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reimagining-rurality-conference-2.jpg

 Créditos - Imagem: http://www.openresearchwestminster.org/2015/02/re-imagining-rurality-conference-and-exhibition-27-28-february-2015/

 

 

Rio de Onor, como muitos outros exemplos de aldeias do Norte de Portugal, é essencialmente agrícola. As vantagens que uma economia mais solidária pode tirar destas vilas agrícolas podem estar num actor que outrora foi ostracizado, ou seja, se Rio de Onor foi outrora fechado à participação das mulheres, hoje poderia aprender com o modelo latino-americano onde a participação das mulheres é cada vez maior e parece intensificar-se em relação ao sexo masculino. Um dos estudiosos desta temática Deere, chega mesmo a afirmar que a agricultura efeminizou-se e as mulheres deixaram de ser trabalhadores de segundo plano e tornaram-se autênticas managers para a agricultura. (Deere: 2005) Isto muito por culpa da emigração dos homens em busca de melhores condições de vida - algo que é cada vez mais uma realidade em Portugal e sobretudo naquele Portugal profundo onde por exemplo Rio de Onor se encaixa. 

 

O que daqui retiramos? Um impacte social gigantesco, com as mulheres a terem uma palavra a dizer nos destinos destas comunidades e acima de tudo a serem elas próprias um dos motores de desenvolvimento da comunidade.

 

O papel da formação (imperial para o sucesso de políticas de economia mais solidária) é fundamental na medida em que tem de criar o espaço para o empowerment destas, sobretudo na exploração das mais valias do seu próprio território.

 

Rio de Onor é sem dúvida fascinante do ponto de vista da comunidade e do estudo antropológico-económico. O comunitarismo ligado às dificuldades territoriais; a suposta igualdade entre os membros da comunidade, a aparente democracia participativa, a divisão dos recursos e a correcta distribuição da terra fazem-nos pensar em importar do passado um conceito apaixonante. Todavia, esse mesmo conceito acarreta os riscos de idealizar algo que as monografias de alguns autores, nomeadamente Dias, criaram e mais que isso, criar estereótipos que praticamente por obrigação ou vaidade levam uma comunidade a agir como tal.

 

Rio de Onor efectivamente, dá-nos muitas lições, nomeadamente em relação ao próprio conceito de comunitarismo, mas também do modo como os indivíduos, face às dificuldades que o terreno e a localização, se uniram e levaram avante formas de organização que os permitissem sobreviver de uma forma que isoladamente jamais conseguiriam, aliás, o endividamento crescente e o carácter dionisíaco apontados por Dias disso também são exemplo.

 

Se do ponto de vista ambiental, artístico e de bem-estar não existe informação relevante, do ponto de vista económico e de gestão podemos retirar daqui um pouco de cooperativismo que ia até à própria gestão dos costumes, ultrapassando largamente a esfera económica, embora nem sempre numa óptica de reciprocidade.

Continuando a explorar a óptica de conhecimento, começamos a entrar em terrenos mais isolados que a própria aldeia, nomeadamente no que concerne ao carácter social e ao projecto políticonos mostra: a pouca equidade na distribuição das terras, do trabalho e do gado.

 

Continua...

 

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (1)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (2)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (3)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (4)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (5)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (6)

 

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6 comentários

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De P. P. a 07.08.2018 às 18:51

Muito interessante!
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De Robinson Kanes a 07.08.2018 às 21:01

Grato :-)

É aquilo a que costumo chamar "como matar o seu blog em três tempos" :-))))
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De Anónimo a 20.09.2018 às 23:57

Ó amigo Robinson Kanes matou o seu blogue em muito menos de três tempos ao apagar a minha resposta ao seu comentário de 20/09/2018 às 00:06, da publicação "O falso comunitarismo e as aldeias comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (8/Final). Fico a pensar que o amigo não convive muito bem com perspectivas diferentes da sua. Para um bloguista é um péssimo sinal. Está convidado a ir comigo visitar Rio de Onor e conversar com aquela gente afável e hospitaleira. Verificará, no local, que ali existiu, outrora, tudo o que lhe quisermos chamar, menos um "falso comunitarismo". Em alternativa poderá ler com atenção as magníficas monografias de Jorge Dias e Pais de Brito.
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De Robinson Kanes a 21.09.2018 às 10:44

Caro "anónimo", a sua resposta nunca foi apagada, pelo que sugiro que faça prova dessa afirmação... Se há coisa que por aqui nunca foi apagada foi o "comentário", mesmo que, por vezes, vontade não falte... Além de que, nesta discussão não faria o menor sentido, mesmo para mim... Mas terei todo o gosto em perceber junto da administração do "sapo blogs" o que poderá ter acontecido. Também me poderia ter contactado, seria mais fácil, permita-me que lhe diga que foi uma conclusão sua, precipitada...

Se há coisa que tenho digerido é uma espécie de ataque e sobranceria patente ao longo de todos os comentários (este não foi excepção), tentando aproveitar o seu conhecimento para mim e para quem nos lê e passando ao lado de algumas provocações e entrando noutras mais ligeiras.

Conheço Rio de Onor e li as duas monografias... Mas agradeço a sugestão... E aceito também a sua opinião, mesmo que em muitas situações seja diferente da minha...

Obrigado e esteja disponível para colocar o seu comentário "novamente". Os blogs são isto mesmo, ler o que se gosta e ler também o que se gosta menos...



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De Anónimo a 22.09.2018 às 12:34

Caro Robinson Kanes, quando, passadas umas horas, voltei ao seu blogue, verifiquei que o meu comentário não se encontrava lá, como estão os outros todos. E não estava de facto. Atribui isso a um erro meu. Daí ter inserido novamente o comentário (deve ter reparado que está lá o mesmo texto repetido). Numa posterior visita, voltou a desaparecer. Logo, porque não acredito em bruxas, apesar de as haver, deduzi que tivesse sido o amigo. Como vê não tirei uma conclusão assim tão precipitada como isso. Não exagere! Claro que podia tê-lo contactado via e-mail. Não pensei nisso. Peço desculpa!

Não veja nos meus comentários nenhum ataque ou provocação, muito menos sobranceria, nem tão-pouco arrogância. Nada disso! Não seja tão dramático. Eu só quero é que o Benfica seja campeão. De resto, sou um fervoroso partidário daquela máxima "Paz, amor e Maio de 68".

Bem sei que depois de Proprietários, Lavradores e Jornaleiras, de Brian O'Neill, e do "efeito Rio de Onor", de Pais de Brito, surgiu uma espécie de onda contestatária e negacionista do comunitarismo em geral, e do de Rio de Onor em particular, sobretudo em torno dos conceitos "igualitário" e "harmonia" (aliás, o próprio O'Neill refere que igualitário não é o mesmo que igual). O que, quanto a mim, resulta de uma leitura pouco atenta de Jorge Dias e Pais de Brito e da ignorância ou esquecimento da natureza construtivista da realidade social. A realidade social é um produto, logo é o resultado de uma construção.

Utilize todos os adjectivos ou substantivos de todos os dicionários que conhecer para classificar este meu comentário. Mas, por favor, não diga que isto é propaganda ou utopia, porque se não terei de contra-argumentar com aquilo que o amigo chama, erradamente, de "espécie de ataque e sobranceria".
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De Robinson Kanes a 22.09.2018 às 17:15

Já estamos a conversar melhor :-)
Mas o comentário sempre apareceu? É aquele que está em duplicado, deduzo...

Muito bem, não verei e fico esclarecido, embora a questão do dramatismo não seja uma espécie de projecção? :-)... Futebol diz-me pouco ou nada, em relação ao Maio de 68, quer entrar nessa discussão? (brincando)

O'Neill estava mais que certo, e sim, igualitário e igual são coisas totalmente diferentes, embora... do ponto de vista da sociedade em geral e até da política seja um discurso bonito mas sem aplicação prática, e quando a tem nem sempre acaba bem...

"A realidade social é um produto, logo é o resultado de uma construção."

A célebre conclusão :-)

Posso utilizar um objectivo, "feérico" :-)...
...sem utopias e propaganda, somente com um humilde reconhecimento da realidade... Não contra-argumente, este seu comentário já demonstra que estamos a navegar noutras águas :-)




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