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O Turismo, o Instagram e Santorini...

por Robinson Kanes, em 06.06.19

xuan-nguyen-781157-unsplash.jpg

Créditos: Xuan Nguyen

 

Recentemente li um artigo do "The Economist", da autoria de Jessica Bateman, que dava conta de uma preocupação crescente em relação ao turismo nas ilhas gregas, particularmente em Santorini. Ao ler esse artigo, mais uma vez, dou-me conta da necessidade de encarar o turismo como uma verdadeira indústria e também de apostar na sustentabilidade deste sob pena de termos mais uma indústria que financia uns tantos e destrói milhões. 

 

Quem já foi a Santorini, rapidamente vai perceber o encanto da ilha, sobretudo se visitarem a mesma durante a época baixa - embora a visita a ilhas menos conhecidas possa ser uma surpresa ainda maior. Como refere o artigo, a verdade é que redes sociais como o "instagram" têm aumentado o desejo em visitar a ilha - e como eu entendo, apesar de preferir a aurora ao crepúsculo, este último, o momento mais desejado na ilha.

 

O "instagram", entre outras redes sociais, levou a um aumento de 66% nas dormidas sobretudo numa época em que o turismo na Grécia sofria os efeitos da crise. Tudo isto é fantástico, no entanto, num país onde nem sempre as leis são respeitadas, temos um aumento da pressão e da especulação imobiliária e um sem número de situações de corrupção - esse panorama já é visível em Lisboa. Segundo o artigo, que cita Ioannis Glinavos, Professor na Westminster University em Londres, existem algumas restrições que passam ao lado de quem legisla e basta pisar o local para perceber que a impunidade reina - mais uma vez, é um exemplo que podemos ter em Portugal! A título de exemplo, visitem Alcochete e reparem como se constrói "em cima" do Tejo e de uma Reserva Natural - por sinal, uma das mais importantes da Europa e (estranhamente) menos importantes de Portugal.

 

O aumento do número de visitantes (totalmente descontrolado) e as consequências desse efeito vão acabar por destruir a autenticidade da ilha, fazer desaparecer outras actividades (a vinha é um exemplo) bem como o tecido social e a própria natureza - já é a própria União Europeia que o diz, acentuando também o facto de que a gestão urbanística da ilha está sob dependência do Governo Central. Num país com as características da Grécia, é totalmente inconcebível!

 

Por outro lado, aqueles que investem no turismo da ilha tiram o máximo proveito da situação e esforçam-se por aumentar legitimamente as suas receitas - actualmente, o posicionamento de talheres e copos tem em conta as fotografias que irão ser tiradas pelos clientes. Redes como o "instagram" são, neste momento, o maior aliado em termos de marketing - a "foto feita" tem um impacte sem precedentes e todos querem tomar parte na mesma! Numa sociedade onde todos queremos ser diferentes também acabamos todos por querer pertencer a um grupo e seguir a mesma tendência. Deixo essa análise para outras "letras"...

 

Mas colocando o foco no "instagram" ou em que faz uso do mesmo, também é preciso educar o turista: não são raras as invasões de espaço e a destruição do mesmo - vale tudo por uma fotografia e corremos o risco de criar o efeito de repulsa! Alguns exemplos são dados e muitos acabarão por se rever nos mesmos: bater às portas, entrar dentro de espaços privados, subir a telhados e a falta de respeito com os locais. Temos aqui um paradoxo, pois aquilo que atrai turistas à ilha acaba efectivamente por ser destruído pelos "mesmos canais" que criam esse desejo de experimentar. 

 

Acredito também que temos de ter em conta que o turismo é uma actividade que se pode considerar de luxo e que, não raras vezes, é desenvolvida num precipício em que de um lado temos o turista (rico ou aparentemente rico) e do outro o autóctene (mais pobre). Quando a invasão e destruição tende a ser em demasia podemos ter efeitos nocivos, sobretudo quando a exploração turística não é feita pelos locais e os mesmos não são consultados nos processos de desenvolvimento da mesma.

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3 comentários

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De Cecília a 06.06.2019 às 12:14

e são estes que "instagramam" à exaustão, viajam à-louca-seja-eu (de preferência em super low cost), que não respeitam minimamente os locais e pessoas que visitam (pela forma de estar, de se comportar), os que depois choram lágrimas verdes e ecológicas pelo planeta...
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De Robinson Kanes a 06.06.2019 às 12:25

Cecília, mais uma vez, os nossos pensamentos tocam-se, eu só não quis explorar essa vertente no mesmo, até porque tinha alguns parágrafos dedicados a isso - eram coisas a mais, no entanto, os parágrafos estão guardados ;-)

E sim, de facto também já viajei em "low cost" muitas vezes até por causa do destino em questão. No entanto, também esse "low cost" arrasta um sem número de indivíduos que simplesmente não se sabe comportar, e perdoe-me o elitismo, porque tem €20 para viajar já acha que se pode comportar como um animal. A verdade é que o "low cost" cresceu muito rápido, mas a educação e a preparação para "saber estar" não... E sim, muitos desses lacrimejantes seres são aqueles que se comportam muito mal :-)
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De Cecília a 06.06.2019 às 12:40

não perdoo o elitismo porque sofro do mesmo - nos mesmos moldes.

quando referi as low cost foi mesmo pelo comportamento e esquema de pensamento que arrastam consigo. agora podíamos estar aqui a falar das low cost - e o R. perder mais uns quantos assinantes (risos) - mas não vale a pena. falei delas precisamente por serem o exemplo mais cabal não para as demonizar por completo (embora elas próprias criem o inferno).

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