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O Pingo Demasiado Doce da Autoridade...

por Robinson Kanes, em 02.01.18

novos-gnr.jpg

 Fonte da Imagem: http://www.postal.pt/2016/09/gnr-conta-mais-457-novos-militares-partir-de-hoje/

 

 

Um destes dias, andava eu pelo Pingo Doce quando dei por mim a assistir a uma cena daquelas que pensamos que já não deveriam existir... Mas existem.

 

Uma senhora, dos seus quarenta anos, aquele tipo "pandorca" e cuja filha herdou os genes todos, decidiu ir às compras de Natal. Foi de tal modo imbuída no espírito que quis oferecer caixas e cestos de chocolates a todos os amigos, no entanto, como o dinheiro não chega para tudo, algumas delas íam escondidas no carrinho de bebé - daquele que deveria ser mais um filho.

 

Abordada pelo segurança, ao início hesitou e até colocou em causa a moral do cavalheiro. Mas na verdade, debaixo da mantinha e depois de confirmado o recibo das compras, a nossa "pandorca" decidiu colocar as culpas na "herdeira da parada", a filha que já lhe segue os passos em termo de imagem e comportamento "pandorqueiro". O marido, um senhor magro e visivelmente destruído pela vida, nem a boca abria. Já o segurança, procurou resolver a questão pelo bem e lá disse à senhora para ir pagar, porque "enganos" acontecem a todos e pronto... Assunto resolvido...

 

No entanto, enquanto escolhia um bolo rei quentinho - "estimados clientes, acabou de sair uma fornada de bolinho rei quentinho só a €8.99 o quilo" - só consigo ouvir um guarda da GNR a dizer "não me falta ao respeito". A partir daqui:

 

- A senhora não me falta ao respeito. Vá pagar as suas coisas e não me falte ao respeito.

 

Assim a autoridade mostrava que não estava para brincadeiras e procurava também sanar a situação rapidamente, no entanto, a nossa pandorca não estava pelos ajustes e:

 

- Mas quem és tu? Digo o que me apetecer, vai falar assim com a tua mãe!

 

Vai falar assim com a tua mãe... Quando vejo um indivíduo com o dobro do meu tamanho e com a farda da GNR, a primeira coisa que faço para evitar problemas é dizer-lhe "vai falar assim com a tua mãe"! A verdade é que imediatamente o guarda solicitou a identificação da senhora, aliás, até de forma bastante respeituosa até levar dois empurrões e a pandorca armada em big mama lhe ter dito:

 

-Não me dentifique! Vai pró ca_ _ _ _ _  - e enfrentando o guarda - tu é que não me respeitas nem me bateste a pala!

 

Continuamos a tentar evitar problemas, por isso, nada como mandar uma autoridade policial para aquele cesto que era colocado nos mastros das caravelas com o objectivo de servir de mirante. Também achei interessante o facto da nossa pandorca se ter em grande conta e achar que um militar lhe deve o direito de continência, mesmo quando esta o manda maltratar a mãe. Gosto desta coisa tão portuguesa do "eu tenho todos os direitos e tu só tens deveres".

 

E a saga continua... Empurrão daqui e dali, eis que o nosso guarda (muito paciente, por sinal... demasiado) agarra a senhora e a aperta. Isto não sem levar mais empurrões e um ou outro murro no braço. E não, nem a ameaça de que esta verdadeira dama poderia ser algemada a demoveu dos seus intentos.

 

Este género de cenas repetiu-se, e a insistência da senhora para que o guarda fosse para o cesto que era colocado nos mastros das caravelas com o objectivo de servir de mirante, continuava a ser bem marcada. Pessoalmente, não sou adepto da violência, mas se fosse comigo era imediatamente dominada, colocada no chão e algemada! Eu sei que depois vinham as associações do costume dizer que eu tinha sido violento... Afinal quem é um indivíduo, por sinal uma autoridade policial, para me dizer que não devo roubar e ainda por cima me algemar depois de o ter agredido e injuriado sem causa aparente? É que nem pensar! Temos direitos!

 

Casos como estes, não faltam... Começo a temer que a figura da autoridade comece a perder a sua força e quando assim acontece, é mau para os nossos agentes de autoridade que se encontram sujeitos ao desrespeito e ao aumento das agressões e também não é bom para os cidadãos, que podem estar a criar espaço para que seja dada, no futuro, mais margem de manobra na utilização da violência por parte das nossas autoridades.

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46 comentários

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De Marta Elle a 02.01.2018 às 10:23

A arrogância no seu melhor.
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De Robinson Kanes a 02.01.2018 às 10:27

Falta de educação e de formação...

Rouba-se e ainda se agride a autoridade... Para mim é sensação de impunidade.
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De Corvo a 02.01.2018 às 10:46

Bom dia, Kanes.
Antes de mais, um bom ano novo lhe desejo.
Obviamente esse agente de autoridade não serve os interesses do cidadão como a função para a qual foi incumbido deveria servir.
Que seja colocado na secretaria, se tiver habilitações para tal e se as não tiver que seja colocado nas funções de faxina: limpeza aos sanitários, por exemplo, e para as ruas que seja colocado quem proteja o cidadão do crime.
Só um quarto do que se passou, a senhora deveria ter sido algemada e conduzida a prisão. Um auto elaborado e ser apresentada ao juiz.
Roubo comprovado, resistência à autoridade, ofensa moral e agressão física. Tinha muito por que responder.
Isto com um agente que defendesse o cidadão. Assim, o crime saiu impune.
Resto de um excelente dia.
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De Robinson Kanes a 02.01.2018 às 11:14

Bom dia, Corvo.

Um bom ano novo também para si e que seja repleto de sucessos.

Concordo consigo, aliás, é aí mesmo que quero chegar. As acções que menciona foram apontadas pelo guarda, que acabou por não as cumprir. Todavia, mesmo sem as cumprir, houve quem não fosse favorável ao comportamento do guarda, acusando o mesmo de ser agressivo...

Será que se o militar da GNR tivesse feito o trabalho que lhe competia seria bem visto pela sociedade, ou teríamos os do costume a questionar os abusos da autoridade?

Um Abraço,
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De Rita PN a 02.01.2018 às 11:17

Infelizmente são situações recorrentes. A falta de civismo é uma doença social e tudo o que daí advém, chega a ser tido como normal ou banal, como referes 'Gosto desta coisa tão portuguesa do "eu tenho todos os direitos e tu só tens deveres".'

"Começo a temer que a figura da autoridade comece a perder a sua força" - eu diria que a têm vindo a perder. Em casos recentes, tornados mediáticos, são as forças da autoridade presentes a julgamento quando, por uso da força e em defesa própria e do cidadão comum, matam ou ferem o criminoso. E quantos processos não são abertos por queixas contra o abuso de poder por parte das autoridades? São as lacunas na lei que regula a nossa segurança pública que abrem espaço a estes "aprovitamentos" por parte dos cidadãos.

As situações no Pingo Doce são inúmeras... e atenção, a segurança é feita por agentes da autoridade e não por empresas de segurança. No entanto, os primeiros parecem atuar segundo as regras dos segundos dentro destes establecimentos...
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De Robinson Kanes a 02.01.2018 às 11:37

"Dever" é daqueles conceitos que...

Existe um claro aproveitamento, até que um dia a força passa a ser consentida num espectro maior e aí sim poderemos ter um problema... Eu entendo que se controle o uso da força, mas há limites, até porque tem implicação na operacionalidade das autoridades.

Sempre estranhei ver autoridades a "defenderem" espaços privados, no entanto, reconheço que por vezes se justifica...
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De Ana a 02.01.2018 às 11:19

Bem...o homem teve cá um sangue frio para não perder as estribeiras. E como é que terminou a cena?
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De Robinson Kanes a 02.01.2018 às 11:33

Acompanhei até as coisas estarem mais calmas. No entanto, o guarda não evitou que meia dúzia de cidadãos defendessem a atitude da senhora e o criticassem.
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De C.S. a 02.01.2018 às 12:54

Robinson, o problema, como tu tão bem sabes, é que se o guarda tivesse feito o que deveria (algemá-la após ela não ter demonstrado qualquer vontade em colaborar) não faltariam vídeos a circular no facebook a dizer que os guardas são maus e que até batem em mulheres.
A GNR tem a sua autoridade cada vez mais limitada.
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De Robinson Kanes a 02.01.2018 às 13:46

Penso que foi isso que o mesmo tentou evitar... As redes sociais e os "media" e a capacidade de moldarem tudo e todos...
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De C.S. a 02.01.2018 às 15:45

Nen mais!...É um assunto que dá pano para mangas, como se costuma dizer. Mas é triste que as pessoas não possam fazer o seu trabalho em condições e se sujeitem a ser humilhadas por causa do circo das redes sociais.
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De Robinson Kanes a 02.01.2018 às 15:51

E das duas uma... Ou as redes socias têm os dias contados (como muitos já estão a prever), ou vamos continuar na mesma.
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De Happy a 02.01.2018 às 12:55

Penso que hoje em dia todos (agentes de autoridade incluídos) sofrem daquilo que se chama a imagem. A imagem da instituição.
Bem sei que ele foi tolerante, mas ainda assim havia pessoas do lado da "senhora", imagina se a tivesse imobilizado no chão, algemada e diabo a sete...
Infelizmente, hoje em dia é muito fácil um agente ver a sua actividade suspensa porque nas redes sociais, há sempre quem esteja do lado dos bandidos. E ser suspenso acarreta não receber ordenado, ficar com a mancha na ficha, etc...
Lembram-se há uns anos em Setúbal, uma perseguição policial ter degenerado, e o tiro mandado pelo polícia ter atingido o filho menor do criminoso, que contra todo o bom senso, levava na carrinha? Lembram-se o que aconteceu ao polícia? Pois...
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De Robinson Kanes a 02.01.2018 às 13:48

A imagem, cada vez mais importante, que a realidade, a qualidade ou o sentido de dever.

Foi tolerante na questão do roubo, aliás, foi o estabelecimento... Seria o suficiente para a senhora ter vergonha e ir embora. No entanto, sentiu que podia fazer o que bem entendesse porque terá sempre a protecção de alguém - talvez da sociedade ou do que gerar mais "buzz".

E sim, existem agentes/guardas que ultrapassam os limites mas também são castigados injustamente no cumprimento do dever...
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De Rooibos a 02.01.2018 às 13:51

É sempre um "pau de dois bicos". Se faz demais, foi muito violento. Se faz pouco, não fez o seu trabalho.
Não me sei pronunciar, até porque há algo que nunca percebi nestes agentes de autoridade que fazem serviço a empresas privadas: eles estão em plena posse dos seus poderes?
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De Robinson Kanes a 02.01.2018 às 15:36

Sem dúvida...

Em relação à tua questão, sem dúvida. Importa perceber que não respondem perante a organização privada, ao contrário dos seguranças privados. Neste sentido, podem e devem agir conforme a lei e as directivas do respectivo comando.
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De Beia Folques a 02.01.2018 às 14:17

Excelente relato. É só pena que a comunicação social só se entretenha a denegrir a policia, Gnr, toda e qualquer força de autoridade.
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De Robinson Kanes a 02.01.2018 às 15:38

Nem toda, mas a grande maioria sim... E agora com o "buzz" das redes sociais ainda pior, já não sei quem influencia quem.
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De Lady a 02.01.2018 às 14:53

Bom Ano Robinson :D

Essa senhora devia ter sido presa, por roubo e desrespeito à autoridade, nem que fosse só para lhe pregarem um susto.

Sabemos que há bons e maus profissionais em todas as áreas, contudo não gosto nada de ver noticias que ponham em causa as nossas forças policiais, pois isso só incentiva o desrespeito por estas. Acredito que havia pessoas a defender a dita "senhora".

O que me ri com a expressão "pandorca armada em big mama " lol.
Bjs, Marina



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De Robinson Kanes a 02.01.2018 às 15:40

Bom ano, Marina, com tudo de bom, para ti e para os teus, incluíndo os de 4 patas.

Concordo a 100%.

Acaba por intimidar a acção destas. Já aqui falaram da "imagem" e das consequências desse foco na mesma.O cumprimento da lei deve estar acima de qualquer imagem e já nem falo do respeito por outrem.

ahahahahah

Beijinhos,
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De Cecília a 02.01.2018 às 15:42

e o bolo rei, quentinho antes de as coisas ferverem, valeu a pena?

pandorca... como eu adorei ler esta palavra!

às tantas a senhora tem fetiche com a farda e não se poupou a esforços para se ver apertada...

bom 2018, Robinson
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De Robinson Kanes a 02.01.2018 às 15:53

Depende da fava :-)

Pandorca, é um estilo muito próprio de senhora.

Por acaso não tive essa ideia, mas é bem lembrado... Afinal eu é que vejo tudo de forma distorcida :-)))

Um Bom Ano para a Cecília e para os seus.

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