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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por Mami...

por Robinson Kanes, em 30.07.20

Szépművészeti Múzeum Tiziano vecellio.jpg

Tiziano Vecellio - Retrato de Settimia Jacovacci (Szépművészeti Múzeum)

Imagem: Robinson Kanes  (imagem da exclusiva responsabilidade do autor do espaço)

 

Os meus últimos seis meses foram anómalos; foram-no para toda a humanidade, sei-o bem.

 

Quiçá esta é uma das poucas vezes em que, enquanto pessoas, num mesmo momento histórico, vivemos preocupações tão semelhantes.

 

Claro que uns somos mais próximos do que outros, quer pelas nossas condições económicas, quer pelas nossas convicções morais. este facto aproxima-nos ou distancia-nos na forma de viver esta nova realidade mundial.

 

O meu filho nasceu no início da pandemia. sai para a maternidade em “liberdade”, regressei a casa em confinamento. não vou fingir que foi um horror, não foi. estar em casa com os meus dois tesouros e com o meu companheiro – que habitualmente está fora em trabalho-, foi bom, foi reconfortante, foi até apaziguador nos tempo que vivíamos. não havia preocupações de emprego - temos uma situação estável e ele estava em teletrabalho. inquietava-nos o isolamento da família alargada, a vontade de estar “nos braços da minha mãe”, de lhe apresentar o neto, de ouvir a casa cheia com os meus sobrinhos e a minha princesa a correr por todo lado.

 

Havia e há uma preocupação latente por não saber o quanto tempo durará a situação.

 

Sai de casa pela primeira vez, para ir às compras, no início do mês de junho. senti-me como uma criança pequena abandonada no bosque. sentia perigo em todo lado, estava nervosa, sentia-me a sufocar. saí apressada, não comprei metade do que estava na lista e comprometi todo o processo de “higienização”. estava confinada, por opção, há demasiado tempo.

 

Começo a trabalhar dentro de quinze dias. daqui a trinta, o meu filho vai para a creche e a minha filha para o pré-escolar. e, se por um lado, sinto que temos de assumir a nova realidade em que vivemos, por outro, sinto-me num filme de ficção científica em que o que me apetece é ficar com a vida “adormecida” até esta invasão passar.

 

Regressando à questão que hoje me trouxe a este poiso “o que aprendi nos últimos seis meses” tenho de confessar que nada aprendi, desculpem a falta de poesia ou dramatismo. posso, com falsa modéstia, assumir que reiterei o que há muito descobri: não vale a pena planear muito a nossa vida, criar expectativas ou sofrer por antecipação. a vida surpreende-nos sempre!

 

Nota: lembrei-me agora, aprendi a fazer pão!

 

Mami

 

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20 comentários

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Robinson Kanes a 30.07.2020

Caríssima,

Muito obrigado por teres aceite este convite.

É um retrato real, de um quotidiano com que muitos se identificarão. Faz-nos falta mais realidade, sem grande pomposidade mas absorta nos factos. Eu gostei de ler e sinto que é um processo ainda a decorrer.

Excelente testemunho e sem uma certa poesia que já fui encontrando noutros escritos teus, e aqui até é bom, porque apesar de tudo, as coisas vão mudar... Independentemente de ser para melhor ou para pior, mas isso é a vida dos fortes e com toda a certeza fazes parte desse grupo.

Felicidades, sobretudo depois desta novidade, pelo menos para mim.

Um beijo,
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mami a 30.07.2020

obrigada a ti pelo convide e por me trazer de volta à escrita!
vi tanta poesia em torno desta realidade, tantas frases feitas, que percebi que muita da “mudança” mais não era do que a entoação de um cântico!
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MJP a 30.07.2020

Olá, mami! :-)

Como me revejo nestas palavras (quando "passei por aqui", escrevi algo de muito similar...) :

"tenho de confessar que nada aprendi, desculpem a falta de poesia ou dramatismo. posso, com falsa modéstia, assumir que reiterei o que há muito descobri"

Dia Feliz e beijinhos para ambos!
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mami a 30.07.2020

Obrigada ... vou pesquisar a tua partilha
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o cunhado a 30.07.2020

Bom-dia, Rob.
O testemunho da senhora Mami na primeira pessoa, é igual à insegurança de todos.
Mas como o caro amigo diz na resposta à senhora, as coisas vão mudar. Não na dúvida se para melhor ou para pior, mas, em meu entendimento, para melhor.
Breve se descobrirá uma vacina que erradicará a bactéria, como de resto sempre assim foi, e tudo voltará ao normal.
O que esta pandemia nos ensinou, ou deverá ter ensinado, é que não somos a espécie predominante neste planeta.
A única espécie sobrevivente por excelência são as bactérias. Nós somo apenas hóspedes e devemos aceitar e sujeitarmos-nos às suas regras de hospitalidade.
Resto de um excelente dia.
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mami a 30.07.2020

o que essa constatação mudará efetivamente na forma de cada ser humano encarar a vida?
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Robinson Kanes a 30.07.2020

Questão importante: "tudo voltará ao normal"... Não sei se quero :-)

É estamos muito longe de ser...

Boa partilha e uma "quiet night"
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mami a 30.07.2020

o normal acomoda-se a cada dia... é uma mutação lenta e silenciosa, nada ter a ver com a algazarra do corona 😉
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Maria Araújo a 30.07.2020

Muito bom, Mami.
É algo muito forte ter um filho em plana pandemia, sente-se, ao mesmo tempo alguma fragilidade de tudo o que se passou e o que estará para vir, que espero seja menos "violento" que a anterior.
E tem muito razão naquilo que diz sobre planear a vida....
Aprendeu muito com a pandemia, Mami.
Penso que está aí "escondida" a tolerância.
Beijinhos
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mami a 30.07.2020

a tolerância e a aceitação são posturas que tenho vindo a trabalhar, em prol da minha paz interior 😉
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Robinson Kanes a 30.07.2020

"Nice answer" novamente... Estás em altas... .-)
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Maria Araújo a 30.07.2020

Obrigada, Robinson.
Um testemunho real que eu também gosto de conhecer e que nos dão lições de vida.
Beijinho
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cheia a 30.07.2020

Tens razão! " não vale a pena sofrer por antecipação!

Ninguém sabe o que se vai passar, uma certeza parece estar apurada, o peso dos anos é um fator de risco, como se viu desde o inicio.

Que corra tudo bem, beijinhos.
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mami a 30.07.2020

a idade ... essa de que fugimos querendo sempre vencer!
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Maria Araújo a 31.07.2020

Nunca a venceremos... mas podemos cuidar dela e atrasar física e psicologicamente.
Haja saúde.
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mami a 31.07.2020

muito bem visto! 😘
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José da Xã a 02.08.2020

A vida é lixada! Quando pensamos que temos tudo sob controlo... pimbas!

Eu aprendi a fazer diversos doces. (Que não como!)

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