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Os sentimentos referem-se primordialmente à qualidade do estado de vida no interior "antigo" do corpo em qualquer situação, durante o repouso, durante uma actividade conduzida com um objectivo, durante a resposta aos pensamentos que estamos a ter, quer sejam causados por uma percepção do mundo exterior ou pela recordação de um acontecimento, arquivado nas nossas memórias.

António Damásio, in  "A Estranha Ordem das Coisas. A Vida, os Sentimentos e as Culturas Humanas"

 

 

Tanta chapada de mar... Depois da "Nau dos Corvos" abre-se um novo mundo, um mundo onde sabemos que vamos mas não sabemos se voltamos, acreditamos no mar, acreditamos no destino. Tanta chapada de mar levei em miúdo, agarrado a barcos maiores e a semi-rigídios onde cada vaga nos levantava e a paisagem passava a ser vista de cima.

 

Tantas "ralhadelas", tantas... "Oh Miguel, qualquer vocês matam-me o miúdo"... Mas era tão bom chegar todo molhado - nesse tempo não existiam constipações, não existia medo. Existia boa caldeirada, muitas vezes terminada na lota em Peniche, de onde hoje sai o barco para os turistas. Terminada em Peniche ou em Porto Dinheiro, "Portnhero" como dizem/diziam os locais...

 

Tantas tardes a ver aquele mar bravio, a ver os barcos chegarem, a comer tremoços e pevides, estas últimas descascadas pelo meu pai. Gente de pele queimada, gente de dura faina... Gente que me odiava quando me enrolava nas redes que as mulheres tão habilmente teciam...

 

Fins de tarde na varanda para o Atlântico, fins de tarde no "Chico Neto", fins de tarde nos locais recônditos da Avenida do Mar, onde a caldeirada e o peixe grelhado ou cozido eram bem mais saborosos que em qualquer restaurante.

 

Tantas tardes, tanta amizade, tanta camaradagem... E é tão difícil encontrar essas experiências de criança, hoje em dia. Olhando as Berlengas, talvez aproveite para me colocar na pele daquele miúdo que entre admirava o labor nas traineiras ou a alegre solidão enquanto os primos andavam na pesca submarina. Talvez entre a solidão do semi-rigido e a azáfama das traineiras, e mais tarde de outras "tábuas", encontre aí essa memória, essa companhia dos homens e do mar na tristeza de um mundo que em terra perdeu o seu sentido e a sua humanidade.

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26 comentários

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Calimero a 19.11.2019

Texto nostálgico, num dia que nos desperta essa nostalgia..

AS vezes tenho tantas saudades dessa criança ..

Um beijinho Kanes
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Robinson Kanes a 19.11.2019

Olá Cali,

Também... É por isso que gosto de dias/noites de chuva.

Beijo,
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MJP a 19.11.2019

Belas memórias, R.! :-)

Dia Feliz!

Beijo
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Luísa de Sousa a 19.11.2019

Gostei muito de ter estado aqui!!!!

Beijinhos
Feliz Dia!
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Robinson Kanes a 19.11.2019

Não me espanta, porque será?
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Folhasdeluar a 19.11.2019

Belo texto...cheio de imagens e de poesia....:)))

Mas não resisto a ser chato. Há sons que nos ficam gravados e um deles é o "cantar" das gaivotas quando acordava de manhã nas Berlengas. As Berlengas também são pôr-do-sol e paz. E há uma outra coisa que é o sentimento de irmandade que nasce nas pessoas que dormem na ilha...depois dos visitantes do dia partirem...belas Berlengas...:))))
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Robinson Kanes a 19.11.2019

Isso dava para muitos artigos. É dos sons que mais me encantam...
Nunca houve necessidade de dormir nas Berlengas, por motivos óbvios, mas imagino. Se em Peniche já é o que é. No entanto, algumas das grandes memórias nesse registo, tenho-as na Terceira, mais precisamente no Ilhéu das Cabras, é uma orquestra que se ouve nos EUA :-))))

A outra, além de Peniche, é a de Sciacca na Sicília.

Simplesmente fantástico - e olhe que em Alcochete também.

Imagine o sentimento de quem as habita.

Gostou de dormir na Fortaleza?
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Folhasdeluar a 19.11.2019

Não dormi na fortaleza. Infelizmente aquilo não é (era) "habitável". dormi nuns quartos que pertencem(ciam), ao restaurante que fica sobre o porto.
É triste verificarmos como a fortaleza, (que tem pano para mangas), esteja, ou estivesse tão mal em termos de comodidades. Não é que quem vá às Berlengas, deva esperar luxos, mas daí a ver colchões, tipo enxergas no chão, vai um grande "vácuo"....))))
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Robinson Kanes a 19.11.2019

Daí a minha pergunta :-)))
Agora já está um pouco melhor :-)
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Anita a 19.11.2019

São tão boas as recordações de criança
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C.C. a 19.11.2019

Tantas recordações que embalam quem aprecia a tua fotografia!
Gostei imenso da partilha...
Grande abraço.
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Robinson Kanes a 19.11.2019

Obrigado, meu caro!

Fico grato. Um Abraço.
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cheia a 19.11.2019

Hoje, as crianças estão presas aos écrans.

Um abraço
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Robinson Kanes a 19.11.2019

Eu já apanhei essa febre mas... Quem me tira o mundo...
Abraço
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Robinson Kanes a 19.11.2019

Calha bem... Calha bem... Quando as horas são de inferno:-)
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As horas de inferno costumam ser as mais produtivas. Tudo de bom
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Robinson Kanes a 21.11.2019

Até porque mais vale reinar no inferno do que servir no céu :-)
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Maria a 20.11.2019

Um regresso fabuloso a infância feliz! :).

Beijo.


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HD a 20.11.2019

As Berlengas... belas aventuras naqueles caminhos! :-)
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Robinson Kanes a 21.11.2019

Mesmo. As minhas foram mais no mar... Até porque lá não se pode fazer muito (e ainda bem).

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