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Imagens: Robinson Kanes

 

Esta é talvez uma das bandeiras deste espaço, quem já o vem seguindo vai percebendo a afinidade que por aqui se tem com o mesmo e a forma como se tem lutado para que o novo aeroporto de Lisboa não destrua um dos mais belos santuários naturais do Mundo.

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O Tejo é, cada vez mais, um rio em vias de extinção: em Espanha soam os alarmes (ver o Tejo em Toledo  mete dó) e em Portugal ignora-se, e até se fomenta (não punir é o mesmo que aceitar) a sua poluição que vem desde Ródão e Fratel e segue por todo o rio até às descargas, já em Lisboa - sem esquecer toda a movimentação de navios que agora ganha novo ritmo com o terminal de cruzeiros - é sempre a poluir.

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O Tejo é um dos nossos maiores bens, o Estuário ainda mais, mas insistimos em obras faraónicas, em investir mais dinheiro e continuar a alimentar interesses de meia-dúzia em prol da destruição de outros. Andamos tão tristes com a Amazónia (e o que aí vem não vai ser agradável, de facto) mas andamos a esquecer os nossos incêndios e um dos estuários mais belos do Mundo. 

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É triste perceber que a grande maioria dos lisboetas não conhece este Estuário! Ainda recentemente me desloquei com um "alfacinha" ao Seixal (nascido, criado e ainda com casa bem no coração da cidade) que, ao chegar, perto da Câmara Municipal e num ponto mais alto, ficou deslumbrado com aquela baía e parecia um tonto a tirar fotografias: "mas isto é lindo, não conhecia... Isto é lindo!".

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Enquanto pensamos no novo aerporto, numa das mais belas praias da região de Lisboa, em Alcochete, os avisos desaconselham os banhos... O que se fez para reverter esta situação ao longo dos anos? Nada! O que se tem feito para combater a pesca ilegal de bivalves e a existência de autênticas máfias no rio? Tudo acontece sob o olhar da GNR e da Polícia Marítima que parecem estar de mão atadas. Nada se faz ou ficamo-nos por escassas intervenções - apreende-se uma embarcação, surgem logo duas ou três! Entretanto, a autarquia continua a investir em touradas, com o consentimento dos seus habitantes, é preciso ter isso em conta.

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Ainda recentemente se falou de um problema com aves no aeroporto de Sá Carneiro, que obrigou a uma aterragem de emergência, foi em Portugal. No entanto, pouco se falou do voo da Ural Airlines que saiu de Moscovo e que, após a descolagem, viu os reactores serem destruídos por aves obrigando a uma aterragem num campo de milho! Não utilizarei a palvra milagre, porque é dar os louros ao que não existe e esquecer o trabalho dos pilotos! Aterrar um avião acabado de descolar, carregado de combustível, num campo de milho e sem incendiar ou provocar mortos é uma proeza daquelas! Não terão os holofotes dos pilotos do Rio Hudson, Hollywood e a CNN não ficam em Moscovo.

 

Uma nota final para a Amazónia: a Amazónia é um património do mundo, a Amazónia tem vindo a ser destruída ao longo de décadas e só agora o mundo acordou para esta realidade! Porquê? Dá "likes"? O efeito rebanho afinal é mesmo uma realidade? Porque todos querem seguir as celebridades? Quando é que nos lembramos que, embora influenciando pela positiva, não raras vezes estamos perante um "show off" que se esgota em horas e os resultados serão nulos! Quando é que agiremos por nós? Quando é que o mundo viola pela "primeira vez" uma lei internacional em prol do bem e faz questão de dizer que a Amazónia é de todos?

 

Deixo este gráfico e uma ligação com mais informações para percebermos que toda esta calamidade não é só "obra de Bolsonaro" (embora também este esteja a falhar redondamente), como parece ser o pensamento geral! Um olhar mais atento vai descobrir que os anos anteriores à eleição deste foram negros para a floresta! No entanto, a culpa maior é de todos nós que consumimos produtos oriundos desta floresta e que nada fazemos para mudar o estado das coisas! Além disso, a floresta amazónica não compreende só o Brasil!

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Fonte: https://rainforests.mongabay.com/amazon/amazon_destruction.html

Até lá, fiquemos sentados a assistir e a aguardar pelos voos baratos que nos levarão de Lisboa para outros destinos igualmente com voos baratos a troco de um investimento que nos vai sair muito caro!

 

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4 comentários

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Folhasdeluar a 22.08.2019

Ora cá temos de novo a nossa paixão. Baseado na filosofia do aldeão que não queria que fosse conhecida a piscina fluvial porque quem lá ia a sujava, talvez seja bom não haver muita gente a conhecer a reserva natural do estuário do Tejo. Exemplo: tenho na mina cidade um passeio ribeirinho de cerca de 6 km à beira-rio,( e que no futuro terá 22 km abrangendo toda a zona ribeirinha com concelho de Vila Franca), e muito embora 90% das pessoas respeitem a natureza, ainda aparecem aqueles que, depois de vazias, abandonam as garrafas de água, (de plástico),em qualquer lugar ou atirando-as mesmo em direcção ao rio. Já a apanha dos bivalves tem que se lhe diga. Conheço bem essa problema, uma vez que na minha terra há uma colónia de pescadores, os chamados avieiros, (só esta colónia dava um texto). Com a redução das capturas de peixe, os pescadores viraram-se para os bivalves, autêntica praga que foi introduzida no estuário e que se reproduz com extrema facilidade. Ora a apanha é proibida porque as ameijoas podem estar contaminadas, mas, estas depois de apanhadas são enviadas para Espanha, onde são depuradas,(é o se conta que eu não sei nada), e possivelmente até voltam para Portugal como produto espanhol.
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Robinson Kanes a 22.08.2019

É uma questão com a qual me confronto muitas vezes, no entanto, acredito que a força desses 90% possa obrigar os demais 10% a... Uma espécie de IRS à americana onde, quem não paga impostos, é mal visto e até denuncia os vizinhos - em Portugal é controverso, com sorte, recebe logo o rótulo de "pidesco".

O facto de não conhecerem leva-os a ignorar algum desleixo que por lá existe quer na margem norte quer na margem sul. A isso voltarei, num artigo mais triste.

Eu não sou contra a proibição da apanha, até porque, como disse, existem espécies que nem autóctones são - o que me inquieta é a apanha ilegal, a venda directa a distribuidores e restaurantes na praia e com dinheiro na mão, sem factura - acontece aos olhos de todos, com direito a balanças e carrinhas frigoríficas para tornar a coisa mais "transparente" e profissional.
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Folhasdeluar a 22.08.2019

Tudo isso se sabe. Então porque não criar um local onde se possam vender (primeiro para depuração) e depois ao público esses bivalves? É claro que não é fácil...mas a saúde pública está em risco...
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Robinson Kanes a 22.08.2019

Fácil é... E a vontade?

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