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O Calvário da União!

por Robinson Kanes, em 28.03.17

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 Jacopo Bassano, O Caminho Para o Calvário (The National Gallery)

Fonte da Imagem: Própria

 

Existe algo que sempre me inquietou no seio da União Europeia e que são, nada mais nada menos, que os partidos antieuropeístas!

 

Sun Tzu, no capítulo sobre os Pontos Fortes e os Pontos Fracos dizia: “não repitas tácticas que deram uma vitória, deixa antes que os teus métodos sejam ditados pela infinita variedade das circunstâncias”. Quero acreditar que é por isto que partidos com assento no Parlamento Europeu gritam pelo fim da União Europeia mas de lá não arredam pé.

 

Tenho muitas criticas à União Europeia, sobretudo em alguns moldes que a sustentam bem como pela falta de liderança e competência que tende a apresentar nos seus líderes. Contudo, a Europa, ou melhor... a União Europeia continua a ser dos locais mais aprazíveis da terra para se viver e essa é uma realidade inegável!

 

Se podemos e devemos mudar a União Europeia? Sim, façamo-lo e rápido, mas sabotar esta instituição levando a mesma à sua extinção é no mínimo caricato... e sou dos primeiros a admitir uma profunda crise nesta instituição.

 

Poder-me-ão explicar que ter assento parlamentar na União Europeia é uma forma de defender valores deste ou daquele movimento mas... e tomemos um exemplo simples, fará sentido que eu me encontre a trabalhar numa organização que me paga o salário e me dá benefícios singulares e depois venha manifestar-me contra o fim desta, porque simplesmente tem de acabar?

 

Uma das maiores lições da União Europeia e que prova a superioridade desta sobre extremismos de esquerda e de direita é a forma como aceita estes mesmos extremismos no seu seio, mesmo sabendo que tais extremismos podem ser o seu fim. São estes extremismos que criticam a Presidência de Trump, mas procuram, diariamente, acabar com esta instituição. São estes extremismos que alertam para um renascer do fascismo mas praticam o comunismo elevado ao expoente máximo do totalitarismo e vice-versa.

 

O actual bode expiatório é a moeda única e ao invés de se articularem políticas monetárias que levem a uma saída da crise o objectivo é a destruição e, mais uma vez, cito Sun Tzu: "por isso, na guerra, deve evitar-se o que é forte e atacar o que é fraco”.

 

Talvez o fim último destes movimentos não seja a paz interna nem externa mas sim o caos e o alimento de uma elite que procura o seu espaço para governar a seu bel-prazer, contudo sem uma solidez que dê garantias de sucesso e estabilidade, já dizia Sun Tzu, agora no capítulo dedicado ao estabelecimento de planos: “toda a guerra é baseada no engano”. Estes espectáculos distratores são um sublinhar das palavras do sábio.

 

No caso português, continuamos a deixar passar situações gravíssimas e também a beneficiar das mesmas, quer do ponto de vista da justiça, quer do ponto de vista social, democrático e legal, mas como sempre... a culpa está lá fora, em Bruxelas. Está lá fora em Bruxelas, porque continua a enviar dinheiro a rodos, mas agora quer algo em troca e isso é algo para o qual ainda não estamos talhados... “Mas um reino que foi destruído nunca pode renascer, nem podem os mortos ser ressuscitados”, também o disse Sun Tzu no capítulo dedicado ao ataque com fogo.

 

E nós, continuaremos a permitir a destruição do reino só porque continuamos adstritos a uma sede de poder e de dinheiro? E estaremos preparados para viver com as dificuldades inerentes a uma saída do Euro e até da União Europeia? Mais do que nunca, os discursos libertadores e "amigos" do povo são dotados de uma falta de competência dos seus arautos e colocam-nos alerta para aquela igualdade, e agoro recorro a Orwell, em que todos são iguais, mas uns serão mais que os outros...

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6 comentários

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Rita PN a 28.03.2017

Maior coincidência seria impossível...
Como ambos já verificámos, o meu post de hoje resume parte do teu.

Já li e reli o texto algumas vezes e continuo sem saber muito bem por onde começar. Talvez me limite a mais uma frase de Sun Tzu:
"A estratégia sem tática é o caminho mais lento para a vitória. Tática sem estratégia é o ruído antes da derrota."

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Robinson Kanes a 28.03.2017

E o Sun Tzu que já está tão lá para trás, mas continua a ser tão necessário… para o bem e para o mal.
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Rita PN a 28.03.2017

Bem verdade! As velhas maximas, embora apelidadas de velhas, permanecem quase sempre atuais pela universalidade que encerram. Por outro lado, tudo na vida é cíclico. O que ontem foi verdade, depois de amanhã poderá vir novamente a ser. Os conflitos, a desintegração, a união, as crises, as catástrofes naturais e humanas... Tudo tem o seu ciclo de vida.
(Só a estupidez humana parece ser uma constante.)

O que está a acontecer presentemente na Europa, não é fruto de ontem. Tão pouco de hoje. Deriva de um ciclo prestes a fechar-se e que urge em ser renovado.
(Também as maçãs podres caem das árvores, abrindo espaço para que novas possam nascer).

É um tema demasiado complexo é preocupante. As consequências de uma eventual desintegração da União Europeia não são de todo benéficas para a maioria dos países. Em alguns casos diria mesmo arrasadoras.
E será que queremos mesmo isso?
Será mais fácil uma ruptura radical do que a cedência e abertura ao entendimento e cooperação?


A propósito de ciclos:




Ciclicamente
Nem tudo o que foi deixou, efetivamente de ser.
A noite que nasceu e morreu, retornou.
A hora ida depressa voltou.
O mundo girou, no mesmo sentido
Da rotatividade dos dias do calendário
De quem não vive em linha reta,
Paralela
À sua real existência.

Redondamente enganado
Exilidado
No viver mundano e redondo
De um ciclo já viciado
Vê ciclicamente
Alterarem-se as estações,
Quatro quartos de emoções,
Por ele experimentados
Esperança, suor, decadência e lágrimas
Retornados.

Assim se nasce
Assim se vive
Assim se envelhece
E assim se morre
Ciclicamente em vida.

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Robinson Kanes a 29.03.2017

Talvez por isso, o passado (em alguns aspectos) não tem de ser coisa do… passado. O passado ensina-nos, a fazer melhor, a não repetir os mesmos erros, a aperfeiçoar, a ser melhor…

Sim, estas questões são cíclicas. O que está a acontecer, eu considero que seja novo, pois a Europa nunca esteve tão unida como hoje, praticamente como uma federação com tantos actores. O problema reside nos problemas que enfrenta e esses não são novos e estão estudados há séculos…

Quando nada há a fazer, fazer ruir e começar de novo pode ser a melhor solução, é mesmo a melhor em muitos casos… mas há tanto para fazer e depois? Temos o exemplo de Farage no Reino Unido… alimentou uma polémica, conseguiu moldar a cabeça dos eleitores e na hora de actuar, quando era mais preciso… demitiu-se. Hoje, no Reino Unido corre uma notícia que esse mesmo indivíduo no seu "show" (sim porque hoje tudo é show até colocar as mãos na massa) dá conta de que se o Brexit não for sucedido ou enfrentar dificuldades, emigra… ou seja deixa o Reino Unido… é isto que queremos?
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Rita PN a 29.03.2017

"O que está a acontecer, eu considero que seja novo, pois a Europa nunca esteve tão unida como hoje, praticamente como uma federação com tantos actores." - Bom, isto é uma espada de dois gumes. Se por um lado é verdade que a união foi sendo consolidada ao longo dos tempos, o facto de o número de autores ter vindo a aumentar pode não ser tão positivo assim. Quantas mais cabeças, mais ideias. Ideias essas que nem sempre seguem a mesma corrente. E quando uma diverge, inevitavelmente, há sempre quem a siga, porque com ela concorda, apesar de nunca se ter manifestado antes. E o rio, que era único, bifurca. Adiante, bifurca novamente, porque assim lhe foi permitido. Porque as margens não são tão incontestáveis assim, não são imotáveis, não são vitalícias e sofrem transformações ao longo dos tempos. E quando começas a verificar que dentro de uma união, se estão a criar grupos distintos, a coisa não vai correr bem. Não vão remar todos para o mesmo lado, porque foram abertos outros canais.

(quem diria que eu vinha discutir politiquices publicamente... nem me sabia tão visionária de certas questões ahahaha)

Adiante...
As medidas, culturas, deologias, crenças, políticas, formas de estar e de governar são parte integrante do ADN de cada país. Por mais que se tente uniformizar a coisa, sabemos de antemão que é utópico. Até porque, e aqui temos outra ponta da mesma espada, o apelo e o trabalho feito no sentido dessa mesma união é, por vezes, forçado. E quando se vai contra o que está enraizado na sociedade e nas políticas partidárias de um dado país, para se tentar impor visões, ideias e medidas que vigoram e são defendidas por outros países, a revolução tem início. Mais pacifica ou mais exaltada, mas ela existe sempre.
Agora vejamos, temos os países Gurus da Europa e temos os seus subordinados, que perante acusações, declarações, medidas contraditórias e por vezes discriminatórias não se calam. E aqui das duas uma, ou perdem os mais fracos, ou os mais fortes batem com a porta e os pequenos que se governem.
É claro que todos os resgates financeiros que têm sido feitos a Portugal, Espanha e Grécia, para não ir mais adiante, não são do agrado dos demais. São culpa da má gestão política e financeira de cada país. Ora, também não vamos andar constantemente a reboque dos outros, certo? Qualquer coisa de muito urgente tem que ser feita. Se não temos o mesmo poder económico para estar ao nível dos maiores, também não nos afundemos, gastando aquilo que não temos, apenas por fogo de vista, ou desviando para belo proveito. (E não vamos falar de corrupção outra vez. Porque as notícias vindas público ultimamente são motivo para vergonha alheia e para desacritação nacional. Como não ter os pais da Europa piursos com os seus filhos?)

Enfim... isto dá aqui pano para... mortalhas?
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Robinson Kanes a 29.03.2017

Um dos erros da União foi ter pensado que a Europa poderia ser os Estados Unidos da América (EUA). Esse foi um erro e, em alguns sectores, continua a sê-lo. Mesmo nos EUA não é fácil gerir essa situação e a única vez em que um Estado quis a independência ocorreu uma Guerra Civil.

A diversidade é boa, depende é como se pode gerir. Não é fácil sentar à mesma mesa dois países ou mais que há 10 anos, por exemplo, estiveram em guerra. Não, mas aí está o segredo de uma boa política, de uma boa gestão. As políticas têm de ser analisadas tendo em conta o todo mas também observado algumas especificidades económicas, culturais, políticas e por aí adiante. É também preciso que exista uma liderança e confiança fortes, o que não tem vindo a acontecer. E não, se no mesmo navio, apesar das nossas diferenças, não estivermos todos na mesma sintonia, as coisas não acabam bem. Grupos de pressão nunca poderemos evitar, essa é a questão, portanto o segredo está na gestão. Se é preciso fazer uma assimilação de países mais lenta? Talvez.

No caso dos países do sul, não entendo porque não existe uma maior união, por exemplo. Portugal está longe de Espanha (e já nem falo dos outros países). Sempre que estou em Espanha perguntam-nos porque somos tão fechados… eu digo a brincar que ainda temos traumas por resolver…

Agora se me falares em políticas que estão a ser seguidas por países como a Polónia e a Hungria que chocam com os valores e políticas da União, aí sim, serão necessárias medidas. E já não vamos falar dos ventos que se levantam sempre que se fala de uma potencial adesão da Turquia.

Rever o modelo é fundamental, caso contrário, temos de pensar a União Europeia de outra forma e isso que deve ser equacionado… até porque muitas políticas comuns têm resultados bastante abaixo do esperado, por exemplo as políticas de emprego e livre-circulação.

Estás lá! Ainda te vou ver num palanque a gritar por uma mudança! :-)

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