, corrupção não é só fugir às finanças, pagar ao funcionário da câmara municipal para passar aquele documento, ver jogos de futebol pagos por uma petrolífera ou ser ilibado num caso de corrupção em que o Ministério Público do meu país diz uma coisa e em Bruxelas alguém diz o contrário.

 

Poderia falar nos valores que me foram incutidos, poderia dizer que lá por casa a ética, os valores e a integridade nesses campos não eram negociáveis. Não estou aqui a ser fundamentalista, ao serviço de outras organizações já tive de me debater com ethical dilemas e seguir caminhos que não eram os mais justos.

 

Mas vou por exemplos...

 

Antes de ter acabado o meu primeiro curso, aceitei um estágio curricular numa instituição pública e que se deveu a um esforço hercúleo da minha parte (só faltou falar com Deus) e quase numa óptica de pagar para trabalhar - basicamente foi isso que aconteceu, porque tudo tem despesas. Aprendi imenso, até porque era uma instituição que se movia e com uma direcção que procurava chegar um pouco mais longe. Três meses passaram, acabei o curso e fiquei mais três meses para aprender, até porque para mim só encontrava mais-valias. Passados então seis meses de trabalho não remunerado (salvo um colega que incluiu no último mês algumas das minhas deslocações nas suas contas) existiu a necessidade de contratar um candidato para o departamento. Perante o meu trabalho, que foi imediatamente reconhecido, fui a jogo com dois indivíduos que já estavam no departamento em regime de prestação de serviços e tinham ali uma oportunidade de passar para um contrato com a instituição ou então abandonar a mesma.

 

Provas dadas, fui considerado ao candidato ideal para o cargo, até porque dos outros ninguém tinha conhecimento de qualquer trabalho realizado a não ser a sensação de impunidade e o dado adquirido de que estando ali, já ninguém os tirava - muito comum por aí. A chefia do departamento estava de acordo e todo um departamento encantado por ter o "puto estagiário" sem amigos aqui e ali a entrar e a mostrar trabalho. Acredito que, para muitos, era sinal de que uma mudança finalmente ía acontecer.

 

Estava tudo a correr bem até que as ordens de cima, nomeadamente de um vereador, deitaram este desejo por terra, porque um dos indivíduos era sobrinho do sobrinho do sobrinho do sobrinho do indivíduo X do amigo do partido Y. Sei ainda hoje que um departamento inteiro lutou por mim sem sucesso, ainda mais quando aquela vaga passou a ter a companhia de outra vaga mas que só abrira para colocar o indivíduo que só tinha a sorte de ser amigo do sobrinho do sobrinho (o resto já vocês sabem). Lembram-se de eu ter dito que eram dois, mas a vaga era uma? Ainda me recordo do desespero do Director do Departamento a assumir que não poderia fazer mais.

 

Foi aí a primeira vez, com pouco mais de 20 anos, que senti a injustiça desse mundo na pele. Foi aí que tive a minha primeira lição de mercado de trabalho, sobretudo no sector público. Mas ainda não tinha sido a maior lição de todas.

 

Uma nota... meses mais tarde, a cúpula do poder dessa instituição viria a cair num escândalo de corrupção e tráfico de influências bastante mediático.

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1 comentário

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HD a 05.12.2017

Depois deste post... já deves ter os snipers alinhadinhos na tua silhueta... ;)

Sim, é corrupção. Ponto!!!

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