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 Fonte da Imagem:http://www.dailyherald.com/storyimage/DA/20170930/news/309309987/AR/0/AR-309309987.jpg&updated=201709300118&MaxW=800&maxH=800&noborder

 

Se há país pelo qual nutro grande simpatia é Espanha, e a região da Catalunha tem, também para mim, um valor especial. Não irei falar do referendo nem de todas as peripécias acerca do mesmo, até porque já se falou tudo. Actualmente, é fundamental ter opinião sobre tudo mesmo que não se saiba nada... Muitos dos comentadores de bancada (incluam aqui a minha pessoa) e não só, olham para a Catalunha como Barcelona, esquecem-se é da dimensão da região e da importância de outras cidades. É o que dá passar uns dias em Barcelona, ou fazer um excursão até Montserrat e achar que se conhece uma região inteira.

 

Mas o referendo da Catalunha teve em Portugal fervorosos adeptos e já nem vou falar numa certa extrema esquerda que adora o caos para se instalar nele e trocar de nome com os porcos, numa alusão à "A Quinta dos Animais" de Orwell. Como é estranho ver que os portugueses estão (ou alguns que querem que os portugueses estejam) tão interessados no referendo em Espanha e pouco interessados com o que se passa em Portugal. De facto, é uma forma de ocultar uma mentalidade provinciana fornecendo-lhe uma capa de cosmopolitismo: eu português, cidadão do mundo mas tacanho como aquando de 1143. E porque digo isto? Porque enquanto andamos (até a imprensa) interessados em fazer campanha pela independência da Catalunha esquecemos que:

 

- Para as eleições autárquicas o número de violações à lei foi elevado e a Comissão Nacional de Eleições não tem mãos a medir, punições?

 

-Ainda nas eleições autárquicas temas o protagonismo de candidatos que têm/tiveram problemas com a lei e chegaram inclusive a prejudicar-nos a todos. Votamos nesses que nos defraudaram em milhões, mas defendemos a prisão e queremos distância daquele que roubou uma peça de fruta de um hipermercado. O concelho mais desenvolvido do país, ou pelo menos um deles, mostrou que a corrupção e as máfias são uma coisa boa. Dá que pensar o conceito de desenvolvimento em Portugal...

 

-Tivemos um Presidente da República (eu sei que não ganho pontos com isto, sobretudo nesta plataforma, talvez tenha de começar a fazer elogios ao mesmo) que esta semana dividiu os portugueses em dois: os distraidos e os que gostam dele. Fica sempre bem ao Presidente que se diz de todos os portugueses. Esse mesmo presidente que, mais uma vez, fez chantagem com o povo e dividiu os portugueses nos que votam e nos que não votam. Parece-me que um especialista da área e o defensor máximo da Constituição tem de fazer reciclagem nesta matéria. Marcelo por vezes parece deslizar ao seu passado anterior a 1974...

 

-Tivemos um Primeiro-Ministro criminoso (e não estou a falar de José Sócrates) que, e com a conivência da lei, travou um caso judicial, o célebre caso das escutas que, segundo o Ministério Público, se revestia de crimes de extrema gravidade para o país e para o Estado Democráctico. Também pactuou com o crime quando "ignorou" um parecer da Procuradoria Geral da República que dizia, mais ou menos desta forma, que esta legislação permitia que alguns interesses instalados se perpetuassem mesmo lesando ao mais alto nível o Estado Democrático. Se isto não é ser criminoso, o que será? Pouco falado foi também este caso...

 

- A investigação à Caixa Geral de Depósitos, prometida pelo Primeiro-Ministro, continua por fazer. Dos incêndios e da prevenção, pouco ou nada se sabe (o povo merece ser informado), dos donativos, todos "sacudiram água do capote", como se  ninguém soubesse o cancro são muitas instituições sociais, associações e ONG em Portugal. Talvez no Natal se volte a falar dos incêndios quando o folclore já prometido pelo nosso Presidente da República tiver lugar.

 

- Por acaso alguém sabe do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda? Não os tenho visto... E no fundo, ondem andam também os outros? Um deles anda mais preocupado com a Catalunha, para ocultar desaires nas eleições - afinal as licenciaturas em teatro têm aplicação prática na política.

 

Mas o mais importante é o referendo na Catalunha, isso sim, deve tirar o sono aos portugueses. Não é por querer mostrar que estou muito interessado num referendo inconstitucional na Catalunha que varro para debaixo do tapete o meu provincianismo. Até ficamos espantados e veiculamos notícias de cargas policiais que, supostamente, chocaram o Mundo. Não chocaram nada! Violou-se claramente a lei e foi preciso restablecer a mesma! Atacar violentamente uma autoridade no cumprimento do dever não é um crime, mas proteger a lei já é? Em muitas situações estivemos perante um bando de arruaceiros a desafiar a autoridade policial e um outro sem número de cidadãos a tentar evitar que os muitos agitadores o fizessem... Mas, mais uma vez, a comunicação social foca-se apenas num dos lados e num pseudo-poder (ou retiro o "pseudo") que é um clube de futebol a tomar partido por uma independência e a ter um destaque como se de um grande movimento revolucionário se tratasse. O futebol, esse símbolo de boas práticas...

 

Finalmente: e se a Madeira, os Açores ou até o Algarve decidirem ser independentes? Também vamos ser assim tão defensores dessas causas? E por acaso, não estarão os portugueses esquecidos de Olivença? Tanto folclore em torno da independência da Catalunha, mas a questão de Olivença continua sem ser resolvida desde o Congresso de Viena em 1815 onde a própria Espanha reconheceu a soberania portuguesa sobre aquela área. Sugiro sim um referendo a Olivença e aí talvez tenhamos a surpresa ao perceber que quem lá habita não quer fazer parte de Portugal. 

 

Falar e querer ver o caos nos outros é fácil, desde que não nos toquem nas feridas e assim possamos ir alimentando a decadência disfarçada de prosperidade... Pelo menos para alguns... 

 

Finalmente, fazer o que nos apetece sem ter consequências dos actos não é Democracia... Tem outro nome e não é Democracia, mas é melhor não o dizer, sob pena de ferir susceptibilidades e despertar paradoxos de pensamento.

 

Boa semana...

 

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2 comentários

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De Anónimo a 13.11.2017 às 11:46

Não, este texto não visa discutir o problema da Catalunha. Sobre isso, prefiro escrever algo especificamente virado para o tema.
   Este texto destina-se a tentar denunciar algumas das contradições em que caiem tantos e tantos comentadores, pouco importa a sua importância, ao quererem ligar a Catalunha e Olivença.
   Primeiramente, há a destacar uma mudança de atitude. Quero eu dizer que ao silêncio sepulcral sobre a situação específica da questão oliventina, ou sobre novidades recentes ligadas a esse tema, e muitas delas bem surpreendentes são, se contrapõem agora citações quase diárias sobre Olivença, seja nos grandes jornais, seja nas redes sociais, produzidas, quer por anónimos ou gente pouco conhecida, quer por grandes e consagrados cronistas. O único problema é que são, quase sempre, despropositadas... ou baseiam-se nos aspetos mais preconceituosos sobre o tema, quando não caiem na ofensa, no humorismo fácil, ou num tom jocoso e depreciativo.
   Onde têm estados todos estes "especialistas" quando, desde há meia dúzia de anos, se começaram a tornar notórios esforços culturais de recuperação do passado luso de Olivença, por parte dos autóctones (repito: dos autóctones), bem como de preservação da cultura portuguesa que ainda exista e que possa ser salva ou até revigorada? Onde estavam, repito, quando muitos e muitos oliventinos (centenas) começaram a pedir a nacionalidade portuguesa? Não vi nada escrito nem divulgado. Pude verificar que, em muitos casos, esse silêncio se devia a uma opção quase declarada pelo desprezo em relação aos factos!
   Na verdade, o que se está a fazer em Olivença, porque feito de forma pacífica, sem carácter reivindicativo (não se põe o problema das razões, ou falta delas, do conhecido litígio sobre a legalidade da soberania espanhola em Olivença, mesmo porque esse é um problema a ser debatido entre os governos de Lisboa e Madrid, e de modo nenhum as organizações autóctones se querem meter nesse assunto), porque visando aquilo que é mais essencial (a salvaguarda duma cultura, a recuperação da Língua Portuguesa, o conhecimento da História), não tem, ou pouco tem, chamado a atenção dos "media", dos intelectuais, dos jornalistas, dos mais simples comentadores nas redes sociais.
   Parece haver quem, em relação a estes temas, prefira a sensacionalidade do superficial, o efeito de impacto de pequenos detalhes, de preferência chocantes, à análise dum trabalho honesto, de fundo, consistente e orientado por critérios, digamos, mais profundos.
   Pare-se de equiparar Olivença à Catalunha. Não há relação nenhuma! Há diferenças e intransponíveis! Resumindo: em Olivença, há todo um trabalho cultural, de fundo, que, para ser continuado e consolidado, precisa de ser cabalmente separado dum problema interno de um Estado (Espanha), em confronto com a vontade de alguns dirigentes duma região (a Catalunha), que pretendem separar-se desse Estado e formar uma nova entidade política. E repito: não há, por parte dos oliventinos, o desejo de reivindicar seja o que for que envolva problemas diplomáticos. Logo, o paralelo é abusivo. Pior: estabelecendo tais comparações, prejudica-se o labor dos próprios oliventinos, cujas intenções podem ser mal interpretadas. 
   Acima de tudo, há muita desinformação sobre este tema. Muito se agradecia que os inúmeros comentadores, profissionais ou amadores, se debruçassem sobre este tema começando por tentar saber o que se passa por Olivença de facto. E, claro, nunca o ligando ao problema da Catalunha. Muito menos com algum anti-espanholismo bacoco e pseudo-patrioteiro. Temos de nos convencer que a felicidade de um povo ou de um país não pode depender da infelicidade doutros povos ou doutros países!
   Desejo que tudo se resolva. entre as autoridades de Barcelona e de Madrid, de forma pacífica e democrática, com respeito pelos direitos humanos e pela liberdade. Digo isto com a maior das sinceridades.
   Renovo, no fim, o meu apelo: parem de buscar paralelos entre a Catalunha e Olivença!
 
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De Robinson Kanes a 13.11.2017 às 12:50

Espero que não me esteja a chamar de comentador ou até "blogger", ainda não cheguei a tanto e... Honestamente... Nem sei se pretendo.

Fala bem no silêncio acerca de Olivença e é pena que ainda perdure e só seja utilizado, como mais uma vez diz, e bem, para fazer um paralelo com a Catalunha. No que a este ponto concerne, utilizo Olivença como forma de demonstrar que estamos mais interessados em ver Espanha a desmoronar do que propriamente a resolver essa questão que é nossa... São coisas distintas e o meu foco, sobretudo neste artigo, vai mais longe do que o referendo.

Para mim, e sublinho que me sinto melhor em Espanha do que por cá, a questão de Olivença está, supostamente resolvida por um tratado, é só dar o devido seguimento ao mesmo, embora não me pareça esse o desejo da maioria dos que lá habitam.

Se me fala em preservar o que há de português em Olivença? Claro que sim! Não é por ser um território espanhol ou português que deve levar a que a cultura local e a própria história sejam riscadas do mapa. Sabemos as consequência disso noutras regiões do mundo.

Se me perguntar se Olivença e Catalunha são a mesma coisa? Não! Aliás, a questão de Olivença é, para mim, bem mais simples e a catalã bem mais complexa, daí não perceber a atitude de muitos que menciona (eu incluido, muito provavelmente).

No entanto, e posto que achei o seu comentário muito, mas muito pertinente, convido-o a expor a situação de Olivença e quem sabe ajudar a que se faça luz para muitos que parecem ter esse tema como um não-tema. Convido-o até a escrever sobre o mesmo aqui neste espaço onde lhe serão dados todos os direitos e exclusiva responsabilidade sobre o que disser.

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