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Créditos: https://www.vortexmag.net/15-fantasticas-curiosidades-sobre-o-25-de-abril-de-1974/

 

 

A resposta ao título deste artigo parece difícil mas, vendo bem as coisas, não é assim tão complicada. Vejamos:

 

Os jovens não querem saber do 25 de Abril porque também não se conseguem rever em festejos/celebrações arcaícas e completamente fora dos nossos tempos. Desfiles militares obsoletos, celebrações formais e altamente protocolares numa Assembleia da República que vive cada vez mais longe dos cidadãos.

 

Os jovens não querem saber dos 25 de Abril porque também não percebem a força que têm. Se por um lado caiu um regime ditatorial, a Democracia portuguesa ainda está longe de fazer acreditar que é possível mudar algo - qualquer um percebe que quem não estiver relacionado com a política ou com um ou outro corporativismo não tem qualquer poder. Para fazer algo em Portugal é preciso vender a alma ao diabo ou então comprar alguém e mesmo assim esperar ter sorte. Ainda temos um Estado paternalista que se arroga no direito de pensar e fazer pelos outros. Em Portugal, a censura e o exílio continuam a existir, de forma menos violenta, mas a existir.

 

Os jovens não querem saber do 25 de Abril porque ao olharem para aqueles que agora celebram esse acontecimento deparam-se com um paradoxo: muitos daqueles que agora batem palmas foram indivíduos do regime, basta olhar para o Presidente da República, mas não só. Não é segredo que Marcelo já se colocava em bicos de pés para seguir o legado de Salazar e de Marcello Caetano. Como Marcelo tantos outros partidários de um antigo regime por aí pululam como neo-democratas.

 

Os jovens não querem saber do 25 de Abril pois quando olham para a Assembleia da República encontram indivíduos que ainda hoje ninguém percebe como é que escaparam a condenações por pedofilia, corrupção e outros crimes hediondos! Ninguém percebe como é que quem fala de liberdade, justiça e direitos não  olha a meios para destruir a res publica em benefício pessoal ou então coloca a família inteira no Governo ou na admnistração pública.

 

Os jovens não querem saber do 25 de Abril porque, na noite desse mesmo dia, em 2019 (em 2019!) a televisão estatal (RTP1 - paga por todos para alguns) apresenta um programa de homenagem a "Abril" e a "Zeca Afonso" com artistas da pior qualidade, uma banda que ainda toca em ritmos dos anos 50 e as mesmas figuras de sempre (sim, ainda me custa perceber, não tendo televisão, porque é que tenho de pagar a presença de Carlos Alberto Moniz e outros na televisão do Estado). Sempre os mesmos num Coliseu dos Recreios às moscas, com indivíduos bafientos, um Júlio Isidro desactualizado e uma Sílvia Alberto sem perceber bem o que é que lá está a fazer e até se dá ao luxo de cometer a gaffe de que antes do 25 de Abril a disparidade salarial entre homens e mulheres era uma realidade, como se após 1974 as coisas tivessem mudado assim tanto! Porque é que com tantos valores em Portugal, a RTP continua a promover a mediocriade e sempre as mesmas figuras?

 

Os jovens não querem saber do 25 de Abril porque chegaram à conclusão que a diferença entre uma certa esquerda governante e a governação anterior a esse dia de 1974 não é assim tão diferente. 

 

Os jovens não querem saber do 25 de Abril porque essa esquerda libertadora afinal só não se transforma nos porcos de Orwell porque não teve espaço para tal. Refiro-me à esquerda que critica o capitalismo mas não se inibe de adquirir bens produzidos pelo mesmo e de aprender em escolas capitalistas. É a mesma esquerda que apoia regimes como a Coreia do Norte e a Venezuela.

 

Os jovens não querem saber do 25 de Abril porque se deparam sempre com as mesmas referências políticas e em tantas outras áreas, referências essas que marcam de tal forma a agenda que se tem a sensação de que não é possível fazer nada - daqui à ditadura é um pequeno passo.

 

Os jovens não querem saber do 25 de Abril, porque patrocinou uma Constituição completamente à esquerda, com cidadãos de primeira e cidadãos de segunda - uma constituição que proíbe a extrema-direita mas não proíbe a extrema-esquerda. Basta assistir a desfiles da segunda para perceber que a distância é muito ténue ou praticamente não existe.

 

Os jovens não querem saber do 25 de Abril que, embora tendo sido benéfico, apenas existiu porque os militares estavam numa situação desconfortável e o povo não se uniu (Povo unido jamais será vencido, por cá, tem muito que se lhe diga). Os jovens já sabem disso e também sabem que os aclamados heróis da revolução não foram aqueles que a fizeram mas o que se aproveitaram da mesma até à sua morte. Podemos falar da família Soares e de outras.

 

Os jovens não querem saber do 25 de Abril porque, por mais que trabalhem, nunca terão reconhecimento pelo seu esforço e pelo seu trabalho, bem pelo contrário! Tantos que conheci que tiveram de emigrar porque já não aguentavam tanto esforço e espezinhamento diário de uma certa mentalidade vigente que se arroga no direito de tudo saber e de tudo controlar. Quantos vi emigrarem porque desistiram do seu país cansados de recebr 500 euros por trabalho de 5000 enquanto outros recebiam 10000 por trabalho de 500.

 

Finalmente, os jovens não querem saber do 25 de Abril porque o escândalo "Ballet Rose" é um rol de crimes hediondos e que envergonhariam qualquer país. Crimes que continuam a ser abafados e muitos dos que já morreram e outros que continuam vivos vão passar impunes - desde altos dirigentes da Igreja, monárquicos, republicanos, empresários e políticos! Muito se falou do caso Casa Pia, e do "Ballet Rose"?

 

Não é assim tão complicado perceber porque é que os jovens se estão a borrifar para o 25 de Abril!

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21 comentários

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Nic G a 29.04.2019

Concordo que os jovens se estejam a borrifar, discordo é que seja pelas razões que enumerou, já que desconfio muito que a maioria se esforce para conhecer (ou queira conhecer) o que se passou e o que se passa com Portugal. O que interessa é o imediato, os planos por trás (políticos, económicos, sociais) estão como desígnios de Deus, estranhos, incompreensíveis e muito chatos de se estudar...
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Robinson Kanes a 29.04.2019

Que os jovens de hoje em dia têm outras prioridades, sim! No entanto, quando isso acontece, como é que captamos essa massa para o que realmente importa? Foi por aí que procurei seguir - e com isto também partilho da sua visão, nomeadamente desta parte: "desconfio muito que a maioria se esforce para conhecer (ou queira conhecer) o que se passou e o que se passa com Portugal. O que interessa é o imediato".

No entanto, é como um produto - se é de má qualidade e também não nos esforçamos por melhorar, acabará por perder o seu mercado.

Obrigado pela visita :-)
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Nic G a 29.04.2019

Obrigado pela resposta! Penso que só será possível captar as massas quando for apresentada uma alternativa viável para as máquinas politico-partidárias que nos "vomitam" as mesmas soluções para os mesmos problemas, e uma alternativa que sobreviva à luta com elas, algo nada fácil. Mesmo assim, temos um povo que, como referiu, não se une e acaba por ser uma "maria vai com outras"; iliterado e facilmente influenciável, será mesmo possível ajudar este povo quando uma ideia excelente lhes for apresentada?
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Robinson Kanes a 29.04.2019

Respondendo à sua questão, quero acreditar que sim. Se um povo se deixa levar para uma coisa, também se deixará levar para outra. É preciso é coragem, e muito provavelmente, muitos "mortos" no caminho. É preciso coragem política e de tantos outros para levar as coisas para a frente. É preciso muito trabalho e também são precisas pessoas que não estejam dependentes de associativismos bacocos e do próprio poder político.

Difícil é dar o passo, unir as pessoas e vender a ideia. Falemos do futebol, por exemplo - é um sector que goza de total impunidade e o povo aplaude e acha bem. Mas no dia em que existir coragem política, democrática e judicial para punir todos os crimes e acabar com muitas das vergonhas que proliferam nesse desporto, talvez as coisas mudem, até lá...
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Folhasdeluar a 29.04.2019

Os jovens não querem saber do 25 abril porque desconhecem a história. Porque as universidades não estimulam o espírito crítico e só promovem a moderna ideologia do cada um por si, ou seja, o individualismo. Talvez se os jovens se habituassem a protestar, talvez, digo eu, ligassem mais ao 25 abril. Talvez se os jovens de lembrassem que teriam, antes do 25 abril, que ir bater com os costados numa guerra insana, uma guerra de onde muitos só regressavam num caixão ou estropiados pelas minas, talvez ligassem mais ao 25 abril. O 25 abril não foi feito por comunistas, muito embora tenha havido um aproveitamento desse partido. O 25 abril foi feito por jovens como os de agora, só que os de agora apenas têm um objectivo...sobreviver num mundo de gente que se esqueceu do que é a necessidade de preservar uma liberdade que nos custou tanto a ganhar.
De qualquer forma não digo que não tenhas alguma razão no teu comentário, mas essa razão não desculpa o anestesiar da história.

O texto já vai longo mas vou contar uma pequena história. Um dia assisti a uma peça de teatro,( a acção situava-se antes do 25 abril), em que no fim os jovens morriam todos assassinados pela PIDE. No final da peça pedia-se ao público que comentasse com os actores qual a sua opinião sobre o que tinham assistido.

Eu não concordei com o final, eu achei que os jovens não poderiam morrer no final. Para mim o final seria não o aceitar a morte mas sim o erguer-se. Quase ninguém concordou comigo. Assim me parecem os jovens de que falas, parece que preferem “morrer” do que a erguer-se.
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Robinson Kanes a 29.04.2019

"as universidades não estimulam o espírito crítico e só promovem a moderna ideologia do cada um por si, ou seja, o individualismo."

Todos sabemos que muitas universidades têm a sua inclinação partidária e continuam a servir muitos interesses, sobretudo daqueles que por lá leccionam - não são todos, longe disso, mas...

Em relação à História... Hoje existe uma tendência para esquecer o passado. Quando isso acontece, todos sabemos como acaba, aliás, já estamos a assistir a isso. Muitos foram os que tombaram, infelizmente não os conheci, não era nascido - mas conheci muitos que ficaram e também muitos que fugiram (mais uma vez, como o nosso Presidente da República que criticava quem não queria combater - chamava-os de não patriotas - mas que fugiu da tropa como ninguém). Ser tirado de um Portugal interior, atirado para uma formação rápida em Mafra e ir combater para um terra da qual nunca se havia ouvido falar deveria ser contado a todos! E concordo, não devemos deixar anestesiar a História, mas a culpa é daqueles que a podem contar.

A sua história diz muito do Portugal de hoje, apesar de ser contada no passado... Só isso já me deixa assustado...

Obrigado pelo precioso comentário e por mais esta partilha que vai ficar gravada na minha memória e na formação da minha opinião.
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Folhasdeluar a 29.04.2019

De nada...é sempre com prazer que troco ideias...boa semana.
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cheia a 29.04.2019

É certo que os partidos políticos se transformaram em associações que nos asfixiam. Mas, os jovens não quererem saber do que era o país, no tempo da ditadura, é incompreensível! Em parte é devido ao facto de terem deixado de ensinar a História contemporânea, tal como acontecia no regime anterior. Por outro lado, os jovens, hoje, não ouvem ninguém, só querem teclar, já tenho tentado falar da minha experiência, de mais de dois anos na guerra, em Angola, por não ter tido oportunidade de fugir para o estrangeiro. Para mim, a independência das colónias, deveria ter sido negociada, com as elites que estudavam em Portugal, e se tornaram dirigentes dos movimentos de libertação, antes das guerras terem sido declaradas.
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Robinson Kanes a 29.04.2019

Bom comentário! Embora, e lá está, além de poderem não querer saber da História, também é porque esta não lhes é contada. Seria bom termos pessoas como você a falar mais, a intervir mais, a ensinar mais... Exemplos vivos, sem serem os generais do costume - muitos deles que nem sequer pisaram o campo de batalha.
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O ultimo fecha a porta a 29.04.2019

"Os jovens não querem saber do 25 de Abril porque ao olharem para aqueles que agora celebram esse acontecimento deparam-se com um paradoxo: muitos daqueles que agora batem palmas foram indivíduos do regime, basta olhar para o Presidente da República, mas não só. Não é segredo que Marcelo já se colocava em bicos de pés para seguir o legado de Salazar e de Marcello Caetano. Como Marcelo tantos outros partidários de um antigo regime por aí pululam como neo-democratas."

Os jovens não são desse tempo Robbinson. Falo por mim... Não faço ideia do Marcelo RS lamber as botas ao Marcelo Caetano. Nessa altura nem nascido (nem idealizado) era :)
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Robinson Kanes a 29.04.2019

Começo pelo fim... Mas fazes ideia de que Goebbels lambia as botas a Hitler? Não eras nascido, mas sabes, como sabes que, agora em jeito de brincadeira, que o D. Afonso Henriques batia na mãe - não eras nascido nem idealizado. Bem, "O Último Fecha a Porta" ainda pode dar azo a que pudesses ser tu o Martim Moniz.

Mas... e os outros pontos? Alguns são bem actuais ;-)



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O ultimo fecha a porta a 01.05.2019

Não conheço o passado MRS nos tempos do Marcelo Caetano.

Sim, os outros não tenho nada a acrescentar.
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P. P. a 01.05.2019

Quanta verdade.
Quanta verdade!

Um ponto a referir: talvez por ser da terra do Salazar, e durante todo o ensino básico e secundário as tendências políticas dominarem a minha Escola Unificado (agora 3,ºCEB) e Secundário, nunca estudei o Estado Novo. Somente na 4.ª classe falámos de Salazar. Nasci duas semanas após o dia da revolução… Dá para entender? Não, penso que não.
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Robinson Kanes a 01.05.2019

Nunca estudaste o Estado Novo na escola? "Wow"...
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P. P. a 01.05.2019

Pura e triste realidade.
Como eu, os outros colegas da mesma escola.
Nem vou dizer o que julgava ser quando surgiu, no superior, em História da Educação, História… (shame)
Tempos em que, verdade seja dita, os meus colegas, faziam o que queriam. It's sad.
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Robinson Kanes a 01.05.2019

Basicamente camuflava-se o período do Estado Novo... Não sei o que te diga...
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P. P. a 01.05.2019

O estranho é que da direção repudiavam esse momento da nossa história.
Incompetência ou receio de confrontar eventuais defensores? Naquele tempo, os pais pouco podiam opinar no que acontecia na escola. Estranho!
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Robinson Kanes a 02.05.2019

É o que apontas e a dificuldade em assumir um passado recente...
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Maria Araújo a 08.05.2019

Com políticos à frente dos partidos que se agarram ao poder, e os mesmos rostos de sempre, quem não se desinteressa pela política em Portugal?
O 6º parágrafo, e só vi uma pequeníssima parte, uns breves minutos, pareceu-me ser um programa sem sabor, obsoleto.

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Robinson Kanes a 10.05.2019

Quem tem pouco talento e uma ambição que...

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