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historia_da_morte_ocidente.jpgImagem: Robinson Kanes

 

A última coisa que vem à cabeça de alguém que está prestes a ir de fim de semana é a morte! No entanto, o prometido é devido (promessa à MJP) e assim sendo começa de forma bastante célere o artigo de hoje como uma sugestão do diabo: Philippe Ariès e o seu trabalho "Sobre a História da Morte no Ocidente". Arìes foi um historiador, no entanto, foi um pioneiro a desmistificar a morte, sobretudo numa óptica mais sociológica e até antropológica.

 

Arìes faz-nos uma demonstração de como a temática da morte, a Ocidente, foi evoluindo ao longo dos séculos  bem como dos seus avanços e recuos na forma como lidamos com a mesma. Arìes vai ao homem medieval que se preparava para a morte e chega ao homem moderno com descobertas muito interessantes como a evolução da própria localização do cemitério. Esta é uma das obras que mais gostei de ler e de facto é fascinante, levando-me a aferir de que em muitas situações relacionadas com o tema da morte, estamos mesmo lá para trás. Em muitas situações o homem medieval estava bastante mais à frente que nós, sobretudo na preparação para a morte - é um facto que a religião ajudava, a fé em algo superior também.

 

Em termos musicais, o último fim de semana de Agosto traz-me algumas memórias e uma certa nostalgia... Sinto que tenho de ouvir "The Last Waltz" do compositor sul-coreano Jo Yeong-wook. Transporta-nos efectivamente para essa nostalgia, para esses passos alegres num passado distante alternando entre as memórias longínquas e os sorrisos presentes. Este tema faz parte da banda sonora do filme "Old Boy", prémio do júri, em 2014, no Festival de Cannes - não associo a música ao filme, mas tenho de admitir que a banda sonora e o filme merecem uma visita.

Um fim de semana sem um filme não é um digno desse nome... Não sei porquê, de repente recordei-me do filme "Merry Christmas Mr. Lawrence", indicado para uma palma de ouro em Cannes e que até contou com David Bowie como actor. É um filme de 1983 e que baseia nos livros e experiências de Laurens van der Post como prisioneiro de guerra no Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Talvez me tenha deixado influenciar por "Old Boy" ou talvez não...

 

Afinal, a banda sonora tem esta obra-prima de Ryuichi Sakamoto - "Merry Christmas Mr. Lawrece" para escutar e ver. Acho que ainda anda algures por aqui! Sakamoto (que participou no filme) anda de certeza em CD, mas será tema para outro artigo...

E porque as boas notícias são para ser dadas e sempre fica algo para se pensar: Angola também está a arder... Muitos países em África também estão a arder... A Sibéria arde há meses... Em Moçambique continuam a morrer milhares de pessoas devido às cheias, mas ninguém quer saber... Desta vez não há folclore e por isso também não existem likes. Quando o tecto vos cair em cima, os vossos corpos forem carbonizados ou descobrirem qual a sensação de morrerem afogados, lembrem-se que também só serão lembrados se as vossas mortes derem likes.

 

Um apontamente final: em Hong Kong também se cancelou uma manifestação pela Democracia e por não ser possível acautelar a integridade física dos participantes. Na Rússia a história repete-se, mas aqueles que andaram calados nos incêndios de Pedrogão (PAN, BE, PCP, PS, Quercus e demais suspeitos do costume) criticam Portugal por não tomar uma posição em relação à Amazónia e até se esquecem do nosso papel em Timor e nos 20 anos do referendo para a independência - algo que tem sido celebrado ao longo da semana...

 

Bom fim de semana...

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17 comentários

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Luísa de Sousa a 30.08.2019

Olá Robinson.
Muito interessante a temática do livro "Sobre a História da Morte no Ocidente" de Philipe Àries.
Na verdade, nós ocidentais não estamos preparados para a morte, nem para nos despedirmos da vida.
Não encaramos a morte como uma fase natural da vida e é por isso que a vamos prolongando à custa de muito sofrimento.
Deveríamos aprender com o homem medieval!!
Boa sugestão de leitura!

Beijinhos
Feliz Dia!
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Robinson Kanes a 30.08.2019

Olá Luísa,

Obrigado pelo precioso comentário. É um facto - o homem medieval acreditava piamente em algo mais, hoje, o homem entregue a si próprio, em que acredita? Não acreditar deveria ser motivo para se preparar melhor. Prolongamos a vida, não raras vezes, não sei para quê e qual a ideia.

Obrigado e beijo,
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Folhasdeluar a 30.08.2019

Enquanto escuto o "The Last Waltz",( a propósito também há um filme musical com o mesmo nome, sabe de certeza a qual me refiro), vou tentar falar da morte, não desse livro mas de outro que se chama A Vida Até ao Fim, falo deste porque possivelmente a temática de um entronca na do outro. "Mesmo fora do fenómeno da consciência, a vida é actualmente inexplicável.Conhecem-se os materiais que a compõem e sabe-se cada vez melhor como ela funciona , como ela se arranja para se perpetuar. Mas como ela pôde nascer, isso continua um mistério." Penso que é inexplicabilidade da Vida que provoca a mistificação da Morte. É por isso que a morte talvez seja mais "fácil" para quem aceita que foi um ser superior que criou a Vida.
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Robinson Kanes a 30.08.2019

Do senhor Scorcese :-)

Não conheço o livro, mas é algo que terei em conta - tenho de dar uma "olhadela".

O que o autor afirma é um facto, na morte poderá estar o segredo da vida e vice-versa. Na prática, nascemos e morremos e no entretanto está a vida (vale a pena viver obcecado com isso? Fica a questão).

Sim, ao acreditarmos em seres superiores e na salvação da alma (denote que mesmo algumas religiões não acreditam em seres superiores) muito provavelmente encontramos a fuga para os nossos medos, como se acreditar com toda a força levasse a que a nossa vontade tivesse lugar, é aí que entramos também na fé...

Fé, que eu não acredito mas reconheço que tem efeitos muito positivos na forma como as pessoas vivem o seu dia-a-dia, a ciência, pelo menos aí, disso é testemunha.



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Folhasdeluar a 30.08.2019

O livro, e é da Editora Piaget, o autor chama-se Lucien Israël e questiona a prática da eutanásia e da medicina tal como é ensinada nos nossos dias.
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Robinson Kanes a 30.08.2019

Com forte componente da psicanálise... Hum... :-)

Li um pouco da opinião do mesmo em relação à eutanásia - honestamente fiquei com a ideia de que pretendeu (nesse tema) querer passar que é algo que acaba por ter lugar de uma forma ou de outra no meio hospitalar... Tenho de saber mais...

Obrigado, mais uma vez,
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MJP a 30.08.2019

Olá, R.! :-)

Muito Obrigada! Mesmo! :-)
(Ariès é um dos meus "eleitos", para o estudo sobre a morte) ;-)

Resto de dia Feliz!

Beijo



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Robinson Kanes a 30.08.2019

Hi MJ,

Eu é que agradeço. Ariès estudava a morte numa lógica mais histórica e se quisermos mais sociológica, no entanto, é uma peça valiosa, até para trabalhar as nossas cabeças...

Obrigado eu,
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HD a 30.08.2019

"Merry Christmas Mr. Lawrence"... o verdadeiro camaleão ;-)
(brutal banda sonora!)
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cheia a 30.08.2019

Mesmo não acreditando na eternidade, encaro a morte com naturalidade, convicto de que, com ela, tudo acaba.
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O ultimo fecha a porta a 31.08.2019

Existem outros dramas que não se fala, é um facto. Dever-se-ia falar, criticar e ajudar. Nos países menos desenvolvidos, chantagens com barreiras ao comércio não dá resultados, é preciso agir e gastar dinheiro nessa ajuda.
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Robinson Kanes a 01.09.2019

Mais que gastar, saber como se gasta e quem gasta...
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Maria Araújo a 01.09.2019

Sempre que o leio fico quase sem palavras, sobretudo pelo conhecimento que tem a vários níveis, o seu interesse por músicas que jamais as conheceria se não viesse a este seu canto,mas sobretudo pelos alertas que mexem comigo, como este:

"Quando o tecto vos cair em cima, os vossos corpos forem carbonizados ou descobrirem qual a sensação de morrerem afogados, lembrem-se que também só serão lembrados se as vossas mortes derem likes."

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Robinson Kanes a 01.09.2019

Olá Maria,

Muito obrigado, são apenas partilhas de algumas coisas que fui/vou aprendendo, em alguns casos de forma superficial, noutros de forma mais aprofundada (sem esquecer o que também aprendo com muitos de vós, a Maria incluída).

Alertas que, infelizmente, não passam disso :-(

Bom final de Domingo :-)

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