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Pancadaria Portuguesa!

por Robinson Kanes, em 01.02.17

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A recente polémica sobre a Padaria Portuguesa fez-me descer à terra e entrar no que se vai dizendo por aí. Confesso que me permite evitar ser aquele que, enquanto os outros falam à mesa do café, fica a olhar para as senhoras da mesa do lado ou a contar quantos copos consegue beber aquele indivíduo de barbas que está ao balcão.

 

Depois de uma exaustiva correria pela selva onde tudo se tem desenrolado, dou comigo, qual David Attenborough, a ver o empresário cool que fala para a televisão com aqueles avanços de quem vai fazer um cabeceamento. Confesso que me fez lembrar aqueles indivíduos mais calmos  que estão na zona VIP de um estádio de futebol a ver e a opinar sobre a partida, ora... o mesmo, só pode esperar que o povo, à mínima, não tenha qualquer pejo em achincalhar.

 

Também descobri que a Padaria Portuguesa pagava praticamente o salário mínimo a 25% dos seus colaboradores e, segundo a mesma, num período de transição. Não são as melhores condições mas... é caso único em Portugal? Quantas organizações não vivem à custa do salário mínimo e até, pior que isso, de estagiários? Não vejo fragatas de guerra a navegar nessas águas...

 

Também apreciei um empresário a defender a sua causa e políticas que, muitos outros empresários (representados na concertação social... a tal Feira de Gado) e políticos (agora calados), defendem. Ainda estamos muito longe de fazer esquecer o antigo empresário à portuguesa. Em muitos casos, podemos trocar a camisa bege e gasta pela t-shirt ou as calças de bombazine cor-de-vinho pelas calças de ganga mas... já trocar algumas "peças" da mentalidade. Mas adiante...

 

É por tudo isto que vamos "cair em cima" de Nuno Carvalho como se fosse o único a defender a flexibilidade laboral (já se for por colocar as mãos nos bolsos durante a entrevista a conversa é outra, pelo menos pareceu-me que o fez)? Eu também a defendo... sobretudo em países onde os empresários são conscientes e percebem que as pessoas são o seu melhor activo, reconhecem o trabalho e não aproveitam a mínima alteração para “matar o negócio”. Defendo a mesma em países onde os colaboradores encaram a organização como também sendo sua e têm a hombridade de fazer bem o seu trabalho, com entrega e dedicação.

 

Também defendo flexibilidade nos despedimentos para não termos de lidar com colaboradores que, anos a fio, só destruíram as organizações. Isto acontece, porque a lei protege, não raras vezes, quem prevarica. Porque não falamos desta temática? Porque quem está na base da organização, por norma, facilmente é despedido.

 

Mas são, ainda muitos os casos, em que a política de não flexibilização protela o fim de comportamentos menos profissionais de muitos colaboradores. São muitas destas leis que não deixam espaço para a valorização de outros colaboradores.

 

Experimentem ter alguém declaradamente incompetente na vossa organização e que não pode ser despedido? São situações que devem ser discutidas por todos, aliás, são muitas as afirmações de Nuno Carvalho que me podem fazer não gostar da forma de pensar do mesmo, mas daí a uma matança pública. E que tal aproveitarmos para falar nestas coisas? Ao invés de achincalhar, porque não trazermos ideias novas? Será que quem quer, verdadeiramente, discutir estas situações não tem tempo de antena nos media? Porque são sempre os mesmos?

 

Uma nota ainda, para as declarações de um outro sócio, José Diogo Quintela... pelo teor das afirmações que proferiu, aposto que não deve ser pessoa para passar muito tempo envolvido no negócio e, para bem da organização, espero mesmo que continue assim.

 

Por fim, a hipocrisia do boicote. Se existe razão (e essa é uma opinião que guardo para mim) que se faça. Mas aqueles que apregoam o boicote, pelos mais variados motivos, que se lembrem de olhar para os sapatos/sapatilhas que calçam, roupas que vestem, comida que comem, restaurantes chiques que frequentam, hotéis onde exibem fantásticos fins de semana e outros locais onde compram os luxos que lhes permitem afirmar um “pseudo-status”. Se vamos boicotar , que não se boicotem só os pequenos-almoços! Lembrem-se também, dos colaboradores da Padaria Portuguesa quando tratarem mal um empregado de mesa ou um operador de caixa num supermercado...

 

Por fim, mais que discutir hipocrisias, penso que todos deveríamos pensar porque é que os portugueses não produzem! Porque é que consomem e gastam mais do que aquilo que produzem! Há bons exemplos de como se podem fazer bem as coisas, e muitos deles em território nacional. Continuamos a deixar os temas verdadeiramente interessantes de lado para promover cavalos de batalha num mundo cada vez mais digital e que nem sempre deve apontar os focos para coisas tão opacas.

 

Temos hoje, muitos a julgarem-se os donos da verdade e, com isso, a terem um tempo de antena demasiado alargado. Todavia, não esqueçamos o que Hémon disse a Creonte na Antigona de Sófocles, pois “quem julga que é o único que pensa bem, ou que tem uma língua ou um espírito como mais ninguém, esse, quando posto a nu, vê-se que é oco”.

 

Uma nota: não sou cliente da Padaria Portuguesa nem pretendo ser (comentário baseado no modelo de negócio vigente).

 

Fonte da Imagem: https://www.nytimes.com/2015/07/12/movies/comedys-sweet-weapon-the-cream-pie.html?_r=0 

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99 comentários

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Rita PN a 01.02.2017

Desde já o me agradecimento pelas palavras acima.

Voltando à questão, no que às condições de trabalho diz respeito, nem sempre o que é praticado numa determinada loja da insignia segue à risca o que a empresa dita. Existem divergências que nem sempre são do conhecimento das hierarquias superiores. Exemplificando, se ao gerente de uma loja for dado livre arbítrio para a gerir, ele irá por em prática as ideias da empresa - sim - mas também as suas. Tem sobre os seus funcionários a força necessária para as implementar. Se a loja mostrar resultados, muito provavelmente, nada será questionado pelas forças maiores. Poderá vir ao de cima uma ou outra situação aquando de uma auditoria imprevista, ou derivada à queixa de um qualquer colaborador - o que por norma não acontece por medo de perder o emprego ou ser prejudicado posteriormente.
Em lojas supervisionadas e com o cerco apertados, como são as lojas das grande metrópoles, a fiscalização é mais apertada e as regras são seguidas à risca. As condições dadas aos trabalhadores são, também, diferentes dos demais trabalhadores da mesma empresa afetos a meios rurais.

Aqui, a meu ver, o dialogo é fundamental. Sim. A questão é que nem todos o sabem fazer. Pés e cabeça é uma coisa, falar da boca para fora em tom de revolta é outra. É necessário bom senso, abertura e visão.
É sabido que há quem só exija e pouco faça. Tal como é sabido que há quem muito faça e pouco ou nada exija.

A questão do despedimento por falta de produtividade é uma mais valia para qualquer empresa. Totalmente a favor.
Agora vejamos o seguinte, funcionários efetivos há vários anos, muitas vezes encostados a essa sua segurança adquirida, que produzem metade ou um terço dos novatos que são contratados a prazo, com limite máximo de número de renovações. O que fazer? Despedir os mais antigos pagando a devida indemnização e dar a oportunidade ao sangue novo? Ou deixar ficar o antigo e continuar a despedir e contratar novatos ao abrigo da lei como primeiro emprego, tendo os devidos benefícios fiscais?
Números. Apenas e só números.

Eu só tenho 27 anos, trabalho há 6 para a mesma empresa. Entre os muitos que entram e saem, eu fui ficando. Não estou efetiva. Existe sempre uma qualquer manha para me manter sem pertencer aos quadros. Ou se vai uns meses para casa. Ou se faz uma baixa de um ano prolongando por mais outro e outro e assim consecutivamente...
E porquê? Porque a pessoa dá rentabilidade, mas por algum motivo não é favorável à empresa efetivar.
E nós, que precisamos de trabalhar, sujeitamo-nos. E eu olho para o futuro e penso que jamais conseguirei ter a minha casa a continuar assim. Um empréstimo em situação dita precária é para esquecer. (Apenas um exemplo entre tantos outros).
O que me leva à questão dos estágios profissionais, que não são mais do que mão de obra barata na maioria dos casos.

Voltando à Padaria Portuguesa, quando o dono e senhor diz que se fosse legal ter funcionários a 60h semanais o faria e eles aceitariam, não mostro indignação. Quantas horas se fazem extra que não são pagas? Se me dessem 60h pagas devidamente e com as devidas condições laborais, eu fazia. 60h não é escravizar se ao funcionário forem dadas as condições humanas para tal. Mais escravatura poderá existir em 30 ou 40h semaias. E existe. Agora parte da pessoa aceitar ou não trabalhar todas essas horas de forma legal, ou sob escravatura.

E atenção aos boicotes. Não estão somente a prejudicar o empresário em causa, mas sim todos os seus funcionários.

Para concluir, todas estas empresas geram inúmeros postos de trabalhos, mais de metade da população portuguesa depende destes empregadores. Dá que pensar.

Citando-te: "Penso que não podemos mudar as coisas a espaços, temos de introduzir medidas estruturais que promovam um melhor equilíbrio."


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Robinson Kanes a 02.02.2017

Obrigado...

Vou tentar isolar por parágrafos:

A questão das chefias intermédias é uma discussão que ainda não se tem. Em meu entender são um dos cancros que importa resolver nas organizações nacionais. Há boas chefias, mas o rol de incompetentes é enorme e com consequências nefastas, para pessoas e negócio. A prova de que só gerimos bem a chicote é essa que referes... quando a supervisão é apertada, os abusos ou incompetência são menores. Em algumas organizações existe o chamado "speak out" ou seja, um mecanismo que permite a qualquer colaborador denunciar uma situação que prejudique o negócio ou atente contra qualquer valor defendido legalmente ou somente pela organização. Muitos desses programas são anónimos se bem que, e até concordo, estabeleçam que se tem de seguir um determinado caminho até chegar ao "carregar no botão".


"É sabido que há quem só exija e pouco faça. Tal como é sabido que há quem muito faça e pouco ou nada exija." Se é :-)

Só números e questões legais. Muitos colaboradores sabem que dificilmente serão despedidos (embora, às vezes...) e desleixam no trabalho... os colaboradores mais recentes, que culpam, muitas vezes, a organização... esquecem-se de culpar esses mesmos colegas. São eles que muitas vezes não permitem um melhor resultado. Claro que os números têm aqui um peso fundamental, mas tem de existir responsabilização dos dois lados. Esse é outro cancro em muitas organizações. Além disso, ainda existe, sobretudo por cá, a mentalidade de chegar a um emprego e ficar por lá para a vida inteira a troco de segurança na "carteira". Péssima forma de estar, em meu entender.

Entendo o teu ponto de vista, e aí poderá ser a organização a acautelar, muito provavelmente, repetições de pessoas que efectivam e depois... não quero com isto defender a organização, até porque desconheço a política de recursos humanos da mesma.

Os estágios profissionais é outra discussão que dá para muitas e muitas páginas. Existem organizações, sobretudo PME's que vivem de estagiários. Para mim, uma organização dessas, que perpetue essa prática não é sequer sustentável. O não querer trabalhar com estagiários e viver com subsídios foi uma das coisas que levou a minha "actual" organização a fechar portas. Não há lucros, vende-se e fecha-se. Empreendedorismo também é saber compreender e ler o negócio e parar quando a sustentabilidade está francamente ameaçada, os recursos para investir são escassos e o mercado estagnado.

Eu já trabalhei (e assumo que era demais) semanas a fio sem praticamente vir a casa. Dormia-se no local de trabalho tal era o volume e a troco de? Nada! É óbvio que isto não pode ser o dia-a-dia, mas na realidade tinha uma missão e não descansava se alguma coisa pudesse correr mal. Além disso era um período de crise para a organização que, no fundo, também era a nossa organização, quantos de nós sentimos isso no nosso trabalho?

Mais uma vez, e obrigado pela forma como fechaste o teu comentário, é mesmo estrutural, cultural e mental :-)
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Rita PN a 02.02.2017

Desde já o meu obrigado pela resposta e partilha de ideias.
Este tema daria origem a um debate de uma semana, dada a sua amplitude de questões pertinentes.
Vou tentar não me voltar a longar demasiado, pelo que vou comentar apenas três ou quatro pontos.

Começando pela mentalidade de conseguir um emprego para a vida, a troco de alguma, mesmo que pouca "segurança" para a carteira, digo que não sou de todo apologista.
Sou novinha, o que não me oferece estatuto, por assim dizer, para falar de certos assuntos ou tecer determinadas opiniões. Ainda assim posso dar exemplos pessoais. Mas antes, vou tocar num ponto sensível: não será essa mesma "segurança" e o comodismo os perigos maiores para as instituições? Não serão eles o verdadeiro inimigo da continua produtividade e do seu posterior aumento?
Se na vida eles são perigosos, no sector profissional ainda mais.
Agora outra questão, serão estes sinais apenas culpa do próprio trabalhador e fruto da sua maneira de ser e de estar, ou serão em parte, também culpa das organizações que não fomentam a competitividade saudável, que não motivam os seus colaboradores e que geram neles um certo descontentamento? Talvez também as leis laborais referentes aos incentivos de produtividade indivual e coletiva, devam ser revistos.
Como referi, não tenho experiência de vida profissional suficiente para falar muito, mas passei por 4 empresas, ao todo somo 8 anos de curriculum profissional. Em nenhuma me foi fechada a porta, fui eu quem saiu por necessidade de novos desafios. Todas elas foram excelentes degraus de aprendizagem. Cada qual me deu a bagagem suficiente para a seguinte. E sei que ainda não me fico por aqui. Numa delas auferia até mais do que aufiro hoje em dia, mas a realização pessoal e profissional não acontecia. Voltei, a convite, para a empresa anterior - a minha atual - mas para abraçar um novo desafio.

Nisto de ambição muito há para se dizer. E dou graças a deus por ver parte da minha geração arregaçar mangas e jogar-se com unhas e dentes ao caminho para as suas metas.
Aqui, chego ao empreendedorismo jovem. Fulcral, essencial e necessário ao país. Certo é existir ainda um longo caminho a ser percorrido, principalmente no que aos apoios estatais e privados diz respeito, em determinados setores.
Estes jovens, muitas vezes desacreditados por aqueles a quem chamo "Velhos do Restelo", por trazerem novas ideias e visões, são o sangue novo necessário, a visão aberta, a força do querer e do acreditar, a mudança que se quer e a estrada para um futuro, que acredito ser promissor, a muitos deles.

Outro ponto importante, a constatação das horas, dias e semanas trabalhadas sem ir a casa. Só o faz quem realmente veste a camisola. Quem integra a instituição no seu todo e a sente parte de si. Aquele cuja missão é a missão da empresa. E nem todos estão dispostos a isso.
Aí, dando um exemplo pessoal posso dizer que, na dita empresa que referi anteriormente, da qual sai por falta de realização, cheguei a trabalhar 6 meses sem uma única folga. Entre duas cidades diferentes, com quatro lojas sob minha supervisão. Não só os objetivos da empresa eram os meus, como também os de cada loja o eram. Engraçado que essas lojas são da empresa onde atualmente trabalho e que anterior já havia sido a minha entidade empregadora. Voltei a convite da mesma, mas para abraçar um novo projeto.
Nesses seis meses quantas vezes eu ouvi " Tu és maluca. Era mesmo eu que trabalhava essas horas todas e ainda pagava a deslocação do meu bolso. Eu levanto-me, faço as minhas horas, vou lá ganhar o meu e pronto." - Isto é a diferença entre apostar em nós próprios e em deixar, simplesmente, a vida andar.

Voltando à missão das organizações. Que bem seria que pelo menos 70% dos funcionários de cada uma, partilhassem da mesma visão e a integrassem como sendo a sua também.
Só como um todo isto faz sentido. Só como um todo se vai mais longe.
E aqui pergunto, a culpa é de quem? Dos trabalhadores e da sua forma de ser e de estar? Dos empregadores que muitas vezes não são próximos o suficiente dos seus funcionários, não tendo também, muitas das vezes, a devida capacidade de gestão de pessoal e de conflitos, de motivação e de incentivo? (vou continuar a baixo)
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Rita PN a 02.02.2017

Ou, voltando ao mesmo, será culpa das politicas laborais que permitem certas e determinadas situações, gerando descontentamento generalizado?
A culpa é de todos. Nunca isolada nem inerente a uma das partes.

Há que mudar sim. Não apenas porque sim, mas porque se o país quer avançar, são necessárias mudanças naquelas que são as maiores geradoras de postos de trabalho em Portugal.
E as melhores mudanças começam por dentro.
E atenção, muito se olha à empresa no seu todo e muito pouco individualmente. Quem permite o lucro é a base da pirâmide e sem uma base sólida nada se fortifica. Existem muitas pirâmides que funcionariam melhor com menos níveis. As tais chefias intermédias que referiste como um dos cancros das entidades.

Enfim... já vai longo o debate. Termino citando-te uma vez mais, mudanças sim, "estruturais, culturais e mentais".

Um beijinho
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Robinson Kanes a 02.02.2017

Tens sido muito importante neste debate! Eu é que tenho de agradecer.

Idade não impede que já se tenha inteligência suficiente para colocar as cartas na mesa e discutir assuntos sérios. Não te acanhes.
Respondendo à tua questão, sim é um dos inimigos, na medida em que a motivação e não só, tende a esmorecer rapidamente. Motivação com base só no salário ao fim do mês não é de todo a melhor forma de colocar as coisas e se protelarmos a mudança para algo que nos dê "ganas" as consequências do ponto de vista da produtividade não serão as melhores. A culpa, efectivamente é dos dois lados - se por um lado temos uma certa falta de... garra... pelo outro temos muitas organizações que não premeiam o mérito e muitos "líderes", sobretudo intermédios que fazem apanágio de estar sempre com um discurso negativo e de derrota. A ausência de reconhecimento do mérito é também uma grande falha nas chefias intermédias. Falas também em incentivos - eu defendo um trabalho com incentivos, mas temos de ter muita cautela, logo na fase de recrutamento. São muitos aqueles que por mais que ganhem nunca ficarão satisfeitos e poderemos estar a criar uma "pescadinha de rabo na boca". Não são poucos os casos, em que as pessoas (mesmo quando não atingiram resultados favoráveis) continuam a receber incentivos e aumentos mas... também continuam a achar que é sempre pouco. Mas isso já nos levaria para uma questão mais sociológica e cultural até.

Em 8 anos já tens uma grande experiência, não negues isso :-) . Quem não tem 20 ou 30 anos de experiência e está longe provavelmente daquilo que já atingiste? (penso que, até foi alguém que já referiu isso aqui). Fizeste bem e aprendeste. Penso que é justo falar um pouco de mim, coisa que por aqui não faço muito: tenho uma licenciatura bi-etápica, ou seja Bacharelato mais Licenciatura, tirei mais tarde um Master, fora uma especialização e outros tantos cursos. No entanto, deixei há dois anos um emprego de chefia, bem remunerado para me "meter" num projecto que sabia que praticamente estava condenado à partida, não pela qualidade, mas pelas dificuldades no mercado e na mentalidade dos promotores - nada de estagiários nem de subsídios, somos tão poucos para sacrificar tanto o erário dos cidadãos Europeus, subsídios deverão ser o prémio por bons resultados no futuro ou para investimentos em maior escala mediante aumento de vendas. O resultado é que as coisas correram bem, mas mediante a ausência de mercado em Portugal encerrou-se a empresa e vendeu-se muito do "know-how" para o exterior. Falhanço? Não me parece. Diria que seria mais uma aposta num desafio difícil. Claro que a segurança, aqui, não foi tida em conta. Tirando isso, e não tenho muito mais anos de experiência que tu, já conduzi ambulâncias, já trabalhei nas obras, já fiz distribuição e montagens... tudo isso me ajudou imenso a atingir outros cargos que foram realmente importantes. De facto não posso dizer que sou rico, mas confesso que não tenho paciência para estagnar e viver para uma casa, para um carro e para "show off". Se os últimos tempos têm sido complicados, sim, de facto... sobretudo porque recuso receber ou oferecer cunhas (agora "networking" que é mais pomposo), quero ser reconhecido pelo meu talento. Isto para te dizer que talvez esteja errado... e como tu, fui sempre eu a sair... no entanto, sou fiel a estas convicções, até porque gerir pessoas e segurar a minha ética contra tudo e contra todos, já provou que consigo resultados de produtividade e bem-estar muito bons. Acho que, apesar de tudo, estou longe de deixar a vida andar, mas assim... basicamente temos sempre uma história para contar. Ainda um destes dias disse que tinha visto umas vagas para "call center" e hipermercados ( ainda estou com a equipa a encerrar a organização e a terminar os últimos projectos - a custo zero) e disseram que era doido, com o meu CV, fazer isso! Mas... afinal, quero trabalhar ou não? Até já me disseram que devia ter vergonha e que isso poderia arruinar a minha carreira! Sim, trabalhar pode arruinar uma carreira? Enfim, vai um pouco ao encontro das tuas palavras.

A culpa é de todos. Políticas laborais ainda muito coladas a um passado pós-revolucionário e sindicalista, isso é um facto, mas também pela falta de capacidade... continua...


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Robinson Kanes a 02.02.2017

de gestores, e volto a atacar os intermédios, em pensarem na sua equipa como algo mais global e não como uma forma de cumprirem as suas ambições de desenvolvimento, mas também de se formarem para as respectivas posições -tecnicamente, socialmente e "humanamente". Felizmente, já se vão vendo alguns bons exemplos. Os colaboradores, esses por sua vez têm de olhar a organização como sua também e... mais que isso, compreender o papel do seu trabalho, não só nesta mas também na sociedade ( aqui o papel da gestão também é fundamental).

E agora cito-te eu: "Quem permite o lucro é a base da pirâmide e sem uma base sólida nada se fortifica. Existem muitas pirâmides que funcionariam melhor com menos níveis. As tais chefias intermédias que referiste como um dos cancros das entidades".

Essa é uma grande verdade.

Um beijinho

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Rita PN a 02.02.2017

Um dos aspectos positivos da blogoesfera é esta abertura ao debate de ideias, à troca de ideias e à aprendizagem quando se sabe filtrar a imensa quantidade de informação que nos chega todos os dias.
(E isto agora não vem na sequência do debate anterior, mas acho pertinente referi-lo, até porque é igualmente aplicável ao universo laboral - "Aprendemos a massificar informação, a globalizar a economia, a comunicar produtos e a fazê-los chegar com a mesma força a todo o lado, mas depois esquecemo-nos de dar as ferramentas para que as massas pudessem crescer e cultivar-se dentro de uma lógica de conhecimento diversificado. E assim construímos um mundo de pessoas iguais, feitas de gostos similares". - Palavras de José Paulo do Carmo, na sua rubrica 'Na linha da frente' no jornal i).

Embora me digas que a idade não é impeditiva de expor determinadas opiniões e ideias, eu ainda me sinto no papel de "não ser ninguém para o fazer". Tenho um longo caminho a percorrer e muito para aprender. Vou absorvendo daqui e dali e criando a minha própria maneira de pensar, de ver e de agir. e aqui vou, automaticamente, saltar para um ponto bastante importante que referiste:
"De facto não posso dizer que sou rico, mas confesso que não tenho paciência para estagnar e viver para uma casa, para um carro e para "show off". Quero ser reconhecido pelo meu talento. Isto para te dizer que talvez esteja errado... no entanto, sou fiel a estas convicções, até porque gerir pessoas e segurar a minha ética contra tudo e contra todos, já provou que consigo resultados de produtividade e bem-estar muito bons. Acho que, apesar de tudo, estou longe de deixar a vida andar, mas assim... basicamente temos sempre uma história para contar." - É isto. Faço minhas as tuas palavras.

Fazes referência a supermercados e call-center. Não vejo onde está a vergonha nisso. Vejo vergonha sim, na necessidade de ocultar competências profissionais do curriculum, para que se seja aceite numa dessas vagas.
Todo o trabalho, desde que honesto, é legítimo. Com mais ou menos experiência, com mais ou menos conhecimentos. Desde que se tenha um objectivo e se lute por ele todos os dias.
Acho ridícula essa mentalidade de um emprego de empregado de balcão, de call-center ou de caixa de hipermercado arruinar uma carreira, ou ser mal visto. Será por ventura menos vergonhoso viver de subsídios?
não. não vou entrar por aí nem pela história dos recibos verdes. senão vamos ficar um mês em debate : )

Tocaste noutro ponto que acho de extrema importância. Questões sociológicas e culturais. quer queiramos quer não, são intrínsecas às restantes. O modo de ser e de estar de cada um, delas resulta. Logo, a postura perante a sua entidade empregadora também a elas está associado, assim como a das entidades empregadoras perante os seus trabalhadores.
Não estarão as leis de um país, em grande parte, associadas a questões culturais e sociológicas também? Para exemplificar vou fugir ao tema e introduzir um outro - como mero exemplo - a legalização ou não da eutanásia. Não serão as diferentes opiniões, fruto das diferentes ideologias sociais e culturais?

No que aos incentivos individuais e coletivos diz respeito, apenas vou acrescentar o seguinte: aqueles que deles auferem à custa do trabalho do demais. Nem sempre os resultados de uma equipa, são totalmente fruto de um trabalho de equipa. Daí que eu defendo os incentivos individuais sim, mas nem sempre os coletivos. Ou melhor, defendo os coletivos se todos os individuais forem atingidos.

A questão das chefias intermédias adoptarem na maioria das vezes um discurso negativo e derrotista e não reconhecerem o mérito, apontando constantemente os erros e nunca os acertos, é, a meu ver, um dos pontos que causa maior indignação nas equipas e que leva à tal desmotivação do pessoal e a uma maior dificuldade no atingimento de objectivos.
"Se está sempre tudo mal, façam eles."
Níveis a mais na pirâmide...

E para finalizar vou deixar dois links com textos de opiniões que gostei especialmente de ler, onde são abordados outros aspectos da questão:

https://ionline.sapo.pt/artigo/541772/os-bons-tambem-existem-por-ai?seccao=Opiniao_i

http://hsacaduracabral.blogspot.pt/2016/03/a-triste-geracao-que-virou-escrava.html
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Robinson Kanes a 03.02.2017

"mas depois esquecemo-nos de dar as ferramentas para que as massas pudessem crescer e cultivar-se dentro de uma lógica de conhecimento diversificado".

Grande mote! O acesso fácil a tudo levou a uma espécie de egoísmo (o que é estranho) e a uma outra sensação de que o material substitui tudo o resto. O conhecimento caiu em "desuso". Dou-te um exemplo: uma das coisas mais exploradas em Portugal (em outros países também) ao nível do trabalho é o chamado "networking". Valoriza-se a necessidade de fazer contactos profissionais mais do que adquirir conhecimento. Isto é outra das coisas que poderia muito bem encaixar no que temos estado a discutir.

Será por ventura menos vergonhoso viver de subsídios (como referes) ou de favores e com isso, no futuro até, ter pouca margem de manobra para tomar certas decisões ou optar por outros caminhos? É um tema daqueles.

Um país, e consequentemente as suas leis são a imagem de um povo, isto para te dar toda a razão no que apontas. No caso da Eutanásia, mais que discutir o certo ou o errado, é importante discutir a matéria legislativa e isso... não vejo muitos a fazer. Mas sim as opiniões divergem entre uma sociedade conservadora, herdeira de um passado não muito distante e com muito foco na religião e na moral e uma sociedade mais moderna, indivíduos mais vanguardistas que, muitas vezes, não são assim tão vanguardistas... mas isso, como dizes, também seria outro tema daqueles.

Os incentivos a quem os merece... não é por acaso que existem KPI individuais e colectivos. Totalmente de acordo.

Níveis a mais na pirâmide e muita, mas muita falta de formação humana.

o texto do João Paulo do Carmo, podia ter ido mais longe e ter fugido... quase a um relato na primeira pessoa. Mas de facto são situações que acontecem. Acho que o essencial é sobretudo o: fazer aquilo que os outros esperam de nós! Infelizmente, o outro lado do texto também é uma realidade, e são muitos(as) os(as) que não fogem.

O texto da Ruth Manus é qualquer coisa, é um retrato sagaz de uma sociedade e de como muitos dos jovens andam enganados. Lembro-me de uma conversa com uma Administradora de um banco que me dizia: "isto? Nem queira saber, são um bando de frustrados logo aos 27-28 anos. Pensavam que iam chegar a esta idade e já seriam todos CEO do banco. E olhe que nem ganham nada mal e até têm posições confortáveis!" Acho que é um bom exemplo e adequado a texto.

Obrigado pelos teus "inputs", tenho aprendido muito, e espero que quem nos leia faça o mesmo.
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Rita PN a 03.02.2017

Não tens nada a agradecer-me, foi uma excelente troca de ideias, bastante construtiva e importante para ambos. (Espero que para quem a tenha lido também, se bem que dada a extensão de cada comentário, não me parece que muita gente se tenha neles demorado) :-)

Vou demostrar a minha gratidão, voltando a citar João Paulo do Carmo, em mais um dos artigos que te convido a ler:
https://ionline.sapo.pt/artigo/523940/envelhecendo-por-ai?seccao=Opiniao_i

"Ninguém cria raízes nem está por aqui a mais. Não há quem já tenha feito tudo. Todos temos, por mais que a idade nos entrelace, algo a acrescentar ao mundo, nem que esse mundo seja o desconhecido que passou por ali. Quem aprende precisa de quem ensina; para quem precisa de ajuda tem de existir alguém disposto a ajudar; quem merece uma oportunidade tem de ter quem a dê. Crescer é também perceber e gerir os momentos da vida, mas não acho que os mais velhos tenham de saber obrigatoriamente mais que os mais novos, nem que quem é novo seja mais merecedor de conquistar sonhos do que quem tem uma idade mais avançada."

Grata por esta conversa!
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Robinson Kanes a 03.02.2017

Bom texto e boa visão das coisas como elas são... ou deveriam ser.

Esta conversa traz-me à memória temáticas interessantes... julgo ter alguns artigos que possas gostar, mas tenho de ir ao "baú". Voltarei com eles.


P.S: com o ânimo a escrever vou dando alguns erros... leia-se "porventura" ao invés de "por ventura". Acho que se continuar a ler vou encontrar mais gralhas :-)

Obrigado e bom fim de semana.
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Rita PN a 03.02.2017

É muito bom sinal quando uma temática nos consegue fazer refletir não só sobre a mesma, mas também sobre outras.
Irei lê-los com muito gosto, tal como já li outros anteriores, só ainda não comentei. Tratarei disso num dia de folga! Com cabeça tranquila.

Não te preocupes com os erros. Se for passar em revista os meus comentários, por certo encontrarei uns quantos. É como dizes, fruto da emoção de Escrever.

Um beijinho e um bom fim de semana.
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Rita PN a 07.02.2017

R.K. desde já muito obrigada pelos links referenciados. Só hoje tive oportunidade de os ler com a devida atenção.
O primeiro vai, sem sombra de dúvida, ao encontro de temas implícitos na conversa anterior, chegando bem mais além. Toca em pontos de extrema importância (que a serem discutidos aqui, dariam pano para mangas).
Já o teu artigo traduz de forma clara e mais simplista o conceito de "engagement", que a título de curiosidade posso dizer que conheci primeiro na prática e só depois teoricamente.

Curioso é também o facto de há 2 dias me ter debruçado sobre meia dúzia de artigos e vídeos sobre os "millenials", onde ao fim ao cabo me incluo. Isto para dizer o quê? Para dizer que muitas das mudanças necessárias no sector laboral, a esta geração se devem. Pela necessidade que as empresas começam a sentir de ir ao "seu encontro", de os cativar e de os fazer ficar.
No entanto, não existem um padrão de "millenials", existem pelo menos 5 tipos diferentes.
Outro assunto que, ao ser discutido, daria pano para mangas.

vou deixar os link de um dos artigos (o que tinha mais à mão) e o de uma palestra de Simon Sinek a propósito de "Millennials in the Workplace".

https://www.dinheirovivo.pt/fazedores/os-millennials-todos-iguais-tem-pelo-menos-cinco-tipos-de-personalidade/
https://www.youtube.com/watch?v=hER0Qp6QJNU
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Robinson Kanes a 08.02.2017

Obrigado! Vou olhar para o que me enviaste com atenção.

Mas, diz-me uma coisa... não achas que a diferença entre os Millennials e as gerações anteriores são mínimas? Tem-se feito muito alarido em torno disso e, sinceramente, acho que as diferenças são poucas.
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Rita PN a 08.02.2017

Como em tudo o que se torna tema central, existe e existirá sempre tendência para o exagero. Esta temática não é excepção.
Respondendo à tua questão, aos olhos da minha interpretação e observação comportamental, existem diferenças significativas. Não em número, mas em amplitude.
Posso dizer-te que à excepção de uma empresa (onde todos nós, independentemente da hierarquia éramos millennials), sempre trabalhei com gerações diferentes e o "estar" de uns é notoriamente diferente do "estar" dos restantes.

Se avaliado segundo o desempenho de tarefas, os millennials são visionários, são detentores de ideias empreendedoras e estão sobretudo voltados para encontrar soluções de ordem global. Chegam mais facilmente ao cliente, identificando mais rapidamente a sua necessidade, sendo-lhes mais fácil arranjar a (ou uma) solução que o satisfaça.

É uma geração que valoriza o aperfeiçoamento e crescimento pessoal, acreditam que podem fazer a diferença, sendo que a projeção dos seus ideias é notória nos seus resultados a nível profissional.
É a geração que não se acomoda e não sabe lidar com a frustração e com o fracasso. Se não se sentem realizados, mudam. Já a anterior geração prefere o comodismo de um emprego para vida, a segurança de viver para uma casa e um carro, seguindo padrões de consumo e comportamentais.
A nível de qualificação, os millennials são uma geração mais qualificada (não vou aqui questionar a qualidade dessa qualificação, mas é notório o progresso.) É uma geração mais rica em referências e educacionalmente mais culta que a anterior. Porquê? Porque nasceu na era global. Cresceu a relacionar-se com novas tecnologias e a ter a acesso fácil a todo o tipo de informação. Não viveu apenas a realidade do bairro, nem aprendeu apenas as lições que lhes foram passadas diretamente. É uma geração com necessidade de mais, sempre de mais ... Insaciados por natura.

Todo este conhecimento e informação de que dispõe, gera um padrão de comportamento diferente, inevitavelmente. Que a nível social, quer pessoal, quer profissional.
Muitas das dificuldades que as empresas sentiram, a esta geração se devem. Não só porque o padrão de cliente mudou, sendo necessário mudar o ângulo de visão e a estratégia de múltiplas organizações, para ser possível ir ao encontro destes novos consumidores, como se tornou uma dor de cabeça conseguir cativar estes homens e mulheres para determinados setores do mercado. A contratação não é pêra doce, mas criar condições para manter estes trabalhadores na empresa, é, talvez, dos mais sérios problemas que certas organizações enfrentam.
Se uns se acomodavam, estes novos não têm problema em saltar de trabalho em trabalho, na busca quer dos seus ideias, quer do crescimento necessário, quer da tal (muitas vezes utópica) vontade de fazer diferente e "mudar" uma parte do mundo.

É apenas e somente a minha visão. Vale o que vale.
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Robinson Kanes a 09.02.2017

"os millennials são visionários, são detentores de ideias empreendedoras e estão sobretudo voltados para encontrar soluções de ordem global. Chegam mais facilmente ao cliente, identificando mais rapidamente a sua necessidade, sendo-lhes mais fácil arranjar a (ou uma) solução que o satisfaça."

Concordo, aliás, penso que essa capacidade de reagir mais facilmente está bem patente, no entanto quando digo que não existem tantas diferenças atento também nas realidades... para se comparar uns e outros temos de ter em conta um contexto que era diferente. Mas sim, aqui sim... muito também por culpa de alguma pressão do mercado, o que não existia nas gerações anteriores.

"É a geração que não se acomoda e não sabe lidar com a frustração e com o fracasso. Se não se sentem realizados, mudam. Já a anterior geração prefere o comodismo de um emprego para vida, a segurança de viver para uma casa e um carro, seguindo padrões de consumo e comportamentais. "

Se me falares de uma cultura mais Europeia, mais Asiática até ou até mais Norte-Americana estou contigo, em Portugal, ainda vejo pouco. Vejo muita pompa mas no fim, e tendo em conta a realidade nacional, não vejo muito isso. Aqui são iguais.

"uma geração mais rica em referências e educacionalmente mais culta que a anterior. Porquê? Porque nasceu na era global. Cresceu a relacionar-se com novas tecnologias e a ter a acesso fácil a todo o tipo de informação. Não viveu apenas a realidade do bairro, nem aprendeu apenas as lições que lhes foram passadas diretamente. É uma geração com necessidade de mais, sempre de mais ... Insaciados por natura. "

Se do ponto de vista do Marketing concordo perfeitamente contigo e teria isso em conta numa estratégia... na cabeça não vejo muito isso. Seremos mais cultos que a anterior, ou teremos mais habilitações? Não estaremos num patamar semelhante com a geração anterior? Temos acesso fácil a tudo... acesso fácil implica poucas dificuldades e excesso de informação tem vindo a ser provado que nem sempre tem os melhor resultados. Queremos mais e mais, mas de acordo com as modas e com o consumo... o espaço para a realização pessoal e intelectual (falaste em sermos cultos) parece não estar a acontecer. Se formos por aí, as gerações anteriores têm algumas coisas para nos ensinar, pelo menos nesta matéria.

"A contratação não é pêra doce, mas criar condições para manter estes trabalhadores na empresa, é, talvez, dos mais sérios problemas que certas organizações enfrentam.
Se uns se acomodavam, estes novos não têm problema em saltar de trabalho em trabalho, na busca quer dos seus ideias, quer do crescimento necessário, quer da tal (muitas vezes utópica) vontade de fazer diferente e "mudar" uma parte do mundo. "

A contratação não é "pêra doce" porque muitas vezes está desfasada da realidade das organizações. Contactei com muitas organizações e vejo em algumas ainda um total desconhecimento do que se pretende... isso deixa-me a pensar o que é que tantos "managers" e profissionais de RH estão ali a fazer. Mais que passar muito tempo na organização, julgo ser importante estar a 100%.

Vale o que vale e são conclusões muito interessantes as que apresentas. Gosto deste debate de ideias. Pena que exista tanta gente com responsabilidades bem maiores que as nossas e não se interesse por estas discussões.

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Rita PN a 09.02.2017

Pegando neste teu parágrafo, " Seremos mais cultos que a anterior, ou teremos mais habilitações? Não estaremos num patamar semelhante com a geração anterior? Temos acesso fácil a tudo... acesso fácil implica poucas dificuldades e excesso de informação tem vindo a ser provado que nem sempre tem os melhor resultados. Queremos mais e mais, mas de acordo com as modas e com o consumo... o espaço para a realização pessoal e intelectual (falaste em sermos cultos) parece não estar a acontecer. Se formos por aí, as gerações anteriores têm algumas coisas para nos ensinar, pelo menos nesta matéria."

Não podemos generalizar, é um facto. Mas atendendo à maioria eu diria que sim, que beneficiamos de mais instrução e escolaridade. O mais fácil acesso a ela (e a sua obrigatoriedade) para isso contribuíram. (Não questionando a sua qualidade.)
Malandros sempre os houve e sempre os haverá. Esses não os incluo nos meus comentários. Nada têm de relevante.
Concordo quando dizes que o acesso fácil a tudo nem sempre é um aspecto positivo. Cria facilitismo, é verdade. Mas também é necessário vê-lo por outro ângulo, em caso de necessidade tens-lhe acesso fácil, o que poderá contribuir para uma mais rápida resolução de uma qualquer questão ou situação. A demora na resposta, em determinadas situações é, também, prejudicial. Hoje em dia houve-se muito "tempo é dinheiro", dando-se primazia à rapidez, fluidez, eficácia e eficiência dos processos.
Diria que estamos perante uma faca de dois gumes e que nos cabe a nós, saber como gerir da melhor forma a facilidade de acesso à informação.
No que à sua quantidade e qualidade diz respeito, eu diria que também depende de nós aprender a filtrá-la. Aqui também vai muito pelos interesses de cada um e pelo foco. Os mais dispersos, vagueiam mais (por assim dizer), perdem-se mais facilmente, coisa que se aliada a alguma ingenuidade, leva a que e acredite em toda e qualquer fonte noticiosa, por exemplo. Aqui entra o campo das referências, se instruídos o suficiente, saberemos quais as fontes de consulta mais fidedignas de acordo com o nosso foco.
Atenção a uma coisa, também as anteriores gerações beneficiam agora deste rápido e fácil acesso, não tendo porém, a mesma predisposição para a utilizar e para dela tirar um maior beneficio.

Agora vejamos, temos muito a aprender com os mais antigos, claro que sim e nem coloco isso em questão. é para mim um dado adquirido. Mas aquilo que eles têm a aprender connosco também é bastante. com eles viajamos ao passado, às nossas raízes, à nossa História, às revoluções, ao começo da evolução contínua (embora mais bem mais demorada que a presenciada na atualidade), aos porquês das coisas, à sabedoria popular, ao inicio dos processos computacionais, às invenções tecnológicas. Com eles aprendemos a valorizar a democracia, ao nos serem transmitidos os valores defendidos pelos fascistas. aprendemos com eles tudo aquilo que não vivenciámos e isso é inquestionável. Agora vejamos o quanto têm eles a aprender connosco. Todo um futuro, toda uma mudança veloz e contínua, toda uma nova forma de ver, criar, percepcionar, viver, analisar, mudar, adaptar... (e inumeraria muito mais, mas é suficiente para passar a ideia). Já para não falar no presente.

Diria, então, que cada geração é detentora da sua cultura. Umas mais histórica, outras mais tecnologicamente avançada. Falas em modas. Ok, concordo. Mas agora repara, não estarão as modas a fazer o mercado? Não será necessário acompanhá-las? Não as defendo nem recrimino. Considero-as necessárias à mutação e rotatividade. São um desafio ao mercado e só esse desafio pode gerar rotatividade, inovação e avanço.
Não podemos olhar para as modas apenas como modas. Temos que conseguir ver em que aspecto elas nos poderão ser favoráveis. E nisso os millennials são especialistas. A meu ver.
Modas são tendências, coisa que o mercado deverá estar sempre pronto para a companhar, por forma a não correr o risco de chegar atrasado e, quando lá chega, já passou. E aí veremos ainda mais empresas a fechar.

É necesário ter um pé no presente e outro no futuro.

A questão dos RH não é culpa somente dos RH, é de toda uma hierarquia. Também eles cumprem ordens. continua...
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Robinson Kanes a 09.02.2017

Em relação aos primeiros parágrafos pouco haverá a dizer, penso que aí conseguimos chegar a uma conclusão tendo como base o que ambos escrevemos. De facto a informação é muita e os "timmings" são cada vez mais apertados, contudo temos de perceber que (e recorrendo a um velho slogan) "vale mais perder um minuto na vida que a vida num minuto". Ter pareceres, fontes, estudos fidedignos é fundamental e gerir os mesmos ainda mais... Capacidade analítica é também fundamental. Se conseguirmos, o suporte cientifico será sempre fundamental, mas até aí a informação já é em demasia. É um dos segredos para uma gestão das coisas ainda ao alcance de poucos.

E sim, muito do que se tem hoje está à disposição de gerações anteriores, contudo, temos de ter em conta que os tempos de adaptação são diferentes... forçar isso, afasta os mesmos de uma motivação que se quer presente.

Em relação às modas temo que estejamos a olhar para situações diferentes... importa separar a "moda" organizacional e até a psicológica (se é que me faço entender) da moda mais... mercantil. Pegando numa estratégia de marketing é com base na moda e no mercado, e até na antecipação do mercado, que tenho de colocar o meu foco... dúvidas aí não existem. Quem não acompanhar as tendências fica para trás... embora já existam casos em que... a contra-moda pode ser uma mais-valia. Mas para irmos mais longe nisso tínhamos de criar outro artigo e discutir a moda que não é moda mas é criada como tal para "manipular" o mercado e a moda que é uma necessidade ou algo espontâneo. Podíamos discutir o ir ao encontro das necessidades/motivações do consumidor (mais recente) ou tentar ditar a tendência. Mas isso já é outra questão. Falava sobretudo das modas da nossa cabeça :-) e aí Lipovetsky tem razão quando diz "a consciência de se ser um indivíduo com um destino particular, a vontade de exprimir uma identidade singular, a celebração cultural da identidade pessoal, foram uma força produtiva, o próprio motor da mutabilidade da moda". Penso que resume um pouco o que defendemos.

No entanto, e voltando atrás, ficou-me uma questão... não podemos olhar para as modas como modas, porque ao trabalharmos só para a moda corremos o risco de não conseguir acompanhar a próxima moda e por aí adiante... não esqueçamos que as modas passam e são muitos os negócios que caem por tentarem acompanhar a moda... outros nem por isso... também há esse lado. Isto, porque gostei da tua ideia.

Sim, toda uma hierarquia, onde os RH têm de fazer por se envolver mais.



"Talvez a preocupação não se prenda com o grau de responsabilidade, mas com a maneira de ser e de estar de cada um. a nós, é-nos necessário este debate e crescimento que dele advém, é-nos necessário ouvir diferentes opiniões e conhecer mais do que o somente necessário. A outros não. Basta-lhes o dado adquirido e o inquestionável. Os nossos horizontes alargam, enquanto outros se mantém. E outro aspecto importante nos debates, aprender a respeitar diferentes opiniões e nunca a impor a nossa, mas sim dá-la a conhecer. "

Parabéns! Nem argumento!


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Rita PN a 09.02.2017

Estar a 1005 numa empresa? Sim. Fazer da sua missão a nossa. Ser parte integrante do processo. Remar para o mesmo lado e saber que o nosso braço ajuda à chegada ao destino. É de estrema importância saber quais os propósitos da empresa. Só assim poderão ser tomadas decisões acertadas. E nelas incluo o recrutamento.

Talvez a preocupação não se prenda com o grau de responsabilidade, mas com a maneira de ser e de estar de cada um. a nós, é-nos necessário este debate e crescimento que dele advém, é-nos necessário ouvir diferentes opiniões e conhecer mais do que o somente necessário. A outros não. Basta-lhes o dado adquirido e o inquestionável.
Os nossos horizontes alargam, enquanto outros se mantém.
E outro aspecto importante nos debates, aprender a respeitar diferentes opiniões e nunca a impor a nossa, mas sim dá-la a conhecer. E ainda hoje, vejo em televisão, muita tentativa de imposição.

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