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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por Maria Araújo...

por Robinson Kanes, em 25.06.20

WhatsApp Image 2020-06-24 at 23.07.49.jpegCréditos: GC/ (imagem da exclusiva responsabilidade do autor do espaço)

 

Estávamos todos a par do que acontecia na República Popular da China, pensávamos que um desconhecido, perigoso e invisível vírus, que obrigou a que milhões de pessoas tivessem de ficar fechadas em casa, não chegaria à Europa, muito menos a um cantinho à beira-mar plantado: o nosso país.

Em Fevereiro, fui uns dias de férias para conhecer um pouco mais do Alentejo, dias estes muito bem passados, "que tranquilidade!", de regresso a casa, já se ouvia nas notícias que Itália era o foco de infecção, os media entravam casa adentro a toda a hora, o Coronavírus estava na Europa.


E de Itália a França e Espanha, Portugal começou a sentir o perigo, agiu o governo atempadamente, e, de uma forma inesperada, mudámos o nosso estilo de vida.


Somos um povo de afectos, estavam proibidos os beijos e os abraços, o alerta constante de evitar o contacto físico e manter o distanciamento desencadeou nas pessoas o medo de ser contaminado.


As cidades ficaram desertas.


Às crianças foi-lhes tirada a rotina das creches, da escola. Interromperam-se os afectos, as brincadeiras com os amiguinhos, os parques de rua para brincar. Estava nas mãos da família adaptarem-nas a uma nova rotina, árdua e exigente.


A nossa casa passou a ser o escritório, a escola, as consultas, as reuniões, a fé, a cultura, o ginásio, a loja que procurávamos para comprar alguma coisa que nos satisfizesse o ego de tão triste estávamos neste isolamento forçado.


Passados este seis meses ( comentando com um familiar, a quem foi muito difícil este tempo de confinamento, que, apesar de tudo, parece-nos que já foi há bastante tempo ), não tendo alterado o meu comportamento muito mais que anteriormente, aprendi algumas coisas que em situações normais certamente não pensaria nelas: 

aprendi que fiquei mais tolerante a pequenas coisinhas que me irritavam, sobretudo más interpretações ou juízos de valor que eu mesma fazia; 

aprendi que o medo faz (re)agir perante ocorrências inesperadas, "esquecer" o vírus e seguir em frente, há que proteger os seres mais frágeis; 

aprendi a controlar a minha ansiedade se me doesse um dedo, ou a ponta nariz, e,sim,tive dores no braço, e deixar de procurar o médico especialista disto e daquilo só porque queria ficar tranquila (não vou a uma consulta desde novembro do ano passado); 

aprendi, basta querer, que o tempo que tenho chega para tudo: ler, computar, tomar conta do sobrinho neto quando é preciso, cozinhar, fazer as tarefas da casa, passear, apoiar quem me pede ajuda;

aprendi que os nossos melhores momentos são aqueles que dedicamos a quem mais gostamos: um almoço e/ou jantar convívio via whatsapp;

aprendi que o progresso traz riscos, que a insegurança e a desigualdade social aumentam.

O homem é um ser vulnerável.

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15 comentários

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imsilva a 25.06.2020

O ser humano é um ser vulnerável e felizmente completamente adaptável. Dúvidas houvesse, ficam agora dissipadas. Até de um filme de ficção cientifica conseguimos fazer parte, sem preparação alguma para isso.
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Maria Araújo a 25.06.2020

O homem acha que tem poderes ilimitados, até que um dia o improvável ( embora mais cedo ou mais tarde soubesse que poderia acontecer) surgiu.
Beijinho
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Maria Araújo a 25.06.2020

Obrigada, Robinson,pelo convite.
Gostei muito da fotografia das belíssimas escadas da Livraria Lello.
A vida é isto, um sobe e desce, e o local é para admirar, ler, reflectir ...e de silêncios.


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Robinson Kanes a 25.06.2020

Eu é que agradeço, Maria... :-)
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Robinson Kanes a 25.06.2020

Olá Maria,

Muito obrigado por este texto e por esta partilha. A Maria ainda é uma partilha real nestes espaços, os pequenos episódios e aprendizagens da sua vida são narrados com o realismo e a ingenuidade boa de quem simplesmente vive... Gosto disso no seu espaço e na sua forma de abordar o mundo virtual e não virtual.
Só tenho a agradecer e em relação ao que partilhou comigo... Não fica nada atrás, em muitos casos, fica bem à frente ;-)

Um beijinho,
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Maria Araújo a 25.06.2020

Sinto-me muito lisonjeada com este seu comentário.
Muito obrigada.
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Anónimo a 25.06.2020

Parabéns, Maria e Robinson, por nós presentearem com este belíssimo texto e por nos permitirem sentir o lado mais humano desta partilha.
Destaco este pedaço de reflexão que teve eco em mim:
"aprendi que o medo faz (re)agir perante ocorrências inesperadas, "esquecer" o vírus e seguir em frente".

GC
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MJP a 25.06.2020

Muitos Parabéns pela reflexão, Maria, que revela a genuinidade que a caracteriza!
Muito Obrigada pela partilha!

e... não poderia estar mais de acordo com esta sua aprendizagem:

"aprendi que os nossos melhores momentos são aqueles que dedicamos a quem mais gostamos"

Um beijinho*
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Maria Araújo a 25.06.2020

Obrigada pelas suas palavras,JMP.


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cheia a 25.06.2020

" O homem é um ser vulnerável".


Um abraço para ambos
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Maria Araújo a 26.06.2020

Obrigada.

Bom fim-de-semana.
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José da Xã a 27.06.2020

Grande texto Maria.
Uma realidade que nao conheciamos e que dificilmente nos habituámos.
Bela reflexao.
Obrigada pela partilha.
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O ultimo fecha a porta a 27.06.2020

Parabéns pelo texto e revejo-me nele. Aprendemos a relativizar as coisas, as situações e os sentimentos e isso é muito importante :)

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