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Perigo! Zona de "Selfies"...

por Robinson Kanes, em 09.11.17

Fatal_1.jpg

 Fonte da imagem: https://www.diyphotography.net/a-fatal-month-for-selfie-photographers-why-is-it-so-dangerous/

 

Numa época em que tudo é vendável, em que é possível vender um fio de cabelo, uma falsa imagem ou até, como uma actriz brasileira de 43 anos, utilizar um outdoor para publicitar a virgindade a troco de estabilidade financeira, será importante perceber se, numa Era em que atingimos o ex-libris máximo da troca de informação e da exposição, não devemos começar também a estimular o nosso espírito crítico acerca de tudo aquilo que nos rodeia, seja bom ou seja mau - uma espécie de contraste ao Admirável Mundo Novo sem nos sentirmos uma espécie de “Sr. Selvagem”.

 

Ainda me recordo do desvio de um avião há mais de dois anos, onde temos um pirata do ar que, procurando exposição e “dar nas vistas” (não me vou debater sobre problemas de carácter psicológico), desvia um avião do Egipto para o Chipre, somente porque tem uma carta para a antiga mulher. Ao que sei, no Egipto existe aquilo a que podemos chamar os CTT locais, ou até empresas de distribuição ao estilo UPS ou DHL. Mas porque não desviar um avião? 

 

Soubesse eu isto, e quando frequentava o ciclo, tinha desviado a carreira 18 para ir entregar a casa da Madalena aquela carta de amor cheia de erros... Mas tremendamente apaixonada, pelo menos até ter conhecido a Maria no dia seguinte ou a Luísa do 9ºano na semana que viria depois.

 

A isto, junto aqueles indivíduos que depois de um avião ter aterrado com os motores em chamas estão mais preocupados em filmar o momento e levar os bens do que propriamente evacuar o mesmo o mais rápido possível! Casos destes não faltam. E o que é que devemos fazer numa situação de pânico ou terror? Fugir? Ajudar quem possa necessitar? Não! Fotografar ou até filmar e de preferência com a nossa face sempre presente, com direito a relato e com aqueles sons típicos de esforço e sofrimento. Só me lembro de um indivíduo durante a época de incêndios em Portugal, numa auto-estrada rodeada de chamas, a passar a imagem de que estava perante o medo da morte e em pânico, mas a conduzir de telemóvel em riste e a emitir verbalmente o seu pânico! Eu vou morrer, mas vou morrer com estilo! Aliás, se morrer é que isto vai ter visualizações que nunca mais acabam!

selfie-copy.jpg

 Fonte da Imagem:http://www.newsdon.com/a-panic-picnic-of-bengaluru-students/

 

Mais uma vez, a informação e o modo como tudo é empolado e espalhado a uma velocidade incrível permite que este tipo de comportamentos se continue a repetir, a causar impacte e até desculpabilizar o autor em muitas situações. Aliás, embora acabasse também com a morte do piloto, tivemos o horror de assistir à queda de um avião nos Alpes onde o factor “impacte mediático” teve um grande papel na tomada de decisão do suicida/homicida.

 

Mas se tudo isto é chocante, mais chocante é a destreza que um indivíduo pode ter para, em pleno sequestro aéreo - e agora coloco a questão “medo instalado” a funcionar – onde um outro indivíduo de origem árabe diz ter um cinto de explosivos e, tendo em conta acontecimentos recentes, não mostra qualquer ressentimento em morrer e matar - convidar este último para uma fotografia, vulgo selfie ou selfie vulgo fotografia, deixo ao cuidado do leitor a interpretação desta troca.

 

Que dirão os amigos destes indivíduos, isto se o "SD card" se salvar. Elogios pela bravura e pela coragem ou elogios por ser tão negligente que por um dia de fama coloca em risco a sua vida e até de outros?  No caso de um sequestro aéreo eu sugiro que o Ideal passa por termos uns pilotos decapitados para dar mais humor a uma situação que já por si era uma verdadeira comédia. Aliás, eu próprio, antes de levantar dinheiro no multibanco, já olho em volta no sentido de perceber se algum larápio vai explodir e roubar a ATM. Posso sempre abordá-lo para uma fotografia, vulgo selfie e com sorte fico com os meus minutos de fama e quiçá até apareça num canal regional da Hungria ou do Kiribati e me torne popular no facebook.

dangerous-selfie.jpg

Fonte da imagem: https://disciplesofhope.wordpress.com/2016/02/19/if-not-yet-warned-then-remember-to-avoid-dangerous-selfies/

 

Também em recente contacto com uma força policial portuguesa, soube que estão a ser distribuídos "iPads" aos agentes para situações que envolvam reféns tal é a eficácia e a facilidade com que, com esses instrumentos, se chega aos sequestradores. Cuidado com os snippers, porque assim que colocarem a cabeça ou o resto do corpo a jeito o melhor atirador da polícia “saca-vos” uma foto e aí não há como fugir - atingido em cheio! Já estou a imaginar os negociadores a pedirem aos raptores para mostrarem só a cabeça que é para a foto e lá vem o sequestrador com um sorriso notty para a posteridade.

 

Será interessante, agora que temos acesso a galáxias de informação, termos alguma cautela com o que valorizamos, sob pena de nós próprios também estarmos a colocar as nossas vidas em risco, sobretudo quando uma vida vale menos que uma selfie ou um post no facebook. Não podemos ser quadrados nem cinzentos, no entanto, também não podemos cair no ridículo de valorizar actos, situações ou momentos que são a realidade vivida e que envolvem outros, que naquele mesmo momento, naquele local ,muitas vezes ou lutam pela vida ou simplesmente perderam a esperança de voltar a ver os seus.

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39 comentários

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De Maria a 09.11.2017 às 12:11

É algo que me faz muita confusão. Pessoas que ficam a fotografar/filmar tragédias em vez de aproveitarem para ajudar alguém...
No pico do egoísmo até poderiam considerar que lhes daria muito mais protagonismo...
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De Robinson Kanes a 09.11.2017 às 12:19

Esse protagonismo sem holofotes? Isso já não se usa.

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De Maria a 09.11.2017 às 13:57

Mas até teriam holofotes maiores... com entrevista e tudo
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De Robinson Kanes a 09.11.2017 às 16:22

Ou não... Um exemplo recente: quantos heróis anónimos tiveram holofotes ou foram condecorados a propósito dos incêndios deste Verão? Vejo muitos académicos, artistas, desportistas e amigos serem condecorados, mas...
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De Maria a 09.11.2017 às 20:13

Uma pessoa a puxar do sarcasmo...
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De Corvo a 09.11.2017 às 12:50

Evolução cultural. É assim que se chama.
Deus disse: Crescei e multiplicai-vos. Ora isso foi feito, e até ultrapassado. Sempre em constante evolução cultural
A evolução cultural disse: agora que já estais feitos, grandinhos e alimentadinhos, cultivai-vos e disseminai-vos.
E façam todos por contribuir para um mundo melhor. Esforçai-vos sempre em constante progressão cultural que os vossos filhos lhes agradecerão o legado cultural por que tão denodadamente vos esforçais-te.
Eles lhe darão continuidade sempre no sentido progressista até ao aperfeiçoamento total, isto é, obtusidade absoluta.
Resto de um bom dia
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De Robinson Kanes a 09.11.2017 às 13:11

Acho que o problema foi esse... Um dogma, ou alguns dogmas que limitaram o pensamento humano ao longo de séculos...

Gostei das suas palavras :-)

Um Abraço,
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De Mula a 09.11.2017 às 13:23

Mas se não tiverem tirado uma selfie... Como provam que estiveram lá? Como provam que viveram aquilo? Que sofreram...?

O grande problema é que quanto mais este tipo de comportamentos forem valorizados mais a palavra das pessoas desvaloriza... Porque se não tens provas não aconteceu, e a tua palavra não serve de nada... E é tão triste, mas tão triste. A verdade é que temos em mãos uma poderosa ferramenta que nos pode fazer evoluir muito, mas a verdade é que tanta gente a utiliza de forma tão errada que em vez de evoluirmos, regredimos!
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De Robinson Kanes a 09.11.2017 às 13:39

Essa tem sido uma grande questão, que também se pode extrapolar para as chamadas "fake selfies" e por aí adiante.

Tenho tido algumas discussões interessantes, nos últimos anos, acerca da honra e da palavra. Temo que a palavra esteja a cair em desuso, bem como a honra... Isto até as coisas começarem a correr mal, pois quando tudo começa a correr mal... Esses valores voltam a surgir...

Adoro tecnologia, utilizo tecnologia, recomendo tecnologia, contudo não me deslumbro e inovação, nem sempre significa evolução...
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De Maria Araújo a 09.11.2017 às 13:34

Em situações de perigo e/ou de ajuda de quem estivesse numa situação frágil, se me lembrasse do telemóvel seria para ligar.
Hoje tudo é válido na sua auto-promoção, e por uma fotografia xpto.


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De Robinson Kanes a 09.11.2017 às 13:41

Gerações "Me"...

Mas na verdade resulta... Existem muitas organizações empresariais que só sobrevivem porque aparecem... E muitas delas nem produzem "nada"... No fundo, é o que acontece com as pessoas.

Do ponto de vista do marketing, estes comportamentos são óptimos para gerar vendas. E essa parte também me agrada :-)))
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De Corvo a 09.11.2017 às 14:52

Ó Maria Araújo! Então isso diz-se?
Olhe que o mundo está a ver.
Depois não chore por lhe chamarem "desclassificada"
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De Maria Araújo a 09.11.2017 às 22:24

Que se dane.
O mundo não se interessa por mim.
Eu, sim, interesso-me e preocupo-me por ele.
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De Corvo a 09.11.2017 às 14:25

Somos um animal de vícios, e sempre com natural propensão não só para os adquirirmos como para os aperfeiçoarmos.
No meu tempo a nossa motivação era uns apalpanços na miúda e um beijinho de quando em vez. - Um pouco atrasado, reconheço. - Mas hoje com a abertura que a desinibição sexual permite, e muito bem, que proveito tiram dos deleites da existência um par de namorados, ou até mesmo casados.
Estão juntinhos como eu estava , mas por aí se lhes acaba as semelhanças. Cada um agarradinho ao seu aparelhozinho, último grito da tecnologia, com os dedinhos a dar a dar. E daí não passam. Depois levantam-se e caminham muito juntinhos, sempre com os dedinhos a dar a dar.
Sou sincero. Não é mas se fosse possível, não trocaria um dia do meu passado por um ano de vida actual
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De Robinson Kanes a 09.11.2017 às 16:26

Este espaço deixa muito a desejar, mas a sabedoria do "Corvo" traz-lhe uma riqueza assaz grandiosa :-)

Retrocesso civilizacional nem sempre é visto como tal... Não se apoquente. De facto, os tempos mudaram e em muitas situações para melhor... No entanto, muita coisa mudou para pior. E olhe que no seu tempo a desinibição sexual "não existia" talvez porque também não se falava disso... Em alguns meios e famílias até era bem para lá do que na altura se julgava pecaminoso :-)


"Não é mas se fosse possível, não trocaria um dia do meu passado por um ano de vida actual"

Gostei de ler e é bom ir ao passado buscar bons conselhos para o futuro :-)
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De Corvo a 09.11.2017 às 17:54

Ó Kanes.
Antes de mais deixe-se lá disso que sabedoria não tenho nenhuma.
O que se passa é que sou uma pessoa de um pragmatismo terrível e só consigo encarar a coisa pela lógica, ou pela que me parece ser.
Para mim não existe o meio e só os extremos. Ou é ou não é.
É evidente que o salto tecnológico veio melhorar exponencialmente a vida à humanidade; basta pensarmos numa coisa simplicíssima, como por exemplo, um saldo bancário ou numa auditoria qualquer.
Mas a evolução, esta que se discute, e que eu próprio dentro das minhas limitações me aproveito dela, avançou de mais e não soube parar a tempo.
Penso que os quase milagrosos benefícios que ela nos traz, compensarão o que nos tira. Ou vos tira que a mim já o tempo tirou, :)
Quanto à desinibição sexual de facto pouco se falava nisso, ou talvez se falasse um pouco e a minha natural timidez, ou, mais acertadamente, trauma, nem reparasse nisso.
Explico num post a seguir
:)
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De Robinson Kanes a 09.11.2017 às 19:02

Como queira, a mim cabe-me assumir isso e repetir sempre que julgar conveniente :-)

Bem, isso dará espaço para uma grande conversa... Por vezes, nem sempre, temos de equacionar o meio-termo.

A evolução avançou mais depressa do que os nossos cérebros e... do que o nosso corpo como um todo. Neste momento, ninguém consegue prever o futuro como um mar de rosas, o que temos são sonhos de alguns (poderosos) e nada mais... Veremos... É que comparar os tempos actuais com a 1ª "Revolução Industrial" revela uma total falta de conhecimento da História e a da própria actualidade. Uma coisa eu sei... Esta época de pseudo-fartura não vai durar muito, até porque não é sustentável e no nosso país é mais que evidente. Nunca vi um país a produzir tão pouco e a ostentar tanta riqueza e mania.

Ficarei então a aguardar :-)
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De Corvo a 09.11.2017 às 19:31

Dou-lhe toda a razão. Mas não só no nosso país, se bem que no exagero ninguém nos bate, mas no mundo em geral.
É insustentável o que se gasta por aquilo que se produz, mas em todo o mundo.
Recorda-se aquando do resgate a Portugal, a situação da Itália, da Grécia, Espanha e até da França e Bélgica.
O mundo rico está-se a esquecer que os recursos naturais do planeta não são eternos, e muito rapidamente se aproximam do fim.
Mas pode ser que se safe. Se safem todos. Como agora vão colonizar Marte, pode ser a solução.
:)
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De Robinson Kanes a 09.11.2017 às 22:25

França é a França, já dizia Juncker... E isso é uma grande verdade. Bélgica é o eterno problema, mas vão sobrevivendo, Grécia é um caso perdido, Espanha está a recuperar, têm um espírito que nós não temos e tiveram uma crise bem maior que a nossa, embora o problema do desemprego... Itália, é o pequeno entre os grandes, e mal ou bem, o norte puxa muito pelo sul.

Os recursos naturais, as alterações climáticas, a ameaça de uma guerra global, a resistência aos antibióticos, o excesso de população (o tema tabu que se insiste em esquecer desde há dois séculos para cá) e a insustentabilidade do consumo no dito mundo desenvolvido.

Colonizar Marte? Ainda há muito que fazer, até porque não é um planeta que se possa considerar habitável.

Acreditemos e tentemos sempre fazer algo, vamos ver...
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De Marta Elle a 09.11.2017 às 17:22

Já me tinha ocorrido o mesmo, que as pessoas estão mais preocupadas em filmar as situações do que salvar-se ou salvar os outros.
Isto não é de agora, basta ver o que aconteceu à Princesa Diana, mas tem vindo a piorar com o uso dos telemóveis.
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De Robinson Kanes a 09.11.2017 às 18:57

O caso Diana foi diferente (e bastante grave)... Estas situações são... no mínimo... estúpidas...
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De Happy a 09.11.2017 às 18:26

Tenho-me pronunciado sobre esse já não tão novo segmento da vida de hoje que é o umbigo. Estamos na cultura do eu, e tudo o que não for filmado, fotografado não existiu, não aconteceu.
Como em tudo na vida, vai-se caminhar até ao abismo e depois retroceder. Este niilismo não é saudável.
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De Robinson Kanes a 09.11.2017 às 18:58

Este niilismo já é o reflexo de uma sociedade que chegou ao abismo... Muitas inseguranças e frustrações camufladas pela exposição...
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De A Hipster Chique a 09.11.2017 às 19:34

Já assisti a uma cena que me deixou chocada. Um grupo de rapazes a filmar o amigo que deu uma queda violenta no skate park e estavam a tirar fotos em vez de chamarem ajuda... Teve de ser um senhor que estava perto a chamar os bombeiros...
Geração "sem noção"...
Uma tristeza.
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De Robinson Kanes a 09.11.2017 às 22:25

Se fossem só os miúdos :-)
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De cheia a 09.11.2017 às 20:15

Há quem se esqueça de cuidar dos filhos, porque o interessa é cuidar do facebook!
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De Robinson Kanes a 09.11.2017 às 22:26

ahahahaha

Não tinha pensado nisso, mas... Muito bem visto.
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De HD a 09.11.2017 às 20:26

As selfies são o quase momento, a nunca verdade, a perdição em tempo real... :\
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De Robinson Kanes a 09.11.2017 às 22:27

Gosto dessas entradas :-)

São a vontade em ser o que não se é, talvez...
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De HD a 09.11.2017 às 22:39

O frame da felicidade falsa... :-)
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De Robinson Kanes a 09.11.2017 às 22:42

Ou da infelicidade escondida.
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De HD a 09.11.2017 às 22:49

Fora da moldura da imagem...
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De Robinson Kanes a 10.11.2017 às 08:35

"indeed Sir"

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