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O Martírio de Santo Estevão,  José Clemente Orozco - Musei Vaticani

Fonte da Imagem: Própria

 

 

 

Em tempos normais, nenhum indivíduo são pode concordar com a ideia de que os homens são iguais.

Aldous Huxley

 

São muitas as obras, em alguns casos conotadas com uma certa utopia (1), que têm minado o imaginário de muitos de nós e até daqueles que acreditam num Mundo mais igualitário e numa economia que não exclui qualquer cidadão e incorpora todos estes na mesma campanha. Um dos maiores exemplos em Portugal deste tipo de cultura é o caso da Aldeia de Rio de Onor, explorado pelo ensaio de Joaquim Pais de Brito (2) e a monografia de António Jorge Dias (3) que foram ao encontro do conceito “maravilhoso” de Eric Wolf de “comunidade corporativa fechada”.

 

Procurarei assim, apresentar uma relação entre aldeia comunitária com uma certa economia solidária e perceber até que ponto podemos afirmar um total igualitarismo, que durante décadas apaixonou antropólogos, sociólogos, economistas e meros curiosos, e ainda em que medida, a economia praticada se pode dizer solidária e dotada do exotismo e perfeição rural que Jorge Dias tão bem desenvolveu na sua monografia.

 

Procurei conhecer a aldeia de Rio de Onor e o seu dia-a-dia de cariz comunitário, entrando seguidamente nas experiências diárias e com estas fazendo a ponte para a aferição de Rio de Onor como um exemplo a aplicar como case study para outras iniciativas de cariz comunitário ou até solidário. Não querendo transformar este meu passatempo numa tese, procurarei perceber alguns pontos:

 

  1. O Comunitarismo de Rio de Onor nasce de uma necessidade de sobrevivência das populações ou de uma cultura de oposição?

  2. Será o Comunitarismo de Rio de Onor um verdadeiro exemplo de sociedade igualitária?

  3. Rio de Onor, um exemplo de economia solidária com cariz rural para o futuro?

  4. Podem as mulheres ser uma garantia de sucesso para o futuro de vilas como Rio de Onor?

 

Ao entender estas quatro questões, procurarei mostrar se a tese antropológica que defendeu as comunidades isoladas das montanhas do Norte de Portugal como sendo igualitárias, quer na questão social (abordada por muitos antropólogos, entre eles Brian O’Neill) quer na questão económica, com consequências na primeira e a ser alvo de maior desenvolvimento neste ensaio, foram efectivamente precisas - pode também parecer um tema obsoleto (sobretudo numa Europa desenvolvida), mas nunca me pareceu tão actual se os nossos olhos conseguirem sair da nossa bolha de conforto.

 

Continua (mesmo que não interesse a ninguém)...

 ____________________________________________

(1) Dois bons exemplos são a "Ilha", de Aldous Huxley, ou um dos expoentes máximos desta literatura a "Utopia" de Thomas More.

(2) Ensaio sobre Rio de Onor.

(3) Rio de Onor: Comunitarismo Agro-Pastoril.

 

Alguma bibliografia para os mais interessados:

  • Dias, Jorge, Rio de Onor, Comunitarismo Agro-Pastoril, Editorial Presença, Lisboa;

  • O’Neil, Brian Juan, Proprietários, Lavradores e Jornaleiras, Publicações Dom Quixote, Lisboa;

  • Pais de Brito, Joaquim, Retrato de Aldeia com Espelho, Ensaio sobre Rio de Onor, Publicações Dom Quixote, Lisboa;

  • Wolf, Eric, Peasants, Prentice Hall, New Jersey, 1966;

     

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14 comentários

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De m-M a 17.01.2018 às 10:58

Huxley! <3

Por acaso a mim interessa-me, a ver se aprendo algo mais ;)
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De Robinson Kanes a 17.01.2018 às 12:18

:-)

Obrigado!
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De HD a 17.01.2018 às 18:39

Caramba... muita coisa a estudar sobre o assunto :s
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De Robinson Kanes a 17.01.2018 às 19:10

De vez em quando lá me dá para arruinar o blogue :-)
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De HD a 17.01.2018 às 19:14

Ahahah e a nossa cabeça, ter de tomar notas e procurar algumas fontes de enquadramento! ;p
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De Robinson Kanes a 18.01.2018 às 10:44

Vou tomar isso como um elogio :-)
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De HD a 18.01.2018 às 20:51

Claramente! ;-)
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De Rita PN a 17.01.2018 às 18:57

Tu não podes ser boa pessoa... comecei o dia debruçada sobre uns excertos do "Admiravel Mundo Novo" ... Huxley
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De Robinson Kanes a 17.01.2018 às 19:11

Merece bem a pena a leitura completa... E depois, nada como o "Regresso ao Admirável Mundo Novo"... Se um já nos deixa a pensar, o segundo deixa-nos... desolados?
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De Rita PN a 17.01.2018 às 19:14

Tendo em conta opiniões de quem leu, sim... Descolados. Dir-te-ei depois de o ler!
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De Robinson Kanes a 18.01.2018 às 10:45

Muito bem, ficarei a aguardar :-)
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De Marta Elle a 18.01.2018 às 11:23

Não fazia ideia da existência destas aldeias comunitárias.
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De Robinson Kanes a 18.01.2018 às 11:30

Muitas já não existem, são meros museus... Mas visitar as mesmas ainda é uma experiência deveras interessante.

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