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O Taxista, a Ilda e o Cemitério dos Olivais.

por Robinson Kanes, em 20.03.17

taxis_in_portugal2.jpg.png

 Fonte da Imagem:http://news.maisturismo.pt/sites/default/files/styles/large/public/field/image/taxis_in_portugal2.jpg

 

Sexta-feira, 17 de Março... um tempo abafado, aquele que se encontra junto ao Coliseu de Roma antes de uma grande chuvada. Eu encontrava-me dentro do carro junto ao Cemitério dos Olivais, em Lisboa. Não é a mesma coisa mas ambos exalam histórias de morte.

 

Sentado dentro do carro a ultimar um documento no computador e eis que ao meu lado estaciona um táxi! Um Mercedes daqueles beges que muito circula pelas nossas cidades. Do lado do pendura uma senhora jovem. Uma senhora jovem que baixou a cabeça e desviou o olhar da minha pessoa, uma senhora jovem daquelas que não quer ser vista no local errado à hora errada. Do lado do motorista sai o estereótipo da classe: sujeito de grande perímetro abdominal, despenteado, com um certo ar de sabujo, calças de tecido castanho e uma camisa aos quadrados qual pescador da Nazaré. Os sapatos pretos, gastos e em bico fecham o leque da indumentária.

 

Dou por mim a observar aquela personagem a dirigir-se para umas árvores que existem junto ao muro e eis que me deparo com o indivíduo a baixar um pouco as calças e a começar a urinar... os primeiros a não gostarem da invasão de espaço foram os pombos que esvoaçaram de imediato, quiçá para cima de uma campa. Ainda ouvi um deles murmurar: “a nós matam-nos porque urinamos e defecamos em todo o lado!”. Também me custa a entender porque é que existem pessoas que compram calças com braguilha se depois não dispensam o ritual de desapertar o cinto e baixar as mesmas para urinar.

 

A distração de ver um indivíduo a urinar à minha frente atrasou a minha observação de que o mesmo se encontrava também  a urinar à frente da senhora que se encontrava no carro e... enquanto me interrogava acerca do cavalheirismo de tão perdigueira personagem, eis que ouço um berro do mesmo enquanto mantinha a mão no órgão: “ooooooh IIIIIIIIIIIIIIlda eh eh eh”.

 

“Oh Ilda eh eh eh!”, dá que pensar se chamava pela esposa, pela senhora que se encontrava no veículo ou então também seria um daqueles sujeitos que dá um nome ao pénis. Sempre me interroguei o que leva um homem a chamar nomes ao pénis, então quando estamos perante diminutivos... e não, não tentei fazer uma piada com a palavra diminutivo.

 

O urro que ecoou pelo estacionamento levou a que dois cães a ladrar se dirigissem àquela personagem... confesso que pensei: “ai agora à conta do cota é que eu vou partir o caco a rir” e desejei até que os cães atacassem aquela criatura, afinal... teatro sem alguma tragédia, não é teatro.

 

Todavia, talvez pelo cheiro da urina ou pelo “ai ai ai aiiiiiiiiiiiiiiiiiiii” que o indivíduo soltou, os cães lá travaram a marcha. De regresso ao carro (ainda a puxar as calças para cima), a tradicional e já considerada Património de Interesse Nacional... cuspidela para o chão seguida do não menos tradicional destravar do veículo antes de ligar a ignição. 

 

Fiquei a pensar... vivemos, somos enterrados e ainda corremos o risco de um indivíduo com ar de braco alemão urinar no solo sob o qual jazemos. Quero ser cremado.

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65 comentários

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Kalila a 20.03.2017

Meu querido amigo, não consigo parar de rir!!!
Bom, a Ilda deve ser alguém muito importante, deixa que te diga! Isto porque já ouvi chamá-la em oficinas de automóveis, num aterro sanitário (tive que fazer lá um triste dum trabalho!), em obras de construção civil e numa manutenção de esgotos mesmo em Lx. Numa das oficinas até ouvi o resto mas fiquei na mesma: "Ó Ilda, mete os putos na linha que vem lá o comboio!"
Pois bem, haverá algum filósofo que consiga interpretar isto?
Lembras-te da estória da Elsa, algures num concerto? Eu acho que é algo do género mas a uma escala mais... enfim, tu percebes.
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Robinson Kanes a 20.03.2017

Sim, é típico o "Oh Ilda mete os putos na barraca"… mas o senhor aqui ficou-se pelo "Oh IIIIIIlda". Será um mistério que só ele sabe, ou então estava de tal modo aflito que soltou esse rugido!

Lembro-me, não estive lá, mas lembro-me do eco que isso teve. E ainda não existiam redes sociais!
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Marta Elle a 20.03.2017

O tipo era mesmo chunga.
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Robinson Kanes a 20.03.2017

Só um pouco, mas tenho de admitir que se não fosse tal personagem não me tinha rido tanto.:-)
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O ultimo fecha a porta a 20.03.2017

Que cena mais nojenta e que individuo sem formação! Corresponde ao estereótipo do taxista e por isso que a classe não evolui.
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O ultimo fecha a porta a 20.03.2017

Mas é como em tudo na vida. Retemos mais depressa os maus resultados (que se sucedem) do que os bons ...
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Robinson Kanes a 21.03.2017

Agora é que disseste uma grande verdade...
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Kikas a 20.03.2017

Colocar na lista das coisas que não quero ver na vida e ser feliz mesmo assim
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Robinson Kanes a 21.03.2017

Pode acontecer ao virar da esquina… :-)
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Rita a 21.03.2017

A parte da Ilda é tão forte nem os cães quiseram alguma coisa com ele lol
Que personagem...
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Ana a 22.03.2017

Que episódio tão bizarro. acho que se fosse a senhora tinha fugido do táxi
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Robinson Kanes a 22.03.2017

ahhahahahah imagino. Contudo, acho que a senhora não era propriamente uma cliente :-)
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Ana a 22.03.2017

Por acaso pensei o mesmo. Mas não queria estar a classificar a senhora :-D
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Robinson Kanes a 22.03.2017

ahhhaah
Eu também não a classifiquei, só deixei no ar que poderia ser uma familiar, amiga ou algo assim.
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C.S. a 15.06.2017

Que personagem... E o mais triste é que há muitas amostras desta espécie...

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