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O Talento Também Tem 4 Patas - "Pata 1/2"

por Robinson Kanes, em 17.01.17

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Estávamos na aurora do Verão, todos tiram férias nessa época. O próprio país molda-se, como se todos os trabalhadores portugueses o fizessem. Daqui, podemos tirar uma conclusão: aumento do revenue em determinados sectores e outros que ficam paralisados quase três meses, só porque se tem a ideia de que o país está parado e, portanto, esperemos por Setembro.

 

Como é do Verão e de férias que falamos, ainda são muitos os portugueses, e não só, que nunca se esquecem do subsídio, da praia, de visitar a família, de vestir coisas que não vestiriam de outro modo se não vissem determinados indivíduos por demais vezes utilizá-las e assim seguir a tendência, a chamada silly season (infelizmente, pois o Verão tem tanto para dar). Todavia, ainda são muitos os que se olvidam dos seus animais de estimação e dão mais valor a um par de chinelos de praia que aos primeiros. Vou centrar as minhas palavras nos cães.

 

Ter sido criado entre a cidade e o campo, cedo percebi que Verão era sinónimo de cães abandonados - últimos dias de Junho e começavam estes a vaguear pelas ruas. Os tempos são outros, agora os cães já não são “coisas” e os donos já não são “proprietários” mas sim tutores, no entanto... o abandono continua.

 

Numa terça-feira de Junho, e com o carro cheio de cães, decidi que não seria má ideia lavar o mesmo. Na verdade... não o lavei, tendo em conta que dou comigo a ver uma pequena cadela “pastora alemã” (um ponto fraco para mim) a vaguear numa rotunda movimentada e inclusive, a perceber que os automóveis são simpáticos e velozes mas também aleijam. Não resisti e fui recolher a mesma. Escusado será dizer que tinha um problema para resolver (veterinário, alimentação, alojamento e, talvez o único verdadeiro problema, porque o resto não é de todo assim tão penoso, arranjar um tutor).

 

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As explicações... pois encontrava-me num posto de abastecimento de combustível, foram várias - pelo menos após eu e dois agentes da autoridade (aos quais agradeço a boleia e as pernas a mais que eu) termos perseguido um indivíduo que estranhamente me pareceu o “tutor” da cadela, mas sem chip, não há como provar - as explicações: “vêm aí as férias”; “foi abandonada para aí, é normal”; “já foi atropelada e tudo”; "era ele, eu aposto que foi ele"... e por aqui ficaria, não fossem os portugueses especialistas no acto de emitir pareceres.

 

Quando chega o Verão esquecemos que são estes amigos que aturam, ao longo de todo o ano, o nosso stress laboral, são eles que nos ajudam também a ultrapassá-lo, são eles que em alguns casos, até nos acompanham para o trabalho, são eles que nos fazem sorrir quando o mundo parece estar de um lado e nós do outro e, infelizmente e cobardemente, são eles que veem a raiva de muitos ao "chefe" orientada para eles e pagam no pêlo, literalmente, esse comportamento.

 

Em suma, tive em mãos uma cadela que, em dois dias aprendeu a sentar, a deitar, a entrar e a ficar na crate (caixa), reaprendeu a sorrir (sim, eles sorriem), aprendeu que a água é uma coisa boa (vide foto), aprendeu a não fazer necessidades em casa e por fim, erro cá de casa, aprendeu subtilmente a dar pequenas indicações do que quer... influências do auto-proclamado rei do espaço que também é um Pastor Alemão. Este é perito em descobrir animais selvagens feridos e em muitos casos protegidos por lei, cadáveres e afins, o que significa: mais expediente. Como ser-humano, o meu respeito é enorme, sobretudo porque tenho noção que levei um pouco mais de tempo a aprender as mesmas coisas, como praticamente todos nós. Além disso, e tendo em conta o trabalho com a mesma, pareceu-me que estava ali uma profissional certificada bem mais depressa que eu. 

 

Podemos ter os filhos mais queridos do mundo, os pais mais fantásticos, os amigos e os cônjuges perfeitos mas ninguém, mesmo ninguém, todos os dias, quando deixamos a vida profissional, nos recebe com tamanha festa e euforia como os cães. Isso é inegável e... se têm dúvidas, arranjem um cão.

 

Finalmente lembrem-se, também gostariam de se dedicar 100% a uma empresa/pessoa durante quase uma vida e chegarem a um dia e ninguém vos abrir a porta?

 

Continua...

 

P.S: A propósito desta temática vide também: http://curiosidadefeminina78.blogs.sapo.pt/sobre-pessoas-estupidas-61534

 

Fonte das Imagens: Própria.

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