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photo-1497129907035-91f1b95c8119.jpgCréditos: Jez Timms

 

Nota Introdutória

Tinha este texto sem título e em rascunho há muito, daí a alusão a um estudo. Como era o único, abri pensando que era algo para apagar. Tenho dúvidas que o tenha publicado - já o procurei e não me parece que esteja. Por acreditar que continua actual, faço-o sair hoje. Por sinal, a Mia durante o dia de ontem publicou alguns pontos que podem muito bem completar este artigo e por isso a sua saída foi inevitável.

 

 

A chave para sermos felizes é prestarmos mais atenção ao que nos faz felizes e menos ao que não nos causa felicidade. Não é a mesma coisa que prestar atenção à própria felicidade.

Paul Dolan, in "Projectar a Felicidade".

 

Um dos temas tabu deste país voltou a ter um foco de atenção (pouco, mas melhor que nenhum) pela mão de um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos: "As mulheres em Portugal: como são, o que pensam e o que sentem?".

 

Muito se tem falado em igualdade de género e, no caso das mulheres, as que mais reivindicam e apregoam o actual hype, são as mesmas que pactuam com salários mais baixos que os homens, aliás, algumas até impulsionam essa prática nos locais onde trabalham.

 

E quantas também não vivem infelizes no sexo e já nem amam as pessoas com quem estão mas, por força do hábito ou de uma posição mais tranquila na vida, vão aguentado esse martírio. Muitas são também aquelas que não lidam bem com o sexo oposto e portanto criam a sua posição de uma forma mais agressiva, direi.

 

E aquelas que usam o facto de serem mulheres mas quando chamadas à praça, não querem ferir susceptibilidades (mesmo que não saibam dizer a última palavra). Muitas são também aquelas que agora exaltam as mulheres no trabalho mas choravam junto dos homens (inclusive em redes sociais profissionais) por um emprego, apelando à boa-vontade dos amigos - uma tanto chorou que depois da saída (forçada) de uma instituição financeira como Human Resources Business Partner chegou rapidamente a Directora de Recursos Humanos numa empresa ligada aos media.

 

Estranho que muito se fale da questão de género mas esta temática (salários, sociedade, vida em família, liberdade de escolha) continue a passar ao lado das reais reinvindicações... Não dá likes e até pode tirar o emprego ou uma vida estável e, quando assim é, viramos as atenções para algo que, aparentemente, é mais popular e "solidário". Ainda um destes dias procurava alguém que falasse sobre esta temática, alguém que até gosta de aparecer e só repete que é COO/CEO/CFO/CSO/CCCCCCCCC de tudo e mais alguma coisa e que até é mulher mas quando a temática passava ao lado do hype e se centrava naquilo que era importante... Lembram-se das susceptibilidades?

 

Mas deixo uma questão, ou várias: quando é que se começa a debater seriamente a diferença salarial? Quando é que uma mulher pode dizer claramente ao marido ou companheiro que o sexo é uma porcaria? Quando é que uma mulher pode, inclusive trair o marido e merecer o mesmo tipo de recriminação que o próprio? Quando é que uma mulher, e é aqui que pretendo chegar, pode dizer que não quer ter filhos por opção ou está profundamente arrependida de ter filhos? Ou até que teve filhos por uma questão de pressão social, de moda ou de status? Quando é que uma mulher pode encarar os homens com a mesma força, por exemplo, numa reunião onde nem sempre é a líder? Poucas o ousam fazer e perdoem-me, mas nesse campo as mulheres são, ou mostram ser, bastante mais frágeis e emocionais que os homens... Isso também pode mudar.

 

Um aparte... Existem indivíduos que actualmente trazem crianças ao mundo por que é cool ou então porque lhes permite (pensam) subir um patamar! Como casar, comprar a casa, fazer a viagem de lua-de-mel e comprar carro novo e... aumentar a dívida familiar. Aliás, até será mais bem aceite que uma esposa de outrem durma com uma chefia para aguentar a economia lá de casa mas que jamais diga que não quer ter filhos porque quer ter outro estilo de vida!

 

As mulheres (e também os homens) ainda não podem dizer simplesmente que não querem ter filhos por opção! A chuva de criticas e a ostracização social faz-se imediatamente notar! A família critica, os amigos criticam (muitos, lá no fundo, porque invejam) e a própria sociedade o faz - essa mulher - ou homem - pode assim trabalhar mais que os outros, não ter férias quando os outros podem e sacrificar-se como fosse um ser cujo facto de não ter filhos aparentemente faça com que não tenha vida própria. Já lidei com situações em que mulheres foram primeiramente despedidas porque não choraram nem usaram os filhos como forma de alterar a posição do empregador! Que podemos chamar a isso: discriminação? Segregação? 

 

Será crime uma mulher dizer que não quer ter filhos porque quer viver a vida? Será assim tão egoísta num mundo onde não faltam crianças? Lembro-me em tempos de ter lido as palavras de um CEO de uma fábrica de brinquedos portuguesa chamar de egoístas às mulheres que não queriam ter filhos porque assim não ajudavam a segurança social do país! Acredito, todavia, que estas palavras queriam dizer seria mais: sim, quanto mais crianças mais negócio para mim, além disso fica-me bem dizer isto porque sou um networker nato e gosto de aparecer porque sou muito solidário - todavia, dos colaboradores deste senhor, ninguém ouve falar, mesmo quando a entrada em bolsa se revela um desastre. Espero também que este senhor não fuja nem com um cêntimo às obrigações fiscais e não necessite de apoios do Estado para nada! Isso é que é ser solidário com todos nós.

 

Ferreira de Castro, em "A Experiência", dizia que uma "moral, qualquer que seja, se, por um lado, se renova, por outro envelhece, e há normas de moralidade colectiva que, com o tempo, revelam toda a sua desumanidade e tornam-se portanto, imorais". Portanto que moral preside ao facto de ter o direito a não querer ter filhos? Onde é que entra! E o direito a dizer arrependo-me de ter tido filhos? E o direito a dizer separei-me porque já não amava nem suportava mais outrem ou até porque sexualmente não me satisfazia?

 

Andamos muito atentos e participativos nos hypes das redes sociais e dos media, e no entanto, na realidade, vamos ficando mais conservadores e egoístas que nunca... Porque a realidade não tem holofotes e aí podemos mostrar (involuntariamente) o que realmente somos, e por norma, não é algo bonito de se ver. Andamos reféns e passamos ao lado de problemas que estão a destruir um país, um continente e um mundo.

 

Finalmente, temo também que se ande a utilizar em demasia o exemplo isolado para fazer uma grande campanha em torno desta ou daquela mulher, mas com parcos efeitos no longo prazo. Uma espécie de "G.I. Jane".

 

P.S.: é um texto sobre mulheres, mas muito do que aqui é escrito também é aplicável a homens. E sim, acredito na classificação homens/mulheres, dispenso todas as outras classificações independentemente de apoiar que cada um pode dispôr da sua vida, do seu corpo e do seu intelecto como bem entender. Espero que não me expulsem como expulsaram um aluno (criança) de uma escola em Inglaterra por insistir com o professor que só existiam homens e mulheres, independentemente das tendências sexuais.

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38 comentários

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Folhasdeluar a 21.08.2019

O texto é longo por isso vou só pegar na questão da moral. Há em Portugal( e em muitos países), uma moral cristalizada na mente das pessoas. Uma moral que resulta de séculos de cristianismo. E que sempre pôs a mulher em pé de desigualdade perante o homem.
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Robinson Kanes a 21.08.2019

Bem, aí nem é só o Cristianismo... O interessante é que fale na religião, aquela que surge sempre com o apanágio de aproximar todos os filhos do seu rebanho. ;-)
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Folhasdeluar a 21.08.2019

Só que há filhos próximos e parece que há filhas mais afastadas...;)
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Robinson Kanes a 21.08.2019

É uma questão de espiritualidade... Algumas até têm em conta o berço onde se nasce...
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imsilva a 21.08.2019

Sou mulher e não me revejo nestes "problemas" Este post vai dar outro post. Acontece-me muito, começo a divagar, e sinto que não devo comentar em formato sermão. Gostei das palavras de Ferreira de Castro, e do post em si.
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Robinson Kanes a 21.08.2019

Sim, a ideia é gerar discussão/debate. Esteja à vontade, por mim... Também ajuda a dar outro "post" e quiçá retirar algum sumo adicional.

Obrigado :-)
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Alala a 21.08.2019

Eu gostei do que li. Muito assertivo como sempre Robinson. Beijinhos
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Robinson Kanes a 21.08.2019

Obrigado! E as leituras, como estão?

Beijo,
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Alala a 21.08.2019

Não estão .
Ando ocupada com muitas coisas e ainda não parei um bocadinho para me dedicar a isso.
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Alala a 21.08.2019

Sim. É verdade...
Qd começar não paro já sei como é.. Mas ando melhorzinha
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Alala a 21.08.2019

Tem um ótimo Robinson.
Beijinhos
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Mia a 21.08.2019

Não costumo comentar os seus textos, porque nunca tenho algo de novo a acrescentar, no entanto hoje como o meu blog está aqui referenciado, cá vai. Acredito que a cultura Portuguesa está fortemente enraizada nas nossas mentes. Quem vai contra os ideais sofre segregação, mas não é assim que as coisas evoluem? Sei que as mulheres são mais emocionais mas não acredito que sejam mais frágeis. É minha convicção de que as pessoas sexualmente satisfeitas e esclarecidas, têm uma vida mais produtiva, para elas, para a profissão, para a família e para a sociedade. Posso até ir mais longe e dizer, para o mundo.
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Robinson Kanes a 21.08.2019

Tem sempre algo de novo a acrescentar, a prova disso é que, neste caso, acrescentou por antecipação - mas é bom saber que vai estando por aí.

É lutando contra que as coisas andam, de facto... O ideal é que o número de "mortos" que fica pelo caminho nunca seja extenso.

Não tenha dúvidas, salvo raras excepções, é isso que acontece. Tive em tempos, uma colega que sabia muito bem identificar quem eram e até tinha uma expressão bem interessante que as classificava, mas é feio para dizer aqui :-)
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MJP a 21.08.2019

Olá, R.! :-)

Parabéns pelo "post"... muito haveria a comentar... mas... vou cingir-me, apenas, a um aspecto que focas e que me diz, particularmente, respeito...

Eu, sou uma dessas mulheres que decidiu, por vontade própria (indiferente às pressões sociais/ familiares), não ter filhos e que, durante 20 anos de exercício profissional, sempre, foi acusada de ser "insensível", "fria", "egoísta" (e outras coisas menos simpáticas), porque nunca permitiu ser discriminada (face às colegas "mães" e aos colegas "pais") pelo facto de, livremente, ter decidido não ter filhos...

Resto de dia Feliz!

Beijo
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Robinson Kanes a 21.08.2019

Hi MJ,

Obrigado :-)

De facto, a ideia é essa, gerar discussão, e quiçá, conclusões interessantes.

É comum - a discriminação positiva tem muito que se lhe diga. Se tem um efeito positivo muitas e tantas outras vezes, já de vez em quando.

Eu não tenho filhos e não penso muito nessa questão, se acontecer acontece. Mas o facto de não ter também já tem levado a umas belas "discussões", nomeadamente em termos de não perceber nada de crianças e não dar valor a quem as tem. São opções, são todos cidadãos, no entanto, e isso será tema para outro artigo... Numa sociedade onde, em alguns casos, a infantocracia já ganhou algum terreno, não se entende como se tratam tão mal os velhos! Isso é outro tema ;-)

Confesso, no entanto, que me assusta mais aqueles pais que não olham a meios para dar tudo aos filhos, do que aqueles indivíduos que não têm filhos e sabem encarar o mundo como uma comunidade de muitos habitantes (não só humanos).

Beijo,
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MJP a 21.08.2019

Olá, R.! :-)

Eu decidi não ter filhos por razões muito "pessoais"... mas... ADORO crianças e tenho uma excelente relação com elas (que, muitos, apelidam de "instinto maternal"... e, por isso, não percebem a razão da minha decisão)...

Há vários aspectos que me "incomodam" na "maternidade/ paternidade"... nomeadamente, aquelas "pessoas" que decidem "colocar crianças no mundo" pelas "razões erradas" ("pressão social/ familiar", "encaixar no grupo", etc., etc., etc....), que lhes dão muitas coisas materiais... mas... as privam do essencial: o seu tempo, o seu amor, que "delegam" a educação... (entre outras coisas...)!
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Robinson Kanes a 21.08.2019

Estás no teu direito :-)

Sim, também gosto de "putos" e nunca disse nunca.

Isso é um erro, pelo menos em meu entender. E casos desses não faltam. Não trabalho com crianças, mas tenho ouvido umas coisas... :-)
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Robinson Kanes a 21.08.2019

Leia-se, "que me assustam"...
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O ultimo fecha a porta a 21.08.2019

Um bom tema para discussão.
Penso que a cultura portuguesa ainda está muito enraízada na discriminação fomentada por um regime político que acabou apenas há 45 anos e respetiva filosofia religiosa associada.
Ainda hoje uma mulher de minisaia é uma "oferecida", enquanto um rapaz com as calças abaixo do rabo é normal. Nas próprias instituições, a mulher ainda é pouco protegida como no caso da violência doméstica ou como um juíz tratou o carrilho por "doutor carrilho" e a mulher por "bárbara". Ou o caso do juíz Neto de Moura. Já foi muito falado mas são um espelho de como se discrimina a mulher.

Esta diferenciação é extensível a vários níveis, até no desporto.

Ao nível dos postos de trabalho, a gravidez é sempre um tema sensível e há sempre quem veja isso como um problema numa contratação. Ou, como dizes, se uma mulher diz que não quer ter filhos, soltam-lhe os cães. Nos cargos de chefia de empresas, as poucas mulheres que há ou são filhas ou esposas de outros membros da admnistração.
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Robinson Kanes a 21.08.2019

Olha que não é só a Ditadura, se fosse isso já havia mais que tempo para uma espécie de "Primavera Árabe" neste campo. 45 anos não é nada, de facto, mas o regime que vigorou até 74 não pode servir de desculpa para tudo, embora reconheça que muitos dos que se alimentaram do mesmo continuam bem activos por aí, um até é PR.

Um rapaz com as calças abaixo do rabo é normal? ahahahah (desculpa, também tenho o meu lado conservador).

Esses dois casos, um deveu-se aos contactos nos media que facilitaram a divulgação o outro sabemos como está... No entanto, também existem vítimas de violência doméstica de primeira e de segunda.

Gravidez no trabalho: pode prejudicar, mas também pode não prejudicar. Existem países em que se chega a não colocar os pés na empresa durante praticamente 4 anos. Vendo o lado da empresa, também convenhamos...
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O ultimo fecha a porta a 21.08.2019

"Normal" no sentido de que não é comentado com uma mulher de mini saia :)
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Robinson Kanes a 22.08.2019

Eu sei, estava mesmo a brincar... :-)
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HD a 21.08.2019

Concordo, não se aplica exclusivamente a mulheres na ribalta...

As vozes femininas que ecoam o direito a igualdade foram as primeiras a aceitar a conformidade de uma sombra masculina... :-\
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Robinson Kanes a 22.08.2019

"As vozes femininas que ecoam o direito a igualdade foram as primeiras a aceitar a conformidade de uma sombra masculina... :-\"

Ui... O que foste dizer! :-)
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HD a 22.08.2019

Não fui eu, fui vítima de blogjacking ;-p
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cheia a 21.08.2019

Não me sentiria realizado se não tivesse filhos. Mas, cada um é como cada qual. Portanto, não censuro, nem discrimino, quem pensa de maneira diferente.
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José da Xã a 22.08.2019

Robinson,

é curioso este texto porque é precisamente a antítese da minha vida.
A minha mulher e eu trabalhamos na mesma empresa. Ela devido às suas funções muitos específicas de chefia ganha o dobro do que eu ganho que sou um técnico especializado mas sem função de gestão.
Em casa as tarefas são distribuídas, os nossos filhos foram desejados e sexualmente falando... quando fechamos a porta do quarto "vale tudo menos tirar olhos".
E repare que ambos já passámos a barreira psicológica (e física) dos 60 anos.
O que pretendo dizer é que desconfio que alguns jovens são muuuuuuuuuito mais retrógados do que eu e a minha mulher somos.
Acima de tudo tem a ver com a visão muito própria que temos da vida.
E note, Robinson, que sou do tempo em que o meu pai me proibiu de ler O Crime do Padre Amaro!
Só para terminar... A empresa onde trabalho tem neste momento muitas mulheres em lugares de decisão. Na Administração são duas e nos Departamentos são muitas mais...
Forte abraço.
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Robinson Kanes a 22.08.2019

"quando fechamos a porta do quarto "vale tudo menos tirar olhos"."

ahahahahahahaahah (muito bom, palmas)

Sabe que também é bom termos estes exemplos por aqui.

Eu sei que nem tudo é mau, cá por casa existe alguém que também traz mais dinheiro para casa que eu. Mas a realidade é que ainda existe um trabalho a fazer, os estudos realizados provam-no e com isto também quis ir mais longe na realidade que não é só a nossa.

Mas é um bom exemplo, aliás, pode servir para outros aprenderem.

Abraço,
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Calimero a 23.08.2019

Se me permites eu direi que apenas existem Pessoas!

Beijinhos

Bom fim semana!
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Robinson Kanes a 23.08.2019

Claro que sim! E mais que isso, cidadãos que perante a lei em nada diferem.

Beijio e bom fim de semana,

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