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Imagem: http://globalfoodconnections.com/climate-change-threatens-ancient-mayan-farming-practices/ 

 

 

E se culturalmente quase que podemos afirmar que existia um povo dentro de um outro povo, também socialmente as desigualdades eram profundas e além dos mais desfavorecidos, está o exemplo das mulheres, completamente afastadas de toda e qualquer intervenção no conselho.

 

Neste contexto de Rio de Onor, poderemos contar uma “estória” que se afasta radicalmente da realidade e que para a discussão de uma economia mais solidária somente poderá dar o seu maior contributo no espírito de união que permite muitas vezes a populações completamente isoladas geograficamente e socialmente sobreviverem perante condições tremendamente adversas ao invés de sociedades que nasceram por oposição a outras. Nesse sentido Rio de Onor é efectivamente um grande exemplo a par com a segurança da identidade cultural e comunitária.

 

Actualmente este é o seu contributo, sobretudo para uma sociedade cada vez mais individualista e sem sentido de comunidade e cidadania. Por outro lado, é um exemplo a não seguir no que toca ao papel das mulheres e dos mais desfavorecidos nas novas práticas económicas que deverão encarar estes, não dignos de dádiva, mas sobretudo actores ao nível de qualquer outro, tornando-se também eles agentes de mercado e de desenvolvimento local sustentável.

 

Conclusão

 

Rio de Onor preencheu e ainda hoje preenche o imaginário de muitos estudiosos e antropólogos. Todavia, Rio de Onor.

 

Em relação aos quatro pontos de partida deste texto, o primeiro ponto efectivamente vai ao encontro de uma das bases de uma economia solidária: a união dos interessados em comunidade, como forma de vencer os obstáculos económicos e geográficos que jamais seriam vencidos se cada um o fizesse de forma isolada. A questão da cultura de oposição está completamente de lado, pelo contrário os laços transfronteiriços eram extremamente fortes e tanto o lado espanhol como o português partilhavam deste espírito de interajuda e cooperação nos destinos da aldeia.

 

Rio de Onor não passa o teste de sociedade igualitária quer na administração dos recursos (não confundir com distribuição), na sua posse e sobretudo no afastamento das mulheres no que concerne aos destinos e até vida quotidiana da aldeia. Atentemos provavelmente à época, e que num regime ditatorial não tinha aberto ainda espaço para a formalização dos direitos das mulheres. Importa, no entanto, não esquecer que antes do regime ditatorial já existia Rio de Onor.

 

Do ponto de vista de sucesso rural, Rio de Onor nunca conseguiu produzir grandes quantidades de produtos, pelo que alimentava praticamente uma economia de subsistência. A dimensão também deverá ser tida em conta, pelo que para o futuro, talvez não seja de descorar que, ao invés de comunidades aldeãs isoladas, ser dado o passo para a criação de redes aldeãs com um modelo de gestão comum a todas.

 

No que concerne ao quarto e último ponto, a resposta é sim. Claramente as mulheres, sobretudo das zonas raianas e serranas, têm cada vez mais um papel fundamental na dinamização do interior ou de áreas isoladas. A partida dos maridos, não deve passar pela espera de um hipotético encaixe financeiro no futuro, mas sim por uma mobilização destas para o trabalho da\na terra.

 

Face a todos estes argumentos, Rio de Onor é uma “estória” da qual podemos tirar muitas lições de sobrevivência e esquecermos as utopias.

 

Rio de Onor tinha as suas lacunas, no entanto, retirando o sumo das boas práticas e aprendendo com os factores negativos, até porque, a título de exemplo, seria um autêntico suicídio afastar desta forma as mulheres, muitas destas aldeias e vilas terão muito a ganhar - sobretudo se não cometerem o erro de se voltarem somente para si mesmas. Poderão desenvolver-se numa óptica socioeconómica e com isso garantir patamares de sustentabilidade para todos os seus habitantes.

 

Citando os rionorenses "bamus a deitar piedras" e ver o resultado final.

 

 

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (1)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (2)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (3)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (4)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (5)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (6)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (7)

 

Leituras recomendadas:

 

  • Dias, Jorge, Rio de Onor, Comunitarismo AgroZPastoril, Editorial Presença, Lisboa;

  • Laville, Jean Louis, A Economia Solidária: Um Movimento Internacional, Revista crítica de Ciências Sociais, 84, Março 2009: 7Z47;

  • Marques, Joana S.; Social and Solidarity Economy, United Nations Research Institute for Social Development, Geneva, 2013;

  • McMurtry, John, Prometheus, Trojan Horse or Frankenstein The Social and Solidarity Economy as Community Creation, Market Wedge, or State Monster, United Nations Research Institute for Social Development, Geneva, 2013;

  • O’Neil, Brian Juan, Proprietários, Lavradores e Jornaleiras, Publicações Dom Quixote, Lisboa;

  • Pais de Brito, Joaquim, Retrato de Aldeia com Espelho, Ensaio sobre Rio de Onor, Publicações Dom Quixote, Lisboa;

  • Piolanyi, Karl, A Grande Transformação, Editora Campus, Rio de Janeiro, 2000;

  • Prügl, Elizabeth; Razavi, Shahra; Reysoo; Fenneke, Gender and Agriculture After Neoliberalism, The Graduate Institute Geneva, Geneva, 2012;

  • Wolf, Eric, Peasants, Prentice Hall, New Jersey, 1966;

 

 

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23 comentários

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De P. P. a 02.09.2018 às 23:09

Obrigado pela partilha de saberes.
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De Robinson Kanes a 03.09.2018 às 08:56

Obrigado eu por acompanhares esta viagem :-)
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De Rita a 04.09.2018 às 14:18

Aproveitei e li os outros 6 posts que me faltavam. Grande trabalho de análise e de pensamento crítico! És um poço de conhecimento relevante e importante ;)

Desconhecia totalmente esta temática, obrigada por partilhares :)

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De Robinson Kanes a 04.09.2018 às 21:08

Foi mais um trabalho de curiosidade que outra coisa, sempre foi um tema que me atraiu graças a um professor que tive na faculdade...

Obrigado pela paciência para a leitura :-)
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De Rita a 05.09.2018 às 10:01

Não há que agradecer, é sempre um prazer ler os teus posts :)
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De Anónimo a 06.09.2018 às 17:21

Dê-me lá um exemplo real, efectivo, de uma "sociedade comunitária" e outro de uma "comunidade igualitária", se faz favor.
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De Robinson Kanes a 10.09.2018 às 10:47

A ideia do texto era essa, provar que muitas das situações que são apresentadas são utópicas e concretizáveis, além de que, uma sociedade totalmente igualitária é uma daquelas onde menos liberdade existe... É nesse sentido que exemplos cabais não existem.

Sociedade comunitária: penso que a conclusão é simples: sociedade comunitária é outra coisa e Rio de Onor foi sem dúvida um óptimo exemplo. Temos de ter em atenção que um perfil de sociedade comunitária não tem propriamente de ser igualitário...

Obrigado pela visita :-)

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De Anónimo a 12.09.2018 às 19:06

Não se trata de utopia. É a utopia que move o mundo! As utopias só o são enquanto não forem concretizadas e temos inúmeros exemplos sociais, económicos, políticos e até científicos: a abolição da escravatura, a criação do Estado Social, a igualdade de género, a viagem à Lua de Júlio Verne, etc...

Quase todos os conceitos, senão todos, são construções heurísticas ideais-típicas à maneira de Max Weber, de modo a constituírem um quadro de pensamento homogéneo. Não reproduzem a realidade, mas possibilitam a sua determinação precisa.

O amigo Robinson Kanes anda à procura da essência do comunitarismo? De caminho procure também a "verdadeira" democracia, a "verdadeira" liberdade, a "verdadeira" justiça, o "verdadeiro" amor, felicidade, harmonia... e por aí fora. Quando der por ela, dá-se conta de que anda à procura do Santo Graal. Ele haver há, não é grande coisa, mas há!

Jorge Dias, em Rio de Onor - Comunitarismo Agro-pastoril, não diz que Rio de Onor era uma comunidade igualitária, muito menos "absolutamente" ou "totalmente", antes pelo contrário, refere que "em Rio de Onor há a propriedade privada e três tipos de propriedade colectiva", pág. 82, 3ª edição, e acrescenta mais adiante "aparentemente parece serem todos iguais, pois a riqueza não confere superioridade social. Tratando-se todos da mesma maneira, e o mais rico não é, por isso, mais respeitado que o mais pobre. Mas, vivendo-se com eles intimamente, nota-se depressa que uns vivem com mais dificuldades do que outros, embora não haja casos de extrema miséria!, pág. 96.

Em que parte desta obra, Jorge Dias defende que "as comunidades isoladas das montanhas do Norte de Portugal são igualitárias"?

O que é igualitária é a organização comunitária que gere a propriedade colectiva e privada, através do Conselho de Vizinhos, em Rio de Onor. As mulheres não estavam presentes nas reuniões do Conselho de Vizinhos, é certo, mas temos que abordar esta questão numa perspectiva relacional e sistémica. Elas "estavam" lá. Para se tornarem "visíveis" teríamos que fazer uma abordagem feminista do comunitarismo agro-pastoril em Rio de Onor o que, manifestamente, não foi esse o objectivo de Jorge Dias, nem, obviamente, essa análise estava ao alcance do paradigma metodológico da antropologia daquela época - o organicismo funcionalista - e tão-pouco, também por razões óbvias, se ouvia falar de Pierre Bourdieu e das teorias feministas e estudos de género.

Uma última questão, relativamente à referência ao livro de Jorge Dias por parte dos rionorenses, registada em Retrato de Aldeia com Espelho, de Pais de Brito. Em Rio de Onor, como poderia ter sido em qualquer outro lugar, vemos em acção a construção e reconstrução de um processo de objectivação, legitimação, sedimentação e institucionalização da realidade social local, na produção e reprodução da prática quotidiana pela discussão, disputa, negociação e aplicação das regras e dos princípios de
um comunitarismo agro-pastoril consuetudinário. Processo reforçado por aquilo que Giddens designa como "apropriação reflexiva de conhecimento", na qual, "a produção de conhecimento sistemático sobre a vida social torna-se parte integrante da reprodução do sistema" (Giddens, pág. 37, As Consequências da Modernidade). Reforço esse que, por sua vez, foi desencadeado e estimulado pela "confiança" no "sistema pericial" (Giddens, pág. 19) contido na monografia de Jorge Dias - a instituição universitária e a vasta obra publicada pelo autor e socialmente sancionada positivamente pela comunidade científica nacional e internacional. Portanto, onde está a surpresa ou o gracejo? É a construção social da realidade em plena acção meu caro amigo!
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De Robinson Kanes a 13.09.2018 às 16:48

Obrigado pelo comentário, nunca pensei que ao fim de tantos "capítulos" este texto viesse finalmente a suscitar tanto interesse - obrigado sincero.

Honestamente, temáticas como a abolição da escravatura, a igualdade de género e até o próprio Estado Social, não são propriamente utopias (como refere adiante, são até mesmo a construção social) - aliás, a contestação em alguns países, ao Estado Social é uma realidade - demasiado Estado Social nem sempre é bom para a sociedade. Júlio Verne e a sua viagem ao centro da Terra não pode ser comparada com uma ida à lua que teve mais um objectivo militar e imperialista que outra coisa.

"O amigo Robinson Kanes anda à procura da essência do comunitarismo?" Se leu o meu texto sabe exactamente que é o contrário disso que estou a defender, pelo menos na sua perfeição. E sim, contradigo-me que apesar de não ser possível ter a comunidade perfeita, não há como tentar, no entanto, a minha comunidade perfeita há-de ser uma catástrofe para uma outra comunidade que nunca será perfeita. Tento chegar a um outro conceito, bem para lá do comunitarismo... Poder-me-à ajudar nessa tarefa?

Se reparar, eu contesto sim, o modo como a obra de Jorge Dias foi abordada, aliás, não deixo de utilizar argumentos baseados na opinião de Jorge Dias, contrária às sociedades igualitárias, bem no fim deste texto isso aparece, e passo a citar "Face a todos estes argumentos, Rio de Onor é uma “estória” da qual podemos tirar muitas lições de sobrevivência e esquecermos as utopias. Rio de Onor tinha as suas lacunas, no entanto, retirando o sumo das boas práticas e aprendendo com os factores negativos, até porque, a título de exemplo, seria um autêntico suicídio afastar desta forma as mulheres, muitas destas aldeias e vilas terão muito a ganhar - sobretudo se não cometerem o erro de se voltarem somente para si mesmas. Poderão desenvolver-se numa óptica socioeconómica e com isso garantir patamares de sustentabilidade para todos os seus habitantes.". A participação limitada das mulheres é um exemplo.

Em relação às mulheres, o facto é que as mulheres não estavam presentes, independentemente da época, essa é a realidade. Caso contrário, também de acordo com os "trâmites" da época, poderíamos assumir que em tempos a escravatura era algo normal e que terá de ser visto como tal. De facto é discutível e o "anónimo" terá a sua razão, no entanto, quando atentamos à época, temos de o fazer com muito cuidado...

"Uma última questão, relativamente à referência ao livro de Jorge Dias por parte dos rionorenses, registada em Retrato de Aldeia com Espelho, de Pais de Brito. Em Rio de Onor, como poderia ter sido em qualquer outro lugar, vemos em acção a construção e reconstrução de um processo de objectivação, legitimação, sedimentação e institucionalização da realidade social local, na produção e reprodução da prática quotidiana pela discussão, disputa, negociação e aplicação das regras e dos princípios de
um comunitarismo agro-pastoril consuetudinário. Processo reforçado por aquilo que Giddens designa como "apropriação reflexiva de conhecimento", na qual, "a produção de conhecimento sistemático sobre a vida social torna-se parte integrante da reprodução do sistema" (Giddens, pág. 37, As Consequências da Modernidade). Reforço esse que, por sua vez, foi desencadeado e estimulado pela "confiança" no "sistema pericial" (Giddens, pág. 19) contido na monografia de Jorge Dias - a instituição universitária e a vasta obra publicada pelo autor e socialmente sancionada positivamente pela comunidade científica nacional e internacional. Portanto, onde está a surpresa ou o gracejo? É a construção social da realidade em plena acção meu caro amigo!"

Obrigado por este precioso "input", e o tema não é para gracejos, vou até mais longe e peço a sua opinião em termos de "Cultura de Oposição" e que vai bem para lá do tema de Rio de Onor. Será também uma ajuda preciosa ;-)
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De Anónimo a 14.09.2018 às 12:43

As utopias são lugares que não existem no momento em que são pensadas ou exprimidas por palavras.

A abolição da escravatura, a igualdade de género, o estado social, a ida à Lua (há centenas de milhares de exemplos) foram, num passado remoto, ideias utópicas até se tornarem numa realidade concreta. No caso da igualdade de género e do estado social, o processo ainda se encontra em desenvolvimento. A unidade de tempo que preside à mudança social é a geração. Talvez na próxima geração o processo social já esteja mais consolidado (ou excluído, obviamente!)

Por conseguinte, não vejo como relacionar o conceito de utopia ao facto, real e concreto da comprovada existência de um comunitarismo agro-pastoril em Rio de Onor, brilhantemente etnografado em duas grandes obras da literatura antropológica portuguesa: Rio de Onor - Comunitarismo Agro-pastoril, de Jorge Dias, e Retrato de Aldeia com Espelho, de Pais de Brito.

Confesso que fiz uma leitura transversal das suas 8 publicações sobre comunitarismo e Rio de Onor. Se por acaso, como sugere, existe alguma convergência nos nossos argumentos peço imensa desculpa. Mas o adjectivo "falso" na frase afirmativa "O falso comunitarismo e as aldeias comunitárias do Norte de Portugal", mais a frase depreciativa e jocosa "Haver... havia... Não era grande coisa...Mas haver havia...", associadas ao topónimo Rio de Onor, toldou-me a capacidade de raciocínio. Prometo que vou ler atentamente as suas 8 publicações e, se for o caso, retractar-me-ei aqui neste lugar. Um abraço.
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De Robinson Kanes a 14.09.2018 às 15:59

Porque jamais passaram dessas palavras? :-)

Foram necessidades, alertas, vontades... Mas não discutamos mais este ponto, aqui não nos encontramos... :-)

Temo apenas que Jorge Dias e Pais de Brito tenham caído na tentação de chegar a um ponto em que se retratava o retrato, se é que me faço entender, o momento em que os participantes do "estudo" já se comportam como actores. Retirar o conceito de utopia e substituir o mesmo por propaganda é uma opção?

Desculpe, mas não vi onde utilizei o "Haver... havia... Não era grande coisa...Mas haver havia..." de forma jocosa em relação a Rio de Onor... Tenho de ler o que escrevi, mas não me recordo de tal facto, no entanto, se até o utilizei... reparará que o, chamemos-lhe subtítulo, deste espaço é exactamente esse.

Ora essa, não se sinta obrigado a nada, da minha parte, olhe que me sinto mais rico.
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De Anónimo a 14.09.2018 às 20:12

Decididamente não nos estamos a entender. Pode ser do emissor, do receptor ou do canal de comunicação.

"Porque jamais passaram dessas palavras?"? Dos exemplos que mencionei, a abolição da escravatura, a igualdade de género, o estado social e a ida à Lua não são realidades materializadas? Será que continuam a ser utopias?

Actores sociais somos todos nós e todos os dias representamos papéis. O "retrato" e o "espelho", são o "efeito Rio de Onor" de que fala Pais de Brito. Mas isso é perfeitamente normal. No sossego do campo, no bulício cosmopolita de uma grande cidade ou num pequeno aglomerado humano de uma ilha longínqua, o Homem produz-se a si mesmo. É a construção social da realidade de que falam Peter Berger e Thomas Luckmann. É a apropriação reflexiva de conhecimento de que fala Giddens. Todos nós agimos assim.

E não é propaganda, não senhor. É sociologia.
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De Robinson Kanes a 17.09.2018 às 15:36

Algumas delas não, mas não sejamos incisivos... Não foram utopias algumas delas, temos de desconstruir o conceito para decidirmos quem tem razão. Honestamente, algumas delas foram apenas necessidades e anseios numa realidade da época que acabaram por ter impactes positivos ainda hoje, entendo uma utopia como algo bastante mais complexo. Erro meu, talvez.

"No sossego do campo, no bulício cosmopolita de uma grande cidade ou num pequeno aglomerado humano de uma ilha longínqua, o Homem produz-se a si mesmo. É a construção social da realidade de que falam Peter Berger e Thomas Luckmann."

Parabéns!

Antropologia ou etnologia, neste caso, vá... :-)

É um especialista da área (eu não) e isso já me deixou bastante satisfeito, sobretudo pela curiosidade despertada e pela discussão saudável...

P.S: Muito propaganda bebeu da sociologia e não só :-)
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De Anónimo a 17.09.2018 às 20:19

Pronto! Sobre utopias estamos conversados. Não vale a pena desconstruirmos nada pois que, na reconstrução, ainda sobravam peças. Fiquemos então cada um com a sua razão.

Não, não é "antropologia ou etnologia", não senhor. É sociologia. Peter Berger e Thomas Luckmann foram sociólogos.

Leia a excelente monografia de Pais de Brito (este sim, é antropólogo), sobre o comunitarismo agro-pastoril em Rio de Onor e verificará (provavelmente!) que ali, em Rio de Onor, não houve nada parecido com um propagandístico "falso comunitarismo". E olhe que haver havia, e era grande coisa!

PS: Eu até lhe explicava a diferença conceptual entre propaganda e sociologia do conhecimento. Mas não vale a pena, o amigo deve ter mais que fazer! :-)
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De Robinson Kanes a 18.09.2018 às 12:39

Uma utopia, portanto...

Mas quem é que falava de Peter Berger ou Thomas Luckmann? Sei que foram sociólogos, falava mesmo dos autores das obras analisadas :-)

Li Pais de Brito, aliás, curiosidade essa despertada numa cadeira de Etnologia ;-)
Se atentarmos à época, é um risco dizer que a propaganda era "zero".

Força, para aprender há sempre tempo. Será um prazer voltar a ouvir falar de Scheler, Khun, Mannheim e por aí adiante :-)

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De Anónimo a 18.09.2018 às 18:28

"Se atentarmos à época, é um risco dizer que a propaganda era "zero"."???
Olhe que Retrato de Aldeia com Espelho é uma obra etnográfica!

"...Será um prazer voltar a ouvir falar de Scheler, Khun, Mannheim e por aí adiante :-)"
Andou a beber muita propaganda e não só :-)
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De Robinson Kanes a 19.09.2018 às 14:42

Como se a etnografia, como qualquer outra ciência social também não pudesse estar sujeita a... :-)


"Andou a beber muita propaganda e não só :-)"

Escuto toda a gente, mas não falo a todos :-)

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De Anónimo a 19.09.2018 às 16:37

"Como se a etnografia, como qualquer outra ciência social também não pudesse estar sujeita a... :-)"
A etnografia não é nenhuma ciência social. É uma metodologia. Devem-lhe ter explicado isto na cadeira de Etnologia que teve na faculdade. Mas já teria sido há muito tempo, compreendo! :-)

"Escuto toda a gente, mas não falo a todos :-)"
Pensar é o trabalho mais difícil que existe. Talvez por essa razão tão poucas pessoas o façam - Henry Ford

Mas isto tudo deve ser propaganda. E se não for, é seguramente utopia! :-)
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De Robinson Kanes a 20.09.2018 às 00:06

Foi há tempo suficiente para ter tido um professor de uma corrente não tacanha que defendeu, como muitos outros, que a Antropologia é uma ciência, tal como defendem aqueles que não vivem fechados dentro das universidades... ;-) (e não foi assim há tanto tempo quanto isso, lamento mas aqui não lhe dou razão...). Não me explicaram em Etnologia, mas em Sociologia e Antropologia - e nem sou de nenhuma das áreas...


"as ideias não devem ser pensadas, mas vividas" - André Malraux, in "A Esperança"...

Tudo isto é a realidade, longe de manuais, utopias, propaganda ou teorias :-)
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De Anónimo a 20.09.2018 às 18:40

Iniciei este debate na tentativa, utópica pelos vistos, de combater o disparate contido no título "O falso comunitarismo e as aldeias comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor". O amigo, apesar de reconhecer que não é desta área do conhecimento e, manifestamente, revelar que percebe pouca coisa do assunto, insiste no carácter propagandístico e utópico dos meus argumentos. Mas é que nem Pais de Brito utilizou o adjectivo "falso" na sua excelente monografia sobre o comunitarismo agro-pastoril de Rio de Onor. Portanto, leve lá a bicicleta, porque eu desisto!

A Antropologia e a Sociologia são ciências sociais, sim senhor. Nunca disse o contrário. Aliás, até fiz referência a Peter Berger, Thomas Luckmann e Anthony Giddens. O que não é nenhuma ciência social é a etnografia. É uma metodologia, científica é certo, de recolha de factos sociais através de trabalho de campo, observação participante, entrevistas, análise de documentos, histórias de vida, etc... É o método utilizado por excelência pela Antropologia mas não só.

["as ideias não devem ser pensadas, mas vividas" - André Malraux, in "A Esperança"...]
Utilizando o seu sistema de argumentação, isto é propaganda ou utopia?

[Tudo isto é a realidade, longe de manuais, utopias, propaganda ou teorias :-)]
Depois de constatar que reduz tudo a propaganda e utopias, nem me atrevo a iniciar um debate consigo sobre "realidade", "manuais" ou "teorias". Experimente atirar-se de um prédio de 10 andares. Talvez a teoria da gravitação universal de Isaac Newton seja propaganda ou utopia. Sabe-se lá! Não vá por aí que está muito trânsito! :-)



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De Anónimo a 20.09.2018 às 23:21

Iniciei este debate na tentativa, utópica pelos vistos, de combater o disparate contido no título "O falso comunitarismo e as aldeias comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor". O amigo, apesar de reconhecer que não é desta área do conhecimento e, manifestamente, revelar que percebe pouca coisa do assunto, insiste no carácter propagandístico e utópico dos meus argumentos. Mas é que nem Pais de Brito utilizou o adjectivo "falso" na sua excelente monografia sobre o comunitarismo agro-pastoril de Rio de Onor. Portanto, leve lá a bicicleta, porque eu desisto!

A Antropologia e a Sociologia são ciências sociais, sim senhor. Nunca disse o contrário. Aliás, até fiz referência a Peter Berger, Thomas Luckmann e Anthony Giddens. O que não é nenhuma ciência social é a etnografia. É uma metodologia, científica é certo, de recolha de factos sociais através de trabalho de campo, observação participante, entrevistas, análise de documentos, histórias de vida, etc... É o método utilizado por excelência pela Antropologia mas não só.

["as ideias não devem ser pensadas, mas vividas" - André Malraux, in "A Esperança"...]
Utilizando o seu sistema de argumentação, isto é propaganda ou utopia?

[Tudo isto é a realidade, longe de manuais, utopias, propaganda ou teorias :-)]
Depois de constatar que reduz tudo a propaganda e utopias, nem me atrevo a iniciar um debate consigo sobre "realidade", "manuais" ou "teorias". Experimente atirar-se de um prédio de 10 andares. Talvez a teoria da gravitação universal de Isaac Newton seja propaganda ou utopia. Sabe-se lá! Não vá por aí que está muito trânsito! :-)

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De Robinson Kanes a 21.09.2018 às 11:18

Insisto numa coisa... Em não ser senhor da verdade, mesmo em áreas que domino, afinal... A ciência não é feita disso? Discordar é uma coisa, renegar é outra (fundamental em democracia)... Pais de Brito pode nem ter utilizado "falso", mas eu utilizo (sobretudo do ponto de vista económico) e é a minha interpretação, e devo admitir que fico muito contente por ter causado tamanho interesse e contestação... Perdoe-me também se invadi a sua área de conhecimento, mas sempre que lhe pedi mais "apoio" só fui obtendo a exaltação da sua pessoa... Venha mais sumo até porque os invasores agitam as águas e isso é bom :-)

["as ideias não devem ser pensadas, mas vividas" - André Malraux, in "A Esperança"...]
Utilizando o seu sistema de argumentação, isto é propaganda ou utopia?

Realidade... Eu procuro argumentar, mas olhe que há aqui alguém que tenta impor, o que será pior :-) (pequena provocação)

Se me atirar desse andar, muito provavelmente encontro a morte (questão prática suportada por uma teoria)... Essa é a realidade e, perante a morte... Tudo isso é zero ;-)

P.S: no meio deste trânsito, a humildade (e aí estou bastante à vontade para falar sobre teorias) também é importante para se sair da fila - ao ler o seu comentário sobre etnologia no telemóvel, assumo que li antropologia. Embora, no desenvolvimento da nossa argumentação, percebe-se que não foi um erro mas uma pequena gralha...

Convido-o também a fazer prova de que lhe apaguei um comentário como mencionou no artigo anterior ;-)

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